Se Seguro for reeleito

Reconheçamos que não deve ser fácil aos elementos publicamente mais interventivos do PS – António Costa, João Galamba, Silva Pereira, Augusto Santos Silva, Pedro Marques, Vieira da Silva, Fernando Medina, Marcos Perestrelo e outros, os que fazem verdadeiramente oposição ao Governo – verem o partido conquistar alguma confiança dos eleitores graças às suas intervenções assíduas (são, para todos os efeitos, os rostos públicos do partido) e ao mesmo tempo verem Seguro colher os louros, apesar das suas desastradas intervenções, dos seus desaparecimentos, da inépcia como líder, da recusa em defender o passado e do desligamento total e notório que existe entre ele próprio e os ditos militantes. Algo aqui não bate certo. Há uns que fazem oposição e há outros que esperam que o poder lhes caia no regaço, recusando ir à luta com os mesmos princípios que os primeiros, mas beneficiando da sua qualidade. Alguém imagina o que seria a oposição do PS sem as ditas intervenções? A ideia de greve aflora-me à cabeça.

A situação tem, portanto, que ser clarificada. Se Seguro conquistou os órgãos locais do partido e se quer apresentar a futuras eleições legislativas com base no trabalhinho interno de sedução e promessas, ou seja, com as bases na mão, mas sem programa para o país nem mérito para unir o partido e atrair os melhores, os que em Abril lhe renovarem o mandato devem preparar-se para perder as eleições nacionais (Seguro já mostrou não ter força de argumentação nem consistência) e entregar o país mais uns anos a este bando de estarolas que se alcandorou ao poder e que, convém não esquecer, dispõe de técnicas políticas poderosas, que não olham a meios. Se, pelo contrário, Seguro perder, a estratégia de oposição do partido passará a ser coerente, racional e implacável, com pessoas bem preparadas a assumi-la, além de propor sem medo aos portugueses um projeto de desenvolvimento que vinha fazendo o seu caminho com Sócrates, até ao eclodir da crise, e que deve agora ser bem negociado em Bruxelas e com os credores. É que a economia entretanto afundou-se, caso não tenham reparado.

Que se reúnam, pois, e partam a louça toda dentro de portas, se preciso for, mas a situação atual do partido não pode continuar. É demasiado injusta. Tantas deixas que o Governo oferece – para só citar as mais recentes: o relatório do FMI, a alegada boa execução orçamental, mas que estranhamente exige cortes de 4000 milhões no Estado social, a RTP, a farsa da ida aos mercados – e que Seguro, como líder, incrivelmente desperdiça! Quem nelas pega e as desmonta são outros e por sua própria iniciativa, enquanto o líder prefere andar pelas feiras e fábricas locais a angariar apoios das “bases”. Será preciso que o partido perca as eleições legislativas, vergonhosamente, dadas as circunstâncias, para a liderança mudar? E o país, ó gente?

10 thoughts on “Se Seguro for reeleito”

  1. “Será preciso que o partido perca as eleições legislativas…”

    é o mais provável, os imbecis são mais que muitos e o adesivo é bué de forte. só sabotando na laca para ficarem com o cabelo em pé.

  2. Seguro tem passado a vida distrito a distrito, concelho a concelho a assegurar que a sua facção se apresente as eleicoes autárquicas nao cuidando de saber os méritos dos mesmos. Confiando que a ma governação lhe de de bandeja os votos nao importa quem sao os candidatos pois o que interessa e que lhe sao fieis. Nunca vi tal coisa no PS. Pura retaliação aos militantes que colaboraram com o Sócrates.E preciso mudar para que esta canalhada que só vê lugares para os quais nao tem mérito seja posta no seu devido lugar.a continuar tudo isto vejo com grande apreensão o futuro do Ps. Ate mesmo uma cisão e possível….

  3. Eu não colocava tanta fé na reeleição do Seguro, especialmente se o António Costa se apresentar a eleições.

    Relativamente à sua primeira eleição para secretário-geral, muito se deveu à condução da política interna no tempo de Sócrates, que, apesar de contar com o meu apoio e voto, fez muitas coisas mal feitas a esse nível.

  4. Grande chefe Seguro, o engomadinho empertigado, fez passar a mensagem, através dos seus corajosos ventríloquos anónimos e com a colaboração salivante do jornalismo mercenário, que “está furioso” com os contestatários internos. Calculo que a intenção seja que no PS fique tudo borradinho de medo e ninguém se atreva a mijar uma pinguita que seja fora do penico. Até eu, que não tenho partido mas votaria PS se lá estivesse o Costa, tive ontem de mudar de cuecas 32 vezes, e hoje, embora mais apaziguado, já vou em 15 mudas.

    É injusto, a minha desgraçada reforma não permite despesas extra provocadas por descontrolos intestinais agudos desta magnitude. Se o susto continua, serei obrigado a usar fraldas.

    Adeus, tenho de ir a correr esconder-me atrás do frigorífico, pareceu-me ouvir a voz do Seguro, na escada do meu prédio, a tonitruar: “EU É QUE SOU O PRESIDENTE DA JUNTA!” Ai que medo!

  5. E os jornais estão à espera de quê para fazerem uma sondagem ao maralhal que vota PS? Ou mesmo a militantes do PS anónimos
    Tenciona votar no PS ?
    E quem prefere para a liderança do partido? Costa ou Seguro?

  6. A direita vai fazer tudo para tentar segurar o Seguro, por saber que Seguro é irrelevante. Um jotinha empertigado, tão oco como o Passos Coelho. Veem-no como um aliado no ataque à obra do governo Sócrates e a prova disso é que pudemos ouvir, um dia destes, um dos companheiros de Seguro fazer a narrativa exacta da direita sobre a actual crise: a total responsabilidade do governo Sócrates por ela. Não sei por que Silva Pereira, Costa, Vieira da Silva ou Santos Silva se calaram perante a enormidade. Se pensam que, contemporizando, contribuem para a paz dentro do PS, estão bem enganados. O que eu penso é que o seu silêncio, perante a afronta, representa o principio da diluição do PS. O próximo secretário geral até pode voltar a ser José Seguro. Com todo o demérito da oposição interna. Os militantes que elegeram Seguro bem o merecem por muitos e bons anos. A direita fica imensamente grata.

  7. Competamente de acordo.
    Seguro é o “seguro” de Passos Coelho. Até o insuspeito Marcelo o reconheceu, claramente.
    Depois, basta consultar o andamento das sondagens no blog Margem de Erro, para se verificar que neste quadro horrível em que nos encontramos, o PS, embora à frente é o único partido que desce em Novembro e Dezembro!
    Também se está a estabelecer uma confusão. Quem começou por mostrar pressa foi Seguro ao anunciar a antecipação dos programas eleitorais e até falar em maioria absoluta.
    Haja clarificação, sim. Mas Costa não deve desistir de Lisboa. A questão da liderança tem tempo. Seguro pode ser boa pessoa e controlar o partido. Porém quem está de fora, como eu, fica completamente desolado perante a mediocridade da intervenção de Seguro. Fica ao nível de P. Coelho. Bem diferentes são as actuações dos socialistas mais bem preparados – António Costa, João Galamba, Silva Pereira, Augusto Santos Silva, Pedro Marques, Vieira da Silva, Fernando Medina, Marcos Perestrelo e outros – como é referido.
    Nem toda a Direita é estúpida – não haja engano. A Direita percebe quem vale e lhe pode fazer frente. Como é possível que a Esquerda não perceba isto?

  8. O PS cada vez mais se assemelha ao saco de gatos que tem sido o PSD!
    Ao permitir no tempo, sem o adequado contraditório, as narrativas da direita sobre
    o estado de quase bancarrota a que o País chegou, a liderança do PS não mostrou
    visão nem coragem política, antes tem revelado muita apetência por algumas mordo-
    mias que vai usufruindo e procura ficar bem na foto atrás do chamado “sentido” de
    responsabilidade … mas, muito vazio de idéias ou de um projecto mobilizador para a
    sociedade portuguesa, é a mesma cassete repetida à exaustão!
    Naturalmente, apesar dos últimos gritos, o Tózé não chegará a primeiro ministro por-
    que os portugueses após o mentiroso P.Coelho ter chegado ao Pote, vêem o Seguro
    como mais do mesmo … não passa de um jota com habilidade para construir túneis!!!

  9. Pedro

    Tu nao conheces o Pedro Passos para puderes dizer que ele é ôco. Acredita que de ôco ele nao tem nada. Depois, como diz o ditado popular ” quando se zangam as comadres, descobrem-se as verdades”. Dizem que o PSD é um saco cheio de gatos, mas por aquilo que se está a ver, o PS é um saco cheio de comadres.
    Pelos comentários que tive oportunidade de lêr, este fim de semana, aqui no blog, vejo que os socraticos e oposição ao InSeguro, já estão descrentes. A euforia, depois das afirmações de Silva Pereira, sobre a marcação de um congresso extraordinario, já se desvaneceu. Tanto o InSeguro como o Silva Pereira foram precipitados nas declarações proferidas na semana passada. O primeiro, porque meteu as patorras, em toda a linha, sobre a forma como comentou a ida de Portugal aos mercados e de ter pedido eleicões anticipadas, com uma maioria absoluta. A única coisa que este rapazinho de absolut tem condiçoes de pedir, é um Vodka e é necessário que o empregado nao saiba quem ele é.
    Em relação ao Silva Pereira, pessoa que eu respeito pela sua capaciade intelectual e política, devia ter esperado primeiro, pela reacção do Antonio Costa, ao leilão das obrigações do Tesouro. Claro que o Antonio Costa, como já tive oportunidade de escrever no blog, só avança quando sente que o poder está prestes a cair-lhe nos braços. Como ficou tudo eufórico com o resultado do leilão, até o António Borges veio dizer que nao era necessária mais austeridade, Antonio Costa recuou.
    Já, também, tive oportunidade de escrever, o lider natural do PS é o Socrates. Têm de dizer ao “querido lider” que a licença sabática ja terminou. Se nao, com andar da carroagem, nem daqui a 1000 anos voltarão ao poder.

  10. “Se nao, com andar da carroagem, nem daqui a 1000 anos voltarão ao poder.”

    cá pra mim é mais canuagem e da maneira como isto corre para o cano, vai levar bué de anos a recuperar da vingança direitola.

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