A merda atinge, finalmente, o Belmiro

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José Manuel Fernandes conseguiu conspurcar o nome de Belmiro de Azevedo, aquilo que seria a última intenção do empresário que faz da convencionalidade uma religião. Quando António Costa se permite dizer o que a populaça gritou na algazarra provocada pelas notícias do Público sobre os casos dos projectos na Guarda e da exclusividade, temos uma porcaria que vai exigir lixívia muito forte para limpar as nódoas que o tonto do Zé Manel mandou para cima da, até agora, resplandecente camisa branca do seu patrão.

Esta situação, apesar da poeira emocional, tem a beleza da simplicidade: o jornal fez bem em noticiar o que noticiou e, em concomitância, o jornal fez mal em noticiar como noticiou. Porque o estilo faz o homem, e o estilo do Zé Manel só tem um nome: filha-da-putice. Ao se arrogar a pose moralista, optando pelo ataque, estamos perante jornalismo de má-referência. Porque seguir a pista que o corrupto Abílio Curto deixou até um jornal de escola poderia ter feito. Os documentos estão à disposição, não foram queimados — possibilidade que o jornalista Cerejo referiu acintosamente, naquela que foi mais uma provocação sintomática da atitude. O que se espera de uma investigação é a revelação do que esteja escondido. E nada de nadinha de nada o Público conseguiu desencantar que estivesse escondido. Esquecido, estava; oculto, não. Se há alguma coisa que entre no campo da ilegalidade, onde está? Venha ela, claro, e sem demoras! Porque, a haver, é a única matéria que legitima a importância mediática dada ao que foi publicado. Considerações sobre ambiguidades profissionais e práticas relativas a contextos que não da actividade governativa ou partidária, são argumentos ad hominem. Têm interesse, não têm relevância. E foi isso que milhares, ou milhões, de portugueses sentiram e pensaram das notícias.

Creio que se bateram todos os recordes de comentários numa só notícia, mais de 1000 neste momento. Isto é, em si, um acontecimento de importância jornalística, por ser de importância social e política. Mas o Público nada referiu. E quanto à secção Cartas ao Director, limitou-se a publicar num mesmo dia 3 cartas, uma para cada posição na contenda: a favor do jornal, contra, e conciliatória. Não mais apareceram testemunhos dos leitores. O mesmo para a secção Sobe e desce, a qual nunca fez referência ao episódio. Tudo isto revela o carácter de excepção que o confronto assumiu na equipa. De facto, ir chafurdar no passado profissional de Sócrates para trazer uma fotografia onde ele foi apanhado a meter o dedo no nariz não é jornalismo, muito menos de investigação. É estar a bater merda com dois paus.

69 thoughts on “A merda atinge, finalmente, o Belmiro”

  1. valupi,
    ‘Mais palavrinha, menos floreado, o seu ponto é que há aí uns gajos que escrevem em blogues e em jornais e que na sua opinião também fodem o poder, certo? Ou que tentam, às vezes, certo? E isso deixa-o fodido, certo? Não, não é ao poder. É a si. Certo? Bom. Vejamos.
    Espero ter percebido bem. Porque se assim foi quero dizer-lhe que tem toda a razão. E que eu sou o pior de todos. Um sacana do pior. Sei que zémanelei a minha resposta, repintando o seu alvo. Mas peço-lhe desculpa por isso. É que tudo tem um limite, como você próprio diz, no fundo, e bem. E a credibilidade da responsabilidade de quem escreve mora no limite de chacota aceitável para que a eventual pequenez do mensageiro não se confunda nunca com a eventual grandeza da mensagem. E eu cá adoro a minha arte e prezo a importância da informação, mesmo da que requer um filtro de isenção. É sempre melhor que nenhuma informação.’

    Irresistível, a oportunidade. Escrito para ti, vejo agora.

  2. O Valupi desconhece uma coisa muuuuuiiito básica. A existência de Poder e a existência cidadãos que não são poder. Desconhece ainda que todo o cidadão que usa o poder e aparelho de Estado tem sobre ele uma vigilância muito maior que advem, da mesma forma, do facto de usufruir de impunidade pelo cargo. Pressupõe-se que todo o servidor público necessita de ser exemplo de vida limpa e ética acima de qualquer suspeita, razão pela qual, depois lhe é dado um estatuto diferente do cidadão comum. O levantamento de impunidade parlamentar, por exemplo, existe porque ela também existe e, porque a lei (a justiça) é um orgão independente do poder, donde todos são iguais perante ela.

    Tudo isto, em termos teóricos, claro, uma vez que a prática o que tem vindo a provar é que se passa o inverso.

    Por esse motivo, pelo facto de o poder ser cada vez lugar de excelência para se usar em benefício próprio com a impunidade da camuflagem que escapa a qualquer crime de lei (há ilegalidades que o são sem serem alvo de código civil) é que se torna absolutamente pertinente e exigente que a socieade civil use de todas as formas para garantir a crítica, a investigação de trafulhices em que os dinheiros públicos (nossos) estão envolvidos; a investigação de compadrios que trazem longas histórias de corrupção e que continuam a ocupar cada vez mais cargos onde essa corrupção pode render; a investigação de casos a que a polícia largou por indicação superior, inclusive no estrangeiro (como o famoso da Câmara da Covilhã, com os mesmos personagens bem presentes); a investigação e confronto com falsidades escritas, publicadas oficialmente, enunciadas e divulgadas pelos próprios que são poder.

    Chamar a isto guerrinha entre zé maneis e belmiros e senhor primeiro ministro é apenas mera prova de que se desconhece a diferença entre um personagem de Estado e tudo o resto.

    E´também o exemplo ad eternum do situacionismo que diviniza um qualquer personagem de poder e nele projecta os seus fantasmas políticos.

    Por menos tivemos ditadura com encómios e cabalas defendidas por outros tantos situacionsistas, com a diferença que não existiam blogues, nem uma coisa que foi considerada uma grande conquista: liberdade.

  3. Rui, se te interpreto correctamente, estás a dizer que me incomodo com os blogues e jornais que atacam o poder. É, se o for, uma opinião curiosa. Ficarei à espera que a explicites.
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    Luis Saraçoça, os factos não são falsos, posto que o visado não os negou. A valorização dos factos é que está em causa. Para mim, são irrelevantes. Se para ti não são, explica porquê. É a falar que a gente se entende, não com telepatia.

  4. Fora isso há aqui (em termos abstractos de discurso e não fulanizados de quem os diz) algo demasiado parecido com um fenómeno que também se encontra no JPP.

    O encosto num suposto discurso de cinismo político, por combate a um velho fantasma de algo que se foi e que se rejeitou.

    É notório no discurso do JPP um mau arrependimento, sem luto necessário, com uma eterna reactiva a tudo aquilo que ele foi e não ao que as coisas são.

    É o problema de quem foi idealista e engagé e um dia salta para o pragamtismo oposto. Acontece que depois querem fazer passar a ideia que o Poder afinal não era esse papão maligno que antes consideravam. E é então que caem no erro mais descabelado- tornarem-se ceguinhos a apontar o caminho a quem tem os olhos bem abertos. Porque nunca precisou de negar as crenças deles nem andar a combater fantasmas para não ser parvo.

    O problema dos maus arrependimentos é que não geram “príncipes renascentistas”. Pela simples razão que acabam a arrolar no mesmo “maquiavelismo” o merceeiro da esquina mais o chulo que se guindou ao poder.

    E não há quem lhes consiga fazer ver a anedota da história.

  5. Por outro lado ninguém pode ser algo pela metade. Ou bem que se nega ser-se de esquerda (com tudo o que isso implica em termos de imaginários e formações que, por vezes, equivalem a uma vida inteira); ou bem que se faz uma limpeza e se interrompe a política enquanto não salta o sarro.

    Agora o que não existe é ser-se de direita envergonhada por ainda ser esquerda; ou esquerda envergonhada por até se querer caminhar para direita mas aquilo não condiz com uma velha fatiota que se tem agarrada ao pêlo.

    Claro que a socieade civil e os jornalistas que fazem o que importa (independentemente de tudo o que os possa mover- factos, são factos e esses é que interessam) não têm culpa dos ideológos acharem que o Poder devia conversar primeiro com eles, antes de contar ao povo.

    É chato mas, mais uma vez, as figuras pardas renascentistas acabaram, o mais que hoje pode existir são farruscos.

  6. se bem te tenho entendido, consideras mais grave a falta de elevação na ética jornalística do que na esfera política. mesmo que dum lado haja apenas fraca competência, ou mesmo raivinhas pessoais, e do outro haja óbvias ilegalidades.
    neste episódio entre antónio costa e maria joão avillez, ambos estiveram mal.

    onde é isso dos mil comentários?

  7. É pá! Alguém tem números actuais, para fornecer aos leitores assíduos deste blogue espanta-enxaquecas, acerca da crescente quantidade de vezes que a palavra “merda” vai pululando nos títulos cá da praça? São tantas as moscas que, um dia destes, a coisa já não vai sem uma desinfestação radical.

    De resto, tendo para as quintas do Valupi. A estirpe política, sobretudo essa, já não nos merece expectativas para além do medíocre ou pior, se é que alguma vez mereceu outra coisa, ou não fossem a mentira e a desfaçatez a coqueluxe do desporto nacional da alta-roda. Já quanto à classe jornalística, algumas leguminosas crédulas como eu ainda acalentam uma secreta esperança de que o critério e a inteligência se mantenham como bitolas profissionais. Depois, acordamos…

    Em tramas obscurantistas como esta, a «verdade» transforma-se no pedaço de vidro dentro do caleidoscópio. E em determinados prismas, a «verdade» faz caxa e vende jornais e serve vinganças e acoita interesses pessoais ou corporativos ou partidários. “Panem et circenses”.

    Tudo isto é, de facto, merda. Mas há tantos a achar que cheira bem…

    Até já.

  8. zazie, a tua opinião é retintamente situacionista. E até seria ocasião de humor não fosse a gravidade subjacente ao fenómeno. Porque a ti não se pode apontar falta de recursos para melhor pensamento. Estás é encarcerada na matriz que supostamente denuncias. Ora, vamos lá ver.

    Tu partes de um preconceito absolutamente farisaico:

    “Pressupõe-se que todo o servidor público necessita de ser exemplo de vida limpa e ética acima de qualquer suspeita, razão pela qual, depois lhe é dado um estatuto diferente do cidadão comum.”

    Esta declaração brilha como o Sol para os papalvos, mas, vista ao perto, é latão coberto de óleo rançoso. Não tem ponta por onde se lhe pegue. Primeiro, nenhum servidor público necessita de ser exemplo de “vida limpa”, isto porque o conceito de “vida limpa” não existe fora dos curtos limites subjectivos de quem o utiliza. Segundo, porque nenhum servidor público necessita de ser exemplo de “vida ética”, isto porque o conceito de “vida ética” não existe fora dos vastos limites teóricos que requer para se constituir objectivamente. Terceiro, porque nenhum servidor público pode evitar ficar sob suspeita, isto por decorrer da liberdade de expressão e das leis inerentes à democracia constitucional que qualquer cidadão, seja ou não servidor público, pode ficar sob suspeita, sendo esta legítima ou ilegítima, consequente ou inconsequente. Quarto, o “estatuto diferente” não vem “depois” da apresentação da sua prévia inocência, é ao contrário: decorre da assunção do “estatuto diferente” a responsabilidade de preservar a inocência. Por fim, o raciocínio confunde presente e passado, nisso se constituído como sofisma ao serviço do mais histérico e letal moralismo.

    O que acrescentas a seguir está ferido de baralhação e derivas, fugindo ao tema. E é nisso que a tua posição é um esplendoroso exemplo de situacionismo, pois não consegues identificar o problema. É que não há nada de mal, bem pelo contrário, em se ter um jornal (ou todos os órgãos de comunicação social, se lhes der para aí) a noticiar aspectos interessantes do passado profissional de um qualquer governante. A sua exposição pública e poder disponível pede constante e rigorosa aferição de conduta. Nesse sentido, conhecer uma prática profissional que permite suspeitar de conivência com estratagemas que contornaram a lei é legítima matéria jornalística. É quando se considera que a actividade privada pode ser critério de valorização da actividade pública que se abandona o relato para entrar na argumentação – ou seja, se deixa o jornalismo para fazer política, e reles.

    É isto que os situacionistas, como tu, querem: a inibição do pensamento inteligente, aquele que não se importa de comer sem ter primeiro lavado as mãos.
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    susana, a que óbvias ilegalidades te referes? E o que é para ti a ética?
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    Renato, dizes umas merdas com muita razão.

  9. O Público faz campanhas de destruição de carácter por conveniência do maior grupo privado português, mas não precisa de telefonemas do Belmiro para as fazer. O bom do JMF antecipa-se sempre, por isso foi escolhido e mantido até hoje, apesar de o jornal ser altamente deficitário. O déficit até hoje não demoveu a SONAE de manter o jornal e o seu director, porque o Público não é um órgão de informação, mas uma moca para fazer pressão sobre a política e os políticos, segundo linhas bem determinadas e coincidentes com as dos interesses do grupo.

    O triste do Cerejo é um podengo ferrado nas canelas do PS há mais de 20 anos a soldo dos principais magnatas da imprensa privada. Fez lançamento de merda contra o Vitorino e o João Soares, todos se lembram, e é só para isso para que ele serve. Nunca fez outra coisa senão lançamento de merda sobre dirigentes socialistas, os outros políticos não lhe interessam. Como jornalista, é mesmo abaixo de cão. A função dele não é pesquisar a verdade, mas tentar deitar abaixo, desacreditar, lambuzar dirigentes socialistas, recorrendo para isso a tudo o que lhe vier à mão, desde umas cuecas sujas até uma sapatilha a cheirar a chulé.

  10. A merda só atingirá o Belmiro, verdadeiramente, quando ele for objecto das mesmas operações de destruição de carácter a que o seu jornal condena os outros. O Cerejo não terá um amigo desempregado? Não que fosse impossível apanhar algumas empresas da Sonaecom, p. ex., com auditorias e inspecções feitas a preceito, mas contra isso está o magnata seguro. Perguntem ao bastonário da Ordem porquê, se o apanharem a jeito num vão de escada.

  11. Valupi:

    O que eu escrevi foi, mais uma vez, um monólogo e aproveitamento de tempo de antena, simpaticamente cedido pelo Aspirina B.

    O assunto não o consigo “debater” com seriedade porque, para isso, teria de fazer teatro sério à volta de coisa barata. O mais que consigo é isto mesmo- umas pequenas charges. E, para bom entendedor, meia palavra basta.

    De resto, estava a pensar naquela expressão “no hay tienda” e até acho que vou aproveitá-la para um mini post de macacada.

    Até porque, informação de factos e sua sistematização já existe há muito na blogosfera .Felizmente, para isso não precisamos de esperar que os jornalistas se lembrem.

    Eu costumo linká-la no Cocanha- à informação e leitura da própria informação e não aos opinadores mal informados.

  12. Mas também posso recomendar um pouco de teatro que vinha a propósito- o Fidalgo aprendiz. Aquela cena final do “acudam, acudam que me estão a roubar” vinha que nem ginjas.

  13. Esforços vãos e desesperados os daqueles que, afanosamente, intentam desviar as atenções e os olhares públicos da realidade actual do nosso País com estes desvairados “fait-divers”.

    Pelo menos todos os Autarcas, Engenheiros, Arquitectos e Juristas portugueses, já para não falar de Desenhadores, Topógrafos, Construtores Civis, Funcionários Públicos e, de um modo geral, requerentes de licenciamentos municipais de obras particulares – isto é, uma “imensa minoria” de portugueses minimamente sensibilizados para as questões da política – encolhem os ombros, com superlativo desdém, perante estas “notícias” que só lhes confirmam uma e uma só coisa: mais, muito mais do que Santana Lopes, José Sócrates é o político português não apenas mais “humano” de que há memória, mas sobretudo o mais “portuguesmente humano” que se conhece. Quero dizer, com aqueles pequenos defeitos e máculas que tão bem caracterizam o ser português, o ser portuguesmente “chico-esperto”!

    Nada que se confunda com vileza, canalhice e pulhice que, todos o sabemos, abunda em ALGUNS de nós e que, não senhor, o público NÃO CONFUNDE com estas fraquezas mais comuns.

    E tanto que não confunde, que não pensará em “justiçar” os delitos do tipo idiossincrático, tão “bem” representados pelo seu Primeiro-Ministro, enquanto não chegar a ver, enfim, algum simulacro que seja de JUSTIÇA chegar a todos os que, no seu simples mas recto conceito, EFECTIVAMENTE JÁ DE HÁ MUITO A MERECEM!

  14. v,
    (Por acaso interpretas mal, ou melhor, ao lado. Saberás que esta resposta dei-a ontem num comentário a outra pessoa que não tu, logo os ‘blogues e jornais’ têm ali um contexto ligeiramente diferente. Mas parecido no essencial. E cabe como uma luva, se não a ti, seguramente à ideia que suporta o raciocínio deste post, se o entendi bem. Mas deixa-me explicar melhor o que quis dizer com o copy/paste, onde quis chegar, outro assunto qu não tu próprio ou a tua intenção consciente)

    Há um penalty inventado que é recurso último e supremo, porque geralmente infalível, na hora em que a ‘opinião pública’ ou privada, especializada ou não, é confrontada com uma opinião ou corrente que expõe (ataca, analisa, radiografa, disseca, take your pick) um ponto de vista de inatacável correcção factual. Mas que é dita por quem não merece credibilidade pessoal. Qual é esse golo seguro? Um pontapé bem dado nos tomates do mensageiro. Questionar quem ele é, distrair do que ele diz. É tiro e queda, noventa em cada cem vezes. O gajo ajoelha. Pelo menos por um tempo, precioso sobretudo quando ‘um tempo’ é tudo o que é preciso para virar a maré, com contra-informação ou não, a favor do esquecimento ou, pelo menos, da anestesia pós-surpresa geral. Não serás ingénuo, sabe-lo bem. Tal como eu.

    Contestar, com ou sem razão mas apenas à luz de critérios de oportunidade e/ou segundas intenções, um acto jornalístico de um jornalista num jornal dirigido por um jornalista que é director de um jornal sério, (neste caso em concreto) é arriscar opinião num jogo de mau perder. É convidar juizos de valor para o banquete dos processos de intenções. É abrir a porta ao preconceito, mais um, ao estereotipo da velhacaria. Mas é legítimo, faz parte do sistema, é desejável que aconteça, até, sempre que dúvidas houver sobre a bondade das denúncias. Na medida da discussão contextualizada, claro. É sempre generosa, a discussão, em contribuições pontuais para o conhecimento geral. Mas trazê-la para cima de uma mesa ainda farta de iguarias não digeridas, escandaleiras de apetite em pleno prazo de validade, é atiçar os cães que esperam os restos, pingando saliva. É abrir-lhes a porta do festim. E é, ou pode ser, entaipar a porta da curiosidade legítima com tijolos de desenho numa falsa parede de fantasia. Que não resiste ao tempo, não dura para lá da tal máxima que diz que não se pode enganar toda a gente durante todo o tempo. É outra questão, outra corrida, outro assunto, outra maldade se quiseres. Mas é outra, outro. Não é decente querê-la areia nos olhos de ninguém, por insistência na manobra de diversão (sendo certo que já se invadiram países para tirar a boca do povo da braguilha do mr.president). É arriscar cometer o mesmo pecado que se critica. Nem que seja inconscientemente, que quem gira dentro do furacão não tem perspectiva de si próprio.

    O maior filho da puta, mesmo sendo um incompetente da decência, desde que profissional da informação deve ser ouvido quando grita fogo, desde que mostre as chamas e faça o aviso correctamente balizado pelas regras da sua profissão. Há que duvidar até do fumo, mas quem traga prova de razão deve ser escutado até ao fim e pesadas as suas palavras. A seguir, de acordo com a dimensão da borrasca, deve lidar-se com a informação pelo que ela vale e importa na solução de um problema real de todos. Apague-se, ateie-se, cuspa-se, abane-se. Esqueça-se até, mas lide-se com. E só no rescaldo do fogacho se deve partir para a discussão da bondade ou não, oportunidade política ou não, decência ou não, beleza ou não, rentabilidade ou não, do tal grito de alerta.

    Sou jornalista e serei um filho da puta para muitos, and counting, quem sabe. Um pulha do piorio, tenho todos os defeitos e cometo todos os pecados na minha vida pessoal. Enquanto as minhas palavras se aguentarem por si próprias no equilíbrio da razão e da sensatez, enquanto delas resultar uma contribuição válid para um debate que me diz respeito por inerência ou não, quem as tentar denegrir denegrindo-me é mais filho da puta que eu alguma vez serei na vida. É fraco perante a força do bem dito, mesmo sendo dito por mim ou por qualquer outro mano meu da mesma puta. E receia a verdade, por esta ou aquela razão que só Deus saberá, nesse imenso universo da mediocridade humana.

    Foi isto que eu quis dizer. Sendo claro e directo como sempre, independentemente da consideração e respeito que me merece a pessoa que usa valupi como chapéu, não te vejo como modelo para o fatinho merdoso que acabei de vestir aos reis do corte e costura que esbanjam atoardas moralistas com a legitimidade dos impolutos. Se fosse o caso, mesmo com delicadeza dir-to-ia sem hesitar (não creio que um relacionamento pessoal se aguente na mentira, um intelectual muito menos, cai rápido). Não, não te vejo santo inquisidor. Mas a credibilidade da responsabilidade de quem escreve mora no limite de chacota aceitável para que a eventual pequenez do mensageiro não se confunda nunca com a eventual grandeza da mensagem, repito. E eu cá adoro a minha arte e prezo a importância da informação, mesmo da que requer um filtro de isenção, repito. É sempre melhor que nenhuma informação, repito. E por isso, cada vez que arriscares ferir a liberdade da boa informação esticando os limites da dentada na má, seja na força seja na frequência, eu vou fazer de grilo falante e insistir que o teu coração permeneça puro como o de Peter Pan na hora desse combate. Livra-te de te armar em Gancho. Muito menos espetado no cú da minha arte.

    Abraço-te, sempre.

  15. valupi, ok. talvez estejamos a endereçar a moral, se a ética for apenas uma reflexão sobre a conduta.
    no caso a implicação seria a de uma ética cívica (e deontologia, ética profissional), em que particularmente um político (e sócrates já era um político quando se deram esses “acontecimentos” na sua vida profissional privada), nesse lugar habitual que procura o bem e virtude, deve privilegiar o bem comum em detrimento do bem privado. no caso dos projectos assinados o mal maior que advém não é o da proliferação de casas mal-amanhadas que, como disse um comentador dessa notícia, se suscita tanta preocupação, então que se comece por reivindicar a alteração da lei no sentido de se exigir um arquitecto nos licenciamentos (e depois haveria ainda que assegurar que houvesse uma avaliação da integridade dos arquitectos nas camaras, and so on em lirismos) . o que fere é mesmo o exemplo. o exemplo de que compensa trapacear um bocadinho, de como se ilude a lei para se contornar disposições legais legítimas. quanto à exclusividade creio que os dispositivos legais obrigam a devolver a remuneração auferida, em casos como este, mas não tenho a certeza. aquela interrupção por um mês não lembra ao diabo. seria muito conveniente para os profissionais liberais que leccionam em universidades privadas em regime de exclusividade. os arquitectos, por exemplo, que recebem geralmente por tranches, teriam aí uma bela oportunidade para juntar o útil ao agradável, com umas pontuais interrupções nos seus regimes.
    não julgo alguém culpado antes da prova, mas usei «óbvias» quando deveria ter dito «aparentes, tão visíveis que gritantes». mas claro, assim como nem tudo o que luz é ouro, nem tudo o que cheira mal é merda.
    pena é que se justifique constantemente o adágio diz-me com quem andas dir-te-ei quem és quando se trata de políticos.

  16. Ora aí está, finalmente, a luz ao fundo do túnel — normalmente é um estupor de um comboio.

    Na política, tudo o reluz é merda. E no jornalismo, o que cheira mal transforma-se em filigrana. Se o rei Midas ressuscitasse ainda lhe punham o Pulitzer nas manápulas.

    Até já..

  17. Susana: podias aprender a diferença entre crime com direito a processo penal e falta de ética em trafulhices que não implicam julgamentos em tribunal. (e o mesmo para o Valupi, mas esse sabe e finge que naõ sabe porque anda numa de “ouvidor do príncipe” )

    Por mil e uma razões, entre elas o facto de até existir tempo restrito por lei para que um processo possa ser levantado.

    Tens a explicação detalhada aqui.

    Isto apenas para não se andar a chover no molhado transformando mentiras ditas pelo próprio e ostentadas pelo próprio- como o curriculo- em falsas acusações de outros ou em inibições de julgamentos de personalidade do dicto, pelo facto de “até haver veredicto é inocente”.

    Aliás, eu já sistematizei, no Cocanha, toda a informação factual acerca do” caso” Sócrates, ou caso corrupção tapada pelo governo, tanto faz o nome que lhe queiram dar.

    Se quiserem posso passar o link- está nos arquivos.

    Agora o que não vale a pena é opinar-se sem se estar informado e fazendo-o como se estivesse.

  18. De qualquer forma, para quem acha que elegeu o zé manel dos jornais e não um primeiro ministro, vai dar tudo ao mesmo.

    É como aquela ideia de todos termos pecadilhos, e de que o que está em cima ser igual ao que está em baixo e vice-versa. Na verdade, só me espanta porque é que não é um de v.s que vai às reuniões da UE em nome de Portugal.

    Afinal isto é mesmo assim- pagamos impostos ao manel e o Sócrates é o bacano do colega da carteira que faz marotices como faz o primo da Clotilde e fazia aquele outro que, por sinal, já morreu.

    Estado é uma palavra vazia, é de quem a agarrar- de preferência em luta tribal, como nos hooligans da bola.

  19. Não sei se o Sócrates é ou não a Good Fellow e se no seu governo não serão todos Bons Rapazes, mas vou digerindo a informação que vou tendo. De jornais sérios e menos sérios, de comadres e vizinhas, do primo da cunhada e de quem sabe o que diz mas diz o que não sabe. Do Sócrates eu sei o que tenho visto nos anos do seu governo. Mal ou bem, por boas ou más razões, que agora a questão não é avaliar a obra ou a falta dela, o tipo tem mexido com os interesses de todas as classes profissionais, lobbys estabelecidos, centros de poder, cadeias de mercearias e parideiras de ambulância. Não é um pai Soares no partido dele e não está há tantos anos no poder que já tenha muitos túneis escavados. Despertou ódios, meteu a mão no bolso de muita gente, retirou privilégios e cortou em regalias. Acredito que deve andar por aí muito boa alma, de faca afiada, pronta a espetá-la na primeira distracção ou a pendurá-lo num candeeiro da Avenida se tiver corda para isso. Mereça ou não ele a pena que lhe deve estar jurada.
    O que tem acontecido é que se viram pedras e pedrinhas, atiram-se bombas de estalo e mau cheiro, reviram-se os caixotes do lixo e chafurda-se no fundo das lamas e o que aparece não é corda para enforcado, mas umas guitas de cordel rasca.
    Que haja imprensa pendente ou independente, neutral ou ácida, feita com o regime, a oposição, a banca, o padre lá da terra ou a mulher dos tremoços e que façam o que podem, sabem ou lhes é pedido. E deixem que eu saiba o que eles sabem, mas provem-me tudo o que dizem. Enquanto fôr assim eu sei quem é que me vai decidindo a vidinha. E sei também que, por enquanto, vou podendo dormir descansada. Enquanto a montanha fôr parindo uns ratos eu só posso estar satisfeita. É que não tenho dúvidas que, com a fome com que lhe estão, se houvesse qualquer coisinha realmente grave há muito que tinha aparecido, que quem tem o frigorífico cheio de lagosta não se alimenta de sardinhas de conserva.
    O Sócrates patinou em gelo fino e andou no fio da navalha da ética? Andou. Foi só isso? Não é seguramente o mais recto e honrado dos homens, mas também não acho que se consigam virar desta mesma maneira muito mais vidas, caindo tão poucos tostões dos bolsos. É o consolo de o mal o menos? Pois é, mas como é que dizia o Churchill? Qualquer coisa como a democracia ser o pior de todos os regimes exceptuando os outros todos….
    Do mal, o menos…

  20. Nik, ao Bastonário não interessa explicar a corrupção, só a usar para marcar terreno. E foi isso exactamente que ele fez, nenhum nome entregando (nem poderia, claro, mas o despudor de gritar que o rei vai nu no meio da barulheira geral não tem especial mérito). Espero estar enganado, claro.
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    A. Castanho, tens aí um bom ponto de vista.
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    Rui, foste tu que me endossaste a resposta dada, actualizando o seu conteúdo. Quanto ao que ofereces agora à malta, dizer que eu estou contigo: proteger sempre o mensageiro; e primado da notícia. Não sei porque perdes tempo a vender-me um peixe que tenho em conserva em tudo o que é prateleira da despensa.

    Quanto ao Público versão Zé Manel anti-Sócrates, é óbvio que não estamos no primado do jornalismo, pois a sua actuação é selectiva. Deixou passar em claro, ao longo de todos estes anos, o fenómeno da corrupção, fosse qual fosse a área e origem. E por uma razão que me parece óbvia: medo de fazer inimigos que incomodassem o sr. Belmiro. Nesse sentido, o Zé Manel está, nesta estratégia de denúncia de carácter, a fazer política com o jornalismo. Isto é inegável, e fica para quem lhe quiser dar importância.
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    susana, não só não definiste o que seja a ética como não és coerente com os pressupostos: afinal, para ti, Sócrates cometeu alguma ilegalidade? Se sim, qual? E, finalmente, qual a importância da suspeita para o cumprimento do compromisso governativo?
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    zazie, disparatas. Ou seja, alimentas a inércia.
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    Ernesta, muito bem. Mas eu vou mais longe: afinal, onde está o mal? É que ainda ninguém conseguiu mostrar. Isto porque as suspeitas dizem respeito não a um acto isolado mas a uma matriz que se encontra em todo o País. Se calhar, Sócrates arrependeu-se de ter alinhado num esquema dúbio, ou manhoso. Se calhar, nunca se arrependeu e a ascensão foi-lhe acontecendo. Se os caralhos dos brilhantes jornalistas não se lembraram mais cedo de ir à Guarda fazer perguntas, que raio importa estarem a ser feitas agora? Para a governação, é seguro que nenhuma importância têm. Para afastar o homem, claro que interessam.

  21. já disse que preciso de copy desk e que às vezes se me metem as letrinhas pelos olhos dentro e eu vejo umas outras quaisquer?
    Privilégios, pois claro. Maldito “e” que se meteu onde não devia…

  22. renato,

    Não me leve a mal o pedido, mas é que eu estou carente e na época fértil. Se e quando me quiser comer, por favor dê-me uma foda de jeito e que se veja, que essa coisa de meter só um bocadinho para me deixar aguado com um pingo apenas da sua capacidade ironico-fodilhona é maldade que não se deseja a ninguém. Tem a certeza que é o melhor que consegue? Já ouviu falar de Masters & Jonhson? Não é chocolate, não é sabonete nem é firma de advogados, mas talvez o ajudasse no esplanar da coisa, digamos assim.

    Isto é só a gente a conversar, evidentemente. Os outros senhores que me desculpem.

  23. yes…yes, yes, yes…………
    Valupi, também tens um problema igual ao meu, que isto de “es” e “is” é uma chatice, mas estás dispensado de corrigires que a minha despensa também está cheia dessas trocas e baldrocas…

  24. e agora se és homem e administrador, que sempre é cargo importante, corrige lá também o meu que não gosto de vergonhas públicas e de dar flancos desses, que ainda acham que é também um crime de lesa majestade…

  25. val,
    Menosprezas a importância do peixe fresco numa alimentação saudável. Peixe de conserva é o que a gente come em tempo de guerra, de fominha, na escassez do produto original. Tipo quando a gente já esqueceu o verdadeiro gosto da coisa verdadeira e se contenta com a ilusão de uma despensa cheia. Que pode até calar a boca à fome, mas não passa de ova de sardinha armada em esturjão, para se fazer ao pingarelho. Conservada em óleo, para escorregar sem dificuldade. Enche-te a barriga? A mim sabe-me a pouco, mas são gostos.

    «Eu até votei Alegre, mas» e «perdes tempo a vender-me o que tenho» são coisas giras de se escrever. Têm impacto. Criam ambiente. São pancadinhas de Moliére. Vá, apaga as luzes, dispo o casaco, passa-me as pipocas, estou contigo na sessão. Bora lá. O que é que vamos ver a seguir, exactamente?

  26. ora, era só um acento? sabes que lá por casa ainda anda uma cassete gravada pelo meu pai, quando eramos miúdos, com uma história de acentos…. parece que estava eu a escrever uma carta e perguntei à minha mãe se carro levava acento (claro que devia ter para aí seis ou sete meses…) e ao não da minha mãe o meu irmão responde que leva sim, então onde é que as pessoas se “assentam”?
    Pronto, isto foi só para tergiversar, que é uma palavra de que gosto e escrevo sem erros…

  27. val,
    Vá lá, então? Mais diversão? Não é do Alegre que falo, é da tua alegria em cascar no zé. Sim, porra, terás razão na possibilidade de intenção segunda na estampagem primeira e seguintes de notícias sobre o lado Zézé Camarinha do nosso Sócrates, quando ele era vou-a-todas-porque-ainda-não-sou-ninguém-e-estou-em-princípio-de-carreira-caraças-é-normal-e-é-assim. Terá tido leitura e intenção dupla, tripla se quiseres.
    Mas insistir em avacalhar por fascículos a intenção que adivinhas no director de um jornal que tu próprio consideras de referência, autor de uma denúncia que envolve a honradez e o carácter do homem que é suposto representar a honradez e o carácter nacional, é ajudar a criar condições terríveis de confusão na credibilidade da Informação nacional, na distinção da sua qualidade, iguaizinhas àquelas que fazem o português médio achar que o Pedro Burmester é só mais um Quim Barreiros. Mais nota menos nota, mais letra menos poema, porque não há-de ser tudo igual, de duvidar, se assim tu o dizes do zé?

  28. Ernesta, errar é bom. No stress.
    __

    Rui, não considero o Público actual de referência. Longe disso. Aliás, aconselho-te a passar os olhos pelos textos finais do Rui Araújo, o antigo Provedor do Leitor, ou mesmo nos recentes do Joaquim Vieira. Acima de tudo, sempre vi como uma desqualificação do jornal a promoção do Zé Manel. Ele não tem estofo intelectual para um jornalismo de referência.

    E convido-te a escrever sobre o assunto. Não só porque és jornalista, mas também porque estás dotado para a escrita. O tema seria este: Jornalismo de referência – o que é? Claro, brinco contigo, mas aproveitando para falar de assuntos sérios. Se o Expresso tiver mãozinhas, pode voltar a ser a referência, pois neste momento há um vazio. Ou seja, não há referências. Porque, precisamente, ser jornalismo de referência é ter um qualquer espaço que se habita, e nele um castelo inexpugnável. Tanto faz se a referência é mais à esquerda ou mais à direita; interessa é que esteja alicerçada num inquestionável amor pela verdade. Neste ciclo Zé Manel, o Público não representa esse ideal, independentemente das quezílias com Sócrates ou com o PS.

  29. Momento fugaz de terrorismo intelectual à la Valupi (inspiro-me aqui: susana, a que óbvias ilegalidades te referes? E o que é para ti a ética?)

    1. A merda atinge, finalmente, o Belimiro
    a) A que óbvia merda se refere?
    2. Tanto faz se a referência é mais à esquerda ou mais à direita; interessa é que esteja alicerçada num inquestionável amor pela verdade
    a)Defina esquerda e direita
    b)Defina amor
    c)Defina verdade
    d)Defina amor pela verdade

  30. Ana, honras-me com o interrogatório.

    1.

    a) Ao facto de a segunda figura do PS, presidente da Câmara de Lisboa, dizer publicamente que há uma campanha contra Sócrates levada a cabo pelo Público, na pessoa do seu director e de alguns jornalistas desse jornal, e que tal campanha está relacionada com a actividade empresarial de Belmiro de Azevedo. Não sei se te chega para veres com clareza o lado merdoso da coisa. Se precisares de ajuda para entender melhor este ponto, é só avisares que eu explico-te de uma forma ainda mais simples e ainda mais detalhada.

    2.

    a) A esquerda é representada pelos partidos à esquerda do PSD, mais os respectivos independentes dela reclamados ou nela encaixados e ainda os respectivos discursos de todos. A direita é representada pelos partidos à direita do PS, mais os respectivos independentes dela reclamados ou nela encaixados e ainda os respectivos discursos de todos. Se precisares de ajuda para entender melhor este ponto, é só avisares que eu explico-te de uma forma ainda mais simples e ainda mais detalhada.

    b) O amor é a disciplina. A disciplina é o exercício. Se precisares de ajuda para entender melhor este ponto, é só avisares que eu explico-te de uma forma ainda mais simples e ainda mais detalhada.

    c) A verdade é a parte dos acontecimentos que se admite escapar a toda a investigação. Logo, a verdade é, simultaneamente, um horizonte e uma abertura. Se precisares de ajuda para entender melhor este ponto, é só avisares que eu explico-te de uma forma ainda mais simples e ainda mais detalhada.

    d) O amor pela verdade é o cumprimento da vocação do jornalista enquanto jornalista, a fonte da sua liberdade. E a sua liberdade é qualquer coisa que se constitua coma a matéria da dignidade do jornalista enquanto representante do jornalismo. E a dignidade no jornalismo consiste no amor pela verdade. Se precisares de ajuda para entender melhor este ponto, é só avisares que eu explico-te de uma forma ainda mais simples e ainda mais detalhada.

    Chegados aqui, faço-te uma pergunta: tens alguma coisa para dizer sobre qualquer uma das questões de que falámos até à tua exibição do tal terrorismo intelectual que te parece fascinar?

  31. valupi não vou responder à tua pergunta. se tens alguma dúvida, o google dar-te-á melhor resposta que eu.

    http://www.google.pt/search?q=%C3%A9tica&ie=utf-8&oe=utf-8&aq=t&rls=org.mozilla:pt-PT:official&client=firefox-a

    http://www.google.pt/search?q=ethics+definition&ie=utf-8&oe=utf-8&aq=t&rls=org.mozilla:pt-PT:official&client=firefox-a

    tens bué com que te entreteres e, depois, agradeço que respondas à tua própria pergunta…

    quanto às ilegalidades, a resposta anterior vai como resposta a essa pergunta, assim como à questão colocada pela zazie. zazie, distingo perfeitamente essas vertentes, aliás a minha posição não é diferente da tua. tal como disse, talvez não sejam ilegalidades, mas a ética não se circunscreve ao que é punível por lei, como sabes, valupi. considero que já respondi, expondo a minha opinião sobre o assunto tanto nesta ocasião como em anteriores. já disse que não punha em causa o exercício de governação mas que, na minha humilde e prosaica opinião, o tema merece ser discutido e as atitudes censuradas. i rest my case.

  32. rvn,

    Masters & Johnson? Sem sombra de dúvida, um casal abrangido pelas novas medidas de incentivo à natalidade proclamadas pelos pós-socráticos. Eu cá vou mais à bola com o Kinsey e o Reich (não, não é o III). Que quer?, nos tempos que correm é cada vez mais difícil encontrar boavisteiros.

    Embora agradecido pelo seu convite fraterno para um chazinho com bolachas, devo por ora decliná-lo, que a agenda anda pesadíssima, tal como – depreendo das evidências que descreve – o seu complexo glandular. Ademais, de momento estou mais virado para exercitar a pituitária – convém melhor para se ser alvejado pela prensa cor-de-rosa, se é que me desentende.

    Em todo o caso, se porventura o lanchinho se vier a proporcionar, fica desde já assente o papel que o Masters sou eu. Gosto do diminutivo Bill, como em Bufalho Bill.

    Até lá, remeto-lhe saudações amigáveis e sugiro que vá abrindo o pacote de biscoitos interruptus, que sempre ajuda a enganar as entranhas esfaimadas e apazigua esse solipcismo de trazer-por-casa.

    Até já.

    PS – Fico, porém, com a sensação que me deveria recordar de por algum belo momento passado. Enquanto espero pela renovação da medicação crónica para o Alzheimer, faça lá o gosto ao dedo (um só!) e aproveite esse apregoado período fértil para me dedicar um memorando a explicar tudinho.

  33. susana, não percebi: dizes que queres que eu responda à minha própria pergunta, mas a que pergunta te referes?

    Quanto aos links que generosamente disponibilizas, não estão a funcionar. É que eu perguntei pela tua concepção de ética, e desconfio que em nenhum lugar da Internet tal resposta se encontra.

  34. não estavam, mas já estão. quanto à minha definição de ética já a expus, mas consideraste-a insuficiente, posto que mantiveste a pergunta.

    a pergunta era: qual é a tua concepção de ética? (obviamente não a minha; a tua, tua.)

    na minha definição de ética, para o assunto em discussão, basta o que disse há dois comentários: a procura de uma conduta em prol do bem comum. se as directivas de sócrates podem ser discutidas e eventualmente louvadas (e unicamente do ponto de vista da acção política, com todas a suas inerências económicas, sociais, etc), quanto a estes pontos noticiados, a verificar-se a sua verdade, fica uma mancha. que, para mim, seja lá de que modo for (seria preferível que de um modo mais profissional, como é óbvio), é bom que tenha vindo à baila. para que possamos falar no assunto e dizer «tá mal». porque está. bem sei que é da biologia os homens serem uns mentirosos e (ainda que ligeiramente) aldrabões, pois isso permite-lhes disseminar mais facilmente os seus genes. mas eu, como fêmea alfa, tenho a obrigação de zelar pelos meus, assinalando a trafulhice quando a vejo.

    P.S., depois de ler os comentos: tens razão em refilar com o facto de o zé manel não se ter dedicado antes a tal investigação (da corrupção). não questionando os porquês (pois sei que esses estão no âmago da tua argumentação), atiro com um mais vale tarde que nunca.

  35. Pois não estão, nem poderão estar. Só tu poderás falar do que tu pensas.

    E eu não tenho nada contra a tua definição de ética, sela ela qual for. Por exemplo, se para ti a ética for “a conduta em prol do bem comum”, então seja. Mas, no exemplo dado, esse é só o começo da festa. Repara: com essa definição, é improvável que encontres algum ser humano que tenha um currículo sem mácula ética. E se o admitires, deixa de fazer qualquer sentido estar a exigir a Sócrates um percurso que ninguém mais terá.

  36. ah, falava de os links estarem a funcionar.

    não, não posso exigir a sócrates um percurso sem mácula, mas criticar que ele não o tenha procurado. de resto nunca exijo coisa alguma a quem quer seja, exceptuando eu. repara: não seria melhor não ser engenheiro do que ter um diploma forjado? como concretização do que é a democracia, em que qualquer um pode ser dirigente? e, por outro lado, achas que ele teve alguma dúvida sobre estar a proceder incorrectamente quando assinou os projectos, ou quando recebeu o subsídio de exclusividade indevidamente? lá está: o belmiro está na iniciativa privada. podemos acusar as máculas éticas, mas essas não têm a gravidade de quem tem um percurso supostamente em prol do bem público, i.e. do bem comum…

  37. Mas eu também tenho estado a falar dos links…

    Quanto a Sócrates, tomas como certo o que são suposições (a problemática dos projectos) ou interpretações (a problemática do subsídio). E depois referes o bem público e o bem comum. Mais uma vez, utilizas noções vagas. E é por isso mesmo que as disciplinas de História, Filosofia e Direito podem ser tão aborrecidas para os preguiçosos e para os limitados: é que elas são para quem se apaixona pelos pormenores; ou seja, são para cientistas. Sem esse rigor na definição, ninguém se entende.

    (eu também me incluo no grupo dos preguiçosos e dos limitados, só para diluir eventuais susceptibilidades feridas)

    Isto que aqui fazemos, nos blogues ou nas mesas dos cafés, é conversa irresponsável, lúdica. Mas não te incomoda um pouquinho que as decisões eleitorais sejam também fruto da qualidade deste tipo de interacções sociais?… Daí a minha provocação (amistosa) com a ética. É que qualquer um é rápido a encher a boca com o vocábulo, mas foge a sete pés de o explicar.

    É assim com tudo o que importa, uma cobardia geral. E então se dissermos a alguém que é impossível pensar sem palavras, pelo que cada um tem de ser capaz de explicar as palavras com que pensa, é tal o choque que é frequente a resposta ser agressiva. A estupidez é arrogante, que mais lhe resta?

  38. Se precisares de ajuda para entender melhor este ponto, é só avisares que eu explico-te de uma forma ainda mais simples e ainda mais detalhada.

    Noto, como habitualmente, uma certa agressividade professoral de fachada paternalista. Para além, claro, do louvável gosto pelo paradoxismo argumentativo, que tem, aliás, antecedentes socráticos antiquíssimos – e refiro-me, claro está, ao único Sócrates com o qual vale a pena perder (ganhar) tempo.
    Mas remetendo-me agora à compreensão demonstrada por si no que à política e aos pecadilhos dos políticos diz respeito, também eu creio que a sua visão do jornalismo é assaz romântica. A não ser, claro, que se entenda a tal “merda” como prova da suprema independência do Público em relação a Belmiro, uma independência tal que JMF não recua perante a acusação ao homem que lhe paga o ordenado, tudo em nome da verdade e do amor à verdade.
    É um raciocínio como outro qualquer, que não atenta contra a lógica formal.
    Porque, para lá das formalidades discursivas, as minhas perguntas são:
    1. Ele construíu ou não aquelas casas? E tendo sido ele o responsável, segundo o próprio, é aceitável que tenha chegado a Ministro do Ambiente e do Ordenamento do Território e que seja hoje o homem que nos quer ensinar a ser modernos e a comer à mesa?
    2. Não é ele o responsável, só assinou de favor. Então, e cito, porque outros já disseram o essencial:
    «O novo caso Sócrates não é grave por Sócrates ter assinado projectos de outros autores. É grave por Sócrates ter assinado projectos de autores legalmente impedidos de o fazer e que se encontravam numa situação de conflito de interesses. A assinatura de Sócrates serviu para contornar uma lei cuja função era impedir a corrupção.» (João Miranda, Blasfémias)
    Ou seja, ou científica ou estética ou eticamente Sócrates é uma nódoa. O que move JMF é do domínio das intenções, isto é/são facto(s). E não se pode criticar um jornal por publicar factos.
    Não provou que as assinaturas fossem de favor? Então e as declarações dos proprietários que nunca viram Sócrates nas imediações? E as caligrafias diferentes? São apenas indícios? O que queriam? Vídeos de época dos implicados a trocarem favores?
    (E não, não vou definir factos. E se precisar de ajuda para entender melhor este ponto, não vale a pena avisar que eu não o conseguirei explicar de uma forma ainda mais simples e ainda mais detalhada.)
    NOTA: Só para ser claro onde me situo. Razão tinha Pulido Valente:
    «Isto o que é? Não é uma pessoa, não é um político, não é um ente reconhecivelmente humano. É uma montagem publicitária: polida, vácua, inócua. O herói de plástico, uma invenção. É José Sócrates, o primeiro-ministro.»
    Que melhor do que aquelas casas para provar que VPV tinha razão?

  39. renato,
    Foi um desabafo apenas, coisa de solipsista, sei lá. Mas valeu a pena a pisadela só pelo prazer de ler o primeiro ai de jeito que lhe conheço.
    Cumprimentos, caramba. E esqueça o lanche, vá para dentro, não se mace, obrigadinho.

  40. valupi,
    Tentador, o convite. Muito me honra e entala. Vou tentar evitar, mas o mais certo é espalhar-me na armadilha. Feitios, que queres? Fuck you very much, by the way. Que é como quem diz obrigadinho, ó pá.

  41. Ana, é com grande segurança que te imagino imune a agressividades professorais de fachada paternalista. Também tu, se perderes segundos a pensar no assunto, te saberás em pecado.

    Quanto ao que dizes de Sócrates, e aos amigos que convocas, estamos no campo da hipocrisia, do cinismo e da decadência. O que apontas nas casas é vergonhoso – para ti. Porque não fazes a menor ideia das condições em que aquelas casas foram construídas; então, como podes ajuizar do resultado final? Acima de tudo, onde colocas o dono, o pagante? Voltarei a este assunto em post.

    Se Sócrates contornou a lei (e tudo indica que sim, obviamente, mas não é com suposições que nos tratamos bem, pois não queremos ser um eventual alvo delas numa qualquer outra ocasião – como pode haver tantas – em que as aparências iludam), então a lei deixou-se contornar. Que importa? Mais, que relação tem com a sua actual função governativa? A resposta é: tem a que cada um quiser. Para mim, nada.

    A importância que dás às casas é inspiradora. Vou já antecipar o titulo do post, aproveitando a tua visita neste salão de baile:

    Os fachos e as fachadas
    __

    Rui, és um bravo. E um gentil homem.

  42. Esqueci-me da visão romântica do jornalismo. Sim, concordo em absoluto contigo. Mas, lá está, sou um platónico. E acho que ele é que a sabia toda.

    Aliás, sou comprador do teu raciocínio, perspicaz e curial, de poder ser o Zé Manel um ingénuo (no seu duplo sentido).

  43. neste caso concreto, estou-me lixando para o público. na sua monomania, valupi é tão lúcido e sério como JMF. eu cá, no público, tenho deixado progressivamente de ler as coisas do director, aqui tenho feito o mesmo com as postas de valupi. não tenho pachorra para a cegueira militante.

  44. Para ler em surdina, como quem não quer a coisa:

    [Eu cá vou lendo, lendo, lendo. O Aspirina sempre, e cada vez mais, no seu melhor. Ponto de encontro, ponto de desencontro, desvairados ambos e fecundos. E um gajo sem precisar de mexer um dedinho. Há lá sorte melhor!]

  45. O facto de a “merda” ter chegado ao Belmiro, é relativa. O empresário pode ter faro para os negócios e não para “snifar” uma simples poia do senhor Fernandes…

    O que acho giro nestas discussões, é a sensação que se fica de que estamos num país civilizado, com rei e rock, lá para os nortes da europa.

    Embora este seja mais um mau exemplo do primeiro, é quase uma brincadeira, se comparada com as patifarias que se têm feito de norte a sul, transformando áreas protegidas em zonas de construção de luxo (só para quem pode, os tais que têm trocos, para comprar, qualquer presidente de câmara ou vereador das obras públicas…). E todos estes sujeitos têm nome, como os senhores que pagam aquela renda elevadissima no alto do parque Eduardo VII…

  46. valupi, repara que se eu não me incluísse no grupo dos limitados e preguiçosos não seria o facto de te meteres no respectivo saco comigo que iria dissolver eventuais susceptibilidades feridas… mas incluo-me de bom-grado: a preguiça é criativa e a limitação é especializada; que mais se pode querer?
    agressividade? não precisas de te desculpar, não me queixei de qualquer agressividade, para além daquela evidente em qualquer desacordo, aquela que nos permite discutirmos. mas em reciprocidade vá lá: meto-me no saco dos estúpidos arrogantes só para te fazer companhia. seja como for, a verdade é que eu pertenço à classificação taxonómica das mulheres bonitas e não das inteligentes, pelo que um pouco de arrogância me assentará muito bem.

    não sei se me incomoda que as decisões eleitorais se elaborem a partir deste tipo de conversa de café. eu acho que é ainda menos do que isso, as decisões eleitorais são uma espécie de jogo do bicho. a maioria dos eleitores quer ganhar, por isso aposta no animal que lhe parece vai sair vencedor. ao contrário de mim, diga-se, pelo que não me sinto afectada por essa arbitrariedade. quase sempre apostei, nas minhas votações, nos pequenos e sem qualquer hipótese (muitas vezes sequer de elegerem deputados…).

  47. Na impossibilidade de atiçar o repto em molde mais apropriado, e fazendo jus ao epíteto de “capacidade ironico-fodilhona” que o amigo rvn me dedica, gostava de aqui lançar uma questiúncula para reflexão de todos aqueles que se preocupam com as grandes questões nacionais.

    Acabo de reescutar na TSF o spot que alerta para a impotência sexual. Isto nada terá que ver com o nosso patrimonial Sócrates, ou não atestassem os pregões noticiosos que o rapaz tem erguido maravilhas por este belo País fora, e todos sabemos que a sua pílula é rosa, e não outra. Todavia, poderia ser obra de uma ingenuidade dúplice que assenta como uma luva na mão com que o Zé Manel Fernandes gosta de embalar o berço da Nação.

    Então manda assim o dito, em investidura de slogan: “Não vire as costas à disfunção eréctil”. Eu não sou gajo que se abispe com tão pouco, mas tão-pouco sou gajo para deixar murchar um contra-senso deste tamanho sem lhe deitar as garras. “Não vire as costas à disfunção eréctil” é não apenas de mau-gosto como também um conselho de duvidosa eficácia. Vejamos: o virar de costas pode, e deve, integrar-se numa estratégia deliberada de um sistema de incentivo à dita-dura. Por que não?

    O slogan deveria, antes, invectivar as/os partneres a virarem ostensivamente as costas para assim aliciarem o ilusionista a fazer saltar o coelho tímido da cartola mágica, em vez de instá-los a permanecer defronte do artista como se nada fosse. Levantem-se aquelas(es) que concordam com este ponto de vista.

    Uma visão onírica e um momento de meditação sem um olhar indiscreto podem ser o necessário para que o Adamastor sobrevenha no cabo das tormentas.

    “Não vire as costas à disfunção eréctil” é infeliz e desajustado. Melhor seria dizer “Vire o melhor que tem para a disfunção eréctil. Vire tudo e constatará que o amor move montanhas” (independentemente de quem seja o amor). Com estas e com outras, vai o País fecundando a capacidade de mobilização dos cidadãos e coartando o seu direito de resposta às provocações.

    Ou será que o tresmalhado criativo teria na ideia qualquer coisa como “não vire as costas” porque a maré pode mudar repentinamente e um tsunami maroto ainda a/o cobre repentinamente? Mas, nesse caso, ter-se-ia feito justiça, que diabo!

    Dê lá onde der, a coisa assim não enche as medidas de ninguém, digo eu. Nem às patroas/patrões que permanecem defronte aos grevistas, cujo ar mesmo quando animador ou condescente chega para inibir um eventual surto fura-greves, nem aos próprios grevistas que, intimidados pelo escrutínio do patronato, se quedam impassíveis sem arredar pé dos seus ideais anti-reaccionários.

    Virem-se, pois, as costas à disfunção eréctil, que Portugal é um País de belas costas onde grassam dunas bem torneadas e a bandeira está as mais das vezes verdinha.

    “De pé, ó vítimas da fome…!”.

    Até já.

  48. nuno magalhães, não te entendi bem, mas concordo. Tal como tu, com tanto para ler (só no Aspirina, todos os meus colegas, com o Fernando à cabeça por especiais razões, fora os outros blogues, fora tudo o resto), não iria perder tempo com um tipo como eu. Fazes muito bem.
    __

    Fernando, Aspirina no seu melhor. Nunca foi tão verdadeiro o narcisismo.
    __

    luis eme, exactamente. Há uma mole de gente indiferente à corrupção que diminui a nossa liberdade (como essa de se entregar paisagem e espaço a privados que compram autoridades públicas, só para dar um actualíssimo exemplo), mas que agora berra contra a prática generalizada de saltar por cima da lei de que Sócrates terá sido mais um cúmplice. Claro que interessa conhecer a sua actividade profissional se ela transmite informações valiosas. E ter a certeza de que Sócrates aos 30 anos alinhou numa qualquer falcatrua, por mais frequente que ela seja ou tenha sido ao tempo, é bom. O que é mau é trocar as prioridades.
    __

    susana, concordo contigo. Sei-me estúpido e arrogante, e é a partir daí que questiono. E acredito na bondade da discussão. Creio que temos a ganhar em ficar, todos, um pouco menos estúpidos.
    __

    Renato, autorizas que ponha na montra esta importante reflexão que deixaste caída no armazém?

  49. eh pás, isto está tão bom que resolvi guardar o link no meu mail, coisa que faço muito pouco, não só pelo post como pela esgrima dos comentários. Mas confesso que ainda não acrescento substância, está denso, arroz de lampreia. Amanhã?

  50. eu amanhã de manhã tenho que vir cá dizer alguma coisa de jeito, que ando muito diletante para o meu gosto, já tenho aqui o agostinho a azucrinar-me o neocortex e o bolbo raquidiano a ficar atrofiado.

    Rui, tu deve ser um peludão, que eu dou-me bem com peludos açoreanos

    vou visitar-te feito gastão

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