“Apresentem alternativas”, dizem, depois da louça partida

Ouvimos o PSD e o CDS replicarem ad nauseam, às críticas feitas pelos membros do PS aos sucessivos desastres, que criticar é fácil e que o maior partido da oposição estaria obrigado a juntar-se à discussão e dizer o que faria para cortar 4000 milhões de euros na despesa. Criticar é, então, fácil. As críticas foram porém acompanhadas de avisos. Mas dizer o que dizem também me parece fácil, aliás fácil demais, não têm como responder de outra maneira, se a cegueira é para continuar por ordens do Gaspar. Também é demagógico demais. Porém, não deixa de provocar o riso.
Vejamos: pedia-se no Memorando ao PSD e ao CDS que (e recorro a uma imagem) transportassem uma pilha gigantesca de pratos de porcelana delicada de um local para outro em 10 minutos. No trajeto, havia outra atividade humana em curso, que convinha não afetar em demasia. A tarefa, já de si desafiante, pressupunha um piso seco e ausência de vento. O que fizeram? Em vez de terem em conta a delicadeza da operação e de a executarem com ponderação e por partes, não. Agarraram num número de pratos muito superior ao recomendável para, em vez de 10 minutos, demorarem apenas 7 e, no fim, ganharem talvez um prémio.
Iniciada a operação “porcelana”, o peso excessivo da carga causou desequilíbrios vários que fizeram com que a maior parte dos pratos lhes escapasse das mãos e se estilhaçasse com estrondo no chão. Além do mais, tiveram de repor, com o dinheiro dos outros, todos os pratos partidos, e o mesmo teriam de fazer a cada tentativa. Mas não desistiram (o tempo continuava a contar, embora quem o impôs mostrasse alguma benevolência, constatadas a burrice extrema mas sobretudo a subserviência dos protagonistas). Na segunda tentativa, batizada de “agora é que é”, a base do raciocínio manteve-se, com a agravante de ter começado a chover e a ventar, e lá vão os estarolas com nova pilha de igual peso ou ainda maior, para acabarem o serviço mais depressa. Mas com uma diferença: arranjaram maneira de, em caso de novo acidente, o barulho ser abafado na medida do possível. Como muitos previram, novo desastre, que, apesar das cautelas, só a muito poucos passou despercebido. Ouvem então os opositores apontarem-lhes os erros no método seguido, nos cálculos efetuados, instando-os a negociarem o tempo previsto para a operação ou o volume da carga. Respondem que a culpa é do vento e da chuva, mas que a estratégia estava e está certa. Anunciam uma terceira tentativa que acrescenta às anteriores o desprezo total e definitivo pela restante atividade humana. Grita-se-lhes que parem com o processo, que avaliem as consequências, que pensem no enquadramento. Pois bem, aqui chegados, o que respondem? Que criticar é fácil e que seria bom era ouvir sugestões para a terceira tentativa, baseada no exatíssimo mesmo método.
Eu tenho uma: vão-se embora.

3 thoughts on ““Apresentem alternativas”, dizem, depois da louça partida”

  1. Parabens Penélope pela ironia e pela imagem que dá dos estarolas a correr na praia metidos dentro de sacos, acarretando uma rima de pratos nas mãos. Se não é na praia, a mim parece. Esta gentinha tem jeito para fazer de palhaços de circo.

  2. Com loiça das caldas a escorregar pelo olho ainda ficava melhor. Os ventos contrários de grande relevância talvez não passem de uma caganeira mental.

  3. eles começaram a construir a casa,agora que os arquitetos deste pais (não os da troika) dizem que casa está um estado de ruina iminente,criticam os outros por não darem nenhum contributo para por a casa em condiçoes.o grave é que os visados já deram uma soluçao só que tem sido reiteradamente rejeitada. quando ela está a ruir (como se previa),é mais que normal que,ninguem mesmo com a cabeça a funcionar só mais ou menos,lá não queira meter um prego,para quando ruir, não termos o pato bravo passos coelho,a dividir os prejuizos ao dizer que a casa foi construida a meias com o amigo josé seguro.

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