Re-Intermitência

 

 

 

 


Deitado, nu, ao lado de C., agradeço-lhe, com sinceridade, o prazer que, ao longo das últimas quatro horas, me ofereceu. “Obrigado”, digo-lhe, ao mesmo tempo em que, com cuidado, começo a acordá-la. “Vamos, amor, acorda. Já estás a dormir há mais de quatro horas”, sussurro-lhe. E beijo-a, com ternura, na testa.

Imagens exclusivas das pressões que os magistrados do MP exercem uns sobre os outros

E, já agora: arquivar o Freeport sem a investigação estar concluída, com ameaças primárias e absurdas sobre dois procuradores, a mando do Ministro da Justiça e incluindo telefonema obsceno escutado por testemunhas? Hã?… Importa lembrar o óbvio: Sócrates não se livra do Freeport sem o completo esclarecimento do caso; pelo que o arquivamento, faltando explicação suficiente para anular a insídia, equivaleria ao seu provável fim político. Os pulhas que se regozijam com o processo a Lopes da Mota, vendo nele a prova final da conspiração, são seres de mui limitada imaginação.

Vinte Linhas 350

Amanhã 13 de Maio na FNAC Chiado Aurélio Lopes apresenta «Videntes e confidentes»

O antropólogo Aurélio Lopes (que se estreou em 1995 com «Religião Popular do Ribatejo») vai estar na FNAC do Chiado às 18,30 h de amanhã (13) para divulgar o seu mais recente livro «Videntes e Confidentes» – uma edição da COSMOS. Embora subintitulada «Um estudo sobre as aparições de Fátima» a obra engloba outros três aspectos: «Mulheres e Deusas», «Aparições» e «A construção do Sagrado».

Um dos temas mais curiosos tem a ver com a multiplicação quase milagrosa de testemunhos muitos deles até contraditórios como refere o escritor fatimita Sebastião Martins dos Reis ou seja, «ao sabor do critério estreito de uma interpretação pessoalíssima». Na verdade Lúcia, nas entrevistas e inquéritos a que é submetida em 1917 e nos diálogos breves e simples que ao tempo estabelece, responde quando lhe solicitam um maior rigor nas declarações: «não me recordo já bem», «podia ter sido isso, não sei», «cuido que sim», «cuido que foi em», «talvez não entendesse bem», «parece-me que não» ou simplesmente não responde. Várias décadas depois rememora diálogos complexos, compridos e eruditos com a maior das facilidades. A título de exemplo veja-se o extracto de um pretenso diálogo entre Lúcia e Jacinta em 1917: «Ó Lúcia, aquela Senhora disse que o seu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá a Deus. Não gostas tanto? Eu gosto tanto do seu coração! – É o Coração Imaculado de Maria, ultrajado pelos pecados da Humanidade e que deseja reparação». Esta será uma conversa entre duas crianças de sete e dez anos, rurais, incultas e analfabetas em início do século XX – observa Aurélio Lopes na página 342 do livro.

Pssst… chega aqui…

Vais pegar em 5 minutos e ler isto. Depois pega em 4 minutos e pensa nisso. Depois pega em 3 minutos e pensa noutra coisa qualquer, pois tens sempre muito em que pensar. Depois pega em 2 minutos e volta cá para escrever o que te der na real gana. Depois pega em 1 minuto e faz contas ao tempo que já passou. Eu ajudo: 15 minutos.

15 minutos que podem mudar os teus próximos 15 ou 150 anos. Talvez mais. Uma pechincha.

Aspirina com água

António Sampaio tem algo a dizer sobre a Atlântida, e mostra não ir em cantigas.

marco antunes casca em Augusto Seabra por causa de uma ópera. Dramático.

cassilda quer entrar em contacto com o Daniel de Sá sobre a FLA. E já.

Español conversa com portugueses naquele que é um espaço de encontro ibérico, aqui na casa, desde Abril de 2006.

Jim Morrison fez uma pergunta sobre o Twitter e ninguém lhe ligou pevide. ‘Tá mal.

Julia fala-nos de um xarope com aloés (Aloe vera) numa conversa onde muito se fala de um xarope com aloés.

Alguém aparece a defender a Happy, como se a felicidade precisasse de ajuda.

Terceira balada para Luciana

Luciana quase menina

Tem o jeito de mulher

Lavando na sua rotina

Chávena, pires, colher

Envolvida numa espuma

As mãos na água quente

Não pensa coisa nenhuma

É trabalho transparente

Fica um balcão brilhante

Com brilho do seu asseio

O seu olhar tão distante

Lembra lugar donde veio

Nem repara que na mesa

Se veio sentar Cesário

Chegou aqui de surpresa

Ficou sentado ao contrário

Para a Rua dos Fanqueiros

Fica a loja de ferragens

Os poemas tão pioneiros

São a força das imagens

O Conde de Monsaraz

Vem a chegar em atraso

O café dá-lhe outra paz

Quando ele sai ao acaso

Pelas ruas desta Baixa

Melancolia não tem fim

E o pobre com a caixa

É um professor de Latim

Luciana sorri, continua

Põe ordem no seu balcão

O poema vem para a rua

Transforma-se em canção

União Nacional dos Imbecis – III

Ferreira Leite revelou que os portugueses têm medo de ter o telemóvel sob escuta e que a nossa democracia está doente. Alto! Alto e pára o baile. Não estamos perante mais uma daquelas bacoradas com que a Manela anima a vida política nacional. Desta vez, trata-se de uma genuína confissão. Sejamos sinceros: quem de nós, se passasse os dias rodeado por dirigentes, militantes, autarcas e financiadores do PSD, não chegaria à conclusão de que há muita gente com medo de ter os telemóveis em escuta? A senhora apenas relata o que observa e o que lhe dizem.

E quanto à democracia doente, é ou não é a mais pura das verdades que ver um banco nascido do cavaquismo a dar um calote de dois mil milhões de euros, e ainda assistir às mentiras na praça pública de um dos seus responsáveis que se recusa a sair do Conselho de Estado apesar do protesto de outros conselheiros, leva o mais optimista dos cidadãos a concluir que a democracia apanhou a gripe dos porcos? Pois claro que é verdade. E a Manela só diz a verdade, importa nunca esquecer.

Numa outra ala do hospício, Louçã elogiou a sensatez das palavras de um bispo, D. Manuel Martins. É extraordinário, mas aconteceu: Louçã deu o seu apoio a um dos assassinos que, através de uma organização internacional com sede em Roma, condenam milhões de seres humanos à miséria, à indignidade e à morte em nome de uma patranha que só serve para oprimir as massas trabalhadoras e perpetuar o poder dos imperialistas. Malhas que as costelas seminaristas tecem.

Os imbecis, constata-se, até são capazes de afirmações surpreendentes. Basta que sejam iguais a si próprios.

União Nacional dos Imbecis – II

Paulo Portas aproveitou os episódios na Bela Vista para sair à rua com archotes e cordas. O passo seguinte será vermos este bravo a chefiar milícias populares para cercarem o bairro.

Jerónimo de Sousa olhou para os episódios na Bela Vista e não viu casos de polícia. Viu o Governo. Donde, para levar algumas pessoas que lá moram a não dispararem armas nem destruírem bens de terceiros, a solução configura-se simples, óbvia: é só resolver a situação económica e social e as discriminações sociais.

Os extremos demagógicos destes líderes, e respectivos partidos, comungam da mesmíssima irresponsabilidade: reduzem a complexidade dos problemas sociais a visões ideológicas onde se anula a inteligência que vem da objectividade e se assanham as emoções básicas dos ignorantes.

Cabrões.

União Nacional dos Imbecis

Do muito que temos para agradecer a Sócrates, um dos fenómenos mais pitorescos é esse da união dos comunas com os reaças. A propósito da imagem já bolorenta de uma loja americana que alegadamente publicita na sua montra o nome de alguns clientes famosos, Helena Matos e Tiago Mota Saraiva atingem um cúmulo de imbecilidade. Este, soltando a franga da vocação controleira, pretende que as autoridades investiguem a compra de roupa pessoal por Sócrates, apurando se o preço que ele paga por cuecas e peúgas não será prova de alta corrupção. Aquela, no que é o exercício blogosférico mais tonto de que tenho memória, une numa linha o ataque aos estudantes universitários com a supina hipocrisia de quem já nem mede o ridículo próprio.

Afinal, tudo isto bate certo. Comunas e reaças são agentes simétricos ao serviço de um único ideal: a estagnação. É por isso que a realidade está permanentemente a validar a sua percepção de que as coisas estão mal, muito mal e cada vez pior. A realidade tem essa característica aborrecida de ser sempre nova. E estes dois grupos — que anseiam pelos amanhãs que cantam, eternidades celestes, vitórias finais sobre o inimigo — não suportam o mistério do tempo.

Segunda balada para Luciana

Se aqui entra zangado

Com notícias de jornais

Já sabe que deste lado

O café tem algo mais

Uma força, um perfume

Trazido das plantações

Um calor feito de lume

Com lenha de emoções

Porque o café é diferente

Das bebidas do mercado

Mata o frio com o quente

E o corpo fica encantado

Só me apetece cantar

E entrar no pé de dança

Com a idade a recuar

Quase chego a criança

Uma luz a meio do dia

Intervalo no cinzento

Patrocina uma alegria

Dura além do momento

Saem novos paladares

O calor que se transmite

Há aqui muitos lugares

Neste pequeno limite

Que é o lugar e a mesa

Luciana e seu sorriso

Bebo café na certeza

De que existe Paraíso

*

Na esplanada

À minha última mesa desta esplanada

Chega a sombra dum choupo deslocado

No meu olhar, na solidão compartilhada

Surge a força do teu rosto multiplicado

Nos vidros tão vagarosos dos autocarros

Nas revistas do quiosque neste passeio

No brilho a sair dos pacotes dos cigarros

E no vermelho das carrinhas do Correio

Chega aqui toda a frescura das ribeiras

No choupo que imagino ser uma latada

As uvas quase que chegam às cadeiras

De repente é um lameiro na esplanada

Na mesa nasce o poema dum regresso

Entre quiosque e esplanada, são sinais

As revistas com o teu olhar impresso

A luz do teu rosto em todos os jornais

Citações de ESTACA

OS SEGREDOS DA CAROCHINHA

Nos meus tempos de rapaz, grande parte da minha curiosidade era dominada pelo desejo de explorar os currículos extra-escolares e os segredos dos homens de calo, de migas e azeitonas, suor mal pago, muita ganga e pouca missa. Alguns desses homens roçavam os quarenta anos de esperança no futuro e outros a velhice desanimada e descrente, mas todos devidamente educados nos Institutos de Tropeção-de-Baixo e Trambolhão-de-Cima. Essa gente boa e inocente nunca, nunca enjeitava uma oportunidade para me “abrir” os olhos e revelar-me os seus segredos. O serviço era gratuito, sem maldades estudadas — algo que me beneficiava, mas nem sempre, como vim a saber mais tarde. Nunca havia falta de pregadores auto-nomeados, graves e peremptórios nas declarações das suas crenças, politizados, mentalizados, devidamente endoutrinados e generosamente distribuídos pelo mapa da Aldeia Grande de Sordovelhas, a minha terra natal.

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Vinte Linhas 348

Vale sempre a pena escrever – alguém nos lê mesmo quando não parece

No passado dia 20-3-2009 foi publicado no nosso Blog um texto meu com o título de «De como a ASAE me estragou o Dia do Pai ou Não se pode exterminá-lo?». Para quem não se lembra tratava-se de uma associação cultural e recreativa que abrange 180 pessoas das freguesias de S. Salvador e Espinheira pertencentes a dois concelhos – Cadaval e Azambuja. A ASAE, utilizando a sua arrogância, prepotência a autismo e trabalhando como os fogos florestais (ou seja queimando tudo à sua volta) lá passou uma multa por falta do livro de reclamações do café da Associação. Choveram aqui respostas maldosas e até agressivas contra mim (como se eu fosse de lá) não percebendo os que me atingiram com más palavras que se fosse a minha terra eu teria utilizado a artilharia pesada e não apenas um pranto e uma lamentação perante a brutalidade e a desproporção da actividade da ASAE. Horas depois de ter assistido a uma brutal agressão à verdade desportiva que levou ao colo o Barcelona à final da Champions e minutos depois de ter festejado a vitória do Werder Bremen contra tudo e contra todos – incluindo o árbitro que tudo fez para que o Hamburgo fosse em frente e anulou um golo limpo ao Werder Bremen – pois vim a saber que as Câmaras Municipais respectivas ajudaram a Associação de S. Salvador e Espinheira a pagar a multa injusta, imoral e absurda da ASAE.

Valeu a pena ter protestado aqui. Porque daqui passou para as rádios e das rádios para os gabinetes de quem governa os concelhos. E como nos tempos medievais ainda há «homens bons» nos concelhos. Nem tudo é lixo humano, nem tudo é brutalidade nem tudo é corrupção no sentido total da palavra. Valeu a pena ter saído a notícia aqui.

Os Conselheiros de Estado não são todos iguais

Dias Loureiro, a não ter tido qualquer responsabilidade nas ilegalidades já indiciadas e por apurar na SLN e BPN, deverá ser metido num frasco com álcool e enviado para investigação em laboratório. Temos de descobrir como pôde um incompetente deste calibre ter chegado onde chegou apenas se valendo das suas exóticas capacidades cognitivas.

Entretanto, sugiro aos assanhados mentores do Presidente da República que, numa ocasião propícia, lhe expliquem ser este tipo de afirmações merecedor de tau-tau. É que os Conselheiros de Estado não são todos iguais, nem lá perto — 5 deles são escolha do Presidente. Pelo que vai acontecer o seguinte, rapaziada cavaquista: mesmo que Dias Loureiro passe por entre as gotas da chuva sem se molhar, coisa em que ele parece acreditar, vamos ficar à espera que o actual Presidente da República explique aos indígenas a escolha desta triste e sinistra figura para lhe dar conselhos sobre assuntos da máxima importância nacional. E vamos também pensar se o homem merece as seguintes prebendas, só à luz do que já se encarregou de revelar aos portugueses por palavras e actos de sua livre iniciativa:

Artigo 17.º
(Direitos e regalias)

Constituem direitos e regalias dos membros do Conselho de Estado:

1. Livre trânsito, considerado como livre circulação, no exercício das suas funções ou por causa delas, em locais públicos de acesso condicionado;
2. Obtenção de qualquer entidade pública das publicações oficiais que considerem úteis para o exercício das suas funções;
3. Passaporte especial, durante o período do exercício das respectivas funções;
4. Cartão especial de identificação, de modelo anexo à presente lei, durante o período do exercício das respectivas funções;
5. Uso, porte e manifesto gratuito de arma de defesa, independentemente de licença ou participação;
6. Adiamento do serviço militar, mobilização civil e militar ou serviço cívico.

Cavaco, aqui entre nós concidadãos, se achas que os restantes 18 Conselheiros são iguais a Dias Loureiro, o melhor é fecharmos as portas e devolvermos esta merda a Castela.

Re-Dixit

 

 

 

 


“Penso, agora que olho, com maior atenção, para o vosso bebé, que a escolha do nome Linda foi, de facto, a mais acertada. É importante, desde já, que a criança apreenda, aos poucos, o conceito de ironia.”

Balada para Luciana

Luciana num balcão

Debruçada no sorriso

Empresta calor da mão

Quando café é preciso

No combate à tristeza

Derramada pela rua

No centro duma mesa

Seu sorriso continua

Não havia o adoçante

Adoça com seu olhar

Simpatia no instante

Faz do balcão o altar

Onde a nova liturgia

Como se numa oração

Celebrando a alegria

Do encontro no balcão

À esquerda é o Chiado

E o Castelo é à direita

O sol bate no telhado

A tarde ficou perfeita

Quando olha para o Rio

Não repara na distância

No nevoeiro mais frio

Recorda a sua infância

Em baixo as duas linhas

Além é a Sé de Lisboa

Não há mesas sozinhas

Quando o café se povoa

De gente que não repara

Na pressa, no seu bulício

Luciana então já separa

As tarefas do seu ofício

Tomou o sabor profundo

Do café que nos vendia

Trazendo do seu Mundo

Um grão de pura alegria

Vinte Linhas 347

Moradores do Bairro Alto foram burlados

A crónica de Joel Neto no «Diário de Notícias» do sábado alerta para um problema grave: o estacionamento no Bairro Alto. Ele foi burlado, eu já tinha sido, pois moro cá desde 1976. A burla consiste no seguinte: de 1999 até 2002 os moradores com cartão de residente podiam estacionar no Bairro e, como alternativa, em diversos espaços como (por exemplo) o Largo de São Carlos, o Largo do Carmo, o Largo Trindade Coelho, a Rua da Mãe de Água e a Calçada da Patriarcal. Havia uma carta do presidente da EMEL a autorizar a situação porque ele (como todos nós) já sabia que os nossos carros não cabem todos no Bairro. Eu deixei de ser membro da Assembleia de Freguesia ao perceber que a Junta de Freguesia não defendia os interesses dos eleitores. Talvez por opção e obstrução da própria Câmara. Tenho documentos da EMEL a afirmar que «os moradores poderão estacionar livremente com o uso de identificadores da EMEL» mas é mentira porque só se pode circular – não estacionar. É que há mais dísticos do que lugares. Quando trocámos os dísticos de morador pelo dispositivo com célula fotoeléctrica perguntei se não íamos perder os direitos adquiridos. Fui enganado e saí da Assembleia de Freguesia. Bastaria um pouco de bom-senso mas da parte da EMEL, dos Bombeiros e da Polícia Municipal só se vê é arrogância, maldade e autismo. Por exemplo há ruas onde é possível criar mais alguns lugares pois eles encontram-se situados frente a muros (como por exemplo na Rua dos Mouros, nos Calafates ou no Instituto de São Pedro de Alcântara). Com as obras em frente ao elevador foram mais oito lugares que se perderam. E ninguém faz nada; só furam os dois pneus ao carro do jornalista.