Cara Marina,
Há uma teoria da conspiração que diz andar o Estado Espanhol empenhado numa castelhanização do galego para afastá-lo do português. Para simplificarem (as teorias da conspiração simplificam o mais que podem), os conspirativos apresentam a própria vontade dos galegos de conservarem quanto os distingue do português como um conluio com o inimigo. Em desespero de causa (e as teorias da conspiração são sempre propostas desesperadas), os conspirativos decretam que tudo quanto distingue o galego do português é… espanhol.
O mais espantoso é que os conspirativos, não tendo a razão inteira, têm alguma – no que eles não reparam, já que as teorias da conspiração não permitem gerir meias verdades. E a meia verdade está em que o Estado Espanhol, que considera o castelhano, o catalão, o basco e o galego como lenguas españolas (assim lhes chama a Constituição), ao ver-se obrigado a constatar que «galego» e «português» são dois simples nomes para a mesma língua (embora correspondendo a normas diferentes e parcialmente irredutíveis), o Estado Espanhol, dizia eu, acaba metido numa grande alhada. Como explicar ao Mundo que algo «español» afinal não o é?






