Antes o Inferno do que o Paraíso que nos querem vender

Governo e troika têm-nos dito e repetido que temos de passar pelos horrores que nos impõem para podermos sonhar com um futuro mais risonho. E juram que estamos no caminho certo, embora não dêem muitos pormenores acerca do destino que nos espera. Deduz-se que será uma espécie de Paraíso sem igual. Para lá chegarmos mais depressa, Governo e FMI, lembraram-se agora de acrescentar um pacote de medidas inteligentes (imagine-se se não fossem) que passam por um corte de 4 mil milhões na despesa do Estado e de forma permanente. Mas o que quererão dizer com isto de ser de forma permanente? Será que, mesmo que, por milagre, o crescimento económico dispare, que o País enriqueça, os cortes são para manter e nunca mais se poderão aumentar os salários da função pública ou acrescentar um cêntimo às pensões miseráveis de milhares de reformados, por exemplo? Tudo leva a crer que no tal Paraíso para onde nos querem levar o fosso entre ricos e pobres é para manter, ou até para cavar mais fundo, já que passará a ser pecado o Estado desperdiçar dinheiro com qualquer tipo de protecção social. Paraíso, mas, por este andar, só para meia dúzia. Então e como é que se mantêm estes cortes de forma permanente quando este Governo for substituído por outro que pense de forma diferente? Estarão a pensar impedir que tal substituição aconteça?

O que me parece que sofreu um corte permanente e irreversível foi a inteligência dos actuais governantes, e não é de agora.

12 thoughts on “Antes o Inferno do que o Paraíso que nos querem vender”

  1. corte permanente são: os despedimentos, o corte nas reformas e salarios. começo por dizer que sair com o ultimo salario no estado era uma imoralidade face ao privado,que para levar 80% tinhamos que ter 40 anos de serviço.se tivesse havido coragem de todos os partidos para alterar este estado imoral,talvez não estivessemos na situaçao actual.quem está na funçao publica a partir de 92 o calculo já e o mesmo do privado, os que entraram antes de 92 saiam todos com o ultimo salario. .socrates alterou para o mesmo regime mas a partir de 2007. um exp. quem saisse em 2012 o calculo até 2007 era o antigo, a partir de 2007 já era a formula dos privados.As greves dos professores não foram só por causa das avaliçoes,esta pequena mudança na reforma tambem entrou na motivaçao.resumindo.Sou a favor da passagem para o mesmo regime de imediato.lembro para quem não sabe que no privado era a media ponderada dos melhores 10 anos dos ultimos 15. já tinha sido os melhores 5 dos ultimos 10,mas para o privado não lhes faltou coragem para agravar.isto de ser juiz em causa propria(deputados) é uma chatice…. para sermos crediveis, temos que concordar com tudo que vá no sentido da justiça relativa.o ideal era nivelar pelo melhor mas isso é só possivel para o pcp e bloco,na caça ao voto.

  2. NUNO CM – só uma pequena correção. Para se reformar com 100% do calculo da reforma ( não significa o ultimo ordenado … mas 100% do calculado) eram precisos 40 anos de descontos E ter 65 anos de idade …- Se tivesse menos de 65 entrava uma formula de desconto. Havia outra hipotse de calculao para ter os 100% do calculado, mas para isso era preciso trabalahar cerca de 45 anos ou mais. Cá o rapaz trabalhou 44 anos e 4 meses e ainda lhe deram uma dentada de 5%!

  3. João Lisboa, e a merda que tens na cabeça, também lá chegou com açúcar, ou nem foi preciso?
    ___

    Nuno CM, creio que tens aqui espaço mais do que suficiente para falares dessa candidatura e de todas as que entendas que devem ser faladas. :)

  4. guida, para mal dos nossos pecados há por aí muita gentinha que abana a cabeça para cima e para baixo, aos dislates que esta governação faz, como se fossem cavalgaduras, e, entendem que a maioria dos reformdos são uns mamões que ganham o que não descontaram, que quem está a viver pelo fundo de desemprego é calão, que os funcionários públicos são todos um bando de parasitas que lhes chupam os impostos e que todos os políticos são uns gabirus.

    Como a oposição nada tem feito, para além de se andarem a atirar uns aos outros, ou então, para cúmulo, por vezes até chegam a servir de muleta para a canalha que nos (des)governa, o melhor é não ter grandes esperanças.

    Já agora, e para satisfação do Nuno, também não entendo o apoio do PS ao João Cordeiro mas se calhar também não deve ser para entender, pois já nas europeias enfiou lá para dentro com um Vital Moreira que cada vez está mais parecido com a aquisição do merceeiro para a Pordata.

  5. há para aí uns comunas travestidos de socialeiros com manias de fiéis interpretes dos desígnios do partido socialista, pena que não façam a mais leve ideia do que é a social democracia ou um estado de direito para não dizerem tanta asneira e entenderem os poemas do vital moreira.

  6. teofilo, estou certo que não estas a por no mesmo plano um fdp, com um politico que deu a sua opinião que não me agradou quanto à constitucionalidade do orçamento.Vital moreira gosta da politica não precisa dela para viver, pois é prof. universitario e dá pareceres que rendem milhares.aveEspero sinceramente que esteja errado no seu parecer.julgo que quanto ao reformados, ele acha que pode haver inconstitucionalidade nas medidas do governo.

  7. nuno, não estou a colocar no mesmo palno ninguém, só a recordar as escolhas sem sentido que o PS por vezes faz.
    Não é de agora a minha animosidade contra o Vital Moreira. A sua intervenção neste assunto das inconstitucionalidades do OE é apenas mais uma das muitas colheradas mal metidas.
    Se quer dar o seu parecer que o faça claramente e sem andar com rodriguinhos, mas não me esqueço da afirmação de que Portugal está no bom caminho, nem do que pensa sobre o relatório do FMI onde parece dar uma no cravo e outra na ferradura, nem de suas anteriores, desde a famosa criação do imposto europeu até ao apoio dado ao ACTA.
    Quanto a não precisar da política para viver já me parece exagerado, pois há gente que sem andar na política se sente nu.

  8. Os FoMInhas esqueceram-se de confessar o verdadeiro motivo do corte adicional de 4 mil milhões: os modelos que aplicaram, e que serviram de base ao memorando dito de entendimento — honra lhe seja feita, o sócrates tentou fugir dos FoMInhas como o diabo da cruz — mas, dizia eu, os tais multiplicadores de que se falou aqui há uns meses atrás, mas de que agora está convenientemente olvidada toda a rapaziada laranja (e seus órgãos de intoxicação), assumiam que por cada corte de 1% do PIB na despesa pública o PIB caía apenas 0,5%. Veio-se a ver que afinal, em Portugal, a queda do PIB foi mas é de 2% por cada 1% de “poupança” no OGE. Este é o motivo por que as contas de gaspar saíram furadas; e, afinal, a folga no défice que iria servir para pagar as indemnizações aos rescindidos da FP, os mesmos que depois iriam trabalhar para os privados — já não existe.

    Este plano é ridículo e absurdo. Não serve os propósitos enunciados, que são de privatização dos serviços públicos. Cortar permanentemente?! Não há qualquer sustentabilidade macro-económica, nestas medidas. Esta é a táctica Goldman-Sachs em acção, que tão podres frutos deu no caso do subprime. Servirá apenas para enganar investidores mal informados, em busca de pechinchas que não se hão-de materializar. É o mercado financeiro do subprime, agora à escala das nações.

    Se querem os números da realidade, aqui vão: 4 mil milhões de corte na despesa pública corresponde a 2,5% do PIB; a queda no PIB que isso provocará em Portugal é de 5%. Se juntarmos a isso as medidas do OGE de 2013, teremos uma queda do PIB de 10%, no total.

    10% de queda do PIB foi o que aconteceu à Argentina, no ano em que entrou em incumprimento. Do que é que está à espera a oposição?

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