Muito se fode no emprego

Segundo este estudo, as mulheres que procuram trabalho acabam vítimas de um Catch-22 nas entrevistas: se mostrarem confiança e ambição, embora valorizadas como competentes, são vistas como problemáticas; se mostrarem humildade e espírito de equipa, embora apreciadas como colaboradoras, são vistas como medíocres. É bera? É pior: um cabrão qualquer que se mostre confiante e ambicioso é, e por essas mesmas características, apreciado e visto como competente. Será ele o contratado. E lá dentro será ele o promovido. Por isso as mulheres continuam a trabalhar menos, ganhar menos, mandar menos.

Esta segregação de género é um dos maiores desperdícios de inteligência que me é dado testemunhar. Os imbecis que a perpetuam ainda obedecem a milénios de condicionamento cultural, repetindo no local de trabalho uma matriz biológica e patriarcal onde a mulher só pode ser fêmea e serviçal. Para estes nababos do masculinamente correto, as mulheres servem apenas para foder: em casa e no emprego. Mas no emprego dá mais gozo.

17 thoughts on “Muito se fode no emprego”

  1. bem Valupi mas eu conheço um caso ao contrário: num departamento dominado por maioria de mulheres puseram três homens na rua de uma maneira ou de outra, os que não eram dominados por elas,

    não aconselho a experiência

  2. Acredito, Z, pois consta que as mulheres também são seres humanos. Mas é no conjunto estatístico que elas são vítimas, não nos casos concretos onde fazem vítimas (ou se fazem de vítimas, como estratagema ancestral).

  3. Não fazendo parte desse conjunto estatístico, admito, sim, situações vergonhosas e degradantes para as mulheres. O pior é elas calarem por medo de perderem o emprego e das represálias subsequentes. Em geral, os “aproveitadores” arranjam sempre maneira de transformar a vítima no carrasco difamador.

  4. Sim, é inaceitável a descriminação de género e o abuso ou mesmo opressão sexual, demasiado generalizadas.

    Felizmente que a situação está a melhorar, também em Portugal, embora menos no segundo aspecto do que no primeiro (e haver uma líder partidária num dos Partidos maiores não deixa de ser um indicador interessante).

    Parece-me que em especial na Administração Pública, Central e até Local (não tanto na Regional, vá lá saber-se porquê: não haverá mulheres em quantidade, ou qualidade, nos Açores e na Madeira?…) as melhorias têm sido notórias, sobretudo desde o 25 de Abril, evidentemente.

    Por mim já estou perfeitamente habituado à evolução, tanto que já quase nem dou pelos sintomas da (ainda mais comum) descriminação: já tive uma Chefe de Divisão, uma Directora de Departamento, uma Directora Municipal e até uma Presidente de Câmara!

    E considero a minha própria Mulher muito mal aproveitada no seu trabalho (apenas medianamente qualificado), dadas as suas capacidades intelectuais…

  5. Pela minha experiência posso garantir que o pior que pode acontecer a uma mulher no seu local de trabalho é ter como chefe um tipo inseguro, em relação às mulheres, bem entendido! Se não lhe mostramos os dentes em rasgados sorrisos, se não demonstramos algum interesse pela sua pessoa, estamos feitas! Nada fazem por nós e assim vamos ficando para trás! Mais, neste caso, o melhor é não mostrar um pingo de inteligência! Receiam que sejamos capazes de lhe detectar os erros! O facto de uma mulher manter a coluna vertebral direita e cabeça erguida é um forte motivo para a quererem eliminar! Incomoda-os!

  6. pois eu cá para mim entendam-se o melhor possível e eu vou para a selva uns tempos. Valupi: já disparei o tiro noosférico que espero ajude a sair do ciclo, as time goes by, borboleta cauda de andorinha, Papilio machaon , já tá a pixelar

  7. Z, afinal o tigre da tasmania só veio confirmar que a promiscuidade é que é bom em termos evolutivos, que é como quem diz, chefes e subordinadas cruzem-se, e vice versa.
    O poder de sedução das mulheres junto dos homens está longe de ser um aspecto negativo no mercado de trabalho. Qualquer sorriso bem apessoado nos queixos do chefe garante promoção à frente de colegas machos que estão em igualdade de circunstâncias para a promoção. A não ser que se trate de mulher-camafeu, e essas não fazem falta nenhum no local de trabalho! lol.

  8. cá por mim tudo bem, mas eu prefiro ser outsider em relação a coisas como pareceres e relatórios de avaliação, agora tomei-lhe o gosto com o outlier, e ainda bem.

    De resto eu cruzo-me muito por aí, mas é fora do local de trabalho pensava eu, às tantas vou descobrir que não, se calhar, a selva tem costas largas e o selvagem…

    bzum-> esticar patas

  9. Isto das experiencias pessoais vale o que vale, e a minha é:

    a) Na segregação do género há uma diferença significativa entre os sectores público e o privado, com o privado muito pior que o público.

    b) Os mecanismos de entrada e progressão na carreira, por menos arbitrários, talvez tornem o sector público menos permeável a essas práticas.

    c) O melhor é fazer um estudo, para tirar isto a limpo.

  10. Lá está. Cada um tem as suas experiências.
    Como mulher, devo dizer que nunca senti qualquer tipo de discriminação. E nem concordo que o sector privado é pior que o publico. Os objectivos estão bem estipulados e são iguais para todos os géneros. Os que cumprem vão tendo progressões na carreira e os que não cumprem, não. O que conta no sector privado são os números e os números atingem-se com o cumprimento dos objectivos. E cada vez cruzo-me com mais empresas cujas chefias são atribuídas a mulheres.

  11. Declaração de interesses:

    Já tive mulheres como colegas, como subordinadas, como hierarquia, hoje em dia só tenho uma por companhia (e ainda bem), e muitas amizades.

    Da experiência que recolhi ao longo de uma vida passada na área das relações interpessoais, verifiquei que as mulheres:

    – optam por pedir menos regalias para alcançarem um determinado objectivo;

    – muitas vezes utilizam as suas capacidades de sedução em detrimento da competência e do esforço;

    – têm de se esforçar mais do que um homem para prosseguir na carreira se não quiserem utilizar os dois enunciados anteriores;

    – tendem a ser mais autoritárias quando colocadas em cargos de chefia:

    – são mais resistentes à rotina, têm uma maior produtividade muito embora tendencialmente tenham um absentismo ligeiramente mais elevado;

    – tem dificuldade em gerir equipas do sexo feminino, pois as subordinadas tendem a fazer-lhes obstrução permanente;

    – são mais organizadas, cumpridoras de objectivos e mais dinâmicas;

    – têm mais facilidade em contornar dificuldades.

    Por muito brutos que alguns homens sejam, cabe às mulheres impor o respeito que lhes é devido, pelo que espero que corrijam rapidamente os seus defeitos e aproveitem para expor os defeitos dos que se lhes opõem.

  12. olha Valupi que engraçado, nos séculos XVI/XVII era assim na Africa Oriental:

    «(…) tendo sido aqui adoptado o sistema de “prazos” – isto é concessão de terras em enfiteuse, por períodos de três vidas, contra o pagamento de um foro, mas com passagem por linha feminina – (…). Estas donas ou sinharas ficavam na posse de unidades territoriais com três léguas de comprimento e uma légua de largura.»

    Pedro Dias, África Oriental e Golfo Pérsico

  13. Muito bons contributos, ó malta. Eu tenho visto a discriminação no privado. No público é tudo mais formal, pelo que haverá menos e cada vez menos ou nada. Ficou famoso o caso do BCP, mas casos como esse são a secreta norma. Muitos empregadores começam logo por recusar mulheres por causa da possibilidade de gravidez. Outros não sabem como comunicar com mulheres, pelo que nunca as colocariam em cargos de proximidade e poder. E muitos apenas querem bonecas, mais ou menos disponíveis para o gasto hormonal. Esta caricatura grosseira (pois sim, claro, inúmera excepções e depende dos sectores de actividade, etc.) tem mais realidade do que menos.

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