Que querido.
E não saímos disto.
Ao contrário do que pensam as más-línguas, o Governo também consegue cumprir promessas. Prometeram que iriam ouvir a sociedade civil a propósito da famosa refundação (ou lá o que era) do Estado e é isso que estão a fazer neste preciso momento. Não nos disseram que iriam ouvir a sociedade civil em segredo, mas não se pode falar em faltar à promessa, foi só um pormenor que lhes escapou. O debate está a fazer-se e isso é que importa. Claro que é um bocado esquisito a sociedade civil ficar privada de ouvir um debate em que supostamente está a ser ouvida, mas, lá está, é só mais um pormenor. E até foi bem pensado. Num dia em que os jornais estão cheios de boas notícias, em que se destaca o aumento do rendimento mensal das famílias (coitados, ainda não tiveram tempo de fazer a conta à perda de rendimento anual, que é o que interessa), deixar os jornalistas reproduzirem o debate, correndo o risco de estragar um dia tão bonito com alguma palermice oriunda da sociedade civil, isso é que nem pensar. Mas alguma coisa tinha de falhar. Parece que há uma excepção e vão transmitir o discurso de encerramento a cargo de Passos Coelho. Não se percebe por que razão não se mantém o debate em segredo até ao fim.
Isto de Portugal ser governado por dois proscritos do tandem Manela-Pacheco, e essoutro casal exibir diariamente o seu obsceno desprezo pelos portugueses, é um retrato fiel do que é a direita partidária, mas também do que é a imprensa (ou sua inexistência) e o eleitorado (e suas fragilidades).
Contudo, porém, todavia, nada se compara ao que acontece nesta legislatura na liderança do PS. Porque dos que têm maior responsabilidade esperamos mais e melhor. E numa democracia a responsabilidade maior é sempre da oposição. Numa democracia a responsabilidade primeira é sempre dos democratas.
Foi inaugurado ontem em Ílhavo o Aquário dos Bacalhaus. No primeiro dia centenas de visitantes literalmente comeram com os olhos garbosos exemplares vivos de “fiéis amigos” que à vista de todos davam apetitosamente à barbatana.
Ora aqui está em embrião, para quem puder ver, uma excelente solução para o futuro gastronómico dos portugueses, que deixo desde já à atenção do governo e da troica: comer com os olhos. Mediante um parco investimento, daqueles que não comprometem o futuro dos nossos filhos, poderiam ser construídos por todo o país muitos aquários como este, criando emprego (não remunerado, no caso dos animais marinhos) e satisfazendo a necessidade de contemplar visualmente diversas iguarias de que o governo está apostado em desabituar os estômagos portugueses. Em Lisboa e no Porto, pelo menos, impõe-se há muito a construção de um grande Aquário de Crustáceos. Seguir-se-á, com toda a naturalidade, o Museu do Bife, e lá para 2014 teremos o óbvio Museu do Courato.
Aparentemente já sintonizados com a nova ordem alimentar portuguesa, a Cristas e o Paulinho inauguraram ontem em Pombal uma valente fábrica que vai produzir ovos estrelados instantâneos, leram bem, e assim dar um impulso decisivo às nossas debilitadas exportações. Cocorocó!
“Só o desespero é que pode levar a uma situação em que o engenheiro José Sócrates apresente falsidades, seja desonesto no discurso que assumiu. É grave. De um primeiro-ministro espera-se seriedade”, afirmou o dirigente social-democrata.
“Olhos nos olhos temos que dizer que não é aceitável que o engenheiro José Sócrates diga falsidades e seja desonesto como foi no discurso que hoje assumiu”, salientou.
“Portugal não pode continuar com um governo que seja insensível nas questões sociais, que não olhe para os mais desfavorecidos, que não tenha soluções para os problemas. Este tipo de discurso é um discurso gasto de um primeiro-ministro que obrigou à vinda do FMI e do Fundo Europeu porque não foi capaz, ao contrário do que a Espanha fez há um ano atrás, de tomar decisões”, frisou.
Para Miguel Relvas, José Sócrates é o “problema” e, por isso, considera que a grande questão que se coloca aos portugueses é de saber se quer um primeiro-ministro “que está há seis anos e meio em funções, aumentou o défice, o desemprego, a dívida, a pobreza em Portugal”.
“Vamos criar condições para que depois de 5 de junho, com um governo abrangente, se permita que os melhores estejam na vida pública”, frisou.
Salientando que não é possível continuar a olhar para o Estado de “forma passiva”, Passos Coelho afirmou que para Portugal se livrar da troika e viver no futuro sem precisar de pedir mais resgates, e sem ter o atual nível de impostos, é preciso reformar o Estado e as suas políticas públicas.
“Alguém que pense que pode chegar às responsabilidades sem dizer ao país como vai governar e resolver os problemas, cavalgando apenas a insatisfação ou dificuldades, esse nunca inspirará confiança dos portugueses para governar”, salientou.
“Até junho de 2014 – que é como quem diz daqui a ano e meio – teremos cumprido o memorando de entendimento, não precisaremos mais de ter cá a troika, nem precisamos que a troika ponha cá mais dinheiro”, afirmou, Pedro Passos Coelho, no encerramento do XX Congresso Regional do PSD/Açores em Ponta Delgada.
Consoante o estatuto intelectual do protagonista, o queixume contra o modo como a socialização ocorre na Internet – com o seu intrínseco anonimato e a sua altamente provável violência verbal – tanto pode aparecer como manifestação de crassa ignorância ou como exibição de ridículo preconceito. Desde os anos 80, pelo menos, que se estudam os efeitos psicológicos e psicossociológicos da comunicação por computador e a literatura respectiva tem crescido exponencialmente à medida da aproximação à ubiquidade no acesso aos canais digitais.
Donde, ver em 2013 a desamparada Samsung a desperdiçar um enorme sucesso mediático é um pináculo da estupidez. Aquilo que a marca tinha entre mãos era só o maior sonho de qualquer peça de comunicação nas redes sociais: um escândalo. Os escândalos são raríssimos, especialmente quando envolvem empresas comerciais. E são raríssimos porque não existe nenhuma fórmula para os obter, escapando a todos os cálculos dos profissionais publicitários. Neste caso, ainda por cima, o escândalo em causa em nada prejudicava os produtos ou serviços da marca, era completamente lateral à sua actividade comercial. Perfeição absoluta.
Calhando a Samsung ter tido um decisor culto em marketing digital, jamais teria retirado o vídeo da Pépa Xavier, muito menos teria pedido desculpas. Precisamente ao contrário, trataria era de telefonar logo para a sua instantânea vedeta e marcariam nova filmagem. Em poucas horas, a Pépa voltaria à carga, agora com o país mediático aos seus pés. Diria que tinha ficado sensibilizada com a reacção de tanta e tão boa gente, pelo que ia aceitar a oferta da Samsung para se leiloar uma mala Chanel, a tal. E para onde é que iria o dinheirinho recolhido? Para um grupo acabado de formar que jurava lutar para tornar inconstitucional o abate do cão Zico.
Resultado? Durante algumas semanas, ou meses, a Samsung ganharia em notoriedade à Coca-cola e ao Cristiano Ronaldo. Juntos.
Racial Essentialism Reduces Creative Thinking, Makes People More Closed-Minded
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Psychological Common Ground Could Ease Tensions Among Those With Different Religious Beliefs
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Surgical “Never” Events Happen Nevertheless
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Cognitive Benefit of Lifelong Bilingualism
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Being Bored at Work Can Make Us More Creative
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Eliminating Useless Information Important to Learning, Making New Memories
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Which Study Strategies Make the Grade?
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Does Constant Googling Really Make You Stupid?
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Experts Aim to Redefine Healthcare and Research Ethics
Acho grande piada a quem decide andar por aí a papaguear a falácia do Gaspar, segundo a qual os portugueses têm que optar entre uma coisa má – “o aumento dos impostos” – e outra coisa má, ou menos má – “uma maior redução da despesa” (leia-se o desmantelamento do Estado social, fim da educação pública, do SNS, etc.). Embarcaram nesta falácia muitos jornalistas (com Helena Garrido à cabeça) (não garanto, mas aposto que o José Gomes Ferreira não conteve o contentamento perante a formulação de tão brilhante confronto de alternativas), assim como comentadores e colunistas de imprensa, hoje com destaque para o viperino e desprezível Alberto Gonçalves («as exactas forças políticas que criticam os aumentos de impostos também não aceitam reduções na despesa»; «Os “cortes” violam a Constituição (como se estraçalhar as finanças públicas à custa de negociatas e em seguida deslizar para Paris não violasse o artigo que prevê a punição política, civil e criminal das “acções e omissões” que os governantes “pratiquem no exercício das suas funções”». O que está à espera AG para mover um processo-crime?).
A questão, meus senhores, é que não estamos em presença de opções, digamos, disjuntivas. Tal como a situação se apresenta, os impostos “brutais” a que os portugueses ficaram sujeitos, e que já atingiram o limite, são para manter e irão manter-se a par, e não em vez, dos cortes drásticos e repentinos na chamada despesa (este governo entende que todo o dinheiro gasto pelo Estado é despesa, o que é, convém lembrar, um ponto de vista; ponto de vista de quem não hesitará em considerar a Somália um exemplo de Estado pouco gastador). Assim, os comentadores encartados da nossa praça que, em triste figura, se deixam voluntariamente tomar por parvos ou se armam em espertalhões fariam melhor em pensar duas vezes antes de se disponibilizarem para o ridículo e tomarem os ouvintes e leitores igualmente por parvos. E será conveniente que, da próxima vez que o Governo vier falar na redução da despesa vs. aumento dos impostos, alguém lhes pergunte afinal, a aceitarem-se os cortes, quais os impostos que simultaneamente baixarão. Simultaneamente.
O que se passa com este corte de 4000 milhões é que ele parece não ser mais do que a compensação para a enorme derrapagem orçamental de 2012, que o Governo tenta à viva força esconder, e uma medida preventiva para a mais que previsível derrapagem de 2013. Mas, ao mesmo tempo, é-nos dito que não é imposição da Troika, que foi o Governo que propôs (João Proença e penso que o próprio Governo). O que nos leva a concluir que haverá uma tolerância dos credores face aos falhanços de um aluno subserviente e, para nossa desgraça, incompetente, mas que é este que decide aproveitar a presença de credores cuja ideologia partilha para lhes pedir que avalizem e ponham a chancela no programa inicial do então novo PSD, nunca proposto aos eleitores. Há, pois, uma falta de transparência total sobre o que se passa nas relações do Governo com a Troika. E isto não devia nem podia acontecer. Afinal, os governantes deviam estar a representar-nos. Certo é que, através de notícias expressamente secundarizadas, soubemos que a Troika emprestou mais 4000 milhões de euros a Portugal. Porquê, para quê, com quanto entrou o FMI, ninguém perguntou até agora.
Aquilo a que assistimos é a uma estranha promiscuidade e cumplicidade entre a dupla Gaspar/Passos (com Borges na sombra) e o FMI, pelo menos uma dada corrente do FMI, sem estar verdadeiramente claro se é toda a instituição que está nisto envolvida, pois as declarações públicas sobre a austeridade são contraditórias. Como é possível? Uma matéria tão séria como a condução da política e das finanças de um país está a ser tratada ao nível de arranjinhos e combinações à socapa entre amigalhaços, sendo eles os nossos credores? O Selassie sugeriu esta colaboração? Participou no esquema de branqueamento da derrapagem? Participou na farsa da “refundação do Estado” e da aplicação à má fila de um programa não sufragado? Concorda que se retirem neste momento mais 4000 milhões de euros da economia, mesmo depois do desastre a que está a conduzir o excesso de austeridade? É isto comum, encomendar “estudos” e receitas aos credores? Este governo é um escândalo.
Se há alguma vantagem no relatório do FMI, é esta: goste-se ou não, o que ali está obriga finalmente a esquerda, e sobretudo o PS, a defender activamente o estado tal como nós o construímos nas ultimas décadas. Depois disto já não basta dizer – aliás, acho que nunca bastou – que não se discute, que não se admite, que é de alguma maneira impensável e nem se quer ouvir falar nisso. Não é, nunca foi, e vai discutir-se agora, e nas piores condições possíveis para a defesa deste. O que provavelmente era a ideia. Mas vai discutir-se. Vamos pois a isso.
O ex-presidente da CIP, Francisco van Zeller, está convencido, como todos nós, que foi o Governo quem deu indicações para que o relatório “encomendado” ao FMI fosse publicado como se de uma fuga de informação se tratasse. Van Zeller, que deve saber do que fala, acrescenta que é uma prática corrente do governo “mandar para os jornais à frente, para depois dizer que não é bem assim”. A técnica consiste em primeiro assustar, para depois o governo mostrar a sua moderação e magnanimidade. Aprenderam com aquela história do pide mau e do pide bom.
Todos os dias há desmentidos oficiais de projectos e de aldrabices postas a circular, pública ou clandestinamente, pelo próprio governo. Isto além do desmentido diário que o governo faz das promessas e do programa com que se apresentou perante o eleitorado. E todos os dias o governo prepara novos balões de ensaio.
Creio ser a primeira vez que um país europeu é governado à base de supostas fugas de informações e de desmentidos. O governo manda constantemente balões de ensaio para a comunicação social e fica a esperar a reacção do país. Havendo muitos protestos, inclusive vindos de dentro do próprio governo, Coelho e os seus sequazes fingem encolher-se e lançam novo balão. Quando não são declarações encomendadas ao ministro privado Borges, são relatórios supostamente confidenciais do FMI. Muitas vezes é o próprio Coelho ou um Relvas qualquer que manda umas patacoadas ou anuncia uma reforma marada, para ver o efeito.
Todos os dias há tiro ao balão, que se está a tornar no desporto n.º 1 em Portugal. Mas o tiro ao balão dá aos comentadores políticos, aos analistas económicos, a certos ministros do CDS-PP e ao público zangado em geral a falsa ideia de que conseguem influir na linha da governação. Acho que é esse um dos objectivos principais do Coelho, além de querer fazer passar por suave o pontapé no cu que está a dar a Portugal.
O ex-ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, afirmou hoje que o Estado tinha em 2010 um saldo positivo de cerca de 460 milhões de euros, contabilizados os pagamentos e recebimentos futuros em todas as 36 parcerias público-privadas (PPP).
“A diferença de pagamentos e recebimentos futuros era favorável ao Estado na ordem dos 460 milhões de euros com referência a 2010”, disse hoje Teixeira dos Santos.
Na comissão de inquérito parlamentar às PPP, o antigo governante explicou que “aquilo que o Estado espera receber durante a vida útil das parcerias rodoviárias, ferroviárias e da saúde é superior aquilo que tem que pagar”.
O antigo governante defendeu que “o modelo permite de alguma forma repartir o encargo financeiro no tempo, alinhando a repartição do encargo financeiro com o usufruto dos benefícios económicos” bem como “a repartição do risco”.
“Aquilo que a evidência nos mostra é que os custos associados ao financiamento de projetos públicos, ao abrigo deste modelo, são francamente mais vantajosos do que se resultasse do investimento público direto”, declarou.
Ainda assim, Teixeira dos Santos recordou que o plano rodoviário nacional foi aprovado na Assembleia da República, em 1998, “por todos os partidos com assento na AR”.
“Foi a rejeição do PEC 4 que precipitou a crise de financiamento”, afirmou hoje Teixeira dos Santos, na comissão parlamentar de inquérito às parcerias público-privados (PPP), em que acabou por fazer um balanço do período em que integrou o Governo de José Sócrates.
Questionado pelo PSD sobre as suas responsabilidades no estado das Finanças do país, como secretário de Estado do Tesouro do Governo de António Guterres e depois como ministro das Finanças de José Sócrates, Teixeira dos Santos recordou que “houve um programa, chamado PEC 4, que teria permitido ao país enfrentar as dificuldades que tinha na altura”.
O antigo ministro adiantou ainda que o Governo tinha um acordo com o Banco Central Europeu (BCE) que garantia condições de financiamento semelhantes às que neste momento estão a ser concedidas à Espanha.
Governo e troika têm-nos dito e repetido que temos de passar pelos horrores que nos impõem para podermos sonhar com um futuro mais risonho. E juram que estamos no caminho certo, embora não dêem muitos pormenores acerca do destino que nos espera. Deduz-se que será uma espécie de Paraíso sem igual. Para lá chegarmos mais depressa, Governo e FMI, lembraram-se agora de acrescentar um pacote de medidas inteligentes (imagine-se se não fossem) que passam por um corte de 4 mil milhões na despesa do Estado e de forma permanente. Mas o que quererão dizer com isto de ser de forma permanente? Será que, mesmo que, por milagre, o crescimento económico dispare, que o País enriqueça, os cortes são para manter e nunca mais se poderão aumentar os salários da função pública ou acrescentar um cêntimo às pensões miseráveis de milhares de reformados, por exemplo? Tudo leva a crer que no tal Paraíso para onde nos querem levar o fosso entre ricos e pobres é para manter, ou até para cavar mais fundo, já que passará a ser pecado o Estado desperdiçar dinheiro com qualquer tipo de protecção social. Paraíso, mas, por este andar, só para meia dúzia. Então e como é que se mantêm estes cortes de forma permanente quando este Governo for substituído por outro que pense de forma diferente? Estarão a pensar impedir que tal substituição aconteça?
O que me parece que sofreu um corte permanente e irreversível foi a inteligência dos actuais governantes, e não é de agora.
Não foi susto algum.
O Governo de Passos Coelho, enquanto discutia o OE de 2013, anunciava já a necessidade de cortes adicionais de 800 milhões de Euros e de veio também anunciar, claramente e sem vergonha, a necessidade de restruturar o “Estado Social” a partir de um número: 4 mil milhões de Euros.
Em plena discussão do OE de 2013, o Governo assumia previamente o seu fracasso e a sábia certeza de um retificativo sangrento do já comatoso – para os portugueses –, OE.
Por isso mesmo, toda a discussão na especialidade do documento mais importante para a nossa vida económica, independentemente do seu conteúdo, segundo quem jura defender a CRP, foi inquinada: que verdade havia nos números dos relatórios setoriais se estavam anunciados cortes daquele calibre? Naturalmente, nenhuma.
O OE de 2013 é uma selvajaria, contém normas inconstitucionais, mas é um documento parcelar de um plano mais vasto, plano esse que começa por saber, e ainda assim fazer, um OE sem outro resultado que não mais do pior que vimos em 2012.
Não foi, por isso, susto algum.
O infame documento do FMI, encomendado pelo Governo, participado pelo Governo, significando por parte de Passos a assunção de um protetorado para o qual não tem mandato, chegou com a receita para os tais milhões e milhões de cortes que temos de fazer. É o FMI que diz – uma defesa do Governo – ainda veremos o que do estudo será “aproveitado”.
Ora o estudo, cujo custo ainda não foi divulgado, para além de se basear (acredito que de propósito) em critérios errados a um ponto aflitivo (veja-se o tratamento dado às pensões e às reformas, enquanto despesa social do Estado, como se os beneficiários não contribuíssem ao longo da sua vida para aquelas), tem de ser desmontado, porque parte de uma “mensagem” ou de uma “narrativa” do que é o Estado Social ignorante, mas ainda assim, passível de enganar.
O estudo, que não é uma reforma do Estado, mas um amontoado de cortes indignos, mente sobre a lógica contributiva em que assentamos, ou omite-a, donde ter por implícito antes de cada corte, que o Estado só pode “gastar” um euro que seja com os miseráveis dos miseráveis. Esta subversão do Estado Social, pretendendo fazer esquecer que todos pagamos impostos progressivamente numa lógica de solidariedade, e por, isso mesmo, todos, mas todos têm acesso ao melhor que há de disponível na medicina pública, pobres ou ricos, para dar um exemplo de um dos pilares do Estado Social.
Os inspirados técnicos do FMI, inspiradores desde logo de Carlos Moedas, fingem não saber que o Estado Social representa não apenas uma despesa, mas um investimento e uma percentagem substancial do rendimento das famílias.
Mas temos um Governo. Parece que quer refundar o Estado Social. Qual é o estudo exigível a tal propósito ou justificativo de cortes aqui e ali? Nenhum.
A refundação do Estado Social, para a direita, não tem uma ideia que seja: tem um número, exatamente aquele que corresponde ao desastre das suas medidas de desgovernação.
Andará Louçã descontente, insatisfeito, inconformado, amargurado, ressacado, frustrado, descompensado? A nova direção, deixada em testamento, já não lhe agrada?
Segundo noticia o jornal i, o ex-coordenador do Bloco, do espaço não tão etéreo para onde se remeteu, congeminou e avançou agora com uma nova corrente interna (atenção, maioritária) à qual resolveu dar o nome de «Socialismo» (ler notícia aqui).
E «socialismo» porquê, pergunto eu? Porque Louçã alimenta o grande sonho de capturar o PS e de ser, tudo o indica, o seu líder. O grande sonho de se sobrepor em sua vida a Sócrates, António Costa, Silva Pereira, Correia da Campos, João Galamba e muitos outros de envergadura semelhante na condução do país. E apesar das aterragens forçadas na realidade a que por vezes o têm obrigado – lembro a derrota esplendorosa que Sócrates lhe infligiu num célebre debate eleitoral – o homem não desiste. Tem assim muito de Dom Quixote, mas também há Sanchos Pança em seu redor.
Não sei se ainda iremos a tempo de o ver, daqui a uns anos, a criar uma nova corrente no Bloco chamada «Social-democracia». Anda claramente atrasado.
Nota a propósito: Muitos partidos europeus nascidos como «socialistas» inserem-se, e por muitas e boas razões que não cabe aqui enumerar, na área ideológica da social-democracia. É o caso do português. O termo «socialismo» transporta uma carga histórica, que não tem necessariamente de ser apagada.