Fala do livreiro na esquina da rua

Eu compro livros usados
Ou antigos ou modernos
Bilhetes-postais guardados
Entre discos e cadernos

Gafonolas ou gravuras
Papéis velhos e cartazes
Compro as fotos escuras
Na gaveta dos rapazes

Compro banda desenhada
Manuscritos e colecções
E assim sem dar por nada
Tenho o tempo dos serões

Quando ao ler a adivinha
Dum Almanaque anual
Fazia da noite sozinha
Um convívio fraternal

Quando ideias sensatas
Dos sábios de cada dia
Davam soluções baratas
Ao que a gente não sabia

Havia sempre a borracha
Para apagar a solução
O tempo não se despacha
No degrau dum coração

E no sorriso do livreiro
Na minha rua à esquina
Está o tempo todo inteiro
Numa loja pequenina

25 thoughts on “Fala do livreiro na esquina da rua”

  1. jcfrancisco não conheço esse livreiro mas ele, por acaso, não estará interessado em comprar este soneto que fiz e já tem uns largos anos? É do tempo em que a Brigitte era um grande naco de carne. Lembra-se? Ainda assisti a uma passagem de ano (ou foi carnaval?) com ela no antigo Monumental. Que tempos!
    Aqui vai o soneto:

    Bardot em Lisboa

    A linda Brigitte veio a Lisboa
    e passeava num dia de verão,
    aproximou-se dela uma pessoa,
    um admirador, era um anão.

    E ao anão perguntou pouco depois
    sorrindo, sua pele com muitos vincos,
    se ele tivesse um irmão, se fossem dois,
    os comprava, com eles faria uns brincos!

    Logo entraram numa pastelaria,
    para lanchar no final daquele dia
    e ela bebeu e trincou um “brioche”.

    O anão lhe disse bebendo o vinho,
    irmãos eu não tenho, eu cá sou sozinho,
    mas, se me levar, pode fazer um “broche”!!!

    Vendo isto barato mas como vê tem brincos e broches não é coisa de somenos.
    Não se esqueça de falar com o alfarrabista. Fico à espera da sua proposta

  2. Creio que isto pretende ser um poema, mas não tenho a certeza. O resultado parece-me mais uma ladaínha, daquelas que as mulheres cantavam antigamente nos tanques comunitários.
    Em minha casa contava-se a história de um rapaz de Mazouco que, em tempos, matara a mãe num desses tanques, afogando-lhe a cabeça impiedosamente. Quando presente ao juíz e à sua incredulidade com a barbárie do crime, o rapazinho (Simão, se bem me recordo) respondeu inocentemente: “o sr. juíz não percebe, porque agora ela já está calada”. Todos se riam invariavelmente dessa história; todos, menos eu, que não tirava da cabeça a ideia de o pobre Simão se ter apaixonado pela mãe. E sim: isso seria poesia.

  3. jcfrancisco Não vende sonetos? Então o homem compra livros usados, manuscritos e coleções, papéis velhos. E vende o quê?
    Deixe estar que eu quando passar por aí vou à Barateira ou às Escadinhas do Duque e talvez aí faça negócio.
    Aliás ainda há pouco tempo fui lá e fiquei com uma armadura. Foi assim:

    Eu gosto d’antiguidades
    elmos, pistolas e lanças,
    cristais e preciosidades
    velharias e faianças.

    Fui no antiquário
    a dona era uma frescura,
    quis-me levar ao calvário
    fiquei com a arma… dura!

    Jnascimento só vendo por grosso. Vender só o último verso tirava todo o sabor à coisa (ou ao coiso)

  4. Adolfo Dias,

    Talvez o alfarrabista lhe compre o mini-poema que deixou na caixa de comentários do Jumento.

    Está bem esgalhado!

  5. jcfrancisco,

    Nunca, até hoje, fiz qualquer comentário negativo aos seus textos. Pelo contrário, já me tenho insurgido quando alguns dos seus habituais detractores aqui vêm bolsar inanidades, depreciando o que escreve.

    É por isso que fiquei surpreendido com o seu desajustado comentário das 19:58, embora não conteste o apodo de pelintra com que me mimoseia, se se referir apenas ao significado de “indivíduo sem dinheiro”. Sou, de facto, um dos milhões de tesos deste país.

    Já quanto a chamar o meu avô à liça, vindo de alguém que tanto preza os seus antepassados, como parece ser o seu caso, não me pareceu uma atitude à altura, quer de um homem da Cultura, com obra pública e publicada, quer de um homem tão educado como parece ser. Mas todos temos um dia mau, em que não conseguimos evitar uma pisadela no risco.

    Acontece que no comentário que fiz, e que tanto pareceu incomodá-lo, me referia a um outro comentário que o Afonso Dias deixou no blogue “Jumento”, e que, com a devida vénia, transcrevo a seguir:

    “Nas próximas eleições da Madeira, a 9 de Outubro, os madeirenses têm uma oportunidade de dizer que foram enganados. Caso contrário, devem ser eles a pagar as dívidas da Madeira:

    Eu tenho cá para mim,
    se o sacana do Jardim
    ganhar isto novamente,
    devem ser os da Madeira
    a pagarem tanta asneira
    e não os do continente!”

    Era este o mini-poema que eu aconselhava o Afonso Dias a vender ao alfarrabista.

    Na expectativa de ter esclarecido o que penso que não terá passado de uma leitura mais apressada, por aqui me fico, pedindo-lhe que aceite os meus cumprimentos.

  6. Faço a leitura óbvia para mim. Se o jumento é outro blog não vem nada a propósito falar dele (desse) aqui neste blog. Já expliquei que sou um «sem-abrigo informático» e não conheço nem a décima parte deste universo. Fiquei no Aspirina B em boa hora trazido pelo Fernando Venâncio e ainda agora (Julho) quando a minha casa foi assaltada se não fosse o Aspirina B não conseguia recuperar os textos porque os assaltantes levaram computador e pens. Peço desculpa mas não alcancei… Além do mais fui sincero, tal como agora estou a ser. Não percebi, errei, peço desculpa.

  7. C. Serra já tenho comentário por tanto lado que já me sinto perdido.
    Mas com a crise ninguém me compra nada.
    É o que se pode arranjar e é de boa vontade. Obrigado pelo comentário.

  8. jcfrancisco é verdade! Desta vez meteu o pé na argola. Também é tudo a atirar sobre si que o amigo não sabe para onde se voltar.
    Mas o C. Serra falava de outra coisa. Merece um pedido de desculpas. E o seu ato também foi, acredito, involuntário.

  9. “Faço a leitura óbvia para mim. Se o jumento é outro blog não vem nada a propósito falar dele (desse) aqui neste blog.”

    és o maior, arrogantemente pedes desculpa e voltas a insultar a inteligência dos comentadores que educamente te chamaram a atenção para a jumentice.

  10. “Se o jumento é outro blog não vem nada a propósito falar dele (desse) aqui neste blog.”

    Esta frase foi considerada pelo INA como a maior burrice do ano.

  11. Não acreditem no velho ditado popular: “Burro velho não aprende”. São quatro asneiras em quatro palavras. 1. O burro não é “burro”, é um animal bem mais inteligente e resistente do que o cavalo; 2. “burro velho” é usado como teimoso, só porque o burro faz o que lhe apetece e não o que o seu patrão manda; 3. “não aprende”: solte-se o burro num local dele desconhecido e ele aprenderá depressa o melhor caminho para o melhor pasto; 4. Quando chamamos burro a alguém, estamos a ofender o burro.

  12. Eu só tenho pena que gente como Kafka quisesse destruir os seus escritos, e gente como esta, tenha tanto vontade de publicar os seus. Que maravilhoso mundo contraditório!

  13. Caro amigo – só a posteridade pode separar o pó e o que fica. OU seja – o que permanece e o que se perde. Não queira ser juiz…

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