Supostamente, as universidades são antídotos contra a estupidez

O caso com a UCP que o Porfírio Silva descreveu – UMA HISTÓRIA POUCO CATÓLICA – interpela-me por várias razões. Foi lá que me licenciei em Filosofia, era D. José Policarpo o reitor. E foi lá que encontrei algumas das pessoas mais importantes da minha vida, colegas e professores.

A Católica de Lisboa que conheci como estudante já não existe. Nesse tempo, uma parte significativa, e castiça, da população discente era constituída pelos estudantes da Faculdade de Teologia e da Faculdade de Filosofia. Ao longo do curso, e apesar das inevitáveis ou eventuais preferências teóricas e axiológicas que nasciam de uma leitura cristã da História das ideias, nunca encontrei proselitismo. Bem pelo contrário, alguns professores divulgavam tranquila e alegremente as suas heterodoxias, que tanto podiam sugerir serem algumas das visões místicas de certos santos o provável resultado de terem consumido substâncias psicotrópicas ou apresentarem a cultura clássica, e a civilização pagã, com genuína exaltação. Esta largura de espírito, este respiro intelectual, acabava por ser a consumação plena do que de melhor o conceito de “catolicismo” transporta na sua semântica. De lá para cá, a Teologia e a Filosofia praticamente desapareceram de Lisboa há uns anos, o ambiente sociológico e cultural do corpo académico tornou-se muito mais homogéneo.

Trago esta recordação para melhor realçar o aspecto que considero essencial no episódio: o Porfírio candidatou-se e foi escolhido para leccionar na Universidade Católica. Quer isso dizer que, tanto do ponto de vista científico-pedagógico como do ponto de vista ético-moral, o candidato e os decisores estavam na posse de toda a informação respectiva para poderem celebrar o acordo que os iria mutuamente vincular para a prestação de um serviço e sua remuneração. A religião não tinha nada a ver com o processo, como é de esperar numa universidade. Apenas o respeito institucional pela Igreja estaria em causa, e nada havia no Porfírio que colidisse com esse imperativo, como ficou óbvio pelo facto de ter sido ele o escolhido.

A elaboração do dossiê com textos da sua autoria para ser entregue ao reitor da UCP não tem mal algum. Fica para a consciência de quem o fez. O único problema neste caso reside na decisão de se ter aproveitado esse material para ofender o Evangelho ao se revogar a admissão do Porfírio. É que, do ponto de vista da mensagem cristã, o delito de opinião é coisa de fariseus. Como estamos numa instituição de saber, a situação atinge um paroxismo de absurdo. O que teria sido um exemplo cristão era precisamente reconhecer que a UCP é uma instituição ecléctica, humanista e verdadeiramente sapiente. Que jamais abdicaria daqueles que a procuram para porem o talento próprio ao serviço da sua missão. Afinal, qual é a parte de o homem não ter sido feito para o sábado, mas o sábado para o homem, que o Braga da Cruz não está a perceber?

Há uma outra possível explicação para o sucedido, esta já do foro da conspiração e para a qual não tenho nenhuma prova, sequer sinal, apenas espaço na imaginação. O Porfírio é um dos alvos do ódio a Sócrates por causa das suas posições estritamente políticas. Se a exclusão tivesse sido causada por uma vingança ranhosa, pelo menos não seria algo tão estúpido como a alegação usada. Tão ou mais indigno, sim, mas não tão estúpido.

49 thoughts on “Supostamente, as universidades são antídotos contra a estupidez”

  1. tás-te a passar . mas então uma pessoa morde a mão do dono ( dono ainda por cima livremente escolhido) e não é mandado abater? a mim não me passava pela cabeça ir trabalhar para uma instituição e diminuí-la em público ao por em causa o estado e a instituição maior a que pertence. em público. pq o que contas de profs e alunos passa-se em privado.
    e jesus , muito pouco cristamente , expulsou os vendilhões aos gritos , não sei se estás lembrado.
    a vontade de aparecer e ser muito original e adolescentemente rebelde às vezes paga-se caro.

  2. Com a vertigem dos tempos e a velocidade com que a comunicação circula tudo se tornou e continuará ser mais escancarado- sempre e cada vez mais.
    Hão-de continuar “nestes tempos” a saber-se de que matéria são feitos inteletualmente, civica e moralmente os profissionais da benzedura: os auto proclamados “representantes” de Cristo na Terra. Com a complacência laica dos governos, mais receosos do seu poderio económico do que do apoio das gentes, continuam a saquear um Estado agora exaurido de recursos. Isto tem um nome: BANDITISMO!

  3. Não é paranoia, Dede. Há um ódio irracional a Sócrates que se torna extensivo a quem manifeste concordância com a sua obra como PM. Olha uma prova deste ódio e paranóia: quando a OCDE faz um relatório destacando o desempenho excelente de Portugal em numero de diplomados, o ministro da educação desvaloriza o relatório! O que poderia ter dito, se não estivesse espicaçado pelo despeito e pelo ódio, era que os numeros nos orgulhavam mas é preciso ir mais além. O mesmo ministro pôe em cauda a requalificaçâo das escolas e o programa e-escolinhas. Despeito, inveja, rancor. Bem à maneira do presidente rancoroso que temos na PR.
    Esta gente não se vê ao espelho. Se vier a confrmar-se o envolvimento de Duarte Lima no assassinato de Rosalina Ribeiro, será mais uma nódoa monstruosa saida do cavaquismo, para juntar aos Loureiros, aos BPN.s, aos autores da “casa pia” e dos freeports. E, agora, a ignominia madeirense que nos pode afundar em descredito.
    Portugal imteiro ainda há-de ver onde está a “face oculta” que nos tramou.

  4. Diz aí acima alguém que Porfírio “mordeu a mão do dono” e que, por isso, tinha de ser “mandado abater”. São expressões reveladoras da mentalidade e do carácter de quem as escreveu. Repare-se bem na qualidade “cristã” e intelectual de quem vem aqui defender a Universidade Católica.

    Será o autor desse comentário o próprio chibo que fez o dossiê pidesco sobre as opiniões pessoais de Porfírio, colhidas sorrateiramente no blogue deste, e que o passou ao reitor fariseu? Ou alguém por conta dele?

    Diz ainda esse alguém que Porfírio “diminuiu em público” a UCP. Então porquê? Porque subscreveu, pasme-se, um documento colectivo que não tinha qualquer referência, directa ou indirecta, à UCP, mas sim ao “facto de altos magistrados do Estado português confundirem e misturarem a condição de Chefe de Estado (do Vaticano) com a condição de líder religioso”. Isto seria cómico se não fosse desgraçadamente triste.

    Que este episódio escabroso, recheado de canalhices “católicas” (como a mentira descarada, inicialmente transmitida ao interessado pela reitoria, sobre os motivos da sua não contratação) fique bem gravado na memória colectiva. Para que nos lembremos dele quando Braga da Cruz voltar a exigir que a UCP seja financiada pelo Estado!

    Só lamento que o ultra-cordato Porfírio Silva, agora com ficha na PIDE católica, se tenha refreado ao ponto de não desvendar outros detalhes da história e de não contar integralmente a conversa que teve com o reitor Braga da Cruz. A faceta de inquisidor deste académico – topa-a-tudo que até é curador da fundação do Pingo Doce, ao lado do bispo do Porto – deve ser exposta na praça pública. Católico sem escrúpulos, autocrata, sedento de poder e mestre de bastidores e golpes no escuro, quem é que nos faz lembrar?

    O grande sonho deste Braga da Cruz foi sempre o de ser ministro da Educação num governo de direita, para realizar aquilo que nem Salazar permitiu, mas que a Igreja, eterna como é, nunca desistirá de buscar: o financiamento do ensino privado católico em pé de igualdade com o ensino público. Registe-se para a história que já o pai dele, Guilherme Braga da Cruz – o reitor da Univ. de Coimbra que combateu o movimento estudantil em 1962 – tinha exactamente o mesmo sonho e o mesmo objectivo. O ditador católico frustrou-lhe as ambições, porque não queria pagar o ensino privado, não queria dar excessivos poderes à Igreja e não queria meter no seu governo um ambicioso muito capaz de o trair. Para católico, católico e meio!

    Este actual Braga da Cruz, reitor da UCP, é o maior inimigo que a laicidade, o ensino público e a liberdade de consciência têm hoje em Portugal. E ainda a procissão vai no adro…

  5. Está tudo explicado. Ou quase tudo: afinal @ VALUPI frequentou a privada. Mas é socialista. Tudo dito, não preciso de mais informação… Esperem, se calhar preciso. Peço um motivo válido, um único, para se preferir uma privadazeca (a Católica é sobrevalorizada no nosso país, num estatuto que ninguém lhe confere lá fora; a produção científica é fraquíssima, tal como todas as universidades particulares, porque a missão deles é precisamente fazer dinheiro, e por isso são “privados”), a uma instituição pública. Além do facto de se ter dinheiro, de se apegar a elitismos, de não ter se de estudar tanto, e de se ter médias de acesso insuficientes (ou pior: deficientes)… não estou a ver outros motivos.
    Eu sei do que estou a falar, pois já lecionei em privadas, incluindo a afamada Católica: a mim, não são Valupis nem outr@s que tais que me dão lições. É notória a discrepância de capacidade científica e de exigência entre instituições públicas reconhecidas no ranking mundial (a católica apareceu por lá uma ou outra vez, com cursos isolados, e lá está, bem associados a um lobby vergonhoso), e as privadazecas tipo Católica. O caso da Independente, não é só da Independente: essa desgraça acontece amiúde por todo o ensino privado português.
    O ensino privado NÃO é igual ao ensino público – é inferior. E se tiverem muitas dúvidas, vejam os números de produção científica, vejam as médias de acesso, vejam a abrangência social das instituições, vejam o número de estudantes internacionais e o número de projetos científcios financiados… Não há desculpas: são estes mesmos critérios que se usam mundial para estabelecer rankings das universidades. Não é paleio. Quem tem paleio, e falta de hábitos de estudo, segue o ensino privado, e depois um tacho na política, ou noutro contexto que implique, direta ou indiretamente, “cunha”. Tenho dito.

  6. eu percebo disso porque também eu, um dia, sofri assédio profissional por supostamente ter adoptado um comportamento anti-católico numa universidade privada.

    incrível como o progresso, até o progresso, é fonte de pregresso de espírito – a patologia de que sofrem muitos que, por desamor ao próximo e à sabedoria, boicotam o que é caminhar com a verdade, com a inteligência e, acima de tudo, com a justiça.

    há, ainda, a hipótese do senhor reitor ser um troikiano pura raça e ter-se visto obrigado a cortar no nova et nove para emagrecer o ensino obeso.:-)

  7. Oi, crítico sapateiro, dá para perceber porque já não dás aulas na Católica. Nem dás aulas em lado nenhum. Resta-te a crítica, sapateiro! O kitsch, darling!

  8. Valupi,

    Que alegria ve-te aqui de mochila filosófica às costas. E porra que não é brincadeira, já andas a alancar com o esse saco há pelo menos 20 anos. E entras logo com o D. José Policarpo, no less. Mas tiveste o cuidado de lhe esconder-lhe a Cruz, para não haver confusões com o outro Cruz ou não te fazerem perguntas embaraçosas ou evitares que alguém comece a brincar às coisas crípticas com os nomes.

    E havia muita liberdade nesses teus tempos da UC, que surpresa, tereza, mas concordo. Pois não havia de haver, com o admirável e “papável” (papabile, na altura das últimas eleições) D. José, protector do aborto, contrariador do casamento entre muçulmanos e cristãos, mais pas de problemes com os fornecedores do Pentateuco bíblico.

    Escreves fantasticamente bem como sempre; virgulas perfeitas, etc, mas não dizes nada que a minha experiência de macaco já não soubesse que irias dizer. Um aviso, no entanto: quando quizeres sublinhar a ausência de pressões “proseliticas” (quem sabe se é a boca a fugir-te para a verdade) para provares o liberalismo de qualquer coisa onde andaste metido tens que avisar a malta que estás a falar num sentido lato, senão a coisa fica com um sentido chato. E gajos como eu não deixam escapar sardinha dessa.

  9. Mário, poderá haver quem tenha ódio ao Sócrates, mas acredita que nem são assim tantos, nem o ódio é assim tão irracional.
    Ah e para a próxima aconselho-te a escolheres melhores exemplos dos “feitos do grande líder”, boas ideias sem dúvida, e com alguns resultados positivos, mas com execução tipo república das bananas/mafioso.

  10. ABRUPTA, vamos lá ver se nos entendemos: se a mim me resta a crítica (um enorme elogio kantiano), o que é que lhe resta a si, que partilha o tempo e o espaço virtual comigo, aqui mesmo neste blogue? A senhora – presumo que seja uma senhora pelo género do nickname – não sabe nada do meu currículo, nem tão-pouco vejo como é que isso lhe pode interessar (além de obviamente lhe satisfazer a eventual curiosidade). Eu também não sei nada do seu. Viu-me a atacá-la? E pelos vistos, pela sua reduzida qualidade de escrita e até por alguns erros ortográficos que já lhe apanhei (e não, não são erros de digitação), até teria motivos fúteis para mandar assim umas para o ar. Não o faço. E sabe porquê? Não tenho qualquer interesse em magoá-la, ou em tentar fazê-lo. Critiquei o ensino privado em Portugal, com base na minha perceção, na perceção de avaliadores externos, e em números que tantas vezes são publicados nos jornais ou pelo MCTES. Lamento que a senhora e @ sua/seu amig@ Valupi se tenham formado a troco de dinheiro, mas o que hei-de fazer? Insultá-los? Não me parece caso para tanto. Ainda que não aceite, nem de perto, nem de longe, qualquer comparação ao meu percurso académico: público, livre (sobretudo de pais e de cónegos), meritório e elogiado. Eu tenho o meu CV, Abrupta. Se quer criticar CVs, critique o do Passos-Coelho, ou o Honoris Causa em Literatura atribuído pela Universidade de Goa ao Cavaco. Último reparo: quem sai mal é a senhora ao considerar o kitsch de um nível inferior. Sabe que isso é uma opinião de uma pseudo-elite dos anos 90, e hoje é tão rebatível como os argumentos do PSD para deixar de financiar a pílula. Fique bem.

  11. oh das 1/2s solas! topa-se à distância o pedigree e ao perto a patine no colarinho, mas tirando isso, resta-te o quê? foda-se… tás farto de te gabar, mas até agora só vimos reaccionarice, ideias de merda, ignorância e contradições vestidas com roupa de marca comprada em carcavelos para impressionar parolos da benedita. talvez te safes num show lésbico com o metanos.

  12. Mas terá sido mesmo Braga da Cruz a tomar a decisão de dar o dito por não dito, ao vetar a admissão de Porfírio Silva?

    Há um pormenor que ainda não vi citado aqui: o cardeal José Policarpo, enquanto chanceler, tem, entre outras prerrogativas, autoridade para vetar admissões de professores na Católica.

  13. Acho bem que o Valupetas, de vez em quando, informe os seus fãs socretinos àcerca da sua biografia e do seu percurso académico. Pensam que estão a ler e a lidar com um tipo de esquerda (apenas porque o tipo venera o Pinto de Sousa), mas depois vão-se apercebendo de certas coisas no seu discurso e na sua vida, que nos mostram que o apoio ao filósofo da socretinice não tem que ver com qualquer postura ideológica à esquerda (como, diga-se em abono da verdade, o próprio Valupetas já reconheceu).
    O seu percurso escolar e académico feito exclusivamente em ambiente católico (colégios e Universidade) revela-nos uma coisa de imediato: que o menino vem de famílias ricas e que a sua infância e adolescência foi vivida longe da «populaça» pobre ou remediada, a mesma que mais tarde se torna «barulhenta», «grevista» e «irrealista» quando afectada pela precariedade e pelos cortes nos salários. O menino é o típico betinho.
    Depois, revela-nos também que a sua cabeça foi formatada pela visão católica da realidade, e, como eu disse num post anterior, não se admirem se o virem, nos próximos tempos, defender a Doutrina Social da Igreja, e a caridade como a virtude e como o meio-termo «aristotélico» que recusa os «excessos» dos «radicais», e como o princípio supremo que deve orientar a nossa acção ética e política.
    Apesar de o menino nos dizer que não encontrou qualquer proselitismo durante o seu percurso escolar, não é dificil adivinhar que muitas das suas ideias anti-esquerda, ou anti-socialistas, lhe tenham sido transmitidas por padres de um qualquer colégio de Jesuitas e por professores da Católica como o César das Neves ou o Espada (dois tipos cujas crónicas são um hino ao humor e à comédia). Aliás, na sua inocência (ou cinismo), o Valupetas diz-nos que a prova dessa ausência de proselitismo e da presença da heterodoxia foi a exaltação com que os seus profs lhe davam a conhecer a cultura clássica. Platão, Plotino e Aristóteles, estão a ver? Aqueles três filósofos cujas ideias o Santo Agostinho (os dois primeiros) e o São Tomás de Aquino (o terceiro) adoptaram para fundamentar filosoficamente a teologia cristã. Perceberam a razão para a exaltação? É que o Valupetas não percebeu…
    Enfim, espero que os socretinos comecem a abrir os olhos (para bem deles, claro), e percebam que do Valupetas só podem esperar petas e a defesa de embustes (a começar pelo Pinto de Sousa).

  14. C. Serra, sabes alguma coisa que a gente aqui ainda não saiba? Se não, porque é que vens aqui lançar a suspeição sobre o cardeal Policarpo?

    Porfírio conta no seu blogue a conversa pessoal que teve com o reitor Braga da Cruz que, a dado passo, lhe revelou que

    “…um professor da casa tinha preparado um dossiê com textos da minha autoria, dossiê esse que, entregue à Reitoria, tinha ditado o meu afastamento.”

    Se sei ler português, um chibo professor da casa fez o dossiê para a reitoria (não sei se a pedido desta se por iniciativa do dito chibo) e a reitoria decidiu o afastamento. Parece bastante claro.

  15. ds, a filosofia grega é património colectivo da humanidade, serviram-se dela politeístas, cristãos e ateus. Na lição avariada que tentas dar ao Valupi esqueceste-te de Sócrates, professor de Platão, ou então não lhe consegues escrever o nome. É pena seres um estalinista esturrado, porque podias dar aulas na Católica!

  16. Chegou o fiscal da frota de tabernáculos ambulantes. Daqui a pouco, ou daqui a três dias, começam a chover as citações de vários agostinhos à escolha sobre os efeitos de substâncias enólicas e psicotrópicas. Coisa fascinante será, tenho a certeza. Agora engonhar à partida é que não vale, nem é bom para a tasca nem para a farmácia.

  17. sapateiro, KALIMATANOS, ds: não sei se me esqueci de alguma besta. Se sim peço desculpa à besta e que se junte a estes quadrúpedes.
    Tenho um filho que entrou na Escola Politécnica, portanto, do público, como dizem estas cavalgaduras. Isto foi há mais de 20 anos. Só conseguiu um curso de Geografia. Aquilo dava para trabalhar no Boletim Meteorológico e pouco mais. O rapaz queria era informática. A média de formatura era de 16 anos!!! Havia aulas com 1.600 alunos em anfiteatro. Andou lá 2 anos a perder tempo. Bem, obteve algumas cadeiras que serviram depois para ir para uma privada estudar informática. O paizinho dele não era rico, queria era que o filho tirasse um curso e ele também. Estudava à noite depois das 18 horas e como os professores tinham uma empresa de informática foi para lá trabalhar durante o dia. Foi ele que pagou o curso. Depois de 3 anos quis ir além e foi novamente para uma privada, continuando a trabalhar de dia, licenciou-se e depois fez o mestrado na Faculdade de Ciências (pública).
    Hoje é um credenciado engenheiro, não lhe falta trabalho, muda de empresa quando quer, já trabalhou na KPNQUEST, na EBAY,na SWISSCOM, etc., etc.
    Como é que estes cavalos vêm para aqui afirmar que só o ensino público é que é bom e quem estuda no particular é rico.
    Se fossem bordamerda!!!

  18. caro senhor JÙlio , eu não defendo a uc. nem instituição nenhuma humana baseada na “cultura” , ficam podres num instante. ataco apenas uma atitude . a de calimerar . as pessoas são livres de escolher e devem assumir as consequências das suas escolhas com hombridade. não acredito que alguém , sem ser na fase de euforia , pensasse que atacava a santa madre igreja , mesmo só sendo porteiro num convento , e não lhe fosse imposta uma penitência. sei lá , se eu aceitasse trabalhar numa xafarica da máfia não me ia por a dizer no blog ou no abaixo assinado que o berlos não devia convidar o capo prás festas , não é?
    e muita sorte tem o prof não ser o caso com a Universidade Muçulmana..

  19. Este Portuga é mesmo um tuga!
    Tuga, vou tratar-te por «tuga» porque o teu «comentário» demonstra que a besta quadrada que te esqueceste de mencionar és tu próprio, e apenas tu próprio.
    Repara, tuga, que quando eu disse que o Valupetas é um betinho que nasceu num berço de ouro, disse-o não apenas por ele ter estudado numa faculdade privada, mas também, e principalmente, por ele ter feito todo o seu percurso escolar (que começa na primária) em COLÉGIO católico (provavelmente ali para a zona do Lumiar, «tás a ber»?). Só uma besta quadrada como tu é que acredita que os «pobrezinhos» também frequentam esses colégios onde só entram os devotos com a carteira bem recheada.
    Depois, tuga, como tu reconheces no teu «comentário», quem pagou o curso do teu filho foi ele próprio a trabalhar, e não tu, o que revela que a tua carteira não estava suficientemente recheada para pagar os custos da faculdade privada (o dinheiro não chega para tudo, «tás a ber»?). Mas se fosses rico, tal problema, ou necessidade, nem se colocaria, não é verdade?
    Portanto, tuga, lamento desiludir-te: o Valupetas é mesmo um betinho, um menino rico, que viveu a sua infância e adolescência longe do convívio com «pobrezinhos» (de matéria e espírito) como tu. A não ser… A não ser que ele tenha participado naquelas campanhas de caridade que as tias de Cascais (e mães dos betinhos) costumam organizar, e que depois celebram em festas reservadas às boas e ricas almas….

  20. que mentalidade de merda. o meu pai não é e nunca foi rico, viveu sempre do seu trabalho – no entanto fez questão que todos os filhos, quatro, estudassem o que queriam e não interessou se foi no público ou no privado e apenas uma das minhas irmãs tirou o curso no ensino público. e não foi por médias fracas que não fomos para o público – foi porque o meu pai, que ficou viúvo aos 37 anos, com quatro filhos para fazer crescer, sozinho, preferiu ter-nos por perto e em casa todos os dias; preferiu, toda a vida, abdicar de nos comprar sapatilhas de marca e brinquedos de top, para nos dar tudo o que importa. e ainda hoje lhe agradeço ter-me ensinado que uma limonada faz melhor, e posso fazê-la eu, do que um sumol no café ou que uma bola de carne caseira vale mais do que todos os folhados mistos do mundo.

    (mas pensando bem: sim, nós somos uma família de ricos. se somos.) :-)

  21. portuga,

    Com este teu comentário guindaste-te sem esforço nem ajuda de balão, desculpa que to diga, à posição de Mário Moreno – pobre e honrado mas engraçado – no firmamento da secção de ridículos deste blogue. Primeiro porque me acusas de coisas que eu não disse e que é uma coisa que não me in comoda muito e, segundo, porque cometeste uma vilania das grandes não sugerindo ao teu filho na altura que a oferta “Geografia” era capaz de não ter sido assim tão má. Pensa bem: se ele tivesse entrado no Boletim Meteorológico sem fazer nuvens talvez tívessemos tido um Verão melhor em Portugal este ano. E quem sabe até se um dia viria a escrever o primeiro livro em Portugal sobre a criação artificial de mau tempo em todo o lado para destruição de economias ao serviço de agendas climatológicas permissoras de usuras sobre os países mais desgraçados, que é uma coisa que tu deverias saber mas não sabes porque andas distraído a descascar ananazes socialistas com a mão direita.

    E que anfiteatro de 1600 lugares é esse? Porra, coisa grande. Não me digas que a malta da Educação Superior do Ministério cortou um bocado ao Campo Pequeno e fez disso uma sala de aulas? Como os tempos mudaram. O nosso país já parece a América!

  22. Ó PORTUGA, tadinho do seu filho. Parece que estou a imaginar o imaturo. 1600 num anfiteatro… era o quê, a Aula Magna? O seu filho levou-o bem. Não andava a fazer nenhum, e depois “ai papá, que no instituto são maus”. Que risada! E depois privada com ele, certo? E diz que não tinha dinheiro? Sim, claro. Os melhores investigadores e professores estão nas públicas, e fazem, como eu cheguei a fazer, uns biscates nas privadas. Para ganhar uns trocos extra de gente elementar como o seu filho, e de papás com guito (mas que n são ricos), como o senhor. Ainda bem que o seu filho muda de empresa quando quer… o senhor ainda não se apercebeu que ele não tem maturidade nenhuma? “ai papá que o instituto é mau”, “ai, que nesta empresa disseram-me para tirar uma fotocópia”, “ai que na outra pagam mais, ainda que tenha prometido concluir este projeto”. Guarde esse exemplo de filho para os seus serões em família. Tenho a certeza que conseguirá arrancar muita inveja aos seus irmãos ou aos irmãos da sua mulher. A mim, arranca-me apenas um ligeiro asco. Não muito, não se preocupe.

  23. Quando à SINHÃ, para quem achar que não respondo a todos, deixei de comentar o que essa senhora diz. Agora sabendo que se formou numa privadazeca, resta-me saborear o prazer de nunca me enganar em matéria de gente básica.

  24. Fui mesmo agora ao site de um desses colégios católicos «jesuíticos» da zona do Lumiar ver o valor das propinas. Pois a propina mensal chega aos 500 euros (e depois ainda há mais uns custos acrescidos referentes a uma série de actividades). Ora, tendo em conta que o salário médio nacional nem chega 1000 euros, uma família desta classe «média» com 2 filhos a frequentar tal colégio veria mais de metade (ou quase dois terços) do seu orçamento familiar ser gasto com as despesas escolares. E ficaria com cerca de 700 euros (no máximo) para o resto das despesas da casa.
    Por outro lado, é sabido que a despesa com a Educação em Portugal nem chega aos 7% do PIB. Assim, estabelecendo uma proporção entre os rendimentos da familia da «classe média» e os da família da classe rica (que não é rica segundo alguns), se 1000 euros equivalerem a 7% do orçamento familiar, isso quererá dizer que os seus rendimentos mensais andarão à volta 14300 euros (quase 3000 contos na moeda antiga).
    Enfim, só mentalidades de merda que não sabem fazer contas é que pensam que quem frequentou o ensino privado durante toda a sua vida não é um menino rico ou betinho…

  25. então, nessa perspectiva, sou básica a triplicar. mas é apenas na tua visão afunilada, não a sapataria, que te esqueces que a concorrência leal só pode ser excelente para o crescimento do conhecimento. a motivação e a mobilização de professores com sensibilidade humanista, e não de professores-burocratas com mera sensibilidade técnica, só é conseguida com este “mercado” paralelo ou estaremos a criar perversamente universidades com modelos empresariais de objectivos produtivos, com funcionamentos pouco democráticos e muito afastadas do modelo pedagógico globalizante que comporta, inevitavelmente, a dimensão criativa de professores e de alunos. e arroto-me toda por ter estudado em privado, por aprender com aqueles que aprendem estudando e que são obrigados a colocar para canto as sebentas, inalteráveis, gordurosas. eu estudei, e continuarei a estudar, com lufadas de ar fresco que é para respirar melhor.

    (agora, sim, com gosto: vai-te foder e chamar-lhe básica a ela) :-)

  26. Sapateiro remendeiro, vamos lá ver se nos entendemos. Em primeiro lugar, eu sou um gajo (e não uma gaja!) básico quanto baste com duas licenciaturas e mais uns trocos obtidos em duas universidades públicas. Trabalhei e estudei ao mesmo tempo. Depois, gosto do Valupi. Desculpa, gosto muito. E mais ainda, detesto gajos pirosos como tu.
    Fica-te, então, pelo portuguesíssimo “Pires gosto”. O kitsch pode ficar para mais tarde.
    Até depois.

  27. Okay, ABRUPTO. Gostas muito do Valupi (descobri consigo que ele é um gajo afinal). E daí? Isso torna-o numa pessoa especial? Aquilo que o sr. e o Valupi dizem é uma enxurrada de lugares-comuns. Confesso que até faço um certo esforço para não adormecer. O Val está longe de escrever como a Isabel Moreira, ainda que se ache superior a ela. O kitsch não vai ficar coisa nenhuma para mais tarde, porque tal como a outros personagens dispensáveis, passarei a votá-lo ao desprezo na medida do possível. Acha que me iria dignar a prestar atenção a tudo o que dissesse? E contudo, o sr. continuará a ler o que escrevo. Porque falarei o que achar justo sobre tudo, inclusivamente dos seus ídolos. E aquilo que decidir expressar nas suas palavras elementares (por isso tem por ídolo um ser igualmente elementar), ficará apenas para si e para as pessoas que concordam consigo ou que lhe dêem atenção. Eu, entretanto, estarei fazendo outras coisas que não ser sonso e insultar as pessoas , porque muito simplesmente não consigo rastejar com o meu caráter. Boa sorte para o seu dom!

  28. “Básica. Rasca. Vulgar. Malcriada. Feia. Tudo isso de que tenho a certeza, como uma fé inabalável.”

    com dois comentários de permeio

    “Eu, entretanto, estarei fazendo outras coisas que não ser sonso e insultar as pessoas”

  29. looooooooooooooooooool Acabei de ouvir na RTP2 uma idiota que queria entrar para Direito na pública com uma média de 12!!! Então, como (obviamente) não entrou, o que fez a retardada? Matriculou-se na Lusíada de Lisboa. Comentário voz-off da jornalista: “a privada é o plano B para a maioria dos estudantes que não entram na pública, ainda que mais oneroso”. loooooooooool Isto é senso comum e bom senso, meus amigos. Quem é que entra parao privado? Gente que não devia frequentar o ensino superior. Sim, porque alguém é capaz de me dizer que utilidade faz ao país uma licenciada em direito que terminou o secundário com média de 12??? Deve ter tido que nota a português? 10, 12? Que categoria! Mas prontos: para estes iluminados é que se devia aplicar os planos flexi-segurança, e mandá-los trabalhar as terras abandonadas por esse país fora. Em todas as circunstâncias de vida em que me encontrei, sempre calei com a maior facilidade os licenciados em privadas: é que, apesar de tudo, um burro consegue olhar para o céu.

  30. Val, isso que contas, são as tradicionais excepções à instituição igreja católlica de há muitos séculos ultra-conservadora, ortodoxa e muito pouco aberta a exemplos de livre arbítrio tipicamente cristãos.Eu diria que a igreja católica e derivadass instituições têm sido o principal inimigo judas dos princípios de Cristo.

  31. A UCP deixou de ser cristã há cerca de 15 anos.

    Talvez tenha continuado a ser católica…mas só de nome.

    Agora é apenas o reino do mercado (livre?)…

  32. edie, a Igreja Católica está cheia de pecados, isso é algo que nem os próprios católicos podem negar. Mas ela é muito mais do que esse conservadorismo estéril; e até maligno por vezes, muitas vezes. É muito mais.

  33. (com uma kpk e um bolo danado de bom de aipim – ali na mesinha de cabeceira – é logo outro xonex em perspectiva -> lá vou eu :)

  34. Caro KoKosta, resposta simples: porque a maior parte desses Doutores e Engenheiros não é, muito elementarmente, Doutor ou Engenheiro. São licenciados, rascas. Na sua maior parte com médias de cursos inferiores a 14. Gente dessa não devia entrar no ensino superior, quanto mais ter o título de dr…. E, claro, a chunguice das privadas dá uma ajuda a todos os mentecaptos que querem piorar o estado do país com uma licenciatura que não merecem…

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