Este Fórum da TSF emitido ontem, intitulado “Agitação no PS”, regista 4 convidados e 14 participantes. Metade dos convidados fez a apologia de Seguro e a outra metade analisou objectiva e criticamente a situação. Entre os 14 cidadãos que se ouviram, nenhum manifestou apoio a António Costa. Dois deles estavam contra o PS. Os restantes 12, 85% dos “espontâneos”, repetiram as seguintes mensagens, na maioria dos casos usando as mesmíssimas expressões e sua ordem de exposição:
– Seguro tem tido uma vida difícil.
– Seguro aceitou ser líder depois da segunda maior derrota de sempre do PS.
– Seguro não é responsável pela assinatura do Memorando.
– O grupo parlamentar do PS está cheio de intriguistas de corredor que apenas criam problemas ao partido e a Seguro.
– A actual agitação deve-se a um pequeno grupo de antigos membros do Governo de Sócrates que têm sede de poder.
– Com Seguro o PS está à frente nas sondagens.
– Costa, e quem o apoia, está a servir os interesses do Governo.
– Costa deve dedicar-se exclusivamente a Lisboa.
– Costa deve ser candidato a Belém.
– Seguro chega sempre primeiro onde o Governo de Passos chega atrasado.
– Seguro é o garante da unidade do PS, ficou mais forte com o episódio da contestação e agora é tempo de se acabar com as discussões internas.
– Seguro tem ética, seriedade, princípios, determinação, coragem, ousadia, espírito de missão. É o grande líder.
As máximas acima coligidas, disparadas bovinamente pelos apparatchiki de mão, imitam e desenvolvem as declarações de Seguro e sua guarda pretoriana vindas a público desde que rebentou a crise socialista. A actual direcção do PS acha que Portugal está ao nível deste confrangedor e patético exercício de manipulação de um espaço de intervenção pública. Tudo bem. Na verdade, é até natural que assim pense, o que só vem acrescentar coerência ao que conhecemos destes valentes noutras situações um bocadinho mais importantes para o presente e futuro dos portugueses. A questão que trago, porém, é de uma ordem mais comezinha. É que dois dos zelosos participantes conseguiram reproduzir uma citação atribuída a Gandhi. Esta:
Primeiro eles ignoram-te, depois riem de ti, depois combatem-te, e depois tu vences.
Ora, podendo ser uma fiel tradução de algum dito do filho de Karamchand e Putlibai, sei lá eu, não deixa de ser uma frase enconada. Revela um sentimento de humilhação, seguido de vocação martirizadora, culminando na descida ex machina de um contentor de Prozac. Não pode, pois, surpreender a aversão ao passado que estes amigos exibem dado que não consta haver memória de tal promoção da boçalidade no longo historial do partido. No passado, esta macacada pura e simplesmente não teria acontecido.
Seguro, tu que és o grande chefe desta família e de outras famílias, pelo menos assoa o nariz à rapaziada antes de os deixares sair à rua.

