Este é o nosso passado

Passado

Não admito que nenhum combate político seja condicionado por agendas pessoais, pela mera ambição pessoal e o regresso ao passado
António José Seguro

*

Não sei qual o passado que António José Seguro rejeita e ao qual não quer regressar. Não sei, também, qual o passado de que António José Seguro se envergonha, e qual o motivo para que isso aconteça. O que eu sei, isso sim, é que ao longo dos seus 39 anos de existência, tantos como os deste mero militante, o Partido Socialista foi talvez o principal agente transformador e de progresso deste país, de um dos mais pobres e atrasados na Europa até à sociedade que nós, todos nós, construímos e de que nos devemos orgulhar e defender. Mesmo na dificuldade. Especialmente na dificuldade.
E esse trabalho foi o de todos os Secretários-Gerais. Todos eles contribuíram, todos eles deram o seu melhor. Houve, evidentemente, aqueles com os quais concordei mais e aqueles com quem concordei menos. Aqueles que me entusiasmaram mais e aqueles que me disseram menos. Os que lutaram e ganharam, e os que mesmo lutando perderam. Todos eles fizeram do PS aquilo que é hoje aos ombros da obra dos anteriores. Melhorando-a, corrigindo-a, fazendo-a avançar, dando o seu contributo e o seu cunho pessoal na construção, sempre inacabada e imperfeita, de um partido melhor. E com isso, de uma sociedade melhor.
E todos eles, sem excepção, são para mim motivo de orgulho e admiração. Este é o meu partido, este é o meu passado. Mesmo sendo apenas um militante, respondo por ele, e pela obra de todos os líderes, a quem o puser em causa.
Por isso, repito, não sei qual o passado a que António José Seguro se refere. O que sei é que quem tem vergonha do passado não tem, certamente, grande futuro.

24 thoughts on “Este é o nosso passado”

  1. Plenamente de acordo Vega. A, talho de foice. Um dia, numa carvoaria, o seu proprietário estava a tratar da confecção do carvão, quando lhe entra pela oficina adentro um seu filho que se tinha formado médico e há uns tempos não se viam. Quando assim acontece, a primeira reacção de um filho para o seu progenitor, é um abraço. Preparava-se par o fazer mas foi interpelado pelo pai para não se aproximar porque o sujava com o pó do carvão. Resposta do filho: foi essa sujidade que contribuiu para o que sou hoje! Venha lá esse abraço.
    Todos temos um passado. Quem o renega não é merecedor de estima. “Filho és, pai serás como fizeres assim receberás.”

  2. Simplesmente vergonhoso. Claramente o Tozé é que não está a altura do passado do partido. Temos a certeza de que ele não é um agente do PSD infiltrado?

  3. o costa fez bem em desistir porque não tem condições para ganhar um congresso dominado por imbecis e apadrinhado pelo mário soares. já o silva pereira teve razão antes do tempo e deveria ter ficado calado para não queimar cartuxos com inviabilidades. ambos ficaram mal na fotografia e a coisa ficou mais fácil para o palerma do seguro que vai aguentar mais dois anos até perder as próximas legislativas com o passos. resta-nos o portas para implodir a coligação.

  4. portantes o siguro vai fazer um congesso para concorrer contra si mesmo a secretário geral. lá vai ter que contratar um figurante a candidato para poder entronizar-se com 100% dos votos.

  5. Pensei que Costa avançasse mesmo. Era a última esperança contra a diluição, que pressinto, do partido socialista. Os dados estão lançados. Os eleitores militantes do PS escolheram, para os dirigir, aquele que renega o seu passado.
    Boa análise do Vega. Vai ficar a falar muito só.

  6. O seguro tenta rasgar o passado e obliterar o futuro. E o pior é que no futuro iremos estar nós, os que ficaram, e a corja que com melífluas palavras, por omissão, ajuda a manter. Em resumo o seguro é omisso. Deixem-me avacalhar a questão, o seguro é como o espermatozóide coxo, quando lá chegar já fechou o “guichet”.

  7. Embora não seja militante partidária, subscrevo inteiramente este texto.
    O PS foi o partido em que sempre votei – e não falhei uma única eleição democrática! – umas vezes com mais, outras com menos, entusiasmo.
    Além da opção ideológica, os meus 40 anos de jornalismo proporcionaram-me uma tribuna privilegiada para acompanhamento da vida política do país. Por isso considero incompreensível que haja algum dirigente socialista que não se reveja no passado de um partido que foi o principal motor de transformação do país.
    O atentado à memória é uma atentado a todos nós. Só nos faltava agora surgir um estalinismo de trazer por casa para apagar os “incómodos” da fotografia!

  8. Concordo consigo (embora não aprecie muito o político V. Constâncio). AJS parece ser da mesma “escola” do PPC: carreira de jotinhas; sabem tudo de intriga política de bastidores; devem conhecer bem os “chefes” das concelhias e afins…

    Mas, e a política? aquilo que serve para termos uma vida decente?

  9. A direção do PS é feita à medida do fraco lider, ouvir Laranjeiros e Ribeiros falar em
    “deslealdade” è no mínimo anedótico! O primeiro aqui há dias atrás deixou-se cilin-
    drar por um ultra-liberal acoitado no PSD de nome Amorim com a narrativa das res-
    ponsabilidades do PS face à troika e não foi capaz de responder … que raio de so-
    cialistas são estes ? Mais uma vez na sua fuga para a frente, o Seguro está a fazer o
    frete ao des-governo que devia combater, andam há mais de ano e meio para prepa-
    rar uma alternativa e não conseguem, para quê falar em maiorias ?

  10. Pois é. O homem irá continuar, pois, como eu, haverá muitos cidadãos que sempre votaram PS e que, com esta abécula não irão dar o seu voto a este Partido nas próximas eleições. Não sei ainda em quem votarei; no PS de Seguro, jamais. De maneira que a melhor hipótese será, ou branco ou nulo. Bem sei que não aquece, nem arrefece, mas também sei que com Passos ou com Seguro, a merda será a mesma, pois ambos nela foram formatados.
    E assim com estes estrangulamentos a democracia se vai desgastando. Já se houvem por aí os saudosistas dum pulso firme que ponha esta gajada na ordem. E… até eu, começo a ter dúvidas que daqui possamos sair, sem um golpe de rins, se calhar, se calhar menos democrático. É que, isto assim, é que não é nada: Vão-se sucedendo alternâncias sem alternativas e, quando se chega à conclusão de que é tudo igual, o melhor é não acreditar em nenhum. E assim se esgota a Democracia. O exemplo do fim da 1ª República aí está. E isto está a ficar demasiado parecido com esses tempos.

  11. O Seguro é o homem certo no lugar certo e na hora certa. O País nesta hora de grandes dificuldades necessita de um líder da oposição responsável e virada para o futuro. Não a formas de fazer politica que um passado recente provou errada.

  12. chamem o geronimo. o pcp é futuro deste pais.deputados jovens que debitam a cassete cozinhadas num comité central que mais parece um hospicio.ali é que há democracia.vejam os exemplos e depois peçam ao JOAO LISBOA para ele vos ler a cartilha,destes e dos “sociais democratas à pressa” do bloco tendo em vista a caça ao voto.

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