Randa Nabulsi choca de frente

A representante da Autoridade Palestiniana em Portugal desfez as dúvidas: a culpa do terrorismo que se abate sobre Israel é do próprio Israel. Isto equivale a legitimar o terrorismo, visto como resposta adequada. Creio que a enorme maioria dos que tomaram partido por este lado da barricada comunga do raciocínio. É por isso que PCP e BE, mas também muitos outros no PS e alhures, não se alvoroçam com os actos de terror. Uma parte da explicação estará na cobardia de se manifestarem contra indivíduos que sabem não respeitar qualquer lei ou ser humano, mas esta consciência fica recalcada. O seu silêncio embrulha-se na desculpa da assimetria, indo dar a estes raciocínios:

Houve apenas 3 israelitas mortos, em 8 anos, e 12 foram feridos. […] Um acidente viário pode resultar em mais mortes do que estas.

Eis o algoritmo do horror: vale tudo desde que a aritmética possa ser invocada. Quantos morreram no 11 de Setembro? 2.974 pessoas, uma gota no número de mortos causados pelos EUA, Israel e aliados ao longo dos anos, séculos. Esta abstracção, que une fundamentalistas religiosos com fanáticos marxistas, tanto pode ir buscar às Cruzadas motivos para assassinar inocentes como os escolher para alvo pelo aleatório facto de estarem no local errado à hora errada. Os bombistas de Londres e Madrid não se importavam de ir matar também muçulmanos, hindus, budistas, agnósticos e ateus, já para não falar nas nacionalidades, sexos, profissões e idades dos massacrados. Aliás, o sentimento de impunidade, e sua pulsão martirizante, obriga a que se anule a noção de inocência. Não há inocentes, só injustiçados a quem a divindade cauciona a destruição, de um lado. Do outro, só algozes e seus cúmplices, mesmo que alguns destes cúmplices estejam a favor da causa dos bombistas, contra as políticas dos seus Governos ou, tão-somente, tenham uma mochila às costas com os livros da escola primária.

Cada morte injusta compromete por igual toda a Humanidade. Não há mortes de inocentes que valham mais do que outras. Os imbecis que comparam números são coniventes com a matança. Daqui, a primeira posição ética perante um conflito que regista injustiças de parte a parte ser a de recusar a violência maior, o terror. Quem se faz rebentar no meio de civis ou manda bombas pelo ar para zonas de habitação, e quem o apoia, é nosso inimigo. Um tipo de inimigo que não merece qualquer piedade.

54 thoughts on “Randa Nabulsi choca de frente”

  1. 11 de Setembro
    2974 vítimas
    Pelo que se ia ouvindo e lendo por um bamburrio de sorte não havia judeus entre os mortos, ou havia ???

  2. A abordagem pela culpa é que está errada. O que há é oprimidos e opressores e, sendo os opressores desrespeitadores das regras mais elementares de cidadania dos oprimidos eles revoltam-se naturalmente, pelo instinto de sobrevivência, como animais, e usam as armas necessárias para combater o inimigo. Se não têm bombas voadores usam bombas pedestres. É a lei da Natureza a funcionar, e não alguma lei dos Homens.

  3. não daria para passar o vídeo do cão chileno dentro da cabeça daquela gente toda? E tu javallah, ou aljahve, também podias dar um milagre de jeito, Pá!

    e o nosso Toino no meio daquilo tudo, a mim dava-me logo um aperto mitral fatal

  4. Já comparou o mapa do território (palestiniano) que foi dado a Israel quando isto começou e o mapa actual de Israel e Palestina?

    Suponha que Espanha ocupava a zona centro do país.
    Portugal ficava dividido numa faixa Algarvia e uma zona Minhota.
    Essas zonas eram controladas por tropas espanholas que decidiam quando e se o deixavam sair do país ou viajar do Algarve para o Minho.
    A zona ocupada do centro era colonizada por espanhois e as populações que lá viviam eram ‘empurradas’ para fora.
    Quando provocados, fechariam as fronteiras, não deixando entrar alimentos ou medicamentos. O espaço maritimo controlado pela marinha espanhola.
    Perante os actos de revolta, a Espanha bombardearia as populações, destruiria as infra-estruturas das zonas Algarvia.

    Não começaria a sentir uma certa raiva ‘terrorista’?

    Não se trata de números de mortos. Trata-se de sentido de justiça.

    Trata-se de considerar ‘justificável’ que se invada e bombardeie uma zona densamente povoada, com uma percentagem significativa de crianças que já se encontrava sitiada há vários meses e, praticamente, sem capacidade de defesa ou possibilidade de fuga.

    Israel diz que a culpa de tantos civis e crianças morrerem é do Hamas que usa a população civil como escudo. Mas, o que é certo é que quem dispara e mata essa gente é o exercito israelita e, portanto, são, no minimo, cumplices do crime.

    E lá vem o 11/9.
    Como se um crime se pudesse corrigir com outro crime.
    Por essa logica, Israel devia ocupar e atacar a Alemanha. O Holocausto dos judeus foi comandado por alemães e não me consta que houvesse palestinianos no governo de Hitler.

  5. José Manuel Ferreira, não faço ideia. Mas aposto que há.
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    Manolo Heredia, quer isso dizer que concordas com os ataques a civis?
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    Z, um milagre parece ser uma boa ideia. Vê lá o que consegues arranjar.
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    jcfrancisco, qual é a relação?
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    AChata, muito obrigado pelo teu sentido comentário. Vamos lá:

    – É provável que sentisse essa raiva terrorista. Afinal, qualquer um de nós a pode sentir pelo mais fútil, errado ou injusto dos motivos, quanto mais numa situação de violento conflito (e miséria) como aquela que os palestinianos vivem. Mas isso não muda a essência desse tipo de raiva, o ser terrorista.

    – A morte de civis é, para mim, o principal critério a ponderar. Quem mata cidadãos inocentes e desarmados, sem qualquer relação directa com o conflito, jamais poderá estar do lado da justiça. Este ponto é o fundamental, e não admite qualquer cedência.

    – Israel está em guerra e estará a causar a morte de inocentes, para além da destruição de bens. Se for verdade, é igualmente uma desgraça, a qual se lamenta e espera que acabe o mais rápido possível.

    – A causa do povo palestiniano teria mais apoiantes sem o terror, mas sem o terror os terroristas não teriam o poder local que têm. A política e a História estão cheias destas aparentes contradições.

    – O 9/11 não vem, ainda não partiu. É o mais claro exemplo da insânia terrorista.

  6. já meti uma cunha nas Alturas mas sinceramente não sei como anda o meu crédito Valupi, soltei a borboleta, olha aqui:

    citigroup caiu 22% num dia!

  7. “O 9/11 não vem, ainda não partiu. É o mais claro exemplo da insânia terrorista.”

    Exemplos de insania terrorista por parte de seres humanos são mais que muitos e não há praticamente nenhuma nacionalidade que possa afirmar que não passou por isso.

    O 9/11 é, infelizmente, só mais um.

    A violência gera violência.
    Acha mesmo que esta invasão de Gaza não vai contribuir para um reforço do apoio a um movimento que afirma pretender lutar e destruir aqueles que nos mataram a familia, roubaram as nossas terras e os meios de subsistência. E, dessa maneira lá se foi o objectivo que Israel invocou para esta operação: Acabar com o Hamas (que, por acaso, foi criado por eles para acabar com a Fatah e Arafat).

    Isto, se o verdadeiro objectivo não for o gas ao largo de Gaza e o negócio entre a British Gas, CCC, Israel, Egipto e a Autoridade Palestiniana.

    http://globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=11680

  8. Não é verdade, AChata, não somos todos iguais e não temos todos um rol de crimes no cadastro. Como o 9/11 nunca houve ataque igual a civis. Porém, obviamente, poderás dizer que as bombas atómicas lançadas no Japão fizerem ainda mais mortos, por exemplo, só que as situações não são comparáveis: uma é guerra, a outra terrorismo. São moralmente diferentes, levando a consequências diferentes.

    Não sei o que vai resultar da actual incursão e ataque em Gaza. Sei que a paz não virá das teorias da conspiração nem do sectarismo. A paz virá daqueles que arriscarem confiar nos até então inimigos.

  9. Meu Caro Valupi: a relação é total. O estado de Israel nasceu por decisão da ONU mas desde o início esteve contra a ONU e o seu mais importante ministro presente no terreno. Por isso o assassinou no hotel Jerusalém. Basta ter em casa diversas enciclopédias (em papel) para se perceber como a superfície do estado de Israel foi «inchando». Ainda outro dia falei no Chiado com uma senhora arménia cuja sobrinha abortou em Julho de 2006 quando as bombas caíam no hospital de Beirute onde ela estava para dar à luz. E não esquecer o major Hadad no sul do Líbano em 1982, o ano de Shatila e Sabra. O Dr. Fernando Nobre estava lá e o José Goulão também.

  10. Não posso acompanha-lo, Valupi. O homem não é um terrorista «por natureza», mas começa, isso sim, como alguém já aí comentou, por ser um animal. Se olharmos um leão a dar o “beijo da morte” a uma das suas presas, não vamos concluir pela crueldade do bicho. Apenas está a lutar pela vida, alimentando-se. Se invadirmos o seu «território», poderemos ser trucidados por ele, não é? Os palestinianos do Hamas estão a demonstrar a sua animalidade? Estarão. Mas quem disse que eles ou nós somos a incarnação perfeita e angélica de uma «humanidade» que ainda só almejamos? Não será ocupando, abusivamente, a «toca» de outos «animais» que que chegaremos longe…

  11. “Israel está em guerra e estará a causar a morte de inocentes, para além da destruição de bens. Se for verdade, é igualmente uma desgraça, a qual se lamenta e espera que acabe o mais rápido possível.”

    Se for verdade ?!?
    mas… não é algo que todos sabemos que o é ?
    E será que os atentados bombistas justificam as retaliações assassinas de uma sociedade que se diz civilizada ?
    E será que essas retaliações servem para alguma coisa ?
    Parece-me que apenas alimentarão o ódio das presentes gerações e pior ainda das gerações mais novas, provocando assim a perpetuação de uma guerra sem fim à vista.

  12. Excelent post anti-semita.

    Anti-semita? Sim, pois, disse bem, foda-se, estava a pensar que me tinha enganado. Será por posts destes que os talmudistas e criminosos que andam a bombardear Gaza com bombas de fósforo consideram a maior parte dos comentadores deste blogue como cães ou abaixo de cães? Talvez mereça a pena investigar.

    “jcfrancisco, qual é a relação?” – Deixemo-nos de merdas, esta é mesmo de tropas de assalto talmúdicas em destacamento permanente na blogaria portuguesa, ó Valupi.

  13. Partilho convosco, não apenas as fotos, mas igualmente os curiosos comentários a uma das muitas manifestações que têm ocorrido por esse mundo fora.

    http://zombietime.com/gaza_war_protest/

    Apesar de a manifestação ser contra as acções (e por vezes contra a existência) do estado de Israel, estou longe de assinar por baixo a parvoíce que para alí vai.
    Porque eu sou contra, especialmente contra a ignorância.

    Estou contigo Val.

  14. “Como o 9/11 nunca houve ataque igual a civis”

    Não houve ??????????????????

    Só para começar, Hiroshima e Nagasaki as populações eram o quê?
    Qual era o alvo militar?

    Mostrar ao Japão que estava vencido? Eles já o sabiam.

    Nâo se viu em directo na televisão. mas, viu-se as gerações e gerações que ficaram a sofrer descendentes dos poucos sobreviventes.

    A História da Humanidade é feita de muita mortandade (o judeus que o digam, que maus que uma vez, sofreram na pele) em nome de motivos religiosos, politicos ou nacionalistas qie encobrem o verdadeiro motivo – sede de poder e riqueza.

    “Não é verdade, AChata, não somos todos iguais e não temos todos um rol de crimes no cadastro.”

    Individualmente não teremos um rol de crimes no cadastro, já como pertencentes a grupos de nacionalidade ou religião, como ‘tribo’, pode crer que temos.

    Já pensou quantos mouros e cristãos foram mortos para você viver num país, que diz ser o seu, chamado Portugal?

    Não somos todos iguais.
    Muda a cultura, a cor de pele mas, o basico não muda: animais mamiferos vertebrados supostamente racionais.

  15. jcfrancisco, a pergunta mantém-se: qual é a relação? Ou, por outro lado, achas que esses factos (e tantos outros que poderias ir buscar numa história de 60 anos) legitima ataques contra civis?
    __

    Mario, fazes muito bem em não me acompanhar, pois é duvidoso que seja boa companhia. Já eu vou acompanhar-te: concordo que o homem não é um terrorista por natureza e que ainda menos será um anjo. Tanto que concordo que nunca o escrevi. Mas repito a pergunta: achas que a existência de leões legitima os ataques a civis?
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    João, muito bom material para um estudo do fanatismo. Curiosamente, recordou-me as manifestações dos professores, a mesma distorção extremista.
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    Z, que o Bush está errado é algo que se sabe desde 2003.
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    Thom, a questão da verdade dizia respeito à morte de inocentes. Ora, não o sabemos, essa é que é a verdade, pese toda a altíssima probabilidade desse resultado. No entanto, Israel não quer matar inocentes, e este ponto faz absoluta diferença.

    Quanto às consequências da presente investida, creio que ninguém pode adivinhar quais são. Para já, uma coisa é certa: a rua árabe está comedida. Esse é o sinal de que a complexidade de um castigo ao Hamas pode ser bem maior do que aquela dada pelo simplismo dos ignorantes e sectários.

    Dito isto, estou contigo: era bom que a guerra acabasse. Apenas não vou pelo caminho da barricada.
    __

    ESTACA, ai os malandros atacam com fósforos? Isso explica os incêndios que passam na TV, então.

    Tens de investigar melhor e reportar ao director.
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    AChata, por isso fui buscar esse exemplo, também único, de Hiroxima e Nagasaki. Porque ficou como questão ética em aberto, saber se para acabar com a guerra se justificava tal destruição. Mas o objectivo era moralmente defensável, enquanto no 9/11 o objectivo é moralmente odioso, e as consequências calamitosas.

    Quanto a mim, à minha família, aos meus amigos e conhecidos, nenhum andou a dar porrada nos mouros, ou a fazer tráfico de escravos, ou a explorar os servos da gleba. A História do Ocidente, desde a Grécia, é a da vitória da racionalidade, do humanismo, do direito, da política, da ciência, do bem. Mas isto é apenas a continuação do que fizeram todas as culturas passadas, desde os primórdios. Por isso nos podemos identificar até com ramos paralelos da evolução, como os neandertais, pois comungamos do mesmo anseio pelo sentido da vida. Até com os animais a relação é estabelecida com base na antropomorfização.

    Por isso, também te pergunto: és a favor dos ataques contra civis?

  16. Pela primeira vez, parece-me, estou frontalmente em desacordo com o Autor do texto.

    Não que algo do que ele diga me mereça qualquer reparo, não é isso. Subscrevo na íntegra o essencial da sua opinião e do seu raciocínio. Mas acontece que não posso concordar, porque tudo o que é dito é apenas PARTE da verdade.

    Não é por acaso que os Tribunais obrigam a que se diga não apenas a verdade, mas só a verdade e toda a verdade. E ao que se diz no texto falta metade da verdade: que é exactamente o que falta dizer quando se afirma que o ovo nasceu primeiro do que a galinha, ou o inverso.

    Vejamos a frase (e cito): «Quem mata cidadãos inocentes e desarmados, sem qualquer relação directa com o conflito, jamais poderá estar do lado da justiça. Este ponto é o fundamental e não admite qualquer cedência».

    Plenamente de acordo!

    O que, por sua vez, obriga a estar frontalmente em desacordo com a conclusão final: «Um tipo de inimigo que não merece qualquer piedade!».

    Ou seja, com esta terrível frase, concluída a partir de uma crítica geral e radical a todo o tipo de violência sobre inocentes (ou melhor, citando de novo, “injustiçados”), parece legitimar-se toda a violência recíproca!!!

    O que significa caír na ratoeira denunciada no início, através da recusa liminar da aritmética, equivalendo a dizer que, para aniquilar um terrorista, toda a violência é justificável!!!

    Contradição, obviamente, insanável…

    Acho assim que a única conclusão a tirar da inicial declaração de princípios pacifista e anti-terrorista, que também subscrevo, é a indignação e a recusa de TODO E QUALQUER TIPO DE VIOLÊNCIA DESPROPORCIONADA E INJUSTA, como é a dos terroristas (excepto quando impedidos de usufruirem de um Estado de Direito, como foi o caso, nomeadamente, da Resistência aos nazis, ou a Salazar…), mas como é igualmente a dos ESTADOS TERRORISTAS, como Israel, que não hesita em chacinar civis indiscriminadamente em resposta a actos terroristas, como igualmente o é toda e qualquer violência MESMO EM TEMPO DE GUERRA que não respeite os acordos e convenções internacionais sobre a própria Guerra que, ao contrário do que às vezes (irresponsávelmente) se diz, também tem regras, não é um “vale-tudo”.

    Por isso é que pode ser moralmente tão grave o assassínio de milhares e milhares de civis, “inocentes” ou não, em Londres, em Hiroxima, em Auschwitz, ou em qualquer cidade alemã bombardeada pelos Aliados, como a violação de uma única Mulher bósnia, ou a tortura de um único iraquiano em Abu Ghraib, ou marroquino em Guantanamo.

    Este sim é que é o ponto fundamental, para mim, e que não admite qualquer cedência (e desculpem a extensão deste desabafo, mas há temas e temas…)!

    M. A. Alves.

  17. Marco Alberto Alves, muito obrigado pelo desabafo. Podes escrever na extensão que te aprouver sempre que queiras, como é óbvio.

    Acontece que estamos de acordo, apesar do teu desacordo. Assino por baixo a seguinte declaração: “Acho assim que a única conclusão a tirar da inicial declaração de princípios pacifista e anti-terrorista, que também subscrevo, é a indignação e a recusa de TODO E QUALQUER TIPO DE VIOLÊNCIA DESPROPORCIONADA E INJUSTA”. É aqui que queremos chegar, pelo que é daqui que devemos partir.

    Quanto à passagem em causa – «Um tipo de inimigo que não merece qualquer piedade» -, refere-se aos que atacam civis, que matam indiscriminadamente, que escolhem como alvo as populações indefesas. Quem são? Com certeza, não serão os palestinianos e os israelitas, tomados enquanto comunidades. São grupos dentro de grupos maiores. Este, para mim, é o critério principal para começar a discernir a situação enquanto observador externo e longínquo. E nesse plano quem fica mal não é Israel, pois a atribulada História da região obrigou a um constante estado de guerra para poderem permanecer numa terra que reclamavam como sua.

    O problema poderá ser insanável, pois nasceu de um artificialismo histórico, impondo-se uma solução não validada pela conquista militar prévia. Num certo sentido, a guerra de (re)conquista do território continua a ser travada.

  18. Valupi, nem parece seu: «Israel não quer matar inocentes»!!!
    Com toda a legitimidade deste mundo e do outro, que é a legitimidade da guerra como legitima defesa, duas bombas atómicas foram lançadas sobre duas cidades japonesas, sem a mínima intenção de matar civis inocentes! Calhou de pertencerem ao Império do Sol e estarem na linha de tiro…
    A solução justa será corrigir o erro histórico da criação do Estado de Israel. Não é solução matar os israelitas, nem todos nem alguns, mas criar um estado federado para toda a palestina, que bem poderia chamar-se, por exemplo, Estado Federado de Jerusalém.
    A solução de Israel parece ser de exterminio, completo ou quase, dos palestinianos. Metê-los em guetos e cercá-los de muros altissimos. Alguém de bom senso pensa que isto é solução? Exterminá-los todos, ou quase, vamos tolerar? Em vez de corrigir o erro de Sua Majestade inglesa?
    Muitas pequenas nações nasceram depois da queda do muro de Berlim. Nações que tinham sido ocupadas simplesmente e anexadas. Derrubem-se todos os muros construidos com o Estado de Israel.
    Só ficariam a perder os amantes da violência. de um e de outro lado.

  19. Eis o algoritmo do horror:

    Valupi, a questão a colocar aos que precisamente neste conflito – e nunca no Darfur, no Ruanda ou na Chechénia – estão tão preocupados com a desproporção da violência é QUANTOS israelitas têm que morrer para a coisa ser proporcional?

    @ Manolo Heredia:
    “O que há é oprimidos e opressores…”

    Precisamente.
    Os oprimidos são todos aqueles que são obrigados a viver debaixo de uma ideologia fascizante disfarçada de religião (da paz), neste caso preciso os palestinos, e os opressores são o Hamas…

    @ Achata:
    ”Já comparou o mapa do território (palestiniano) que foi dado a Israel quando isto começou e o mapa actual de Israel e Palestina?”

    E já comparou o território de Israel com o território dos seus vizinhos e inimigos viscerais árabes, Jordânia, Egipto, Síria e Líbano, que esperam a melhor oportunidade para varrer Israel do mapa?

    O Hamas quis a faixa de Gaza e Ariel Sharon fez-lhes à vontade (se ele soubesse o que sabe hoje, não faria!). Mal se instalaram começaram a disparar foguetes Qassam para as cidades do outro lado da fronteira. Depois ganharam as eleições e logo a seguir fuzilaram os militantes da Fatah que não puderam fugir a tempo para a Cisjordânia (isto está documentado em vídeo).

    Resumindo, o Hamas, tal como Bin Laden, não quer apenas a faixa de Gaza ou a parte oriental de Jerusalém, o Hamas quer Israel fora do Dar es Islam (terra do Islão). E quando o conseguirem vão se virar para o Al Andalus, e quando o Al Andalus estiver conquistado é a vez do Al Garbh, depois o Al Entejo, Lissabún (como eles costumam dizer), Al Piarça, Fátima… No Porto é que não, aí vão levar nos cornos – NO PASARAN.

    ” Suponha que Espanha ocupava a zona centro do país.’

    Porque não o resto? Seria a nossa salvação…

  20. aquilo é tramado porque já andam naquilo há 2000 anos e é só para falar da primeira camada geológica, está fora das minhas forças, peço um milagre oh Pá!

    Sim, Valupi, mas vê a elaboração mais acentuada da semântica do nogócios estrangeiros inglês, tem termos novos, seja como fôr o importante é que o BCE baixe as taxas de juro por forma a não exagerar na imparidade euro/dolar porque o dolar defende-se com o petróleo e este está indexado aos conflitos da região, aumenta o risco aumenta o preço.

  21. ” esse exemplo, também único, de Hiroxima ”

    Único? O que é único é o meio utilizado assim como o foi o usado no 11/9.
    A violência é a mesma.

    ” Mas o objectivo era moralmente defensável, enquanto no 9/11 o objectivo é moralmente odioso, e as consequências calamitosas. ”

    Defensável à luz de que moral?

    Hiroshima e Nagasaki não tiveram consequências calamitosas?

    “Quanto a mim, à minha família, aos meus amigos e conhecidos, nenhum andou a dar porrada nos mouros”

    Isto é um nadinha infantil não acha?
    A sua familia, os seus amigos e conhecidos descendem de alguém, não?

    “História do Ocidente, desde a Grécia, é a da vitória da racionalidade, do humanismo, do direito, da política, da ciência, do bem”

    Do BEM?
    Isto é o quê? a Guerra das estrelas?
    Nesse BEM, está incluído as matanças da Inquisição, dos campos de concentração Nazi, da revolução francesa, de Guernica, das 2 guerras mundiais, dos vários genocidios ao longo dos anos, da quase exterminação dos indios americanos, dos goulag da Sibéria, …

    Quer que continue?

    “Por isso, também te pergunto: és a favor dos ataques contra civis?”
    Devolvo-lhe a pergunta acrescentando:
    És a favor dos ataques a civis desde que sejam palestinianos ou aparentados com arabes?

  22. Lá está a Valupeta nazi a debitar disparates… ò criaturinha, terroristas são sempre os ocupantes, os ocupandos que pegam em armas para escorraçar os ocupantes são RESISTENTES, aliás, são a heróica RESISTÊNCIA, percebido ? Escreva isto uma dúzia de vezes para não esquecer.

    Vanos lá a um teste: De Gaulle, Cabral, Xanana e Mandela foram acusados também de serem “terroristas”. Não seria ao contrário ? Terroristas não seriam os nazos que lhes chamavam isso ? Veja se aprende , seu terrorista verbal e virtual…

  23. Valupi,

    Acendeste o fósforo da gracinha que de airosa nem um leve cheirinho teve para me iluminares – que é o mesmo que dizeres que ao judeu, é permitido praticar o genocídio, o estupro, vigarizar, roubar e cometer perjúrio, desde que não seja apanhado no acto pelos animais de forma humana que somos nós, os árabes, negros, chineses, etc., isto é: 96 por cento da Humanidade condenada a ser escrava pelos sacros e talmúdicos códigos dos Judeus.

    Nunca me enganaste, meu malandreco, nem com essa nem com fosforescências anteriores de pretensa discussão de problemas reais, nem tampouco com as viagens distantes que fazes sem levantares o rabiosque da cadeira mas que te habilitam a vires aqui discutir futebol grego e humanismos de meia-cueca – duas das máscaras favoritas dos militantes do povo escolhido.

    Vá, vai lá beijar a mão ao Policarpo, senão o gajo come-te as óstias todas e ficas a ver navios.

  24. carmo da rosa

    “O Hamas quis a faixa de Gaza…”

    Está a ouvir-se?
    Como se a faixa de Gaza fosse parte do país Israel e este ‘generosamente’ o tivesse cedido aos que lá viviam?

    A faixa de Gaza e grande parte do território que Israel ocupa actualmente era dos Palestinianos não será natural que eles o reclamem como seu?

    Onde é que mora?
    Estou a pensar seriamente ocupar a sua casa e posso sempre deixar-lhe um quartito (com a porta fechada).
    Se reclamar e me quiser atacar ou alguém da minha familia eu vou estar preparada para me defender.
    É que, estou certa que vai compreender, a minha casa é pequena, os vizinhos são péssimos e a sua fica, possivelmente numa area melhor…

  25. Ok Valupi, não me custa mesmo nada admitir que podemos estar de acordo.

    O que me custa é partir desta frase final

    «Quem se faz rebentar no meio de civis ou manda bombas pelo ar para zonas de habitação, e quem o apoia, é nosso inimigo. Um tipo de inimigo que não merece qualquer piedade.»

    para a conclusão, que parece natural, de que quem se faz rebentar no meio de civis, ou manda bombas para zonas de habitação, e quem o apoia (englobando nesta fórmula todo e qualquer ser humano que defenda o regresso da legalidade internacional à Palestina) representa, principalmente ou até EM EXCLUSIVO, o nosso inimigo (nosso, entendo eu, dos pacifistas e legalistas), esquecendo-se e amnistiando-se assim todo um universo de outros “nossos inimigos”, eventualmente ainda mais ferozes, de entre os quais destaco os Estados pontualmente terroristas (como Israel, os Estados Unidos, ou até Portugal nos anos 60 e, em geral, todos os regimes ditatoriais), ou Organizações (como a máfia, ou a ETA), ou inclusivé Ideias (como o Racismo, o Arianismo, o Tribalismo africano, o Anti-semitismo, ou o próprio Sionismo…) que, de uma forma ou de outra, pela sua acção violenta ou conceptualização, ORIGINAM CONSEQUÊNCIAS SIMILARES às dos citados palestinianos!

    E depois rematar dizendo que “esses”, e só esses, não merecem qualquer piedade! O que nos coloca, imediatamente, ao seu nível!

    E, pior do que isso, legitima um raciocínio simétrico da parte “deles”, que eventualmente lhes legitime, moralmente, a sua própria conduta de terroristas e mártires!

    Espero ter sido claro na desmontagem deste esquema circular e perverso de raciocínio, pois o assunto de simples nada tem.

    Concluo, mantendo a minha concordância inicial de que, acima de tudo, é preciso delimitar muito rigorosamente quais os motivos pelos quais o Homem civilizado deve admitir o uso legal da violência. E combater eficazmente o seu emprego em todas as restantes situações.

    Este é para mim o ponto absolutamente essencial! Para escapar ao vício tenebroso da história do ovo e da galinha e da consequente desculpabilização da violência…

    ________________________________________________

    Propositadamente prefiro não me pronunciar sobre os comentários, que o mesmo é dizer sobre as causas do conflito, como forma pedagógica de seleccionar o que de mais relevante está em causa neste Artigo.

  26. É a vida…Anda um cidadão à procura de entrepostos de sensatez, julga que encontra um – este do Aspirina B – e eis que Valupi se sai com prosa sobre terrorismo e Israel..
    Jesus, Maria, José, “…Israel estará a causar a morte de inocentes…” Estará ? Como é possível ? Em que mundo vive Valupi ? Teorizar sobre terrorismo, quando Israel mata quase um milhar de pessoas, ataca escolas, hospitais, delegações da ONU, edificios de agências de comunicação social, metódica e sistemáticamente, ao longo de 15 dias, com bombardeamentos e artilharia de grande potência, com fósforo branco, por terra, ar e mar…Dizendo, Israel, que está a atacar alvos do Hamas ? Durante 15 dias, 24h por dia? São infindáveis, os alvos do Hamas ? Quando é cada vez mais inevitável, para os que conhecem a desgraçada história do nazismo, lembrar o gueto de Varsóvia em relação a Gaza, como se pode vir sugerir, mesmo com paninhos quentes, que Israel está legitimado na barbárie que comete em Gaza ? E que já se percebeu que vai durar até à posse do Obama ?
    Já tinha estranhado que por aqui não se falasse do tema…Já deu para ver como a “opinião pública” portuguesa se alheia do assunto…(Lisboa deve ser das poucas capitais europeias onde não se realizou uma manif. de protesto pela situação em Gaza) Já se viu como os partidos se posicionaram perante o sucedido..(o BE e o PCP só ao fim de uma semana abriram a boca..) Já se viu o Patriarca fazer afirmações de uma oportunidade e subtileza de pedir meças à idiotice mais completa..E também tu, Valupi? Como é possível?

    J.Coelho

  27. que bom anda aqui gente de Direito, bom português e raciocínios escorreitos são sempre bem vindos.

    vejam o Numeros, o comando dado a Moises, enraizado no Genesis

    Gaza é dos palestinianos obviamente, Israel é expansionista, e tem-no sido desde a fundação, os mapas históricos são ineludíveis, no entanto é a única democracia lá do sítio e não posso embarcar no delenda Israel, mas não vejo saída a não ser que o Obama me surpreenda fora de todos os cálculos, o que agradeço, devemos estar preparados para o pior,

  28. Valupi, o que quis dizer às 18:55 de ontem é óbvio; uma vez que a escalada da violência já atiçou o actual nível de ódio entre as partes, a paz só regressará ao território quando uma das partes for totalmente dizimada. E não é líquido que essa parte dizimada seja o povo palestiniano. Atrás de tempos temos vêm, e se os interesses em jogo se alterarem até pode ser que a solidariedade dos EUA (leia-se dos judeus ricos) deixe de existir.

  29. Mario, começo por te lembrar que não respondeste à minha pergunta. Quanto a Israel ter metido os palestinianos num gueto, o contrário poderia ser dito: os palestinianos colocaram-se a si próprios num gueto ao ameaçarem a segurança de Israel.

    Em relação à solução do conflito, temos duas posições: os palestinianos dizem que param os ataques quando as suas reivindicações forem satisfeitas; os israelitas dizem que satisfazem as reivindicações quando os ataques pararem. Isto até poderia ser mais simples do que parece, mas o facto de muitos inimigos de Israel quererem que os judeus desapareçam do mapa perpetua o actual marasmo sangrento.

    Obviamente, parece lógico que Israel deseje a paz. Caso os ataques dessem lugar à negociação, a pressão sobre Israel seria muito mais eficaz do que o terrorismo.
    __

    carmo da rosa, muito bem.
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    Z, é essa a posição que importa reforçar: a democracia cria legitimidade.
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    AChata, Hiroxima e Nagazaki levaram à rendição do Japão. Creio que não gostarias de ser alvo dos japoneses naquele tempo. O facto de a destruição causada, que se perpetuou por gerações, ter sido tão grande permanece como debate aberto. E ainda bem, pois há sementes de pacifismo e racionalidade a recolher desses eventos. O que não se põe em questão é a intenção moral: evitar a continuação de uma guerra que levaria a mais mortos, sem se saber quantos e de que partes.

    Eu não sou responsável pelo crime de outrem. Achas que deves ir presa se um familiar teu cometer um assassinato? Se achares, estarás a pensar de forma arcaica. Foi daí que viemos, abandonando essas práticas injustas e criando um sistema que protege os direitos dos cidadãos e indivíduos. Isto é o bem, e aposto que não quererias viver em sociedades onde nenhuma lei sequer existisse para te conferir protecção e garantias. As leis, a liberdade, a justiça, têm História, foram conquistadas por muitos que deram as suas vidas por nós.

    Eu sou contra os ataques a civis, sejam eles quem forem. É esse, precisamente, o fulcro da questão. E tu não respondeste, lembro-te.
    __

    Euroliberal, és a favor dos ataques contra civis?
    __

    ESTACA, o Policarco vem a caminho, não te inquietes.
    __

    Marco Alberto Alves, continuo em acordo contigo, e ainda mais, pois fizeste uma boa análise. Só que te está a escapar, na minha opinião, o facto de um nó górdio se cortar à espadeirada. Ou seja, se vires um galfarro qualquer a atacar a tua mulher não vais pedir moderação, ou advogar o pacifismo, antes tomarás uma atitude de defesa. Considera-se que agirás em “legítima defesa”, mesmo que daí resulte a morte do atacante (no pressuposto de que ele tinha feito uma ameaça de morte, ou assim entendida, claro). Ora, na aplicação desta matriz de inteligibilidade ao conflito israelo-palestiniano, constatamos que nos deparamos com aquilo que todos os dias preenche as liturgias dos tribunais: duas partes conflituosas que reclamam ter razão. É nesse sentido que vai o repto, assumindo como primeiro inimigo aquele que ataca civis.

    Pode-se dizer que Israel causa a morte a civis e a inocentes, mas não se pode dizer que Israel tenha como estratégia, ou táctica, o ataque a civis e a morte de inocentes. Já com o terrorismo esses são os objectivos declarados e cumpridos. Aqui, para mim, as águas começam a separar-se.

    Todas as formas de violência me são abjectas. Defender a legitimidade de um Estado palestiniano não equivale a defender o terrorismo. Mas, infelizmente, os que defendem os palestinianos não denunciam e se revoltam contra o terrorismo com o empenho com que atacam Israel. Isto faz deles algo que se pode descrever como sendo próximo da conivência. Nesse sentido, também não merecem piedade na sua denúncia.
    __

    j.coelho, a tua versão dos acontecimentos não é a minha. Mas, seja como for, o que tu não encontraste foi algum apoio à invasão de Gaza. Isso, para mim, seria imbecil. Para eu estar a favor, ou contra, teria de ser palestiniano ou israelita. Assim, lamento, como tu, as mortes e a destruição. E estranho que não vejas à tua volta os protestos, os quais começaram desde a primeira hora. Deve haver uma proporção de 3 para 1, ou 10 para 1, a favor da Palestina ou contra Israel.

    Quanto ao Patriarca, é óbvio que o estás a julgar pelas notícias que seleccionaram umas passagens, e destacaram umas frases. Eu a ti, se de facto procuras a sensatez, nunca julgaria uma pessoa pelo que alguns dizem dela.
    __

    Manolo, continuas sem responder à minha pergunta.

  30. Valupi,

    Para quê gastar português contigo, advogado do Diabo? Os meus amigos judeus encarregam-se de me tirar as palavras da boca. Vai como eles, que são os principais interessados e os de maior fidedignidade neste grande debate sobre o crime de guerra e genocídio televisionado:

    “The fighting in Gaza is “war deluxe.” Compared with previous wars, it is child’s play – pilots bombing unimpeded as if on practice runs, tank and artillery soldiers shelling houses and civilians from their armored vehicles, combat engineering troops destroying entire streets in their ominous protected vehicles without facing serious opposition. A large, broad army is fighting against a helpless population and a weak, ragged organization that has fled the conflict zones and is barely putting up a fight. All this must be said openly, before we begin exulting in our heroism and victory.”

    http://www.haaretz.com/hasen/spages/1055574.html

    “A Gentile girl who is three years old can be violated.” — .9boda Sarah 37a.

    Talmude

    “In the last stages of Judaic propaganda surrounding any massacre by Israelis in the Middle East, we witness the phenomenon of “Jews Against Zionism” and “Rabbis for Peace.” Attention given to these groups by the Judaic-controlled media intends to deflect attention away from the Talmud and other rabbinic texts which teach that when necessary, non-Judaics may be killed with impunity because they are not fully human”.

    Michael Hoffman – Historian

  31. “Eu sou contra os ataques a civis, sejam eles quem forem. É esse, precisamente, o fulcro da questão. E tu não respondeste, lembro-te.”

    Volto a perguntar, as populações de Hiroshima e Nagasaki não eram civis?

    Entâo vou responder de maneira mais clara.

    Sou contra qualquer tipo de violência.

    Se a violência entre homens armados é condenável, para mim, não há razão moral ou outra qualquer que possa justificar violência sobre populações indefesas.

    Não consigo aceitar justificações seja de que natureza for para o sofrimento e morte de crianças e pessoas indefesas.

    “Quem se faz rebentar no meio de civis ou manda bombas pelo ar para zonas de habitação, e quem o apoia, é nosso inimigo. Um tipo de inimigo que não merece qualquer piedade.”

    Lamento que não perceba que este tipo de afirmação leva ao olho por olho e dente por dente e como disse alguém, no fim acabamos todos cegos e desdentados.

  32. Como explicar a lógica da guerra?
    Quem quer acabar com quem?
    Quem na realidade originou este confito?
    Qual a racionalidade da Resolução 181 da ONU em 1947 com a partilha da Palestina em dois estados em que a esta lhe coube 44% do seu território e que logo em 1948 lhe viu serem expulsos 700 mil palestianos das suas terras e casas, levando as chaves que ainda alguns conservam, processo que continuou «normalmente»ao longo das seguintes décadas até hoje( menos de 20% do território inicial) com o beneplácito do mundo «civilizado» que assim vai expiando o crime hediondo que cometeram contra o povo judaico.
    Certo é que alguém vai acabar com alguém, pois é este o real objectivo deste conflito, só que não se sabe quem.
    Argumentar é fácil, analisar os factos desde a sua origem e a sua evolução, deixarão alguma margem para a nossa má consciência, em relação a tudo isto ?
    l

  33. “Um tipo de inimigo que não merece qualquer piedade.”,

    do que conheço o Valupi ele está a referir-se a que não merecem qualquer piedade quanto à denúncia verbal e outras formas de contenção e desarticulação do esteio ideológico e eixo actancial, eventualmente prisão, mas não está a referir-se a que os matem, pois não?

  34. Um deputado britânico judeu denuncia a utilização da shoa como cobertura para os crime nazi-sionistas, in Haretz

    “Israel using Holocaust guilt to continue Gaza op, says British Jewish MP

    A British lawmaker declared Thursday that Israel was taking advantage of the guilt many non-Jews feel over the Holocaust to ruthlessly press ahead with its offensive against Hamas in Gaza.

    Gerald Kaufman, a governing Labour Party legislator, sharply criticized Israel in a House of Commons debate on Gaza, arguing that the Jewish state has exploited guilt that much of the world feels for having ignored the slaughter of six million of Jews during World War II.

    “The present Israeli government ruthlessly and cynically exploit the continuing guilt from Gentiles over the slaughter of Jews in the Holocaust as justification for their murder of Palestinians,” he said.

    Kaufman, a frequent critic of Israel who was raised as an Orthodox Jew, commented on the claim that large numbers of the Palestinian victims were militants. “I suppose the Jews fighting for their lives in the Warsaw ghetto could have been dismissed as militants,” he said.

    Kaufman urged the British government to impose an arms embargo on Israel.

    “My grandmother was ill in bed when the Nazis came to her home town…. A
    German soldier shot her dead in her bed, he said. My grandmother did not die to provide cover for Israeli soldiers murdering Palestinian grandmothers in Gaza,” the MP said”.

  35. @ Achata:
    ”Está a ouvir-se? Como se a faixa de Gaza fosse parte do país Israel e este ‘generosamente’ o tivesse cedido aos que lá viviam?”

    A faixa de Gaza era do Egipto, foi dos Ingleses, mas também já pertenceu aos Turcos! Quem cedeu a quem leva a uma discussão interessante sobre a história, mas longa e complexa que tem muito pouco a ver com simplismos do género: os palestinos (a própria designação é uma construção política e bastante recente) viviam lá e depois vieram os judeus e puseram-nos na rua…

    ”Onde é que mora?”

    Imaginemos que moro em Lisboa e que tenho um monte no Alentejo. Como não faço nada com o monte vendo-lhe o monte a si, que também vivia em Lisboa mas originária da região. Os seus vizinhos alentejanos, por motivos políticos e religiosos não podem consigo nem de coentrada, e por isso, vão, durante anos e anos fazer tudo o que podem para lhe fazer a vida negra…

    Apesar do seu monte ser muito mais pequeno do que o dos seus vizinhos, que têm terreno a dar c’um pau, eles não querem discutir consigo para chegar a uma solução, eles pura e simplesmente querem que você desapareça.

    Porquê?

    Porque você entretanto já tem sotaque alfacinha; não gosta de coentros no caféi; não gosta de comer sabonetes (queijos alentejanos com lete de cabra) como aperitivo; anda de mini-saia pela praça do Giraldo; não é do PCP, e está sempre sempre a trabalhar…

  36. ESTACA, a tua versão é a de que o exército israelita está a atacar a população indefesa de Gaza. E porque iriam fazer isso? Porque eles são maus, ruins, explicas tu.

    Obviamente, vives num mundo à parte.
    __

    AChata, é pelo facto de os ataques a Hiroxima e Nagazaki terem sido tão devastadores para as populações civis que os fui buscar para servirem de exemplo. Quanto a seres contra a violência sobre populações indefesas, decorre daí que tens de ser contra a arma preferida dos palestinianos e quem os apoia: o terrorismo. Porque o terrorismo é isso exactamente: uma violência sobre as populações indefesas, e uma chantagem sobre as sociedades alvo.

    A relação do olho por olho é legítima se a restringirmos aos agressores. De facto, tu nunca perdoarias a alguém que nada tivesse feito para impedir um acto terrorista que viesse a atingir um dos teus, fosse em que grau fosse de proximidade (ente querido, família, amigos, vizinhos e concidadãos). Ao que não pode levar é à simetria. Não há israelitas, ou apoiantes, a fazerem-se explodir no meio de palestinianos, nem o exército israelita, ou alguma milícia, sequer indivíduo, manda bombas para o meio da população indefesa.

    A partir do momento em que se estabelece um conflito armado em zonas urbanas, as vítimas civis são altamente prováveis. Mas por mais lamentável e desgraçado que tal situação possa ser, continua a ser possível – e necessário! – conseguir discernir a moralidade de cada uma das partes.
    __

    jv, trazes excelentes questões. Creio que serão as mesmas dos especialistas no assunto. Seja como for, este é apenas mais um conflito. A História está cheia de ódios similares. E foram sempre acabando. E nascendo outros, pois…
    __

    Z, sendo eu contra a pena de morte, não vejo bondade em que os matem podendo tê-los vivos. Mas no terreno haverá mortes inevitáveis e, portanto, bondosas. É justo matar aquele que quer matar injustamente.
    __

    Euroliberal, aprovas os ataques contra civis?

  37. Valupi, dizes que me «está a escapar (…) o facto de um nó górdio se cortar à espadeirada» (e dás o exemplo da legítima defesa).

    Mas não está. A questão reside no que se entende por “espadeirada”. E cada agente deve ter direito à sua “espadeirada”, que contudo terá de ser diferente consoante o tipo de agente, numa sociedade de Direito e civilizada, claro.

    Por isso, aquilo que seria o meu direito de “espadeirada” poderia ir, no teu (meu) exemplo, até à eventual morte do agressor, mas apenas desde que, desde que, repito, ele me tivesse submetido a uma ameaça semelhante (ou como tal por mim entendível). E mesmo nesta situação limite, continuaria a ser a Sociedade (através da Justiça), e nunca eu próprio, a ajuizar do direito à invocação da prerrogativa de legítima defesa.

    Para a Polícia o direito de “espadeirada” já será diferente, como mais diferente ainda será para um Estado, ou seja, para um Exército.

    Neste pressuposto, como delimitar então o direito de “espadeirada” de Israel no caso da agressão terrorista do Hamas? Usando, responsavelmente, a noção de proporcionalidade. Ou seja, como já fez, tratando de tomar, em primeiro lugar, medidas estritamente DEFENSIVAS e só depois procurando punir os agressores, e apenas estes, na medida do possível.

    No limite, e de acordo com o Direito Internacional, se o poder legítimo em Gaza não puder, ou não quiser, capturar os suspeitos e julgá-los, ou entregá-los aos tribunais israelitas, então Israel pode invocar o direito a declarar guerra e, com toda a legitimidade, exercer o direito à sua “espadeirada” de Estado soberano.

    Agora o terrível e obsceno espectáculo a que se está a assistir em Gaza e que nos entra diariamente em casa e nas consciências nada tem a ver com legalidade, mais se assemelhando, comparativamente, à “espadeirada” de um energúmeno raivoso e descomandado que, do alto dos seus noventa quilos, pontapeia furiosa e deasapiedadamente um miúdo de seis ou sete anos até à morte só porque este deu um estalo no pátio da Escola ao seu querido filhinho, SEJA QUAL FOR O MOTIVO do estalo. E mesmo assim acho que a comparação favorece Israel!

    Por isso, caro Valupi, lamento mas não posso considerar esta “espadeirada” de Israel legítima. E lamento ter que dizer isto, precisamente, por uma questão de aritmética. Mas os números são implacáveis, frios e imparciais, mantêm-se válidos para qualquer realidade, seja ela física ou humana. Ou não é o Holocausto tido na conta que é unicamente devido à sua expressão em números? Nunca tinha visto a questão por este prisma? Mas é assim mesmo.Tivessem sido “apenas” cem mil, ou mesmo quinhentas mil, as vítimas do extremínio nazi e, pois é, se calhar… nunca teria sequer existido Estado de Israel!

    Do mesmo modo, tivessem morrido três ou cinco milhões de japoneses em Tóquio, em vez de duzentos mil em Hiroxima e Nagasáqui, e provavelmente o destino dos Estados Unidos e da Humanidade teria sido bem diferente. É tudo uma questão de números, afinal…

    Por isso retomo o meu ponto essencial: a Civilização define-se por contraponto à Barbárie. A Civilização começa exactamente quando o Homem em sociedade consegue impor limites e regras para o controle da violência entre os seus membros. É da Antropologia básica.

    E se eu continuo obstinado nesta defesa do pacifismo e da legalidade estrita no uso da violência, qual D. Quixote, não é por estar convencido de que um dia cantarei vitória. Mas por uma simples questão de sanidade mental e de consciência.

    Porque, mesmo sabendo que nunca haverá um Mundo ideal, sem violência ilegítima e desproporcionada, também sei que o que nos diferencia dos animais selvagens é que, ao contrário destes, nós ao menos podemos ter a Felicidade de almejar algo mais de que apenas sobreviver dia-a-dia, até à tragédia final…

  38. Marco Alberto Alves, não existe proporcionalidade possível entre o primado da lei democrática e humanista e o terrorismo. Não se deve fazer terror para combater o terror. A solução é outra: abate das lideranças políticas e operacionais e destruição da estrutura. É isso que Israel tem feito e está a fazer.

    Dizes que assistes a um “terrível e obsceno espectáculo”. E daí? Qualquer guerra provoca esse tipo de espectáculo, mas essa não é a questão. Perante a responsabilidade de proteger a população, que farias tu no lugar dos israelitas? Como é que se lida com um inimigo que não aceita a nossa existência?

    Eu não afirmo que a actual invasão de Gaza é legítima. Digo é que a barbárie está do lado dos terroristas. É por isso que me espanta a tua anuência aos números. O Holocausto não é uma questão só de números, até perdendo para outros. O que constitui uma novidade na demência criminosa é o plano e a intenção, o recorte moral de todo aquele processo. A própria ideia em si é substancialmente maligna. No fundo, tal e qual como a ideia do terrorismo, escolhendo vítimas entre os civis.

    Um pessoa morta não equivale a metade de duas pessoas mortas, a um décimo de 10 pessoas mortas e a um milésimo de mil pessoas mortas. Tens de rever as tuas contas.

  39. Marco Alberto não invoque os animais, anda aí uma história mal contada há séculos que eu ainda terei de ajudar a recontar. Não viu o vídeo do cão chileno? Quer maior exemplo de ‘humanidade’? Conheço tantas histórias, até o beijo da morte do leão é misericordioso. Procure ‘redução darwinista’ talvez encontre biofilia.

    homo hominis lupus, dessa é que não nos livramos,

    e abyssus abyssum invocat também.

    sim Valupi, no terreno eu próprio não respondo por mim, acho que se matassem alguém que amo, e eu amo com facilidade, até podia rasgar gargantas à dentada.

  40. A Valupeta é uma naza pateta, que desconhece que terroristas são sempre os ocupantes e nunca os ocupados que, segundo o direito internacional, têm o direito de legítima defesa armada contra o cupante: Ou De Gaulle ; Xanana e Mandela também foram terroristas ? Terroristas patetas como o Valupeta (que pensa que o centro do mundo é a peidola dela) e é nazi-sionista porque a gay Pride de Telavive é maior que a inexistente congénere na Palestina, costumam acacbar masl…é o que faz a falta de peso…

  41. Se aprovo ataques contra civis ? NÃO em Gaza, onde só há civis (não há exército e a polícia e civis armados com armas ligeiras não deixam de ser civis).

    Mas em ISSrael NÃO HÁ CIVIS ! Todos são invasores e terroristas de terras e casas alheias, e conscientes desse facto. Para mais, todos participam ou já participaram na guerra genocidária das SS Tsahal e podem ser remobilizados a todo o tempo.

    Gente decente NÃO OCUPA CASAS E TERRAS ALHEIAS NEM CONSEGUE AÍ VIVER DURANTE DÉCADAS SABENDO QUE OS EXPOLIADOS QUE SOBREVIVERAM VIVEM ALI DO OUTRO LADO DO MURO EM GUETTOS FAMINTOS. Isso não é gente respeitável , nem “inocente população civil”, mas dejectos humanóides, porcos nazis a abater sem comiseração. Tal como os porcos que na blogosfera defende essa escória islamocida. Terão todos um fim muito triste…e não falta muito.

  42. «Perante a responsabilidade de proteger a população, que farias tu no lugar dos israelitas? Como é que se lida com um inimigo que não aceita a nossa existência?»

    O que eu faria era negociar de boa-fé. Se o inimigo continuasse a não aceitar a nossa existência, apesar dessa nossa disposição, a única opção seria fazer-lhe guerra, mas de acordo com regras civilizadas (o Direito Internacional). O que implica o respeito pelo princípio da proporcionalidade. Não sei até que ponto o Exército israelita faz os possíveis por minimizar as vítimas inocentes, mas os poucos factos conhecidos (erros graves assumidos já pelos atacantes) permitem supor que, se não nos pressupostos, pelo menos nas consequências práticas o procedimento dos israelitas em nada se diferencia do dos terroristas que combatem.

    «Digo é que a barbárie está do lado dos terroristas. É por isso que me espanta a tua anuência aos números».

    Por tudo isso é que considero que a barbárie está, em igual medida, dos dois lados: pela expressão numérica das vítimas civis! VÍTIMAS FÍSICAS E PSICOLÓGICAS, devo sublinhar.

    Daí que não perceba onde é que tenho de rever as minhas contas, porque elas não são minhas. Eu só retiro conclusões a partir dos números que, como já disse, são sempre frios e neutros, tal qual os mortos…

    E parece-me que há já muitos israelitas a pensar como eu.

  43. Mas qual boa-fé se Israel se sabe ameaçada todos os dias? A qualquer momento pode entrar um taralhouco qualquer e fazer-se rebentar num autocarro ou numa esplanada.

    A história do conflito é longa, longa de décadas, e as ameaças e agressões começaram literalmente desde a primeira hora. Muita coisa aconteceu de lado a lado, mas o que não podemos é ignorar a situação de Israel.

    Não creio que Israel tenha como política, estratégia e táctica o crime – seria estúpido, certo? – o que é diferente de garantir não haver soldados, comandantes e agentes israelitas que tenham cometido crimes de guerra. Se os há, será normal. Também não é possível intervir militarmente em cenário urbano sem provocar danos entre os civis, especialmente quando os guerrilheiros se servem dos civis na esperança de obter protecção. O que é óbvio é que a invasão de Gaza foi ponderada em todas as suas consequências.

    Claro que há muitos israelitas a pensar como tu, mas há ainda muitos mais a pensar como o seu Governo. Por isso as sondagens aprovaram a incursão.

  44. Ora abóbora, isso não admira! As sondagens americanas também apoiaram sempre a invasão do Iraque. As sondagens sérvias também apoiavam sempre o Milosevic e até as sondagens croatas, se as tivessem feito, teriam aprovado os Karadzic e Mladic croatas que cometeram crimes de guerra contra os sérvios e os bósnios. Uma sondagem justa que pudesse ter sido feita na Alemanha em Março de 45 provavelmente apoiaria o Adolfo. Tal como as eleições na Madeira há mais de 30 anos “apoiam” o Alberto João!

    O que é relevante é poder haver israelitas que sejam por uma solução pacífica do conflito.

    O essencial para mim, como eu já disse, é a bitola e o contexto: um crime cometido por um tresloucado qualquer num autocarro ou numa esplanada não pode ser julgado sem ser à luz e por contraponto a outros crimes, eventualmente até mais graves, cometidos por Israel no Passado. Mas o que verdadeiramente importa é saber como ultrapassar esta fatalidade da “parada-e-resposta” e reconduzir a Palestina à paz e ao Direito.

    E parece-me que não é com sementes altamente venenosas de ódio e cegueira mútuos que isso algum dia se conseguirá. Mas só com atitudes de gente civilizada, que é o que os israelitas pretendem ser, por oposição à barbárie que dizem caracterizar o seu arqui-inimigo…

  45. Isso é que não, o terrorismo como contraponto a “outros crimes”. Israel não manda bombistas para o meio das mulheres e crianças palestinianas. E uma coisa é certa: se Israel não estivesse a ser alvo de constantes ataques também não iria atacar ninguém.

  46. Claro. E se os Palestinianos não estivessem no tormento em que estão há sessenta anos, sem terem feito nada para o merecer, também me parece que não iriam atacar ninguém… Nem morrer gratuitamente, só por puro “fanatismo”.

    E continuar nesta interminável linha de raciocínio equivaleria apenas a replicar, mentalmente, os pressupostos da continuação das chacinas…

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