Para o ex-secretário-geral do PS, o partido está «ensanduichado em duas frentes», uma à esquerda e outra à direita.
«PCP e BE denunciam as patifarias que o Governo tem feito com os direitos sociais, mas também têm responsabilidade directa e decisiva na criação deste Governo», acusou, referindo-se à fuga de votos do PS para estes partidos.
Quanto à direita, para Ferro Rodrigues, PSD e CDS «insistem em falar no passado como se o PS e José Sócrates fossem responsáveis por toda a crise, uma mistificação que estão a aprender na prática».
«Não nos podemos deixar intimidar, sufocar, nesta tentativa de nos cercarem à direita e à esquerda», alertou.
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Debaixo da superfície da política organizada institucionalmente, onde cada partido é um agente conflitual com a sua identidade, corpo e respectivo eleitorado, existe uma dimensão de fusão entre a ideologia pré-partidária e a cidadania militante. Neste espaço todos não seremos de mais. É um local de encontro, de reconhecimento.
Tentar entender, e logo depois tentar compreender, o que levou o BE e o PCP a serem cúmplices da estratégia de PSD, CDS e Belém é um exercício que não se pode evitar por respeito intelectual próprio. O diagnóstico revela um tríptico onde à esquerda as abstracções são o factor principal para a decisão política e à direita o resultado concreto é o objectivo único na decisão política. Isso leva esta esquerda a recusar todo o compromisso e negociação, pois seria a negação da sua realidade meramente abstracta, e leva esta direita a ter como solitário critério a conquista do poder, o ideal concreto ao qual se reduz cinicamente a sua praxis.
Entre estes extremos, o centro. Pode ter vários nomes, várias inclinações. Mas seja lá o que ele for, não será o deserto do cinismo, nem a esterilidade do fanatismo. Será o que nós quisermos, que o mesmo é dizer que será o reino da liberdade. Com os pés bem assentes no concreto e os olhos postos no abstracto. Inteiros.




