Não é um pedido de extensão no tempo, é no espaço

Consta que o ministro das Finanças pediu uma extensão do prazo de pagamento dos empréstimos. Mas o PSD, através do seu líder parlamentar, já veio avisar que tal não significa pedir mais tempo nem mais dinheiro. Nem poderia significar. Afinal, o Governo recusou sempre pedir mais tempo, porque pedir mais um ano, por exemplo, só nos traria chatices e não defenderia os nossos interesses. Implicaria mais um ano de ajuda externa, mais austeridade e, claro, daria cabo da credibilidade do País.

Já o pedido de extensão do prazo de pagamento, noticiado hoje, é algo totalmente diferente e muito positivo. Mostra a credibilidade do País e vai permitir aliviar o esforço dos portugueses e dinamizar a economia.

Ainda não esclareceram, mas aposto que o pedido de alargamento do prazo não foi em meses ou anos, deve ter sido em metros ou quilómetros.

Esclarecimento cabal, Sff

A notícia que li, ontem, no DN, segundo a qual uma mulher não vê 7 dos seus 10 filhos desde 8 de Junho, levados de sua casa por ordem judicial, é monstruosa.

A ser tudo verdade, isto é, a ser verdade cada linha noticiada no DN, foi possível, no nosso Estado de direito democrático, violar-se um conjunto muito sério de direitos, liberdades e garantias, de uma forma processual, oganizada, com a intervenção da 1) Segurança Social da 2) comissão de proteção de jovens e de crianças de Sintra e 3) por um interventivo coletivo de juízes.

Não foi, portanto, obra de uma cabeça doente impor à mãe “medidas de cumprimento” como o “comprovativo de emprego” e a “laqueção de trompas”. Sim, a “laqueação de trompas”.

Se já seria aflitivo verificar que a pobreza, o desemprego, é facilmente “punida” com a retirada dos filhos aos pais e a respetiva entrega a gente “decente” com emprego, em vez de uma atuação social de ajuda, nomeadamente prestacional, às famílias com progenitores desempregados, caso que aqui é evidente, lemos sem crer que o “pessoal” impôs a uma mulher uma esterilização forçada.

Isto não pode ficar por aqui.

Parece que já há advogados no terreno. Ainda bem.

Mas a tutela destes organismos, que nos lembram os piores regimes, têm de ser questionados, nomeadamente no sentido de levar a cabo todos os inquéritos necessários.

E com as devidas consequências.

A bilheteira como espelho

Entre os filmes portugueses estreados em sala em 2012, o mais visto foi «Balas & Bolinhos: O último capítulo», de Luís Ismael, com 256.158 espetadores e 1,29 milhões de euros de receita.

Abaixo deste ficou a transposição para cinema da série televisiva «Morangos com Acúçar», por Hugo de Sousa, com 238.200 espetadores e 1,23 milhões de euros.

Com resultados muito distantes destas duas produções, o terceiro filme português mais visto foi «O cônsul de Bordéus», de Francisco Manso e João Correa, sobre o diplomata Aristides de Sousa Mendes, com 50.919 espetadores e 254.182 euros de receita de bilheteira.

Fonte

Linhas vermelhas e regras d’oiro: radiografia de um nulo

Seguro

Animado, certamente, por uma crescente preocupação com a sua posição de Secretário Geral o rumo do país, António José Seguro por estes tempos desdobra-se em aparições e entrevistas, num esforço para mostrar finalmente ao país que existe. A mais recente é uma longa entrevista ao DN, onde o líder do PS acaba por demonstrar, involuntariamente, quase todas as razões que o levaram à frágil posição onde agora se encontra.
A entrevista é politicamente correcta, não se desviando um milímetro da imagem que gosta de projectar de líder sereno, bem educado, com uma honestidade acima de qualquer suspeita e muito, muito, ó mas tão muito responsável. Toda a entrevista é, também por isso, enfadonha e um exercício de vazio absoluto.
Repare-se nas contradições presentes: na mesma entrevista, critica o “enorme aumento de impostos” que conduz a uma espiral recessiva, ao mesmo tempo que “não está em condições de prometer” que os baixa. São maus e têm péssimas consequências, mas são para continuar. Ou seja, não sabe o que fazer. Ou aliás, sabe que não os baixa, mas não o diz directamente. Não se compromete com uma posição.

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Mali – Alá é grande e o poder da droga então…

Mali islamistas

Recomendo a leitura de um excelente artigo na revista Der Spiegel (em inglês) sobre o Norte do Mali, tal como se apresenta atualmente. Paul Hyacinthe Mben, 39 anos, correspondente da SPIEGEL em Bamako, a capital, ainda não controlada pelos islamistas, aventurou-se a uma viagem ao norte para testemunhar o que se está a passar. Antes disso, evidentemente, passou semanas a negociar com os chefes dos islamistas o direito de passagem e as respetivas condições. Conseguiu regressar são e salvo, mas por um triz. O seu relato permite-nos compreender melhor quem e o quê andam os franceses a bombardear, e talvez porquê. Um caso sério de regressão social e uma mistura explosiva de religião, violência e droga mesmo aqui nas nossas barbas. Pouco diferente de Medellin, não fora Alá.

Aqui fica a tradução de duas passagens:

«O tribunal da Sharia está instalado numa antiga base militar nos arredores da cidade e é aí que os seus abomináveis castigos são executados. Uma das suas vítimas é Alhassane Boncana Maiga, considerado culpado de roubar gado. Quatro guardas arrastam Maiga, vestido de branco, para um quarto escuro e atam-no a uma cadeira, deixando apenas de fora uma mão. Um médico dá-lhe uma injeção para as dores.
O carrasco-chefe, Omar Ben Saïd, desembainha então uma faca. “Em nome de Deus, pleno de graça e de misericórdia”, proclama, pegando depois na mão do condenado e começando a cortá-la, enquanto o sangue jorra. Quando a faca atinge o osso, a tarefa torna-se mais difícil, mas, ao fim de apenas três minutos, a mão acaba por cair num balde. Pega então no telemóvel, liga ao seu superior e diz: “O homem foi castigado”.
Maiga mantivera os olhos fechados todo o tempo, não libertando um gemido. Foi depois levado para outra sala, onde lhe puseram uma ligadura e, 15 minutos depois, foi posto a andar, tropeçando até à rua. “Estou inocente,” diz. “O que querem que eu faça a partir de agora? Não vou poder trabalhar.”
Uns dias mais tarde, Maiga está morto, provavelmente devido à perda de sangue ou a uma infeção

Quanto ao chefe dos bandidos, alegadamente “guerreiros do Senhor”.

«Marginalizado pelos Tuaregues, deixou de apelar à criação de uma nação tuaregue e, em vez disso, começou a promover a Sharia, dizendo: “Os que não seguirem o caminho de Alá são infiéis”. A sua mudança de discurso granjeou-lhe o apoio da al-Qaida e de outros extremistas do Magrebe.
O seu grupo está também envolvido no tráfico de droga no Saara. Os cartéis sul-americanos enviam a cocaína de barco para a Guiné-Bissau, de onde é levada por terra para o Norte – em troca de uma choruda percentagem nos lucros – por rebeldes, revolucionários e bandidos, como os combatentes de Ansar Dine. Os raptos são outra fonte de rendimentos para os “Defensores da fé”. Quando as Nações Unidas aprovaram o envio de tropas para o Norte do Mali em meados de outubro, Ansar Dine ameaçou matar os reféns franceses sob sua custódia.
Ag Ghali tem pouco para dizer ao visitante. “Bem-vindo à cidade islâmica de Kidal,” diz, entrando depois no seu SUV e arrancando a grande velocidade, seguido da comitiva

Revolution through evolution

When Mom Is CEO at Home, Workplace Ambitions Take a Back Seat
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Undercover with Europe’s dangerous neo-Nazis
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Many researchers taking a different view of pedophilia
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Father’s Mental Health Linked To Child’s Behavior
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How to Avoid the Temptations of Immediate Gratification
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Childhood Trauma Leaves Its Mark On the Brain
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Born to Lead? Leadership Can Be an Inherited Trait, Study Finds

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Contributo para o diálogo

A: É verdade que Vítor Gaspar já não é visto há uns tempos porque está a planear na folha Excel os cortes de 4000 M€ na despesa do Estado social?

B: Sim, mas tem bons fundamentos para isso.

A: O que queres dizer? Referes-te ao relatório?

B: Sim, lá estão bem explícitos os nossos excessos.

A: Mas o relatório só tem pressupostos errados, gráficos desatualizados e, além disso, foi feito pelo próprio Governo!

B: Mas, justamente, não é o Governo que quer reduzir o peso do Estado? Então, tem de o justificar. E pedir a assinatura de um credor é apenas natural.

A: Mas está mal justificado. Nenhuma daquelas teorias tem grande sustentação.

B: Bom, é para isso que serve o período de debate aberto à sociedade civil, não achas?

A: Espera lá, mas a primeira conferência organizada para esse efeito realizou-se por convite e as intervenções não puderam sequer ser relatadas pelos jornalistas, logo, ninguém ficou a saber o que lá se disse.

B: Mas os que lá estavam debateram, não debateram?

A: Suponho que sim, sujeitos a uma regra inglesa mal transposta e, ainda por cima, rejeitada pelos próprios oradores.

B: Esquece a conferência. Nas televisões e rádios, não se debate outra coisa, pois não?

A: É verdade, mas, nas diversas intervenções, predomina largamente a contestação, não só ao relatório e à sua mais que duvidosa qualidade, como também ao debate propriamente dito e ao seu calendário e oportunidade, à falta de justificação para os cortes e ainda ao método seguido para as conferências oficiais com a sociedade civil, que impedirá a organização de qualquer outra, pondo a nu a total falta de seriedade da “discussão”. Como vês, ninguém descortina a mínima seriedade no lançamento deste suposto diálogo.

B: Mas o Governo é sério! Quer mesmo refundar o Estado.

A: E porquê subitamente e de afogadilho, para quê e com que pressupostos? Os que afirmam que Portugal gasta mais em pensões e prestações sociais em percentagem do PIB do que os restantes países da UE? Já se provou que isso é completamente falso.

B: Não temos economia para pagar a desempregados.

A: Porque o Gaspar a destruiu aceleradamente e intencionalmente, criando ainda maior número de desempregados do que os que resultaram da crise internacional, em 2009.

B: Pode ser. Mas uma reforma do Estado é sempre positiva.

A: Depende do modo. Penso que, em vez de reformar o Estado, o que se pretende é passá-lo à reforma, esperando que as suas funções essenciais morram cedo.

B: As piadas não ajudam. O que queres fazer agora? O debate serve precisamente para obtermos contributos…

A: Não vamos voltar ao início… Queres então que sejamos coniventes com as vossas opções?

B: Mas é importante haver discussão.

A: E porquê, nestas circunstâncias?

B: Ora, porque o Gaspar, apesar de não parecer, adora trabalhar com música, de preferência em altos berros. Sabes como é. Génios.

Good food for good thought

New research by Scott Wiltermuth, a USC Marshall School of Business assistant professor of management and organization, and co-author Francis Flynn of the Stanford Graduate School of Business, found that providing a sense of power to someone instills a black-and-white sense of right and wrong (especially wrong). Once armed with this moral clarity, powerful people then perceive wrongdoing with much less ambiguity than people lacking this power, and punish apparent wrong-doers with more severity than people without power would.

“We noticed in our MBA classes that the students who seemed to feel most powerful had these absolute answers about what’s right and what’s wrong,” said Wiltermuth.

“We found the same phenomenon when we made other people feel powerful, and we also found the resulting clarity led people to punish questionable behavior more severely. That link between power and more severe punishment could cause a huge problem for managers. What a manager sees as appropriate punishment could be seen as absolutely draconian by other people.”

Wiltermuth and Flynn set up four experiments in which they made some individuals feel powerful — giving them the ability to control resources and administer rewards or punishments. When presented with cases of transgressions, the powerful participants were more likely to say “yes, the behavior is immoral,” “no, it is not immoral.”

Very few powerful people answered with “it depends,” which was a much more popular answer among the less powerful. Owing to this certainty, the participants made to feel powerful felt that the transgressions deserved harsher punishments.

Significantly, the researchers found that moral clarity was more clearly connected to delivering punishments than administering bonuses for good behavior. “Our findings do not imply that having this moral clarity leads people to obtain power. Rather, the findings imply that once you obtain power you become more likely to see things in black-and-white,” he said.

Power’s Punishing Impact: Power Linked to Tendency to Punish Harshly

*

Tradução:

A oligarquia é sempre igual a si mesma, não importando qual seja a época ou o lugar onde exerça o seu poder. É moralista, hipócrita, velhaca, ressabiada, vingativa, rancorosa. E em Portugal viveu em pânico desde 2008 até 5 de Junho de 2011.

apatia <-> anomia

Em qualquer das hipóteses, não pode deixar de espantar que pareça haver tão pouca gente, no País, determinada a levar até ao fim a sindicância de um documento com estas características e da responsabilidade da organização que o produziu. Dir-se-ia que nem se trata de um dos nossos principais credores nem de uma das instituições que se arrogam a capacidade de nos dizer qual o caminho certo e qual o errado. E que não ocorre à generalidade das pessoas que para repensar é preciso ter pensado antes. Vulgo usar a cabeça.

Fernanda Câncio – Pensar o repensamento

Coisas que só a magia explica

A inflação conduziu no passado, segundo o nosso astuto Primeiro-Ministro, a “guerras muito grandes”. Nós na Europa não queremos guerras muito grandes, queremos paz muito grande. E por isso, quando se fala em usar o BCE para ajudar os governos da zona Euro fazer a Europa sair da recessão onde se está a afundar, lá vêm os pacifistas recordar-nos dum aparente facto incontestável : ligar as impressoras do BCE provoca inflação, e a inflação provoca guerras muito grandes. Mais dinheiro criado do nada, menos esse dinheiro vale. Parece uma evidência.

Vamos ver se isso corresponde à realidade, sim? Os americanos, para variar, dão uma ajuda.

Gráfico 1: índice de fumo que sai das impressoras
Gráfico 1: índice de fumo que sai das impressoras

O gráfico acima representa a quantidade de dinheiro que os americanos andam a imprimir. Ou seja, desde 2008 que a quantidade de Dólares triplicou. O que significa que a inflação, esse monstro guerreiro, deve ter disparado. Vamos verificar isso também:

Gráfico 2: índice de risco de uma guerra muito grande
Gráfico 2: índice de risco de uma guerra muito grande

Como podemos verificar, a inflação não foi aparentemente informada de que há muito dinheiro em circulação e que era suposto disparar. Nada temei, no entanto. Os mercados e os seus analistas estão atentos e não vão deixar isto passar em claro. Vamos ver os juros que os americanos pagam pelo regabofe:

Gráfico 3: índice de viver acima dos seus meios
Gráfico 3: índice de viver acima dos seus meios

Ora, vamos resumir: imprimiram como se não houvesse amanhã, ao mesmo tempo que controlaram a inflação e pagaram cada vez menos juros da dívida. O que basicamente só se explica por duas razões:

1 – os americanos têm uma magia muito grande

2 – A única coisa mais baixa que a taxa de inflação e juros americanos são os conhecimentos económicos de muitos que se fazem passar por economistas.

Alguns, dizem-me, têm cursos universitários. O que só pode significar uma coisa: essas universidades andam a ensinar pensamento mágico.

1913-1990

A outra noite

Outro dia fui a São Paulo e resolvi voltar à noite, uma noite de vento sul e chuva, tanto lá como aqui. Quando vinha para casa de táxi, encontrei um amigo e o trouxe até Copacabana; e contei a ele que lá em cima, além das nuvens, estava um luar lindo, de lua cheia; e que as nuvens feias que cobriam a cidade eram, vistas de cima, enluaradas, colchões de sonho, alvas, uma paisagem irreal.

Depois que o meu amigo desceu do carro, o chofer aproveitou o sinal fechado para voltar-se para mim:

- O senhor vai desculpar, eu estava aqui a ouvir sua conversa. Mas, tem mesmo luar lá em cima?

Confirmei: sim, acima da nossa noite preta e enlamaçada e torpe havia uma outra - pura, perfeita e linda.

- Mas, que coisa...

Ele chegou a pôr a cabeça fora do carro para olhar o céu fechado de chuva. Depois continuou guiando mais lentamente. Não sei se sonhava em ser aviador ou pensava em outra coisa.

- Ora, sim senhor...

E, quando saltei e paguei a corrida, ele me disse um "boa noite" e um "muito obrigado ao senhor" tão sinceros, tão veementes, como se eu lhe tivesse feito um presente de rei.

Rubem Braga

It’s a bird… it’s a plane… no, wait… oh, my god… it’s Super-rabbit!!!

A austeridade literalmente a mata-cavalos está a resultar em Portugal. A receita do empobrecimento é um sucesso. Os supostos falhanços orçamentais são apenas soluções mais avançadas, portanto inatingíveis pela rarefeita inteligência dos simples, para nos livrarmos dos socráticos e seus crimes contra a humanidade. Portugal merece a pancada, até aguentará mais e pior. E só tem é de agradecer à gente séria estar esta a sacrificar-se, a faltar a jantares, a sair mais cedo das festas, em ordem a conseguir pôr este pardieiro na ordem. Todos o dizem, a começar pelas pessoas que a direita honrada respeita e admira, como um tal de Hollande – e se ele o diz, é porque é a verdade verdadinha. Mas não nos fiquemos pelo paleio, olhemos para os números, para os factos, para a realidade.

Portugal

Cá está. Tomem e embrulhem, seus cães sem pai nem mãe. Juros a descer. E a descer para baixo, de modo a não haver dúvidas na cambada que não trabalha e se limita a sacar subsídios e mais subsídios. Isto tem uma causa, tem um autor: o Pedro, o nosso amigalhaço. Todavia, para que não se diga à boca pequena estarmos perante um acaso, ou uma cena não sei quê do não sei quantos, veja-se o que o Pedro anda igualmente a fazer noutros países aflitos com a herança dos malvados socráticos.

Espanha

Pimba. Juros também a baixar. A receita que o Pedro aplicou em Portugal a funcionar tal e qual em Espanha; e isto apesar de Espanha ter muito mais socráticos por ser um país maior. É obra. Uma obra que continua, que chega mais longe.

Itália

Ciao, bella Italia. Olhem para este espectáculo. Juros a caírem com mais velocidade do que as balas de canhão que Galileu mandou Torre de Pizza abaixo. Só o Pedro poderia ser capaz deste feito, tendo em conta que os socráticos italianos têm a reputação de serem os mais mafiosos do Mundo (por incrível que pareça à luz do que conhecemos deles em Portugal). Enfim. Avancemos para o que é um autêntico milagre apenas ao alcance de um colossal talento para dominar os mercados.

Grécia

Peço um momento de silêncio. Que aqueles que estejam sentados se levantem. Aqueles que estiverem de chapéu, boina ou cartola descubram a cabeça e a verguem em recolhimento. Houve um tempo em que os socráticos estiveram quase a mandar a augusta Europa para o galheiro só com o que andavam a fazer na Grécia. Se tal tivesse acontecido, provavelmente o alvo seguinte seria a América, e logo depois o todo da civilização ocidental. Isto esteve mesmo para acontecer, e foi há menos de 1 ano. Muitos já se davam por perdidos, inclusive ponderando fugir a nado até à Madeira; o último reduto para a gente séria e o único lugar inviolável pela socratagem comandada a partir de Paris. Felizmente, numa manobra genial que só agora começa a poder ser compreendida, o Pedro em Setembro de 2012 lançou a ideia da TSU como acção táctica de diversão de modo a poder entregar-se secretamente à resolução da crise das dívidas soberanas na Zona Euro. Enquanto andava a sociedade distraída e assarapantada, indo para a rua fazer figuras tristes, o Pedro agia com determinação e força letal pela calada da noite. Sempre com o inestimável apoio do seu fiel companheiro de longuíssima data, o dr. Relvas (também tratado por “doer” por razões que se encontram sob segredo de Estado), começou a dar ordens aos Governos de Espanha, Itália e Grécia. E também a outros, operações heróicas que ainda é cedo para revelar ao povoléu.

Os gráficos não mentem, tornando estupidamente fácil a escolha. Os portugueses só têm dois caminhos. O dos socráticos, cheio de auto-estradas, comboios malucos, aeroportos a estrear, dinheiro esbanjado em pobres e em novas oportunidades para a velharia. E o do Pedro, onde ele acaba com o regabofe, desterra os piegas, desliga a ventoinha da porcaria, salva a Europa, encontra a cura para o cancro, inventa uma forma de pôr Messi a jogar ao lado do Ronaldo na Selecção e entrega a RTP ao Correio da Manhã, um jornal que tem notícias para dar e vender.

Boa sorte, cidadão.

“Apresentem alternativas”, dizem, depois da louça partida

Ouvimos o PSD e o CDS replicarem ad nauseam, às críticas feitas pelos membros do PS aos sucessivos desastres, que criticar é fácil e que o maior partido da oposição estaria obrigado a juntar-se à discussão e dizer o que faria para cortar 4000 milhões de euros na despesa. Criticar é, então, fácil. As críticas foram porém acompanhadas de avisos. Mas dizer o que dizem também me parece fácil, aliás fácil demais, não têm como responder de outra maneira, se a cegueira é para continuar por ordens do Gaspar. Também é demagógico demais. Porém, não deixa de provocar o riso.
Vejamos: pedia-se no Memorando ao PSD e ao CDS que (e recorro a uma imagem) transportassem uma pilha gigantesca de pratos de porcelana delicada de um local para outro em 10 minutos. No trajeto, havia outra atividade humana em curso, que convinha não afetar em demasia. A tarefa, já de si desafiante, pressupunha um piso seco e ausência de vento. O que fizeram? Em vez de terem em conta a delicadeza da operação e de a executarem com ponderação e por partes, não. Agarraram num número de pratos muito superior ao recomendável para, em vez de 10 minutos, demorarem apenas 7 e, no fim, ganharem talvez um prémio.
Iniciada a operação “porcelana”, o peso excessivo da carga causou desequilíbrios vários que fizeram com que a maior parte dos pratos lhes escapasse das mãos e se estilhaçasse com estrondo no chão. Além do mais, tiveram de repor, com o dinheiro dos outros, todos os pratos partidos, e o mesmo teriam de fazer a cada tentativa. Mas não desistiram (o tempo continuava a contar, embora quem o impôs mostrasse alguma benevolência, constatadas a burrice extrema mas sobretudo a subserviência dos protagonistas). Na segunda tentativa, batizada de “agora é que é”, a base do raciocínio manteve-se, com a agravante de ter começado a chover e a ventar, e lá vão os estarolas com nova pilha de igual peso ou ainda maior, para acabarem o serviço mais depressa. Mas com uma diferença: arranjaram maneira de, em caso de novo acidente, o barulho ser abafado na medida do possível. Como muitos previram, novo desastre, que, apesar das cautelas, só a muito poucos passou despercebido. Ouvem então os opositores apontarem-lhes os erros no método seguido, nos cálculos efetuados, instando-os a negociarem o tempo previsto para a operação ou o volume da carga. Respondem que a culpa é do vento e da chuva, mas que a estratégia estava e está certa. Anunciam uma terceira tentativa que acrescenta às anteriores o desprezo total e definitivo pela restante atividade humana. Grita-se-lhes que parem com o processo, que avaliem as consequências, que pensem no enquadramento. Pois bem, aqui chegados, o que respondem? Que criticar é fácil e que seria bom era ouvir sugestões para a terceira tentativa, baseada no exatíssimo mesmo método.
Eu tenho uma: vão-se embora.

Banco de Portugal, a propósito

As previsões do BP não podem ser sujeitas a batota. Não há ali “coisas boas e coisas más”.

Não. As previsões são a confirmação, mais uma vez, do erro das previsões do Governo: o mesmo é dizer, do erro da insistência do Governo num fanatismo patológico no que toca à sua receita rumo à derrota final.

Grave é que a este ritmo a derrota é nossa, é de quem perde o local de trabalho, é de quem perde direitos sociais, é de quem é esquecido pelo Estado no momento de receber o devido após uma vida de descontos, é de empresas e empresas a falirem e, por isso, a entrarem no número da “recessão” e do desemprego, é de quem não pode pagar impostos que matam num afogamento um hipótese de vida, é dos jovens que desistem deste bocado de terra tornado apertado de mais para eles, é dos pobres, é da classe média, é de Portugal.

As atuais projeções apontam para uma contração de 1.9 por cento da atividade económica em 2013, após uma queda estimada de 3.0 por cento em 2012 (Quadro 1). Esta evolução implica uma redução acumulada do produto interno bruto de 7.4 por cento durante o período recessivo de 2009-2013″, refere o BP.

Isto significa que o Governo, tal como no ano passado, atirou-se a medidas de austeridade acompanhadas de uma previsão otimista de crescimento económico.

Este ano, dobrou a austeridade e dobrou o erro na previsão. Basta este exemplo para demonstrar a irracionalidade a que estamos sujeitos.

Não se paga uma dívida em contração económica atrás de contração económica, para mais acompanhada de uma austeridade violenta que reduz um país à pobreza.

Mas aqui estamos. A ler isto. E estamos em Janeiro.

Nada como cortar 4 mil milhões de Euros na Saúde, na Educação e na Segurança Social.

Está-se a ver que o país aguenta, não é? 

Gente honrada é outra coisa

O programa que agora deixamos à apreciação e ao escrutínio dos Portugueses resiste a
qualquer teste de avaliação ou credibilidade. Tudo o que nele se propõe foi estudado,
testado e ponderado. Consequentemente, as propostas nele contidas são para levar a
cabo e as medidas que nele se apontam são para cumprir. Também nisso queremos
ser diferentes daqueles que nos governam e que não têm qualquer sentido de respeito
pela promessa feita ou pela palavra dada. Assumimos um compromisso de honra para
com Portugal. E não faltaremos, em circunstância alguma, a esse compromisso.

PROGRAMA ELEITORAL PSD 2011