Canalha graúda

Entre os anos lectivos de 94-95 e 97-98, fui professor no Ensino Secundário. Passei por 5 escolas, trabalhei com perto de 100 professores e avaliei cerca de 700 alunos (20 a 30 alunos por turma, ou mais, com 7 ou 8 turmas por escola). Desse tempo, a experiência mais importante para o meu crescimento, como cidadão e como pessoa, foi a das reuniões de avaliação. Constatei diferenças de escola para escola, de director de turma para director de turma, de grupo de professores para grupo de professores. Como seria inevitável. Mas todos os episódios apresentavam uma característica que me fez querer sair do sistema de ensino na primeira oportunidade: havia uma fraude generalizada na atribuição das notas finais.

Em cada turma, aparecendo alunos com negativas recuperáveis — alunos com 3, 4, mas mesmo 5 negativas! — podia haver pressão para a alteração da nota. O director de turma perguntava se algum dos professores aceitaria rever a sua avaliação, adentro da autoridade do conselho de turma para ponderar os casos onde o chumbo poderia ser evitado. E evitar os chumbos era apresentado, ou tacitamente aceite, como sendo um benefício evidente, quase uma causa patriótica. Depois, via-se de tudo: desde aqueles que se recusavam a mudar a avaliação, passando pelos que faziam cenas e se mostravam constrangidos antes de a alterarem, até aos que alinhavam sem demora para despacharem a coisa. Foi a minha iniciação à quântica social: a responsabilidade colectiva das instituições a nascer da irresponsabilidade profissional dos indivíduos.


Professor recém-licenciado, não sabia nada de nadinha do ecossistema escolar. Tinha de ser desbastado, mas por mim. Nas escolas não há alma nem coração para corpos caidos do céu a caminho do inferno. É suposto que cada um se safe, seja lá como for, e de preferência sem incomodar o parceiro, pois, olha, chatices todos temos e, olha, problemas são mais que muitos, etc. e etecetera, e tal, aguenta, faz o que (não) podes. Professor que vai ocupar vagas de substituição, o meu caso, é um esguicho de óleo, está ali só para manter a máquina a funcionar. Não conhece ninguém, não sabe o porquê dos acontecimentos nem dos tormentos entre os bípedes à sua volta, não recebe a confiança dos colegas, não tem poder político na comunidade escolar, não vai continuar com os alunos no ano lectivo seguinte, não sabe quando terá de sair, a correr, por regresso súbito do professor substituído. Quando não é colocado, ou quando termina o prazo da substituição, não tem direito a subsídio de desemprego, fica a cravar os pais, cônjuge ou amigos para poder comer. E dele espera-se o mesmo que de todos os outros professores do quadro, perfeitamente adaptados ao meio, confortavelmente remunerados e caseiramente apaparicados pelos serviços da escola onde são magnos doutores: excelência pedagógica, científica, profissional e cívica. Porém, tudo isso sofri e voltaria a sofrer de bom-grado, alegre, pela subida honra de educar. Ser cúmplice da imbecilidade nacional é que não.

Ensinar é avaliar. Os dois conceitos podem ser vistos como análogos, pois não é concebível um processo pedagógico que não parta da avaliação dos objectivos disciplinares e do estado inicial do aluno, que não avalie os métodos e instrumentos requeridos e à disposição, e que não faça a avaliação, no final de um qualquer ciclo, da assimilação e aplicação dos conhecimentos e competências propostos. Aliás, o que os alunos esperam do professor, tanto em grupo como individualmente, na escola como fora dela, é sempre uma qualquer modalidade de avaliação, sempre. Esta semântica vasta, entrelaçando dimensões técnicas e éticas, exigindo recursos psicológicos e intelectuais, mesmo existenciais, é a perdição dos que recusam ser avaliados como professores.

Os professores sabem que as notas dadas aos alunos são um arbítrio. Mesmo nas disciplinas que permitem testes de rigorosa aferição quantitativa, o sistema educativo apela ao acrescento de outros factores e fontes de elementos avaliadores. Na prática, isso significa que o docente é um déspota iluminado, o monarca da sala de aula, criando ele próprio a lógica da sua avaliação. É a esta gente, especialistas em mentir, que o Governo está a dizer que vão ter de ser avaliados, e logo uns pelos outros. Compreende-se o horror que leva tantos para a rua: por um lado, o professor medíocre não quer ser confrontado com a sua falta de vocação e de capacidade; por outro lado, o professor disfuncional sente-se num meio hostil, não confiando no sistema, muito menos nos indivíduos que o constituem. As escolas estão cheias de pessoas que não queriam lá estar — que lá entraram, ou por lá se deixaram ficar, por inércia, falhanço e medo. Pessoas que fazem tudo para se aproveitar dos direitos da classe, nada para respeitarem os deveres da missão. E só quem nunca frequentou uma sala de professores pode continuar bovinamente alheado da falta de qualidade, científica e deontológica, dos que lá passam a caminho de mais 50 minutos de atraso de vida.

Fiquei fascinado com a dilaceração inevitável no processo educativo. Havendo, em média, 150 alunos por ano sob a minha responsabilidade, era impossível cuidar de cada um com o tempo que a sua individual situação requeria. As diferenças de classe social, ambiente cultural, relação familiar, desenvolvimento cognitivo, a basilar variação na competência de ler e escrever, originavam incontáveis injustiças. Era evidente: cada aluno precisaria de uma tipologia e método de avaliação exclusivos, únicos para o seu caso. Mas o sistema não comporta tal atenção, por ser logisticamente desmesurada, todos os sujeitos educativos tendo de ser uniformizados e despachados pelo resultado final. Assim, as notas atribuídas subsumem inevitavelmente os factores pré e para-escolares, o desempenho individual dos estudantes, o aleatório histórico, mas também o desempenho dos professores. Sobre este último aspecto, há um formidável aparato defensivo que permite iludir a influência negativa da docência numa qualquer avaliação que se realize, seja ela qual for. E também há o interesse comum das escolas em obter o maior número de aprovações. Porque quando se passa um deficiente de nível, passam os professores ao lado de eventuais problemas com esse aluno, com os seus pais e com o Estado — e podem ir a banhos sonhando-se competentes, aconchegados pelos inconscientes sorrisos das crianças que enganam, e sem um pingo de vergonha.

Num certo ano, numa certa escola, numa certa reunião, testemunhei a racionalização última do procedimento fraudulento. Perante uma situação de impasse — num desses casos de 5 negativas que passaram a 4, para depois conseguirem ficar 3, e demorando a que o terno fosse despido pelo duque — um professor explicou aos obstinados avaliadores que a reprovação com 3 negativas era a pior situação possível para os envolvidos e que se teria de evitar a todo o custo tal tiro no pé. Mais valia, então, que o aluno chumbasse com 5 negativas. E porquê? Porque com 3 negativas a probabilidade dos encarregados de educação virem protestar era altíssima. E qual seria o problema? Vários, e cada um pior do que o outro: obrigatoriedade de reunir com esse encarregado de educação em período de férias, improbabilidade de lhe conseguir explicar a situação, possibilidade de protesto para o Conselho Directivo, possibilidade de queixa para o Ministério, eventualidade de justificação de todo o processo de avaliação, os testes e grelhas e critérios e sumários do ano inteiro, perante um inspector. Cenário dantesco. Nada se podia conceber de pior do que ter de exibir a indigência profissional a uma autoridade estranha à alquimia do chumbo. Estava-se, naquela sala, num processo de enculturação: os mais sabidos explicavam aos néscios que os bebés não vinham de França, e que para serem feitos alguém teria de foder alguém.

Os professores são o espelho exacto da sociedade. A quase totalidade dos pais não espera que a Escola ensine, por isso não se envolve nem pede responsabilidades. Os pais não acreditam que 9 ou 12 anos de escolaridade tenham alguma relação com a noção de mérito. O que os pais pedem é que comam todos, que os seus filhos se safem. O estatuto social dos professores é reles, desautorizam-se pela conivência com a miséria moral onde vão buscar o pão, e qualquer chumbo aparece como uma injustiça — O que custa passar-me o rapaz, se os que passaram são todos iguais ou piores do que ele?!… A Escola não é um centro de formação do intelecto e do carácter, não ensina a ser pessoa ou português, não gera adultos nem cidadãos. É uma forma de obter licença para procurar salário, nada mais. Depois, no mercado de trabalho, funcionam as lições da obnóxia cunha, essa verdadeira escola de vida. Aí, sim, os ex-estudantes competem na disciplina e aplicação, na investigação e aprendizagem. E tiram, com aclamação geral da família e amigos, o curso superior de corrupção.

A Escola devia concentrar-se em criar seres humanos corajosos. Muitos professores têm coragem, porque muitos portugueses têm coragem, porque muitos seres humanos têm coragem. Mas aqueles que recusam ser avaliados, são uns cobardes. Estragam-nos a canalha miúda.

363 thoughts on “Canalha graúda”

  1. há dias ouvi a representante da associação nacional de professores mais um representante do s. joão de brito, na sic notícias. a senhora respondia que os professores não se recusavam a ser avaliados, até porque essa avaliação estava prevista desde há muito, apenas não tinha sido ainda aplicada. isto revela que o problema é mesmo o da sua aplicação. surpreendeu-me que com tanta sapiência no olhar não tivesse sido capaz de responder a uma única pergunta com uma proposta; só disse que o problema era «o como», que tinha que se fazer as coisas com calma, etc. ora, se as coisas devem ser feitas com calma e o diploma está aprovado há muitos e muitos anos, tal como a senhora referiu, não faria sentido ter sido a própria associação de classe a estabelecer as regras, tal como o fazem as ordens de outras classes profissionais? e se o diploma está aprovado há tantos anos como dizia, não foi esse tempo suficiente «para se fazer as coisas com calma»?
    de realmente útil apenas disse que havia um problema na avaliação de professores, a dúvida de esta poder ser efectuada por pares. que dos professores se pode esperar terem formação e competência para avaliar alunos, mas talvez não os próprios professores.

    daquilo que contas também tenho sido testemunha, ao participar nos conselhos de turma como «mãe de turma». e verifico que a professora de português não facilita, porque «tem medo de os resultados nos exames nacionais revelarem uma grande discrepância entre classificações», tratando-se, agora, do 9º ano.

    posto isto, como em tudo há de tudo. e há professores esforçados, competentes e com vontade. por outro lado, assistimos, como vai sendo hábito nestas manobras reformadoras do executivo, à coisa feita atabalhoadamente, em cima do joelho. como estes diplomas que se tem visto aí pela net e pela comunicação social, em que há graves ambiguidades. isto comprova que os professores não têm, por norma, a competência para a elaboração de um documento que presida à sua própria avaliação. mas também que não se pode compensar o atraso com a precipitação.

  2. Valupi
    Este teu artigo provocou-me dois tipos de angústia. A primeira, e mais dolorosa, foi a que resultou da verdade que contém cada parágrafo, cada linha do que escreveste. A segunda, a de pensar que é um desperdício se este texto, esta análise lúcida e exemplar, ficar apenas entre nós, os que por aqui passamos todos os dias.
    Preferiria que estivéssemos errados. Mas ambos conhecemos o meio o suficiente para saber que não estamos.
    Um abraço.
    Daniel

  3. Angústia e muita revolta.

    Que contudo também precisa de tacto e contenção, para não deitar tudo a perder com a mais que compreensível raiva e imoderação.

    O sistema educativo português É UMA FRAUDE. Não adianta esconder mais esta trágica realidade. O mais importante é como regenerá-lo. Não será fácil. Nem possível, sem a colaboração empenhada dos Professores. Nem medidas corajosas dos governantes. Mas ponderadas e sensatas!

    Também passei pelo ensino, com paixão e brevidade, nos meados da década de oitenta. Parece-me que, de então para cá, as coisas só pioraram. Mas a descrição deste Artigo também assenta fielmente ao meu tempo de docente.

    Lamento que tudo isto tenha apodrecido tanto perante a indiferença geral dos eleitores e dos políticos. E dos intelectuais com responsabilidade social – jornalistas, comentadores, fazedores de opinião.

    A tarefa actual é hercúlea. Nem vale a pena perder tempo em busca de responsáveis pelo Passado: há que voltar os olhos para o Futuro, nada mais.

    Espero que os Professores compreendam que aquilo que têm a perder nesta guerra virtualmente perdida contra a revelação da ignomínia, que são os seus interesses particulares, não é tão valioso quanto aquilo que podem recuperar, que é o respeito e o prestígio da “classe” a que pertencem.

    E espero também que os governantes saibam o que estão a fazer. Já ninguém tem certezas firmes quanto a isso. Agora poupem, enfim, a Educação às manobras interesseiras e mesquinhas das lutas partidárias. Basta!

    A bem do nosso Futuro como Povo, País e Cultura.

  4. Muitos professores são mesmo canalha sem préstimo, só estão ali para ganhar o deles e boicotar tudo o resto. Outros, menos numerosos, trabalham a sério, dedicam-se, empenham-se, interessam-se pelos alunos, que é para isso que deviam servir as escolas. A FENPROF, que não representa sequer 25% dos professores, fomenta o predomínio dos primeiros, defendendo desde sempre a progressão por antiguidade, o aumento de regalias, a diminuição de horários, a gestão anárquica, a irresponsabilidade geral. Avaliação, só se for feita pelos sindicatos. Há 30 e tal anos que a FENPROF e quase todos os outros sindicatos de professores boicotam tudo o que, sob qualquer ministro, o Ministério da Educação pretende fazer para melhorar a situação do ensino. Nunca apoiaram uma reforma, é obra. Algumas reformas, se calhar, não eram boas, mas eles denigrem e boicotam TODAS, sem excepção, há 30 anos. Quando uma reforma é evidentemente boa e necessária, eles dizem que não são contra o princípio, estão é contra o modus faciendi, contra o ritmo, contra a calendarização, contra a falta de diálogo, contra a cara do ministro ou da ministra, que é feia e má. 200.000 profs constituem o maior contingente de assalariados que há em Portugal (construção civil incluída), com segurança máxima de emprego e um dos melhor pagos, comparativamente. Vão manifestar-se no sábado do Parque Eduardo VII ao Terreiro do Paço. Não faltem.

  5. Conheço muito mal o ensino secundário, só lá estive 3 ou 4 meses nos anos oitenta – creio que o teu texto é incisivo, Valupi, no melhor dos sentidos, e mais avassalador, mas isto é deveras preocupante e como índice, assustador:

    http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=924637&div_id=291

    Ando para aqui a phroneticar, desde que recebi um email do meu sindicato a encadear a lista de ‘novidades’ do ensino superior. O PM que não se iluda, não vou aplaudir carrascos do sistema neorwellianos.

    Temos engenheiro técnico ressabiado e eu vou-me a ele. Não agora que isto aqui é muito quentinho e não puxa a agonística mas daqui a uma semana já tou aí.

  6. Omo lava mais branco.

    Reformas de ensino, décadas de políticas erradas do ME, para nada. Reforme-se o povo e proteja-se o governo, que isto por aqui é para enganar o pagode.

  7. Eu quero que se lixe: és uma delícia quando escreves com a alma e o coração de braço dado com essa carola magnífica.
    Rendo-te a homenagem possível, que este cabrão de texto é do melhor que li nos últimos anos em qualquer suporte de comunicação.
    Estou rendido.

  8. Acho que vou imprimir e afixar no placard da escola das minhas filhas…
    Podia nascer e morrer três vezes que não conseguiria dizer assim tão bem tudo o que penso.
    Valupi, o Rui Marques diz que há por aí uns espaços para criar uns partidos. Está tudo bem com o teu diploma?

  9. Concordo com tudo mas discordo na importância que acreditas existir na avaliação dos professores com a qual no entanto concordo. Ela é comum em vários países e me parece um critério razoável de uniformização do critério de aceitação de entrada de professores no ensino público, tal como acontece em Espanha, em Itália, na Alemanha, etc. No entanto países como Espanha mesmo avaliando professores não solucionam o problema da falta de qualidade da educação. No informe Pisa Espanha apenas está um pouco melhor que Portugal… O verdadeiro problema Valupi é a degradação do critério de exigência na avaliação dos alunos, e isto apenas está parcialmente ligado com a falta de avaliação dos professores. Na verdade se trata de algo que veio de cima, é ideológico e gerado pelas políticas educativas dos últimos anos. Não é um problema só português mesmo que em Portugal seja mais grave que noutros lados na mesma medida aliás que quase todos os problemas gerais europeus são mais graves em Portugal… Quem conhece a realidade finlandesa, paradigma de sucesso na educação, me disse aliás que o que mais lhe chamou a atenção é a forma como os professores lá “ainda” são idolatrados, sua palavra é lei, etc… Coisas muito modernas não? É por esse tipo de coisas que considero que a política educativa deste governo que quer avaliar professores, o que me parece bem, é no mais importante um atraso ao que havia antes já que sistemáticamente coloca em causa em vez de potenciar o que é mais importante: a capacidade e o poder dos professores. É que também fui aluno e jovem e sei que existe algo mil vezes pior que um mau professor: um professor bom ou mau (isso deixa de ser importante) sem nenhum poder. Um mau professor com poder para “chumbar” um aluno se não estuda nem sabe nada (se pode aprender sem bons porfessores e por conta própria, isto até é um exercício relativamente saudável) até nem é tão mau assim. O pior de tudo é que a cultura de facilitismo cria um caldo de mediocridade que contamina tudo, em sentido vertical, horizontal, tudo. Diplomas universitários que não valem nada, futuros professores que não valem nada, futuros alunos que não valem nada, futuros pais que não valem nada, futuros votantes que não valem nada, futuros políticos que não valem nada, etc, etc. Tem que haver um ponto em que alguém diga, ok, os nossos professores são maus, a nossa universidade é má, tudo é mau, mas isso não é desculpa: porque tu, aluno, terás que ser bom. Eu sei que isso não acontece da noite para manhã, mas tem que começar a acontecer em alguma obscura noite para acontecer em alguma luminosa manhã. Não?

  10. Valupi, deixa que eu te tire o chapéu pelo texto. Logo eu – coincidência – que ando revoltada com a escola das cunhas, a escola dos sem carácter ou dos oportunistas sem vergonha na cara. O curso superior de corrupção também muito procurado. Todas as vagas são preenchidas. Não fica uma vaga para quem quer “singrar” na vida.

  11. Jovem Valupi,
    Se eu não tivesse que ir dar aulas daqui a poucos minutos, respondia-te.
    Mais logo vou tentar fazê-lo. Mas já te vou dizendo que nunca foste professor. Foste, na verdade, um licenciado que deu, digo, vendeu umas aulas aqui e ali e mais nada. Ser professor requer muito mais.
    Ai, ai, Valupinho, afinal és um tretas…

    Até depois.

  12. O Valupi é um homem com muitas vidas sempre que precisa de vender o peixe. Aqui era jovem recem-licenciado em 94.

    Aqui, tinha conhecido os terrores da Pide:
    Nos finais de 60, numa aldeia algures no Ribatejo, o meu pai estava com a minha mãe e a minha avô à porta da casa desta, na rua. Estávamos nas despedidas e falava-se de mim. De repente, o meu pai começa a falar alto, exaltado, dizendo que éramos governados por uns “malandros”, uns “bandidos” que mandavam miúdos para morrer em África, prendiam pessoas, que isto e que aquilo. Em pânico, a minha mãe e a minha avô logo o mandaram calar, tentando acalmá-lo. E a minha avó disse-lhe desesperada: “Não diga isso, que “eles” levam-no e espetam-lhes agulhas por baixo das unhas!”.
    Lembro-me como se fosse hoje. Foi a minha iniciação à PIDE. Mais tarde tive a sorte, e a honra, de conhecer verdadeiros revolucionários, daqueles de que não reza a História, mas que participaram activamente na noite de 24 para 25. Alguns deles, verdadeiros lutadores pela liberdade, nunca conseguiram respirar dentro dos partidos, e rapidamente estavam excluídos de qualquer banquete do poder, passando a ser perseguidos pelos novos tiranetes. Faço só uma singela homenagem a um deles, o Hermenegildo Gomes, realizador da RDP (posto na prateleira logo nos começos de 80) à altura da sua morte, há uns anos atrás. Ele era homem que viveu no circuito boémio do Ary dos Santos e congéneres, conheceu uma geração de pessoas a todos os títulos notável e hoje completamente esquecida. O Fernando Alves fez-lhe uma bela homenagem póstuma na TSF.

  13. Ele é mais professor de língua do “inginheiro”.

    Como sabe que tem pategos a ouvi-lo vende este peixe mal-amanhado sem precisar de falar, uma única vez, nas políticas para a o ensino da responsabilidade do Estado e de tantos (des)governos.

    Se o ensino está mal, mude-se de professores. Se o país está na cauda da Europa, mude-se de povo.

    É assim que os situacionistas branqueiam aqueles para quem “trabalham”.

  14. É o desespero. O governo põe o poder na rua, contrata os primos do V.M., e amanhã temos a manif dos profs e a anti manif dos pró-gov. Só espero que não sejam os mesmos que encheram o Altis nas intercalares para a Câmara de Lisboa.
    Já não há pachorra para estes Valupis rejuvenescidos.

  15. susana, também vi esse debate, ou, na verdade, dupla declaração, da senhora e do senhor. E pareceu-me evidente que a senhora estava a dizer que a avaliação fica bem é no papel. Tudo o que seja tentativa de a concretizar, será implacavelmente combatido.
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    Daniel, estas considerações não têm novidade. Outros, e em condições de maior responsabilidade e autoridade, já as expressaram faz tempo. Creio que todos sabemos do desprezo a que a escola tem sido votada pelas populações. É a única explicação para o fracasso educativo.

    Educar é uma das mais realizadoras actividades; como tu tão bem sabes, intuo. São esses, os da vocação, que devem entrar no debate e defender o seu ideal, feito vivência, que a tantos faz crescer.

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    A. Castanho, é como dizes: indiferença generalizada, falência política, confusão estratégica e aproveitamento demagógico – eis o resumo dos últimos 30 anos.
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    catarina, aterrador mas não desesperado.
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    Nik, tens toda a razão. Os sindicatos são a outra face do salazarismo.
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    z, essa das polícias nas escolas é uma história muito mal contada.
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    luis eme, concordo: curial complemento do Nik. Mas falta sempre dizer mais qualquer coisa, ou não fosse esta questão uma das mais complexas em Portugal, a par, e entrelaçada, com a da Justiça.
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    shark, deixas-me corado. E esse tipo de ocorrências não fica bem entre dois galarós como nós. (mas vou ficar com a medalha que tiveste a generosidade de me atribuir)
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    teresa, o Rui Marques é uma boa notícia, mas começou mal. Contudo, é ainda muito cedo para saber o que traz na lancheira. Quanto ao meu diploma, e posto que não tinha Inglês Técnico no currículo, tem tudo no sítio – e sem faxismo!
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    Rui Fernandes, concordo contigo: se o objectivo não for o de formar bons alunos, tudo o resto será um absurdo. E todos repetirão o mesmo estribilho. Porém, há vários caminhos para lá chegar, e essa diversidade é não só inevitável como bondosa. No que concerne a este Governo, estamos a assistir à primeira confrontação da História de Portugal entre uma política de responsabilidade e uma cultura corporativa da irresponsabilidade. São tempos da boa política, estes.
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    claudia, é isso mesmo: é toda uma sociedade cúmplice da corrupção, tornada regra do jogo, facto da vida.
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    Sílvia do Carmo, deixas-me um curiosíssimo comentário. Primeiro, o “jovem”. Qual o termo de comparação que estás a usar? Se eu sou jovem, o que serás tu? Segundo, o “requer muito mais”. Muito mais do que o quê? Do que escrever um post? Terceiro, o “Ai, ai, Valupinho, afinal és um tretas…” Afinal? Mas, no final de quê e porquê e para quê e quê?

    Como vês, tens mesmo de voltar para me dares umas lições.
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    zazie, começa a preencher os papéis para doares o teu cérebro à ciência. Os teus neurónios não admitem a possibilidade de alguém ter memórias dos finais dos anos 60 e, em concomitância, ter acabado uma licenciatura em 1995 (já com estágio feito, pronto, fique mais um detalhe biográfico para a tua obsessão). Isso tem óbvio interesse antropológico e neurobiológico. E se doares o cérebro em vida, não só fazes uns cobres como passas a andar com a cabeça mais arejada.
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    ziridum, disseste coisas certas e importantes. Sendo só de lamentar que as certas não tenham sido importantes, e que as importantes não estejam certas.

    (sim, estou a viver uma fase de rejuvenescimento, como esta piadinha de preparatória ilustra)

  16. Como diria Cesário Verde, o texto que aqui comento vale apenas um desdém solene. Valupi, homem ou mulher…, mostra com o seu texto apenas que foi um paraquedista do ensino que, ainda por cima, não se adaptando ao terreno onde caiu, ficou com marcas profundas.
    Sobre a avaliação, registo apenas que os professores se governam com as regras que ao longo de anos lhes têm sido impostas por uma tutela cujo objectivo é melhorar as estatísticas baixando o nível de exigências. Os cenários relatados, que correspondem à realidade exterior, mas não à interior, correspondem apenas à angústia dos professores quando se vêem perante o dilema de avaliar correctamente, desobedecendo a filosofia do ministério, ou benevolamente, fazendo o que o dono quer.
    Gente como o senhor ou senhora Valupi são bem o peões de brega que Sócrates e Maria de Lurdes desejam. Gente que foge das salas de aula como o diabo da cruz, mas gosta de dar porrada nos que lá ficam.
    Insultos e insinuações, como as registadas no texto e nalguns comentário, são honras para a maior parte dos professores que, apesar de achincalhados por uma sociedade que abomina os transmissores do saber e os promotores da liberdade de pensamento, não se vergarão.

  17. Pois é. Este último grau que adquiriste é tão arejado que deve ter saído na mesma rifa do do teu engenheiro.
    Serve para lavar mais branco.

    Mas, és tão patusco nessa singeleza com que fazes redacções para engrominar os tolos, que até faz lembrar aquela piada do Groucho: Now there’s a man with an open mind – you can feel the breeze from here! …

    (mas, aqui para nós, os totós até gostam que lhes comam as papas na cabeça)

  18. Ruy Ventura, “Valupi” foi alcunha descoberta em mulher (“Maria Valupi”), e aqui usada por um homem. Quanto ao que dizes, convido-te à releitura das tuas palavras e ao exercício de as veres na sua objectividade: nada dão que pensar.
    __

    zazie, que representas a brigada do reumático coscuvilheiro, já não é notícia. Mas que sejas uma “attention-freak”, é a novidade da “saison”.

  19. Pois, mas ao menos não disfarço nem ando para aí a armar ao garino, recém-licenciado só para vender banha da cobra de apoio a um (des)governo de trampa.

    E não sou coscuvilheira. Aquele debate com o Tcher foi baseado num post que eu fiz. Está linkado, tem um nome: cocanhazie, é perfeitamente natural que o tivesse lido. Qualquer pessoa pode lá ir e confirmar.

    E nem falaria nessa patranha que tens andado a vender, não fosse agora o caso ser mais descarado. Ainda no outro dia também me dizias que dos anos 60 só poderias saber alguma coisa lendo num livro. E eu deixei passar, porque não tenho nada a ver com carecas armados em “canalha graúda”.

  20. Mas qual é a parte da cronologia que te baralha? Achas assim tão difícil ter memórias do final dos anos 60 e nada poder saber deles a não ser pelos livros? Se isto para ti é complicado, como fazes para pedir um café ao balcão?

  21. sílvia do carmo, acerta num ponto fundamental. embora não possa saber se o valupi foi ou não professor, o que se resumiria a ter conseguido que os seus alunos obtivessem as aprendizagens requeridas pela disciplina de acordo e em proporção com o seu potencial cognitivo, expressivo e intelectual (e isso a sílvia não sabe, deve saber apenas que não é a frescura o que diminui a competência, bem pelo contrário), acerta nesse problema de muitos ditos «professores» serem apenas licenciados colocados no ensino. a vocação não é fácil: implica que se seja apaixonado pelos conteúdos, pelas pessoas e pela transmissão. exige, também, muita estaleca e só posso concordar veementemente com quem, acima, refere a necessidade de o professor ter poder na sala de aula. este poder deve ser restabelecido.
    a quem, até no exercício da actividade docente, venha contestar o império da mediocridade nas fileiras dos docentes, recomendo o seguinte exercício: lembram-se de quando foram alunos do secundário? e qual a proporção de bons professores que tiveram? (vistos assim, rectrospectivamente, com o necessário distanciamento afectivo.) ah pois. pouquinhos, não foi? pois nada mudou. ou pelo menos não para melhor.

    temos ainda um outro problema na actualidade: os professores formados pelas escolas superiores de educação, aqueles que vão para os níveis de ensino acima do EB1. são professores que já vêm profissionalizados e que em muitos casos foram parar àquelas escolas porque não tiveram média para entrarem em cursos de especialização curricular. mas, no entanto, passam à frente dos licenciados nas matérias específicas, que têm que fazer o estágio para ficarem em pé de igualdade. algumas universidades, por causa disto, já criaram a «via ensino» no último nível de especialização, que se substitui à profissionalização, o que é uma reacção aconselhável.

    como anedota, lembro uma entrevista de rua a que assisti numa ocasião passada de protesto de professores. muitos tinham ficado de fora nas colocações e o repórter dirigiu-se a uma senhora. esta disse que era professora de português há vários anos e que agora a impediam de exercer a sua profissão, era a sua, não tinha outra. à pergunta sobre o seu grau académico, respondeu «ora bem, eu obti a licenciatura em…».

  22. Valupi, há um problema de fundo que tem de ser contrariado desde já. Admitamos para simplificar o exercício da excelência, a arête, que se traduz numa ‘aristocracia’, o governo dos ‘excelentes’ (nos serviços e nas escolas), como sabes isso degenera imediatamente numa oligarquia (o governo de uns poucos, que ficam agarrados aos tachos e manobram bem de bastidores: os medíocres, secundários, frustrados e vingativos, conservadores numa palavra).

    É essa degenerescência que em tempos neorwellianos pode ser muito perigosa, veneno substantivo de muito quotidiano, com a escalada subjectiva que poderás imaginar,

    só se contraria a transição aristocracia-> oligarquia com a democracia

    os dirigentes têm de ser um lugar transiente senão isto fica insuportável

    bom, vou preparar-me para o ataque

  23. A parte da cronologia que baralha não é a mim. A mim não me baralhas nada e nem tenho nada a ver com o teu legítimo desejo de disfarçar a careca.

    É apenas a lata com que tu dizes tudo e o seu contrário, combates um passado mal-arrepdendido, para andares para aí a vender a banha-da-cobra da situação, fazendo estes nºs de circo.

  24. Claro que sabes que estás a falar para a plateia das “modas & bordados” que fica de boca aberta com o “estilo” da redacção e nem se pergunta qual a responsabilidade dos governos na vergonha do Ensino que temos.

    Limitaram-se a bater palmas num corporativismo bacoco contra os profs que não são, sem se preocuparem em verificar a absoluta imbecilidade desta pseudo-reforma.

    Para o caso, também não sou parte interessada. Nem como prof nem como “encarregada-da-educação”.

    Sou parte interessada como cidadã dum país a ser escavado há muito por todos estes irresponsáveis a quem a tua redacçãozinha nem precisou de nomear- Fazes política de cordel, para vender aos corações cor-de-rosa.

  25. Lata é a tua, que vives em suave esquizofrenia. De mim já disseste que tinha 50 anos, era católico, ou ex-católico, comuna, ou ex-comuna, gay, ou homossexual, de direita, ou de esquerda, e fora o que felizmente já esqueci, mais o seu contrário, pois.

    Enfim, o preço da fama, né?

  26. É um copo meio vazio o que se mostra…

    Em 94/95 ainda havia escolas sem bibliotecas, sem cantinas, sem salas sem professores (com o 12 ano já se podia dar aulas…)Os objectivos não eram tanto a qualidade da educação mas o “meter” os alunos nas escolas…Neste contexto, mais importante que as “notas” dos alunos a cada disciplina eram outras competências mais transversais (e muito mais básicas mais vale um aluno na escola que fora dela). 97/98 foi há uma eternidade. Hoje o paradigma deve ser outro, já há escolas, pavilhões, bibliotecas, muitos professores (apesar de muitos casos dramáticos), os professores já estão mais estáveis (há apenas 2 anos!) e o 12 ano já é (sem ser obrigatório) uma meta dos alunos…

    Já há escolas mais exigentes (se calhar ainda exigentes demais, para a nossa realidade, ainda não somos a “Suiça”), mesmo nos novos (deste ano) Cursos Profissionais e nos CEFs, melhor preparadas, com melhores resultados…Comentar a Escola com os olhos de há uma década como professor, ou quando fomos estudantes é um exercício inútil e em muitos casos imbecil…

    No entanto as coisas ainda não estão tão bem como nós achamos que deveria estar (qual é o sector que em Portugal está), por isso amanhã irei de Faro até Lisboa à manifestação “salazarista” (conforme li algures por aqui) reivindicar , não só uma avaliação de professores útil (o menor dos problemas actuais, mas o que tem mais soundbytes), uma escola democrática (ver gestão das escolas), mais inclusiva (ver Lei da Educação especial) e multidisciplinar (ver Lei do Ensino Artístico).

    Não vou gritar “Ministra para a Rua” porque embora não lhe reconheça (nem à sua equipa) competência para o cargo, creio que a sociedade portuguesa tem mais a ganhar se se conseguir resolver uma crise sem proceder a uma chicotada psicológica…

  27. Eu não quero saber absolutamente nada de ti. Nunca tive a menor curiosidade. Apenas li os posts porque fui linkada.

    E, de ti, até posso confirmar que nunca teria a menor curiosidade em conhecer, precisamente porque já te “conheço” por escrito.

    O resto é feeling que vem com o tom misógino, e foi apenas a propósito da misoginia a defender a ideia de obrigar as mulheres a “chocarem filhos” para os outros quando os não querem que disse isso- que cheirava a léguas que não gostas de mulheres.

    Lê isso como entenderes. Por mim, é palha. Esta aqui, na redacçãozinha de encomenda à “inginheiro” é que não foi palha.

    Se assim não fosse podias continuar para aí com o nº de garino que era igual ao litro. E também não me atinges com reumáticos porque aí, sim, nota-se que a careca te incomoda.

  28. bem, para começar promova-se o meneses a Menezes, vá lá

    eu desde que me doutorei fui sempre avaliado pelos meus alunos todos os anos, numa sérir de itens, anonimamente, num inquérito processado por uma empresa, e achava bem, recebia os resultados no ínicio do ano subsequente e procurava melhorar coisas

    e acho

    mas antes de me porem na rua aconteceu lá uma coisa, contra todos os resultados anteriores, contra toda a lógica, e contra a experiência sensível, que só pode querer dizer que resultados desses podem ser manipulados pelos oligarcas do sítio, nos bastidores

    fico na dúvida se é Salazar ou KGB, very similar

  29. Acho que é a ti que a careca incomoda. Para quem não quer saber nada de mim, dás-te a muito trabalho para encontrares folículos no meio dos posts. Talvez tenhas de impedir esse arriscado fenómeno de seres linkada, pois foge-te o chinelo para a peixeirada logo a seguir.

    Outra coisa: eu não sou responsável pelas tuas alucinações, por isso não me venhas pedir dinheiro para os remédios. Essa de me imaginares a obrigar mulheres a ter filhos não lembra, e de facto, ao careca.

  30. Valupi

    Não sei se milhões de portugueses continuam a sê-lo, mas ao contrário de ti penso que é uma vergonha ser salazarista, em Portugal, no século XXI.

  31. Para uma pessoa que se limitou a avaliar 700 alunos, tira conclusões pouco fundamentadas, logo, parte-se do princípio, baseadas em preconceitos ou em observações no mínimo impressionistas.
    1. Se foi realmente professor, sabe que legislação tem enformado a avaliação nestas últimas décadas e o quanto tem promovido a passagem dos alunos, mesmo sem conhecimentos solidificados.
    2. Se foi realmente professor, sabe que as “passagens ao colo” se devem, em grande medida, a essa legislação, que desresponsabiliza os alunos e as famílias, tornando-nos coitadinhos.
    3. Admito que existirão professores menos quantificadores na sua avaliação, mas a maioria está do outro lado, isto é, do lado do rigor e da promoção de um verdadeiro sucesso.
    4. Serão poucos os professores que rejeitam o princípio da avaliação. A maioria deseja-la, mas não deste modo. Quer por exemplos que os professores titulares não sejam os mais velhos mas os mais competentes e com melhor currículo académico e profissional. Quer que a avaliação não sirva para lhes cortar a possibilidade de promoção, mesmo que sejam excelentes. Quer que a avaliação não sirva para apagar das estatísticas o insucesso e o abandono que o governo deseja camuflar.
    Bom fim de semana!

  32. …apesar de muitos de nós (incluindo eu) ainda nos deixarmos embrenhar numas teias salazaristas que nos toldam a razão e se atravessam no quotidiano…

  33. isto que alguns têm dito também é verdadeiro: o «sucesso» escolar com “passagem administrativa” é algo que sucessivos ministérios têm advogado. e não se pode querer estatísticas favoráveis a par com rigor na avaliação; seria necessário aceitar um quadro realista das competências dos alunos, em primeiro lugar, e depois partir para a definição de estratégias a implementar. colocando-se, até, o cenário de uma escola diferente para alunos com menores capacidades, que a crença de todos terem o mesmo potencial já caiu em decadência. para aqueles que nunca aprenderão física, matemática ou literatura que se criasse, pelo menos, uma escola que lhes fosse de alguma utilidade. pois estes alunos passam por ali sem qualquer apreensão de coisa alguma. a isto, muitos respondem com a crítica de que é um princípio elitista, quando é apenas a realidade com que os professores se confrontam.

  34. Sou professora e das que mais contestam a classe. Porém, não posso deixar de me rebelar contra a leviandade com que aqui se fala dos professores. Não visto a carapuça nem acho que ela sirva à maioria de professores que eu conheço (e são muitos!). Só posso atribui-la ou a algum trauma, com efeitos retardados, de professor substituto, ou a ignorância ou a pura má-fé. De facto, quase ninguém, actualmente, com dois dedos de testa, e independentemente de ódios ancestrais, deixa de reconhecer que a política a que se assiste, no momento, contra a classe docente é uma autêntica caça às bruxas. Muito estranho, ainda, que relativamente ao ensino superior nem uma única alusão tenha sido feita. E, de facto, aí é que se encontram as maiores “misérias” a nível científico, pedagógico, humano. Creio que muitos dos que aqui comentam terão frequentado a Universidade e, facilmente, reconhecerão a verdade e justeza do que afirmo. Professores que dão umas aulas por desfastio, nos intervalos das suas verdadeiras e rentáveis ocupações; avaliações que são feitas arbitrariamente, mediante técnicas do tipo roleta russa ; um uso e abuso de poder a raiar o absolutismo e o despotismo; um desrespeito total pela identidade dos alunos… Enfim, um sem número de atrocidades que faz com que uma sem número de alunos reconheça, na fase universitária, que o(s) seu(s) antigo(s) professor(es) afinal era(m) um(uns) indivíduo(s) porreiro(s). Mas, quanto aos professores do ensino superior, “moita carrasco”. Se calhar, se não faltasse aos do básico e secundário a arrogância e desumanidade que aos do ensino superior sobejam e com que mascaram, muitas vezes, a sua incompetência, aqueles professores seriam mais apreciados e repeitados. É que, para uma certa mentalidade de parvónia, o “dar-se ares” continua a resultar.
    Alude o sr Valupi a uma experiência pedagógica por que passou, não tardando a extrapolá-la como se ela fosse prática corrente : um conselho de turma onde os respectivos professores ponderavam a retenção de um aluno com cinco níveis negativos. Ao invés de ver nisso alguma preocupação humanitária( excesso de zêlo, eu diria mesmo) larga de, num crescendo, cascar a torto e a direito numa classe inteira. Com efeito, é prática comum, sempre que um aluno está na iminência de reprovar, o Conselho de Turma ouvir os intervenientes a fim de com mais rigor percepcionar o perfil do aluno, as potencialidades dele, etc,etc… E isto por razões de vária ordem: receio de se cometer uma injustiça, de não dar uma oportunidade quando ela era tão oportuna( passe a redundância) e, até, por imposições legais pois a lei diz que a atribuição de qualquer nota é da competência do Conselho de Turma, sendo o professor de cada disciplina apenas um proponente de uma avaliação(a da sua disciplina). Além disso, das reuniões são lavradas actas onde constam as exclusões e as justificações dos professores que atribuiram percentagem de avaliações negativas iguais ou superiores a 50 por cento. Mesmo que a justificação seja a burrice e o desinteresse dos alunos generalizadamente reconhecidos. É claro que ocorrem, por vezes situações extremas como aquela que leva os professores a reapreciarem o caso de um aluno com 5 níveis negativos. Isso também me incomoda. Mas pergunto até que ponto essa não é uma situação extrema e ditada pela pressão de apresentar números para estatísticas de sucesso a que professores e escolas são constantemente submetidos numa política de faz de conta que vai, sucessiva e sistematicamente, promovendo o facilitismo e a mediocridade e em que “sob a nudez forte da verdade está o manto diáfano da fantasia”? A esse propósito, recordo que a nível do básico( só recentemente o soube) um professor só pode reter( eufemismo para reprovar)uma determinada percentagem (5 por cento, salvo erro) dos alunos e, só depois da aquiescência dos pais. E, mesmo, observando esses “extraordinários” requisitos, arrisca-se ele professor e ela, escola, a terem a respectiva reprimenda. Por causa dos números, exacto. E isto não é enfabulação, asseguro.
    Sabe-se que com a democratização do ensino, com os rendimentos mínimos, com a cada vez maior ocupação dos pais que não têm tempo para os filhos e , quando o têm não sabem o que hão-de fazer com eles, a Escola tornou-se um autêntico valhacouto. E os professores têm que endireitar o que muitas gerações e educações entortaram, num pluralismo de aptidões só rivalizadas com as dos palhaços nos circos: têm que ser literatos, cientistas, pedagogos, psicólogos, sociólogos, sexólogos e o diabo que os carregue! É muito mais que dois em um : é cinco ou seis em um. Convenhamos que mão de obra muito barata!
    Enfim, muitíssimo mais teria a dizer. Falta-me o tempo, por ora , e talvez uma dose de paciência ( que essa é-me esgotada pelos vossos filhos!).
    Assim, termino com uma advertência: RESPEITINHO QUE EU SOU PROFESSORA.

  35. andre, ser salazarista é ser um português do século XX, nos moldes tematizados pelo José Gil. Claro que te estava a provocar, mas usando a realidade. Milhares de professores presentes na manifestação deste sábado serão profissionais de vocação e talento, nem discuto. Mas todos coniventes com o marasmo, isso é inegável. Porque errar é humano, como se aprende nas boas escolas.
    __

    Ruy Ventura, o teu raciocínio começa por invocar o argumento de autoridade, como é apanágio dos fracos. E depois lanças as culpas para o Governo, como é típico dos irresponsáveis. O facto permanece: nenhum professor se movimentou para implementar um programa de avaliação de desempenho docente, mas todos se apavoram com este Governo por ter ousado afrontar a miséria educativa.
    __

    maria câmara, agradeço a confirmação de tudo aquilo que eu escrevo acima. É algo pelo qual terei muito respeito.

  36. Excelente texto. Sou prof no superior mas tenho muitos ex-colegas no básico e secundário que sempre me contaram historias idênticas.
    É por isso que os gabirús já começaram a chegar as Universidades (não estou a falar da independente e quejandas). Nunca foram travados nem avaliados. Nem por pais nem por profs. E depois queixam-se da incompetência e da corrupção! Tudo isto se começa a fabricar na escola!

  37. Vou ter que voltar a ler este texto com atenção porque sou professora e fiquei muito magoada com o que li.Mas não quero ser precipitada porque li muito rapidamente.
    Só duas perguntas: é dos que acredita que o caos social é culpa dos professores?
    Qual o motivo pelo qual não ficou na escola a empenhar-se na tarefa de formar cidadãos conscientes?
    Mas como já disse, eu volto cá.

  38. Por aqui foi preciso este senhor Valupi ser professor em 94 para conseguir compreender um sistema de ensino que conhece desde o início.

    E, falar-se em reformas de ensino por avaliação milagrosa de profs desta maneira atabalhoada, sem se tocar no gigantesco cancro do ensino que são as escolas de Ciências de Educação, com todo aquele eduquez da nossa desgraça só não é piada porque é encomenda.

    O Ministério da Educação está há décadas cativo do grande cancro- os pedagogos, todas essas pedagogias de Benaventes a presentes, todas essas reformas de Robertos Carneiros adiante; toda esta doutrina para inglês ver e preencher estatísticas.

    Não se tocar nisto e resumir esta avaliação a uma culpa de uma classe profissional, cujos males se descobriu enquanto recém-licenciado nos anos 90 e nunca se notou 30 anos antes, é gozar com as pessoas.

    Ainda que, no contexto de um blogue e no da “poesia” para quem se debitam estas enormidades, nem seja nada de especial.

    Uma mera brincadeira que só deve preocupar quem vem aqui para ler análise política escrita pelo Valupi, sem saber que ele só faz agit prop para tolinhos.

  39. Aliás, se ele tivesse escrito apenas isto: é preciso poupar e cortar e está tudo errado há décadas.

    Fechem-se todas as escolas de Ciências da Educação e mande-se para a rua todos os pedagogos do ME eu aplaudia.

    Só assim. Agora poupar nos fósforos mantendo o monstro bem vivo e ainda tendo o descaramento de dizer que os profs é que nunca fizeram nada, é gozar com o pagode.

  40. cândida, essa é uma afirmação derrotista (sei que é irónica, mas está também a personalizar a crítica). repare: diz que há uma a estatística esperada nas reprovações. segundo diz, ela é mesmo imposta. no entanto, como sabemos, um dos erros crassos, que aliás também refere a respeito do ensino superior, é a passagem de alunos que nada sabem, por «compreensão das injustiças sociais, etc.». estes alunos vão parar ao ensino superior. se calhar acontecer nesse sistema situações análogas, estes podem inclusive chegar a docentes universitários, perpetuando o estado das coisas e por aí fora.

    ora não será a primeira medida de um corpo docente que se quer, a si mesmo, íntegro clamar pela alteração dessas condições? recusar-se a compactuar com tais directivas, essas que implicam a aprovação de alunos que não detêm as competências mínimas exigidas por cada disciplina? por que razão os professores não fazem manifestações por semelhante exigência? não será por adesão, calada, ao facilitismo?

    é algo que eu procuro sempre aferir, como docente, independentemente da simpatia, do reconhecimento do potencial e outras variantes individuais do aluno: quais são as aprendizagens que constituem os requisitos da disciplina que lecciono? a partir daqui não é difícil saber se aprovo ou não os alunos. e se não obtiveram as ditas aprendizagens só beneficiarão da continuação no mesmo nível de ensino, até que aprendam alguma coisa. a manutenção eventual da sua ignorância será mais um atestado de ter tomado a decisão certa ao não lhes ter permitido a transição para o nível seguinte.

    compactuar com um artificial nivelamento e com um simulacro de sucesso escolar, isso é que não, nunca. se essa é a prerrogativa do sistema, então combata-se o sistema.

  41. desculpe, confundi a maria cãmara com a cândida. a cãndida não tinha ainda dito coisa alguma, pelo que as afirmações que lhe atribuí foram as da primeira.

  42. «compactuar com um artificial nivelamento e com um simulacro de sucesso escolar, isso é que não, nunca. se essa é a prerrogativa do sistema, então combata-se o sistema.»

    querida susana,
    e o que pensa que andamos nós a fazer? :-)

    (quer ir à manif comigo? :D

  43. Um texto muito bem escrito, sem dúvida. Muito generalizador também. Demais, na minha opinião, a de alguém que deu aulas ao ensino básico, secundário e recorrente nocturno, aleatoriamente, entre 1986 e 1992, em dezenas de scolas da Grande Lisboa e do interior profundo do País. Passando por centenas de reuniões de Conselhos de Turma, Conselhos Pedagógicos, Direcções de Grupo. Sob a alçada de dezenas de onselhos Directivos, Executivos, chame-se-lhe o que se quiser.
    Nem sempre acontecia assim, como descreve neste bem escrito texto, englobando tudo e todos num mesmo saco que pretende passar a mensagem de que os professores são maus, néscios, influenciáveis, corruptos mesmo, diria eu. Muitas vezes acontecia as 5 negativas permanecerem após horas de reunião, sim, porque é para isso que elas servem e nos pagavam, debater em relação a cada disciplina com nota negativa a prestação do aluno. Quando ela era mesmo má, era má e ponto final. Quando a avaliação global, aquela que engloba mais do que númerozinho 2 escrito numa folha de teste, justificasse uma reflexão conjunta, ela fazia-se e a decisão final reflectiria o conjunto de ponderações feitas em relação ao aluno e às perspectivas de obter sucesso no ano para o qual fosse transitar. Quantos acompanhei, nessa transição, nesse processo de crescimento que em anos subsequentes vinha a revelar, afinal, bons alunos onde antes tinha estado o miúdo distraído ou preguiçoso ou desmotivado.
    Só uma coisinha para terminar: nenhum professor que eu conheça refere que não quer ser avaliado. E muito menos pelos seus pares. Agora um profesor de matemática ser avaliado por um de Filosofia, ou vice-versa é que já não me parece muito credível…
    Já para não falar da “colaboração” dos pais e encarregados de educação no processo. O mesmos que invadem escolas e afirmam partir os cornos ao primeiro que lhes diga que o seu menino não pode atender o telemóvel nas aulas.
    Aí é que vamos ver o fartote de notas positivas, garanto-lhe.

  44. sem-se-ver, lá está: como disse no meu primeiro comentário, há de tudo, como em tudo. o texto refere-se ao que há de perverso no sistema e faz referência aos englobados na excepção, no último parágrafo. é disto que importa falar, do que está mal, desde que se mantenha a devida salvaguarda. porque o que está mal é que deve estar sujeito a debate e alteração, enquanto o que está bem e funciona deve ser observado como exemplo a incrementar (e deve ser valorizado, até com atribuição de prémios de desempenho – como agora já acontece, se não erro).

    quanto à sua primeira pergunta: estão a lutar contra o sistema, mas as motivações da luta são tão diversas como as pessoas que a arvoram. não é claro que seja contra este sistema de manutenção artificial dos números, mais parece que é contra o que consideram a descredibilização da classe.

    a minha experiência é a de receber alunos que entram para a faculdade com média próxima de 18 e que pouco sabem do que seria suposto saberem naquele nível de ensino. e não só das matérias relevantes e específicas para o curso em causa, mas também a cometerem erros graves de ortografia, de aritmética, de conhecimento em geral. tive uma turma que se manifestou, numa grande percentagem, surpreendida ao saber, por um colega moçambicano, que em moçambique não se vivia em palhotas. «ai há lá prédios?!» foi a exclamação que se ouviu perante as fotografias que ele mostrou. (aqui também se coloca a questão da relevância de currículos: que importa que saibam os nomes das diferentes nuvens, que irão esquecer em breve, se não sabem em que mundo vivem? para que serviu a disciplina de geografia, neste exemplo?) claro que isto não pode ser atribuído apenas às falhas da escola, mas à inércia da sociedade em geral. a escola não pode é ser mais um factor de inércia. também admito que muitos professores se queixam da pretensão de fazerem deles terapeutas ocupacionais, e com toda a legitimidade, pois ao não se cingir a tarefa do professor ao ensino, a dispersão pelo resto reduz a focagem do problema que importa. mas outros (muitos) compactuam. e outros tantos, sabemos todos, por muito que se esforcem nunca serão bons professores. falta-lhes o saber e falta-lhes o gosto.

    claro que também existe o oposto e o intermédio. há alunos brilhantes, há alunos bons, medianos e esforçados. é disto que se faz uma turma, e que se consegue ensinar, como não será diferente no ensino secundário. é quanto aos alunos medíocres e sobretudo os francamente maus que eu me interrogo: como é que conseguiram lá chegar? mas, mesmo os maus – quando se esforçam, claro – acabam por aprender o mínimo. e então eu pergunto também: como é que não o aprenderam antes? tenho alunos que me perguntam porque nunca lhes foi explicado um problema «daquela maneira tão simples» ou «porque é que nunca nos disseram isto antes».
    constato que as discrepâncias entre eles são tão notórias que advêm de problemas no ensino anterior. e, atente-se, não noto aquilo que se diz de haver uma relação directa entre as condições económicas dos alunos e a sua aprendizagem. o que noto é a grande diferença conseguida pelos seus professores anteriores. nomeadamente no entusiasmo, na exigência e na seriedade para a disciplina, para além das aprendizagens propriamente ditas. claro que o nível cultural do meio em que cresceram também os ajuda, mas isto dispensa ser apontado pois é um dado adquirido.

  45. os professores só lhes faz bem serem avaliados, desde que seja um procedimento justo e transparente. Isso só pode acontecer se se arranjar maneira de que os avaliadores sejam também avaliados, provavelmente pelo universo desses mesmos avaliados.

    quando não, haverá a tendência da oligarquia se gerontocratizar

  46. z,
    «os professores só lhes faz bem serem avaliados, desde que seja um procedimento justo e transparente.»

    e os professores andam a pugnar por isso há anos… este modelo de avaliação tem qualidades. depurem-se os defeitos e estaremos conversados.

    (conversados é um oportuno vocábulo, no contexto actual de imposição de um sistema atabalhoado, incompleto e ainda imperfeito).

    susana,
    sabe qual é a principal e uniforme motivação de luta de todos os professores neste momento? serem tratados com respeito.

  47. tenho que concordar com essa exigência porque todos são merecedores de respeito.

    o que nunca compreendo bem é o inverso, porque não há um discurso uniforme: como se consubstancia a falta de respeito de que se consideram alvo?

  48. z, creio que o ideal democrático ambiciona a realização da aristocracia. É para manter essa alta exigência que a democracia é preferível, na sua dinâmica e poder de renovação, à oligarquia, a qual estagna e perverte.
    __

    Marisa B., é isso: a escola transmite a corrupção, por actos e, em especial, por omissões.
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    Lia, cá te esperamos.
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    cândida, sempre desconfiei disso.
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    Mar, tens toda a razão. Porém, o meu texto não pretende ser um ensaio ou um levantamento especializado. Trata-se de um testemunho, com as limitações e os erros inerentes. Também aceitarás que nenhum professor pode declarar-se adverso à avaliação, pois tal seria suspeito, socialmente incorrecto. Mas os professores ficarão tranquilamente à espera do dia de são nunca, dado que manter a avaliação apenas no papel evita muita chatice. É isto que está em causa, e a ministra e o Governo estão de parabéns pela coragem de afrontarem tão poderosa corporação.

  49. Para mim, o Valupi é aquilo que escreve e nada mais.
    Lamento que uma breve passagem pela nossa escola pública o tenha desiludido. Na verdade ainda há muito a fazer na escola de “massas”, nomeadamente a avaliação dos professores, uma vez que esta escola necessita de bons exemplos para os mais jovens, bem como de pessoas vocacionadas para a missão da educação e ensino, como a maioria dos professores que eu conheço nas escolas onde tenho leccionado. Mas posso dizer-lhe que a escola pública nunca esteve tão bem como hoje, apesar de tudo. Sejamos honestos. Mas a verdade é que algumas estão melhores que outras e isso não se deve à “forte liderança” das escolas nem à excelente qualificação dos seus docentes. A verdade da nossa escola pública está nos alunos e seu contexto familiar e social. O resto são normativos de uma sociedade mercantilista em vias de desenvolvimento e tretas de “velhos do restelo” que teimam em aparecer.

  50. A prosa é boa, inspira-se em verdades até aligeiradas, a demagogia, essa, é sublime.

    A prosa é boa pecando apenas por defeito. Por esses idos de 90 e até 80 uso para exemplo uma escola, na Figueira da Foz, onde na sala de professores se combinou uma quotização comum para haver um jornal diário, no caso o Público, escolhido por votação. Todos contribuíam. Três liam-no. Os restantes disputavam-no no primeiro intervalo para fazer as palavras cruzadas.
    Para complementar o ramo podia acrescentar profes de Português que nunca tinham lido um livro, pessoal de Matemática que achava a teoria dos fractais um problema linguístico, e… nem me apetece nem este é o espaço e tempo para contar factos ainda mais hilariantes com que convivi no dia-a-dia.
    A maioria dos professores era de uma ignorância confrangedora, e como tal vulneráveis a tudo o que é possível e imaginável em matéria de cedência perante qualquer pressão.
    Hoje são um pouco menos, mas não muito.

    O bom demagogo pega nestes factos com as unhas, e despeja-os com os dentes. Uma pessoa séria lembra-se de um pequeno pormenor, quase irrelevante: quando, no nosso caso, repentinamente o ensino básico passa de uma minoria para a obrigatoriedade, massifica-se: em alunos e em professores.

    O que se assina Valupi não reparou nisso. Por obra e graça do divino espírito santo seria possível conceber sem pecado os milhares de professores necessários para a escola passar a ser de todos. Infelizmente nem o invocaram, nem o anjo veio, e tivemos de viver com aquilo que tínhamos.

    E sim, ia dar aulas quem acabava um curso, ou nem isso, facto que de resto me permitiu alguma adaptação rápida às salas de profes: eram a repetição do bar da minha faculdade (a mais antiga e internacionalmente reconhecida do país), onde as rendas e bordados, a Maria revista e jornal da Bola mais a sueca ocupavam o ócio.

    Nunca achei que isso fosse exactamente um problema: fazem-se omoletes com os ovos que há. E servem, se soubermos distinguir o ensino de outras coisas. È que este faz-se por gerações; o resto, normalmente, tem prazos mais curtos.

    E sim, passei, e lutei por que passassem, alunos que não sabiam. Não sabiam o que os programas lhes exigiam, só que os programas não tinham sido feitos para eles. Digamos que dormi sempre tranquilo com isso: a primeira coisa que sempre inquiri numa turma minha, do 7º ou 8º ano, foi muito simplesmente contabilizar quantos deles tinham alguém em casa com mais habilitações que os filhos. Às vezes sempre aparecia um, ou dois. Eram a árvore, falamos da floresta. A floresta se permanecesse até ao 9º ano na escola alguma coisa devia levar para mais tarde. Suponho que se reproduziram biologicamente como os seus pais os haviam feito. Mas de uma geração para outra há avanços. Avanços que só se podem fazer geracionalmente. As dezenas de ministros que mentiram sobre isto deviam ficar de castigo no canto da sala com orelhas de burro, mas parece que tal prática além de ilegal não é pedagógica.

    Hoje as coisas já são ligeiramente diferentes. É mais fácil encontrar profes que lêem livros. A maioria teve formação para ensinar; má formação, é certo, filha de Boston e seus célebres mestrados mas alguma, o que costuma ser melhor que nada. Mas os filhos dos meus primeiros alunos, e já o verifiquei, têm alguns livros em casa, o que sempre lhes permite conhecer a palavra estante.

    Quanto ao resto, dispenso-me de ensinar a ignorância. Eu vendo aulas, não dou. É uma profissão remunerada, não é um sacerdócio. Dispenso-me portanto de explicar ao que se assina Valupi porque não faz a mínima ideia do que está neste momento em causa. Não, não é a avaliação dos profes, Não, nem é apenas o que perderam em termos de condições de trabalho, vencimento, de imagem social, e por aí.
    Estão a fazer na rua o que nunca fizeram porque voltaram a ser uma profissão com gente que gosta do que faz, e quer continuar a fazê-lo.

    Gosto da palavra dignidade, porque a entendo indissociável do género humano. Explicar isso até que é fácil, mas tenho exclusividade com o ensino público. Pois. Nem que me pagasses, tópas?

  51. Sílvia do Carmo, não se trata de uma breve passagem por uma escola pública: entrei para a escola pública em 1977, como estudante, e por lá fiquei até 1988. Em 94 descobri os seus bastidores, mas do que eu falo é do sistema educativo que não educa.

    O teu comentário confirma o diagnóstico: os alunos mudam porque muda a sociedade, não é a escola que muda a sociedade ao mudar os alunos.
    __

    João Cardoso, muito obrigado pelo teu texto. Forte testemunho, e bem esgalhado. Creio que validas a tese: a escola são as pessoas, são as pessoas, são as pessoas.

    Também no Governo, e no Ministério da Educação, há pessoas. Que talvez não precisem de receber lições de dignidade de ninguém, vai na volta.

  52. ” Os gabirus”, no dizer insolente de Marisa B. que confirma a minha tese, não têm que ser avaliados por pais. Foi-o você? Aposto que não. Nem seria muita perspicácia da minha parte adivinhar que nunca lhes daria confiança para tal. Pois bem, não sei quais as suas habilitações nem qualificações mas asseguro-lhe que quaisquer que sejam, não me deslumbram nem incomodam. Incomoda-me sim a sua desinformação. Tenho uma licenciatura de cinco anos e mais dois de estágio e não admito que qualquer um me venha avaliar. Se tiver envergadura para tal que avance. As minhas aulas são de porta aberta, e só não o são quando o barulho circundante não o permite. E, quanto a ser avaliada, sim, já o fui inúmeras vezes, bem como a maioria dos professores. Saibam os srs. que temos que frequentar acções de formação sobre temáticas concernentes ao ensino e às pedagogias, amiúde, sobre as quais temos que elaborar trabalhos sujeitos a avaliação. Aliás, para que se processasse a mudança de escalão, era impreterível que o professor tivesse um certo número de créditos provenientes dessas acções de formação. Além disso, todo o professor que transitava de escalão tinha que fazer um relatório crítico que reflectisse a sua prática lectiva no decurso dos anos em que permanecera no escalão anterior, o qual era apreciado por uma comissão designada para o efeito. Ora, a menos que o vosso conceito de avaliação seja tão arcaico que só a imagine possível através do estafado método dos exames, digam-me o que isso é se não é ser avaliado. Recordo-me de ter pedido, na altura, ao órgão de gestão da minha escola para substituir o relatório pela observação das minhas aulas, nos dias que lhes aprouvesse, sem prévio aviso. Foi-me dito que não era possível porque não estava previsto esse modelo de avaliação.
    Não me furto nem nunca me furtei a ser avaliada. Nem é essa a leitura que faço das reticências dos professores em matéria de avaliação. Agora, em que moldes? Por quem? Com que móbil? São perguntas que qualquer professor tem legitimidade de fazer. Qualquer tentativa de reduzir a luta dos professores ao problema da avaliação é uma manobra tão rasteira e básica como a do hastear o papão do comunismo sempre que alguém discordava do regime. Haja maturidade política, meus senhores.
    Que há muita gente que nunca devia ter dado uma aula na sua vida, e que há muito a limar na classe docente… Pois há. Como, aliás, em todas as profissões e na sociedade em geral. A fasquia está muito por baixo. A começar pela família que, quer se queira quer não, é e será sempre a célula da sociedade. E, afinal, que é a escola, senão o espelho da sociedade?! São lugares-comuns, bem sei. Nem por isso deixam de ser verdades.
    Claro que circulam lendas e mais lendas sobre a classe docente: trabalham em part-time é uma delas. Que o trabalhador boçal não considere trabalho preparar aulas, fazer testes, corrigi-los, fazer recolha e selecção de material didáctico, pesquisa de informação, etc, ainda se compreende. Mas pessoas instruídas como os senhores me parecem, não têm desculpa. Ou não será?

  53. Olhe que não, Valupi. Olhe que não…

    Se tivesse conhecido a escola privada e pública, como eu, antes do 25 de Abril de 74, provavelmente seria mais justo na sua avaliação da actual escola pública. Se calhar, o Valupi tirou a sorte grande da sua licenciatura na “farinha amparo”, uma vez que a escola pública que frequentou ” não educa” e, pelos vistos, também não ensina. Ou, então, teve a sorte e, quiçá, o privilégio de ter tido acesso a uma boa escola paralela.
    Deve saber que a escola reflecte a sociedade e o seu produto educativo reverte a favor dos alunos, pais e sociedade. Digamos que é uma empresa que visa satisfazer as necessidades de vários clientes.

  54. maria câmara, o que refere como método de avaliação preferível – isso de virem assistir às suas aulas -, parece-me bem mais desejável e eficaz do que os relatórios e quejandos que afirmou terem estado em vigor. mesmo assim permite o esforço pontual que pode traduzir competência mas não a sua regular aplicação.

    um método possível seria o dos exames nacionais para as várias disciplinas e uma aferição dentro de cada escola dos resultados obtidos pelos alunos de cada professor. assumindo que a população de uma dada escola será heterogénea, as disparidades possíveis de resultados de professor para professor permitiriam retirar daí conclusões.

    tem toda a razão quanto a esse ponto da avaliação feita pelos pais. é coisa que não lembra a não ser por manobra dirigida ao eleitorado, que ao ser assim chamado à contenda fica automaticamente do lado de quem o chama. não reconheço aos pais a competência para avaliar o desempenho dos professores, embora alguns possam ter uma opinião válida a esse respeito. ponho-me nesse lugar e a ideia é absurda.
    por outro lado, sempre que, como mãe, me dirigi a uma directora de turma com uma queixa sobre um docente e o seu desempenho, encontrei concordância. no entanto recebi respostas tais como «ah, sabe como é, a senhora tem razão, mas não se pode fazer nada…!»

  55. sílvia do carmo, diz que a escola reflecte a sociedade. e essa visão passiva do que é escola é um modelo que não pode ser alterado? não pode a escola alterar a sociedade?

  56. Susana,
    o facto de eu ter afirmado que a prática é a de ponderar a situação do aluno que é proposto para reprovar, não implica a alteração das notas. Diz-me a experiência que, na quase generalidade, os professores mantêm as classificações. Mas é natural que muitos professores, sobretudo, os mais jovens não se sintam muito à vontade, em início de carreira, para serem responsáveis por um ano de atraso na vida de uma pessoa. É natural e desejável, a meu ver: significa que há o receio de errar e a necessidade de ser justo. Avaliar é um acto que exige um enorme dispêndio de energia e muito, muito desgaste. E digo-o eu que já sou veterana.
    Quanto à cada vez pior situação académica dos alunos, mormente no que respeita a conhecimentos linguísticos, estou perfeitamente de acordo consigo. Recordo-lhe, porém que um aluno pode ter acesso á universidade tendo vindo sempre reprovado a língua portuguesa. No secundário, já os recebemos com um enorme défice nesse campo. É um processo em cadeia. Depois, a inexistência de hábitos de leitura, o ambiente culturalmente depauperado de que muitos provêm ( hoje em dia, a triagem é inexistente e um ambiente social e culturalmente desfavorecido são óbices de monta), para não falar na moda das mensagens e dos erros linguísticos a que a economia das mesmas conduz tudo isso são factores que contribuem sobremaneira para uma incorrecta utilização da língua. A carga lectiva a ela dedicada também me parece escassa, sobretudo atendendo ao estado a que as coisas chegaram. Isso para já não falar na desadequação dos programas. E numa multiplicidade de factores de ordem sócio-cultural.
    É que os órgãos das cúpulas estão totalmente alheados da realidade do ensino. Falta-lhes a experiência no terreno. Nunca a tiveram, alguns; outros, se acaso já a tiveram, esqueceram-na.
    Por isso que não me conformo com essa hipocrisia política de apresentar números de sucesso à custa da promoção de uma sociedade cada vez mais ignorante, mais néscia e mais destituída de sentido crítico. A eles, aos políticos, talvez lhes convenha que isso de livres pensadores custa muito a governar. A massa bruta é mais moldável.

  57. maria câmara, não é o que tenho observado como “mãe de turma”. há professores que se recusam, outros que têm medo, e outros que encolhem os ombros. há ainda quem prefira que eu me limite a fazer quorum e não emita opiniões nem proponha alternativas para os casos problemáticos, mesmo quando me manifesto dentro da minha área de competência profissional. quanto ao dilema de avaliar e ao receio de se ser injusto, bem sei, porque me defronto com o mesmo, sempre.

    quanto ao português, pois é. o sistema inglês tem uma exigência que considero recomendável: só entra para a universidade quem tiver feito a disciplina de língua oficial a um nível equivalente ao 11º ano.

    sobre a inadequação dos programas também já eu falei, e com mais detalhe o joão cardoso. já uma vez por aqui (também num post do valupi sobre o “eduquês”, se não me engano) referi essa utilidade de repensar a democratização do ensino e a diferenciação de curriculos.
    e por enquanto, por cá, ainda se vai sabendo fazer umas somas e subtracções; faça-se compras em frança e veja-se a impossibilidade do nosso hábito de “ajudar nos trocos”, que gera uma entropia no sistema, dependente do que diz a caixa registadora e com ofensas colaterais de quem está por detrás desta.

    falando da leitura aí está um campo em que eu, como mãe, posso assinalar uma mudança. tenho um filho no secundário e outro no 1º ciclo. e tenho sido testemunha de como o plano nacional de leitura tem sido uma ofensiva séria e com excelentes resultados. os pais é que participam pouco, sempre que existe o espaço aberto à sua participação.

  58. Susana,

    Nos últimos 30 anos a sociedade portuguesa tem vindo a transformar-se numa sociedade cada vez mais justa e equitativa, embora ainda muito longe da democracia concreta, desejada e idealizada por nós e, naturalmente, essa transformação tem vindo a reflectir-se na escola pública, mais por decreto do que por vontade cívica dos intervenientes, contrariando muitas vezes, por exemplo, a posição quase sempre conservadora da classe docente. Devo acrescentar que sou uma idealista e defendo uma escola pública de qualidade para todos, onde a igualdade de oportunidades, a modernidade, o sonho e a criatividade tenham lugar.
    Mas acho que esta escola está mais preocupada com as competências do saber fazer a fim de se construir uma sociedade onde haja pão para todos, o que é defensável, considerando a falta de qualificação de muitos portugueses. Quanto às rosas… o tempo o dirá.

  59. “Luta dos professores”, não. Sanha anti-ministra de uma parte dos professores, assim é mais correcto

    E de que é feita essa sanha?
    Do medo das reformas e da defesa do marasmo (“mais vale ficar tudo como está” dizia há dias o progressista Daniel de Oliveira).
    Da exigência de ‘democracia’ onde falta gritantemente gestão.
    Da defesa de ‘respeito’, onde não se avalia nem premeia o mérito.
    De chulice pura, como nessa questão do pagamento das aulas de substituição, exigido pela FENPROF.

    Oxalá chova hoje na Avenida da Liberdade!

  60. Valupi, essa da “poderosa corporação” desatou-me um sorriso rasgado e deu-me vontade desbobinar uma longa dissertação argumentativa sobre o meu desacordo (again). Como não tenho disponibilidade neste momento, só digo que claro que entendo que um testemunho pode ser diferente de outros, que os professores tal como as outras classes (os juizes são avaliados? dúvida minha, talvez burrice..) não têm que temer a avaliação, desde que a mesma seja feita com justeza, clareza, correcção (estou neste momento a passar na pele e a aplicar na de outros o temível porcesso do SIADAP) e que é precisamente a lacuna destes 3 factores que está em causa nesta (em mais esta) luta dos professores.
    Quan às propostas alternativas ao modelo de avaliação, os sindicatos foram chamados pela minist, numa lógica de democracia participativa, para dar palpites sobre a proposta (mais uma dúvida minha, talvez burrice…). :-)

  61. (a última frase leva um ponto de interrogação, peço desculpa pela falta de letras com as quais o meu teclado se alambaza às vezes…)

  62. sílvia, o seu discurso é elíptico, bem à medida da discussão e da sua longevidade. fala da «transformação
    da sociedade, cada vez mais justa e equitativa» e acrescenta que esta transformação tem vindo a passar para a escola »por decreto» e ao arrepio da classe docente, «mais conservadora». explique lá se não é desejável que a escola se torne mais justa e equitativa e porquê acha que a classe docente obsta de tal modo a esta permeabilidade que esta justeza e equidade só lá chega por decreto. acaso reparou bem no tiro no pé?

    depois defende uma série de coisas para a escola pública e a propósito fala de «ideais». com ideais não se toma medidas, os ideais são um horizonte, as utopias a cenoura que este nos apresenta. fazem-nos andar, mas não são operativos. o importante não está dito: que escola é essa que idealiza, onde «a igualdade de oportunidades, a modernidade, o sonho e a criatividade tenham lugar»? em quê ela difere da actual, concretamente? como se concretiza e consubstancia, tem alguma ideia?
    estranho, por outro lado, porque a sílvia faz parte dessa escola e pelos vistos isso não a impede de sonhar… já a criatividade, por seu turno, não é para todos, nem por decreto. quanto à igualdade de oportunidades, tanto quanto vejo, como mãe, ela existe na escola pública. as diferenças estão em casa. finalmente a modernidade pede dinheiro e este escasseia.

    passemos ao ponto seguinte: «esta escola está mais preocupada com as competências do saber fazer a fim de se construir uma sociedade onde haja pão para todos». pois é defensável, sim senhora. surpreende-me é que a sílvia use o «mas» no início da frase; pelos vistos é “defensável” mas seria preferível «sonhar» a ter «as competências do saber fazer». as rosas, sílvia, continuam a ser as de todo o ano. talvez aqui sirvam melhor as roseiras de trepadeira.

  63. Sílvia do Carmo, “que não”, o quê? Não está em causa negar algum tipo de benefício ao actual modelo, sistema e filosofia escolar. Que raio, até um mau dentista será preferível a dentista nenhum. O que importa é reconhecer a oportunidade de melhorar, pois, e pela primeira vez, há coragem política para tal.
    __

    maria câmara, confirmas que não aceitas ser avaliada. As acções de formação, os (des)créditos, sempre foram ocasião de gandaia. Com essa modalidade os professores vivem bem, mesmo com o tal relatório “apreciado” por comissão, pois nada arriscam e tal imposição não passa de uma fantochada hipócrita.

    Qualquer proposta de avaliação, venha de quem vier, pode ser boicotada com as mesmas dúvidas e suspeitas de sempre. Daí a unanimidade entre a classe, pois nunca um Governo tinha ido tão longe no combate à decadência do professorado.
    __

    Mar, ainda bem que há pessoas que lutam pelos seus direitos e pela melhoria da vida de todos. Mas talvez consigas entender que, num universo paralelo, calhando estares no lugar da ministra, terias dois caminhos: não tocar no assunto ou optar por uma qualquer proposta política. A manifestação de hoje é uma tentativa de se ir pela primeira opção: deixem tudo como está. Por isso, do lado dos sindicatos, as propostas nunca se preocuparam com a avaliação, só com as regalias. Os sindicatos vivem do bloqueio, não das parcerias. Fosses tu ministra, e viesses com o teu melhor plano reformista e a melhor das intenções, irias levar na cabeça e na honra.

    Que falta de educação, não seria?…

  64. A fraude deste post é que pegou numa série de verdades (que até estã muito atenuadas) mas não lhes atribuiu paternidade política.

    Porque pretendeu branquear esta palhaçada de pseudo-avaliações que é mais do mesmo das velhas palhaçadas de “acções de formação” para progressão na carreira.

    E sim, é bom que se diga e repita a farsa que isso sempre foi. Havia (e há e vai continuar a haver) acções de tudo: astrologia para profs de matemática; fotografia e cuilinária para profs de Filosofia e, por aí adiante.

    Num esquema manhoso de negócio entre sindicatos e Minstério que outorgavam benefícios e exclusividade de formadores a uma série de analfabetos por conta.

    Há mesmo colectâneas de anedotas dessas acções. Se alguém estiver interessado eu passo-as.

    Só que tudo isso é produto dos famigerados pedagogos, dessa patologia chamada eduquês, e das escolas de Formação, à ISCTE ou à Aberta.

    Autênticos viveiros político-partidários de tachos, com pé de clã nas universidades.

    Não falar em nada disto, como se se tivesse nascido hoje e pegar na incapacidade da generalidade dos profs serem capazes de pensar o próprio ensino em termos políticos é fazer demagogia.

    E foi isso que o Valupi aqui fez- demagogia para branquear responsabilidades políticas como se os profs fossem poder ou pudessem fazer refomas que apenas são ditadas de cima.

    Os profs trabalham para uma série de inúteis com tacho, que fogem do ensino e se limitam a estragá-lo, obrigando os profs a trabalharem para eles e não para os alunos.

    E os pedagogos são de tal modo o cancro do ensino que não se mudam por mudanças de governo. Ficam sempre lá, estão lá desde os anos 60. São o mal estrutural de tudo isto e nunca o acessório e pontual conjuntural.

  65. Era bom que alguém informasse o Valupi em que consiste esta palhaçada da dita avaliação.

    Eu sei que é coisa difícil de pedir a um prof porque também sei que se defendem pelo facilitarismo.

    Mas esta avaliação é apenas outra palhaçada onde qualquer meco por progressão na carreira, à tarimba de militar, pode avaliar alguém por via de mais eduquês e mais micro-acções de formação tão imbecis quanto as de sempre.

    Porque, se querem avaliação até é simples- bastariam uns testes feitos de fora, e corrigidos por matriz com meras perguntas acerca da disciplina que leccionam.

    Isto pode parecer básico mas não é. Conheço muitos profs que ganham umas coroas extra a corrigirem testes de provas globais que não as conseguem corrigir por nem saberem a matéria.

    Porque, o que lhes andaram a vender durante décadas, e vão continuar a vender- não é o ensino, é o “ensino-aprendizagem”; é o aprender a aprender, é toda essa palhaçada de programações de estrutura determinística hegeliana- com as matérias reduzidas a objectivos finais que espartilham saberes não redutíveis a esses items.

    É toda uma doutrina de nivelamento por baixo e de transformação do ensino num circo, com negócios de reforço para quem não quer aturar a patranha e para vender estatísticas à UE.

  66. Pelos professores
    08.03.2008, Vasco Pulido Valente
    Hoje, 70.000 professores vêm a Lisboa protestar contra o Governo e a ministra da “Educação”. Não posso simpatizar mais com eles. Mas não me parece que tenham percebido bem o fundo da questão: nem eles, nem a generalidade do público. Toda a gente parte do princípio que os professores devem ser avaliados; mesmo os próprios professores, que só criticam o método proposto pela 5 de Outubro. Ninguém ainda disse que os professores, pura e simplesmente, não devem ser avaliados, nem que a avaliação demonstra a (incurável?) deformidade do sistema de ensino. Em cada manifestação aparecem professores furiosos proclamando que não temem a avaliação. Acredito que sim. Infelizmente, não se trata disso.
    Uma avaliação pressupõe critérios: parece que neste caso à volta de catorze (e pressupõe avaliadores, muitos dos quais sem qualquer competência científica ou pedagógica ou interesses de uma total irrelevância para a matéria em juízo). Os critérios medem, peço desculpa pelo truísmo, o que é mensurável como, por exemplo, a assiduidade ou notas de uma exactidão discutível, como perfeitamente sabe quem alguma vez deu notas. Não medem nem a “moral”, nem o “ambiente”, nem os valores da escola ou a contribuição de cada professor para a sobrevivência e a força dessa “moral”, desse “ambiente” e desses valores. Numa palavra, não medem a qualidade, de que depende, em última análise, o sucesso ou o fracasso do acto de ensinar. Criam uma trapalhada burocrática que esteriliza e que massacra e acaba sempre por promover a mediocridade, o oportunismo e a rotina. A sra. Thatcher ia matando assim a universidade inglesa.

    Os professores não precisam de uma vigilância vexatória e nociva por “avaliações”. Precisam de um ethos, que estabeleça uma noção clara e unívoca de excelência. Se o ensino superior for de facto excelente (e não o travesti que por aí vegeta) e se tiver inteira liberdade de seleccionar alunos (como agora não tem), os professores ficarão com um objectivo, o de preparar as crianças para o ensino superior, que os distinguirá entre si, sem regras de espécie alguma; e que tornará o seu trabalho pessoalmente mais compensador, interessante e útil. Desde o princípio que o Estado democrático não compreendeu esta evidência. Começou as reformas por baixo e não por cima. Aturou sem vergonha os mercenários que exploravam a universidade. E de repente quer que os professores paguem a conta do desastre. Não é admissível.

  67. Alguns números, para estimular essas meninges ultra-politizadas.

    Orçamento de Estado, despesa do sector da Educação para 2008:
    5.984 milhões de Euros
    dos quais, salários:
    4.613 milhões de Euros

    Se é verdade o que a FENPROF afirma acerca do número de manifestantes de hoje, temos que desceram do Parque ao Terreiro do Paço entre um terço e metade dos professores que há em Portugal, representando uma despesa anual de mais de € 2.000.000. É quanto aquela multidão custa anualmente aos contribuintes.

    Essa multidão exigiu a continuação dum modelo de “gestão” a que António Barreto já chamou “autogestão docente, com o apoio do ministério e dos sindicatos”, o que equivale a dizer irresponsabilidade gastadora em circuito fechado. O mesmo comentador político estima em “muitos milhares” o número actual de professores a mais, isto é, em relação às necessidades, representando algumas centenas de milhões de Euros. O número de alunos em relação ao número de professores não tem parado de descer, apesar de já ser dos mais baixos da Europa.

  68. Valupi, não estou de acordo.(again)
    Se eu fosse ministra (e já desempenhei um cargo político a uma escala ínfima desse mas, ainda assim, político – e também ligado à educação – jamais atiraria com um plano reformista que não tivesse por base a ampla e alargada discussão com todos os sectores representativos dessa classe. Depois, que tivesse por base essa discussão mas com objectivos sérios, de ouvir, aprender (porque alguéma credita que um ministro ou outro detentor de cargo político é um iluminado sabedor de todas as matérias? Só porque foi nomeado/eleito para isso? Quando tantas vezes provem de uma profissão que nada teve a ver com gerir processos e matérias que não conhece tomar decisões que afectarão a vida de milhares de pessoas? Eu cá não. É para isso que em todos os Governos existe algo chamado assessores, técnicos, consultores e afins) e aplicar as propostas que daí adviessem (não falo, como percebes, de promover reuniões para chamar os orgãos de comunicação social e ter tempo de antena nos telejornais).
    Com toda a convicção te digo, esse pressuposto, o da honestidade e justiça, elimina-te toda e qualquer hipótese de “rebelião”. Mais, não sou eu que te digo, está historicamente provado.

  69. zazie, és tão tonta que me repetes até para dizeres mal daquilo com que, afinal, concordas. Ui, o que se passará nessa cabeça desgovernada…
    __

    Nik, bem lembrado.
    __

    Mar, estás a patinar. Uma discussão alargada poderá ser método, mas não é solução. A solução é sempre uma decisão. E uma decisão política é sempre o resultado de uma opinião parcelar, contrária (por diferente, no mínimo) a outras. Também não colhe o argumento corporativo de que a tutela ministerial tem de ser entregue a representante profissional. Sem mais considerações a respeito, de resto óbvias, qual seria a profissão adequada para se ser primeiro-ministro? E presidente?…

    Tu ainda não foste capaz de formular em que pontos da proposta ministerial está o ataque aos professores. Mas uma coisa poderás reconhecer: faltando um ano para as eleições, e estando uma fatia importante dos seus votos na classe docente, qual o sentido de ter um Governo apostado em “faltar ao respeito” aos professores? Será que não vês como essa argumentação é primária, indigna e prova da manipulação que está a ser feita pelos sindicatos e seus amiguinhos?

  70. Passa-se que tens aí a resposta no texto do VPV.

    Tu sabes, tão bem quanto eu, de quem é a responsabilidade. Mas preferes branquear pegar no acessória e atribuir responsabilidades aos profs a tocar nas políticas.

    Quando o erro é poder, é ditado pelo poder, sempre o foi e ainda tem outro problema- é concentracionário. Qualquer ensino particular que queira fornecer outro tipo de ensino não é reconhecido pelo Ministério da Educação.

    Sempre que falei em ME estou a referir todos desde o 25 de Abril ao presente. O monstro é esse, os pedagogos e a fornada deles em escolas de Educação também são as mesmas. É possível traçar-lhes um perfil político e uma matriz ideológica; coisa que muita gente já o fez, como bem sabes.

  71. Ó mulher, mas a política é importante demais para ser deixada só nas mãos dos políticos, para usar um cliché. Não ter feito um post ao teu gosto, falando dos assuntos que te apetecia ler e da forma que achasses correcta, não obriga a destituir de relevância a temática que fui buscar. E eu fui buscar a minha experiência. Nela, em cada acto profissional, fosse aula ou reunião de avaliação, eu estava inteiro como pessoa, cidadão e professor. Creio que os outros colegas à minha volta também. Então, se eu fui responsável, ou se fui irresponsável, eles igualmente. É neste nível, onde não se precisa de ter um ministro a mudar-nos as fraldas, que coloco uma parte do debate. Contudo, claro, não ignoro outros agentes de responsabilidade.

    Mas não achas cansativo ter de estar a explicar as evidências?

  72. Eu sou mulher de palavra e por isso voltei, depois de ter lido o texto com a atençao que ele merece.
    Em relação à sua escrita não lhe vou atribuir cotação. Primeiro, porque não quero imitar o Marcelo Rebelo de Sousa, depois porque você percebe bastante de avaliação.
    Andou pelo ensino cinco anos.Eu sou filha de professora primária que se aposentou aos setenta ano e que preparava os seus alunos para exame como quem vai a Fátima em peregrinação.
    Eu sou professora há trinta e cinco, tirei o curso de Filologia Românica para ser professora por vocação de corpo todo ,e não como quem se infiltra por uns tempos para ver no que vai dar.
    Não vou negar muitas das verdades que enumerou.Mas deixe que a minha experiência lhe diga umas quantas verdades. Se é verdade que há professores fraudulentos na atribuição das notas finais,abusivo é fazer afirmações do género de que os que ficaram no ensino foi por inércia, falhanço e mais umas quantas generalizações insultuosas.
    A avaliação dos professores, tal como se pretende que seja feita, é a mais injusta das avaliações. Dou-he um exemplo. Tenho uma turma de alunos médios e alguns fraquinhos que, com médias de dez ou por aí, se tranferiram para o ensino particular e esses dez, no mínimo, passaram a 16. No mínimo.Sem esforços. E os testes não são fáceis,mas a matéria, os exercícios, o questionário é todo ditado para os cadernos.E agora diga-me:acha justo que eu seja avaliada e responsabilizada pelas transferências de quem vai comprar notas a quem as vende? Acha justo que os alunos com situaçao económica fragilizada fiquem penalizados?
    E informe-se sobre muitas outras coisas, para poder ser mais justo nas suas análises.
    Claro que o ensino foi um aproveitamento para muito boa gente,mas não me venha com histórias de um país pantanoso por causa dos professores.Por causa da educação, aceito.
    Venha a avaliação, mas venham alunos que queiram aprender.E criem-se currículos alternativos. E não obriguem a profanar a nata de escritores, com alunos que dizem, por exemplo,: “Peçoa e um pueta ca tinha muinta presonaliedade porque amou muito uma gaja que se chamava upelia.”
    Também há professores a escrever não tão mal, mas parecido, mas faça-me o favor de aceitar a minha indignação.
    Tenha paciência!
    Abraço.

  73. Valupi:

    Quem é que forma os profs do secundário?

    O que se passa nas universidades?

    segunda questão- como se por aqui o caso não fosse já uma verdadeira catástrofe, em termos de aprendizagem simples dos saberes fica o resto.

    Quando saem da universidade o que é que o ME lhes obriga a “aprender” para transmitirem saberes?

    Em que consiste as pedagógicas?

    Qual é o cancro total e absoluto do sistema de ensino?

    È ou não é este?

    E o que é que avaliam? nada- avaliam a aldrabice burocrática em que foi tudo transformado unicamente para se preencherem estatísticas.

    As tais a que dão o nome de “sucesso”.

    E, para se chegar a esse sucesso em que consistem os programas escolares?

    de onde são emanados?
    Quem e´que os faz? quem são os responsáveis?

    Não sais daqui.

    Se é verdade que já existem casos de analfabetismo a dar aulas, é um facto que existe porque também existe na universidade. E não vão mandá-los estudar o que nunca lhes ensinaram. Porque, aquilo que se pretende é o tal folclore de manter ocupados uns miúdos o máximo de tempo possível das suas vidas, num igualitarismo bacoco, para depois irem para o desemprego sem sequer saberem fazer nada de útil.

  74. O que valia a pena era teres dado o teu testemunho das pedagógicas. Isso sim.

    Por acaso já passei a escrito a minha experiência para o caso de me vir a esquecer e não se peder na família, o testemunho.

    Sei a anedota que isso é. A anedota do que são os cursos de formação, as tais famigeradas “Ciências da Educação” com clãs políticos; verdadeiros clãs nas universidades e negócios de acções de formação que são verdadeiras mafias.

    Isto sim, um testemunho desta palhaçada (que nem é apenas nossa, cá chegou quando os outros já se livraram de grande parte dela) que valia pena falar.

    Porque, tu fizeste um post a falar de avaliação e apareceu aqui meio mundo a dizer que sim, que quer ser avalidado e ninguém explicou em que consiste esse disparate.

    Deviam contar os disparates que lhes meteram na cabeça para poderem ter autorização para dar aulas.

  75. E é por isso que os melhores professores até são os mais antigos que escaparam a esta praga que destroi o ensino.

    Mais vale um bom professor sem cabeça feita de pedagogias e com muito gosto pelo que faz e pelo saber que transmite que mil seguidores das “pedagógicas” e de toda essa patranha que devia ser fechada a cadeado e encerradas as escolas onde é vendida.

  76. mas eu agora vou mas é no aipim frito com ovos de codorna e caldo de sururu

    está muito frio por aí? tenho de começar a psicopreparar-me…

  77. Ò Valupi, não há nada que tu digas ou escrevas que não suscite uma polémica endiabrada.
    Pareces talhado para dar o corpo ao manifesto, pá.
    E mesmo quando fazes, por tabela, a apologia das decisões de quem está no poder és zurzido como se representasses a mais feroz oposição.
    Vista a coisa com optimismo se calhar tens um dom…

    E quanto à vaca fria, e agora que já estou um bocadinho mais dentro do assunto, só me ocorre perguntar se alguém já deu conta das alternativas propostas pelos mentores/organizadores desta manifestação de pujança democrática.
    É que farto-me de ouvir falar de falta de diálogo, de autoritarismo e o diabo a sete mas o que vejo é de um lado uma Ministra disposta a assumir os riscos políticos de uma reforma que todos afirmam indispensável e do outro não vejo brotarem as tais soluções magníficas que, a serem rejeitadas pela “malvada”, poderiam então justificar alguns dos rótulos que compõem muito bem o ramalhete contestatário mas padecem da sustentação lógica.
    Eu sintetizo: se a Ministra não dialoga, se calhar é porque lhe berram “não queremos isso” mas depois não produzem um “queremos antes aquilo”. Diálogo estranho, aquele que os snippers de ministros querem impor.

    Por outro lado, esta pressão sistemática para a demissão de tudo quanto é Ministro com pastas determinantes e do próprio Governo se possível já começa a exigir a enumeração das alternativas.
    Eu não colaborei com o meu voto para a actual maioria absoluta, mas vamos lá ser realistas: alguém tem a lata de me vender a ideia de um Menezes, de um Jerónimo, de um Portas ou mesmo de um Louçã a gerirem o Executivo? E não falo só dos personagens em causa, arrasto a coisa para as estruturas partidárias de onde poderiam sair os substitutos da actual equipa.
    Get real. Se este Governo cair, a quem pode o eleitorado confiar os destinos do país?
    Isto faz-me lembrar cada vez mais a mania futebolística das chicotadas psicológicas milagreiras que se prova depois só mudarem para pior o desempenho das equipas.
    Só que estamos a falar de um campeonato onde cada ponto perdido equivale a mais um prego no caixão de um país inteiro.

  78. Eh pá, voilà um tema em que estou plenamente de acordo com o Valupi. Em relação à mentalidade eduquesa e à bandalheira que instalou na educação só se perdem as que caiem no chão. Só não venho aqui desferir umas cacetadas porque a minha cimatarra está ocupada neste momento a desbaratar a cãozoada nazi-sionista no Arrastão…

  79. Mas o Valupi está a apoiar o governo…

    parece que ficou tudo ceguinho…

    e o governo é a continuação do mesmo com mais burocracia e populismo para enganar o papalvo.

    Esta palhaçada da avaliação é inviável, inútil e degradante. Apenas serve para quem não é prof se aliviar em corporativismos de cor contrária.

    É precisamente a mesma demagogia que ele também fez com os magistrados e depois com a alteração do código. Toca-se no que é mais fácil para o povão julgar que está a ser feita justiça e cria-se mais problemas no que devia ser bem tratado, ao mesmo tempo que se mete o lixo para debaixo do tapete.

  80. OShark, por exemplo, nem precisou de tocar na questão da avaliação.-So tem medo é que o governo caia e que venha o outro.

    Isto é fraude e quem pensa assim, por clubismo é trafulha.

  81. Assisto, confortável. Portugal Ramos mais uma vez, (Sirah 2005, 14.5) uma fixação por estes dias (carmo da rosa, continuas escravo do real lavrador? teobar, talvez?). Ouço tudo, um nadita menos de cada vez, é certo. Mas ouço, leio-vos. João, gostei do cinismo que lamento. Maria Câmara, todos sabemos quem somos, a mulher de César era injustiçada, so what? Mar, tanta água. Sílvia, olhe que sim. Zazie, VPV as usual. Valupi, zazie as usual. Beberico um gole, aqui. Magnífico este frutado, esplêndido este bouquet. Recosto-me, já passou a manif, o amanhã está a chegar para fazer um ontem deste hoje. Uma merda, esta lógica de calendário que arrasa todo o conceito de ‘momentum’, essa recente invenção norte-americana. Continuem, por favor. De todo quero incomodar. Estejam à vontade. Diziam que os professores…

  82. Eu tinha pensado não dizer mais nada, até porque nunca conseguimos dizer o que queremos num simples comentário…

    Há quem insista na questão das avaliações dos professores, quando todos sabemos que não é esse o “busilis” de toda a questão.

    Esta “guerra” começou quando o governo constatou que os professores eram a classe social da função pública, mais bem paga e com mais regalias (no seu todo, claro). E resolveu inverter este rumo. Começou por criar as aulas de substituição, que tanta polémica causaram, e a exigir que os professores passassem mais tempo nas escolas.

    A sociedade de uma forma geral apoiou estas medidas, porque queria mais e melhor educação.

    Claro que o governo quis ir mais longe e continuou a tentar poupar dinheiro (como faz em todos os sectores), nem sempre da melhor maneira, como todos sabemos.

    Por outro lado, percebo perfeitamente os professores, pois quem é o profissional, de qualquer área, que aceita perder regalias, e em troca, ainda receber ainda mais trabalho? Ninguém!

    Mas é bom que se diga (e já se disse com muitos exemplos, com a chegada ao ensino superior), que o ensino tem sido demasiado facilitista, que uma parte significativa dos professores não gosta do que faz, é professor apenas porque não conseguiu outra ocupação profissional, compativel com o curso que tirou. E é por isso que trabalha nos “minimos”…

    Não vou falar da minha experiência profissional pedagógica, porque é muito “sui generis”, já que foi facilitada por se tratar de um ensino especial. Vou falar sim, de alguém que me é próximo e que dava aulas no ensino superior e quando quis regressar ao ensino secundário, deparou com uma série de barreiras erguidas, para quem queria ensinar de verdade e desenvolver actividades pedagógicas que ajudassem os alunos, porque o “sistema” (há sempre um sistema, não é só no futebol…) não o permitia, já que iria mexer com o dia a dia da escola e provocar mau estar entre “colegas”…

    Moral da história, a pessoa em causa, acabou por voltar para o ensino superior, porque o que gostava era mesmo de ensinar…

  83. Com aquilo que se paga aos professores excedentários incrustados nas escolas podia construir-se uma nova ponte sobre o Tejo ou o Douro de dois em dois anos

  84. bem, mas essa história de os alunos chegarem muito mal preparados ao superior, há uns anitos, que agora estou por fora, tem dois lados, no que se refere à matemática que foi o que eu mais acompanhei: por um lado é verdade que relaxaram nos conceitos de análise e no treino, à conta do abuso da calculadora gráfica, mas por outro lado vinham com alguma preparação noutros campos que dantes era zero, seja nas probabilidades. Depois há outra coisa, pérfida, dá muito jeito uma certa chumbaria substancial no superior, porque as ‘cadeiras’ são à maneira, acumula alunos nas turmas e fazia cescer o departamento, e mais alunos pagavam propinas – tudo economia rasca, e não saímos disto.

    Mas por exemplo no que se refere à biologia não tem comparação o que eles entram a saber com o que se sabia no meu tempo. Explodiu!

    A matemática é algo de muito elegante e interessante, escuso de referir as inúmeras aplicações, além do belo em si, que no entanto obriga a ginásio de musculação, como chamam aqui: academia para recordar Platão. Mas está ao alcance de qualquer um, e criou-se um estúpido traumatismo neste país, que oscila entre a chumbaria e o facilitismo, enjôo fatal

  85. Ò Zazie, eu por acaso falei das avaliações mas foi na caixa de comentários do charco e inibi-me de malhar aqui na mesma tecla sem ter em conta que são palcos diferentes da mesma conversa.
    Compreendo a lógica do teu comentário, tendo isso em conta.
    Mas garanto-te que em matéria de clubes só sou adepto do Benfica…

    Se tenho medo que o Governo caia? Medo porquê? Estou certo de que serás tu a primeira a avançar com a alternativa que refiro acima e por isso nada tenho a temer.

  86. Também conheço a história dum professor que mudou de cidade em 2006 e deparou-se com a falta de cursos de educação e formação de jovens (CEFs) numa escola secundária situada numa freguesia urbana com uma população jovem problemática e com alta taxa de insucesso escolar. Ninguém se tinha lembrado de criar os tais CEFs nessa escola, estava tudo a assobiar para o lado ou à espera do papá. A associação de pais também estava distraída, até porque os miúdos problemáticos pertencem a famílias problemáticas que estão pouco representadas nas associações. O nosso professor mexeu-se, teve o apoio do presid. do CD, mobilizou pessoas, estudou a situação, inquiriu das necessidades junto da autarquia e elaborou uma proposta de três cursos para iniciar em 2009. A escola acabou por aceitar um único curso, porque no órgão de gestão colegial e democrático da escola só o presidente é que apoiou a ideia. Os outros membros do CD, a tal canalha graúda, queriam era sossego e caldos de galinha, estavam-se a bugiar para os alunos, para o insucesso escolar e para a escola… Nessa mesma escola há uma data de professores “sem componente lectiva”, eufemismo sindical para professores que não têm que fazer mas continuam a receber. “Professores com horário zero” é outra expressão curiosa num sistema escolar em que, apoiados pela chularia sindical, os professores que dão aulas de substituição exigem ser pagos (e vão sê-lo, por ordem do tribunal!) como se fosse trabalho extraordinário.

  87. Hoje debate-se a Educação, ontem era a Saúde e amanhã (mais perto das eleições) estou certo de que tocará à Economia (que é onde mais dói aos eleitores). Saudável, de facto, mas insisto: tal como os docentes sindicalistas criticam com as mãos vazias de alternativas, gostava que algum sentido de Estado se manifestasse nos cidadãos comuns que exigem demissões a torto e a direito sem cuidarem de prevenir as consequências.
    E eu, eleitor português, vejo-me a ter que botar a cruzinha que melhor sirva os interesses do país no seu todo e não estou a ver onde, dadas as alternativas a que me reduziu um sistema partidário que filtra os menos maus de entre os medíocres que, afinal, são os únicos que dão a cara e o resto para que a democracia funcione.

    É que os melhores Ministros em potência andam entretidos a publicarem posts e comentários em blogues…

  88. pois eu também partilho dessas dores de cornos, shark, mas uma ministra dizer que 100 000 prof.s na rua não é relevante chumbou de uma vez por todas, não há apelo, é a própria credibilidade mínima do sistema democrático que fica em risco, junto com a polícia a interceptar camionetas,

    e se o PM não intercede chumba por arrasto

    estes gajos estão a fazer coisas que nunca deixaríamos os de direita fazerem

  89. Estás enganado. Profundamente enganado. Eu não avançava com qualquer alternativa a este governo.

    Por isso achei de um tremendo mau-gosto invocar-se um mero argumento utilitário governamental para se falar acerca desta manifestação dos professores.

    Mesmo muito mau-gosto de fazer as continhas políticas quando a questão ou é essa ou é pretexto.

    Afinal de contas: há ou não há desagrado dos professores face a uma série de intromissões que não só não parecem ser respeitáveis como demasiado oportunistas e ineficazes?

    Se há, fala-se disso.

    Se não há, se se defende as medidas, fala-se disso.

    mainada. Vir para aqui com o governo cai e depois ai meu santatoninho o que bai ser de nós, é coisa tão hooliganzinha que até o Valupi conseguiu disfarçar melhor.

    E, o teu azar é que eu não tenho mesmo clube. Mais, não tenho sequer a menor fé em alternativas.

    Mais ainda- disse e expliquei como este problema do Ensino é transversal a todo e qualquer governo até ao presente.

    Porque é um mal estrutural. E, pelo menos, consegui sustentar os meus argumentos.

  90. Pois e outra coisa que o z agora disse e que confirma_ Estes gajos estão agora a fazer o que nunca deixaríamos que os de Direita fizessem

    Pá: nunca mais te atrevas a corrigir-me quando te incluo na esquerdalhada ou nos que funcionam por “fogo sobre o inimigo principal-a Direita.

    E, se fosse prof. até achava muito interessante ser categorizada como “estes gajos que estão a foder a boa da nossa esquerda”. Coisa que a malta nunca permitiria que a Direita fizesse.

    É assim, v-s bem tentam disfarçar mas o que nasce torto nunca se endireita. Comuna uma vez, comuna toda a vida.

    De um lado há profs a darem aqui testemunhos que mostram a incapacidade de perspectivarem o seu próprio trabalho em termos políticos;

    do outro há políticos que se estão nas tintas para saber das razões de uma boa parte da população nesta questão porque apenas lêem o mundo assim: dividido entre os Bons e os Maus.

    E, sempre que os Bons- que são os seus estão ameaçados, acham que há quem esteja a trabalhar ou a dar trunfos aos Maus- que são todos os outros que caminham do lado errado da História.

    Esta merda com esta gente cheia de ideologias só quebra quando também entram em contradições e até conseguem ser mais xenófobos que o PNR.

    Se entrar ilsão então é automático- já não há “nós esquerda” dizem logo que nem são de esquerda.

  91. a esquerdalhada não aprende nunca. E são tão bestas que nem atingem que, neste caso do ensino, todo o erro é dela, é da ideologia esquerdalha feita pedagogia de ensino que vem o mal.

    E, mesmo quando até criticam com legitimidade algum aproveitamento da classe para manter aqueles privilégios de trafulhice como as acções de formação, nem se dão conta que foram eles e é deles e dos sindicatos deles e dos pedagagos rouseaunianos que tudo deriva.

    Agora andam para aqui a apontar o dedo a quem obedece à bestialidade que eles próprios criaram

    E ainda chamam estes gajos que nos lixam o que nós fizemos: em nome da “esquerda” o que quer que seja esse monstro que dá para tudo e o seu contrário.

  92. vai-te foder zazie, tu é que arrumas as coisas com etiquetas e queres impô-las aos outros na tua etiquetagem sublime. A social-fascista disfarçada de libertária, traumatizada com não-sei-quê, és tu.

  93. Elypse:

    Para que confirmes quando no outro dia me corrigiste por achares que eu é que divido tudo em esquerda e direita.

    O Py veio logo atrás a dizer que não era de esquerda. Agora viu por lá o papão dos sindicatos e teve uma recaída e confirmou que estamos a deixar estes gajos fazer (profs); o que nunca deixaríamos que a Direita fizesse.

    Foi uma bela frase em que o povo ficou divido entre Bom Povo de Esquerda; e idiotas úteis que fazem coisas que nem à outra metade do Mau Povo de Direita toleramos.

    Não sou eu que tenho mania ou que vejo demais- são eles que não aguentam as máscaras todo o tempo. E são assim, maniqueístas.

    Tudo é lido em função do apoio ao clube. Se os profs vêm para a rua e está dá ar de contestação ao governo e o governo é de “esquerda” va´ de dizer que nem à Direita se permitia tamanha desfaçatez.

    Se calhar mandavam-lhe com o carro da água e com a polícia de choque, assim é só com identificações nas escolas.

  94. Fui à manif, pois claro!…

    Mas não fui pedir a demissão da ministra da educação, fazendo o jogo do partido comunista e outros, ou mesmo indignar-me com o timing eleitoral das atrapalhadas mudanças em causa nem tão pouco passear o traseiro pela Avenida. Fui, porque quis dizer ao vento que não quero passar o resto da minha vida a apertar parafusos em lata velha. Na verdade, não sei apertar parafusos. Espero que a senhora ministra me compreenda ou, então, que me demita.

  95. Tu disseste pa, e agora bem podes berrar que já não consegues disfarçar,. Queres que eu faça copy paste e repita o que escreveste porque ficaste para aí a rabiar com os “bastidores de negro”?

    A mim não me fazes tu a pulga atrás da orelha porque sei que és um esquerdalho e só quando toca na tua seita- a tal da tal causa especial- e´que dizes que nem és de esquerda e que tens inimigos islâmicos.

  96. está aqui. Foi isto que disseste e que já estavas a remoer por causa dos tais bastidores de negro que tanto te arrepiam:

    pois eu também partilho dessas dores de cornos, shark, mas uma ministra dizer que 100 000 prof.s na rua não é relevante chumbou de uma vez por todas, não há apelo, é a própria credibilidade mínima do sistema democrático que fica em risco, junto com a polícia a interceptar camionetas,

    e se o PM não intercede chumba por arrasto

    estes gajos estão a fazer coisas que nunca deixaríamos os de direita fazerem

  97. É claro que não há qualquer sistema democrático em risco pelo simples facto de existir sociedade civil que não depende do Estado.

    É isto que nunca conseguiram admitir.Que exista socieade civil para além dos partidos, dos governos e com as suas razões próprias.

  98. E quem não entende isto é que nunca entedeu o que é democracia.

    Que eu saiba democracia é sistema onde se elegem representantes mas estes não estão sob absoluta impunidade nem necessidade de darem satisfações do que fazem durante o mandato.

    Para vs. democracia é uma variante de ditadura por grupos partidários que está impune perante a socieade até que seja substituida por outra.

    Isto é que é a absoluta anulação da sociedade civil a um duplo maligno da oposição (quando não concorda) ou a uma grupo recriativo de claque (quando bate palmas) aos que estão no poleiro.

  99. Ò Zazie, porra que tu és mesmo trauliteira e não dás abébias a quem te contesta ou tem o azar de defender uma posição diversa da tua.
    Onde é que me falta o sustento na argumentação? Por acaso és anarca? Queres fazer de conta que te estás nas tintas para a inexistência de alternativas? Então e depois, na prática, fazemos o quê? Deixamos chegar ao poder a reedição nortenha do fenómeno Santana Lopes?

    Claro que o problema dos professores (estrutural, se quiseres) existe mas não passa pelo pretextozinho da treta que os levou para a rua como fiéis seguidores dos chicos-espertos que disto se aproveitam. A avaliação é necessária e mais do que discutir os seus termos tem que se aplicar uma para acabar com o regabofe em mais um dos feudos que se multiplicam e estagnam o sistema.
    E isto não é uma lógica de esquerda nem de direita, é a realidade a sobrepor-se ao comodismo instalado.

    Z, eu não nutro qualquer tipo de simpatia para com a pessoa e dou atenção a esse tipo de atoardas que desmentem pressupostos que levaram o partido dela ao poder.
    Mas nesta altura preocupa-me mais a necessidade de estarmos atentos ao desempenho das pessoas enquanto executoras de uma intervenção necessária ainda que polémica.
    E depois, apesar de igualmente sustentados pelo nosso esforço contribuinte, os políticos têm legitimidade para exigirem avaliações aos outros pois qualquer um de nós terá oportunidade de avaliá-los (e eventualmente “enterrá-los”) sempre que nos abrirem as urnas.
    Não pelas calinadas que proferem mas pelos resultados práticos que exibam.

  100. zazie, ainda bem que fizeste copy&paste porque assim se pode ver como deturpaste pelo meio. E ficas a saber que eu sou o que me apetecer quando me apetecer, e que assim me defino como de eskreita, e que os teus juízos sobre a minha coerência valem tanto como as vezes que dizes que te vais embora para logo continuar, ou seja muito menos que um caldo de sururu.

    Pois Sílvia, mas olha que aquela reacção da ministra é motivo de demissão, acho mesmo, embora isso em si não resolva grande coisa.

  101. Claro que sim: ainda bem que percebeste. Eu limito-me a tirá-los do poleiro porque tenho a perfeita noção que não h a, por aí à vista, qualquer alternativa.

    Tens dúvidas?

    então estás mesmo ceguinho. E não preciso ser anarca para isto. Até já votei em partidos diferentes e nunca olho a cores.

    Olho a políticas. Como o que está à vista é trampa da mesma, nunca iria votar em nada, a não ser para ajudar a sair a porcaria que ganha bicho.

    Fora isso, naquilo que tu nunca conseguirás apanhar-me é nestas contas de mercearia como as que tu fizeste.

    Porque esse é qeu sempre foi o paleio dos situacionistas. Ficam histéricos de pavor com medo que caia.

    Que caia qualquer coisa, nem que seja o que não presta ou que nem vai cair por existir sociedade civil atenta e disperta.

    Agora preferir sociedade civil na anomia só o preferem os ditadores. De todos os tempos.

    Devias pensar nisso se te dizes democrata.

  102. pois, Shark, eu procuro estar atento a isso, aos resultados práticos, e durante muito tempo dei o benefício da dúvida a este governo, mas realmente constata-se que à conta da ‘racionalidade das contas públicas e do deficit’ há cada vez mais gente a viver pior não é? O tal sopro regenerador prometido, continua virtual, excepto paara os tubarões reais da economia e cardumes de necrófagos que os acompanham, e já lá vão três anos…

  103. Além do mais esta treta só me interessa por causa da famigerada pedogia. E aí sim, Tenho um velho contencioso com o eduquez ainda que nem seja prof.

    mas tenho pois. Sei de onde vem o mal. E até sei que em Inglaterra é idêntico. Tenho informação dessa praga pedagógica que espatifou o ensino. Como disse e muito bem o VPV até foi obra da Tatcher.
    Isto é que é ser-se imparcial e pensar as questões para além do umbigo ou da camisola.

    Também já deixei testemunhos na GL das políticas inglesas liberais que pagam misérias a professores e são as responsáveis pela degradação da qualidade de ensino. E aí nem é matriz socializante´- até é bem liberal. Só na pedagogia para aguentar aquela malta na escola, até tão tarde, é que se aproxima.

  104. Mas tu estás a debater o governo ou a greve e os motivos da greve dos professores, Shark?

    É que eu só falei do ensino e tu é que só vieste com a “queda do governo” e com o outro que não sei quantos é pior.

    Diz-me uma coisa- achas que tinhas governo diferente para a semana pelo facto dos profs virem para a rua?

    E é com medo disso que não deviam vir? porque não têm razões legítimas para além dos teus medos?

    é que, a menos que também vivas do orçamento do Estado e estejas no poleiro- a sociedade civil não está nem tem de pedir autorização a ninguem. Muito menos aos que se armam em patrulhas do poder.

  105. Lá tás tu, Zazie, a encaminhar as palavras dos outros para os teus antípodas e a rotulares à medida.
    A minha lógica não pretende legitimar a passividade da sociedade civil mas sim o tal bom senso que igualmente defendi na questão das caricaturas (remember?). E bom senso, neste particular, implica ir para a rua quando queremos protestar contra um erro flagrante e comprovado, não apenas para fazer barulho contra medidas que ainda nem passaram do papel e por isso não se provaram desajustadas.
    Ou tu és tão anarca que defendes uma governação ao sabor da corrente agitada pelas turbas?

  106. Eu ficava alarmada é se precisassem de esperar pela lei ser aprovada.

    V.s são uns frouxos, é o que é,. Estou mesmo a ver-te em tempos de ditadura .-devias ser como aqueles uecs dos abaixos assinados que também diziam que não se devia provocar a reacção quando se tratava de correr com os gorilas da faculdade.

    Nunca suportei esses frouxos. Um deles deu em conselheiro do Cunhal e grande revolucionário e ainda por aí anda. E era o mais frouxo da faculdade.

    Levava carga de porrada dos gorilas e ainda chateava os outros que queriam responder à porrada- porque não, porque podia ser pior e a reacção ficar excitada.

    O tanas, corremos com os gorilas de letras apesar destes frouxos de comunas da época.

    Só sendo livre de camisolas é possível ser livre de pensamento.

  107. A manif tem como objectivo demitir (mais) uma Ministra, ou há dúvidas de que se trata do mesmo tipo de estratégia que conduziu à saída do Correia de Campos?
    E isso não pressupõe de caras a demissão do Governo no seu todo, mas convirás que mais cedo ou mais tarde esgotam-se as cabeças para rolar e a paciência para enfrentar a pressão mediática de protestos sem norte.
    É que a manifestação foi engrossada por pessoas como a Silvia que não pretendiam subscrever os mesmos objectivos de quem a promoveu e que acabará por recolher os dividendos políticos inerentes, o que esvazia de alguma forma o sentido de uma reinvindicação tão sonora e necessariamente desestabilizadora da função governativa.

  108. desculpa lá Rui, até fiz caixa alta mas saiu besteira. Bota um N em vez do C. Está aqui um jazz tão bom a entrar-me pela janela…

    pois eu vou ser terminante: e mulher é cientista, PhD em Sociologia ao que me disseram. Dizer que 100 000 prof.s na rua não é relevante é de uma desonestidade intelectual tal que a sua credibilidade vai a zero, ponto final. Não tem condições para continuar a ser ministra, a menos que o PM decida antecipar desde já a sua pena por impiedade

  109. Nisso tens absoluta razão py´

    ehehehe

    Mas ela insistiu em dizer que não tem importância alguma ter 100 000 profs contra ela?

    ahahahahahahahahaa

    São um fartote “:O))))

  110. Recapitulando”
    Quando o acesso ao ensino superior, nas décadas de 80 e 90, se tornou possível mesmo com negativas (sem esquecer, ainda, que muitas positivas não passavam disso mesmo), não se podia esperar muito mais. Há uns bons anos, a esta parte, que o interesse é mesmo esse – promover a mediocridade. Tudo se torna mais simples para os que se têm vindo a revezar no(s) poder(es).
    Depois, sempre dá mais jeito, e aligeira culpas, formar/produzir medíocres. Já viram o que era formar cérebros para o desemprego, após se saber que as saídas deixaram de dar direito a entradas.
    …//…

    Zazie, tenta traçar um paralelo da situação actual com o “b-à-bá” que se segue… até pode ser que sirva de lenha para o debate ou de mais areia :)

    (…) Até poderia compreender tudo isto e nem vir para aqui incomodá-los se eles tivessem alguma classe a roubar e enganar. Mas a eventual decência e ética que tinham, esboroou-se com o capitalismo desenfreado, mas não só – os novos corsários, que emergiram de dentro desses grupos (os tais novos ricos/políticos sem “pedigree”) colocaram tudo a perder – roubaram como os outros, mas não tiveram a classe dos que os haviam antecedido. E porque é que os que os haviam antecedido permitiam que eles (os tais novos ricos, autênticos boçais) roubassem e ascendessem a posições até aqui (há anos) impensáveis? Simples: porque para os tais senhores criarem os impérios que criaram tiveram que corromper muita gente através de intermediários (eles não podiam dar a cara, mas alguém tinha que o fazer). Estes intermediários, para não bufarem, começaram a ascender a posições estratégicas dentro do sistema. O que é o sistema? No fundo baseia-a em três a quatro forças: Maçonaria, Templários, Opus Dei… Através destas seitas, entre outras menores, aliciavam os súbditos. Ali entretinham-nos com esquemas de monopólio. Qualquer criança, com ambição e desejo de vencer na vida, é facilmente assediada/atraída a fazer parte destas seitas – e o que são os homens senão eternas crianças? Daí as tais seitas resultarem, ainda mais sendo muitas delas “ordens secretas” – o que é que o jogo das escondidas não pode fazer a todas estas crianças sem escrúpulos? A submissão e exploração de todo um povo.
    Alguns dos seus elementos foram sendo colocados estrategicamente em posições de liderança, por tudo quanto é sector do país, até que a base estivesse sólida o suficiente para roubarem e imbecilizarem à vontade, até se tornarem intocáveis – por outras palavras: tinham que fazer o mesmo dos que os haviam antecedido, mas com “mais” classe (aqui reporto-me a épocas anteriores ao “25 de Abril”). Hoje em dia são os tais 10 por cento deste país que vive a desfrutar do trabalho dos outros 90 por cento.
    Amigos, camaradas, o que quiserem: sabemos, não existem inocentes nos topos hierárquicos. Todas as posições de relevo são repartidas, partilhadas, pelos tais grupos de poder. Alternam-se como se alternam aquelas putas da beira das estradas. Se não são os filhos, são os sobrinhos que ocupam os lugares de relevo. Se não são os padrinhos, são os enteados – seja o que for, tem que ser algo que tenha que ver com os grupos. Daí, por terem todos uns que ver com os outros, os grandes escândalos nunca têm fim/solução. Repare-se no caso de Camarate, na Moderna, na Casa Pia, nas “melancias”, nas “Belezas”, na Ponte de Entre os Rios, nos “Apitos dourados” e nos imensuráveis “esgotos” abertos deste país.
    Todas as autarquias e câmaras deste país comungam uma “qualidade”: a corrupção.
    Melhor: como é que os corsários foram adquirindo o monopólio? Colocaram os “Zés” à frente dos partidos e da Assembleia, e posteriormente à frente do(s) governo(s). Alternando-os foram privatizando os bens públicos conseguidos ao longo de toda à história de um povo. Grande parte do lucro dessas privatizações, engrandeciam as famílias/seitas que estão por detrás deles. Portugal, arrisco-me a dizer, de norte a sul não passa de uma “Off-shore” – onde o povo é roubado desavergonhadamente. A Função Pública, o proletariado das seitas, que poderia se revoltar, não revolta. Porquê? Porque para além de se contentar com o suficiente, sonha com a possibilidade, ainda que remota, de ser convidada a adquirir um papel mais importante na hierarquia.(…)

  111. Frouxo? Por não subscrever a resolução dos problemas à paulada ou aos berros? Por não fazer finca-pé na postura do contra?
    Assim obrigas-me a dar razão aos que te inferiorizam pelo calcanhar de Aquiles do excesso, algo que me parece injusto em face da tua inegável capacidade de argumentação e invejável energia com que defendes as tuas causas.
    E não, não vais conseguir. Lá por teres topado como eu reajo à bruta aos gajos que me insinuam sem força na verga não me vais conduzir à ratoeira de me dirigir a uma senhora com caralhadas.
    Além disso, e apesar de não ter andado à porrada com esses gorilas em concreto, já tenho a minha conta de bastonadas à conta de várias causas em que me envolvi quando achava que valiam a pena.

    (E sei que tu nem acreditas nessa premissa da frouxidão, deixa-te de coisas… Ou foi por causa de eu ter dito que me intimidas?)

  112. Amigos, camaradas, o que quiserem: sabemos, não existem inocentes nos topos hierárquicos. Todas as posições de relevo são repartidas, partilhadas, pelos tais grupos de poder. Alternam-se como se alternam aquelas putas da beira das estradas.

    Não de acordo em relação à visão do capitalismo anterior ao 25 de Abril, de acordo em relação ao retrato da mafia da corrupção. Não de acordo em relação a essa “função pública” toda idêntica e como proletariado.

    A função pública de elite é poder e está sempre com um pé no negócio e outro dentro. A outra não a vejo nem como proletariado nem como elite.

    Ainda que, para falarmos verdade, a função pública dos médicos que levam prémios de balúrdios apenas de incentivo à prática da cirurgia que nem fazem, ou mesmo os profs universitários que acumulam dezenas de tachos e recebem sem darem aulas façam parta da mesma oligarquia.

    Em relação a estes profs do secundário, comparando com o que se passa lá fora, é um facto que são uma classe muitísimo mais privilegiada.

    Em inglaterra ser-se prof de liceu é estar num dos lugares mais baixos da socieade. Esse é o tal problema que também referi. decorrente de uma socieade onde passa apenas a ser valorizado o que dá lucro.

    Depois desaparecem as estruturas e, às tantas, é a mão de obra bem qualificada dos imigrantes que os aguenta.

  113. Ò Z, não me esqueci de ti lá mais acima. Como tu, tenho momentos de profundo desencanto quando percebo que as coisas não estão exactamente como as desejaria. Mas depois recordo que Roma e Pavia não se fizeram num dia e percebo que muito do desencanto advém desta constante pressão em busca de argumentos contestatários generalizada, cegando-nos aos argumentos positivos de uma governação que herdou um país que de repente me lembrava aqueles clubes de bairro confiados aos sócios bêbedos.
    E se não me revejo de todo em declarações como essa da Ministra e outras que de vez em quando saltam da boca dos que sentem a posição ameaçada (deve custar muito, perder uma posição que ninguém quer mas pela qual tantos lutam), além de por vezes me dar ganas de embicar numa de Zazie, não posso deixar de ter em conta as tais dores de corno que referiste e a Zazie te repetiu.

  114. Elypse : esta passagem: “? Colocaram os “Zés” à frente dos partidos e da Assembleia, e posteriormente à frente do(s) governo(s) é que é a tal que eu não compreendo.

    A sério. Não tenho pancadas de cabalas nem poderes de sombra e seitas mas é um facto que é como as bruxas- pero que las hay, hay…

    E ha´fenómenos de “elegíveis internos” que depois aparecem como o único em que se pode votar que não se entendem usando de toda a lógica possível.

  115. shark, acho um pouco indelicado chamares vaca fria à ministra da educação, só porque ela tem grande contenção emocional.

    lá assisti aos professores manifestantes pela tv e não me surpreendeu muito constatar que as sugestões se resumiam, mais coisa menos coisa, à de um deles: quero dizer à ministra que pare para reflectir. parar para reflectir é mesmo o oposto de decidir, essa é a tónica.

    não apareceu, até agora, alguém a sugerir uma alternativa para o modo operativo da avaliação. diferente, está bem. mas diferente em quê? e porquê?
    vi o organigrama para a construção de modelos de avaliação e percebi que logo ali há material suficiente para os cabelos ficarem todos em pé. falo do esquema, esbarra com a capacidade de leitura de quase toda a gente, a iliteracia burocrática que provoca o pânico perante uma declaração de irs.

    eu tenho um modelo de avaliação de professores. é capaz de ser péssimo, mas já é qualquer coisa. exames nacionais para todas as disciplinas. depois verifica-se as médias dos alunos de cada professor. paralelamente, de acordo com as médias de cada escola e os contextos sociais da sua população estundantil, estabelece-se uma bitola de compensações. e considera-se, vá lá, a média de dois anos, não vá a sorte tecê-las e só lhe terem calhado más turmas num ano. isto porque me parece evidente, como já disse, que se numa escola a população é relativamente heterogénea, num exame igual para todos e definido “de fora” já é possível obter uma análise comparativa entre as competências dos professores. bom desempenho é obtenção de resultados, não há dúvida. teria ainda a vantagem de se verificar as verdadeiras aprendizagens dos alunos, o que boicotaria qualquer tentativa, de qualquer governo, de construir simulacros de sucesso escolar.

  116. (oh shark já viste como este elypse vem para aqui namorar comprido com a zazie mesmo à frente de nós? O que vale é que eu agora já sou meio-budista relaxado e se hoje é dia não, por causa da porra do caminho do meio, amanhã é dia nêgo e catraplym)

    pois, não posso é à conta de uma pretensa racionalidade de que os frutos estão por ver, apoiar os algozes. Era aliás essa a definição dos idiotas úteis, de que eu até soube dizer o nome em russo, mas já esqueci

  117. elypse: não consigo mesmo, mas se passares a hyperbole há uma chance, que talvez dê parábola. Em qualquer caso ficamos no domínio das quádricas e eu confesso-me mais tropical

  118. É que já tinha reparado na insinuação há algum tempo. E não deixa de ser curioso teres recorrido a um homem (shark) para te revelares

  119. Eu também não consigo aceder ao cartoon, Elypse.
    E vê lá se não te intrometes neste duelo de titãs entre o agarrar pelos cabelos (do Z) e a minha abordagem delicodoce (mas igualmente viril), com essa iniciativa de índole humorística).

  120. Bem Z, por mim ficava por aqui. Não me tinha metido contigo… e não pretendo fazê-lo. Nem contigo nem com ninguém. Apenas vou esboçando as minhas opiniões (erradas ou não). Agradeço que se houver algum reparo a fazer que sejam em relação às mesmas.

  121. Ò Elypse, desculpa. Ainda não tinha lido o teu comentário anterior quando agarrei a deixa do Z.
    Não faço a mínima ideia do que está em causa, mas peço desculpa na mesma. A mim, desde que não questionem a minha portentosa erecção tá tudo na boa…

  122. E quanto à questão do meu alegado insulto à senhora Ministra, seria incapaz. Facilmente chamava cabrão a um dos seus colegas, mas nem às sagradas consigo chamar vacas.
    Eu nem consigo mandar piropos à trolha, acreditem. Nunca fui capaz de chamar uma boa pelo nome, sem antes ter conquistado o direito de lhe desapertar a blusa.
    E estou a falar a sério. Haja quem algum dia me desminta…

  123. sharky,
    Encasquina-me um nadita, confesso, essa tua angústia, chamemos-lhe o teu zelo preocupado, esse teu carinhoso cuidado com a verga, a ministra e a zazie, sendo que nem sempre por esta ordem os segundo e terceiro lugares. É imensamente gratificante descobrir que o tubarão tem o calcanhar entre as pernas, uma impossibilidade física que nem por isso estraga o floreado de língua. Salvo seja, evidentemente.
    Barbatano-te respeitosamente.

  124. A Susana tem um enorme problema com a tal tabela das palavras proibidas.

    Desta vez não foram os “pretos da linha se Sintra” foi o “vamos lá voltar à vaca-fria”

    A Susana não sabe o que significa a expressão voltar à vaca fria e teve um ataque de feminismo- achou que o Shark estava a chamar vaca fria à ministra

    ahahahahahaha

    …………
    Py: peço-te mil perdões porque, de facto, li mal o que escreveste

    ehehe

    Estavas a falar “destes gajos” enquanto a tal esquerda que governa, e a Direita que não admitíamos como a política

    Sorry. Eu nunca percebo se vs. falam do governo como esquerda ou direita porque costumo chamá-lo de xuxialista ou do “inginheiro.

    Mas verdade, peço mesmo desculpa pelo engano e até me trataste muito bem com a reacção. Eu fazia pior no teu lugar. Não me ficava pelo “social-fascista”

    eeh
    bisou.

  125. Quanto ao cartoon é verdade que não abre. Isto aqui não dá para escrever “target igual a”. Tem de ser “REL igual a” e depois o nofollow

  126. Um dia, quando tiverem tempo, ainda me hão-de contar se também já se ensinam estas tabelas de novilíngua nas aulas de formação complementar.

    Se ainda não ensinam, estão na calha. Já há doutorados no índex. Voltando à “vaca-fria” é mais uma expressão proibida.

    Só não sei se faz parte dos crimes de ódio de discriminação sexual ou do desrespeito aos direitos dos animais.

  127. Oh shark desculpa lá mas eu não te reconheço nesta discussão. Não é, de todo, teu, passares um atestado de carneirice a cem mil professores qando afirmas que “Claro que o problema dos professores (estrutural, se quiseres) existe mas não passa pelo pretextozinho da treta que os levou para a rua como fiéis seguidores dos chicos-espertos que disto se aproveitam.” Não revejo o shark que eu conheço quando, neste debate, transmite a idéia de que os 100 000 são todos uns trauliteiros irresponsáveis que foram para a rua ao serviço sabe Deus de que obscura força política (tantos, ena, assim ganhávamos eleições) para pôr a ministra o olho da rua e, dessa forma, fragilizar o Governo. Mais, não aceito que o Shark de quem eu gosto faça esse tipo de análise. Os professores estão na rua não para que a Ministra se demita mas para que o Governo, este ou seja qual fôr, lhes confira o estatuto que merecem, os avalie de formas justas e sensatas, seleccione os que são trigo dos que são joio e ponha esses a cavar batatas e os remunere de acordo com a nobre missão que é a sua.

    Ao Valupi respondo amanhã. Mais logo. Ou não.

  128. zazie, «voltando à vaca fria» é uma expressão de uso comum, que o shark usou a propósito de estar a voltar ao assunto. não sabia que tinha sido proibida. mas se foi acho uma pena, porque é uma expressão deliciosa, que aponta para a imagem de alguém que quer retomar a refeição interrompida mesmo quando o bife já arrefeceu.

  129. Mar: não terás dado atenção às múltiplas entrevistas que as várias televisões fizeram aos professores participantes no evento, mas eu dei. Tal como li diversos testemunhos de alguns na blogosfera (mais acima tens a Silvia, por exemplo).
    E uma coisa salta à vista, eram muitas as motivações e imensas as contradições.
    Uns afirmaram irem contestar as avaliações (o pretextozinho de treta que refiro e reafirmo, já expliquei porquê), outros iam contestar o seu estatuto de eventuais (a estes dou toda a razão), outros ainda afirmavam estar ali “para exigirem a demissão da Ministra) e ainda houve mais uma ou duas versões para uma participação que se presumia alinhada com o mote principal da cena.
    Ou seja, nem todos os professores participaram pelo mesmo motivo e isso implica que acabaram por engrossar as fileiras de uma jornada de luta que para a opinião pública, via Imprensa, ficou no ar como uma iniciativa de sindicatos ligados ao PCP.
    Não sou eu que concluo, são os factos como eles me foram sendo oferecidos pela Imprensa e depois confirmados pelos testemunhos a que tive acesso. E se há algo no Shark de quem gostas que não mudou é a objectividade que me garante o facto de não vestir qualquer camisola partidária (o que sempre influencia a nossa cabeça a seguir os caminhos que o coração lhe indicar).
    E nada do que disse te permite colar-me essa noção dos 100.000 trauliteiros.
    Permite talvez colar-me a percepção que desses 100.000, muitos seriam os que participaram sem nada a ver com o mote da coisa (se tivermos em conta que a maioria dos entrevistados se afirmaram sem qualquer problema quanto às avaliações, então estavam na manif errada. Ou então se amanhã os sindicatos dos TSD promoverem uma manif para exigir, sei lá, o fim da apanha da azeitona, e lá aparecerem 100.000 agricultores que se sentem prejudicados pelo baixo preço do azeite tu ficarás caladinha enquanto os TSD se reclamam capazes de uma mobilização tremenda? Mesmo que saibas que a maioria dessa adesão foi motivada por outros motivos que não os que os TSD invocaram à partida?).
    Agora diz-me lá se este não é um raciocínio típico do teu amigo Shark e desmente publicamente essa interpretação foleira que me deixas colada só por me leres na diagonal…
    Conheces melhor do que a esmagadora maioria (todas) as inclinações esquerdalhas, mas também me sabes objectivo a analisar as incongruências que saltem à vista. E essas vieram da boca de muitos dos que estiveram lá nas tintas para o que motivou o protesto. E isso faz com que a indesejável colagem partidária fique desmascarada, o que, em última análise, só beneficia a luta dos trabalhadores em causa.
    Onde é que encontras algo que implique expressões como “trauliteiros”? Só se for no facto de não estando todos em uníssono a contestar as avaliações (era esse o pretexto “oficial”, ou não?) os que estavam por outros motivos assumiram-se fiéis seguidores dos que apenas pretendem evitar a todo o custo as avaliações e, pela pressão dos números, dar à Ministra da Educação o mesmo destino que levou o da Saúde (reduzindo a luta a uma querela partidária).
    E peço-te que não mistures a nossa relação de amizade e a tua afeição por mim no contexto das nossas divergências políticas, pois isso não é justo e dá a ideia de que só gostas de mim se eu seguir a reboque das tuas posições.
    Sabemos ambos que isso não faz sentido algum.
    E eu gosto de ti mesmo sabendo-te uma assumida e inveterada comuna. Sem te cobrar esse pequeno senão… :-)

  130. mas a marcha negra, mesmo por tristes razões, deve ter sido bonita de ver, cobra negra, isto anda cheio de metonímias

  131. Nem de propósito, acabo de ver na tv os organizadores da manif a reclamarem a demissão da Ministra. E isso desmente um dos teus pressupostos (o de que ninguém reclamava a saída da senhora… “Não revejo o shark que eu conheço quando, neste debate, transmite a idéia de que os 100 000 são todos uns trauliteiros irresponsáveis que foram para a rua ao serviço sabe Deus de que obscura força política (tantos, ena, assim ganhávamos eleições) para pôr a ministra o olho da rua e, dessa forma, fragilizar o Governo”).

  132. Querido:

    Eu gosto de ti de todas as maneiras, como sabes.
    E não te colei coisa nenhuma, limitei-me a analisar a tua posição nesta matéria , comparando-a com outras que já assumiste em situações idênticas e de forma diferente. Dái o”não reconheço o shark”.
    Depois. A famigerada “demissõa da ministra” é apenas uma forma de dar rosto ao protesto. este ou seja qual fôr. É evidente que o que está subjacente ao pedido é o descontentamento referente a qualquer projecto, proposta ou atitude da dito (ministra/ministro, sec estado/presidente de junta, o que fôr).
    É aí que eu afirmo que as pessoas não vão para uma manif pedir demissões gratuitamente, entendes o que digo? Vão pedir alterações às políticas que essa governante pretende impor. Depois again. Alguém acredita que o Governo cai só porque sai uma ministar e entra outra/o?? Cai o tanas. Nem muda nada. Porque não é a persona ministra que está em causa, é a política do Governo!
    Daí que as manifs e todas as formas de luta, desta como doutras classes pretendam tão somente que os Governantes, eles e elas, revejam as suas políticas e as tornem consentâneas com o estatuto que merece cada classe. Podemos chamar-lhes uns líricos, sem dúvida. Mas também já houve ao longo da História sinais q.b. que demosntraram que a luta surte efeitos…Por fim. o PCP. Bom seria para mim comuna inveterada que fosse como dizes e como quis passar a comunicação social (até o sócrates é o nosso melhor propandadista – quando há malta a gritar são todos comunas). Mas não foi. basta-te somares os milhares de professores que se têm vindo a manifestar ao longo das últimas semanas, completamente à margem das organizações sindicais. E é aqui que repito que não te reconheço, em afirmaçãoes que fazes a retirar aos professores a inteligência e vontade própria que os leva a contestar o sistema educativo no seu tudo (com todos os items que enuncias e estão mla e muitos mais que te faltou referir).
    :-)

  133. A. Barreto, Público:

    (…)«O sistema de avaliação que a ministra pretende impor e que os sindicatos recusam é apenas um dos temas de contestação. Mas é o que tem surgido com mais evidência. A coberto de uma virtude indiscutível, a ideia de avaliação não é recusada por ninguém. É de bom-tom dizer que se é “a favor da avaliação, mas contra esta avaliação”. Para todos, ou quase, é uma espécie de santo-e-senha de honorabilidade. Acontece que não é. A palavra, o conceito, o mito e o tique nasceram há vinte ou trinta anos. Em Portugal e na Europa. Criado por burocratas e tecnocratas, os defensores da avaliação acreditam que um sistema destes promove a boa educação, melhora o ensino, castiga os maus profissionais, detecta os talentos, permite corrigir erros e combate o desperdício. Na verdade, o sistema e a sua ideologia, que infestaram o Ministério da Educação, são próprios de uma educação centralizada, integrada e uniforme. Na impossibilidade humana de “gerir” milhares de escolas e centenas de milhares de professores, os esclarecidos especialistas construíram uma teoria “científica” e um método “objectivo” com a finalidade de medir desempenhos e apurar a qualidade dos profissionais. Daí os patéticos esquemas, gráficos e grelhas com os quais se pretende humilhar, controlar, medir, poupar recursos, ocupar os professores e tornar a vida de toda a gente num inferno. O que na verdade se passa é que este sistema implica a abdicação de princípios fundamentais, como sejam os da autoridade da direcção, a responsabilidade do director e dos dirigentes e a autonomia da escola. O sistema de avaliação é a dissolução da autoridade e da hierarquia, assim como um obstáculo ao trabalho em equipa e ao diálogo entre profissionais. É um programa de desumanização da escola e da profissão docente. Este sistema burocrático é incapaz de avaliar a qualidade das pessoas e de perceber o que os professores realmente fazem. É uma cortina de fumo atrás da qual se escondem burocratas e covardes, incapazes de criticar e elogiar cara a cara um profissional. Este sistema, copiado de outros países e recriado nas alfurjas do ministério, é mais um sinal de crise da educação. Mais do que dos sindicatos ou dos professores, a ministra Maria de Lurdes Rodrigues é vítima da 5 de Outubro. Sociólogo »

  134. (shark, deixaste passar em branco a deliciosa intervenção do rvn) :-)

    Valupi:

    A patinar só se fôr de forma artística, pelas evoluções que venho fazendo neste salão, desdobrabdo-me em explicitar o meu ponto de vista. É por isso que vou terminar por aqui as minhas intervenções porque penso que não há muito mais a dizer, posicionamo-nos em lados opostos e os nossos argumentos são diferentes não existindo grande disponibilidade para os acolher, quer suma quer da outra parte.
    Mas ainda acrescento, apenas para terminar, que quase concordo contigo: uma decisão política é uma opinião parcelar, nem sempre obrigatoriamente contrária. E nunca disse que as tutelas têm que ser entregues a representantes das profissões, apenas que a competência para exercer a tutela não se ganha por divino voto ou nomeação, ganha-se com o tempo e a prática, no terreno, com o profundo estudo dos dossiers e com a colaboração dos tais acessores/técnicos especializados nas diferentes matérias. É claro que as competências académicas e profissionais que o candidato possua ajudam.

    “Tu ainda não foste capaz de formular em que pontos da proposta ministerial está o ataque aos professores”.

    Está nestes:

    No topo da polémica está o Estatuto da Carreira Docente (ECD), que cria a categoria de professor titular e institui exames de acesso à profissão, …

    – … e o sistema de avaliação que o ECD contém, com a criação de quotas para os professores que têm uma avaliação de Muito Bom e Excelente…
    (igualzinho ao SIADAP. Alguém tem dúvidas que as quotas servem para o Estado poupar umas milhenas à conta da percentagem que fica de fora dos apenas 5% e 20% que podem anualmente progredir nas carreiras?? Que é apenas isto que está em causa nestas “reformas corajosas” de governantes que, tadinhos, não iriram agora comprar guerras inuteis ea um ano das eleições?Mas estamos a fazer-nos de cegos?)

    – Os horários de trabalho.

    – O modelo de gestão e direcção escolar, que cria a figura do director da escola.

    – O Estatuto Disciplinar do Aluno.

    Não teremos tempo nem espaço e nem se justifica dissecá-los aqui. mas tenho a certeza a pessoa inteligente que está por detrás do nick, lendo atentamente todo e cada um daqueles items, no remanso do teu lar, irá decerto encontrar pontos de convergência comigo.
    Foi um prazer debater contigo.

  135. Mar:

    Só uma pergunta: o que é isso de “exames de acesso à profissão”?

    Exames para se ser prof, depois da lavagem cerebral com as pedagógicas?

    Ou mais um exame de eduquês, juntamente com a lavagem cerebral das pedagógicas?

  136. E quanto ao nosso petit diferrendô, prostro-me aos teus pés como sabes que sempre acontece quando me adoças com palavras como “querido” e outras do género que me fazem esquecer a luta política de forma vergonhosa, entregando-me ao flagelo diabético que me suscita essa voz tão melosa que adivinho nas tuas palavras vermelho choc.
    Eu adoro professores e até era homem para me unir à sua luta, depois de acautelada a justeza das suas reinvindicações (e não falta por onde escolher) e a isenção das suas motivações (espontâneas e não devidamente orquestradas em função do calendário político-partidário).
    Depois de limadas tais arestas deixar-me-ei embalar pela ondulação que os teus comentários evocam neste búzio em que os meus olhos se convertem quando me mimas assim.
    Chuac,

  137. Lia, confirmas que não aceitas ser avaliada. E explicas porquê: sabes-te num sistema fraudulento, onde um 10 aqui se transforma num 16 ali. Portanto, queres que as coisas permaneçam nessa paz podre, onde te imaginas impoluta, onde te basta e sobra a tua carga de trabalhos. Tu não estás para te indignar com a falência do sistema de ensino, mesmo que dele vivas há 35 anos. Já com uma ministra que quer mais qualidade no ensino e mais racionalidade na gestão, ficas furiosa.

    É isso, é o que temos nas salas de aulas.
    __

    zazie, tu és outro exemplo do tal situacionismo que epidermicamente denuncias, mas organicamente alimentas. Não acreditas na responsabilidade pessoal, no poder político de cada cidadão. Por isso te colas ao Pulido Valente e ao Barreto, os quais nada têm para propor e vivem disso: de não se comprometerem com nenhum caminho, nenhuma política, nenhuma proposta concreta.

    E depois, és primária e bronca. Eu fiz uma especialização em ensino, tenho três anos académicos, mais um estágio, de teorias pedagógicas. Nunca me passaria pela cabeça dizer que não servem para nada, e só quem não faz ideia do que esteja a querer pensar o pode afirmar. O problema das pedagogias, do eduquês, da 5 de Outubro, é tudo palha para cumprir obrigação jornalística ou exibir ignorância.

    Quando o professor entra na sala e começa a aula, está só perante a comunidade. O que ele vai fazer com esse poder, interessa à comunidade. Se não gostarem da palavra “avaliação”, substituam-na pela expressão “deixa lá ver o que andas a fazer com os meus filhos, os meus irmãos e os meus futuros pais”.
    __

    z, a equação da ministra fala em irrelevância de 100 mil e de relevância de 1.000 (mil). Tem cuidado com a matemática dos contextos.
    __

    shark, concordo muito com a posição que expuseste com calma e garbo.
    __

    rvn, fazes muito bem em trazer o teu peixe (sempre fresco) para esta banca.
    __

    luis eme, muito bem visto.
    __

    Nik, nem mais. Há professores que chegam a passar anos sem turmas ou só com duas ou três. Arrastam-se pelas escolas com o magno desígnio de cumprirem horários “completos”.
    __

    susana, não posso concordar mais.
    __

    Mar, não chegámos a debater (mas o Mundo não deixará de rodar por causa disso). Repetes a atitude dos que se barricaram no imobilismo: “Não há muito mais para dizer”. Ou seja, repetes a cassete do Mário Nogueira.

    Uma coisa é certa, o Mundo continuará a rodar, apesar da política de terra queimada – de que a manifestação foi um magnífico exemplo.

  138. exactamente Valupi, quem diz que mil já seriam muitos e 100 000 não é relevante, mostra que dá tanta atenção aos números como ao pó, contexto incluso. Ainda por cima vem balizada pelo porco trunfado que defendeu tão gloriosamente a Ota como a sua negação posterior, tudo eufórico. No me gusta e tenho esse direito. Massive attack ainda vai no adro

  139. Pois é, sou tão primária e bronca que até vou fazer jus ao epíteto:

    e tu és um cagão de um charlatão que andas para aqui a vender banha da cobra só para não te irem ao inginheiro.

    E não te insulto mais porque há coisas mais divertidas que ver um lambe-botas a fazer demagogia e a tirar partido dos tolos que o assistem

  140. E estou-me nas tintas para o que quer tenhas feito porque sabes perfeitamente o que é o eduquês e que este post apenas tomou como culpados a canalha graúda dos profs que não queria ser avaliada.

    Ou outra merda qualquer, porque tu és tão patego, tão toino e tão demagogo que até conseguiste vender a ideia que os profs podiam fazer reformas de ensino sem esperarem que o poder desse autorização.

    Quanto a avaliação já foste tu avaliado. Essa de chamar “primária e bronca” é para dizeres à tua mãezinha que te devia ter dado umas cachaporras a tempo, já que a grande escola que tens é a de trafulha político a fazer de moço de recados de tudo o que vem deste (des)governo.

    Além do mais, quer o texto do VPV quer o do Barreto, dizem o que eu já tinha dito. E colei-os apenas porque confirmam o que eu tenho aí escrito antes de os ter lido.

    Do VPV vem a análise da imbecilidade da avaliação- porque o erro vem de cima (daquilo em que nunca se tocou) da entrega ás mafias das universidades; e do Barreto vem tudo o que eu já tinha escrito:

    o mal é a ideologia desta pedagogia de eduquês que continua e vai continuar porque os responsáveis são os tais intocáveis enfiados nos gabinetes da 5 de Outubro.

    Está aí dito por mim, o mesmo, numa série de comentários anteriores ao que eles escreveram.

    Prefiro estar acompanhada do Barreto e do VPV que do teu PS no governo.

  141. z, talvez tenhas de rever o teu algoritmo. O que a ministra disse foi que a manifestação não alterou em nada o que já era conhecido e estava em debate. Até poderiam ter estado 10 milhões, continuaria a não ser relevante no contexto da problemática. Ou a política de um ministério resulta da quantidade e dimensão das manifestações? Até parece que a democracia não é este sistema em que se vota de 4 em 4 anos. De facto, para quem enche a boca a chamar “fascistas” aos ministros, a noção de eleições livres deve ser um conceito estranho.
    __

    zazie, não gastes caracteres com variantes do número zero.

  142. Há avatares a berlinde e também os há troco de plateia de basbaques. E agora vou mas é ouvir o Sérgio Godinho com aquela do “entre um snob e um cagão vai o passo de um anão;
    Entre a rua e o país
    vai o passo dum anão
    vai o rei que ninguém quis
    vai o tiro dum canhão
    e o trono é do charlatão”

  143. bem Valupi temos um diferendo, nada mais normal quando há liberdade de expressão. Para mim o mais saudável nesta etapa seria a ministra cair, e a democracia não é feita só de votações mas de todas as formas de manifestação, na qual as grandes manifestações públicas são, e devem ser, relevantes.

  144. Claro, z, as manifestações são relevantes. Mas os governantes, ao prestarem declarações, correm o risco de verem adulteradas as suas afirmações. Seria absurdo pensar que a ministra não atribui relevância sociológica e política à manifestação – porque isso implicaria que ela teria de ser internada, por nada entender da realidade. Então, é porque o que está a dizer tem outro significado, outro contexto, outra intenção.

    É simples.

  145. Este Valupi é outro Modernista. Um charlatão que também por aí anda. Até tem a lata de dizer que eu me colo aos que escreveram depois de mim.

    Bastava olhar para os dias e horas a que escrevi e ver que quer o VPV quer o António Barreto só os podia ter lido depois.

    Já o que esta alimária sapal diz é sempre igual- tudo serve para proteger qualquer porcaria que o governo faça.

    É um grande trafulha, este Valupateta.

    E teoricamente não sustenta nada. Nem é capaz de sustentar a noção (em abstracto) de avaliação, quanto mais esta em concreto.

    Mas, se gostou das pedagógicas está tudo dito. È a o maior atestado de estupidez que se pode passar a alguém.

    E é por isso, por eu saber que o eduquês também já está replicado numa boa dose da classe de professores que até sou realista e dou um bom desconto à “boa intenção” de muitos dos “indignados”.

    Admito até que quisessem pior do que já está e admito até que, uma grande percentagem, goste mesmo daquela trafulhice de programas, assim como goste de progredir na carreira com as palhaçadas das acções de formação. Uma das últimas que acompanhei, feita para professores na zona de Santarém, consistiu na criação de um blogue. Um mero blogue do blogger.

    Quem a forneceu foram umas taralhocas pagas a peso de ouro, nas tais negociatas das “escolas de Educação”. E nem um video do youtube as bimbas sabiam colocar.
    O relatório da acção de formação- destinada a professores de Filosofia com nº de créditos para passagem a escalão de topo, consistiu nisso mesmo- contar como criaram um blogue e mais umas tretas relativas às aulas que tiveram sobre “o uso da informática ao serviço do professor”. A dita informática nem fechar tags sabia. Só o automático do blogger. Como disseram as senhoras formadoras, mais que isso só para “profissionais”.

  146. Também acompanhei outra acção de formação para professores de matemática que consistiu em saberem tirar fotografias numa máquina automática. Na primeira aula, o artista delegado ministerial- com a tal autorização especial das famosas escolas de Educação, disse que uma tele-objectiva era um coisa muito grande, que até podia custar 300 contos.

    Isto é pura realidade. E faltam-me as acções de formação de idas à Serra da Estrela ou as de medicina alternativa e astrologia. Todas oficiais. E já nem vou falar nas teses de mestrado, dos pedagogos ministeriais ou nas dos que leccionam nas universidades.

    E é isto tudo que continua absolutamente intocável, a troco de se criar umas burocracias e seriar profs por oportunismo, ou à conta das negativas dos alunos e do que os pais pensam do assunto.

  147. ( Lá se foi ao ar um extenso comentário. Vou ter de ser mais sucinta.)

    ” maria câmara, confirmas, que não aceitas ser avaliada”

    valupi, vejo que tem alguma dificuldade em interpretação. Eu dou-lhe uma ajudinha. Não se preocupe que é à borla.
    Ora bem, eu disse que ” não admito que qualquer um me venha avaliar” o que equivale a dizer, implicitamente, que quem não é qualquer um poderá avaliar-me. Percebeu ou quer que eu vá mais devagar?
    Postas as coisas nesses termos, perguntar-me-á, eventualmente, ” e quem é para si qualquer um”, ao que eu responder-lhe-ei ” quem não tiver conhecimentos linguístico-literários, se me avaliar nessa componente, ou pedagógicos,
    se fôr nessoutra que recair a avaliação”. Por isso, pais, não. Nunca. Ou pensa que andei a frequentar a universidade 5 anos e a fazer um estágio bidisciplinar
    ( duas especialidades) de dois anos, para ser avaliada por curiosos e amadores. Nada disso. E se pensa que é o receio que me motiva, tire o cavalinho da chuva. Se forem às minhas aulas, recebê-los-ei com todo o gosto. Se calhar até aprenderão alguma coisa. Quanto ao resto “cada macaco no seu galho”. Ou pensa que o ensino é árvore de toda a macacada. Se o pensa e não é professor, limite-se a sentenciar no que fôr da sua competência; se o pensa e é professor, ó diacho! tem-se em muito má conta e lá sabe o que merece!
    Quanto às avaliações anteriormente praticadas( créditos ou “descréditos” no seu dizer que eu não contrario, ou relatórios) não venha “ensinar o padre-nosso ao vigário”. Até podia ir mais atrás e dizer, por exemplo, que muitas das ditas acções são mais de deformação que de formação. Também me parece que ficou patente no meu comentário que não sou apologista dos relatórios que eram um convite aos professores fazerem o auto-panegírico. Disse mais: pedi para que o mesmo, quando tive de o fazer, fosse substituído por observação de aulas, o que me foi negado por esse modelo de avaliação não estar previsto.
    E, não obstante, o sr. conclui, num inopinado momento de iluminada agudeza de espírito, que eu não quero ser avaliada. Se isso não é não saber interpretar, terei que concluir que é ausência do mais elementar sentido de ética. Sabe que vai desencadear nos espíritos mais básicos, uma animosidade contra a classe docente, naqueles que parecem consubstanciar o desagrado e a luta de uma classe num mero medo de ser avaliada. Será o sr. porventura tão ignorante que não imagine o número de avaliações a que um professor teve que se submeter, até o ser?

    Eu vou-lhe confidenciar aquilo que eu não admito:

    1º que quem sabe menos que eu e/ou está completamente arredado da realidade da prática docente, venha ajuizar do meu trabalho;
    2º que disponham da minha mão de obra especializada para tapar todos os buracos em aulas de substituição que não da minha especialidade;
    3º que me façam permanecer num estabelecimento de ensino, diariamente, 8 horas, a entreter os filhos que os papás não têm paciência ou tempo de aturar;
    4º que teimem em não reconhecer as especificidades da minha profissão e insistam em metê-la no mesmo saco da restante função pública;
    5º que continuem a obstar a que eu possa desenvolver um trabalho intelectual inalienável da minha profissão mercê de exigências que, as mais das vezes, pretendem APENAS RETER OS PROFESSORES NO ESPAÇO ESCOLA sem nenhumas condições materiais e humanas( sugiro que passem um intervalo, um só, num estabelecimento de ensino) ;
    em suma, que queiram fazer de mim uma técnica do ensino em vez de uma professora.

    E, quanto à avaliação, venha ela e que dêem a fatia de leão aos meus alunos. A esses, sim, eu reconheço-lhes o direito de ajuizarem o meu trabalho. Há muitos anos que me submeto à sua avaliação. Agora vir qualquer um, isso não! Que isto não é casa de passe!

  148. Ah, é verdade não devo voltar hoje aqui. É que tenho uma turma para acabar de corrigir. Pois, eu sei que é domingo, mas…

  149. maria câmara, esses teus dois últimos comentários são notáveis. Porque permitem retratar uma fatia sociológica que é maioritária na classe docente: as donas-de-escola. Incluindo também elementos do sexo masculino, o grupo das donas-de-escola diz exactamente o que escreves: “Não admito que quem sabe menos que eu e/ou está completamente arredado da realidade da prática docente, venha ajuizar do meu trabalho.”

    Dificilmente se pode ser mais explícito. Porque os pressupostos desta asserção circunscrevem-se à restrita, individual, esfera da tua actividade: daquilo que fazes, só tu podes ser a avaliadora. O corolário é esta grotesca ideia: “E, quanto à avaliação, venha ela e que dêem a fatia de leão aos meus alunos. A esses, sim, eu reconheço-lhes o direito de ajuizarem o meu trabalho. Há muitos anos que me submeto à sua avaliação.”

    Os teus alunos é que te vão avaliar?!… As crianças que te foram confiadas para as ensinares e educares é que vão fazer a tua avaliação?!… Mas, por Belzebu, crês tu que a avaliação é uma expressão da popularidade ou do afecto? Estás completa e absoluta e varridamente enganada.

    As manipulações que as donas-de-escola fazem nas turmas são a causa mesma do marasmo no ensino. Este grupo de pessoas vive na alucinação de que os alunos são “seus”, que as aulas são “suas”, que a escola é “sua”. Não querem prestar contas a ninguém, não se relacionam com a comunidade. Acham que ser “professor” é estar no topo da cadeia de responsabilidade, mas sem obrigações. Obviamente, temos de correr com esta gente do ensino. Mesmo que sejam 100.000.

    Uma turma para corrigir ao domingo?… Tremendo, o que sofrem os “professores”.

  150. susana,

    «quero dizer à ministra que pare para reflectir»

    eu também.

    e não, susana, tal não implica que ela não decida ou não possa decidir (que isso não lhe tem faltado), mas sim que não imponha. surda a todas as contribuições que as escolas e os sindicatos (esses malfeitores) lhe foram propondo ao longo deste 3 anos.

    parar para pensar. ter tanto profissional contra si não equivalerá a que, afinal, ela estará a fazer algo de errado? impressionámo-nos tanto há uns anos com um primeiro-ministro que afirmou que nunca se enganava e raramente tinha dúvidas e não temos agora a mesma reacção com esta senhora? porquê?

  151. (perante alguns que aqui escrevem a minha última pergunta é meramente retórica, porque também eles nunca se enganam, raramente têm dúvidas, são detentores da verdade absoluta e manifestam um desprezo total e uma desconsideração absoluta por uma classe profissional que nivelam invariavelmente por baixo e consideram totalmente irresponsável, abúlica, mentecapta e incapaz)

    (mas a sua resposta a tal pergunta, susana – bem como as de todos que estão aqui por bem e com seriedade neste debate e não eivados de demagogia, má-fé e preconceitos -, interessa-me.)

  152. Afinal, voltei antes do previsto. É que isso de corrigir e avaliar não é nenhuma maratona e o factor tempo não será porventura o mais relevante, neste processo.

    “Quando o professor entra na sala e começa a aula, está só perante a comunidade. O que ele vai fazer com esse poder, interessa à comunidade. Se não gostarem da palavra avaliação, substituam-na pela expressão ´deixa lá ver o que andas a fazer com os meus filhos, os meus irmãos e os meus futuros pais´”.
    Oh, Valupi, essa merece-me uma reflexão: ” que fraco e desgraçado poder andaram e andam a exercer os pais, os irmãos, os futuros filhos ( se ele há ´futuros pais´…) para temerem o poder dos professores? Faz-me lembrar aquele receio de certos pais( que eu nunca entendi, confesso) de que as empregadas tenham mais influência e conquistem mais o afecto dos filhos do que eles próprios. A receita é óbvia: passem mais tempo com eles. Invistam mais neles.
    Já agora, se me permite, informo-o de que os professores não são aqueles pervertidos nem redutores de cérebros, que as suas palavras parecem querer sugerir.
    Todo o poder que os pais têm a temer viesse dos professores!
    E, já agora, passa-lhe pela cabeça, se tiver alguma filha que necessite de ir ao ginecologista, ir supervisionar o “poder” do médico?! A pergunta é retórica, claro.

  153. ai Valupi, agora fizeste-me lembrar um comentário feito por um tal de Maluf aqui no brasiu, há uns anos e que fixei: “os professores são mal pagos? Não! Há é professoras mal casadas”

    no ensino superior é óbvio que os alunos devem avaliar os professores, anonimamente, já no secundário acho que também, embora com outro peso.

    mas já agora deixo uma sugestão, que deixei na minha ex-escola, mas que não foi atendida, deu para perceber porquê, depois

    a ficha de avaliação, com os itens discriminados por forma ser respondida com código, numérico ou alfanumérico, deve ser preenchida com químico, isto é, em duplicado. Depois separa-se a que fica para o prof e a que vai para o envelope selado para a tal empresa de leitura óptica

    é que senão podem acontecer coisas estranhas no percurso do dito envelope, por forma a que a classificação pode sair ao contrário dos outros anos todos. Quem paga à empresa é o CD e os bastidores estão sempre lá

  154. (este Valupi tem cá uma tarimba de demagogo político encartado….)

    E imaginemos que sim, imaginemos que a Maria Câmara era até o retrato chapado dos 100 mil profs.

    Fica a pergunta, a única pertinente e a que este sacrista se escapa:

    E então- explica lá em que é que esta avaliação alterava que assim continuassem todos a ser?

    Em quê?

    O que é que destas 14 medidas e da grelha burocrática, feita inter-pares, sem responsabilidades de hierarquias de escola, e apenas com mais do mesmo- alterava que não passasse até a ser mais dona da esola que os outros- os que avaliava?

    Esta avaliação serve ou não serve para que germinem, de forma oportunista e sem o menor interesse, a não ser mandar para a rua o que devia ser deixado à iniciativa particular, uma série de profs?

    E os horários zero, continuam ou não continuam? e o estatismo totalitário que mata qualquer hipotese de existência de ensino alternativo? continua ou não continua?

    Isto serve ou não serve para que haja mais-donas-da-escola de papel passado e com direito a acharem que são mais donas que outras apenas porque andam lá há mais tempo e podem preencher umas merdas burocráticas acerca dos colegas?

  155. maria câmara, estás a sair melhor do que a encomenda. “Investir” em relações humanas é sintoma de que algo valioso se perdeu nessa contabilidade que invocas. Talvez daí venha a tua dificuldade em conceber o que sejam “futuros pais”, pois não te preocupas muito com quem virá a viver neste cantinho depois de teres acertado contas com o destino. Mas agora é a minha vez de te tentar ajudar: sim, é possível que os teus alunos venham a reproduzir-se e a quererem ficar com os filhos a seu cuidado para os educarem. Acredita, não seria assim tão estranho.

    Passo ao lado da tua hermenêutica fantasiosa dos medos dos poderes (afinal, mais uma assunção do que está em causa: não queres que metam o nariz no que fazes), e avanço para o exemplo que foste buscar. E gostava que me respondesses a duas perguntas:

    – Porquê dares como exemplo a área de ginecologia e não a de medicina dentária ou oftalmologia ou endocrinologia, por exemplo e entre tantas outras?

    – Porquê dares como exemplo a minha filha e não a minha mulher ou a minha mãe ou a minha avó?

    Neste momento estás sob rigorosa avaliação. Muito do que transmites aos alunos, e na sua parte principal até sem te dares conta, vai conhecer a luz do ecrã quando responderes.
    __

    z, e que te trouxe tão tropical lembrança?
    __

    zazie, se a avaliação proposta não serve, que se negocie outra. É isso que quer a ministra e o Governo. A ministra até já disse que se o que os sindicatos exigem é que ela vá às reuniões, ela irá. Entretanto, as escolas têm sido parte deste processo, e continuam a sê-lo. O discurso dos sindicatos é condizente com a sua estratégia: anular o processo boicotando o diálogo.

    Só para os irresponsáveis, como tu, o VPV, o Barreto, e quejandos, é que a solução tem de começar “por cima”. Isso não passa de uma variante do “deixem lá isso, não alterem nada”. A ministra, e o Governo, tomaram a decisão de alterar o “status quo” vigente, e isso nunca tinha sido feito. Não admira que tantos se revoltem, pois quase todos são cúmplices da Escola inútil e disfuncional que temos.

  156. Valupi, só agora li o seu último comentário.
    Muito teria para lhe responder, porém não embarco na sua lógica de premissas duvidosas e na sua incompreensivelmente primária reflexão. De facto, parte de pressupostos que usa como axiomas e que nenhuma parte dos meus comentários legitima.
    Quem lhe disse ou sugeriu que eu lecciono pobres criancinhas? Quem lhe disse ou sugeriu que as avaliações dos meus alunos a que me submeto são forjadas ou manipuladas? Quem lhe disse ou sugeriu que eu recuso ser avaliada por quem de direito? Que lhe permite concluir quem não admite ser avaliado por quem não entende do objecto sobre o qual vai recair a avaliação se considera “dono da escola”? Eu chamo a isso ser consequente. Sendo você engenheiro, por exemplo, admitiria que outrém que não um engenheiro lhe desse palpites sobre o projecto daquela tal ponte e avaliasse o seu trabalho? Se sim, arrisco a dizer-lhe que tem um enorme défice na sua auto-confiança e dignidade profissionais.
    Ou estará a fazer um mero exercício de masturbação dialéctica?
    É que se a hipótese é esta última, digo-lhe já que estou habituada a vôos de maior envergadura!
    Quanto à sua compaixão pelo meu trabalho de corrigir testes, num domingo, é muita bondade sua. Não se incomode. Afinal não têm todos os funcionários públicos que trabalhar ao domingo?! Ai, não? Pois é, mas para uma certa espécie de proxenetice social convém que os professores estejam nessas águas de territoriedade indefinida entre o ser funcionário público e o não ser.
    No fundo, o que me parece é que tem um imenso desejo de fazer os professores “vergarem a mola”. No que diz respeito à minha pessoa, desiluda-se.
    A primeira condição para se ser bom professor é não admitir mordaças na inteligência nem na dignidade.
    E eu, até prova em contrário, considero-me uma excelente profissional. E nisso englobo a minha permanente disponibilidade para aprender e evoluir. Mas não, nem nunca, para ser pidescamente controlada por criaturas que ainda incorrem no primarismo de ver o professor como um devorador de criancinhas. Pais e encarregados de educação dos meus alunos, abro-vos as portas das minhas salas de aulas sempre que mo solicitarem, com todo o prazer. Na certeza, porém de que serei, sempre, a anfitriã e os srs. as visitas. E isso porque não me demito das minhas obrigações. Não entender isso é ser cego. Querer subverter as posições é da mais lamentável falta de profissionalismo.

  157. Irresponsáveis o caralho!

    Tu é que és um moço de fretes do governo e tudo o que escreves é para o defender. A qualquer preço.

    Essa trampa de se achar que uma democracia não pode ter levantamentos da socieade civil e ver tudo como estratégias de partidos é a mesma merda de quem nunca largou a cartilha marxista.

    E é por isso que tudo o que tu escreves é idêntico ao maquiavelismo maoísta do JPP. Há sempre um plano, um outro plano na manga, e para v.s o povo é um empata fodas que só interessa para eleger ou manter intocáveis de uma classe política.

    Por mais degradada que ela esteja.

    Esta manifestação de professores só pode ser avaliada por incapacidades e intolerâncias de poder que acha que agora é comer e calar. Porque, de facto, este partido no governo é isso que tem feito em todos os sectores. O que sucedeu com o encerramento dos hospitais foi precisamente o mesmo que se passou com os profs.
    Achar-se que ter carta branca para x anos de legislatura equivale a impor tudo, de forma atabalhoada, imbecil, de tal modo atabalhoada e imbecil que ninguém, de boa fé, é capaz de sustentar estas medidas como algo de vantajoso para o que quer que seja.

    E muito menos para se inscreverem no mega problema que é o do ensino em Portugal.

  158. Se há uma equipa de eruditos ministeriais e figuras pardas à simplex que o mais que conseguem alinhavar e querer impor é uma trampa que até tu reconheces que deve ser modificada, então são uns incompetentes!

    Porque são ministros para saberem o que fazem. Não é para fazerem coisas de tal modo imbecis que agora até digam que é para o zé dos anzois vir remediar.

  159. o que a Maria da Câmara está a dar é um testemunho verdadeiro do aviltamento a que o professor já foi lançado.

    Essa é a grande verdade. Acabou-se com as hierarquias, acabou-se com ethos da profissão, socializou-se tudo numa mesnada idiota onde um faz de director da escola e outro de subordinado, à vez, de acordo com os interesses; onde ninguém manda em nada porque ensinar passou a ser “aturar e distrair” os coitadinhos que têm de ser entretidos para terem sucesso sem esforço, à semelhança do sucesso das estatísticas fraudulentas. E tudo isto para não se perder o apoio da UE à custa do qual vivemos todos endividados e no último patamar dos que dela fazem parte.

    È claro que os profs não se podiam ficar. Tanto mais que sabem quem são os pedagogos para quem trabalham- os tais que vivem na 5 de Outubro e se dedicam a “pensar” o ensino e depois copiam estas merdas que já deram mau resultado lá fora e chamam a isso reformas.

    Bastava pegar-se na legislação do ME e nas centenas de acrescentos, alíneas e contra-alíneas de um mero processo curricular, para se entender de onde parte todo o mal.

    Nem eles sabem! limitam-se a acrescentar lei contra lei, às dezenas, negando e afirmando tudo e o seu contrário.

  160. Mais uma coisinha: eu preconizei a “fatia de leão” da avaliação para os alunos mas “não a totalidade do bolo”.
    Não sabe, Valupi, que os melhores juízes dos pais são os filhos? Que admira, pois, que os alunos o sejam dos professores? Quem melhor posicionado para dar feed-back?
    Olhe, até estou a pensar tirar fotocópia dos seus comentários e dar a ler aos meus alunos. Havemos de nos rir, ah isso havemos!
    Porque aqui “a dona da escola” até se debate com um enorme défice na sua autoridade. Veja lá que proporciona debates e mesas redondas nas suas aulas e estimula a livre participação dos alunos.

  161. A falsa questão da dita avaliação até nem é nada.

    É coisa perfeitamente simples e básica em existindo uma hierarquia e um cabeça à frente dela. Dantes era a figura do Reitor. Agora devia voltar-se a repensá-la, ainda que sem ser nos termos do que foi antes do 25 de Abril.

    Porque esta treta da avaliação é coisa que não se coloca em regime particular onde se procure atingir o melhor. As ditas acções de formação não existem, mas existe natural e obrigatória actualização de conhecimentos (coisa que nenhum ME pede a ninguém). Do mesmo modo que existe selecção no contrato dos professores, por parte de cada escola. E natural competição e responsabilidade aferida do que se faz, se o sistema for vertical. Mas que nunca poderá existir num sistema de horizontalidades com os pares a lixarem-se ou a protegerem-se entre si, a troco da puta de uma grelha ou dos papás a chantagearem.

  162. E, como diz a Maria da Câmara, o problema é mesmo défice de autoridade.

    Porque este sistema só tem uma autoridade que não dá a cara- os burocratas ministeriais. O resto é largar à bicharada e arranjar linha de protecção para prof espancado, na melhor das hipóteses como se passa em França Holanda, Inglaterra e por aí fora.

  163. Enquanto não introduzirem uma gestão escolar autónoma do corpo de professores a palhaça a o oportunismo será sempre o mesmo.

    E é claro que os profs já estão fartos de viver esses esquemas de politiquices e oportunismos internos, depois apanham com os miúdos sem qualquer noção de respeito e incentivo das direcções para que ninguém vá para a rua, e ainda com os pais a chagarem ou a ameaçarem (e não são poucos os casos) e agora querem mais burocracia entre uma sujeita que nem é do grupo e lá porque tem mais um ano de ensino, já vai avaliar a “competência profissional da colega” baseada em merdas como as notas dos alunos ou outras parvoeiras.

  164. O facto de ter falado no feminino também é uma contastação. A escola pública ficou entregue praticamente a mulheres. E é por isso que tenho amigas professoras que já dizem que era preciso direcções e gestões com cabeça porque trica entre mulherio é que já não aguentam.

    Eu nem sei o que é isso. Mas imagino pelos esgotamentos de amigas no final do ano, ou por histórias de tricas apenas com as responsáveis do grupo. Imagino o que seria se agora passassem todas a avaliarem-se umas às outras.

    Ia acabar à dentada e ao puxão de cabelos. Que aquilo já é uma desgraça em estado natural…

    “:OP

  165. claro que o professor tem que ter autoridade. segundo o que li sobre as novas premissas previstas, uma delas é essa mesma, o aumento da autoridade do professor na sala de aula (claro que guardo uma reserva para a possibilidade de ser só no papel, até saber que medidas concretas estarão ao dispor do docente).

    maria câmara, talvez os funcionários públicos menos graduados não levem trabalho para casa, mas não conheço um único profissional acima de certa fasquia (grupo no qual a incluo) que não tenha muitas vezes de trabalhar fora do horário de expediente. sejam eles gestores, arquitectos ou advogados. (essa parte do domingo é irrelevante, pois podia dar-se o caso de ter feito uma noitada num dia de semana e ficar com o domingo livre.)

    sem-se-ver, não posso responder à sua pergunta, a não ser assim: o facto de tantos profissionais se manifestarem contra não significa que a ministra esteja errada. do mesmo modo que se tivessem sido poucos a protestar não significaria que ela estivesse certa.
    mas quanto ao respeito que reclama, estou completamente de acordo consigo. por causa dos bons professores e daqueles que não se acomodam. é verdade que a classe docente tem sido um bocado desconsiderada. é possível também que haja muitos docentes em parte responsáveis por esse descrédito. eu tenho-me cruzado com uma boa quantidade deles.

    fiquei muito triste por ninguém ter comentado a minha proposta de avaliação! :D

  166. Ai, Valupi, Valupi, olhe que isso de responder a perguntas com perguntas parece-me aquém daquilo que é capaz.
    Mas, vamos lá. Espero não ter que chamar aqui o sr. Freud.
    Com efeito, o ginecologista é, por excelência, o profissional que melhor consubstancia os papões nas mentes zelosas dos papás.
    Porquê a filha? Que diabo, Valupi, se calhar subestimei o seu sentido de zelo, não o estendendo à mulher, à tia, à avó, à sogra…
    Quanto a não me preocupar com quem vem viver neste cantinho, blá, blá… devo dizer-lhe que admiro a veemência e convicção com que deduz as maiores barbaridades. Ó homem, com essa sublime perspicácia e esse agudo raio X com que disseca mentes só pode ser psicanalista. Ou leitor de bola de cristal?
    É que para ter acertado assim na mouche!…
    ( olhe agradeço-lhe o ter-me proporcionado este momento de puro prazer. É que há uma certa volúpia em nos sabermos bem melhores do que aquilo que nos julgam. Talvez- mal comparando- um prazer idêntico ao de Pessoa ao saber-se génio no anonimato ).
    Agora, é que vou mesmo.
    Boa noite.
    Ah, esta caixa de comentários nem sempre acompanha a celeridade dos meus comentários. Daí que haja algus “anacronismos”.

  167. senhores:
    não desmerecendo a questão, entendamo-nos desde já, mas digam-me: esgota-se na avaliação dos profs o assunto ‘reforma educativa’? Resume-se aí, nesse ponto exacto, a incompatibilidade de discursos, de ideias para o ensino em Portugal, de projectos para corrigir o que está errado – mais, pior: está alguma coisa errada para lá da avaliação dos professores por este ou aquele, desta ou daquela forma?
    Vou repetir, para poupar indignações injustas e escusadas: tento abrir o leque das eventuais questões não desmerecendo a importância desta particular questão e a natural reacção da classe, certa ou não. Mas é o único ponto de ruptura com a reforma?
    Fico curioso, querendo perceber.

  168. maria cãmara, eu não duvido de que seja uma excelente professora. mas os argumentos que traz nada significam. mesas redondas e atribuição de votação aos alunos poderia ser igualmente uma forma de nacional porreirismo. lembro-me de um caso em que uma turma reclamou um ano inteiro da competência e dedicação de uma docente. no fim do ano ela deu boas notas a todos e, de repente, chegado o momento de avaliação pelos alunos (ensino superior) ela era uma maravilha, a melhor de sempre.

  169. dizes bem, rvn: proponho outros debates:

    1. currículos alternativos e revisão dos conteúdos;
    2. avaliação dos alunos sem quotas de classificações e reprovações;
    3. que o professor possa repreender o aluno e até os seus pais, legalmente, se o aluno tiver um comportamento inadequado à permanência numa aula;
    4. que o aluno que passa da linha tenha que desempenhar uma tarefa cívica na comunidade e tenha que frequentar aulas de apoio à disciplina de que menos gosta;
    5. que o meu modelo de avaliação seja posto em prática e que me paguem por ele. :D

  170. rvn:

    resume pois. Se estamos numa de poupar onde é mais fácil sem precisar de tocar no que é intocável chama-se a isso reforma de qualquer profissão.

    Este governo tem andado a reformar assim. Metendo o lixo para debaixo do tapete ou criando tamanha confusão e injustiça que depois fica tudo pior do que estava. Caso da saúde, por exemplo. Mas, ao mesmo tempo vendem grande propaganda- o aborto gratuito serve para colmatar as urgências fechadas.

    Agora, mandar para a rua uns tantos e inventar maneira de não precisarem de tocar no sistema, chamavam-lhe reforma. E quem vem atrás que feche a porta.

    Tem sido isto, no que toca ao ensino, o que se passa há décadas. Todos vão fazendo porcaria para depois virem outros e remendarem com os tais acréscimos de lei e mais engatilham tudo.

    O modo mais simples de se avaliar o que têm sido as ditas reformas do ensino consiste em pegar na legislação.

    Anda por aí na net e em blogues. uma série de exemplos que são loucura absoluta. Ninguém consegue sequer saber como se fazem equivalências entre grupos diferentes. No caso do ensino nocturno então é o caos absoluto. E, se pegarem nos programas ministeriais vão ver como o abastardamento e decadência acelera de ano para ano.

  171. Aqui vai uma historita para os meninos se entreterem.

    Era uma vez uma professorinha do quadro de uma escola do Norte que, no ano de 2006, nos seus tempos livres, fazia umas incursões atrevidas pela blogosfera quando, no saudoso blog Espectro, conhece um Nick Cave por quem se apaixona. Acontece que namorar a 300km de distância tornou-se um desespero para ambos pelo que, a professora resolve pedir destacamento para uma escola da capital, o que consegue, para, assim, se juntar ao seu “mais que tudo”, deixando para trás, embora temporariamente, a casa, a família, os amigos, o cão, o gato, o periquito e todas as funções escolares, incluindo a de gestão, da sua escola.
    Acontece, porém, que, em 2007, surge o primeiro concurso para professor titular e a nossa querida ministra da educação obriga a professorinha a concorrer apenas na e para a escola onde se encontra destacada temporariamente, não lhe permitindo concorrer à escola de origem, onde pertence como professora efectiva do quadro, lá no Norte. Na verdade, a prof. não é obrigada a concorrer, mas não o fazendo ela sabe que ficará prejudicada, uma vez que há quotas, o que lhe limitará o acesso posteriormente. O certo é que esta nossa prof., consultando o seu periquito de estimação, lá resolveu concorrer a titular, nos termos da lei. Concorreu e ganhou, ou seja, ficou titular com uma classificação bastante expressiva, a mais expressiva da escola onde se encontra destacada, e, assim, a nossa querida ministra da educação retira-lhe o lugar na escola de origem a que pertencia lá no Norte, para a fazer professora titular aqui, na escola para onde veio apenas como destacada.
    Esta nossa professora, qual Améliazinha nos braços do seu abade, está feliz, mas sonha voltar à sua escola de origem, de preferência na companhia do seu Nick Cave.
    Agora, eu pergunto:
    – Será que a ministra da educação vai abrir vagas de prof. titular na escola dela? Se sim, quando?
    – Se esta a nossa Améliazinha conseguir a tal vaga de titular na sua escola bem amada, será que o N. Cave vai dar-lhe música? Se sim, qual?

    Bom, agora, divirtam-se!

  172. Curriculos alternativos era coisa absolutamente imprescindível para poder existir um ensino particular ou semi-particular como em todos os países existe.

    Mas, falar em curriculos alternativos e forma de os compor orgânica em vez desta direccionada e fechada ” à francesa”, implicava legalizar-se aquilo que não se admite. Por cá só existe um modelo de ensino e esse é totalitário sem leque de qualquer espécie e nunca poderá existir ensino particular sem ser de luxo porque a competição é feita pelo Estado.

    E eu, ainda que não seja defensora da privatização de tudo e de tudo sujeito ao lucro, acho que o sistema inglês, com a tal partilha de direcção entre particular e público podia ser uma melhoria.

    Bastava acabar com o que é um fenómeno único- as escolas serem dirigidas e geridas pelos próprios profs em sistema de alternância à RGA da lista da Associação universitária.

    O problema por cá já se sabe qual é. Para racionalizar havia que hierarquizar e cá, quando entra hierarquia em coisa pública significa entrega ao tacho e à cunha.

  173. ó… e a Sílvia que não viesse estragar mais o ramalhete…

    Está visto. Se não fosse prof do estado não tinha emprego vitalício e ia ver se esse destacamento é que era o mal da vida…

    É por estas…

  174. De facto, percebe-se como é fácil arranjar anti-corporativismos quando existem empregos vitalícios assim, com estes problemas de caca.

    Dantes até havia a lei dos conjuges para resolver os afastamentos de meia dúzia de kms dos profs casados. Os solteiros podiam ficar separados dos filhos, se os tivessem. Não sei se essa lei ainda está em vigor.

  175. zazie, estás a leste do que se está a passar. E o problema tem a beleza da simplicidade: o Ministério quer corrigir uma área fulcral para o futuro do País, e avança com uma proposta; essa proposta passa por dar mais trabalho aos professores, fazendo com que eles dêem mais à Escola; uma forma de aferir esse acrescento de qualidade implica um sistema de avaliação; o sistema de avaliação têm 14 factores de ponderação, assim descrevendo o paradigma de um exercício docente que não se esgote nas aulas; os professores discordam porque… não querem ser avaliados e… não querem ter mais trabalho pelo mesmo dinheiro…

    É por isso que as pessoas entrevistadas não têm nada mais para dizer além do “Estou contra”. É que não dá para expor as verdadeiras razões pelas quais se está contra…
    __

    rvn, tens toda a razão.
    __

    susana, eu não discuti o teu modelo de avaliação, mas estou de acordo (sou fácil, concordo com qualquer modelo de avaliação). E espero que ganhes muito dinheiro com ele, claro.
    __

    maria câmara, por alguma estranha razão, sentes a necessidade de exibir o teu deslumbramento: tu és a melhor professora que conheces, e quem quiser provar o contrário é um pidesco a merecer expulsão da tua sala de aulas.

    Começo, seriamente, a pensar que tens de vergar a mola.

  176. O ponto 3 da Susana deve ser a brincar…

    Então um prof não pode repreender um aluno?

    E ia repreender o pai como? com polícia a acompanhar em bairros onde nem por desacato a polícia entra?

    é o que eu digo… a esquerda beta vai para o paraíso de BMW…

  177. quem me dera voltar a acreditar em valores e meritocracia,

    o valor mede-se pelo número de valências que comporta

    só vejo jogos de bastidores, ratazanas e risadas de hiena, orwellianas

    ———-

    Valupi, ao falares em ‘donas-de-casa’ suscitaste-me a recordação

    ———-

    Susana, obviamente a avaliação feita pelos estudantes de que falava era feita na última semana antes das avaliações finais, portanto antes das notas, para evitar essas perversões

  178. sílvia, quase que aposto que o destacamento que a senhora conseguiu não lhe foi dado pela alegação dos motivos que apresentas. que eu saiba nem no tempo dos destacamentos facilitados se dava destacamento porque alguém se apaixonou a quilómetros de distância. será de presumir que foi mais um dos destacamentos falseados? e se assim for, a docente merece algum tratamento especial por ter ludibriado a lei? trazer esta história como se se tratasse da história de alguma injustiça é coerente com a conversa do “sonho e da criatividade”. a sílvia está contra as regras porque elas não permitem o conto de fadas que julgava que a vida deveria ser, é?

  179. valupi, não estava a falar de ti, mas dos professores que aqui têm estado.

    z, claro, eu também o fiz com os meus alunos, por iniciativa própria e nesses termos. mas durante uns anos houve uns modelos de avaliação anónimos que eram dados aos alunos depois da atribuição da classificação. eram uma risota, porque eles nem sabiam quem era o professor e o assistente e, na minha disciplina em que só tinham aulas com o assistente, atribuíram as classificações do professor a uns monitores que por lá passaram…

  180. silvia,
    «Se esta a nossa Améliazinha conseguir a tal vaga de titular na sua escola bem amada, será que o N. Cave vai dar-lhe música? Se sim, qual?»

    ‘Into my arms’, sem dúvida. ‘The Weeping song’ era uma hipótese, pese triste, ‘Wonderfull life’ era outra, demasiado lírica para a circunstância. Ná! Definitivamente, ‘Into my arms’. Nick Cave as himself. O sonho de qualquer professorinha do quadro, norte ou sul.

    Não agradeça. 300 km é longe à brava. Arredado do Conselho de Ministros por capricho divino, é o mínimo que eu posso fazer por vocês dois.

  181. ó zazie, tu não compreendes mesmo quando alguém está a rir por detrás das palavras, pois não? já ontem com aquela da vaca fria.
    os professores não têm a liberdade de repreender um aluno, não. sobretudo se ele tiver um estatuto especial, como acontece em casos que são precisamente dos mais problemáticos. não os podem pôr na rua e se aplicarem alguma sanção por um comportamento mais inconveniente, têm que preencher um formulário e podem até levar com um processo disciplinar. os alunos são tratados, em muitos casos, como os meninos mimados do ensino.

  182. De ontem à noite passemos à frente porque toda a malta já fingiu que acreditou. Não precisas de abusar.

    Agora esta passagem sim:

    «não os podem pôr na rua e se aplicarem alguma sanção por um comportamento mais inconveniente, têm que preencher um formulário e podem até levar com um processo disciplinar. os alunos são tratados, em muitos casos, como os meninos mimados do ensino»

    Mas isto é verdade desde quando???

    Eu sempre me lembro de suspensões e até expulsões. Quando é que passou a aer proibido?

    Se isto é verdade, é um facto que está tudo louco e não admira que ninguém aguente dar aulas se não tiver grandes privilégios…

    É que não acredito mesmo. Sempre houve processos disciplinares. Mesmo com a maluqueira do PREC. E tenho prole que andou no oficial. Não me recordo da existência de absoluta impunidade. Até sei de muitos casos de suspensões em escolas bem complicadas onde a profissão da mãe alternava entre dançarina no Intendente e a do pai- presidiário…

  183. deve ser lixado ser prof do secundário, isso é que é, apertados por todos os lados e sem qualquer reconhecimento.

    Valupi: tens direito aos teus ódios de estimação, como todos nós. Eu concluí a contragosto, pela parte que me toca, que embora concorde que o ódio e o ressentimento sejam os inimigos da humanidade, como dizia o Spinoza, se calhar só chego lá na próxima reencarnação e já é um pau. Antes disso é bónus.

  184. pois muito te enganas. conheço o caso de um aluno com diagnóstico de síndroma de hiperactividade que passa as aulas a cantar, conta anedotas e dá guinchos que até assustam. o síndroma impede-lhe a concentração, mas passa a ser o álibi para tudo o que faça que dependa apenas da má educação e da falta de autoridade a que está habituado em casa. teve um processo disciplinar por situações de maior gravidade. nestas das aulas (piores nas disciplinas de que menos gosta, o que comprova não serem comportamentos inevitáveis) pedem-lhe que se cale, mas ele acha que se não pode mandar nos professores estes também não podem mandar nele. e assim se prossegue, com uma rotação de colegas de carteira cujas notas descem vertiginosamente nos períodos em que ficam ao seu lado…

    e também se deixou de chumbar por faltas, se não me engano isso agora volta a ser possível.

  185. Essa treta da síndrome da hiperactividade é das maiores patranhas que se anda a vender. Por acaso o Dragão fez post com o assunto e até com os remédios perigosos que já andam a vender lá fora à conta da patranha.

    As pessoas vivem de palavras .Agora inventaram uma síndrome nova para a genica da maralha.

    Se quiseres até te posso passar o link com o laboratório e produtos que provocam danos e que se vendem à conta de uma palavra.

    Mas há alguma legislação que diga o que tu disseste?

    no ponto 3 dizes que deveria ser premitido repreender-se um aluno e até um encarregado da educação.

    Aqui sim, acreditaria que estarias a fazer humor.

  186. Bem, vou indo. Com síndromes destas a acrescentar a um governo sombra editado no Aspirina só se comprova que de profeta, médico e louco todos temos um pouco…

  187. z:

    deve ser lixado ser prof do secundário, isso é que é, apertados por todos os lados e sem qualquer reconhecimento.

    essa é que deve ser uma grande verdade.

  188. então mas um aluno desses não devia estar numa turma especial, de poucos, em vez de no meio da salsa de uma turma normal, fazendo mal a ele e a muitos?

    Mas claro que não há dinheiro para turmas especiais, de hiperctivos, anorécticas e sei lá que mais.

    Sempre esta baixaria das restrições económicas, essas ninguém questiona, uma inevitabilidade fatal pela qual nos massacramos uns aos outros.

    A nova racionalidade em nome de que nos matamos é a economia, tanathoscracia

  189. pois, era aí que estava a fazer humor. porque talvez saibas que há escolas em que os pais recomendam aos filhos que batam nos colegas e até no professor se o gajo levantar cabelo. bom, mas também acontecem coisas diferentes nessas escolas, não é? sabemos que há pessoas com mais carisma, ou com autoridade natural, entre os professores. tenho mais uma achega de proposta: verifique-se quem são os professores que conseguem bons resultados com turmas muito problemáticas e ofereça-se-lhes lugares com remunerações atraentes nas ditas escolas difíceis.

  190. Não Susana, a “Ameliazinha” é incapaz de qualquer fraude, ou não seja uma “ameliazinha”. A verdade é que ela quando partiu da sua escola de origem conhecia as regras do destacamento, mas nunca imaginou que estas fossem alteradas a meio do jogo, com o concurso dos titulares, prejudicando, assim, a vida de muitos professores.
    Uma escola onde não exista sonho e criatividade não é uma escola, é um cemitério.

  191. não z, trata-se da integração dos casos especiais. as turmas são apenas mais reduzidas em número de alunos. todos concordaremos, também, que a experiência pode ser positiva, mas para isso teria que ser bem conduzida.

  192. então dantes dava-se destacamento por razões de namoro? pensava que era apenas por razões de força maior, como a conjugalidade, o apoio a familiares doentes e assim.

    quanto ao sonho e criatividade, sílvia, claro que sim. só que é ridículo isso aparecer numa reivindicação laboral. são características do humano, ninguém as boicotou por decreto.

  193. hei-de esparrachar-me em cima disso com toda a força, mas não prometo nada, afinal o meu calcanhar de Aquiles é reconhecer dispositivos neomalthusianos e a inevitabilidade da regulação ecológica, de que a pirâmide é afinal signo primeiro, como figura de estabilidade. Talvez o Pátroclo consiga mais

    mas não vou cair louvando os algozes

  194. Z,
    Não gostei da piada, mas estás perdoado. Quando te apanhar por cá, vou cortar-te às rodelinhas. Agora Xonex e bons sonhos.

  195. Mais uma história para os meninos se divertirem…

    Era uma vez uma professora efectiva do quadro de uma escola do Norte chamada Fausta que, em 2006, pediu destacamento ao abrigo da lei do “horário zero” para uma escola de Lisboa, apesar desta não ter horário zero, mas sim uma colega do seu grupo disciplinar. O motivo pelo qual a levou a deslocar-se para tão longe prende-se com o facto do deu único filho estar a estudar na universidade de Lisboa e necessitar de apoio por razões de saúde. Acontece que, no final do ano lectivo de 2006/07, a escola onde a Fausta ficou destacada prescindiu dos seus serviços para ano lectivo seguinte, por esta não ter horário para ela, uma vez que o número de alunos da escola tinha diminuído. Este facto levou a nossa Fausta a regressar à sua escola de origem, o que por si não era mau, mas grave foi ela constatar que a sua escola de origem também não tinha horário para ela, uma vez que ela tinha dado uso ao horario zero existente no seu grupo disciplinar, conforme a lei.
    Assim,a Fausta, lá teve que concorrer, novamente, ao destacamento do “horário zero”, desta vez obrigada ao abrigo da lei.
    Da última vez que a vi ainda não tinha sido colocada, nem em Lisboa, nem em parte alguma…

    Convém informar-vos que todos os destacamentos são para o período de três anos, excepto
    quando as escolas receptoras dos destacados deixam de ter horário para eles. Nestes caso, os prof. regressam à sua escola de origem.
    Mais informo que há destacamentos por condições específicas (saúde) e por ausência da componente lectiva (horário zero). Já não vigora a lei dos conjugues para efeito de concurso.

  196. Bom, a amélia foi empurrada por mim e por outras colegas amigas da sua escola para usar o “horário zero” existente no seu grupo disciplinar. Ela era a prof. mais graduada e, portanto, era a primeira a poder usar esse “horário zero” para destacamento.
    Todas nós vivemos o seu namoro estranho, mas corajoso, passo a passo. Só queríamos a sua felicidade.
    Foi lindo!…

  197. A primeira vez que ia escrever só havia algumas respostas… mas agora, confesso, não consigo ler as 3000 e por isso deve haver uma grande parte desta conversa que me escapa. Mas quero recuperar a vontade anterior (okay. e adiar o trabalho mais um bocadinho).

    Uma ideia: desenhar inúmeros formatos de trabalho de equipa.

    Vou visitar várias escolas para mostrar uma pratica de conversar e fazer pensar os meninos. Todos adoram as minhas visitas: os meninos e meninas, as professoras e educadoras, as auxiliares, e eu. Ah. e todas as pessoas que ouvem as histórias divertidas e outras para fazer pensar que acontecem nas visitas.

    Quando saio de lá penso sempre: era assim que devia ser. A sala ser o resultado de trabalho de equipa de pessoas com formações diferentes e que têm que se juntar para fazer algo.

    E assim vou de comboio a imaginar uma escola que tem a estadia de um escultor e que mostra às salas como pensa numa escultura (como às vezes não consegue pensar), e no ano seguinte um fotógrafo (etc.). Visitas dos biólogos e dos matemáticos e dos sociologos e o que estão a fazer no seu doutoramento (e o que não estão a fazer) e depois o varredor de rua e o condutor dos comboios. E de como esta pessoa muito chata até sabe jogar ao mata e de como aquela pessoa muito calada a fazer equações ali sentada no canto sabe inventar canções.

    E imagino como se faz o registo e como se consegue ensinar todo o que “mandam” os ministérios.

    E os problemas passavam a ser o da esquematização das visitas: como fazer a diferença daquelas que são curtas das que são longas, aquelas que vale a pena ficarem a viver um ano na escola daquelas que devem ter o formato de regularidade semanal das que são melhores se forem mensais, e de como se deve ou não receber as pessoas na sala, como se deve fazer estes convites e quais os critérios que devemos desenhar para fazer essas escolhas, etc.

    E gosto que as visitas me encham de futuro.

  198. Tem o sr Valupi o condão de me ressuscitar uma personagem queirosiana. Refiro-me ao Alencar, o poeta de “voz arrastada, cavernosa, ateatrada” , de OS MAIAS , que, em tom palavroso e balofo, sintetiza o seu ódio visceral aos novos modelos da literatura de índole realista e naturalista numa célebre frase : ” não falemos do excremento!”.
    A mesma postura de guerreiro solitário que luta quixotescamente pela sua dama : o Ultra-Romantismo, a do Alencar; a avaliação dos professores, a do Valupi.
    E para quê argumentar contra a cegueira de uma paixão assolapada e tentar mostrar que as damas são boçais e rudes moleiras e não dulcineias? E que até, um pouco trabalhadas, buriladas, aperfeiçoadas, poderiam ser damas perfeitas capazes de ombrear com uma Laura ou uma Beatriz?
    Nada disso, que a paixão é mesmo assim: irracional e cega.
    Preferem as suas damas de bigode e deformadas.
    Que se lhes releve o mau-gosto, em pró da fidelidade.

  199. eu agora ando a experimentar outra modalidade, susana: as kpk’s têm de vir ter comigo, se querem um prymo além de todas as contas

    (só espero é não ganhar barriga)

  200. bem escrito, mal pensado.
    Mas lá deve ter a sua razão, os professores que temos são mediocres. Por isso a solução é pagar-lhes menos, piorar as suas condições de trabalho. Dar uma má imagem publica deles.
    Acho que com isso conseguimos expulsar do ensino os mediocres e ficar só com os fracos.
    Depois como todos conseguimos perceber o aluno aprenderá melhor se considerar um seu professor um mediocre.
    Escreve bem, embriaga-se com os seus proprios pensamentos, não tem grande discernimento nem capacidade para analises complexas.

  201. maria câmara, não sabes o que perdes.
    __

    Cam, mas a ser assim, e não nego que assim seja, que raio quer dizer “escreve bem”? Ou para ti é
    possível escrever bem e ser-se imbecil nessa modalidade em que não se consegue lidar com as questões complexas por falta de discernimento?

  202. Neste caso até foi maís fácil. Apelou ao mais básico do que sabe que existe no ensino; fechou a possibilidade de debate num pequeno gueto de questões secundárias; deixou de fora o que queria proteger (as responsabilidades políticas) e aproveitou os comentários fechados no tal mundinho que traçou para se justificar.

    Nunca conseguiu responder à questão: porque é que é precisa uma avaliação e como é que essa avaliação pode ser feita num sistema de horizontaliedades sem hierarquias.

    Sempre que traçou paralelos com outras profissões, deixou bem escondido que em qualquer outra existem hierarquias e não são os pares que preenchem grelhas abstruzas entre si.

    Também não foi capaz de justificar em que é que isto conribuía para a melhoria do ensino e ainda menos, como é que pode legitimar uma medida governamental quando acaba a dizer que devem ser os porfs a inventar alternativas.

    Tínhamos, portanto, uma governação directa, feita entre povo e Parlamento, e o facto de terem vindo para a rua até acabava por se justificar. Se não viessem o ministério não era capaz de fazer propostas simples que o Valupi até achou possíveis de serem feitas, aqui, em directo, numa caixa de comentários de um blogue.

  203. Vai-se a ver, o Valupi pode muito bem ser um ressabiado, talvez um daqueles que tentaram vender umas aulas perto de casa, quiçá para complemento do orçamento, mas sem conseguirem.A concorrência, nessa altura, já era grande e o jovem, provavelmente, desesperou, desistindo. Bem,com toda esta prosápia contra a “canalha graúda” é caso para dizer que “quem desdenha quer comprar”. Nada de novo…
    OH LORD!…

  204. Bom, realmente o Valupi acaba de provar que tem em muito má conta os professores.

    Logo, tudo o que escreveu parte daí.

    Pela mesma ordem de ideias eu era capaz de ficcionar um balanço: um político tarimbado em demagogia é isto. Algo me diz que é político.

  205. é isso mesmo. Agora nunca precisei de procurar o mais rasca e mongo para demonstrar uma tese.

    Se a Sílvia diz anormalidades e, quanto maiores elas são, mais tu depreendes que só pode ser professora, acabas de demonstrar que a única reforma que querias era algo visceral contra profissionais que tens em pior conta que os políticos.

    De qualquer forma, já sabes, a casa é tua e tens aí as audiências a marcarem no contador sem precisarem de vir aqui dizer nada.

    Quem se expõe és tu. Não sou eu. Quem se estatelou de vez no meio do chão foste tu, agora mesmo, por não conseguires reprimir a vontade de chamar imbecis aos professores, apenas porque tens uma idiota a dizer-te monguices.

    A idioteira como complemento da canalha graúda é mesmo um preconceito que te fica a matar.

    Mais outro para o laçarote. Já tínhamos a turbantofobia, agora a profofobia.

  206. lá estás tu, zazie, com a tua incapacidade para detectar a ironia. acaso não terás reparado que a sílvia ainda não disse coisa alguma que revelasse a sua condição de professora, a não ser historinhas de cacaracá e opiniões vagas sobre o que deve ser escola (aquela do sonho e não sei quê), que mais parece nem sequer conhecer o meio em que está inserida? (e aqui por meio estou a falar num contexto mais vasto que a escola e o seu sistema, o contexto social, político, económico.)

  207. Tu tens problemas de raciocínio, não tens Susana?

    Além do mais, tu, tal como toda a gente, sabe que a Síliva Carmo é professora de desenho ou algo no género. Ela passa a vida a falar nisso e até já te falou do Pires da Escola de Belas Artes.

    Mas nem era preciso isso. Bastava ela ser a monga que todos sabemos e o Valupi ter retirado aquela conclusão: só pode ser prof.

    Pois foi precisamente isso que eu disse. A Sílvia só diz bacorada, ainda conseguiu aumentar a bacorada, chamando filho ao Valupi e que respondeu ele:

    “Algo me diz que és professora”.

    Não atingiste, pois não Susana?

  208. Aqui porque com a Susana é perigoso esforçar muito o neurónio.

    Sílvia do Carmo
    Mar 10th, 2008 at 18:49
    Olha, filho, podes enganar meio mundo,incluindo o teu, mas não penses que enganas o mundo inteiro.

    Valupi
    Mar 10th, 2008 at 18:52
    Sílvia, são sábias palavras, as tuas. Não sei, mas algo me diz que és professora.

  209. Olha Susana: também nunca detectei o teu sentido de humor e não detectei muito mais coisas mas costumo fazer vista grossa. Tu é que tens esse vício de procurar lenha para te queimares.

    O Valupi achou que palavras imbecis faziam a cara de professora- Isto deduz qualquer criancinha o apreço que tem pelos profs.

    É claro que, se esta lhe tivesse escapado no início não tinha tido por aqui tanto ingénuo a bater palmas.

    Mas eu sei que é fácil fazer cair o Valupi. Ele não larga as embirrações. Nem fazendo outro post era capaz de largar isto. Porque é visceral a embirração.

    Espalhou-se agora.

    E tu, com o habitual nº de sapateado que sabes que deves fazer para disfarçar as audiências, desta vez vieste em má altura e ainda ajudaste a que se visse melhor a gaffe dele.

  210. atingi, zazie. e presumo também que a sílvia seja professora de educação visual.
    o que tu não atingiste é que a sílvia veio aqui incorporar aquele preciso modelo de professor que aparenta estar preocupado com tudo menos com o ensino. a ironia que detectei (embora, ao contrário de ti, admita sempre que possa estar enganada) foi essa: a sílvia veio aqui testemunhar a correcção da percepção do valupi acerca de um segmento significativo da classe. aquele segmento de que muitos alunos se queixam (e se eu conheço adolescentes…!), das “setoras” que passam as aulas a falar dos seus problemas pessoais, de historinhas irrelevantes e, então no campo das artes visuais, aquelas para quem tudo o que é ensino com componente artística é – apenas – sonho, criatividade, imaginação, com uma ideia estereotipada sobre a expressão (acompanhado de uma dramatização adequada). convenhamos que isto não é coisa que se ensine, apenas se estimula. a transmissão é – sempre – de conhecimento.

    vá lá que desta vez o teu furor persecutório não te levou ao ponto de usares citação com link…

  211. Mas não há aqui Sílvias para nada!

    Até podia ter sido assinado por macaco. O que importa é que foi imbecilidade e, face a ela,

    apenas existe a resposta que o Valupi:

    “algo me diz que és professora”

  212. zazie, tu és toura e eu sempre estive ao lado dos touros desde pequenino, quando o meu avô me obrigava a assistir às touradas, até que uma vez bati tantas palmas quando o touro mandou aquilo tudo ao ar, tinha para aí para aí 7 anos, que caiu o quadro com a janela do convento de Cristo, a partir daí o meu avô reconsiderou.

    mas é porque o touro andava lá obrigado. agora a ti dá-te para entrar, estava um gajo calminho a fazer tricot,

  213. A citação com link que tanto te afligiu, em sendo ironia, não se percebe.

    Só que andava para aí meio mundo parvo e o Shark a pensar que tinha ofendido a ministra. E eu fui buscar a frase que deu origem ao teu reparo (com a ironia toda que lhe queiras acrescentar à posteriori). Já sabemos, ele meteu a vaca no forno.

  214. ahahahaha

    z: tu és um bacano espertalhão.

    Mas também sou escorpião. Deve ser mais este lado macaco que salta quando topo os macacões velhos

    “:OP

  215. já agora, Até podia ter sido assinado por macaco. a tua admissão de poderem estar macacos entre os docentes não será ela mesma uma admissão de algo ainda mais grave do que aquilo que temos dito? essa nunca tinha ouvido e custa-me a acreditar…

  216. o que interessa é a resultante integrada disto tudo, onde todos aprendemos algo, e aconteceu intervenção política, diferindo umas dúvidas e equacionando uns itens, etc. – e o facto é que um texto que suscita tantos comentários é um exito que devemos ao Valupi, mesmo que dele discordemos

    eu também tenho cabeça de Dragão em Escorpião, há um ano de geração de guerreiros. Para a próxima quero ser colibri.

  217. aahahaa

    A Susana é a pessoa mais engraçada do mundo.

    Só me faz lembrar a tina do Blasfémias.

    Agora detectou mais uma coisa politicamente correcta e com direito a ir para índex

    Voltou a não perceber outra expressão:

    Tanto faz que seja prof, que seja a Sílvia, como seja macaco ou porco, ou trabalhadora doméstica, ou “inginheira”.

    O que importa é que disse besteira. Tu confirmaste as besteiras e isso tudo só tinha interesse porque o Valupi

    depreendeu- que essas besteiras caracterizavam uma profissão-

    algo me diz que és professora

    Ainda não entrou, pois não?

    Olha, para não parecer mazinha, até te digo, acredito plenamente que sejas uma moçoila muitísismo bonita.

    Não me perguntes porquê. E não estou mesmo a fazer ironia. Hás-de ser um mulher linda com a vida feliz e bem próspera.

    … e lourinha…

    “:O))))

  218. eu sei. na verdade era mais uma private joke com a expressão e a sua possibilidade literal. eu conto-te a história da vaca fria, porque ela até tem graça.
    sempre se usou essa expressão em minha casa, nem me lembro de a ter aprendido. era eu adolescente e em conversa com um amigo ele queixava-se muito da mãe. eu dizia «mas tens que compreender», «não penses assim», e etc. às tantas a conversa divergiu. depois eu disse «bom, mas voltando à vaca fria, eu acho que a tua mãe…». ele interrompeu-me com um olhar magoado e disse «lá porque te tenho contado estas coisas da minha mãe, isso não te dá o direito de lhe chamares vaca fria.»
    desde aí que sempre que vejo ou uso a expressão me lembro desta história e dá-me vontade de rir. era uma pida à expressão, e não à ministra, portanto.

  219. hahaha digo eu: lá vais tu outra vez…

    se então com esta não viste que era piada, a graça de se fingir uma interpretação literal, és mesmo um caso perdido.

    quanto ao resto, erraste. nem sequer oxigenada. já agora, queres arriscar o signo?

  220. mas então vejamos as conclusões:

    tem que se pôr prof.s na rua por causa dos submarinos, essa é que é

    e portanto vá de fazer uma avaliação que ponha todos com os nervos em franja excepto os avaliadores dos bastidores

    globalmente conseguiu-se abrir a guerra generalizada entre portugueses, parece, com 100 000 pessoas na rua

  221. quanto à vaca deixaste o rapaz e muita gente preocupada com a história. Mas esta agora do macaco também era ironia?

    E o Valupi a achar que tanta anormalidade só podia vir de professora?

    hummmmmm…?

    bye. Vou botar um video de chorar a rir. Uma cena de fetische com legumes e galinha puta

    ahahahah

  222. z: és capaz de ter razão com essa tua história dos bastidores.

    Depois vê a putona da galinha e do cozinheiro tarado com as ervas aromáticas

    ehehe

  223. zazie, eu essa do dragão acho que já me fodeu t*do e eu a ele, com isso dos fogos florestais – ando mais contente a pensar que agora vou de colibri

  224. és escorpião e cabra?

    minha grande cabrita. Não admira que embiquemos. Eu com ascendente escorpiónico e sempre a lançar-fogo deve-me encher de fornicoques as cabritices a fazerem sapateado para encobir.

    È como agitarem a capa vermelha ao touro, vai tudo ao ar

    “:O)))

  225. zazie,
    estou tonto de andsar à procura de uma galinha puta no cocanha e só ouço o kant sem o ver, nem um pinto pederasta, quanto mais uma galinha puta e um cozinheiro. Sinto-me desfraldado. Ou é faudado? Que fazer?

  226. Susana,
    Fiz as Belas-Artes e sou prof. de Ed. visual / 3º ciclo, bem como de Geometria Descritiva e Historia da Arte do Secundário e mais o que houver para leccionar no âmbito das Artes Visuais.

    Aqui, limito-me a generalidades e superficialidades. Não espere mais. Não merece mais.

  227. rvn:

    Achas que dá muito mau aspecto se o título do post for “a putona da galinha” ou “cozinhado à inglesa”?

    Estou preocupadíssima com a minha credibilidade virtual.

    Sou eu e o Valupi.

    “:OP

  228. ah, e também tenho ursas com pederastas e sobrinhos do pato Donald mas já não vai ser hoje que se faz tarde.

    Um dia destes dedico um post cheio de “ironia” à Susana. Até vai andar à volta com tanta ironia de index

    ehehe

  229. zazie, claro que era ironia. que tenhas levado a sério deixa-me seriamente preocupada com a tua percepção das capacidades do meu neurónio tão esforçadito.
    quanto aos signos, não faço ideia, sei que estou nesses, mas não dou crédito a essas mitologias (só a outras, menos folclóricas). acho um piadão a algumas pessoas que conheço que dizem «ai tu, vê-se logo, deves ser virgem, essa calma…» e eu corrijo «escorpião». «ah, pois, é isso! essa era a minha segunda hipótese, é que deves ter ascendente em terra…». «não, em ar…» «pois, isso, escorpião com ascendente em balança, dá esta confusão, às vezes…» «não, é gémeos.». e um gajo diverte-se.

    já lá vou ver essa galinha, que eu gosto muito de tudo aquilo com que me identifico.

    sílvia, pois é uma pena, dado que a tua intenção até parecia ser a de credibilizar a classe. no contexto, será talvez sintomático que te estejas nas tintas, nenhum professor seria capaz de te agradecer as intervenções, num momento tão melindroso. felizmente não se toma o todo pela parte.
    talvez te fizesse bem comeres um pouquinho mais de chocolate.

  230. já agora, Até podia ter sido assinado por macaco. a tua admissão de poderem estar macacos entre os docentes não será ela mesma uma admissão de algo ainda mais grave do que aquilo que temos dito? essa nunca tinha ouvido e custa-me a acreditar…

    E esta? foi para se ler a sério ou ironia?

    hummm?

    Acho que é tudo para atirar moeda ao ar. A partir de agora, tudo o que escreves vai ser ironia.
    É só por causa da putona da galinha que está à espera em cima da mesa.

    E para abreviar.

    Só não boto link para não achares que é provocação.

  231. não há nada mais grave que macacos entre docentes

    ahahahahahahahaha

    Vou já mandar esta para a linha da denúncia..

    A sério .Farto-me de sabotar aquela trampa com links de coisas maradas que encontro online.

    Agora vai a putona da galinha, mais a vaca frígida e os macacos dos professores em greve

    “:O)))

  232. com tanta galinha fiquei a lamber-me por cabidela, cá chamam ‘molho pardo’, e por analogia passei para lampreia, lá vou eu à falência outra vez

  233. Ora porra, já tiraram a vaca fria do forno outra vez? Mas pelo que vejo não voltámos à dita cuja propriamente dita e sendo assim, mantendo a coisa no âmbito cornúpeto, partilho convosco que sou Touro com costela Gémeos.
    Os touros são talhados para o Ensino pois gozam de excelente reputação enquanto marrões. Já os gémeos tanto podem ser os cornos como os

    joelhos.

  234. E espero que enquadrem a tirada anterior como um esforço hercúleo (sobretudo naquela curva apertada a descer da última frase) para me encaixar no tom.
    Qualquer que seja a temperatura da vaca, eu percebi a ironia da Susana logo à primeira e ela sabe que sim e por isso esse detalhe do assunto esgota-se nesta minha intervenção.
    A anterior era mesmo só para captar a vossa atenção.

    E aproveito para desejar boa noite aos ilustres presentes e às ricas prendas.

  235. zazie,
    vejo que optaste pelos dois títulos, um cozinhado à inglesa com a putona da galinha. Belos peitos, de facto. Mas as ervas é que são o verdadeiro bacanal.

    z,
    tufei-te que nem ginjas, lá em baixo.

  236. pois claro que topaste, shark, por isso ela era para ti.

    zazie, pensa lá um bocadinho. respira fundo: seria possível eu acreditar que houvesse macacos num corpo docente? reparaste que eu assinalo que tu apontas, afinal, que algo muito mais grave se passa no ensino, pois há macacos? olha lá aquela última frase em bold…

    hummmmm?

  237. portantos deixa cá ver…

    eu falo nos pretos da linha de sintra para dizer que um sujeito é menos tuga que eles e tu dizes que fizeste um post a falar em preto para atirar o barro à parede, e afinal era ironia.

    depois dedicas-me outro post por causa do racismo implícito na frase: os pretos da linha de sintra e, afinal, era ironia;

    a seguir não vem galinha que o teu amigo de infância chateia-me;

    mas vem as imbecilidades da Sílvia e o Valupi a dizer que, pelo que diz só podia ser professora e tu reages e é ironia

    depois vem a minha resposta que tanto fazia que fosse assinado por Sílvia como por diabo a quatro, como por macaco, porque o que contava era a resposta do Valupi a ligar a parvoeira á classe dos profs

    e tu reages e perguntas se “assinar como macaco” como se pudesse existir macaco entre profs não seria coisa mais grave do que o que v.s disseram aqui..

    e… afinal era ironia.

    Agora escolhe: és muito cínica e contas chamar-me estúpida sempre que tens estes atacas de “ironia” ou preferes que eu te mande brincar com o macaco?

  238. é que eu acho que o melhor é passar a ignorar-te sempre que me dirigires o que quer que seja.
    Até porque eu posso ser cínica mas não estar para perder tempo com galinhas a não ser as putonas com manjericão e que fazem mesmo rir de forma mais saudável e sem ressbiamentos.

  239. quanto aos posts, eu não «fiz posts por causa da tua frase», mas por causa de uma associação de ideias suscitada por um questionamento sobre a linguagem que se relacionou com ela. no entanto o post referia muitas outras coisas que nada tinham a ver contigo, a não ser pelo facto de seres uma das pessoas envolvidas na discussão. e no momento de pôr um título lembrei-me das tuas invectivas acerca da minha suposta obrigação de retorquir em post como se os comentários fossem alguma forma de opinião inferior, e da implicação que escrever de uma forma ou de outra, ou nem sequer escrever, tem em termos de liberdade.

    ora quando eu falei na tua expressão e a relacionei com a minha, eu estava apenas a reflectir sobre o uso da língua, das expressões despidas de preconceito na intenção que se podem tornar equívocas na leitura, consoante o contexto. não estava especificamente a dirigir-te uma crítica, como pareces ter entendido. pelo contrário, na parte que te toca eu estava era a falar contigo. estava também a referir a questão da auto-censura e da pertinência eventual da mesma, quando a expressão (censurada, no meu caso) não cumpria qualquer função importante.

    quanto aos outros episódios que referes, naqueles que te foram dirigidos eu confesso que estava a contar com alguma cumplicidade, com o entendimento da brincadeira. lamento que tenhas pensado que estava a gozar contigo, pois não tinha tal intenção. por muito que isso te pareça um comportamento absolutamente normal e desejável, eu não tenho o hábito de tratar as pessoas por estúpidas.

  240. Susana:

    O diálogo acabou. A partir de agora não leves a mal eu não te dar mais oportunidade para “ironias” ou para me chamares estúpida à conta das ditas ironias mas kaput. Não há mais Susana a falar comigo.

    Tens aí a rapaziada para te entreteres ou vais precisar de escolher outra gaja para descarregares esse sentido de humor tão fino que só o compreende quem estiver com pachora para te aturar.

  241. era o que faltava. podes-te calar sempre que quiseres, mas eu já te disse que falo o que quero e quando quero. és tu a responsável pelas tuas interpretações. se ficas vexada sempre que não percebes alguma coisa eu não tenho culpa nenhuma de esperar de ti compreensão.

  242. Falas, claro que falas, com quem quiseres e até podes continuar a intrometer-te à vontade em diálogos que não são contigo. O blogue é teu, eu sou apenas convidada da casa.

    E volto a explicar: eu é que não volto a responder-te .E avisei para que não pareça indelicadeza da minha parte.

    Não volto a responder-te apenas para não me chatear com o que é inútil. E aviso para não levares a mal. Assim já se sabe. É para evitar atritos desnecessários.

  243. tufaste-me, rvn???

    ora isso agora transmutou-se pessoal porque eu só tufo in abstractio

    mas acrescento que não senti nada, deinde quo plura mens novit & sus vires…

    espera pelo gastão, que vais dizer ão ão

  244. susana,

    não me respondeu ao meu ‘porquê?’… :-)

    mas eu respondo-lhe, mesmo que tardiamente: sim, a comparação que propõe entre o que nas escolas chamamos CIF (Classificação Interna Final) e a CE (Classificação Externa em exame nacional), não só está prevista no actual modelo de avaliação como é já utilizada pelas escolas para aferir o seu comportamento, a esse nível, face aos resultados – regionais, nacionais… não sabia disso?…

    a única diferença é que a sua proposta é radical e fala em exames em todas as disciplinas! eia que revolução havia de ser! :D está preparada pró ‘não fazemos, não fazemos, não fazemos não fazemoooossss’ por parte dos alunos? com o apoio (quer apostar comigo?…) das Federações de Papás?

    (a sério: sabe mesmo mesmo mesmo qual a medida, prática, simples e super eficaz, que poderia inverter – ou pelo menos contribuir decisivamente para – o laxismo, o facilitismo e a irresponsabilização dos alunos face aos seus deveres de aprendizagem? algo por que pugno há anos, e sou voz solitária a clamar no deserto: reintroduzir-se não só, não tanto, os exames nacionais a todas as disciplinas, sim, mas algo que existia antes do 25 de Abril e em má hora se perdeu: a possibilidade de que qualquer aluno pudesse dispensar de tais exames pela média (alta, naturalmente) exigida no final do ano.

    era limpinho.)

    quanto ao resto, espero que concorde comigo que uma avaliação do desempenho do trabalho de um professor unicamente, como propôs, usando esse critério, seria manifestamente incompleta, injusta e até arbitrária, pela imensa diversidade de variáveis presentes em qualquer exame (já nem invoco a incorrecção científica presente por vezes nalguns deles, como se recordará ter acontecido em anos recentes). contudo, usando igualmente outros parâmetros (que a mim não me repugna sequer que sejam os previstos neste modelo de avaliação, desde que redimensionados os pesos relativos, algo que não existe tal como está, e dele sejam depurados os – crasso erro , aliás – itens qualitativos que são de impossível avaliação por não-mensuráveis de per si), parece-me, pessoalmente, bem.

    Mas vamos com calma. Disse por várias vezes aqui que os professores não têm apresentado propostas ou alternativas.

    Deixe-me, antes, explicar-lhe (maneira de dizer, claro), por que é que elas são inúteis. E têm sido inúteis (as nossas propostas).

    A Ministra tem uma qualidade óbvia – sabe o que quer e como o quer fazer. Chegada ao Ministério, deparou-se com uma situação que considerou penalizadora da qualidade do ensino e demasiado refém dos interesses dos docentes. Por outro lado, tinha orientações claras do Primeiro Ministro (como todos) para diminuir o número de docentes (funcionários públicos, portanto) e poupar nos salários, mas de preferência aumentando o número de alunos nas escolas, por razões sociais (vamos supor que sim) mas também estatísticas.

    Começando pelo mais simples, aumentam-se os horários de permanência nas escolas dos docentes. Com tal restringe-se drasticamente o número de professores necessário em cada uma delas (e lançam-se uns milhares pró desemprego ou para o trabalho precário de serem contratados – com sorte, conseguindo um horário próximo de um completo em 2, 3 ou 4 escolas; na minha, há uma professora que dá aulas em mais duas, distanciadas entre si num raio de 150 kms). Criam-se por outro lado uns célebres CEF (os tais mais de 30.000 novos alunos que a Ministra refere) que não são mais do que máquinas de passar administrativamente os alunos, não só pela simplificação extrema dos conteúdos como pela estrutura e regras de avaliação que quase implicam à partida que todos eles venham a ter ‘sucesso’).

    Depois, toma medidas que são estruturadas; não se lhe pode apontar a crítica de serem medidas avulsas, pelo contrário: todas elas cumprem aqueles desideratos primeiros.

    1ª medida, alterar o Estatuto da Carreira Docente. Com a introdução, pela primeira vez no nosso país, da distinção de categorias entre professores, isto é, com a institucionalização da categoria de Professor Titular, cumpre o objectivo economicista: não só pela existência de tal categoria mas o facto de estar limitada por uma quota muito restrita em cada escola, arreda – e para sempre, seja o professor Excelente ou Excelentíssimo – uma esmagadora maioria de docentes de poderem chegar a escalões mais altos na sua carreira – e nos seus salários. A esmagadora maioria de docentes poderá a partir de agora aspirar a ficar, unicamente, no actual 7º escalão.

    Mas vamos concordar que tal é socialmente justo (?) ou economicamente incontornável (?). Vejamos então: no seguimento de tal Estatuto, havia que abrir concursos para Professor Titular. Tal foi feito. Alertou-se de todas as maneiras e feitios para a incorrecção e a grave injustiça – e também o ridículo absoluto – de: a carreira avaliada se cingir unicamente aos últimos 7 anos de serviço (nunca o Ministério conseguiu explicar este número – por isso, quando no Prós e Contras a Ministra afirmou – no que revelou mais uma vez a sua má-fé e como não deixa de recorrer à mentira quando se sente acossada – que tal se devera ao facto de não haver registos biográficos do docente anteriores a esse prazo (!!!!!), mesmo que o professor já o fosse há 10, 15, 20 ou 30, o que, naturalmente, penalizou e prejudicou muitíssimos docentes, e teve como resultado a obtenção de tal categoria por professores que circunstancialmente tinham tido mais cargos nos anos anteriores e não a terem obtido docentes com uma carreira melhor e mais rica; haver uma má ou deficiente distribuição de pontos (a carreira do professor foi avaliada por sistema de pontos, tipo, ser director de turma valia, imagine, 4 pontos, director de biblioteca 5, etc), no sentido em que certos cargos ou actividades não foram contemplados (o que causou injustiças, claro), ou foram atribuídos pontos a menos ou a mais a certo cargo, etc; e, por último, o facto de ser obrigatório tal concurso em todas as escolas, o que implicou que, por exemplo, em certas delas tenham obtido tal categoria docentes que estavam unicamente no 7º escalão e, noutras, muitos docentes (por via das quotas) que estavam em escalões superiores não a terem obtido.

    Os concursos concretizaram-se porque o novo modelo de avaliação (que imagino já estivesse mais do que concluído) tinha que entrar em vigor neste ano lectivo, e a avaliação do docente vai passar a ser feita pelo Conselho Executivo e pelo Professor Titularo/Coordenador de Departamento ou Professor Titular com o qual aquele divida essa competência.. Não havia margem de recuo possível para a Ministra, sob pena de comprometer a política educativa por ela elaborada. Por isso, tivesse ou não o Concurso para Professor Titular sido eivado de erros e causado injustiças e lançado – pelo menos – o desconforto nas Escolas, nada se deveria rectificar. E não se rectificou.

    Como disse acima, este modelo de avaliação não me parece, à partida, de recusar em absoluto. Nem a ninguém (não ouvi ninguém dizer isso, nem sindicatos nem escolas nem profs). Deve, sim, ser desburocratizado. Deve ser limpo de aberrações como a inclusão de certos itens qualitativos (como motivação e empenho e coisas assim). Não deve cindir sobre as notas quantitativas que os alunos obtêm, mas sim sobre o progresso do aluno, seja quanto a competências seja quanto a conhecimentos (o que é diferente). Deve re-distribuir os pesos a cada item, porque creio que ninguém de bom-senso pode considerar que é igualmente importante o trabalho com os alunos e a participação em actividades extra-lectivas promovidas pela Escola, por exemplo. Mas não desejo gastar demasiado tempo com este assunto, no sentido em que, quantas vezes, sinto que a opinião já está de tal maneira inscrita nas consciências das pessoas (a de que os professores não querem ser avaliados), que quando dizemos que queremos sim, mas não desta maneira ou pelo menos não desta maneira sem ajustes e correcções, as pessoas continuarão a afirmar que não queremos é ser avaliados.

    Há ainda um outro aspecto – a acrescer ao desconforto existente nas escolas pelos resultados do Concurso para professor titular, muitos docentes se sentem repugnados por irem ser avaliados por quem não tem mais competência do que eles (exemplos são aos milhões…) nem, pelo menos isso, tiveram formação para avaliar um colega seu. Porque é diferente avaliar um colega ou um aluno, e quem afirmar o contrário não está a ser honesto. Em todo o caso, é preciso afirmar que, contrariamente ao que já li aqui, um professor de Filosofia não poderá nunca avaliar um de Matemática, porque estamos agrupados em Departamentos Curriculares. Por exemplo, poderei avaliar ou ser avaliada por um de Economia ou de História. E o que o Titular vai avaliar (ele, que é o Coordenador de Departamento) são competências de carácter pedagógico, e não científicas. Mesmo assim, será para eles muito complicado, imagino, de saber se a estratégia X foi a mais adequada para transmitir o meu conhecimento específico Y.

    O mais grave deste modelo de avaliação não passa contudo, por aqui.

    Passa sim por um aspecto: o que este decreto-lei instituiu foi um conjunto de parâmetros globais de avaliação e emanou umas fichas que agora deverão ser, escola a escola, transformadas em instrumentos de medida concretos. E aqui, cara Susana, a porca torce por completo o rabo: sem orientações do Ministério, o improviso, a subjectividade, a total anarquia ao nível da interpretação e sua consecução em fichas de observação práticas é total e absoluta. Nunca um governo se tinha demitido a este ponto de regulamentar o que deveria ter sido regulamentado por ele. O caso da escola de Leiria foi um exemplo extremo, e extremamente infeliz, do que pretendo realçar aqui.

    E passa, por último, por esta imposição absurda de colocar já em prática este modelo – e tal como está – sobre os professores contratados (o Ministério recuou face aos professores do quadro, permitindo que ela venha só a ser aplicada no próximo ano lectivo) , ie, ir avaliar no 3º período todo um ano lectivo… Se a isto não se chama precipitação e teimosia…

    Finalmente (que não o é, pois o novo Estatuto do Aluno também se integra neste quadro de política educativa, mas adiante, por agora), a gestão escolar.

    O novo modelo cumpre um único objectivo, aliás assumido pela Ministra no Prós e Contras: poder, ela, demitir a direcção (a partir de agora, o/a director/a) de uma Escola. Tem, politicamente, razões para o desejar. Com o actual modelo tal estava-lhe interdito.

    Não é este novo modelo que garante, por si mesmo, maior qualidade a gestão de uma escola. Tal como o anterior não o garantia – mas também não o impedia. O anterior dava às escolas a possibilidade de optar por uma direcção colegial (98% das escolas) ou unipessoal (2% das escolas). Qualquer que fosse o caso, os gestores das escolas tinham que ter, para tal efeito, formação em gestão escolar. E tinham-na. Os resultados da Inspecção Geral de Educação quanto à gestão das escolas publicas portugueses é estrondosamente positiva. Donde, sejamos claros: não foi por razões de incompetência que se mudou o modelo, mas por aquela acima apontada.

    Que não me repugna. Penso que um ministro deve ter o poder de demitir quem tutela, se a incompetência deste a isso o obrigar.

    Onde todos nós discordamos é neste duplo aspecto (e sim, dissemo-lo e foi essa a posição da esmagadora maioria das escolas nas reuniões com o ME – ESCOLAS, NÃO SÓ SINDICATOS, dado que houve reuniões entre o ME e os CE das escolas): 1º, no actual modelo a escola opta se quer que o presidente do conselho pedagógico é o director (presidente do conselho executivo) ou não; no actual, ele é sempre o presidente do conselho pedagógico, órgão de papel relevantíssimo na organização da escola. 2º, no actual modelo os coordenadores de departamento são eleitos pelos seus pares (colegas do Departamento); no actual, são nomeados pelo director.

    Pelo que, espero que concorde comigo, há uma concentração excessiva, desnecessária e com resultados imprevisíveis (muito provavelmente incluindo os indesejáveis) de poder numa só pessoa.

    Ora, no que se refere à nossa recusa do modelo de gestão, ela passa por aqui. E foi dito, insisto; e não nos ouviram, mais uma vez.

    Nem quando fomos 100.000 nos ouviram. Há quem o considere uma prova de determinação (por parte da Ministra). Há quem considere que a democracia está doente.

    Eu faço parte deste último grupo.

    (a acrescentar a outros motivos de luta e/ou de protesto que nos uniram, poderia também falar da nova lei do Ensino Especial ou a que vai equivaler ao assassínio do ensino artístico especializado. Mas, quem sabe, iria de novo ser acusada de só pensar em mim, nos meus privilégios, de não me interessar nem pela qualidade do ensino nem pelo presente e futuro dos meus alunos. O ódio e o preconceito têm muitos cambiantes, mas uma única origem: desconhecimento. Ou má-fé, claro, mas eu prefiro ser cândida e não pressupor tal em quem com tanta raiva se nos dirige ou pensa em nós.)

    Sabe, Susana, o que mais me dói? Os alunos. Os eternos sacrificados de políticas educativas sucessivas que, contrariamente ao que propalam, não os servem. Os que os presumem à partida como incapazes e coitadinhos. Os que não fazem da exigência, rigor e responsabilidade a trave mestra de qualquer educação no que se refere a TODOS os seus intervenientes. Nos casos que agora nos movem eles estão lá, em pano de fundo. Sempre. Sei que muitos não acreditarão nestas minhas palavras (aliás, porque a minha classe é composta por muitos maus ou deficientes profissionais que contrariam o que eu vou dizer a seguir – e por isso todos nós desde há anos queremos um sistema de avaliação que os penalize e premeie a maioria, profissionais empenhados e honestos), mas: os alunos são a nossa razão de ser, percebe?

    Termino voltando à sua proposta: sabe como os professores se referem às notas dos exames dos seus alunos? ‘EU tive não sei quantas positivas ou não sei quantas negativas’. Sabia? Sabe quem são os primeiros a verem as pautas quando elas acabaram de chegar o ministério e antes de serem colocadas nas vitrines? Faz ideia das manifestações de alegria ou de abraço por uma má nota por um professor junto aos seus alunos?…

    (caramba… como é que eu consigo transmitir aquilo que é uma EVIDÊNCIA nas escolas e não passa nunca cá pra fora?)

    Enfim. Lá vou eu.

  245. em-se-ver, respondi, só que respondi assim:
    sem-se-ver, não posso responder à sua pergunta, a não ser assim: o facto de tantos profissionais se manifestarem contra não significa que a ministra esteja errada. do mesmo modo que se tivessem sido poucos a protestar não significaria que ela estivesse certa.
    mas quanto ao respeito que reclama, estou completamente de acordo consigo. por causa dos bons professores e daqueles que não se acomodam. é verdade que a classe docente tem sido um bocado desconsiderada. é possível também que haja muitos docentes em parte responsáveis por esse descrédito. eu tenho-me cruzado com uma boa quantidade deles.

    muito obrigada pelo que escreveu acima. é uma pena que não haja maior esclarecimento de todos esses pormenores.
    chamo, no entanto, a sua atenção para um facto (porque o é, um facto): a maioria dos professores não detém essa informação. a comprová-lo o que é dito pelos entrevistados ao acaso (não vou presumir uma manipulação em que a maioria tenha respondido como a sem-se-ver responderia e depois tenham escolhido mostrar apenas os mais básicos). ora isto vem confirmar a minha suspeita: a maioria dos professores não estava na manifestação pelas mesmas razões que a sem-se-ver.

    ora eu não digo que não haja imensas incorrecções neste modelo de avaliação, até já corroborei alguns dos protestos quer relativamente ao modelo, quer aos outros factores que tiveram efeito cumulativo no que acabou por explodir na forma deste protesto. o que vejo é que na maioria dos casos os docentes querem apenas manter as suas vidas tal como têm sido. o que até se compreende, a profissão é de elevado desgaste, sobretudo nos casos (em número elevadíssimo) em que não há vocação. convenhamos que ter um lugar no ensino sem ter vocação para tal, justifica os desabafos que tanto se ouve, mesmo nesta caixa de comentários: andamos nós ali a aturar os vossos filhos! (bom e também sei que isso não é canja, eu gosto muito de aturar os meus, mas é verdade que também ouço sempre nas respectivas escolas que eles têm sempre um sorriso e nunca são mal-educados. imagino com outros que conheço.)
    quanto ao meu modelo, essa do «não fazeeeemos» tem alguma relevância, no entanto eu não creio que putos do 7º, 8º ou 9º o fizessem. mas a sua objecção quanto à subjectividade, acho que não. porque são considerados os conjuntos das turmas e os factores de compensação que tornariam cada escola num possível valor absoluto, de acordo com a população de alunos e suas características. permitiria ainda avaliar as discrepâncias que de fora são evidentes, quanto mais de dentro, e fazer uma separação das águas, com currículos alternativos. e teria ainda a vantagem de traduzir as verdadeiras habilitações literárias da malta toda.
    os CEF, são o quê? estará a referir uma coisa feita para os adultos que abandonaram o ensino e que vieram agora obter o equivalente ao 9º ano com umas provas ad-hoc (ou quase)? tive a oportunidade de ver em que consiste essa coisa e é um escândalo, pois ficam com habilitações equivalentes às dos alunos de 9º ano, que apesar de tudo têm alguns conhecimentos pluridisciplinares, pessoas que apenas aprenderam a organizar dossiers.

  246. Caro Valupi,

    Continuando a nossa ‘conversa’ da famosa polémica dos cartoons, onde, sem querer, o coloquei à esquerda do espectro político – estas coisas hoje em dia, como imagina, estão sujeitas a inflação – gostaria de lhe dizer, que de esquerda ou de direita, este texto é absolutamente excelente…

    Com base neste texto não teria problemas nenhuns em lhe confiar a educação dos meus filhos…

    E faço minhas as palavras de Daniel Sá no dia 6 às 17:50 “pensar que é um desperdício se este texto, esta análise lúcida e exemplar, ficar apenas entre nós, os que por aqui passamos todos os dias.”

    P.S.
    O que significam estes neologismos: Director de turma, conselho de turma e mãe de turma?

  247. carmo da rosa, mão de turma, posso responder, porque sou uma. claro, só o posso fazer mediante a minha experiência. na escola do 1º ciclo compete-me apenas fazer as actas das reuniões de pais, não tendo sido precisa para mais do que isto. no secundário estou presente nas reuniões do conselho de turma, onde se discute o conjunto/individualidade dos alunos, as medidas de intervenção para casos/situações problemáticas, etc.
    aqui, apresento também a visão do lado dos encarregados de educação (e dos alunos, através destes, embora os alunos tenham representação no conselho) . prontifico-me também a ser veículo de transmissão de eventuais queixas ou sugestões vindas dos outros EE, embora deva dizer que estes não revelam grande interesse em apresentar a sua participação. por minha iniciativa, mas porque a “função” o permite, posso também apresentar propostas directamente junto dos EE, em casos que o justifiquem. e ainda aproveito para propor à escola ensaios e projectos, usufruindo da proximidade com o director de turma e do acesso privilegiado ao conselho executivo.

  248. Susana, gostei dessa do chocolate. Nunca pensei que as minhas boutades tivessem direito a memória. Mas tá bem. pronto.
    Aproveito para a informar que os CEFs (cursos de educação e formação de jovens) são uma alternativa ao ensino regular para alunos que se encontram fora da escolaridade obrigatória, em risco de abandono escolar, sem, contudo, terem adquirido qualquer certificação que lhes permita a inserção no mercado de trabalho ou outra. Não os confunda com os EFAs (educação e formação de adultos)…

  249. sílvia, obrigada. como a sem-se-ver os referiu como máquinas de passar administrativamente os alunos, pus a hipótese de serem esses casos. pelos vistos há (pelo menos) duas máquinas dessas…

  250. sim, susana, há pelo menos duas máquinas dessas. está a ver? algo que a opinião pública não sabe e os professores, sim. e que os indigna terem que ser joguetes de manobras de obtenção artificial de sucesso escolar. mas que mesmo assim, claro está, têm que, enquanto profissionais honrados, dar o seu melhor (ensinar o melhor que sabem) perante estes alunos.

    depois, querida:

    1º – não, não me respondeu. porque o ‘porquê?’ a que não respondeu foi este (deixe ir à procura na imensidão de coments que este post já tem):
    «impressionámo-nos tanto há uns anos com um primeiro-ministro que afirmou que nunca se enganava e raramente tinha dúvidas e não temos agora a mesma reacção com esta senhora? porquê?»

    2º:
    «chamo, no entanto, a sua atenção para um facto (porque o é, um facto): a maioria dos professores não detém essa informação. a comprová-lo o que é dito pelos entrevistados ao acaso (não vou presumir uma manipulação em que a maioria tenha respondido como a sem-se-ver responderia e depois tenham escolhido mostrar apenas os mais básicos). ora isto vem confirmar a minha suspeita: a maioria dos professores não estava na manifestação pelas mesmas razões que a sem-se-ver.»

    está tão enganada, minha cara amiga. todos os professores, porque detêm esta informação, é que estão de cabelos em pé e, diria, quase gagos. donde, quanto às ”entrevistas” que temos visto nas reportagens, das duas uma: ou são efectivamente escolhidas a dedo para denegrir ainda mais os professores (supondo que nem todos respondem daquela maneira); ou o conjunto de factores de indignação e revolta são tantos que temos que nos remeter a um ‘por tudo!’ quando nos perguntam porque protestamos ou (afinal havia uma 3ª hipótese), é impossível arranjar uma qualquer fórmula airosa, sintéctica e suficientemente elucidativa para passar, em sound byte, contra os que a Ministra (já agora apetece-me sublinhá-lo) emite.

    há pouco não salientei mais um aspecto que obviamente incomoda na passagem para o novo modelo de gestão; se no actual são os professores que avaliam o trabalho do CE e, por isso, de 2 em 2 anos, quando há eleições, ou mantêm a sua confiança na equipa (muitas vezes nem se mantém a equipa mas sim o presidente que se candidata com novos membros, pelo que, contrariamente ao que se diz por aí, os profs não têm qualquer dificuldade em aceitar que é o presidente do conselho executivo o efectivo ‘director’ da sua escola) ou não, surgindo novas equipas candidatas. com o actual modelo, e como já realçado, a posse e sua retirada depende do Ministério. acresce por último que caberá também ao director o direito de contratar / renovar ou não contratos dos docentes da sua escola. tudo bem, desde que eles não fossem avaliados por si mesmo e coordenadores por si designados, não acha?…

    complicadote, não é?…

    e lá vou eu de novo. :-)

  251. Susana,
    Eu não sei o que alguns professores fazem com os CEfs e EFAs nas suas escolas. Aquilo que conheço é suficiente bom para que hoje eu esteja a coordenar um projecto CEF na minha escola, a levar a efeito já para o próximo ano lectivo. Sabe, é que eu não consigo ficar indiferente ao abandono escolar. Sofro muito quando isso acontece debaixo dos meus olhos.

  252. susbcrevo, sílvia. não sendo eu prof de cef ou efa’s, vejo o que os meus colegas trabalham e investem.

    mas descreio destes remendos. considero-os injustos perante os alunos dos cursos regulares que têm de trabalhar muito mais. e mais uma vez o sistema está a pôr a mão por baixo de alunos que se borrifaram para a escola o tempo todo. responsabilizando-os? não: dando-lhes mais uma oportunidade, e feita à medida – diminuindo mais e mais a complexidade dos conteúdos e o grau de exigência.

    e suspiro pelos bons velhos tempos (sim, eram bons e velhos) em que o ensino estava dividido entre o ensino liceal e o técnico e comercial. enquanto tal não for de novo criado – e muito demorará a que os encarregados de educação voltem a interiorizar a noção de que nem todos têm ou têm que ter apetência para seguir uma carreira universitária, e que por outro lado não há país que consiga sobreviver enquanto tal sem mão-de-obra especializada e preparada num ensino que lhes seja efectivamente dedicado -, enquanto tal não for de novo criado, manteremos um sistema penalizador para todos.

    impressionante quanto as injustiças, que eram de carácter social e económico, que a divisão entre estes dois tipos de ensino no tempo do fascismo causaram, tenham traumatizado um povo inteiro ao ponto de nem governantes nem governados, pós 25 de abril, assumirem que esse foi o (segundo) erro crasso dos tempos do PREC no que se refere à educação. desde que ninguém fosse impedido, por razões socio-economicas, de seguir o ensino liceal ou de estar obrigado ao ensino técnico; desde que tal acontecesse por vocação, talento e ajuste às efectivas capacidades e qualidades dos alunos, qual seria o problema?

    há coisas que me transcendem.

  253. sem-se-ver,
    Na minha escola, há muitos colegas que repudiam os CEFs pelas razões que aponta, ou porque sim ou mesmo porque não se querem chatear com novos programas, usar novas metodologias, novas estratégias de ensino com alunos problemáticos, enfim, porque é uma coisa nova… e depois as mudanças dão muito trabalho, sobretudo aos que já estão bem instalados na carreira. (Imagine só que até me roubaram as fichas de sinalização dos alunos pré-candidatos…) Contudo, há colegas corajosos e ansiosos por integrarem a equipa pedagógica dos cursos.
    Contudo, seria bom que todos conhecessem a estrutura curricular dos cursos, bem como os referenciais de formação e saídas profissionais, para depois opinarem publicamente sobre o assunto.

  254. quanto a isso, completamente de acordo.

    há tanta gente a considerar que percebe imenso de ensino no nosso país, não é? de ensino e de futebol.

    quanto aos cef especificamente, já estão em prática na minha escola pelo 3º ano consecutivo (se me não engano), e as opiniões dividem-se: encontro coordenadores de cef’s tão entusiastas quanto a silvia, e outros nem tanto.

    para além da bondade da medida – sim, é importante combater o insucesso escolar – mantenho a posição acima descrita. por comparação com os restantes colegas do ensino regular, esses alunos são beneficiados. e é um remendo. que nunca deveria basear-se numa menor exigência curricular e de avaliação.

    (mas deixemos isto, daqui a pouco parece que estamos numa sala de profs! :D

  255. Susana,

    Muito obrigado, já percebi do que se trata. É que no meu tempo só havia CHEFE DE TURMA…

    Devo dizer que para desespero dos professores, escolhíamos amiúde o mais nabo: o gajo que não sabia jogar futebol; nem jogar ao pião; nem subir às árvores; nem roubar fruta; nem atirar pedras a grande distância; nem saltar três gajos agachados ao trinca-cevada e, detalhe importante, cair com os joelhos nas costas dos desgraçados, que é para eles amocharem e a gente SALTAR mais uma vez; nem atravessar a ponte D.Luís (no Porto) por baixo do tabuleiro superior; nem roubar tabaco; nem andar à porrada; nem contar anedotas; nem subir aos postes da iluminação pública; nem tocar à sebastiana – em cima destes postes…

    Como vê, a juventude actualmente tem a vida facilitada, não tem tantas disciplinas e actividades circum-escolares…

    RVN,

    “Assisto, confortável. Portugal Ramos mais uma vez, (Sirah 2005, 14.5) uma fixação por estes dias (carmo da rosa, continuas escravo do real lavrador? teobar, talvez?).”

    Trata-se de linguagem codificada? Vem a propósito de quê?

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