Está na altura de chegarmos à Madeira

Quando se diz que Jardim fez muito pela Madeira, que ela era um antro de miséria antes dele e agora tem de tudo quanto é bom, não estão apenas a gozar connosco. O que se está a insinuar é que mais ninguém, desde 1978, teria sido capaz de gastar o dinheiro que ele gastou. Porque o dinheiro foi para lá enviado, e não parece especialmente difícil encontrar onde o enfiar. Essa boutade é uma ofensa para os madeirenses, ou para alguns madeirenses, mas acima de tudo é uma provocação para quem tem pagado impostos nestas últimas três décadas.

9 thoughts on “Está na altura de chegarmos à Madeira”

  1. Quem olha para as aldeias, vilas e cidades do país, não reconhece nelas a triste realidade de degradação de há trinta anos. E, tudo feito,com muitos governos e muitos sobressaltos. Jardim governou com poder absoluto e pelo tempo todo e com o dinheiro que quis, generosa e subservientemente dado pelo governo da republica. O resultado está à vista: uma divida que é o dobro da do continente e uma democracia faz-de-conta, que há ser para sempre a vergonha dos nossos presidentes da republica e, paricularmente, do PSD nacional que aconchegou no seu seio aquela coisa.
    Agora está feito. Falta uma estátua do tamanho da pouca vergonha dos politicos do continente que se fartaram de lhe fazer vénias indecorosas.

  2. mas quê, ou os madeirenses são todos néscios ou ele tem o dom de enfeitiçar toda aquela gente que o elege sempre. tem de haver um segredo qualquer. :-)

  3. Sinceramente, não sei o que perderia Passos se retirasse a confiança política a Jardim. Penso até que ganharia, não só a nível nacional, como a nível europeu, para onde emitiria um sinal de seriedade. Não é isso que pretende?

  4. a coisa fica legalizada com uma multa até € 25.ooo e outros tantos impropérios, mas nunca se saberá ao certo para onde foi o cacau, o pgr até podia aproveitar a ideia para investigar ligações do buraco com as finanças do psd nacional e campanhas do cavaco. talvez se viesse a descobrir o que é que o casca de banana quis dizer com: o dinheiro foi utilidado para combater o ps.

  5. Salazar e Jardim, cada um à sua maneira, monopolizaram o poder durante décadas. Tudo o que foi feito nas respectivas coutadas durante esse tempo, o bom e o mau, foi devido a eles e a eles só, de facto, porque a mais ninguém foi permitido fazer nada.

    Agora o Jardim diz que a culpa da merda que fez é… do Sócrates, vejam só a lata desste palhaço!

  6. Coelho diz que vai extinguir/fundir 168 entidades do Estado. Por ex, vai extinguir as duas Inspecções que havia no MEC, a da educação e a da ciência, e fundi-las numa só. Com isso vão eliminar dois ou três cargos de chefia que não eram de militantes do PSD, vão criar dentro da Inspecção única uma dualidade de serviços com novos responsáveis de cartão laranja, vão provocar uma série de despesas de reestruturação e vão uma criar uma Inspecção maior, menos funcional e menos ágil, mas mais recheada de laranjinhas.

    A verdadeira reforma era extinguir a região autónoma da Madeira e trespassar a ilha aos Emiratos Árabes.

  7. A Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, com estrutura criada pelo Cavaco em 1992, está na mira da extinção/refundição coelhista.

    Vão extingui-la, privatizá-la ou refundi-la? Cá pra mim vão refodê-la.

  8. É preciso ser-se claro na denúncia. Os “subjugados” eleitores do rei do carnaval daquele arquipélago (qual gulag…) sendo assalariados, têm medo… mas também têm “orgulho” em verem “a papinha feita”. O medo é de poderem perder o emprego que na sua essência é do poder regional. O “orgulho” é pelo facto de poderem estar numa “boa” sem se poderem ter de se preocupar muito, por o “iluminado” trata-lhes de tudo (nem que seja precisa porrada pelos caciques e guarda-costas de que dispõe). Não posso esquecer de estar há três anos em Porto Santo, na praia e ver o séquito de “mamões” atrás do rei-momo (com os guarda- costas com a respectiva bolsinha de “documentos” – Valter, ou outra qualquer marca que estava pronta a disparar se preciso fosse) e exibir-se como se fosse um qualquer galgo de feira para obter o cumprimento dos seus súbditos.
    Estão de acordo com outras análises que dizem que o PPC não pode fazer como Pilatos. Ele tem de retirar o apoio político a tal figurão, ou, de outro modo, fica indelevelmente ligado a esta fraude. O mesmo espero do inquilino de Belém. Como já alguém lembrou, duas ilhas não são mais importantes que as outras nove noutra latitude…

  9. Temos, em democracia é aliás fundamental, que aceitar sem reservas os resultados eleitorais. Respeitar a vontade do povo na hora da escolha nas urnas. Sabemos também que nalguns casos, a Madeira aqui como exemplo, as populações chamadas a escolher os seus líderes políticos, escolhem por vezes quem, a todos os outros, parece não ser a melhor escolha. Mas não é a melhor escolha precisamente para os outros. Para quem vai suportar as consequências dos actos de quem elege, as suas escolhas afiguram-se como as correctas. Esta posição, facilmente reconhecida como egoísmo ou mesmo falta de sentido nacional, isto é, pensar no individual em detrimento do colectivo, é um mal que enfermam todas as democracias ditas ocidentais. Espantamo-nos quando ainda agora, depois da descoberta deste caso, ouvimos pela televisão eleitores madeirenses nada transtornados a explicar e a aceitar a actuação do seu presidente de governo com o facto de existir obra feita; é muito comparável à defesa de autarcas do continente, Ferreira Torres e Fátima Felgueiras por exemplo; aceitam que não serão sérios, reconhecem comportamentos menos dignos no exercício dos seus mandatos, mas aceitam tal prática, conquanto fique assegurado para a sua região qualquer contrapartida. Defendem quem, à partida, praticou uma ilegalidade. Podemos até classificar este comportamento como um corporativismo regional.
    Em Portugal nunca se colocou verdadeiramente a questão separatista, com excepção precisamente das regiões autónomas. A putativa tentativa de separação do arquipélago madeirense do Estado português foi sempre uma questão presente nas diversas opiniões emitidas pelos insulares. E aqui entronca o verdadeiro problema, que deriva deste facto recente da descoberta da omissão de custos. A forma como, ao longo dos mais de 30 anos que Alberto João Jardim leva como presidente do governo regional, trata, ou melhor na maior parte das vezes destrata, o poder político do continente, leva a que a maioria dos cidadãos do continente olha para este político como alguém que não respeita aqueles que o de alguma forma, impostos, o sustenta.
    Temos como aceite que todos os cidadãos portugueses o são com orgulho. Uns mais que outros é certo. Os constantes dislates que ouvimos a AJJ e ao seu séquito sobre os portugueses do continente, sobre Portugal como Estado uno, leva-nos a ter, à priori, uma posição negativa, mesmo antes de ouvir o que de lá dizem. Esta arrogância e profundo desprezo que demonstram quando falam dos portugueses do continente, as constantes ameaças, veladas umas descaradas outras, sobre uma muito questionável tentativa de independência leva a uma polarização de posições. A verdadeira questão aqui não é a dívida, não é a necessária correcção do valor de défice. É sim a capacidade que existe de ambos os lados de coexistência de um Estado com regiões autónomas. Não é praticável que existe uma região autónoma em que o seu executivo, apenas porque sim, tenha a capacidade de esconder dívida contraída, seja para que propósito for. Porque depois de AJJ quem nos garante que não venha um pior? É importante aqui a personalização que Alberto João Jardim fez do exercício do poder regional na Madeira. Mas não é o factor fundamental.

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