Este puto tem coisas para te dizer.
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O poder do copy

Oferta do nosso amigo João.
Nota: nas agências de publicidade portuguesas, a palavra inglesa copy tanto designa o redactor como a redacção.
Evidência
Freeport, free press e freedom
O caso Freeport conheceu uma sexta-feira diabólica com as declarações de Júlio Monteiro, o email do primo, o DVD do bife e as indicações de haver matéria de facto nos documentos recolhidos nas buscas feitas a várias entidades. As labaredas correm soltas e é inevitável que algo acabe queimado. Mas o quê?
Nem Alá sabe como é que ele se safa a trabalhar em Inglaterra
Cruzam-se os maus tratos recebidos no Porto (onde não ensinam inglês aos jogadores, tomamos conhecimento chocados) com o convívio com o Cristiano Ronaldo (um jogador de futebol que, para desgosto colectivo, não é simultaneamente bolseiro da Gulbenkian).
Entretanto, um pergunta relativa a um assunto, este sim, da maior urgência: para quê estar a ouvir os treinadores no final dos jogos? Um treinador não devia ter de falar por obrigação, só quando lhe apetecesse. Se querem declarações no final dos jogos, contratem porta-vozes, pessoal com formação para botar discurso, dizendo coisas com alguma elegância e variedade. Até pode ser o mesmo a falar em nome de vários cubes. Ficava mais barato e ninguém ia reparar.
Only you*
Disco pedido pelo nosso querido ESTACA, aqui em versão karaoke para ele poder cantar em frente ao monitor.
1955. Os brancos americanos queriam que os seus filhos só ouvissem música dos brancos. O Ku Klux Klan fazia ameaças com a conivência de muitos. Foi só há 50 anitos.
* Ciclo das festividades em honra de Obama, um preto que veio encher a política de cores e luz.
Vamos meter a Ana em trabalhos
A nossa amiga Ana Cristina Leonardo fez um pedido. Parece sério, a avaliar pelo modo semi-envergonhado, mas ela esclarecerá. Para o que agora interessa, vou levá-lo a sério. E a quaestio é esta: não haverá neste País um lugar onde a inteligência da Ana ajude a criar riqueza? A pergunta pede esclarecimentos curriculares, complementos de competências, adendas do foro pessoal da pretendente, pois sim, mas para mim só o tema da inteligência aqui e agora interessa. Diga-se que um blogue é um portfolio por inerência. E não só para aqueles cuja vocação se realiza nas belle-lettres, qualquer exposição pública do pensamento revela tipologias psicológicas e traços de carácter relevantes para uma selecção laboral. Portanto, boa ideia e boa sorte.
Os empresários não sabem como aproveitar a inteligência, por isso produzimos tão pouco. Não sabem porque ninguém os ensinou e essa alquimia pede aprendizagem. A escola também não sabe, por isso os alunos saem de lá menos inteligentes do que eram ao entrar. Assim, é muito provável que o mercado de trabalho não saiba o que fazer com uma especialista em recensões literárias, autora de literatura infantil e autora de blogues com crescente interesse (to say the very least). Mas eu vou ajudar oferecendo sugestões óbvias:
Leitora – Ler, ser paga para ler. O cliente pagaria para ouvir leituras de livros escolhidos pelo próprio ou escolhidos pela Ana (a melhor opção, juntando-se a estética à pedagogia ou psicoterapia). As sessões poderiam ser individuais ou de grupo. Escuso de elencar todos os benefícios para a saúde mental, e boa forma da alma, que tais sessões promoveriam, pois estás com pressa.
Redactora dos discursos de Cavaco – É um dos maiores problemas do actual Presidente, a miséria que nos anda a ler. Alguém na Presidência que contrate a Ana urgentemente, faxavor.
Eixo do Mal – Falta lá mais uma mulher para que os níveis de estrogénio ponham alguma contenção na pesporrência da testosterona.
Directora do Público – Qualquer português maior de 18 anos, com ou sem carta de condução, daria um melhor director do que o actual.
Directora do Expresso – Idem, mutatis mutandis, com a vantagem de conhecer a casa.
Presidente do PSD – Idem, mutatis mutandis, com a vantagem de não conhecer a casa.
Presidente do CDS – Idem, mutatis mutandis, só com vantagens.
The Big Picture
Obamapatia
Da esquerda à direita, mas mais à direita, ontem foi dia para se avisarem os incautos. Que Obama não vai cumprir, porque nunca ninguém cumpre. Que Obama não é Deus, logo não fará milagres. Que Obama é igual aos outros, se não acabar por ser pior. Mas para quem é que estiveram a falar? Para um grupo de alucinados que, por o serem, jamais os iriam escutar, quanto mais entender? Não, estavam a falar para si próprios. É a actividade favorita dos cínicos, o solipsismo.
Vir com essa conversa num dia de esperançosa e feliz celebração é apenas mais um egoísmo. Equivale a entrar numa festa de aniversário à socapa e, na altura em que a miúda de 8 anos avança para o bolo, puxá-la por um braço e dizer Olha lá, não penses que a vida vai ser sempre uma festa. Daqui a nada estarás a sofrer com o período, depois vais assustar-te com os rapazes, invejar as raparigas, ficar triste com os homens, irritada com as mulheres, odiar os maridos, dizer mal das vizinhas. Terás doenças, pânicos e depressões. Irás enterrar os teus pais, familiares e amigos. A solidão irá cercar-te, invadir as células, uma a uma. Até que a morte comece a aparecer no espelho. Morte branca, rugosa, manchada. Aí, só te restará um consolo: entrar nas festas de aniversário, de miúdas como tu, e vingares-te nelas da miséria e absurdo dos teus últimos dias. Vai lá agora apagar as velas, vai.
Esta gente, os cínicos, há quanto tempo não dançam?
Pulp Fiction*
Efeito Einstellung e oposição
Abraham S. Luchins (March 8, 1914 – December 27, 2005) was one of the most important American Gestalt Psychologists and a pioneer of group therapy. He was born in Brooklyn, New York and died in Albany, assim começa (e a modos que acaba) o wikipeido actualmente à disposição dos ouvintes. Acontece que este amigo nos interessa pelo que fez em 1942. Pegou num magote de gente, distribuiu jarros com água e observou como a própria inteligência gera a imbecilidade. Estava descoberto o Efeito Einstellung. Quer-se dizer, estava claro que ter uma solução pode ser impeditivo de adquirir outra para o mesmo problema. E é isto um problema, valha-me Santa Engrácia? É, nos casos em que a nova solução, para o tal problema, seria mais eficiente ou eficaz do que a velha.
O problema da oposição clássica, comum, é não estar a governar. Só este e mais nenhum. Mais nenhum. Com a maioria PS, e o Governo Sócrates, esse problema tornou-se particularmente dramático, e mesmo trágico. Neste momento regista-se que o PSD acabou, o PCP está cada vez mais igual a si próprio, o CDS é estéril, o BE entrou em modo de guerrilha urbana e ainda não apareceu novo projecto politico credível. Até Cavaco se estatelou numa senda imparável de disparates e falhas de responsabilidade. À volta dos partidos, na comunicação social, a oposição explora a chicana e o populismo: Público, Sol, Expresso, Correio da Manhã, 24 Horas, TVI, SIC, Rádio Clube. Os blogues de maior audiência, onde a oposição é um exercício constante, pícaro, resfolegam inconsequências; quando não infantilidades e psicoses. Segundo o Blogómetro, no Top 25 estão 7 blogues de crítica política: Blasfémias, A Educação do meu Umbigo, Abrupto, Arrastão, 5Dias, O Insurgente e 31 da Armada – e ainda se poderia juntar o recentemente encerrado Atlântico, também prolixo e azougado no bota-abaixo. A obsessão paranóica do Pacheco, RTP, acolhe uma super-vedeta como Marcelo Rebelo de Sousa, os Gato Fedorento (2007), os Contemporâneos, Prós e Contras, Corredor do Poder, Grande Entrevista, Sociedade Civil, Parlamento, pelo menos. Não faltam ocasiões, só à pala da estação da 5 de Outubro, para desmascarar essa corja de ladrões que se governam à nossa custa. Porque será, então, que os tão inteligentes, brilhantes!, opositores continuam sem conseguir passar a mensagem?
Há conforto em reduzir a incompetência da oposição a vícios ideológicos e morais. Tanto à esquerda como à direita, na sua generalidade, os quadros políticos são confrangedores, mistela de videirismo com ignorância, ou de informação com oportunismo. Mas o conforto é preguiçoso. Melhor será partir para a explicação literal: não existe mensagem alternativa, concorrente, oposta. Não existe. E é por isso que não passa, não chega, não nada. Todos se assumem como oposição extremista, comungando da mesmíssima fórmula: se vem do Governo, ou do PS, é mau, é péssimo, é pessimamente mau. Inevitável será constatarmos que, com esta postura primária e odiosa, a oposição não sabe fazer oposição. Limita-se a repetir velhas soluções em novos tempos. A oposição ainda não percebeu que fazer oposição no século XXI, num Portugal com a liderança de Sócrates, deve consistir em apoiar a governação. É isso que a comunidade espera e está pronta para premiar, a promessa de se superar o actual Governo pela qualidade das propostas, não pelo histerismo e má-fé das denúncias.
Ora, estamos a falar de muita gente junta reunida nos partidos e comunicação social opositores, mole onde aparecem jornalistas, professores universitários, investigadores e especialistas das mais desvairadas proveniências e estatutos. Ou seja, trata-se de um caudal insano de inteligência diariamente desperdiçada, freneticamente gasta a produzir peças de comunicação cuja memória se esgota no círculo dos acólitos e comensais. O seu destino é a inconsequência, o povo não lhes liga – prefere participar em sondagens a favor do Governo.
Então, vamos combinar o seguinte: a oposição pode ficar assim, é lá com ela, mas tu vais pontapear o Efeito Einstellung para fora da tua vida. Não tem graça continuares a ser imbecil sem um partido, jornal ou blogue para te apoiar.
Kind of Blue*
We’ll have Manhattan*
Putos e paneleiros
Portugal é um dos países, em todo o Mundo, onde a mortalidade de crianças até aos 5 anos é menor. Estamos ao nível da Alemanha, Dinamarca, Espanha, França, Japão e Noruega, por exemplo. Segundo a oposição, contactada por telepatia, a culpa por esta embaraçosa situação é totalmente de José Sócrates e das suas políticas de saúde e assistência social.
O PS não tinha prometido legislar sobre o casamento homossexual na presente legislatura. E a questão merece um amplo debate que, também por isso, não tinha agenda. Caso o PS tivesse viabilizado o projecto do BE em Outubro passado, toda a oposição viria dizer que Sócrates tinha sido eleitoralista, demagógico e irresponsável.
Eis a nossa oposição: uma súcia de putos e paneleiros.
Portuguese Dream
A TSF anda desde 22 Setembro a estragar as manhãs aos pessimistas. Ou as tardes. O estratagema consiste na emissão do programa Made in Portugal. É uma injecção de optimismo que dura 3 minutinhos. Tempo suficiente para descrever a actividade, e registar os testemunhos e resultados, de empresas que criam riqueza. Sim, ao que parece, há quem consiga inovar, exportar e empregar cada vez mais e cada vez melhor. E isto no mesmo Portugal da crise e das crises, do atraso e dos atrasados.
PCP e BE odeiam empresas deste género. Porque elas representam o oposto das ideologias venenosas que entram em maníaco frenesim com manifestações, greves, boicotes, populações tomadas por pânicos irracionais, professores a comportarem-se como rufias, putos a destruir bens públicos e privados em Atenas, desgraças palestinianas, católicos. A indústria da política-espectáculo, no seu mais despudorado e perverso exercício, é agora um exclusivo da esquerda imbecil, continuamente actualizando os preceitos leninistas. Para um comuna, estar a procurar desenvolver um negócio que seja competitivo não é apenas uma perda de tempo, é também uma ofensa para todos aqueles milhares de trabalhadores que só ambicionam a mama do Estado ou que odeiam o patronato precisamente por este lhes dar emprego. Os dirigentes e operacionais do PC e BE, escudados nas prebendas e mordomias que advêm dos seus cargos públicos ou por serem estrelinhas da comunicação social, mantêm o proletariado em permanente alienação utópica à custa da anulação da inteligência. Por isso os casos de sucesso empresarial são a maior ameaça à sua manipulação ideológica. Provam que a dedicação, o estudo, a criatividade, a liberdade e a vontade continuam a ser características dos vencedores.
Há centenas de milhares de portugueses com estas características. Alguns participam em debates radiofónicos, outros escrevem para jornais, falam nos cafés, são entrevistados na rua, criam o seu blogue, participam na vida comunitária de inúmeras formas. São pessoas que se adaptam a qualquer cultura de competência. Muitos emigraram, desde os Descobrimentos, e realizaram os seus sonhos no estrangeiro, com estrangeiros que se tornaram concidadãos e família. São os verdadeiros optimistas, aqueles cujo sonho começa nos exemplos de quem ousa criar riqueza.
Sabedoria de Teófilo
Oferta do nosso amigo teofilo m., nesta conversa. O registo descritivo e o depurado remate são um excelente material para abrir discussões que a maioria das mulheres ainda tem muita dificuldade em assumir.
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Declaração de interesses:
Já tive mulheres como colegas, como subordinadas, como hierarquia, hoje em dia só tenho uma por companhia (e ainda bem), e muitas amizades.
Da experiência que recolhi ao longo de uma vida passada na área das relações interpessoais, verifiquei que as mulheres:
– optam por pedir menos regalias para alcançarem um determinado objectivo;
– muitas vezes utilizam as suas capacidades de sedução em detrimento da competência e do esforço;
– têm de se esforçar mais do que um homem para prosseguir na carreira se não quiserem utilizar os dois enunciados anteriores;
– tendem a ser mais autoritárias quando colocadas em cargos de chefia:
– são mais resistentes à rotina, têm uma maior produtividade muito embora tendencialmente tenham um absentismo ligeiramente mais elevado;
– tem dificuldade em gerir equipas do sexo feminino, pois as subordinadas tendem a fazer-lhes obstrução permanente;
– são mais organizadas, cumpridoras de objectivos e mais dinâmicas;
– têm mais facilidade em contornar dificuldades.
Por muito brutos que alguns homens sejam, cabe às mulheres impor o respeito que lhes é devido, pelo que espero que corrijam rapidamente os seus defeitos e aproveitem para expor os defeitos dos que se lhes opõem.
Factos e curiosidades sobre Manuela Ferreira Leite
Manuela Ferreira Leite irá ficar na memória colectiva como uma figura absolutamente exemplar e irrepetível. Não há, nem haverá, outro político que alcance feitos sobre-humanos como os já registados:
– Provou que Menezes podia ser ultrapassado tanto na quantidade como no tamanho dos disparates. Alguns especialistas em ciências cognitivas consideram que estamos perante alguma coisa só comparável ao que seria conseguir ultrapassar a velocidade da luz com meio depósito de gasóleo.
– É o primeiro líder partidário que não está no Governo, não está no Parlamento e não está na oposição. Na verdade, ninguém sabe onde foi parar, a começar pelos militantes do partido. O desespero tem dado lugar a bizarros comportamentos, vendo-se pessoas a gritarem pelo seu nome em vãos de escadas, outros a virarem calhaus com restos de material de campanha do Marques Mendes e ainda alguns passeando-se na Baixa pombalina, durante o dia, com lamparinas acesas e um olhar perscrutante e angustiado. Entretanto, surgiu uma teoria na Internet que relaciona o desaparecimento da senhora com a Física e a Teoria das Cordas, a qual pressupõe um universo com 11 dimensões. A tese admite que a Manela possa estar refugiada numa dessas dimensões extra, o que também ajudaria a explicar o desconcertante fenómeno de ainda ninguém conhecer as propostas do PSD. É que nesta arquitectura da realidade haverá dimensões que nos são invisíveis e inacessíveis. Calhando estar guardado nalguma dessas dimensões o programa, ou que fosse só o esboço do programa, ou mesmo uma vaga ideia do rascunho do esboço do programa, mesmo assim seria sempre inglório pois não lhe poderíamos chegar. Uma votação online, a decorrer só entre prestigiadas universidades, vê no desaparecimento de Ferreira Leite um importante sinal de que o Universo é muito mais espaçoso do que se pensa.
– Preside a um partido que acabou 3 meses depois dela ter vencido as eleições. Desde 7 de Setembro que o PSD não existe. É um partido onde os deputados não aparecem nas votações, onde um dos militantes humilha o Presidente da República e a Constituição sem ouvir um único reparo dos dirigentes nacionais, onde o mesmo militante ameaça fundar outro partido, onde coabitam figuras mais do que sinistras como Valentim e Dias Loureiro, onde o melhor candidato para a Câmara de Lisboa foi reconhecido pela actual Presidente como sendo um dos piores candidatos para o PSD e para o Governo, onde o presidente cessante é o maior adversário da actual direcção, onde o ideólogo Pacheco só pensa em destruir os Magalhães e a redacção do Jornal da Tarde na RTP, onde António Sampaio e Mello se demitiu do Gabinete de Estudos do PSD por ninguém lhe ligar pevide e ainda foi brindado com um chorrilho de mentiras à saída por parte de gente muito graúda da casa, onde as sondagens ameaçam um cenário em que o PSD fique abaixo dos 20%, onde o cavaquismo finalmente se revelou no seu esplendor enquanto sociedade lusa dos mais desvairados negócios.
– Como ninguém se lembrou de avisar a Manela de que o partido já tinha fechado as portas, ela aceitou participar na entrevista deste dia 15. Tratou-se de uma entrevista fantasma, assombrada pelo delírio eleitoral, por isso nada do que disse é tangível. O espectro atravessou as paredes da lógica, da responsabilidade e da sensatez, arrastando correntes e guizos, mas só as crianças se assustaram, entre dois bocejos.
– Com a Manela e o PSD cai um Portugal salazarento, corporativo, apolítico. A propalada vocação para o poder, para o governo, para a gestão, que fez o mito do cavaquismo, era um completo bluff. Esta gente é vulgar de Lineu, ignara e bruta, não ambiciona mais do que o bandulho cheio para si e para os seus. Por isso não aparecem alternativas e quadros de qualidade, pois nunca foi essa a cultura do PSD depois de Sá Carneiro. O que se tem premiado é a falta de escrúpulos, a vulgaridade concupiscente. E deu nisto: Barroso, Santana, Mendes, Menezes, Ferreira Leite. Quem se segue no ciclo da demência, o Bota?
Os imbecis não querem sarilhos com os muçulmanos
Uma primeira atitude fundamental é um respeito. E um conhecimento. Nós somos muito ignorantes, nós queremos dialogar com os muçulmanos e não gastámos uma hora da nossa vida a perceber quem é que eles são… Quem é que em Portugal já leu o Alcorão? E, no entanto, se nós queremos dialogar com muçulmanos, nós temos que saber o b-a-bá! – da sua compreensão da vida, da sua fé. Portanto, a primeira coisa é conhecer melhor, respeitar!
Do mesmo homem que teve a coragem de dar nome aos bois na defesa das mulheres
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A Igreja Católica excita os imbecis. Isso acontece porque os imbecis sabem que os católicos não têm qualquer possibilidade de fazer mal aos imbecis que querem fazer mal aos católicos. Estes imbecis dizem-se de esquerda, estabelecendo-se uma correlação tripla: quão mais de esquerda se reclamam, mais atacam a Igreja e mais imbecis se revelam. É uma equação que não falha.
Na verdade, os imbecis da esquerda imbecil gostam de atacar os católicos porque a sociedade onde todos vivem, católicos e imbecis, é secular. Se estes imbecis estivessem em sociedades teocráticas seriam menos esfuziantes, mais discretos. Não? Pois, talvez não. Mas só saberemos quando o virmos. Temos de esperar que os imbecis da esquerda imbecil comecem a secularizar onde a secularização significa afrontar culturas e poderes que são menos pacholas do que os nossos católicos domesticados.
Quanto à roleta das declarações de Policarpo, só há um lamento a fazer: que pena tamanha autenticidade ser tão rara; e daí parecer tão estranha.
Ver a distância
A série Mad Men tem uma desvantagem face aos Sopranos: o território parece mais próximo, mesmo com a deslocação temporal para 1960, o último ano da década de 50. Quase todos nos cremos conhecedores do mundo da publicidade, já quanto ao universo dos mafiosos a literacia é só a que vem dos filmes. O preconceito cria inércia e leva a uma curva de aprendizagem mais longa. Porém, assim que se dominar o código, assim que o olhar se focar para além do 1º plano de identificação com os clichés, reconheceremos a continuidade do estudo começado em 1999 com a Dra. Jennifer Melfi e o seu paciente favorito, Tony. Na verdade, tudo começou em 1972 com The Godfather, mas essa é outra (embora a mesma) história.
Quem conhece o meio enche a pança com o subtexto. A publicidade atrai preguiçosos, egocêntricos, canalhas, mentirosos, paranóicos, biltres, vaidosos, pífios, esquizóides, cobardes, tiranetes, narcisistas e psicopatas; animais invariavelmente bem-dispostos, agradavelmente vestidos e hábeis na simulação de um saber que não têm nem alguma vez poderão vir a ter. Representam a condição humana, claro.
Randa Nabulsi choca de frente
A representante da Autoridade Palestiniana em Portugal desfez as dúvidas: a culpa do terrorismo que se abate sobre Israel é do próprio Israel. Isto equivale a legitimar o terrorismo, visto como resposta adequada. Creio que a enorme maioria dos que tomaram partido por este lado da barricada comunga do raciocínio. É por isso que PCP e BE, mas também muitos outros no PS e alhures, não se alvoroçam com os actos de terror. Uma parte da explicação estará na cobardia de se manifestarem contra indivíduos que sabem não respeitar qualquer lei ou ser humano, mas esta consciência fica recalcada. O seu silêncio embrulha-se na desculpa da assimetria, indo dar a estes raciocínios:
Houve apenas 3 israelitas mortos, em 8 anos, e 12 foram feridos. […] Um acidente viário pode resultar em mais mortes do que estas.
Eis o algoritmo do horror: vale tudo desde que a aritmética possa ser invocada. Quantos morreram no 11 de Setembro? 2.974 pessoas, uma gota no número de mortos causados pelos EUA, Israel e aliados ao longo dos anos, séculos. Esta abstracção, que une fundamentalistas religiosos com fanáticos marxistas, tanto pode ir buscar às Cruzadas motivos para assassinar inocentes como os escolher para alvo pelo aleatório facto de estarem no local errado à hora errada. Os bombistas de Londres e Madrid não se importavam de ir matar também muçulmanos, hindus, budistas, agnósticos e ateus, já para não falar nas nacionalidades, sexos, profissões e idades dos massacrados. Aliás, o sentimento de impunidade, e sua pulsão martirizante, obriga a que se anule a noção de inocência. Não há inocentes, só injustiçados a quem a divindade cauciona a destruição, de um lado. Do outro, só algozes e seus cúmplices, mesmo que alguns destes cúmplices estejam a favor da causa dos bombistas, contra as políticas dos seus Governos ou, tão-somente, tenham uma mochila às costas com os livros da escola primária.
Cada morte injusta compromete por igual toda a Humanidade. Não há mortes de inocentes que valham mais do que outras. Os imbecis que comparam números são coniventes com a matança. Daqui, a primeira posição ética perante um conflito que regista injustiças de parte a parte ser a de recusar a violência maior, o terror. Quem se faz rebentar no meio de civis ou manda bombas pelo ar para zonas de habitação, e quem o apoia, é nosso inimigo. Um tipo de inimigo que não merece qualquer piedade.

