O vento e o casamento

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Não gosto de espanhóis. Explico: gosto tanto de espanhóis como de franceses, marroquinos e russos. Quero que todos sejam felizes, e muito felizes, mas não gosto de espanhóis. Por isso não gosto do Camacho. Fala rápido demais, alto demais e parece estar sempre irritado com algum assunto de merda, tal e qual como todos os outros espanhóis de quem eu não gosto. Vê-lo ir-se embora é um alívio para o meu coração de leão espectador televisivo. Mas acho uma filha-de-putice ir embora agora, só porque a cada jogo se comprovava a bosta que ele é como treinador. Nisso devia aprender com o Paulo Bento, outra caga de treinador, mas com a coragem para aguentar o barco já meio afundado. Porque isto de ser treinador é a melhor profissão do mundo: pagam-lhes para ir assistir a jogos junto ao relvado. E pagam até muito bem a uns quantos sortudos. Ficam ali a olhar para os acontecimentos, emocionam-se, chateiam-se, berram, levantam os braços e podem fazer um máximo de 3 substituições. No final dos jogos, são entrevistados. E contam o que viram. Antes dos jogos também são entrevistados, e aí falam do que gostariam de ver. Não tem nada que enganar. Então, ir embora porquê? E logo agora que a equipa está no intervalo da eliminatória europeia e vai jogar a meia-final da Taça com o meu clube? E sair assim de repente, apanhando o amigão Vieira com as calças na mão e o charuto na borda do autoclismo? Mas que gajo é este, este Camacho dum cabrão, que deixa os meus estimados inimigos ao cuidado do Chalana?!… Já se perdeu por completo a decência?

Dizer que os jogadores não têm motivação é a explicação mais delirante que alguma vez se deu para uma demissão. O vendaval que a sua irresponsabilidade provoca, no entanto, é coisa pouca quando comparado com a sua esposa, a cagufa.

35 thoughts on “O vento e o casamento”

  1. É que o Camacho não joga a perder. Ele vai embora e pronto. É espanhol. Há um ditado em castelhano que é: «El titi no se cae, el titi se tira», que é como dizer “Eu não cai, atirei-me” mas em castiço madrileno, não em melíflua língua de Rosália e Camões.

    Brasileiros também não jogam a perder. Um outro exemplo:

    PR/Brasil: Presidente da Academia Brasileira de Letras congratula-se com aprovação acordo ortográfico
    7 de Março de 2008, 19:34
    ** Paulo Alves Nogueira (texto) e Paulo Novais (foto), da Agência Lusa **

    Rio de Janeiro, Brasil, 07 Mar (Lusa) – O presidente da Academia Brasileira de Letras, Cícero Sandroni, congratulou-se hoje com a aprovação do acordo ortográfico pelo governo português, salientando tratar-se de uma “boa notícia” para todo o Brasil.

    “Nós vamos ser uma língua escrita da mesma forma. Não importa a maneira como vamos pronunciar as palavras, mas a grafia será a mesma”, frisou.

    Cícero Sandroni falava aos jornalistas portugueses no Rio de Janeiro, depois de ter entregado ao Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, um exemplar de um jornal brasileiro que hoje titulava “Portugal dá aval à reforma ortográfica”.

    Recordando Fernando Pessoa – “a minha Pátria é a Língua Portuguesa” – e que o acordo ortográfico já foi ratificado pelo Brasil, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde, Cícero Sandroni acrescentou que a decisão de Portugal “é muito importante para a afirmação da Língua Portuguesa no mundo, que hoje tem mais de 200 milhões, talvez 220 milhões de utentes”.

    O Conselho de Ministros aprovou quinta-feira a proposta do segundo protocolo modificativo ao Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, de 1991, comprometendo-se a adoptar as medidas adequadas para “garantir o necessário processo de transição, no prazo de seis anos”.

    Questionado sobre se também dá o aval ao acordo, Cavaco Silva, ao lado do presidente da Academia Brasileira de Letras, respondeu que, segundo o princípio da separação de poderes, o Presidente da República “fica a aguardar que a Assembleia da República discuta o acordo ortográfico e depois o submeta a promulgação”.

    Cavaco Silva reafirmou que a decisão do Conselho de ministros “foi como que uma associação da parte do Governo” às celebrações do bicentenário da transferência de corte portuguesa para o Brasil.

    “Essa transferência também significou de alguma forma a consolidação da Língua Portuguesa como língua de múltiplos continentes”, referiu o Presidente da República.

    “Numa caminhada em conjunto durante séculos, há um acontecimento histórico que começa em 1808 que dá um contributo decisivo para que hoje as nações (Portugal e Brasil) sejam nações irmãs, onde a Língua Portuguesa é uma peça decisiva da identidade dos dois países”, acrescentou.

    Cavaco Silva está no Rio de Janeiro desde quinta-feira, para participar nas comemorações brasileiras dos 200 anos da chegada da corte portuguesa ao Brasil.

    A visita, de três dias, efectua-se a convite do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da silva, que se encontrará ainda hoje como Cavaco Silva.

    Lusa/Fim

  2. Sobre a antipatia pelos espanhóis: nunca consegui percebê-la. Talvez se deva ao facto de ter feito a infância em África e a adolescência no Brasil. Realmente, que não hajam dúvidas – viajar e, sobretudo, conviver com outros povos, ajuda a perceber muita coisa, bem como saber aceitar e respeitar as diferenças.

    Quanto ao mundo do futebol – é como disse um dia: actualmente têm as novas prostitutas, pagas a peso de ouro, tipo Cristianos Ronaldos e afins… de lavagem em lavagem, eis o mundo cada vez mais sujo.

    Sobre a questão, que traz o “bastonada”, do acordo ortográfico:

    muitos excitam-se
    com a adulteração da língua materna

    traçando um paralelo

    uma mulher não deixa de
    ser mulher por já não ser virgem

    no entanto
    uma vigília atenta
    não deixa de ser saudável
    não vá transformar-se em puta

    (talvez valha como mote :)

  3. bastonada, mas estás contra o acordo ortográfico? E se sim, porquê?
    __

    Elypse, não se trata de antipatia. Antipatia nenhuma. Nós somos todos primos uns dos outros. Já os galegos serão primos direitos, ou irmãos (na minha preferência). Mas não gosto dos espanhóis, o que é diferente de não gostar de espanhóis.

  4. o que quer isso dizer? que não gostas dos espanhóis, como povo, ou no seu conjunto, não te impedindo de gostares deles individualmente, como pessoas?

  5. Quer dizer que não gosto da fenomenologia dos castelhanos: falam rápido demais, alto demais e são mal-educados. É por isso que nos descrevem a nós, portugueses, como “espanhóis gentis”. Ora, isto não tem nada a ver com não gostar do povo ou dos indivíduos, o que seria absurdo e aberrante.

  6. Valupi
    Eu compreendo o que queres dizer. Conheci espanhóis do melhor que há, topei outros grosseiros, porcos e “filipinos” como caricaturas de si mesmos. O Camacho, afinal, não tem nada de original. Quando o Benfica não ganha, há logo a teoria da conspiração a rondar. A gente contenta-se com dar culpas ao árbitro de vez em quando (como em Setúbal, e foi verdade) ou desesperar com uma derrota justa que nem D. Pedro ditaria melhor sentença, como foi em Guimarães.

  7. Daniel, com certeza. Conheço espanhóis magníficos e portugueses que envergonham a raça. Isto das nacionalidades nada tem a ver com o carácter, o agrado de cada um, obviamente.

  8. Quem te dera compreender o que dizes, quanto mais o que dizem.

    Valupi, “Não gosto de espanhóis.” / Não gosto de alguns espanhóis. Teria feito toda a diferença. Foi aí que nasceu a minha questão – nada mais que isso.

  9. Gosto de Camacho. Não por ser espanhol, mas por ser um homem livre e lúcido.

    Ele percebeu que já não havia nada a fazer, com os profissionais que o Benfica tem e foi embora, aproveitando o luto do pai, para colocar as ideias no lugar…

    (sou benfiquista e sei que o clube tem uma equipa de merda… é a explicação para que um jogador de 36 anos, seja o melhor elemento da equipa…)

    Poucos faziam o que ele fez no Real Madrid, quando se foi embora, ainda antes do começo da época, por o futebol ser muito diferente de uma “passerelle” de modelos, mesmo que isso seja rentável para os clubes.

  10. Elypse, desculpa lá ter-te confundido.
    __

    luis eme, mas que será isso do “já não havia nada a fazer”?!… Isso é inacreditável, literalmente. Há sempre algo a fazer, para mais com os recursos do Benfica (os salários, as instalações, os confortos, as seguranças, a projecção).

    Acontece é que ele não teve nem saber nem sorte. E, como é sabido, o principal factor é a sorte.

  11. Deixa lá Valupi – acredito que não és nenhum xenófobo…

    Foi só um reparo que entendi fazer, atendendo ao que presenciei e senti quando cheguei do Brasil há uns anos – isto no que concerne a um “universo” de conhecidos e amigos (nesta questão Portugal/Espanha)

    Venham mais textos…

    Boa continuação.

  12. Não. Nasci em Alcântara. Mas assim que nasci fui para Angola. Transitei entre Angola e Moçambique durante 8 anos ou – (até ao 25 de Abril). Após a Revolução, fui parar a São Paulo, onde permaneci até aos 16. Daí para cá, tenho andado pelo mundo: Holanda, Islândia, Jordânia, etc…

  13. Há uma cousa boa em espanhóis e brasileiros: não jogam a perder.

    Por isso o Acordo ortográfico é bom. É jogar a ganhar.

    Ombreemo-nos com os espanhóis, tenhamos uma língua escrita una e forte.

    Digamos ao Camacho: vai se queres ir, e não voltes, não precisamos de ti.

  14. Por falar em “ler as coisas na diagonal”, acho que esse é o problema da maior parte dos críticos ao acordo ortográfico. Ouvem falar em “cedências” e ficam logo histéricos “Sacrilégio! Ai, que estão a mexer no nosso património cultural!”… As cedências do acordo são o preço que se paga por um bem maior que é a unidade da língua. E é um preço bem baixinho – não se perde vocabulário, não se alteram formas de dizer, não se empobrece coisa nenhuma, simplesmente algumas palavras são retocadas, como se de uma maquilhagem se tratasse. É como uma evolução forçada, já que esses processos são a coisa mais natural – basta ver como se escrevia no século XIX (caza, pharmácia, etc…)

  15. E até reforço o que dizes, Rodrigo, com o seguinte:

    observo a vida em constante mutação
    a verdade não é o que não se altera
    mas sim o que deixa de ser a todo o instante

  16. Valupi estás a tornar-te um “comentarista sabão” (uma espécie de professor Martelo na blogosfera…), capaz de “esgrimir” em todas as direcções, sempre com argumentos electrizantes (embora nem sempre sejam convincentes…).

    Não sei até onde vai a tua “cultura futeboleira”, mas já devias ter percebido, que são os jogadores (bons e maus), que decidem o futuro dos treinadores, com aquilo que fazem ou não fazem dentro do relvado. Só alguém com as bolas no sitio, é que decide o seu futuro, sem estar refém de jogadores que querem mais dinheiro para renovar, ou de jogadores que mudam de velocidade, por saberem que no fim da época podem fazer as malas.

    Provavelmente acreditas que o Paulo Bento ainda vai fazer grandes coisas em Alvalade… mas é mentira, porque já ultrapassou o “prazo de validade”, só que não é capaz de sair pelos próprios pés, como o Camacho, precisa de um empurrão. Se o C.F.Belenenses tem ganho ontem, quedava-se pelo sexto lugar…

  17. Parabéns ao Rodrigo pelo cartoon fantástico. Agora uma perguntinhas de ignorante dos futebóis:

    Porque é que pôs as duas pernas do Luisão enfiadas na calça esquerda?

    Quem é aquele gajo com dois sapatos de cimento?

  18. Parbéns ao Valupi, não pelo horrendo anti-espanholismo, não pela transparente invejazinha dos espanhóis, mas pela hilariante descrição da profissão de treinador e respectivas mordomias.

  19. Mas que ambiente tão sereno por aqui, mesmo com um lagartão armado ao pingarelho a botar discurso acerca de assuntos internos do Glorioso (com um Guê do tamanho do Ponto) basta a Zazie não comentar bola para ser um descanso, não é?
    Pois estou aqui eu para partir a louça.

    Começo por me congratular pelo desalento imbuído na satisfação leonina pela partida do Camacho. Realmente, com ele não tocaram no guelas.
    Filha da putice é deixar o Sporting afundar-se até (pelo menos) ao quinto lugar e insistir em receber um ordenado por isso. Grande sentido de humor, isso concedo…
    E só para não esgotar a argumentação, recordo que o Chalana é um benfiquista campeão e bem podem começar a fazer contas acerca do acesso às competições europeias alternativas que a Champions não é para clubes de bairro.

    Toma! E se desatinas dou-te com o vernáculo do meu Charquinho que até arrotas a peixe podre.

    (Tudo isto deve ser imaginado com um tom mariola e com o adepto encostado ao balcão da taberna – agora é na rulote – enquanto mastiga uns coiratos.)

  20. Nik, o Luisão neste cartoon é representado com duas pernas esquerdas.

    O tipo com os sapatos de cimento era a alternativa que o Camacho tinha ao Nélson… dá pra entender porque é que ele se foi embora (!?)…

  21. Elypse, tens uma vida larga. Invejo-te.
    __

    luis eme, tens razão: os jogadores podem deitar abaixo um treinador. Mas não tens a razão toda, e um treinador ganhador leva os jogadores consigo. Esta é a parte em que é absurdo falar de motivação, pois não pode haver ninguém mais motivado do que um jogador. Cada um deles ambiciona ser um Cristiano Ronaldo: no máximo do poder financeiro, mediático, social e sexual. E isso obtém-se através da arena, na peleja. Por isso é que a sorte é um dos factores decisivos, dado que as mentes dos jogadores são primárias, supersticiosas. O que nunca se vê (a não ser em casos excepcionais) são jogadores falharem passes ou golos de propósito. Nem tal faria sentido, pois os jogadores só se valorizam em equipas de sucesso. Por outro lado, havendo uma ovelha negra ela vai para o banco. Há sempre um outro que quer romper, quer afirmar-se, criar nome.

    Quanto ao Bento, não espero nada. Tem falhado muito, esta época. É verdade que teve azar, mas depois não houve magia para vencer essa força negra. Mas enfim, nem sequer o Mourinho ganhou tudo, o que mostra que não há milagres, só ranço bem gerido.
    __

    Nik, mas qual anti-espanholismo? Apenas se dá o caso de não gostar de espanhóis, coisa diferente; e sinal de bom gosto!
    __

    shark, também tu tens razão. O quinto lugar está coberto de Vaqueiro, e a jogar o pior futebol que me lembro de ver, o Sporting até pode ir parar mais abaixo. O que, para mim, teria graça. Porém, acredito que o Chalana vai ser o tónico que irá arrebitar o Bento. Isso vai-se ver já na meia-final, onde os benfas serão sovados, primeiro, e goleados, acto contínuo. E o Chalana, esse ícone dos anos 80, inspirará os lagartos para um novo 7-1.

    (espanholas? só se ficarem caladas)

  22. Esqueceste-te da poção mágica do “chalanix”, Valupi…

    Já não há João Pinto mas também pode haver 3 – 6… (claro que somos uns brincalhões e ainda bem, que esta gente do futebol, não é para ser levada a sério).

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