Bons princípios

Há uma esquerda que, quando necessário, sacrifica alguns princípios em nome dos cidadãos, e da sustentabilidade e viabilidade dos sistemas que lhe trazem bem-estar e garantias de justiça e progresso. Há outra que não hesita em sacrificar os cidadãos em nome dos princípios. Em comum, têm os actos. Uma demonstra o que vale por acções concretas. Outra demonstra-o através de textos e ideais, e quando se põe a difícil escolha entre estes e os interesses concretos daqueles que dizem defender, escolhem os primeiros. Só uma delas é digna da qualificação de verdadeira esquerda. A outra não passa de teorias, citações de livros e intelectualismos para pessoas facilmente impressionáveis. Ou seja, não passa de pose. Gostam de parecer de esquerda. Mas não são.

67 thoughts on “Bons princípios”

  1. O comunismo não tem sido ilustrado apenas por textos, VEGA9000: desde a China a Cuba, passando pelo Brasil, cada cenário é único e irrepetível, e daí que os argumentos típicos do postal de Leste para responder aos comunistas não resulte. O PS gosta mais de dizer que é de esquerda do que o demonstrar, e em termos de políticas sociais de esquerda, demora pelo menos duas décadas a concordar com o que a esquerda “extremista”defende. Daqui a uns anos, vamos ceder à reestruturação da dívida… mas prontos: pelo menos, não cedemos logo. É aliás com este tipo de glórias que o centrão se satisfaz: “olha, do mal o menos”. Não digo que quisesse o Bloco no governo (não sou otário), mas o PC com o Assis até que faziam uma parelha interessante, e talvez aí tivessemos um governo de esquerda. O PS não tem sido de esquerda, e quando o foi, foi mais desastroso que um comunismo (vide pf guterrismo). Quando o autor diz que o PS “sacrifica alguns princípios”, vamos lá ver: não sacrifica princípios (os princípios não pagam impostos), sacrifica precisamente o povo que diz defender. O PS até pode sacrificar um outro princípio, mas desde que não sacrifique nenhum dos seus elementos fiéis. O José Sócrates só foi um dos melhores políticos que Portugal teve, precisamente porque se estava a marimbar para o socialismo.

  2. “gostam de parecer de esquerda mas não o são”. Eu aí sou muito mais taxativo: São DIREITA, pura e simples, ou , no mínimo, ALIADOS ESTRATÉGICOS DA DIREITA”. Estão sempre lá, no momento crucial, para fazer aquele “trabalhinho” que desempata a favor da direita. Aí, sacrificam tudo: trabalhadores, povo, país. Ohem só para o que se está a passar neste momento: A direita, pura e dura, está no poder. Com a ajuda de quem?
    P”C”P e Bloco.

  3. Muito de acordo com o que o José escreveu. Espero que agora, PCP e BE estejam felizes por, a par das propostas deles, verem as do PS (supostamente esquerda moderada) sistematicamente chumbadas por um governo de direita. Eu sou de esquerda e gosto do comunismo, okay… mas isto não cabe na cabeça de ninguém?! Em nome dos princípios, estenderam a carpete vermelha à direita? Eu senti-me ludibriado por aquela esquerda que se diz “verdadeira”, e até confesso que, em pensamento, tive vontade de bater com um naco de tofu na cabeça da Heloísa Apolónia, até fazer sangue (vermelho)… Sócrates merecia melhor: depois do aborto e do casamento gay, acho que ficava bem alguma união na esquerda, do tipo: “entre ter dois governos de direita, um que até aprova algumas medidas sociais de esquerda, e outro que é mesmo direita pura…. hummm, deixa cá ver… o que é que vamos escolher para liderar o país… ah, claro: a direita pura pf”. Faz sentido, não faz?

  4. Completamente de acordo, Vega! A verdadeira «esquerda» é a que vai abdicando dos seus princípios («quando necessário…», «quando necessário…», claro) no sentido de se ir aproximando… da direita. Aliás, é isso mesmo aquilo a que se costuma chamar de «progresso»! Portanto, a verdadeira «esquerda» é a que menos se distingue, ou não se distingue, da direita. Grande novidade que nos deste, Vega! O Pinto de Sousa e o seu «modernismo esquerdista» já nos tinham mostrado e explicado tal teoria e praxis.
    Mas é por isso mesmo que a verdadeira esquerda deve sacrificar também os princípios minimos arcaicos a que eventualmente ainda se encontre associada. Em nome dos «cidadãos», da «justiça» e do «progresso», claro! Olha, até se podia começar, precisamente, por sacrificar estes princípios acabados de enumerar, não é verdade? Eu proponho que em vez de cidadãos se passe a falar de recursos humanos ou agentes económicos; em vez de justiça (social) se passe a falar (e a apostar) em prémios de produtividade (individual) e que em vez de progresso (social) se passe a falar em optimização e racionalização da economia (ou seja, em precarização e liberalização económica). Espera lá… Mas não foi imesmo este o caminho seguido pelo Pinto de Sousa? Foi, e é por isso mesmo que ele merece ser considerado como a grande referência da verdadeira «esquerda». Da pós-moderna, claro…

  5. oh vega .. se ele acredita nuns principios e pratica outros, então porque é que se acredita nos principios que não se pratica?vcs podem dizer que o be e o pcdp são uns radicais e que as solucoes que eles propoem estao erradas, mas por favor , dai a dizer que as medidas de correia de campos são de esquerda,é achar que as pessoas teem otário escrito na testa.

  6. e depois massacram o be e o pcp, por dizerem que o psd e o ps são a mesma coisa.
    Ah e o correia de campo tem elogiado bastante o paulo macedo. Percebe-se porque é que o tao reformista e centrista sócrates encostou-o á box

  7. só conseguiste com esse texto amoral e absolutamente hipócrita dar mais razão á tal “esquerda imbecil”. Explicaste porque ausam o ps de se encostar á direita.Explicaste porque é que todos os partidos sociais democratas perdem todos os anos eleicoes atras de eleicoes, e porque é que por este andar o deserto que vão atravessar vai ser muito largo e árido.PAra mimn o pior nãe e tomarem essas medidas, mas sim não assumirem que são de orientação centrista aproximada á tal “modernidade liberal”.Porque não se defende o estado com intenções, mas sim com medidas concretas. E um estado não é nenhum diabético para terem que se cortar as pernas e as mãos só para ele se manter vivo, embora reduzido(maternidades e hospitais).Continuem assim

  8. charles isso é uma falacia de falso dilema: e porque não um governo de completamente medida sociais de esquerda, em vez de serem só uma e outra? o bjectivo é se ser o melhor de todos, não o melhor do que alguns

  9. resolvi mudar de símbolo. Ainda não sei se gosto deste mas pelo menos fico distante de conotações sionistas.

    Hoje não há esquerda, há simulacros. Nem palimpsestos são. A começar no ps e acabar no be. Outros dias virão, ver-se-á se o Roubini tem razão sobre a profecia marxista.

  10. Charles (não a sapataria), não estou propriamente a falar de comunismo, já que esse não é mesmo de esquerda. Sendo inevitavelmente totalitário, está mais próximo do fascismo e de monarquias absolutas do que qualquer outra coisa. Como aliás o prova a história, seja onde for. Estava mais a referir-me ao BE, porque esses ainda fingem que não são comunistas totalitários como os do PCP. E estes últimos são outra história.
    ___
    ds, um dia és capaz de perceber que “estar à direita de…” não significa “ser de direita”. No resto, concordo que Sócrates merece ser considerado uma referência de esquerda, pós-moderna ou não.
    ___
    er, estás equivocado. Quem é de esquerda defende certos princípios essenciais, como um serviço publico forte em áreas cruciais, como a saúde e a educação, e não os deixa cair. Essa é a essência de ser de esquerda. A questão é que a verdadeira – e única – esquerda, que é o PS, sabe que o conceito de “defender o serviço público” passa por aceitar a realidade que os recursos não são infinitos, e um sistema racionalizado funciona melhor e é sustentável a longo prazo. Isso significa que essa racionalização, custando concerteza a alguns, permite garanti-lo a todos, com benefício para os cidadãos.
    Pelo contrário, a esquerda imbecil, incapaz de enfrentar algo tão básico como a realidade e o mundo em que vivemos, prefere manter tudo a funcionar “por princípio”, não se incomodando nada com o facto de ser insustentável, e a prazo provocar o colapso desses sistemas e o sofrimento dos cidadãos.
    ___
    §, boa escolha, mas qual era o problema das conotações sionistas?

  11. Vega, de acordo com praticamente tudo. Só não concordo completamente porque penso que foi exactamente em nome da justiça social que se fecharam maternidades que não ofereciam todas as condições de segurança. Obviamente, essas maternidades só estavam ao serviço de quem não tinha possibilidade de recorrer a outras com melhores condições, ou seja, as privadas. Por isso, não percebo que princípios foram sacrificados pelo Governo socialista quando decidiu encerrá-las e encaminhar as grávidas para outras, proporcionando-lhes assim um acompanhamento de qualidade muito superior ao que teriam nas antigas.

  12. guida, talvez o que tenha sido sacrificado fosse o princípio dos serviços de proximidade. Se não ofereciam condições de segurança, há que fazer uma escolha entre investir na remodelação de modo a poder mantê-los abertos, ou encerrar e transferir para outro sítio que as possa oferecer. Racionalizando os recursos, optou-se, e bem, pela segunda, sacrificando o tal princípio da proximidade pelo princípio, superior, da qualidade de maneira sustentável. Era isso que queria dizer.

  13. Esquerda e direita…os extremos nunca são benéficos.
    Tal como a balança que só está equilibrada quando os dois pratos estão ao mesmo nivel, também em termos politicos é no meio que está a virtude. Em suma, é no bom senso que reside a solução. Continuar a discutir quem é mais esquerda ou direita e o ” eu sou mais esquerda que tu ” só leva a exercicios de utopia escrita. Muito valor utópico, pouca aplicabilidade práctica. Dai que , chegados ao poder, todos abandonam a teoria e se dedicam á practica que a realidade permite : destruir o conceito de solidariedade social ou tentar salvar o pouco que dela ainda resta numa sociedade cada vez mais egoista , desprovida de valores e presa á espiral da divida. A utopia? A utopia não põe pão na mesa nem nunca resolveu os problemas concretos das populações.

  14. Pois, basicamente, é o mesmo problema que se põe com o encerramento de escolas com poucos alunos e sem condições. Com uma diferença: as crianças frequentam a escola todos os dias durante vários anos, ao passo que as grávidas, em condições normais, se deslocam apenas periodicamente às maternidades. Se no caso das escolas me parece que o ‘sacrifício’ compensa, e muito, no caso das maternidades, penso que é um exagero o uso de tal palavra. :)

  15. vega2000, a realidade que os imbecis dizem, é aquelas que muitos economistas como sapir, roubini,stiglitz dizem, que a austeridade apoiada com mais ou menos medida pelos partidos da troika, está a matar a economia.E isso da realiade é uma coisa mais relativa do que parece.É engraçado que nos paises nordicos, e em cuba, esse conceito da tal “racionalização” não existe, sendos os serviços publicos, completamernte livres de taxinhas moderadoras ou edução e encerramentos.Finais de serviços que se disfarçam sobre o chapeu eufemistico chamado racionalização.A verdade é essa politica não fez mais do que dar lugar a establecimentos privados.A realidade é que as pessoas agora teem mais dificuldade em se deslocarem ao posto de saude, e pagam mais. Porque os eufemismo servem para disfarçar a dura realidade que são as coisas.
    Se te faz mais satisfeito, eu achei a Ana jorge uma boa ministra, que ao menos parou os excessos do antecessor, que foi tao longe no seu caminho, que o proprio socrates teve que o mandar borda fora.
    A realidade para mim,vega, é que a austeridade esta a agravar o desemprego, e está a causarn a miseria.Podemos ter as arcas cheias daqui a uns anos, mas ficaremos sem economia, para mim essa e a realidade e daqui a uns anos , tal como em 2008, darão razão á aqueles como os”imbecis” que em devido tempo alertaram para os excessos neoliberais, e que se recusaram em bem em acreditar na tal “realidade neoliberal ”
    Mas voltando e terminando no tem da saude, lembro me que até em sectores do ps foi gerados anti corpos com a politica do ministro

  16. para mim as coisas ou são pagas via impostos gratuitas portanto, ou não são gratuitas.Dai não cair nesse dote retórico das racionalizacoes e afins

  17. não entendo como fechando serviços publicos se pode melhorar a qualidade deles. Não se pode, e se havia algum problema com os de proximidade, então só se tinha que os melhorar, nao que os fechar.Economciismo

  18. ya ya guida e os pais n terem dinheiro para a deslocação de vários quilometros e etc.É poupar dinheiro em coisas essenciais, em vez de se cortar nas gorduras do estado.Porque se fosse a falta de condições o motivo, então mandava-sen reparar a escola

  19. er, racionalidade e austeridade não são a mesma coisa. Racionalidade é o que o governo de Sócrates fez em vários serviços públicos, sobretudo na saúde e educação. Maximizar recursos, porque não sei se te dás conta, mas não estamos no Norte da Europa nem temos o nível de riqueza que lhes permite ter esses serviços públicos todos, que eu sei que é o Santo Graal de certa esquerda, sobretudo a que nunca lá viveu. A saúde na Holanda e Suíça é privada, baseada em seguros de saúde, por exemplo. Seguimos esse exemplo?
    Por isso, quando me vens com a historieta de “deviam ter sido remodelados e pronto”, só tens é que me dizer, relembrando-te eu que os recursos não são infinitos, quais dos outros centros é que deviam ter ficado sem esse dinheiro, para que meia dúzia de grávidas não tivessem o incómodo de ter de andar mais 50 kms.
    Quanto à austeridade, relembro-te que não vives numa ilha isolada do resto do mundo. É contraproducente ao crescimento económico? Sem dúvida, como vários economistas estão fartos de avisar. E foi precisamente por essa razão que Sócrates a implementou aos poucos, para não afectar demasiado a economia, de modo a ganhar tempo a demonstrar aos parceiros, aqueles que nos emprestam – e repara bem na expressão – sem a isso serem obrigados, e com as condições que entendem pedir, como eu dizia, de modo a demonstrar-lhes que conseguíamos pôr as contas em ordem e retomar o crescimento, de modo a que nos financiassem em termos mais favoráveis. E foi precisamente esse esforço cuidadoso que a esquerda imbecil deitou por terra, quando já estava na recta final, abrindo as portas a austeridade a sério, à bruta.
    Por isso, se tens agora recessão, desemprego galopante, impostos brutais, cortes nos transplantes, só tens de fazer uma coisa: passas pela sede do BE, entras, sorris, e dizes “obrigado”. Porque a eles o deves. E a seguir vais à do PC. Já que pagas mais pelo passe do Metro, aos menos dás-lhe bom uso.

  20. Deixem-se de tretas. O PS cedeu onde nunca devia ter cedido, nomeadamente no que diz respeito à UE. E não cedeu onde devia ter cedido, nomeadamente na desburocratização do sistema de avaliação dos professores. Não admitir os erros passados vai condenar o futuro do PS…

  21. oh vega mas o serviço publico, não tem que olhar para meros numeros, mas sim para pessoas. Deve primar a qualidade em vez do lucro, E eles no norte da europa taxam o patrimonio e a renda, há justiça fiscal,, e não ha gordura do estado.O exemplo nao e de certeza a holanda e a suiça, mas ha outros exemplos que podiamos seguir,como aqui a vizinha espanha ou a frança.A questão não é de racionalizar ou não, a saude e a educação, sendo áresa fundamentais aos cidadãos, devem ser excluidas de quaisquer cortes (que é aquilo que voces eufemisiticamente chamam de racionalização)
    A questão é nesta vega: dizes tu que é preciso racionalizar para manter, e havrer sustentabilidade: ok , dizes que e preciso hsaver dinheiro. Eu digo-te que existe muita coisa para ser cortada e a ser taxada.Podias ter cortado nos institutos publicos, extinguindo.os ou entºao fazer a fusão de alguns, no sentido de acabar com despesa inutil, e evitar a tal racionalização, que não é mais que uma machadada em serviços publicos,Podia se cortar nos institutos mas não acho que se devia ter cortado em serviços essenciais a população.E quanto a isso das gravidas a 5o quilometros, acho muito leviano falar daquilo que não se conheçe.

  22. quanto á austeridade ja falamos: bruta ou menos má, é sempre má. Só me recordo, que ao primeiro pec diziam que ficava tudo bem, ao 2º que era o que ia resolver tudo e ao 3º é que ia resolver tudo. Pois eles todos falharam meu caro, com valores muito acima do estipulado. E sinceramente, e não estou a ser maldoso, duvido que aquele fosse o´ultimo pec,mas antes longe disso.E não tenho uma bola de cristal, portanto não posso dizer o que ia acontecer, mas sei que o ultimo ja previa congelamente nas pensoes e aumento de impostos.Já tive oportunidade de dizer a edie, que se o ps tivesse negociado com a esquerda pelo menos assikm deixavam a batata quente nas maos deles, pois assim com a incorporacao das medidas deles ficariam sem desculpa para chumbar.Mas voces tal como nas outras vezes confiaram numa aprovacao da parte da direita, tal como nas outras vezez, o que me faz questionar bastante quem´se trata na verdade da esquerda inutil estupida e bera, porque nao ha fantasmas no parlamento.
    Quanto án europa, acho que devias ler os textos do joao ferreira do amaral, acerca das caldeiradas em que nos metemos na europa, sejam elas maastricht ou euro.

  23. Olha, naon vou a sede deles porque nao tenho pass do metro,nao moro em lisboa embora gostasse muito diga-se de passagem, mas sinceramente se tivesse um talvez nao fosse protestar as portas deles. Porque os problemas que enunciaste já os tinhamos antes, apartir dos pecs, e siceramente este governo apenas agravou o nivel de pancada, passamos apenas don predador ao alien vs predador.Não bastava para ir protestar.Eles teriam culpa, se voces tivessem a seguir um rumo diferente.

  24. er, onde é que descobriste esses pais com dificuldades em pagar o transporte escolar dos filhos? Não sei se é geral, mas sei que há Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia que transportam gratuitamente todas as crianças do 1º ciclo residentes a mais de x quilómetros da escola. E mesmo que não seja assim em todo o País, com toda a certeza são gratuitos para as famílias com menores recursos.

    E diz-me lá, como é que ‘mandando reparar a escola’ se resolve, por exemplo, aquele problema chatinho de terem de ser leccionados os quatro anos do 1º ciclo na mesma sala?

  25. Oh guida então aqueles pais a protestar pelo encerramentos viraram-se um bando de doidos é? Estas são as palavras guida: renovar e ampliar a escola.E não é so o pagamento de transporte, é a grande distancia que se cria entre os serviços publicos e as familias.Enfim, o nosso interior a ser esvaziado que nem uma prateleira

  26. Ó er, então e aqueles pais que depois vieram dizer que estavam muito satisfeitos com as condições da nova escola e os miúdos também? Vá-se la´saber de que lado está a doideira :)

  27. er, sim, há pais que protestam, ou protestaram, contra o encerramento de escolas, mas não por terem dificuldades em pagar o transporte para as novas escolas. Foi essa a questão que levantaste. E depois de já terem sido encerradas milhares de escolas, creio que de uma maneira geral os pais, mesmo os que protestaram, acabaram por reconhecer os benefícios da mudança. E não é difícil perceber porquê.

    ‘Renovar e ampliar’ escolas com menos de 21 alunos? Construir um moderno centro escolar, com direito a tudo (menos brincar com muitos meninos) em cada aldeia, é isso? Estás um mãos largas…

  28. guida e edie, se nao foi devido ao transporte, então protestaram porque? em todo o caso acho que se pensou demasiado no economicismo , em poupar.E por alguma razão essas escolas em cada aldeia existiam.

  29. Tens toda a razão Vega (sem qualquer ironia), e por isso devias prestar mais atenção às coisas que escreves: «estar à direita de» (ou «à esquerda de») não significa «ser de direita» (ou «ser de esquerda»). É que nos primeiros casos estamos a falar de posições relativas e nos segundos casos estamos a falar de posições absolutas (e não fiques desde já arrepiado com a palavra «absoluto», pois a explicação para tal vem já a seguir). O Pinto de Sousa, por exemplo, está à esquerda (uns «centímetros» à esquerda) do Passos Coelho , mas não é de esquerda. Porquê? Porque, como tu explicaste muito bem, sacrificou e fez tábua rasa dos princípios de esquerda e toda a sua práxis política foi orientada pelos princípios neoliberais do funcionamento da economia. Nessa medida, o Pinto de Sousa é, de facto, a grande referência da «esquerda» pós-moderna portuguesa, pois contribuiu para o processo de «desconstrução» (ou melhor, de destruição) dos ideais da esquerda (ainda que o tipo nem saiba o que é isso de «pós-modernismo»).
    O que resta assim aos socretinos como bandeiras para se afirmarem ou reclamarem de esquerda? Resta-lhes a sua posição em relação ao PSD: se este é de direita, então «nós» somos de «esquerda». Mas o que isto quer dizer é que, afinal, nem tudo é relativo (ou que nem tudo foi «pós-modernizado») no mundo dos socretinos. Há algo que os orienta e que lhes permite situarem-se no mundo da política, e isso é o PSD. Na ausência de princípios, «afirmam-se», assim, pela negativa, absolutizando o seu adversário na luta pelo poder. Isto é, o PSD é o absoluto do PS, porque independentemente de qualquer circunstância é o PSD que permite dizer que o PS é de «esquerda». Não são quaisquer princípios ideológicos ou a prática política, mas antes um partido a que se «opôem», por definição.
    Eu disse «por definição»? Se disse, disse mal, pois as definições remetem para princípios, e está visto que estes já não contam. Portanto, o que se pode dizer é que o PS e PSD opôem-se por indefinição, ou por nada. Ou seja, são o mesmo. E a prova disso é que já nem no discurso se distinguem: se o Pinto de Sousa era elogiado pelos socretinos por ser «reformista», por ser o homem das «reformas», o PSD apresenta-se agora como o partido do «reformismo democrático», seja lá o que isso for. Mais do mesmo, portanto. Mais neoliberalização mascarada de «modernismo» e «reformismo», como convém para hipnotizar os inocentes…

  30. O Passos vai fechar (ou fechou) 1/5 das escolas primárias? Isso só quer dizer uma coisa: quer dizer que temos Homem! Temos Homem à altura do «modernismo» e do «reformismo» socretino!

  31. ds: Conta aí por que razão achas que o PCP é de esquerda. E não me digas que é por defender os operários e os camponeses, por favor, porque esses não votam nele. E também não digas que é por querer acabar com os ricos, pois nem os pobres querem isso. Querem, sim, é ser ricos.
    E depois, se puderes, explica por que razão o Bloco é de esquerda.

  32. Tens razão Penélope. Depois disto tudo esqueci-me de dizer o mais importante: afinal o que é ser de esquerda? Ao contrário do que o Vega diz o essencial não é garantir a existência de serviços públicos básicos (isto é um meio e não um fim em si mesmo) nem promover a sua «racionalização» (até porque isto já cheira a conversa neoliberal de contenção nas despesas sociais e pouco se distingue da defesa do assistencialismo aos mais «pobrezinhos»). Ser de esquerda significa promover uma maior igualdade social e esta começa a ser promovida e construída do lado da produção e não do lado do consumo, por assim dizer. Ou seja, ser de esquerda consiste em defender a justiça social, que por sua vez consistirá numa repartição dos rendimentos em favor do trabalho e não do capital. Ora, aquilo a que se tem assistido nos últimos 30 anos com a cumplicidade dos partidos «socialistas» ou «social-democratas» é a um desequilibrio e a um fosso cada vez maiores entre os rendimentos do capital e os do trabalho (com prejuízo para estes, como as estatísticas revelam). Mais: apesar da produtividade do trabalho ter aumentado nos últimos 30 anos, em termos reais os rendimentos do trabalho quase estagnaram, e em compensação os do capital subiram (e não foi pouco). Não é de espantar, portanto, que tudo tenha culminado nas crises financeiras actuais, pois a crise do crédito acaba por ser uma crise de superprodução: com os salários a não acompanharem o aumento da produtividade, a «solução» encontrada para pôr a economia a funcionar foi financiar o crédito. E tudo «acabou» como se sabe… Mas para agravar o fosso entre ricos e pobres, os neoliberais e os «socialistas» propôem como receita os cortes nas despesas do Estado «gorduroso», o aumento dos impostos sobre o trabalho e a precarização das relações laborais. E o capital continua protegido e imune à crise. Com uma «esquerda» assim, não é preciso, de facto, direita nenhuma…

  33. ds: Mas que explicação tão, digamos, original para a crise. Crise de superprodução? O problema é os salários não terem acompanhado o ritmo da produtividade, pois, caso tivesse sido esse o caso, não haveria qualquer crise financeira?
    Adorei conhecer-te. Lucy in the sky with diamonds!

  34. ds, portanto para ti, quem não cumprir os preceitos de pureza ideológica que defendes é, automaticamente, “de direita” (neo-liberal, nem mais), embora possa estar “à esquerda de”. O facto dessa pureza ideológica funcionar ou não no mundo real é, sendo assim, totalmente irrelevante, assim como o bem-estar real dos cidadãos. Agradeço a ilustração tão vivida do que queria dizer no meu post.
    Quanto à tua definição de “esquerda”, confundes também tu os meios com os fins. As teorias marxistas e comunistas são muito bonitas, mas quando a puta da realidade as desmente, e desmentiu-as em todos os lugares onde foram tentadas e implementadas – todos, sem excepção – então o “meio” é errado para chegar ao “fim” – a tal justiça social que dizes defender. Mas não defendes. Isso não é ser “de esquerda”, isso é ser comunista. O que, como vês, não é a mesma coisa.
    Mas só para não dizeres que não sou teu amigo, concordo com esta parte:

    apesar da produtividade do trabalho ter aumentado nos últimos 30 anos, em termos reais os rendimentos do trabalho quase estagnaram, e em compensação os do capital subiram (e não foi pouco).

    Concordamos se calhar com uma parte do diagnóstico, discordamos é da cura.

  35. «Lucy in the sky»? Penélope, tenho impressão que o teu «camarada» «Vega in the sky» também está todo pedrado, pois nesse ponto até concordou comigo. Tens de falar com ele… Mas espero que tenhas ficado satisfeita com a minha definição do que é ser de esquerda. É que a propósito disso ficaste calada. Terás tido uma overdose de informação e de realidade?

    Vega, vamos lá ver: historicamente a social-democracia está ligada ao marxismo. A ruptura entre os dois deu-se, de facto, com a diferente concepção da forma ou dos meios para atingir determinado fim. Enquanto os primeiros defendiam a via da reforma do sistema (e não comeces já a achar que tens razão), os marxistas defendiam a via da revolução. Mas, meu caro, o fim era no essencial o mesmo: construir uma nova sociedade, uma sociedade socialista. As «reformas» do teu ídolo Pinto de Sousa não têm nada que ver com isso, porque não são reformas tendo em vista uma outra organização social, ou uma outra (mais justa) distribuição dos rendimentos. As «reformas» do Pinto de Sousa em pouco ou nada se distinguem das reformas do Passos Coelho: são reformas feitas no sentido da liberalização de economia e da sociedade; são reformas feitas no sentido de reforço do sistema tal como ele existe e funciona. E isso já não tem nada que ver com ser de esquerda ou ser «social-democrata».

  36. vega nós antes de 2008 também todos aqueles que eram contra o neoliberalismo , eram apelidados de irreais bla bla bla e bla, mas eu sei o que aconteceu nos estados unidos e na islandia, e ai se viu qual era a verdadeira realidade e quem eram os verdadeiros reaccionarios.Avisaram que a economia ia estalar, mas nao, “ah a realidade é que se tem de liberalizar e nao sei que” viu-se no que isso deu

  37. é edie.. também já ouvi dizer que a desertificação do interior é natural e que os que ficam lá teem que se amanhar como podem , eu sei eu sei, é a natureza e bla bla bla bla, aquilo qualquer dia em vez de bragança vemos marrakech , guarda passa a ser er rachidia, e castelo branco passa a ser ouarzazate.Espera o mário lino de facto foi injusto, chamou deserto á margem sul com tanto mais para o interior ehehehhe

  38. er, as tripes maldosas nunca estão do lado da verdade.

    Quanto às escolas, diz lá qual a tua solução: equipá-las como as outras, remodeladas, para 6 ou 7 alunos, ou deixar esses 6 ou 7 alunos em condições velhas e podres, sem equipamentos como os outros meninos das outras escolas? Na primeira hipótese, explica onde vais buscar o dinheiro.

    (lembro-te que noutros países ricos da Europa, a solução foi esta e tinham mais dinheiro que nós)

    A seguir explica-me porque é que os pais e os filhos ficaram mais satisfeitos com as novas escolas do que com as antigas…

  39. edie até concedo que possam ser melhores, mas nao respondeste á perguntas do motivo de ter havido protestos.e escolhi a 1ºhipotse: há muito sitio em que sugiro que se possa cortar, nomeadamente empresas e institutos publicos que nao servem para nada.Co,mo eu disse ao vega, há que racionalizar, senão acabar ou fundir insitutos publicos, e nos salários dos gestores publicos.Também sugeria encontrar novas vias de receita fiscal.Sou a favor do impostos sobre o patrimonio .Não consta em espanha e em frança javer encerramentos de escolas

  40. mas o fundamental edie, é que se deve poupar os serviços essenciais as populacoes a essas logicas neoliberais do racionalismo e do corte.

  41. ds, a questão será então sobre que sociedade será viável, se uma “nova” ou se esta, mas mais justa. Vamos falando.
    ___
    er, os EUA são outro paradigma em termos de estado social e liberalismo. Queres mesmo usá-los como exemplo?
    Quanto à Islândia, a economia rebentou mesmo, caso não saibas, chegando a um ponto onde o governo teve de restringir as importações a comida, remédios essenciais e petróleo. O facto de estar a recuperar agora significa apenas que já bateu no fundo, apesar de ter agora que tomar medidas severas de austeridade, incluindo baixar as pensões e aumentar os impostos. Soa-te familiar? Para além disso, apesar do que lês no Arrastão, a situação da Islândia tem muito pouco a ver com a nossa.
    Quanto a curas, tenho-a aqui mesmo, e é milagrosa. Mas não posso dizer, porque o Passos Coelho ficava com os louros. E prefiro que o país sofra do que deixar isso acontecer.

  42. pelo contrario vega estava a sublinhar que o liberalismo deles(dos eua) falhou, não o de democracia mas o economico.
    E se não tem haver com o nosso, pelo menos mostra os males do tal “realismo desregulativo” e como as pessoas fascinaram-se pelo capitlaismo financeiro e tiveram mais olhos que barriga,e continuo a dizer que essas medidas não sao cura nenhuma mas sim um aminho para outra doença.
    Será que sabes mesmo edie? hummmmmmmmmmmmm não vale de muito dizermos que os outrosn estão errado mas nao sabermos as soluções, pelo que insisto em saber que solucoes tens na manga,

  43. Será que sei mesmo o quê, er? Explica-te lé em português sem desrespeitares tanto a língua, em vez de te pores para aí a mugir.

  44. er, concedes que as escolas novas ‘possam ser melhores’? Possam ser?! Tens dúvidas e isso significa que não fazes ideia nenhuma do que temos estado para aqui a discutir. Para continuarmos a conversa, tens de te informar acerca das condições em que as crianças tinham aulas nas escolas encerradas e, se não for muito trabalho, informa-te também das condições existentes nos novos centros escolares.
    Depois de comparares, podes manter que não concordas com a opção, que as crianças podem perfeitamente passar os seus dias em edifícios com condições que não se encontram em mais nenhum serviço público, mas não terás dúvidas acerca de quais oferecem melhores condições. Digo eu…
    Alguns pais protestaram porque, tal como tu, não estavam conscientes do imenso salto qualitativo que a mudança de escola representava para a educação dos seus filhos. Mas se aprofundares a tua investigação, também podes descobrir pais, residentes em locais servidos por estas escolas pré-históricas, que se recusavam a colocar lá os seus filhos, levando-os para escolas com melhores condições perto dos seus locais de trabalho e outros ainda que decidiram mudar de residência por esse motivo. Portanto, dizer que manter essas escolas contribui para travar a desertificação é de quem desconhece a realidade em muitos desses locais.

  45. Há uma coisinha chamada resistência à mudança, outra que se chama desconhecimento, e ambas podem ter contribuído para essa primeira reacção.

    Entretanto, as escolas remodeladas estão ao nível mais avançado que há em meios didácticos e pedagógicos. O que é que isto tem de mal?

  46. edie e guida a resistencia por mudança só por causa da mera mudança não existe e tem que haver um motivo, contudo mantenho a minha opiniao de que mais importante do que economizar aqui ou ali a regra e esquadtro, o importante são as pessoas.E por muito boas que sejam as escola onde agora elas estão, creio que em lugar de as ter encerrado , devia-se ter-las remodelado.Financiamento? pois através de cortes na despesa inutil, que temos , com institutos publico que nao servem para nada, e iintroducao de um impostosáo patrimonio e aos ganhos na bolsa.Ah edie, o “será que sabes que” era para o vega, não para ti desculpa.´
    Guida, se é realidade o que dizes sobre os casos que citaste, nunca ouvi falar nos meios de comunicação(se calhar nao lhes interessava ehehehehe)
    Foi uma boa discussão meus senhores e senhoras

  47. er, também não conheci estes casos através da comunicação social, conheço-os pessoalmente. E duvido muito que sejam casos únicos no País.

  48. Guida de qualquer forma e mesmo que isso seje verdade,mantenho a minha opiniao sobre o assunto, o economicismo não é a minha praia

  49. er, e fazes tu muito bem. Ainda não explicaste como se resolveria o problema (parece que real, dá na televisão e tudo) da falta de alunos nessas escolas, mas aposto que tens a solução perfeita. :)

  50. edie só digo assim: há que diferenciar a despesa inutil ou a maquina do estado, e os serviços essenciais ás populações como a saude e a educação.

  51. eu qaunbdo me referia ás outras coisas referia-me ao atraso economico do interior que obriga as pessoas a procurarem uma vida melhor nas grandes urbes do litoral.Sim guida.. todos damos as nossas solucoes

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.