Parabéns, portugueses

“Foi a rejeição do PEC 4 que precipitou a crise de financiamento”, afirmou hoje Teixeira dos Santos, na comissão parlamentar de inquérito às parcerias público-privados (PPP), em que acabou por fazer um balanço do período em que integrou o Governo de José Sócrates.

Questionado pelo PSD sobre as suas responsabilidades no estado das Finanças do país, como secretário de Estado do Tesouro do Governo de António Guterres e depois como ministro das Finanças de José Sócrates, Teixeira dos Santos recordou que “houve um programa, chamado PEC 4, que teria permitido ao país enfrentar as dificuldades que tinha na altura”.

O antigo ministro adiantou ainda que o Governo tinha um acordo com o Banco Central Europeu (BCE) que garantia condições de financiamento semelhantes às que neste momento estão a ser concedidas à Espanha.

“Rejeição do PEC 4 precipitou a crise de financiamento”

8 thoughts on “Parabéns, portugueses”

  1. Resta-nos a pobre consolação de um dia podermos ler na História desses dias a condenação do “mísero professor” Presidente Cavaco e todo o cavaquismo, que teve dois momentos altos na sua saga destruidora da moralidade e da finança do país: o BPN/BPP/BCP e a entrega do país nas mãos da Troika. E também a História há-de registar que a esquerda radical se colou ao cavaquismo para derrubar a única força política que lhe foi fazendo frente como soube e pôde: o PS, nomeadamente o PS com Sócrates. Perdeu o PS, também por erros próprios (quem os não comete!), é verdade, e, com a derrota estrondosa do PS em 2011, a democtacia de Abril começou a ser desmantelada.
    Até onde vamos retroceder? Não sabemos. Mas é uma evidência que o tratamento é de choque e impiedoso. Deliberadamente. De forma a aterrorizar as pessoas. Parece a tátctica dos americanos na “Tempestade do Deserto”. A direita gosta de falar em “choque”. Com Barroso, o “choque fiscal”, com Ferreira Leite a suspensão da democracia por uns tempos…Estes de agora, a quem o BE, PCP e povo-unido-manipulado deram o poder absoluto, passaram das palavras aos actos. Era a oprotunidade que faltava e foi servida de bandeja. Penso que nem a própria direita estava à espera de tantas facilidades e de tanta burrice da “esquerda popular”.

  2. eles sabiam disso, só que quizeram privar-nos dessa austeridade violenta.agora temos uma sociedade mais tolerante,pois há menos patroes a chatear os seus desempregados.para nossa alegria, esta politica vai continuar custe o que custar.

  3. Considero esta actual campanha do PS — de culpabilização de tudo o que mexe à esquerda do PS — pouco séria. Os partidos à esquerda do PS são coerentes: manifestam-se contra o modelo ocidental e não escondem as suas teses dos eleitorados, razão essencial por que recebem tão fraco acolhimento. Devo decerto lembrar que o BE foi duramente castigado pelo eleitorado centrista, nas últimas eleições.

    Como eu aqui já disse, e volto a repetir, o PS perdeu as eleições ao centro, junto de um eleitorado que vota com grande dificuldade no BE e nunca no PCP. Trata-se de um eleitorado que foi duramente martelado, durante alguns anos, pelo Medina Carreira e outros agentes de intoxicação e desinformação. Por seu turno o PS, tratando sempre com esse eleitorado através de meias verdades e informação truncada — em vez de o educar com a verdade — acabou apanhado na ratoeira. Repito: o PS morreu na ratoeira — da “consolidação” orçamental e da “racionalização” do Estado — que ele próprio ajudou a erigir.

    Devo também lembrar que o PEC 4 era, ele próprio, um documento inconsistente, que exigiria medidas de austeridade subsequentes para alcançar os seus objectivos genéricos — os mesmos que estão no memorando. O PEC 4 não foi suficientemente discutido; melhor dizendo, nem foi marginalmente discutido! Foi apresentado de surpresa — numa tentativa, creio, de agradar aos mercados financeiros com o palavreado que eles gostam, mas evitando enunciar todas as medidas necessárias à materialização dos seus objectivos genéricos. (Mas resta saber se os mercados se deixariam mistificar dessa forma…)

    Ao mesmo tempo, é bem sabido que o PSD — com dificuldades crónicas em ver sufragado o seu programa retrógrado junto do eleitorado português moderno e urbano — estava com fome do poder. Aproveitando a oportunidade que o PS lhe oferecera de bandeja, o partido laranja foi para os meios de intoxicação social criticar o PEC 4, apresentando-o como um facto consumado acordado às escondidas entre José Sócrates e Angela Merkel, afirmando que Portugal estava reduzido a um protectorado alemão e, pasme-se, que tudo aquilo constituía uma reles traição à pátria lusa! Ao mesmo tempo que alardeavam toda esta demagogia, os laranjas planeavam trair o eleitorado que engodavam, trocando o apoio do povo pelo apoio dos FoMInhas.

    Eu gostaria que o PS reflectisse sobre o seguinte facto: tendo em conta o que aconteceu nos Açores, eu não tenho dúvidas que os socialistas terão um resultado eleitoral histórico, nas próximas legislativas, e que obterão uma maioria absoluta confortável. O PSD será duramente castigado, enquanto BE e PCP terão grande dificuldade em ver acolhido, pelo eleitorado não radical, o seu programa de confronto como a finança ocidental. O problema, porém, será o que depois fazer com tal maioria. O PS precisará de um programa coerente, com objectivos que correspondam às reais necessidades (e possibilidades) do país. Como esse programa será muito difícil, o povo tem que estar devidamente informado para poder participar das reais decisões. Caso contrário acontecerá o mesmo, ao próximo governo PS, que aconteceu ao anterior: será apanhado na sua própria ratoeira comunicacional. A verdadeira legitimidade democrática é a que se baseia na participação do povo, através do voto, nas decisões políticas reais, e não num concurso de personalidades baseado em chavões publicitários. Não ajudará o PS se se fizer eleger com base num programa eleitoral vago, suportado em propaganda eleitoral que radique em meias verdades e mistificações da realidade.

    Também não ajudará em nada o PS se este partido, subsequentemente à sua próxima vitória eleitoral, ousar sacrificar o apoio do povo português ao apoio dos FoMInhas.

    Notem, contudo, que há uma contradição — um par tese-antítese, da dialéctica hegeliana — no texto acima. É um espelho da situação presente da sociedade portuguesa. Pensem agora vós em tudo o que — de dilema — há que pensar…

  4. “Considero esta actual campanha do PS — de culpabilização de tudo o que mexe à esquerda do PS — pouco séria.”

    pouco sério é fazerem moções de censura, manifestações e contestações a granel, alianças com a direita, colaboração no maior embuste eleitoral de sempre e não assumirem a merda que fizeram. coitadinhos, nunca foram governo não podem ser culpados de nada. já agora, o bloco é ideológicamente o quê? uma federação que vai de maoístas a sociais democratas com tendências a assimilar a democracia cristã, só pode na visão megalómana de partido único liderado pelo profeta xico.

  5. joaopft.gostei desta:”os partidos à esquerda do ps são coerentes: manifestam-se contra o modelo ocidental”. joão,nós tambem somos coerentes mesmo antes de 1974: contestamos os modelos que vigoraram no leste (com razão como todos vimos e os que ainda resistem” democraticamente” na asia (china e coreia) e em cuba.os ” não” ocidentais passaram a ser e, não vi nenhum pais ocidental mudar de regime.resumindo: nós estamos todos com o passo trocado e a “esquerda de verdade” é que vai com o passo certo. joão um bom fim de semana para ti.Obs. se fizeres uma sondagem mesmo periodo de crise profunda, os portugueses com toda a certeza dirão que não querem sair da europa.joão o que fazer? educa-os podes ter sorte.o bloco é que parece que esta a ser educado,já vai em ultimo lugar na corrida para mais um pote.

  6. ignatz, Nuno CM,

    Essas forças são coerentes, mas apenas na medida em que defendem o afastamento (político) do bloco ocidental.

    A minha crítica ao PS é construtiva e, embora a argumentação seja vigorosa, não pretende entrar em polémica. Se lerem o texto até ao fim, lá é dito que há uma contradição na nossa actual sociedade, e que essa contradição terá que ter um desfecho. Essa contradição cria problemas lógicos em todos os discursos, como é evidente. O BE terá mais dificuldades que o PCP, e é fácil de perceber porquê: este partido tem uma tendência social-democrata, enquanto o PCP expurgou essa tendência, lá para os idos de 1990. Ora é mais fácil, para quem é mais radical, manter a coerência. Mas, uma vez recaindo sobre o PCP a responsabilidade de governar, apareceriam logo as contradições. Como se viu no passado, as oposições dialécticas são um facto da vida e não uma característica única do capitalismo. (Eis uma crítica — construtiva — que não se dirige ao PS ;)).

    Também não apresentei qualquer tipo de soluções, e isso não foi por artifício de retórica. Eu próprio me inclino para uma solução radical para o problema da dívida, ao estilo do Equador. Isto não por acreditar em ideologias pré-fabricadas, mas por achar que o Ocidente já teve o seu momento, já passou do seu apogeu, e que é chegada a altura de Portugal partir para outros mundos — como em “A Jangada de Pedra”. Por isso tenho a honestidade de vos dizer: eu não estou habilitado a contribuir para a síntese dialéctica que o PS terá que fazer. Será o PS — partindo do seu ideário social-democrata, e em contacto com as forças que representa — que terá que percorrer o seu caminho próprio.

    Repito, mais uma vez: não pretendo polémicas, pretendo apenas dar um contributo positivo. Aproveitem o que vos for relevante e coerente com as vossas ideias, como a mim me ensinou a escola que saiu do 25 de Abril, quando eu era mais jovem, a fazer.

  7. joãopft,achas correto defender esse afastamento politico do bloco ocidental,quanto nós estamos lá dentro e com todos os defeitos, ainda é a região do mundo que goza de mais prosperidade?joão não é o afastamento do ocidente que não lhes permite crescer,é o projecto de sociedade que o pcp defende e que o bloco não consegue descolar com medo de perder o pé.o pcp não pode ser visto pelos deputados que têm no parlamento,mas pela brigada do reumatico que está no comité central.a soluçao é simples,basta a europa virar para o caminho da social democracia.combatendo-a a não vamos lá.no bloco o unico que se assumiu como defensor dessa via na convençao foi daniel oliveira e mais uns camaradas que não ultrapassaram os 20%.o radicalismo do bloco nem dá para fazer um coligaçao eleitoral com o ps,pois em vez de dar mais votos subtrai, com aconteceu com a coligaçao do ps +a frs (ex militantes do ps como lopes cardoso). quem tem patrocinado ao longo de 4 decadas a rotatividade(negativa no meu ponto de vista) entre ps e psd? durante anos o pcp e hoje com a companhia do bloco. a direita tem ido para o poder à custa de erros mas com a bençao da extrema esquerda. não posso esquecer o passo atras que vamos dar em termos de conquistas por causa de dois partidos que se intitulam de esquerda e que hoje choram lagrimas de crocodilo.Já reparaste que o pcp está a subir à custa da desgraça do povo portugues,quando em bom rigor devia estar a ser penalizado como acontece com o bloco. não defendo esta europa,mas não tenho duvidas que é o meu lugar, com uma regulaçao a serio e com os mercados financeiros e a banca a funcionar com outro rigor e mais escrutinio.viste alguma preocupaçao dos partidos a nivel nacional com essas materias? os votos de uma boa tarde desportiva, e que o sporting ganhe.

  8. Nuno CM,
    Concordo com muito do que escreveste; uma coligação pré-eleitoral do PS com o BE não acrescentaria votos. Quanto a um acordo de governo pós-eleitoral, só se se tornar mesmo inadiável a saída do euro. Caso contrário, o PS terá dificuldade em manter o eleitorado do centro, que é o que faz ganhar ou perder eleições. Por isso me parece que o PS deve seguir o seu caminho, mas deve pugnar por fazer evoluir o debate político no nosso país, dados os desafios que, provavelmente, terá que enfrentar.

    O afastamento do bloco ocidental parece-me ser a solução de futuro, mas isso é no abstracto: no concreto, há que ter em conta o timing. Não pode haver precipitações, mas também demesiada hesitação pode-nos conduzir a uma situação parecida com a fuga da corte para o Brasil, aquando das invasões francesas. Nessa ocasião, adiou-se por demasiado tempo a decisão, e no fim ficámos à mercê das condições impostas pelos ingleses.

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