The next time your great idea at work elicits silence or eye rolls, you might just pity those co-workers. Fresh research indicates they don’t even know what a creative idea looks like and that creativity, hailed as a positive change agent, actually makes people squirm.
“How is it that people say they want creativity but in reality often reject it?” said Jack Goncalo, ILR School assistant professor of organizational behavior and co-author of research to be published in an upcoming issue of the journal Psychological Science. The paper reports on two 2010 experiments at the University of Pennsylvania involving more than 200 people.
The studies’ findings include:
– Creative ideas are by definition novel, and novelty can trigger feelings of uncertainty that make most people uncomfortable.– People dismiss creative ideas in favor of ideas that are purely practical — tried and true.
– Objective evidence shoring up the validity of a creative proposal does not motivate people to accept it.
– Anti-creativity bias is so subtle that people are unaware of it, which can interfere with their ability to recognize a creative idea.
Arquivo mensal: Setembro 2011
Um livro por semana 252
«Os sinais da viagem» de José Correia Tavares
Natural de Castelo Branco, José Correia Tavares (n. 1938) foi dos primeiros poetas portugueses a escrever sobre a Guerra Colonial – «Três Natais» (1967). Depois do recente «O grande livro dos cães», Correia Tavares regressa neste livro ao ofício da quadra ao gosto popular.
O ponto de partida é o trabalho poético: «Hás entre razão e rima / Eterna má vizinhança / Uma em baixo, a outra em cima / Como os pratos da balança». O poeta define o seu campo de acção: «Parecendo surdo e mudo / Ao armar a minha teia / Tenho olhos para tudo / O que mexe, me rodeia». Mas não esquece o espaço de onde vem: «A oliveira mais velha / Seus frutos só um punhado / É que, debaixo de telha / Me tem sempre alumiado». Nem olvida o caminho percorrido: «Sedentário, vigilante / Ao germinar das sementes / Já cruzei, daqui distante / Oceanos, continentes».
Perguntas simples
Eleições já!
Se as eleições fossem hoje o PSD ficaria muito próximo da maioria absoluta que Passos Coelho pediu na campanha e, com as intenções de voto acima do que teve nas legislativas de Junho, ficava livre para formar um Governo sem o apoio do CDS.
Parelhas
Impressionar no emprego, brilhar nos jantares, seduzir em festas
Mother Tongue Comes from Your Prehistoric Father
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Quitting Smoking Enhances Personality Change
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Need a Break? Try Nature
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Computerized Anxiety Therapy Found Helpful in Small Trial
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Downwardly Mobile: When Consumer Decisions Are Influenced by People With Lower Socioeconomic Status
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Healthy Lifestyle Habits Lower Heart Failure Risk
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Gamers succeed where scientists fail: Molecular structure of retrovirus enzyme solved, doors open to new AIDS drug design
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Fast-Paced, Fantastical Television Shows May Compromise Learning, Behavior of Young Children
Rua da Misericórdia
Ao contrário dos lojistas de Cesário Verde
Marta não usa a bata nem o guarda-pó
nem vende drogas, miudezas e ferragens.
Vende sim sonhos em forma de tela colorida
seja o acrílico, o óleo, o pastel ou a aguarela
em paisagens povoadas por gente mais diversa.
Às vezes são grandes plantações de alfazema
ou são músicos em clubes nocturnos de jazz
ou ainda palhaços no intervalo das lágrimas.
Marta sabe; o Bairro Alto nasceu em 1513
um casal assinou a escritura num tabelião
e assim nasceu um bairro fora da muralha.
Algures entre São Roque e o azul do Tejo
passam por aqui os marujos e os calafates
e mais soldados para os navios da Índia.
Por aqui passaram os ardinas a correr
gritando notícias de primeira página
todos derreados pelas sacas dos jornais.
Hoje a desordem está mais massificada
garotos de 14 anos apanham bebedeiras
urinam as portas das casas e os automóveis.
Estudantes do Erasmus pegam em garotas
que deitam no tejadilho dos automóveis
dos moradores que sofrem desprevenidos.
Há gente a vender cerveja em garrafa na rua
a meninos que depois colocam a garrafa
junto ao pneu do carro já à espera do furo.
Ao contrário dos lojistas de Cesário Verde
Marta não se enfada no calor das tardes
lembra as filhas, conhece o tempo e o lugar.
“Vencer o corpo” – agora na SIC
– Quando olha para si, agora, o que vê?
– Já tirei o peito, já mudei de sexo, na lei, mas ainda não fiz a cirurgia de mudança de sexo. Odeio este corpo. Dá-me raiva. (…) Não posso ser uma menina, porque nunca o fui. Nunca fui menina. Fiquei apavorado, há dias, porque estamos sem cirurgião. Em pequeno, rezava para ficar com o corpo certo. A primeira coisa que fazia quando acordava, era levantar o cobertor. E o corpo errado lá estava (…)
A encenação
O caso da Madeira e as reacções que entretanto suscitou (ou não suscitou e devia ter suscitado) permitem-me tirar algumas conclusões. Estas pessoas que nos governam e que deitaram abaixo um governo legítimo, bem intencionado, competente, patriota e com uma visão para o desenvolvimento do país, em nome de uma suposta credibilidade e transparência, tinham conhecimento da ocultação de dívidas substanciais pelo governo regional da Madeira (impossível o deputado Guilherme Silva, membro destacado do PSD, não saber) e encenam agora o número da grande surpresa, não só cá como lá fora.
Ora, se fosse mesmo uma surpresa, como se compreende que, em nome da tal credibilidade e da moralização da vida política, de cuja ausência acusavam o governo anterior, se limitem a dizer que, enfim, não se compreende, mas que é ao povo da Madeira que cabe fazer o seu juízo? Ao povo da Madeira? Mas se é esse povo o beneficiado com as falcatruas! Porque não antes à maioria esmagadora dos portugueses, cujos interesses o primeiro-ministro é suposto defender e em nome de quem actua?
A vinda da Troika não deve ter escapado a Alberto João, mesmo vivendo numa ilha. Também não lhe deve ter escapado que as continhas iriam ser esmiuçadas.
Não será preciso ter uma inteligência superior para perceber que tudo foi combinado com Alberto João de modo a que este solicitasse uma auditoria às contas da ilha (para poderem vir dizer isso mesmo, e que eu mesma já ouvi: ”Mas se até foi o presidente do governo regional a solicitá-la! Querem maior prova de honestidade?”). Mas, atenção, só agora, quando o pouco tempo que medeia até às eleições de Outubro já é, de si, impeditivo de uma não candidatura de Alberto João.
Ou seja, apesar do buraco, havia que eleger AJJ, logo, vai-se mais longe do que o exigido no Memorando, alegando que se trata de ganhar credibilidade a nível externo e mostrar empenho, quando, no fundo, se procura arranjar dinheiro tributando os continentais para “prevenir”(sinónimo de cobrir) surpresas, que, afinal, não o eram.
Haveria apenas uma maneira de desmentir estas conclusões: a retirada da confiança política a Jardim, que, aliás, como se vê no vídeo, confessa ter escondido deliberadamente as dívidas, e uma intervenção do presidente da República, censurando tal comportamento, pedindo a aplicação rigorosa da lei para estas infracções ou até, dada a confissão feita pelo próprio, demitindo-o. Penso que tem poderes para isso. Se nada disto for feito, fica o golpe de teatro e o que isso revela de desonestidade, partidarismo e compadrio, que o actual governo sobrepõe sem hesitar e com grandes dotes teatrais ao interesse da população portuguesa em geral. É uma má opção, até porque a “moralização” do caso AJJ só poderia trazer dividendos políticos a esta coligação.
A Madeira já declarou a independência, mas só agora avisou a República
O que se está a passar na Madeira não é apenas desastroso para as contas públicas e calamitoso para a credibilidade internacional do Estado, estamos também perante actos que violam gravemente o vínculo à Constituição. Espantosamente, são os próprios rebeldes que o anunciam numa fuga para a frente que ainda mais espantosamente deixa o Presidente da República calado. O que Jardim hoje disse, que o encobrimento tinha sido uma defesa contra o Governo do PS, já Guilherme Silva havia proclamado de outra forma há poucos dias: a Madeira recusa-se a respeitar a Lei quando não concorda com ela. Ver para crer.
João Soares, por nenhuma outra razão que não seja a de expressar a sua opinião, tem sido sempre de uma lealdade exemplar a Sócrates quando enfrenta ataques ranhosos e pulhices nos debates em que participa. Aqui, a propósito da Madeira, chega a incluir o seu pai, Mário Soares, no conjunto de todos os governantes que não foram capazes de fazer aquilo que Sócrates fez: enfrentar Jardim e obrigá-lo a respeitar a República.
Está na altura de chegarmos à Madeira
Quando se diz que Jardim fez muito pela Madeira, que ela era um antro de miséria antes dele e agora tem de tudo quanto é bom, não estão apenas a gozar connosco. O que se está a insinuar é que mais ninguém, desde 1978, teria sido capaz de gastar o dinheiro que ele gastou. Porque o dinheiro foi para lá enviado, e não parece especialmente difícil encontrar onde o enfiar. Essa boutade é uma ofensa para os madeirenses, ou para alguns madeirenses, mas acima de tudo é uma provocação para quem tem pagado impostos nestas últimas três décadas.
A sangue-frio
A Europa reagiu com estupefacção, em Março deste ano, perante as notícias de uma possível crise política em Portugal. Ia contra toda a lógica da defesa dos interesses de Portugal e da própria Zona Euro. De imediato, os responsáveis pelas principais instituições europeias fizeram repetidos e lancinantes apelos públicos para a procura de um consenso político que viabilizasse o acordo alcançado pelo Governo junto dos seus parceiros europeus, o famigerado PEC IV. A queda de Portugal corresponderia ao agravamento do risco para os restantes países ainda protegidos precisamente pela resistência portuguesa. Seria mais um trunfo para a estratégia do dominó que apostava no cerco ao Euro.
Cavaco Silva, no período que mediou entre o dia das eleições e a tomada de posse, reuniu com variadas personalidades, incluindo Barroso. Sabia perfeitamente bem qual a situação europeia e as consequências do eventual falhanço nacional na garantia do seu normal financiamento; até porque é um génio da economia e finanças, como faz questão de lembrar amiúde. Acresce que tinha feito campanha eleitoral declarando que Alegre não tinha experiência e competências para lidar com a complexidade da situação internacional, só ele o poderia fazer. Chegou ao ponto de sugerir que a sua vitória teria de ser obtida logo à 1ª volta para que os mercados acalmassem. Foi esta mesma avantesma que no primeiro acto oficial do novo mandato declarou ser necessário derrubar o Governo. E depois, coerentemente, não mexeu uma palha em ordem a promover uma solução que evitasse a crise política. As desculpas que apresentou, não ter sido avisado do PEC IV e os acontecimentos terem sucedido a uma velocidade que não pôde acompanhar, estão ao nível do que inventou para justificar a ausência no funeral de Saramago. É altamente provável que Américo Thomaz tivesse mais vergonha na cara do que este tipo.
Hoje sabemos que a aprovação do Orçamento para 2011 permitiu ao Governo começar decisivamente o processo de adaptação às exigências europeias para a redução dos custos do Estado. Mas sabemos muito mais. Sabemos que esse esforço foi fatalmente boicotado com as consequências económicas do derrube do Governo e ida para eleições. E sabemos que o acordo com o trio de credores impediu que se continuasse a poder escolher as soluções de austeridade menos gravosas para as classes baixa e média. Tudo desabou e piorou, só para que PSD e CDS pudessem ocupar o poder. BE e PCP, quando chumbaram o PEC IV, estavam a defender os interesses dos seus eleitorados? Não, estavam precisamente a garantir que esses interesses seriam prejudicados para além do imaginável.
Será bom que a legislatura se cumpra integralmente e que os portugueses bebam o cálice do seu voto até ao fim. Temos é de ir recordando, ao longo dos 4 anos, esta história em que nos enrabaram a sangue-frio.
Vinte Linhas 665
Para uma memória de Rua do Ouro em 1966
A fotografia muito antiga, roubada do computador em 17 de Julho, foi emprestada de novo pelo meu amigo Vítor Salgado, conceituado comerciante de ouro, prata e afins na Rua do Ouro. Serviu de ilustração a um poema; serve hoje para acompanhar uma crónica sobre o tempo dessa rua em 1966. Tempo em que as notícias saíam da Agência Havas para os jornais diários de Portugal – havia 11 em 1941, talvez a data desta fotografia. Tempo em que as notícias comerciais e particulares saíam de Portugal através da Rádio Marconi e dos seus cabogramas – os célebres cable em inglês.
Em 1966 o Banco à direita ainda se chamava Lisboa & Açores e o da esquerda ainda era o Totta Aliança. No segundo quarteirão à direita existia o Banco Português do Continente e Ilhas que em 1951 se passou a chamar Banco Português do Atlântico. O eléctrico da fotografia era o «Rossio-Graça», o antepassado do actual «28», o «Prazeres-Martim Moniz» sempre cheio de turistas. Alguns dos automóveis da foto permaneceram até 1966 quando aqui cheguei e vi um polícia sinaleiro em cada esquina. O Augusto, motorista do presidente do BPA, dava uma nota de 20 escudos a cada um no Natal porque eles facilitavam a passagem do Mercedes-Benz preto nas esquinas, também as da Rua Augusta. Anos depois no Diário Popular contaram-me outra história parecida: a administração do jornal do Bairro Alto precisava de tudo facilitado no caminho até Santa Apolónia para que os jornais não perdessem os comboios para o Norte.
Quarenta e cinco anos depois a Rua do Ouro continua na minha memória como em 1966 – eu ganhava 900 escudos e descontava 18 escudos para o Fundo de Desemprego mas sabia que se por acaso ficasse desempregado eu não podia ir lá buscar nada.
Um amor de sindicalista
“São imposições da Troika.” (suspiro) parece desabafar agora, resignado, Mário Nogueira, este cordeirinho.
Se dúvidas ainda houvesse de que as lutas organizadas pela FENPROF no governo anterior eram mera guerrilha política contra o PS servindo-se do descontentamento dos professores com as novas exigências, estas palavras de Mário Nogueira ao Expresso de hoje (sem link, sorry) desfazem-nas completamente, sendo muito elucidativas.
“Cada um tem o seu estilo. Lurdes Rodrigues era duríssima, de difícil relação nas reuniões [já Mário Nog. era de uma afabilidade que comovia…]. Com Isabel Alçada não havia qualquer problema de relacionamento, mas percebia-se que era extremamente frágil do ponto de vista político [Ah, esta já estava a prazo]. Agora há uma coisa que temos a certeza, é que cada vez mais as ideias estão condicionadas às regras da troika [Jura!]. Eu não sei se este ministro acha bem fazer mega-agrupamentos, presumo até que não, mas o certo é que já anunciou que vai fazer mais. As políticas hoje são impostas por fora.”
Ai são? Que conformismo, que conformismo, senhores. Em que acreditava, em que acredita este homem afinal? Até me faz pena, porque suspeito que seja no regresso do PS ao poder para olear de novo as espingardas!
Como se conclui claramente, estes comunas adoram ter cá a troika. Não são mesmo umas crianças? Com gente desta, como podemos indignar-nos que venham aí uns alemães puxar-nos as orelhas e obrigar-nos a ajoelhar, ameaçando com a cana?
Uma última nota:
Depois de tanta azáfama, o que conseguiu o PCP com o seu sindicalista? Que os professores votassem maciçamente no PSD. Missão cumprida, portanto.
Supostamente, as universidades são antídotos contra a estupidez
O caso com a UCP que o Porfírio Silva descreveu – UMA HISTÓRIA POUCO CATÓLICA – interpela-me por várias razões. Foi lá que me licenciei em Filosofia, era D. José Policarpo o reitor. E foi lá que encontrei algumas das pessoas mais importantes da minha vida, colegas e professores.
A Católica de Lisboa que conheci como estudante já não existe. Nesse tempo, uma parte significativa, e castiça, da população discente era constituída pelos estudantes da Faculdade de Teologia e da Faculdade de Filosofia. Ao longo do curso, e apesar das inevitáveis ou eventuais preferências teóricas e axiológicas que nasciam de uma leitura cristã da História das ideias, nunca encontrei proselitismo. Bem pelo contrário, alguns professores divulgavam tranquila e alegremente as suas heterodoxias, que tanto podiam sugerir serem algumas das visões místicas de certos santos o provável resultado de terem consumido substâncias psicotrópicas ou apresentarem a cultura clássica, e a civilização pagã, com genuína exaltação. Esta largura de espírito, este respiro intelectual, acabava por ser a consumação plena do que de melhor o conceito de “catolicismo” transporta na sua semântica. De lá para cá, a Teologia e a Filosofia praticamente desapareceram de Lisboa há uns anos, o ambiente sociológico e cultural do corpo académico tornou-se muito mais homogéneo.
Continuar a lerSupostamente, as universidades são antídotos contra a estupidez
Fala do livreiro na esquina da rua
Eu compro livros usados
Ou antigos ou modernos
Bilhetes-postais guardados
Entre discos e cadernos
Gafonolas ou gravuras
Papéis velhos e cartazes
Compro as fotos escuras
Na gaveta dos rapazes
Compro banda desenhada
Manuscritos e colecções
E assim sem dar por nada
Tenho o tempo dos serões
Quando ao ler a adivinha
Dum Almanaque anual
Fazia da noite sozinha
Um convívio fraternal
Quando ideias sensatas
Dos sábios de cada dia
Davam soluções baratas
Ao que a gente não sabia
Havia sempre a borracha
Para apagar a solução
O tempo não se despacha
No degrau dum coração
E no sorriso do livreiro
Na minha rua à esquina
Está o tempo todo inteiro
Numa loja pequenina
A mula da cooperativa
Bailinho da Madeira
Eu venho de lá tão longe
Eu venho de lá tão longe
Venho sempre à beira-mar
Venho sempre à beira-marTrago aqui estas couvinhas.
Trago aqui estas couvinhas.
Pr’á manhã o seu jantar.
Pr’á manhã o seu jantar.Deixa passar esta linda brincadeira
Qu’a gente vamos bailar
Pr’á gentinha da Madeira.Deixa passar esta linda brincadeira
Qu’a gente vamos bailar
Pr’á gentinha da MadeiraE a Madeira é um jardim.
E a Madeira é um jardim.
No mundo não há igual.
No mundo não há igual.Seu encanto não tem fim.
Seu encanto não tem fim.
É filha de portugal.
É filha de portugal.Deixa passar esta linda brincadeira
Qu’a gente vamos bailar
Pr’á gentinha da Madeira.Deixa passar esta linda brincadeira
Qu’a gente vamos bailar
Pr’á gentinha da Madeira
Impunidade total? A vida de um palhaço também pode acabar mal.
Como já desconfiávamos, o “buraco” da Madeira é muito maior do que o recentemente anunciado. 1600 milhões de euros relativos a três anos.
E como também já desconfiávamos, o Governo sabia-o, apesar de não dizer, como lhe convém.
Andam, pois, os continentais a ser saqueados para o Estado pagar as dívidas da ilha intencionalmente ocultadas, ao mesmo tempo que as culpas dos chamados “desvios” são descaradamente atiradas para o executivo anterior.
Esta trafulhice de Jardim assemelha-se em tudo à que os gregos andaram a fazer para aderirem ao euro: falsificação de números e ocultação de dados.
Penso que alguma coisa deveria acontecer a Alberto João Jardim e ainda antes das eleições de Outubro. Não estamos em tempos de brincadeiras e, a dele, já foi longe demais.
Para retomar um tema de há dias, na Bélgica, os burgomestres eleitos das “comunas” geograficamente flamengas, mas de maioria francófona, não foram nomeados pelo governo da Flandres pelo simples facto de terem desrespeitado uma circular que obriga a que toda a comunicação da comuna com os cidadãos que nela habitam se faça exclusivamente em flamengo e só depois, se o pedirem formalmente, lhes são enviadas as missivas em francês. Ora, os ditos burgomestres tinham tão-só enviado as convocatórias para as eleições em folhas bilingues, ou seja, de um lado em flamengo, do outro em francês. O governo da Flandres, acusando-os de “falta de ética”, não os nomeou ainda, passados já dois ou três anos da sua eleição.
Jardim comete infracções verdadeiramente graves e com consequências trágicas para o país e nada lhe acontece?
(Não, não vale a pena tentarem comparações com José Sócrates.)
O caso do Porfírio e da Universidade Católica: uma adenda
O texto que escrevi ontem tinha uma intenção: dar um contributo jurídico para uma situação concreta. Não quis ir mais longe, não quis fazer grandes valorações, quis apenas explicar que mesmo em termos de mínimos o Porfírio ganha sempre na ponderação dos valores em presença.
Depois li os comentários.
Em primeiro lugar, é bom que fique claro que a Concordata está hierarquicamente abaixo da Constituição. Dava, por isso, pano para mangas questionar, não um preceito da mesma, mas toda ela.
Ainda que se entenda que tudo o que lá está escrito é normalíssimo, o Estado português não poderia, naturalmente, reconhecer (e financiar largamente) uma Universidade com estatutos violadores da Constituição.
Se a UC não quer deitar tudo ao lixo, é bom que interprete os seus estatutos, cada vez que se relaciona com cidadãos, por exemplo, em conformidade com a CRP.
Não vale a pena mais considerações. Nem mesmo por parte do Porfírio, que não tem de se justificar mais do que já fez. Agradeço-lhe a coragem de um acto de cidadania.
A UC tem departamentos e não será toda composta por gente que nem sei adjectivar.
Veja-se o caso do constitucionalista Rui Medeiros. É Professor de direito e, embora não tenha defendido o CPMS, defendeu por escrito, sistematicamente, que o legislador era livre de o aprovar e defendeu sempre a extensão dos direitos das Uniões de facto aos casais constituídos por pessoas do mesmo sexo. É uma posição claramente contrária a doutrina da Igreja e nunca ocorreu a Rui Medeiros que a sua liberdade académica, de expressão e de pensamento pudessem ser postas em causa por uma interpretação equivocada dos estatutos da UC ou dos valores pelos quais a mesma se rege.
Não foi nada de extraordinário, isso do constitucionalista não ter ido para a rua. Foi o normal.
Quem tem o caso do Porfírio por normal não anda bem.


