Todo o excesso se opõe à Natureza

Num canal qualquer, um jornalista qualquer fala com um comentador qualquer. Discutem a atitude de Seguro em relação à comunicação social. Que ele é muito mais simpático, mais próximo, mais afectivo do que foi Sócrates. E o comentador detalha. Com Sócrates, ninguém sabia para onde ele ia quando se afastava da sala do congresso. Não havia forma de saber o que andaria a fazer. E isso era perturbador, insinuava, até inquietante. Com Seguro, é completamente diferente. Ele fica no espaço visível, passeia-se à frente de toda a gente, está por ali. Ele até se dirige aos jornalistas, apresenta-se humilde e néscio. Quer aprender com quem sabe.

O comentador e o jornalista teriam a maior das dificuldades em compreender que a tirania da comunicação social tem sido um dos principais factores na degradação da democracia. E que os políticos mais perigosos não são os que mantêm os profissionais da imprensa num estado de alerta máxima, antes os que os adormecem com salamaleques e prebendas.

Em suma, há muita falta de estudos hipocráticos entre os hipócritas jornaleiros.

11 thoughts on “Todo o excesso se opõe à Natureza”

  1. Embora concorde com o post parece-me que o problema dos nossos jornalistas é mesmo falta de bagagem politica e cultural. Nota-se nas mais pequenas coisas. Por isso passam a vida no diz que disse e nas codrilhices de comadres. Não são capazes de fazer jornalismo assim, fazem xornalisno que é uma coisa parecida. Para aferir isto que digo basta consultar os Jornais de referência de Espanha, França, etc e comparar o teor das primeiras páginas. Em Portugal a referência é o Correio da Manha, com os tiros e a desgraça alheia, sem contar os insultos, insinuações ao Sócrates e á sua família até ao quinto grau. Depois vem o DN que herdou o ex-Director do CM e vai pelo mesmo caminho. O JN bola e má-língua por aí fora.
    Na primeira pagina no El Mundo ou El País, apenas os grandes temas de Jornalismo Internacional e nacional. O mesmo se passa no Le Monde, Figaro etc e tal.
    Na nossa imprensa e nos noticiários televisivos impera o fait divers, a propagando do chefe e os dislates da ignorância atrevida.

  2. Os nossos jornalistas ( a maioria dos quais mais jornaleiros que jornalistas) deslumbram-se com qualquer um que lhes faça a vénia. Seguro,sabendo disto, fez aquela patética ‘ceninha’ de visitar os bastidores. Todo o bom actor sabe, que nos bastidores estão muitos dos segredos para um bom espectáculo!!!

  3. Mais uma vez total acordo com o Val.
    Para que conste até ouvi a tia Maria João dizer que os 4 primeiros anos do Sócrates foram muito bons…O pior foram os dois últimos anos.A que desfaçatez chegam estes jornalistas!
    Para acompanharem o congresso do Seguro, falaram essencialmente do Sócrates.
    Que saudades.

  4. …jornalismo é assim…algo…cozinheiro ou carpinteiro…também pode…a maiorias dos arquitectos não valem nadinha…um vigilante tem até a chance de ser um pai para a maioria dos putos dum reformatório e que possivelmente odeiam os psicólogos que os estudam e tudo…agora do aqui se fala é de blabla de comadres…contudo…sem pinga de uma qualquer arte coscuvilheira e que uma Comadre…enfim reclamaria…

  5. Estas visitas aos bastidores parecendo muito cordiais até servem para interromper o serviço e terminar com uma entrevista que o António Costa estava a dar. O homem ficou azul, levantou-se e partiu a pensar: que raio veio este gajo aqui fazer? Então aparece sem avisar? Sem ninguém saber? E estes cabrões que estão de serviço (ou deviam estar) permitem esta rebaldaria? Realmente isto não é uma estação de TV mas uma chafarica. E assim se faz um congresso. Sem esquecer o Bolacha que depois de ter ido à Universidade de verão do PPD vem intrometer-se no congresso (pensa ele e o Seguro que jogaram uma grande cartada – não fosse o sempre fixe já estar um pouco chéché-reparei nisso desde a altura em que ele entrevistou e elogiou o Hugo Chavez). Só falta o Soares agora ser convidado do Jerónimo e para não ficar atras do Alegrete ir às reuniões do BE que devem ser de partir o coco a rir. Porque ele jamais perdoará que o Sócrates tenha quebrado a hegemonia da família Soares à frente do partido. Aquela está-lhe atravessada. Não é caso para menos pois a partir daí o João foi atirado para um canto.

  6. Opá desculpem lá, mas ainda não parei de me envergonhar: que figura triste a do Seguro!…
    http://www.youtube.com/watch?v=XCZ68nq9uxc
    Mas como é que alguém pode acreditar que um tipo destes, tem intenções nobres para o país? Quem pf?
    A parte certa é esta: cada vez que revejo a situação, fico envergonhado. Mesmo. E no entanto tenho a certeza que para o Seguro e para os socialistas, aquilo já passou e estão a dar demasiada importância. E o povo é descrente na política por causa, em grande parte, desse excesso de proatividade que nunca permite aos politicos avaliarem efetivamente a baixeza e o bacoquismo de muitos dos seus atos. Que patético!… Tenho a certeza que Seguro nunca será ministro (leram bem). Tirando o Guterres, ninguém pode ser tão idiota a esse ponto.

  7. Entre o jornalismo e a garantia de salário escolhe-se, praticamente sempre, o salário. Sem oxigénio ninguém respira. Alguém comprou a informaçâo e agora o comprador impõe as suas noticias. “O jornal é meu”, disse o Belmiro. Quis dizer, as noticias são minhas.
    Custa tanto a perceber? Não. E Seguro sabe tão bem que é assim que perdeu a vergonha por completo. É o exemplo acabado de um dirigente “lambe-cus”, divinamente caracterizado por Miguel Esteves Cardoso.
    O Passos Coelho está na posição diferente.Os donos das noticias mudam-lhe, constantemente, os cueirinhos todos cagados e fedorentos. É cada borradela como nem há memória. Mas é o seu “bambino” de ouro e eles os seus tutores.
    Ao que isto chegou. A política suicidou-se. Estamos a viver um perigoso interregno. Venha depressa a nova dinastia. Com “lambe-cus” e “bambinos” de ouro nâo vamos lá.

  8. Todo excesso se transforma num vício, como ensinam os estóicos. Contra Sócrates, de excesso em excesso, os catalogados de jornalistas passaram para além do vício sistemático para atingir a loucura e desta chegar ao ódio demencial.
    Tal como os grandes merceeiros e todos poderosos deste país a quem Sócrates não ia à mão, os catalogados jornalistas, também não frequentavam a mesa ou a intimidade do PM, nem este lhes rondava as redacções para solicitar atitudes favoráveis. Pululavam pelos media os marcelinos, os camilos, os macedos, os dâmasos, e tuti-quanti não saía das tv a botar opinião ou comentário fedendo ódio em estado puro.
    Cá é assim, quem sobressai da mediocridade reinante, precisamente a diferença, porque é diferente e ainda não percebida e apreendida, pela perturbação que introduz na ordem reinante na doxa de café, serve marialvamente como arma de arremesso, face ao pagode ignorante xico-esperto, contra quem tem a ousadia de tentar ousar fazer o futuro contra o passado, o que foi e esta sendo.
    O excesso de passado faz deste um vício do qual, quem quiser ultrapassar e libertar-se, não só tem de nascer duas vezes como viver e sobreviver duas vezes.

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