A confirmar-se a autenticidade da gravação apresentada, temos aqui um caso onde há a realçar os seguintes pontos:
– A professora será, usando uma linguagem técnica de extremo rigor clínico, completamente chanfrada dos cornos. Coisa que pode acontecer a todos, mas que aqui releva pelo facto do seu trabalho ser público.
– Há 3 anos que a comunidade discente nesta escola denunciava nos corredores o que se passava dentro da sala de aula, e ninguém fez a ponta de um caralho. Aposto que há milhões de histórias como esta, de variada tipologia, bastando fazer de mim uma amostra estatística (tenho várias ocorridas até ao 12º ano, a que se acrescentam as da universidade e ainda as das salas de professores e reuniões de avaliação que frequentei como setôr).
– Esta professora constitui-se, segundo os parâmetros do sistema de progressão na carreira docente que os sindicatos querem a todo o custo manter, como um caso de sucesso profissional.
– O psicótico discurso apresenta os topos da superioridade profissional, social e moral que temos vistos exibidos pelos professores nas manifestações e declarações contra as reformas educativas do actual Governo. Esta mesma pessoa, se posta perante uma câmara de televisão agora a verberar o seu ódio contra a Ministra, daria origem a testemunho que a comunicação social aproveitaria para dramatizar a justeza da luta dos desgraçados professores.
A grande lição não é relativa à necessidade de avaliar os professores, apesar de estar definitivamente comprovado que a maior parte deles nem quer nem sabe avaliar um colega, quanto mais ficar exposto ao olhar de terceiros. A grande lição é outra, tão-só prática e irónica: que todos os pais distribuam gravadores e telemóveis aos seus filhos e peçam-lhes para gravar qualquer comportamento anómalo dos professores. Se essa gente não consegue tomar conta de si, que a comunidade assuma a responsabilidade de ensinar quem ensina os seus filhos.
Nota: a pessoa em causa será, provavelmente, uma vítima de distúrbios do foro psiquiátrico, merecendo todo o cuidado e respeito, mas o contexto da situação relatada tem importância política e social que transcende a sua esfera privada.
