Carmo / Rua da Alfândega

São estes os lugares da memória.

Longe, mais de vinte anos longe /era esta a minha estrada.

Corria do quarto alugado / para o emprego na Baixa / por sete tostões num bilhete.

No Largo do Rato parava / e sempre me fez confusão / os trocos dum cego com lotaria.

Hoje já não há o cego / não haverá talvez o Largo.

Eu próprio passarei por aqui / talvez na minha última viagem / pois é este o mais barato caminho / entre a minha casa e o cemitério.

5 thoughts on “Carmo / Rua da Alfândega”

  1. lembro-me desta fotografia com outro texto. e não quero saber de caminhos baratos desses porque não é assim que sentem as pedras da calçada da poesia. :-)

  2. Essa do cemitério é lúgubre. Já estás a pensar na morte, no cemitério, no cangalheiro?
    Nada tenho contra a morte

    Contra a morte nada tenho,
    mal dela nunca diria.
    Eu próprio não desdenho
    vir a morrer qualquer dia.

    Mas por enquanto rio muito quando vou ao cemitério

    Quando vou ao cemitério
    rio muito ao regressar,
    tristeza digo, a sério,
    é lá ir e não voltar!

    Mas se um dia eu morrer…

    Morrer é o fim da vida,
    s’um dia morrer, não sei,
    é a última medida
    que na vida tomarei!

    E mais não digo porque agora vou “morrer longe”.

  3. Tens razão Sinhã mas isso foi antes do assalto. Todas as imagens em arquivo se perderam porque forma roubadas. Mas não há problema.Amigo Kalimatanos – estou preparado só não estou preparado se ele diz que eu sou o senhor Evaristo. Amigo Adolfo – é isso; morrer é ser esquecido…

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