Sabedoria de Teófilo

Oferta do nosso amigo teofilo m., nesta conversa. O registo descritivo e o depurado remate são um excelente material para abrir discussões que a maioria das mulheres ainda tem muita dificuldade em assumir.

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Declaração de interesses:

Já tive mulheres como colegas, como subordinadas, como hierarquia, hoje em dia só tenho uma por companhia (e ainda bem), e muitas amizades.

Da experiência que recolhi ao longo de uma vida passada na área das relações interpessoais, verifiquei que as mulheres:

– optam por pedir menos regalias para alcançarem um determinado objectivo;

– muitas vezes utilizam as suas capacidades de sedução em detrimento da competência e do esforço;

– têm de se esforçar mais do que um homem para prosseguir na carreira se não quiserem utilizar os dois enunciados anteriores;

– tendem a ser mais autoritárias quando colocadas em cargos de chefia:

– são mais resistentes à rotina, têm uma maior produtividade muito embora tendencialmente tenham um absentismo ligeiramente mais elevado;

– tem dificuldade em gerir equipas do sexo feminino, pois as subordinadas tendem a fazer-lhes obstrução permanente;

– são mais organizadas, cumpridoras de objectivos e mais dinâmicas;

– têm mais facilidade em contornar dificuldades.

Por muito brutos que alguns homens sejam, cabe às mulheres impor o respeito que lhes é devido, pelo que espero que corrijam rapidamente os seus defeitos e aproveitem para expor os defeitos dos que se lhes opõem.

22 thoughts on “Sabedoria de Teófilo”

  1. Os homens talvez não utilizem tantas vezes a sua capacidade de sedução para alcançarem qualquer coisa porque quem teriam de seduzir são frequentemente… homens. E mesmo assim…

    O glass ceiling que, em igualdade de circunstâncias, impede ou dificulta a progressão das mulheres é muito conhecido. Há bons estudos recentes.

    Nesta lista eu vejo, de resto, mais qualidades do que defeitos nas nossas sócias, Teófilo.

  2. O outro ponto de vista:

    – Tenho as mesmas regalias que os meus colegas homens (talvez mais uma ou outra mas como consequência de uma função especifica que desempenho)

    -nunca utilizei capacidades de sedução para progredir na carreira/obter emprego. Tenho objectivos mensais, trimestrais e outros. Alcanço-os com muito esforço e dedicação.

    – Já chefiei (opsss, coordenei) perto de 100 pessoas com quem sempre tive bom relacionamento. Quando fui chefiada por mulheres tive boas e más experiências. Tal como com homens. Cada caso é um caso.

    – Nunca faltei mais do que qualquer colega homem. Pelo contrário.

    – Nunca tive mau relacionamento com subordinadas mulheres. A “obstrução permanente” só em sentida por chefias inseguras. E a insegurança não tem género.

    Acho que esta discussão é, à partida, falaciosa. Cada caso é um caso, cada profissão é diferente de outra e sobretudo, como disse o Teófilo m, cabe à mulher impor respeito. Em resumo nunca me comportei de forma diferente dos meus colegas homens, nunca exigi regalias por ser mulher, nunca faltei a qualquer compromisso profissional por ser fora de horas logo nunca me trataram de forma diferente.

  3. Maria Bolacha, mas o teu caso pessoal será comum? Isto é, corresponderá à grande maioria das situações? É que também pode ser falacioso ignorar os índices estatísticos.

  4. Certo, Valupi, erro meu focar a discussão no meu caso pessoal.

    Mas eu não trabalho há dois dias e garanto-te que sempre fui mulher, sempre trabalhei com mulheres (e homens), tenho amigas mulheres e conheço percursos profissionais de mulheres que são invejáveis.

    Estamos no século XXI e eu nunca senti, nunca vi, nunca soube de histórias em que as mulheres sejam tratadas de forma diferente apenas por serem mulheres (apesar de nalguns casos ter sido um grande álibi).

    Claro que pode haver uma ou outra entidade patronal mais retrógrada que discrimine as mulheres. O mesmo se aplica a negros, gordos, com tatuagens, cabelos compridos, velhos, etc.

    Mais importante é que só se pode exigir igualdade de direitos quando se oferece igualdade de deveres, o que, nalguns casos, não existe (por n motivos).

    Quantos aos estudos (e foi assim que designaste no outro post) têm a credibilidade que têm e são validados por quem os quiser validar. É certo e sabido que na maioria dos casos por cada estudo publicado aparece logo outro para o contrariar. BTW será correcto basearmo-nos num estudo inglês, cuja realidade é tão diferente da nossa? Sabias que, segundo o INE, Portugal é um dos países da UE com uma das mais elevadas taxas departicipação feminina na actividade profissional? (62,3%, em 2006) Assim sendo trabalhar, chefiar, competir ou ser mandada apenas pelos outros 37.7% é penuts…. perdão, canja.

  5. Tanto o T. como a Maria têm razão , a meu ver. Ele há pessoas competentes e ele há pessoas incompetentes. O caso dela não é assim tão incomum . Também não falto ao trabalho e outras coisas que tais . Julgo é que uma mulher para ser verdadeiramente respeitada a nível laboral tem de ser o dobro ( é um dizer) de competente relativamente a um homem. Enquanto as falhas aos homens nunca , ou quase nunca , lhes são atribuidas por serem homens , às mulheres … não é bem assim ( está com o período , é loira , e outras gracinhas)

  6. Suponho que posso acrescentar mais coisas , não sei é se queres saber , mas , vá lá , sê condescendente , já sabes , as mulheres a dar a língua…
    Tenho 2 actividades profissionais , uma como empregadora e outra como profissional liberal.
    O que aprendi como empregadora : prefiro mulheres , obedecem melhor , ele não há cá egos ofendidos de macho alfa ; as minhas meninas são todas diferentes , não lhes posso pedir as mesmas coisa , o segredo está em perceber as suas competências e usá-las ; a diferença emtre um 9º ano e um 12ª é abissal , não pelos conhecimentos teóricos , mas sim pelos relacionais ; falso o absentismo mulheril , os rapazes que vão á discoteca faltam bué ( ou seja , homem sem responsabilidades familiares é tão absentista como uma mulher com filhos) ; também aprendi que ele há mesmo pessoas que não nasceram para trabalhar ( muitas ) e são um caso perdido. E o IEFP devia ter uns cursos sobre quais os comportamentos a ter no local de trabalho , tipo : telemóvel e problemas pessoais ficam no cacifo ( era isto que antigamente se aprendia na escola , não era? ). E pronto , lá que há umas ciumeiras , há , mas também as há entre homens.

    Como profissional liberal não gosto de trabalhar em equipa , seja mista ou só mulheres. Prefiro trabalhar sozinha , acabo mais depressa. Mas reparei que algumas mulheres , as do T. , tendem a promover rapazes que não lhes façam sombra. Nem sequer promovem os melhores , só aqueles que não representam perigo. Mas suponho que o mesmo se passará com os homens.e as promoções estejam destinadas a sempiternos subalternos. Isto num mundo de promoções sem serem feitas directamente pelo patrão ( como aquela coisa da escola) . Quando é o patrão ( homem ou mulher ) a promover , promove sempre bem : o seu lugar não está em causa.

  7. Então vai aqui o meu caso particular para contrapor as asserções da Bolacha Maria:

    – É verdade. Não peço o euromilhões ao patrão.
    – Sou uma sedutora nata dentro e fora do campo profissional.
    – Esforçar-me mais do que um homem para atingir determinado objectivo? Não, sou igual a mim própria. Dou o melhor de mim. Ponto final.
    – Não, em cargo de chefia, tenho é tendência a ouvir as opiniões de toda a gente. Não gosto de autoritarismos.
    – Nunca faltei ao trabalho desde que trabalho.
    – Prefiro gerir equipas de sexo feminino. Os homens olham de alto a baixo: “O que é que esta miúda quer?”. As mulheres ouvem e tenta-se sempre arranjar a melhor solução para determinado problema.
    – Sim, sou organizada, metódica, cumpridora de objectivos.
    – É verdade, contornam-se melhor as dificuldades, mas defendo que isso é possível com uma boa equipa, de preferência feminina (desculpem lá os homens, mas é mesmo assim). Aliás, os homens têm tendência a serem uns teimosos burros e gostam de teimar no erro, mesmo que reconheçam esse mesmo erro. (após esta afirmação, sei que vou levar muitas, lol).

    Finalmente, assumo-me com inúmeros defeitos, mas adoro ser mulher :-)

  8. (Sou uma crente, o que se há-de fazer? Não me deixo iludir por palermices passadas e vejo em cada comentário a oportunidade para ler coisas sensatas. Coerentes, pelo menos. Às vezes engano-me.)

  9. As experiências pessoais não nos podem fazer esquecer as realidades e tendências por vezes dominantes. Todos conhecemos excepções a qualquer verdade estatística, que não deixam de ser isso mesmo, excepções ou tendências minoritárias. Também há carreiras e profissões onde convém ser mulher ou gay para avançar…

    Apesar das enormes transformações verificadas neste domínio nas últimas décadas, isto é, desde a chegada em massa das mulheres ao mercado de trabalho e às universidades, ainda hoje há “tectos de vidro” de género, além de outros. Há-os em países mais desenvovidos e civilizados do que Portugal. Mas que a sociedade portuguesa hoje é muito diferente de há 30 anos atrás, lá isso é, sim senhora, Maria Bolacha.

  10. Há no post do Teófilo uma palavrinha, sedução, que é ambígua e malandra, pelo que sugere. Em sentido lato, seduzir é cativar, agradar, fazer alguém atentar em (ou gostar de) nós, independentemente de se ter ou não um fim “prático” em vista. Também não é forçoso que seduzir envolva sexo ou coisa parecida. Mas há uma velha ideia de que – num mundo dominado por machos, explicam os sociólogos – as mulheres se servem de trunfos físicos e outros encantos, por vezes até vão para a cama, para conseguirem os seus intentos junto de quem tem poder. Eu acho porém que, havendo mais mulheres no poder, assistiremos cada vez mais a fenómenos simétricos.

  11. Há quase 24 horas que se comenta neste sítio e ainda ninguém se lembrou de referir um outro tipo de exploração do homem pela mulher no local de trabalho. Quando elas usam como artimanha pôr-nos a trabalhar para elas, tirando partido da nossa tendência para ajudar o sexo fraco, na sua suposta fragilidade. Até em casa isso acontece: Querido, importas-te de ligar o computador no site da Redute? Cada vez entendo menos desses Outlook , Internet Explorer, Favoritos, etc.!
    E o papalvo lá vai, com um sorriso condescendente fazer o trabalhinho. È certo que não o faz por altruísmo puro, pois recebe como paga uma massagem ao ego, e a esperança de, quem sabe, alguma outra massagem menos incorpórea, acumulados que sejam vários créditos.

  12. Maria Bolacha, não tenho qualquer dúvida sobre o teu percurso profissional, nem sobre a tua rede social onde abundem exemplos similares. Creio que em certas áreas profissionais mais qualificadas a discriminação tenderá a ser menor, ou nenhuma, ou encapotada, ou subtil. No entanto, e como fazes referência à fonte, as questões da igualdade de género aparecem nas estatísticas do INE. No outro texto incluí uma ligação para um estudo americano genérico, mas também outra ligação para um estudo de 2008 relativo a Portugal, o qual partiu dos dados do INE. Aliás, as questões da igualdade de género têm boa visibilidade, embora pelas piores razões: os salários continuam com diferenças, há maior desemprego entre as mulheres e um longo etecétera.

    Obviamente, e também como já referido, muito mudou com a democracia e a crescente presença das mulheres no mercado de trabalho, também crescentemente com mais qualificações. É por isso que o comentário do teofilo m. poderia levar a um passo seguinte na reflexão sobre o fenómeno, pois há óbvias diferenças de género, apesar de todas as igualdades.

    Quanto à multiplicidade dos estudos, cuidado com a tua caricatura. Não é por existirem estudos contraditórios que ambos estão errados ou todos são inúteis. Aplica-se o teu repto: cada caso é um caso, cada estudo é um estudo.
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    mf, muito obrigado pelo teu valioso testemunho. Está com excelentes pistas de reflexão.
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    claudia, essa ideia de preferires trabalhar só com mulheres é algo que pede investigação, tanto social como cognitiva. Porque não duvido da maior eficiência e eficácia assim alcançadas. Claro que há situações onde a tua experiência adquire mais sentido, e outras menos, mas à mesma é uma questão fascinante.
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    Z, pois.
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    Nik, essa manipulação do apelo sexual (a sedução, tomada genericamente) é aprendido desde a infância, traduzindo-se no cuidado com a aparência, a “beleza”. É inevitável que seja um recurso utilizado de múltiplas maneiras e com díspares intenções. Aliás, começará por ser um automatismo, uma modalidade inerente à socialização e à resolução de conflitos.
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    Manolo Heredia, o teu relato parece um anúncio a recrutar rapaziada para a entrada em cursos de informática e engenharia de sistemas.

  13. Bolacha Maria, as minhas afirmações podem não ser aparentemente opositórias às tuas, porém ao ler a tua escrita, senti-me uma bolacha com cobertura de chocolate à beira de uma bolacha freirática e desenxabida como a de água e sal.
    Não gosto de mulheres que se equiparam ostensivamente aos homens, relegando o toque feminino para o campo do inexistente.

    Valupi, investigação social e cognitiva… Vou pensar nisso. Talvez eu não goste de concorrência masculina :-P

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