Passos e os concursos de ideias

Quero propor-vos a introdução do debate, da crítica, do escrutínio, da participação, como princípios fundadores da reforma do Estado, incluindo do Estado social”, afirmou Pedro Passos Coelho, no encerramento das jornadas parlamentares do PSD, no Fundão.

Segundo o primeiro-ministro, “daqui para a frente, o nível de exigência e de vigilância da sociedade portuguesa sobre o modo como é gasto o dinheiro dos seus impostos e como é prosseguido o interesse público pelas instituições do Estado terá de ser muito maior”, e por isso é decisiva a participação dos cidadãos “num debate colectivo sobre as melhores soluções para ultrapassar este momento“.

Fonte

Lembram-se da abertura do PSD a propostas dos cidadãos para cortes na despesa pública? E lembram-se dos milhares de propostas recebidas? Então devem também lembrar-se do quão úteis foram para a rapidez de execução desses cortes, de tal maneira rápida que nos escapou completamente… Até sermos finalmente informados pelo ministro das Finanças de que são muito difíceis e devem ser bem pensados.
Pois, animado com o êxito da anterior iniciativa, Passos lança agora um novo convite à apresentação de sugestões de reforma do Estado social. Temos, portanto, a garantia i) de que a reforma será rápida e bem feita (ordem para rir) e ii) que o homem não tem a mínima ideia sobre o assunto e que não sabe o que há-de fazer sob a pressão dos seus correligionários, que lhe apontam o facto de os cortes não se inserirem em qualquer plano de reforma do Estado (tão matraqueada na campanha eleitoral). Pretende, por isso, ganhar tempo, lançando um diálogo fictício. E poeira, claro.

10 thoughts on “Passos e os concursos de ideias”

  1. …o plano “neo” que tanto o inspirou já não convence ninguém…lá por dentro…está positivamente em pânico…

  2. Quem esperava outra coisa do PPD e seus capangas foram os parolos que votaram neles, ainda convencidos de dali podia vir algo bom. Nem a experiência anterior do Cavaco, do Ângelo Correia, do Valentim, do Isaltino, daquela besta do presidente da câmara das Caldas da Rainha de que não sei o nome, do Frasquilho, da Manela, do Meneses, do Jardim, do Macedo, do Relvas, do Santana, do Dias Loureiro, do Oliveira e Costa, do Barroso, etc., etc. foi suficiente para convencer os ditos parolos a não votarem em tal gente. Agora, naturalmente, têm o que merecem.
    Cada povo tem sempre o governo que merece.
    E este povo não merece mais.

  3. É tão verdade o que dizes, Manteigas. Mas é nestas alturas que penso: o que estou a fazer no meio deste povo?

    (este povo não reage à corrupção, acha normal, não reage à incompetência, acha normal, mas imprevisivelmente pode reagir fortemente ao aumento do IVa sobre os bilhetes para o futebol, nunca se sabe…da outra vez foi a ponte)

  4. O que é que se pode esperar dum povo que durante mais de quatro décadas esteve amordaçado pelo Salazarismo e, já de antanho, vinha castrado, desde há séculos, pelos esbirros da Inquisição? Eu creio que só daqui por algumas gerações, sei lá, duas ou três, é que haverá um novo espírito, critico e consciente, da importância da cidadania. Até lá …. olhem vamos andando, aos tombos, admitindo todo o tipo de vilania e votando em figuras e partidos que me causam, como direi, uma espécie de urticária.

  5. edie se nós pensarmos bem os políticos, os governantes, fazem parte do povo. Portanto os governantes, os políticos são iguais ao povo pois saem do meio deles. Se há uma ou outra pessoa que desempenharia qualquer lugar desinteressada, há logo muitos que vão para a política à procura de interesses pessoais. E estes vencem sempre porque as pessoas puras, sem interesses pessoais não se metem nesses jogos de bastidores normalmente sujos. Participei nalguns congressos como delegado e era ver nos bastidores as movimentações para obter lugares nas diferentes comissões. Quem não queria participar nesses jogos nunca obtinha qualquer lugar. Quer nos partidos quer nas associações as pessoas honestas acabam por sair deixando o campo livre aos que realmente procuram tacho. Mas isso, penso eu será aqui e em qualquer parte do mundo. O que acontece noutros países é que quem não cumpre as leis é severamente punido. Não se deixam carros em cima do passeio ou em locais proibidos porque de certeza absoluta que é multado e paga. Muitas vezes são as próprias pessoas a denunciarem os prevaricadores.
    São formas diferentes de se estar na vida.

  6. às tantas, Penélope, ele quererá efectivamente dar música, a música aquece a alma, e oferece-nos recursos para refazermos a canção: a nossa sorte grande foi você cair do céu (…). :-)

  7. Eu acho que o Passos Coelho é daqueles que se sente uma pessoa melhor quando acaba de ver o filme “Ghandi”, quando efetivamente se devia sentir medíocre e minúsculo. É daquele tipo de pessoas sensíveis, que a Sophia tão bem descreveu num dos seus (poucos) poemas marcantes. E portanto, apelar ao diálogo num cenário de maioria absoluta, é uma coisa tão nobre como o Nobre ser médico da AMI. É falso, é vulgar, é presunçoso e irritante. Porque uma coisa é ser-se puta, outra é pensar-se que, por isso, se torna Maria Madalena. A democracia é tão difícil como pagar impostos: ninguém gosta, mas há quem o faça com mais dignidade e respeito. Eu, por exemplo, se governasse não teria qualquer interesse em ouvir propostas do CDS- PP, e no entanto, não acho isso anti-democrático. Mas por exemplo, teria todo o interesse em ouvir as propostas da extrema direita portuguesa (tipo PNR), porque pelo menos esses têm interesse em serem ouvidos, e me preocupa muito mais a moldagem das suas posições. O CDS-PP é dispensável, como aliás o é o partido dos verdes. O Passos Coelho é um sonso maior que Seguro, e o que o torna tão detestável aos meus olhos, é ele achar que tem uma licenciatura diferente da de Sócrates. Para quem tiver dúvidas, consulte por favor o currículo deste “senhor doutor”, cunhado à imagem e semelhança da preportência de status que sempre caracterizou as fundações do seu partido. As evidências estão à vista para quem não tenha comprado uma licenciatura, nem tirado a “4.ª classe de antigamente”.

  8. Obrigado, Ó_da_NET! Este link soube-me mesmo bem… só lá faltavam os pormenores relativos à licenciatura: já quase nos 40 anos (tipo: ser contra a iniciativa Novas Oportunidades), numa universidadezeca particular (i.e. a Lusíada de Lisboa), com uma classificação medíocre (esta n posso dizer porque é private).
    Mas prontos: um “menino bem” destes, que nunca meteu mãos ao trabalho na vida, vem exigir maior controlo sobre o trabalho dos outros… ah, e mais trabalho, porque sem trabalho, o país não avança!…
    Odeio-o! E tinha vontade de o por a dar aulas de matemática numa EB 2,3 ali para massamá ou reboleira… afinal, o país precisa de pessoas trabalhadoras, e não de políticos que se fazem trabalhadores…

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    Ah, MANTEIGAS!!! Só agora vi o seu comentário!… Que maravilha, nada descreve melhor a maneira como me sinto: são muitas 4.as classes de antigamente, muitos católicos, muitos funcionários públicos, muita incompetência, muitas notas rascas nas licenciaturas, muito amor ao Pinto da Costa e à Fátima Felgueiras, muito respeito ao Prof. Doutor Honoris Causa de Literatura (????) Cavaco Silva, muitas saudades do Prof. Doutor Aníbal Salazar, perdão, António Oliveira Salazar, muitas condecorações a vice-campeões de sub-20, muito respeito a Fátima (à santa, a outra já a tinha referido), muita galhofa para com o Berto Jonas Jardin, muito presidencialismo camarário, muitos idosos, muitos quarentões e cinquentões sapudos, muito gatos fedorentos, muito preço certo, muito telejornais deprimentes e tendenciosos, muito josé carlos malato como serviço público, muito… muito… :-)

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