Portuguese Dream

A TSF anda desde 22 Setembro a estragar as manhãs aos pessimistas. Ou as tardes. O estratagema consiste na emissão do programa Made in Portugal. É uma injecção de optimismo que dura 3 minutinhos. Tempo suficiente para descrever a actividade, e registar os testemunhos e resultados, de empresas que criam riqueza. Sim, ao que parece, há quem consiga inovar, exportar e empregar cada vez mais e cada vez melhor. E isto no mesmo Portugal da crise e das crises, do atraso e dos atrasados.

PCP e BE odeiam empresas deste género. Porque elas representam o oposto das ideologias venenosas que entram em maníaco frenesim com manifestações, greves, boicotes, populações tomadas por pânicos irracionais, professores a comportarem-se como rufias, putos a destruir bens públicos e privados em Atenas, desgraças palestinianas, católicos. A indústria da política-espectáculo, no seu mais despudorado e perverso exercício, é agora um exclusivo da esquerda imbecil, continuamente actualizando os preceitos leninistas. Para um comuna, estar a procurar desenvolver um negócio que seja competitivo não é apenas uma perda de tempo, é também uma ofensa para todos aqueles milhares de trabalhadores que só ambicionam a mama do Estado ou que odeiam o patronato precisamente por este lhes dar emprego. Os dirigentes e operacionais do PC e BE, escudados nas prebendas e mordomias que advêm dos seus cargos públicos ou por serem estrelinhas da comunicação social, mantêm o proletariado em permanente alienação utópica à custa da anulação da inteligência. Por isso os casos de sucesso empresarial são a maior ameaça à sua manipulação ideológica. Provam que a dedicação, o estudo, a criatividade, a liberdade e a vontade continuam a ser características dos vencedores.

Há centenas de milhares de portugueses com estas características. Alguns participam em debates radiofónicos, outros escrevem para jornais, falam nos cafés, são entrevistados na rua, criam o seu blogue, participam na vida comunitária de inúmeras formas. São pessoas que se adaptam a qualquer cultura de competência. Muitos emigraram, desde os Descobrimentos, e realizaram os seus sonhos no estrangeiro, com estrangeiros que se tornaram concidadãos e família. São os verdadeiros optimistas, aqueles cujo sonho começa nos exemplos de quem ousa criar riqueza.

55 thoughts on “Portuguese Dream”

  1. Oiço diariamente a TSF, que considero a rádio do Governo, tipo Diário de Notícias ou RTP1. Não que eu seja situacionista mas porque me parece mais informativo ler as entre-linhas dos órgão situacionistas que ler as linhas dos órgãos oposicionistas.
    Neste caso é mais do mesmo, toma-se a parte pelo todo para desvalorizar as dificuldades reais que os desempregados têm para encontrar uma ocupação remunerada. Só estão desempregados porque são calões e têm falta de imaginação… Faz-se a divulgação dos casos de sucesso mas nunca se publicita quando estas empresas vão à falência. Muitas vezes 2 anos depois, carregadas de calotes que nunca pararão aos fornecedores e empregados. Faz lembrar o Milagre Irlandês dos anos 90 que hoje é um dos países mais atingidos pela crise internacional, não obstante a língua e as ligações genéticas ao amigo americano. Faz lembrar também os milagres de inovação na agricultura, com direito a reportagem da visita do presidente da República que, menos de 2 anos depois passamos por lá e está tudo a mato!

  2. Também gosto desse programa, embora não tivesse fixado o nome. Já aqui falámos de optimismo/pessimismo. Há mais mundo para além dessa dicotomia. Correndo o risco de ser chato e acaciano, prefiro sempre a sensatez: optimismo qb., espírito de iniciativa e desafio (que é igualmente necessário no Estado), mas assente em realismo e responsabilidade social, logo em valores éticos (verdadeira ética, não qualquer ideologia opusiana).

    Penso que há muitos optimistas inveterados e acríticos, com mais presunção do que sentido das realidades, desprovidos de sentido ético, sempre prontos a meterem-se em negócios furados ou a furá-los eles próprios com a sua enorme ganância e basófia auto-suficiente, descarregando depois responsabilidades sociais e danos financeiros sobre quem teve o azar de confiar neles.

    Subscrevendo o que diz Manolo, veja-se o que aconteceu e está a acontecer agora a muitos “vencedores” e “empresários de sucesso” nossos conhecidos, pequenos e médios madoffs lusitanos. E alguns até nem eram trafulhas ou especialmente temerários, simplesmente não souberam aguentar o barco por incapacidade para preverem cenários reais. Ou por terem embarcado em cantos de sereias.

    A esquerda tem um papel importante em pedir contas a essa gente e fazer-lhes lembrar realidades que vão para além do seu umbigo de “vencedores”. Mas é tudo sempre uma questão de medida e dose, o tal realismo chato, para se não matar a iniciativa e a vontade de inovação. A esquerda portuga teria muito a aprender com a social-democracia europeia, mas sempre nutriram por ela o maior dos desprezos. ideológicos.

  3. o amigo Valupi está sempre a puxar pelo positivo, admitindo que não tens interesses ligados ao governo e ao PS porque também pode acontecer, nem é nada de mal serias apenas mais um. Já há muito que não sei nada da Irlanda.

    mas com a dívida externa a chegar aos 100% do PIB estamos bonitos, e não há a quem pedir responsabilidades, tudo se diluiu excepto o peso,

    o que mais me custa é constatar que a democracia promoveu, é um facto, todo o embuste e a derrocada subsequente, não vejo como escapar a esse juízo

  4. Nik, que sejam aventureiros tudo bem, que sejam trafulhas muito mal, mas muitíssimo pior é o aproveitamento que se tem feito desses “caso modelo” para fazer propaganda partidária e para por essa propagenda ao serviço de objectivos menos sérios. Não sei se esses empresário-modelo não farão parte de um esquema do tipo, tu dás-me a publicidade de que necessito para que o meu negócio funcione e eu dou a cara de empresário-modelo. Isto porque o sucesso de muitos desses empreendimentos exemplares está na propagenda de borla que a máquina do poder faz nos meios de comunicação. Por exemplo a empresária de pão do Odeáxere, que duplicou a venda de Pão depois da publicação da entrevista, de 1 página inteira, no Diário de Notícias. Claro está que na entrevista, essa senhora pôs lá todos os ingredientes que interessava ao Poder: a marido ficou desempregado e ela lembrou-se de ir buscar ao baú uma receita do pão que a falecida mãe usava para fazer pão lá em casa. Como se fosse possível montar uma padaria industrial desta maneira!

  5. Z, pode crer que o ou a Valupi acabou de dar o seu contributo para o clima de mentira que se vive no país. Há tempos justificava-se a recepção super amigável de imigrantes com argumentos demográficos. Nessa altura verificava-se que os acidentes de trabalho nas obras do regime incluíam grande percentagem de imigrantes clandestinos, a trabalhar em empresas de construção certificadas ISO 9001, sem fazerem descontos para a Segurança Social! Como se isto fosse possível num Estado de Direito. Entretanto o IDICT não tinha gasolina para ir às obras de Renault 4! Andam é todos a encher-se! E os meios de comunicação passaram a ser máquinas de atirar poeira para os olhos dos incautos.

  6. Heredia eu sou amigo do Valupi embora não o conheça realmente, pelo menos que eu saiba. Penso que não, penso que o Valupi faz o máximo que pode para puxar pelos aspectos positivos diminutos que ainda existem e resistem. Mas caso ele esteja ligado a interesses da área do PS e do Governo ainda bem, escuso de ficar preocupado. Eu não sou dos que têm inveja dos audis dos vizinhos. Caso ele não esteja, será um idealista puro e aí sim fico preocupado pela derrocada de inocência que o espera, mesmo sendo ele forte, e fortalecido pela sabedoria que transporta.

  7. Z, os audis não têm nada a ver com o que eu escrevi, até porque de hoje em dia ter um audi não é luxo nenhum, dadas as facilidades de crédito e dada a quantidade de stands-à-beira-da-estrada que os comercializam vindos direitinhos das administrações das empresas que fogem à Segurança Social. A questão é saber ou não descodificar a propaganda que o Socras anda por aí a fazer, que por sinal, é de se lhe tirar o chapéu, de eficaz que tem sido. E nós sabemos que não é ele o cérebro. Dele o Governo só aproveita a carinha laroca, o discurso fácil e a capacidade de trabalho. O que não é pouco!

  8. Das duas três, ou o Valupi não está a par das ultimas previsões do “The Economist” ou então gosta de escrever algumas coisas para ver se o sonho se torna realidade ou ainda sabe que é mentira mas acha que se repetir incessantemente se torna realidade.

    Quando fala da mama do Estado está a falar do quê? Da Liscont?

  9. Conhece a história do pessimista e do optimista?

    O pessimista recebe de prenda um carro novo, fabuloso e comenta – Que desgraça, vou ter de certeza um acidente, vou-me partir todo e acabar no hospital.

    O optimista recebe de prenda uma latinha com bosta de cavalo e comenta – optimo, se recebi a bosta do cavalo quem sabe no futuro acabe por receber o cavalo.

    Podemos ser optimistas (e positivos, que está muito na moda, faz parte de qualquer livro de auto-ajuda) mas, parece-me, isso não muda o facto que, na realidade, estamos com uma qrande lata de bosta entre mãos e sem soluções (minimente agradaveis) à vista.

    Só por curiosidade. Por acaso foi nesse programa que entrevistaram uns jovens que estavam a trabalhar num projecto sobre doçaria portuguesa?

  10. tanta confusão, ideologias, partidocracia e tal, para nada. valha-te deus valupi.
    a TSF é apenas a táctica comercial da Controlinveste. lembram-se? aquele gajo do futebol, essa alma-mater do espírito tuga

  11. A TSF é da Controlinveste?

    Então Valupi aproveite enquanto pode para ouvir o programa.

    A Controlinveste deu início a um processo de despedimento colectivo que abrange 122 colaboradores, valor que representa 12,2% da força de trabalho do grupo.
    Em comunicado, a administração do grupo de Joaquim Oliveira justifica a decisão que irá afectar “diferentes áreas das duas empresas” da Global Notícias e da Jornalinveste, empresas que reúnem a área de imprensa do grupo, com a “evolução acentuadamente negativa do mercado dos media, em particular na área de imprensa tradicional, e a profunda quebra de receitas do sector”. Segundo notícia da Lusa, cerca de metade dos dispensados são jornalistas, concentrando-se as rescisões no Diário de Notícias e no Jornal de Notícias, que irão, segundo a fonte da empresa ouvida pela agência noticiosa, dispensar 25 colaboradores cada. No desportivo O Jogo serão cortados 15 postos de trabalho, tendo no processo sido encerrada a delegação do Porto do 24horas, composta por dez elementos. Áreas transversais ao grupo como recursos humanos, contabilidade ou informática também irão ser afectadas pelos cortes de pessoal.

  12. Manolo Heredia, vejo que fazes parte do grupo dos pessimistas. É por isso que preferes falar do que te consola: a falência dos outros. Mas o programa Made In Portugal, da TSF, gasta os seus 3 minutinhos diários a falar de empresas reais, feitas por pessoas reais, as quais apresentam resultados reais. Isto, por mais que te custe, é real.
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    Nik, a dicotomia não passa disso: uma abstracção simplista para representar algo necessariamente muito mais complexo. Mas creio que preferes interpretar o conceito de “optimismo” como análogo ao de “ilusão”. Daí o teu apelo ao “realismo”. Ora, eis o berbicacho: se a realidade for o modo como a concebemos, tanto o optimista como o pessimista poderão estar a ser realistas. Não existe nenhum “realismo” independente do sujeito, isso é que será uma absoluta ilusão.

    Este optimismo com que brinco é provocatório, pretende lembrar que já temos pessimismo a mais, e que esta força desmoralizante, cínica e perversa, tem influência directa nos acontecimentos. Então, que se introduza um antídoto.

    Contudo, e para mim, o real é ontologicamente optimista – o real é, afirma-se, existe, está.
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    Z, a inocência é à prova de derrocada.
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    Ibn, o sonho é já uma realidade. Tens de reler o pai Freud.
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    GL, e eu concordo contigo, caro.
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    AChata, conheço bem essa anedota do pessimista e optimista, um clássico da minha infância ouvido num disco de vinil do Juca Chaves. Quanto a dizeres que não temos soluções à vista, pois o meu conselho é que te juntes rapidamente aos optimistas, os únicos poderão fazer alguma coisa, mesmo inventar as soluções que não existem actualmente. Se ficares ao lado dos pessimistas, o mal duplica: nem as soluções aparecem, nem a companhia é agradável.

    Há vários programas, um por dia desde Setembro. Se consultares o arquivo talvez encontres esse que referes.
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    xatoo, “a TSF é apenas a táctica comercial da Controlinveste”??… Mas que raio de lógica é esta? Que tem esse cinismo conspirativo a ver com o assunto das empresas de sucesso? Serão essas empresas também uma táctica comercial do Governo? E se o País amanhã acordasse sem dívida externa e com sacadas de dinheiro para cada português, isso seria apenas a táctica de Sócrates para fazer de todos nós milionários?

    Aqui entre nós que ninguém nos lê, tu não acreditas em nada nem em ninguém, certo? Qualquer facto que não se encaixe na tua tristeza ambulante é manobra dos inimigos. E assim vais passando por este planeta, convencido de que a tua impotência e inacção se justificam pelo poder dos adversários que tomaram conta de tudo. Toma cuidado, ó pá. Talvez sejas mais livre do que pensas.

  13. és um bravo Valupi e por isso eu não consigo despegar daqui

    claudia: deixa lá estar o JCF quieto a postar que eu gosto de ler e o Aspirina fica com uma colecção magnífica de livros online, serviço à cultura

  14. Cláudia: tens que ir ao médico… Não leste os numerosos cometários sobre aquele assunto do homenzinho do balcão do fotógrafo que fingiu não saber que agora as fotos para o BI e para o passaporte são tiradas nos serviços respectivos. Foi uma batelada de comentários alguns infelizes e maldosos mas isso faz parte do mundo informático…

  15. oh meu andas a brincar com números interessantes, gosto muito de ver Pitagoras e outros de novo ao barulho, mas o problema é o dinheiro chegar às pessoas, certo?

    ou seja; obrigar os bancos a fazer chegar o dinheiro às pessoas, quando não há violência na rua; porque é que pensas que os miúdos na Grécia atacaram os bancos?

    agora não digas que não sabes

  16. Valupi, eu até sou optimista, e sou pelo rigor e pela competência. Na situação actual, o Governo devia dizer a verdade com um discurso optimista e motivador das pessoas, incitando-as a “dar a volta por cima”. Devia explicar-lhes que em tempo de recessão os desempregados devem abrir mão de algumas regalias que chegaram a conquistar e devem aceitar empregos “com menos prestígio” e menos remunerados, porque mais vale um pássaro na mão que dois a voar. Se o não fizerem hoje terão que fazer amanhã, e com muito mais dificuldade. Devia o Governo fiscalizar o trabalho clandestino e de menores, pois ele representa uma dupla perversão, exploração humana e fuga ao fisco e às contribuições para a Segurança Social. Claro que o pequeno patronato fica em pânico sempre que se fala em reforçar os meios da Inspecção do Trabalho. Ao contrário do que pensamos, os brasileiros a trabalhar em Portugal não gostam do ordenado que têm, querem isso sim legalizar-se para depois irem para a Inglaterra ou Alemenha. Entretanto os portugueses também têm que emigrar para esses países se querem arranjar trabalho. Um descontrolo total nas migrações! Se é lógico aceitar imigrantes quando há falta de empregados também é lógico dificultar imigração quando os empregos escasseiam. Se a casa que estou a pagar vale menos hoje que valia ontem esse facto devia refletir-se na hipoteca, para não serem só os compradores a suportar os riscos dos emprestimos que contraem. Era isto que eu queria, Valupi, e muito mais que não cabe aqui.

  17. Sonha, Valupi, sonha!
    «que sempre que um homem sonha
    o mundo pula e avança»
    e bem pode ser, também, com um «Magalhães» nas mãos de cada criança.
    O pequeno computador azul é um exemplo da inovação, do talento e da persistencia em seguir a caminhada, fazendo caminho.
    A «esquerda imbecil» que referes é a herdeira de uma direita reaccionária em vias de extinção. Quem diria! Chega um gajo à “terceira idade”para ver uma merda destas!

  18. Z, O casamento entre homo é como a avioneta do Sá Carneiro, saem da cartola quando menos se espera. E nós sabemos porquê…

  19. Não resisto a deixar aqui este comentário…
    Por estes lados é difícil apanhar a TSF e não conhecia este programa, mas assim que li o post pensei em duas ou três empresas que mereciam um destaque. Uma delas a ISA (Instrumentação e Sistemas de Automação). Foi criada em Coimbra, por cinco miúdos, um deles o meu irmão, assim que terminaram os cursos de engenharia física e de engenharia informática. Hoje, e depois de terem passado grandes dificuldades para conseguirem que nunca morresse, é uma empresa de sucesso que exporta quase tudo o que produz.
    Nem de propósito – hoje, no Made in Portugal, esteve a ISA. E eu sei que é merecido.

  20. claudia, gostei dessa imagem napoleónica: “abalam a blogosfera”.
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    Z, realmente, o tal número é mesmo curioso…
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    Manolo Heredia, o Governo tem tentado passar essa mensagem, mas a infeliz verdade é de que Sócrates não tem amigos. Tudo o que ele tem feito, ou coordenado, tem sido atacado pelas mais velhacas e inanes das razões, tanto à esquerda como à direita.

    Quanto ao que aqui estava em causa, não há dúvidas: certas empresas têm sucesso porque têm boas práticas e boa gestão. Simples. E particularmente inspirador e encorajador. Que haja casos de fraude e incompetência, ou azar, não retira mérito (pelo contrário!) aos que estão a criar riqueza para todos nós.
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    Mario, nem mais: a esquerda imbecil é a herdeira da direita reaccionária. Exactamente.
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    Teresa, mas que maravilhosa coincidência! Muito obrigado por partilhares.

  21. Parece-me que em termos de pequenas empresas baseadas na inovação e inteligência, Portugal até está bastante atrasado em relação ao resto dos países desenvolvidos. Poucas patentes, etc.

    Mas pior que isso é a inexistência de grandes grupos tecnológicos apostados na inovação (que é diferente de sweat-shops de programação “a la” Índia). Empresas de 4 colegas recém-licenciados há muitas, o que não vejo é crescerem acima dos 50 ou 100 empregados. Havia aquela dos chips, a chipidea, que parecia que ia longe, mas faliu ou quase … durante o governo de Sócrates
    Assim outras só me vem à cabeça a efacec.

    Assim em termos de optimismo, só mesmo o facto de produzirmos cada vez mais bicicletas (maior produtor da europa em 2009?), infelizmente ainda de marca e design estrangeiros …

  22. João Branco, bem verdade, tirando o último parágrafo. Porque com as tuas palavras ainda se consegue valorizar mais o facto de pela primeira vez (2007) termos exportado mais tecnologia do que aquela que importámos. Fora tudo o resto que foi posto a mexer, ou arrancou, pelo investimento nas tecnologias e na investigação.

  23. João Branco, talvez não tenham chegado (ainda) aos cem empregados, mas os cinquenta acho que já lá andam.
    A questão das patentes é complicada, principalmente se falarmos em novas tecnologias. Para além do custo dos registos, é bastante difícil, para uma empresa que não seja a Microsoft, defender-se. Já que falou na India, e porque com uma outra empresa tive problemas com cópias de patentes na India, posso garantir-lhe que a opção é deixar andar. Não é sensato em termos de gestão iniciar um processo num Tribunal Indiano. Os custos seriam insuportáveis e os resultados poderiam demorar anos. São poucas as empresas que podem avançar com um processo desse tipo.
    Em relação aos incentivos garanto-lhe que há 18 anos, quando a ISA começou, eram pescadinhas de rabo na boca. O IAPMEI apoiava se tivessem uma garantia bancária e o banco dava a garantia se o IAPMEI apoiasse. Claro que para a primeira linha saltaram as famílias, mas nem sempre essa soluçao é possível.
    Já agora, e para defender os “meus rapazes”, ainda hoje não lhes conheço sinais exteriores de riqueza nem os vejo ao volante de BMW ou com casas no campo. Os lucros têm vindo a ser reinvestidos e todos eles continuaram com outros empregos, dando aulas na universidade ou fazendo investigação no estrangeiro. Mas não foi por isso que a ISA, em 2006, deixou de ser distinguida com o Innovation Award of the European Utility Awards. Não fazem bicicletas mas parece-me que estão no bom caminho.

  24. Valupi, também não exageremos…

    (já agora, “mano” é uma das palavras de que não consigo gostar. acompanha “chicha” e “porra”. não sei explicar porquê mas estas coisas normalmente não têm razões…)

  25. Na liderança mundial…

    Também tens palavras que são pequenos ódios de estimação? Eu tenho, e lembrei-me de outra. Esposa.

    (ando a ser bloqueada no Aspirina? Preciso sempre de entrar pela porta das traseiras para conseguir escrever um comentário)

  26. Mas é o que está escrito na TSF, e foi afirmado na reportagem. Portanto, parabéns. É uma raridade.

    Eu não tenho (gosto muito de “mano”, já agora), mas conheço quem tenha. E “mano”, “chicha”, etc., são ódios comuns. Por isso entendi o teu incómodo.

    Que cena é essa dos bloqueios e portas traseiras?

  27. Se a TSF diz então é verdade. Não sabia, mas conhecendo as feras sei que têm capacidade para isso.

    Os bloqueios são assim uma forma de dizer. Deve estar a acontecer qualquer coisa com o site que só consigo comentar se fechar e voltar a abrir. Deixou de ser possível fazer reload e continuar a comentar.

    Mas agora conta, Valupi, para além de Manela Ferreira Leite, palavras de que também não gosto, tens mais algumas?

  28. Que delícia, ver-vos aqui na ginginha.

    Apanhei uma molha que me lixei, mas Teresa fiquei encantado a saber que há alternativa para a única expressão ISA que conhecia e da qual espero ficar livre daqui a uns tempinhos – era o, esta é a, e é de vento em pôpa.

    Com essa coisa dos comentários eu também sou assim e sempre foi, tenho que sair para voltar a entrar, o que dá tempo para pensar, o que conforme se comprova não serve para me demover,

  29. Também me tem acontecido essa chatice, ficar impedido de comentar e ter de sair para voltar a poder escrever. Não faço a menor ideia de qual seja a causa.

    Gosto muito de palavras. Vejo em cada palavra um tesouro. Elas ligam-nos uns aos outros, fazem milagres, e nunca se cansam ou gastam. Por isso, não contes comigo para dizer mal das palavras…

  30. Já vi que não chega z, mas nem outra coisa esperava de ti.
    Essa outra ISA às vezes também me confunde. Aconteceu há muito pouco tempo e a fazer uma pesquisa por causa de ti. Andava nos incêndios e apareceu-me ISA. Cheguei a pensar que tinham desenvolvido um sistema para detectar fogos no mato (nas casas já o fizeram há muito), mas depois percebi o erro.

    Valupi, por gostar de palavras, muito, é que me dou ao luxo de ter pequenos ódios de estimação. Não as vejo como tesouros mas como as caixas onde tesouros são guardados e é por isso que não gosto de algumas. Parecem-me grosseiras, mal engendradas, pouco adequadas ao tesouro que guardam. São muitas vezes palavras preguiçosas, como chicha, ou com um som feio, como porra, ou redutoras, como mano, ou espalhafatosas, como esposa. Mas outras há que considero lindíssimas, que são o embrulho certo para o tesouro que guardam, e dessas tenho um especial carinho por emmimmesmada. Acho que difícilmente se encontraria uma palavra mais certa, uma embalagem mais adequada. Está tudo perfeito nela, a grafia, o som, os emes a seguir a emes que prolongam o efeito e demoram o sentido. sim, também gosto de palavras e por isso dou-me ao luxo de dizer mal. São assim uma espécie de família – só chamo nomes porque gosto muito e eles sabem que o facto de chamar nomes não pôe nunca em questão o meu amor.

  31. esse é um não é uma,

    sim, são especialistas em fogos, em 2002 publicaram um artigo com um gráfico de futuro, que, além de chumbar qualquer aluno de licenciatura pelo erro conceptual envolvido, colocava o país num horizonte absoluto de desertificação. Resultado: os grandes fogos de 2003, 2004 e 2005 vieram a encaixar no dito mapa. Fui despedido em 2005 depois de ter escrito sobre isso em 2003 e em Janeiro de 2006 reeditaram o livro, já sem o mapa. Eu tenho cá o original.

    catedráticos: desejo que vos pese a cadeira e talvez se parta,

    mas isso já foi, ficou provado nestes últimos anos, em particular neste último, que os fogos florestais em Portugal são políticos e económicos, a base do fogo ecológico é de 10 a 20000 hectares por ano, o resto é motivado. Espero que os portugueses não esqueçam porque eu não conto estar por cá muito mais.

    Já em 1985 o meu professor Azevedo Gomes chamava catástrofe incendiária quando ardiam 50000 ha por ano. Que dizer do mais de um milhão que ardeu no total de 2003, 04 e 05? Grandes negócios…obsceno!

  32. isso sim, corte por jacto de água sempre achei muito elegante,

    e roupa de folheado de cortiça ainda estou à espera, mas já vi

  33. Também me fascina essa coisa do corte por jacto de água, mas pensei que era só utilizado em pedras. Em corte com laser temos o Santo lá no Cabra, sabias Z?

    teófilo, acha que ninguém duvida, somos é um povo de pessimistas. Há uns dias, quando os EUA celebravam um novo herói que amarou um avião no Hudson e salvou aquela gente toda, li as declarações de um piloto português. Faltou-lhe pouco para dizer que tudo aquilo era um enorme embuste, mas ainda foi dizendo que o piloto tinha tomado a decisão errada, que a amaragem de um avião naquelas condições é praticamente impossível e que só se safou por sorte. Acho que quase recomendava que lhe fosse levantado um processo disciplinar.
    Nestas alturas digo umas asneiras em voz baixa, mas ainda audível, e pergunto a mim mesma que raio de gente somos nós.

  34. não sabia não, olha que eu sou gamado em lasers, tenho para aí quatro canetas laser, 3 vermelhas e uma verde matulona,

    (já era para estar a dormir mas vim cá fumar um cigarro)

    imagino as dificuldades que toda essa gente teve de avançar com as idéias e pô-las em prática, neste país de invejosos onde os empreendedores são vistos como inimigos, bem hajam

  35. A frase inteligente do ano (João Branco): “Havia aquela dos chips, a chipidea, que parecia que ia longe, mas faliu ou quase … durante o governo de Sócrates”.

    “Parecia que ia longe”, um elogio objectivo e seguro de si. “Mas faliu ou quase”, uma descrição perfeitamente objectiva e honesta. Depois o dedo cirúrgico na ferida: “…durante o governo de Sócrates”. Genial, meu.

    Este camarada está em estágio no cinco dias, um think tank que faz faísca. O rapaz tem um padrão: onde há coisas que possam parecer positivas, ele vai e caga em cima. Em mortalidade infantil Portugal passou para o pequeno pelotão da frente no mundo? Nã! Estamos abaixo da Suécia em mortes de criancinhas nas passagens de peões. Justa e pertinente observação.

  36. Z, tu fazes parte desse grupo de empreendedores e sabes, sentes, como é complicado.

    E os lasers são giros sim. E sabes o truque que ele ensinou a mim e às miúdas? Se pintarmos os CD ou DVD de verde a leitura é mais fácil. Já recuperámos assim alguns que julgávamos perdidos.

  37. Teresa, sei bem que amas as palavras. E elas recebem de ti permanente atenção e belo uso. Quanto a “emmimmesmada”, já somos dois. Uma delícia. Mas eu jamais abdicaria de uma qualquer palavra, qualquer… porque a mais modesta delas, “feiosa”, pode ser aquela que nos salva ou faz o milagre.
    __

    Nik, é muito chato haver qualquer coisa que corra bem em Portugal, porque as boas notícias ameaçam a saúde mental da legião dos zangados.

  38. portanto esse verde anda perto da fotossíntese, se é verde é porque reflecte no verde, logo absorve no vermelho

    nas folhas tem dois picos de absorção: no vermelho e no azul

  39. pois é Valupi, mas estes só se não puderem é que não vão gamar aos impostos, em vez de ir morder às suas fortunas _ o Rendeiro ainda há-de viver ali no condomínio patiño de luxo, ter as paredes cheias de sabe-se lá de que quadros, e património sabe-se lá aonde – sempre os espertos, e por isso anda gente zangada vai que não vai, eu, por exemplo, aliás tu também contra os prof.s

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