doente saudável

Sempre achei que havia um lado delicioso nos estados gripais, não fosse a falta de saúde propriamente dita. A preguiça terapêutica. Ficar na cama indefinidamente, leituras avulsas, falar com quem e quando apetece. Sopas, torradas e líquidos quentes intercalados com nada fazer e sonos curtíssimos. Abluções lentas pelo meio da tarde para a seguir nos enfiarmos num pijama lavado. Pensar no que dá na gana e não no que tem de ser, porque, convenhamos, não se está em condições de apelar à responsabilidade. O tabuleiro com comidinhas ideais trazido à cama é mordomia que só em casa parental, mas sempre compensa não ter perdido o apetite. Falta-me a febre soporífera, restam-me os delírios febris. Tem sido um dia magnífico.

P.S. No futebol cada vez mais os epílogos têm maior interesse do que a acção. Os jogadores são filósofos. Acabei de ouvir um jogador do Marítimo comentar a derrota por dois a um. Com a tranquilidade reflexiva com que Paulo Bento relata factos prosaicos acrescentou, o jogador, que o resultado poderia ter sido diferente. É profundo.

Contra-capa: ontem houve alguém que resolveu mudar de casa para a A1, cerca do Km 49, sentido sul-norte. Verdade. O pai dos meus filhos apanhou um susto do caneco e desviou-se a tempo, mas ainda partiu o pára-choques com o embate num colchão. Foi uma sorte, porque a cama estava, desmontada, um pouco adiante. Os meus filhos iam no carro. Quando soube lembrei-me de deus, para lhe dar graças.

9 thoughts on “doente saudável”

  1. é, mana. a acção inactiva cumulada com umas farfalle com feta, molho de tomate e pesto provoca uma azia só dissolúvel pela reflexão acerca das coisas realmente profundas da nossa insignificante existência. pensar que tudo poderia ser diferente. enfim, o que é a radical liberdade do destino…

    comendador, cheira-me que temos aí um adepto leonino.

  2. Foi horrível. O maloio que veio de Setúbal tudo fez para inverter o resultado. Em Julho de 1997 na Nazaré inverteu um jogo de atribuição do título de juniores. O Sporting marcou aos 4 m. mas ele arranjou tantos livres que dois deles deram golo. Hoje quase conseguiu.

  3. Que o Grande Manitou me permita viver o suficiente para saber de um jogo do Sporting em que os lagartos não se queixem do árbitro.

  4. O mais engraçado é que o treinador do Boavista (Queiró) deabafou para o treinador do Sporting (Palhares), seu ex-colega de equipa no Bessa: «Pensava que eras tu a trazer o árbitro mas fomos a gente!» O árbitro era de Setúbal e o jogo foi na Nazaré. Além dos livres malucos houve um defesa boavisteiro que desviou no relvado com a mão um remate do Simão que tinha batido já o Sérgio Leite. O maloio de Setúbal marcou «canto». Tinha 23 anos e estava a pagar a factura da promoção. Na última fila da bancada o major valentão sorria.

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