A grande lição sobre o caso da professora de Espinho

A confirmar-se a autenticidade da gravação apresentada, temos aqui um caso onde há a realçar os seguintes pontos:

– A professora será, usando uma linguagem técnica de extremo rigor clínico, completamente chanfrada dos cornos. Coisa que pode acontecer a todos, mas que aqui releva pelo facto do seu trabalho ser público.

– Há 3 anos que a comunidade discente nesta escola denunciava nos corredores o que se passava dentro da sala de aula, e ninguém fez a ponta de um caralho. Aposto que há milhões de histórias como esta, de variada tipologia, bastando fazer de mim uma amostra estatística (tenho várias ocorridas até ao 12º ano, a que se acrescentam as da universidade e ainda as das salas de professores e reuniões de avaliação que frequentei como setôr).

– Esta professora constitui-se, segundo os parâmetros do sistema de progressão na carreira docente que os sindicatos querem a todo o custo manter, como um caso de sucesso profissional.

– O psicótico discurso apresenta os topos da superioridade profissional, social e moral que temos vistos exibidos pelos professores nas manifestações e declarações contra as reformas educativas do actual Governo. Esta mesma pessoa, se posta perante uma câmara de televisão agora a verberar o seu ódio contra a Ministra, daria origem a testemunho que a comunicação social aproveitaria para dramatizar a justeza da luta dos desgraçados professores.

A grande lição não é relativa à necessidade de avaliar os professores, apesar de estar definitivamente comprovado que a maior parte deles nem quer nem sabe avaliar um colega, quanto mais ficar exposto ao olhar de terceiros. A grande lição é outra, tão-só prática e irónica: que todos os pais distribuam gravadores e telemóveis aos seus filhos e peçam-lhes para gravar qualquer comportamento anómalo dos professores. Se essa gente não consegue tomar conta de si, que a comunidade assuma a responsabilidade de ensinar quem ensina os seus filhos.

Nota: a pessoa em causa será, provavelmente, uma vítima de distúrbios do foro psiquiátrico, merecendo todo o cuidado e respeito, mas o contexto da situação relatada tem importância política e social que transcende a sua esfera privada.

83 thoughts on “A grande lição sobre o caso da professora de Espinho”

  1. Este texto é um aproveitamento grosseiro de uma situação povavelmente clínica. Assim não vale. Mistura alhos com bugalhos para concluir pela necessidade da avaliação e pela bondade da política da ministra.
    Sei, no entanto, que não faltarão os habituais e encomiásticos comentários a este texto deprimente.

  2. M da M, não. Misturo alhos com azeitonas para concluir pela necessidade de maior intervenção da comunidade na escola. A escola não é dos professores, os professores é que pertencem à escola.

  3. Bom, não aguentei ouvir tudo, estava quase a vomitar. A sério. Essa tresloucada dessa professora de História (!?) devia ser expulsa do ensino. Mais não me ocorre dizer.

    Mas ontem pareceu-me ouvir na televisão o Sindicato a defender a tarada. Ok, peço desculpa, a vítima de distúrbios do foro psiquiátrico.

    E na blogosfera, a propósito disto, lá aparecem os atrasados mentais do costume a bolsarem imbecilidades contra… Sócrates! Um deles, apanhado ao acaso na lixeira, abnoxio de sua graça, tem o descoco de dizer: “…cheira a vingança póstuma de Lopes da Mota”. Mas confessa que não viu o vídeo nem sabe o que a professora disse aos alunos!

    É conferir:
    http://abnoxio.weblog.com.pt/arquivo/2009/05/o_socratismo_no_seu_maximo_esp

  4. “Se essa gente não consegue tomar conta de si, que a comunidade assuma a responsabilidade de ensinar quem ensina os seus filhos.”

    Inteiramente de acordo. Uma parte do professorado mais afectada pela esquizofrenia sindical já não aceita há 35 anos a autoridade de quem lhe paga o ordenado. As câmaras de vídeo podem ajudar a dar a volta à situação.

  5. Como sempre o Valupi dispara ao lado. Ou melhor, dispara no próprio pé…
    Não, a grande lição é outra: as gravações de que os «pulhas» se servem para julgar as condutas e as atitudes dos outros, são afinal um meio legítimo para apurar a verdade. Mais: para o Valupi são um meio legítimo para generalizar um comportamento individual a toda uma classe, e nessa medida estranho seria que não se pudesse concluir que os seguidores e adeptos do Pinto de Sousa são todos uns aldrabões, chico-espertos e socretinos.

    Ontem desejei sonhos cor-de-rosa ao Valupi, daqueles sonhos mentirosos. Pelos vistos ainda não acordou…

  6. Nik, nem mais. E esse “abnoxio” que foste buscar tem lá um comentário que rivaliza com a alucinação do post. Aliás, se fores ler o A Educação do Meu Umbigo, o retrato fica completo.
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    ds, continuas com dificuldades na argumentação. Mas sempre te posso dizer que as gravações são muito úteis. Olá se são.

  7. Lá continuarei, lá continuarei… Agora da tua parte nem isso se pode dizer: é que o que tu disseste nem é, mais uma vez, qualquer espécie de argumentação. Sabes o que é um argumento, não sabes?

  8. Este episódio, mais o do telemóvel e ainda o da atitude dos “srs.profs” numa Escola do norte, por altura do Carnaval – não queriam participar com as crianças no desfile, em protesto, voltaram atrás por perceberem que a comunidade não estava a apreciar a tomada de posição e acabaram por fazer pior, desfilando com os miúdos, vestidos (os “profs.”) de negro, com caveiras e esqueletos pintados no corpo – vem dar mais uma machadada na imagem da classe. A sótora, mais o conselho directivo da Escola, devem ter andado no vinho..

  9. Também há esta versão. Esperaria que te colocasses fora deste clima de bufaria mas não, até o incentivas, como caça às bruxas.

    Conclusões práticas: não é admissível que o Socrates e o PS venham a ter nova maioria absoluta e a vocês que gostam de atirar os outros para o manicómio venham então os diabos visitar-vos, os vossos diabos.

  10. ds, referes-te a que parte do que eu disse?
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    j.coelho, exactamente. Os professores, aqueles que protestam, não têm querido assumir as suas responsabilidade para com a comunidade, acham que é ao contrário, são eles os eternos credores da comunidade. Estão gravemente errados, pois.
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    z, convido-te a ler essa notícia que trazes com um mínimo de consciência. Essa “versão”, como lhe chamas, é a mesmíssima “história”, confirma a gravidade do caso. Esses relatos, que vêm de crianças, confirmam que a professora fazia manipulação afectiva e emocional, tal e qual como a gravação mostra. Nesses padrões manipuladores, e numa população tão vasta e peculiar como a de uma escola, vais encontrar vítimas (ou que não sejam vítimas, teria de se investigar caso a caso, mas que são inquestionavelmente seres frágeis sujeitos ao arbítrio de um adulto irresponsável) a tomar o partido de quem lhes deu “atenção”.

    E qual é o clima de bufaria de que falas, já agora?

  11. Refiro-me à tua «resposta», claro. No que diz respeito ao post, já disse o que tinha a dizer expondo as tuas contradições e falácias…

  12. ds, és o terror das caixas de comentários. O ritmo a que expões contradições e falácias é tão elevado que já nem nos apercebemos. Tens de ser mais lento, a ver se apanhamos alguma coisa.

  13. Valupi: vi o vídeo, acho lamentável, mas muito mais lamentável acho o clima de caça às bruxas que está a ser alimentado para voyeurs. Nos meus tempos de estudante havia coisas assim, não falo da linguagem do sexo que era tabu, mas de exercícios de autoridade e prepotência, e eram consideradas como normais dentro do anormal, faziam parte. Havia o shelltox, havia o barco-à-vela, havia a natasha,

    te garanto eu uma coisa: logo que conseguir vou estar longe deste barco, tanto mar,

  14. O que a conversa desta professora mostra é que as aulas de educação sexual já fazem falta há muito tempo, e que a senhora apesar de, como diz, ter tido tantos anos de formação ficou com esta grave lacuna. Este é com certeza um caso extremo, mas não é novidade para ninguém que existem professores que nas aulas falam de tudo menos do que deviam e outros até que pura e simplesmente não falam de coisa nenhuma (tive alguns). É injusto para os bons professores, mas lá voltamos à questão do costume: corporativismo. Na realidade, os alunos estão sujeitos a uma espécie de roleta da sorte e caso tenham o azar de lhes sairem maus professores de pouco ou nada adianta que se queixem, seja a quem for, resta-lhes portanto comer e calar. Afinal, como esta senhora doutora deixou claro, os professores são quem tem a faca e o queijo na mão.

  15. z, não sei o que nomeias com caça às bruxas. Este caso é matéria importante de discussão por várias razões, incluindo pelo método seguido para fazer a denúncia. E é isso que está em causa, o teu (e o nosso) tempo de estudantes. É isso mesmo, não ficar preso nesse tempo e apontar as falhas a quem falha tão gravemente.
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    ds, larga o vinho.
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    Andre, nem mais.
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    guida, creio que nisso estamos todos de acordo: há excelentes professores e queremos mais como eles – ou, pelo menos, que cumpram com os mínimos. Haver pessoas no sistema de ensino sem qualificações ou condições é que não pode ser admitido.

  16. Valupi: tomara que tenhas razão e haja conversão positiva destes métodos de denúncia e prova porque o que eu vejo não é isso, é o bigbrotherzinho insinuando-se no quotidiano para deleite dos voyeurs. Mas insisto: tomara mesmo que tenhas razão, porque o que eu vejo deixa-me já nem é preocupado, é meio esmagado.

    E nem te digo o que vejo mais à frente, resta-me a esperança de estar enganado.

  17. «ds, larga o vinho»… «x, larga o vinho»…
    Valupi, pá, vira o disco, que com essa treta do «larga o vinho» já não enganas ninguém e disfarças mal a tua incapacidade para refutar o que os outros dizem!
    Mas continuo disponível para te recomendar um bom livro de Lógica…

  18. Esta prof, que de facto não pode regular muito bem da pinha, fala de sexo a adolescentes de 12-13 anos de um forma intolerável. O conteúdo da «educação sexual» que ninguém lhe encomendou é do mais rasca que se pode imaginar. O tom autoritário, intimidante e desrespeitador com que se dirige a jovens no começo da adolescência lembra os modos de um bufo (a propósito de bufaria) ou de um interrogador da PIDE. É não só revelador de péssimo carácter como da mais completa incompetência para falar sobre sexualidade. De educação sexual precisa ela, bem como de um curso intensivo de pedagogia e relações humanas.

    Pessoas como ela só servem para desprestigiar o ensino público. Quem se fica a rir são os colégios católicos e as escolas privadas que há décadas fazem lobby para obter o sistema de vouchers com que querem dar a estocada final na escola pública.

    Que foi provocada? Essa faz rir.

  19. esta sim, é bruxa, lá vem o mesmo discurso da tanga para se agarrar ao leme, como em 2001.

    Quanto à prof. faço votos de que tenham razão e estas ‘iniciativas’ sirvam para corrigir aspectos negativos e não para instalar um clima persecutório generalizado, a ver vamos.

  20. DS, vou dar-te um conselho, não se precisas, contudo, lá vai.

    Não percas tempo com o Valupi, a técnica dele é:

    – Arranja uns adjectivos “fixolas”, mesmo que pouco aderentes à realidade, depois coloca mais uns substantivos, uns advérbios e uns artigos (no caso dele indefinidos) e lá arranja umas frases cheias de forma mas sem conteúdo;

    – Quando confrontado, deixa de argumentar, e passa a atacar as pessoas em vez das opiniões;

    – Por fim remata com o larga o vinho. Assim a modos daqueles que à falta de melhor razão dizem “cala-te que tu não sabes nada da vida”.

    Como se diz cá na minha terra, “andar à caça com cães mortos …”

  21. O melhor desta história ainda é ouvir os sindicalistas afirmarem que não têm comentários a fazer porque ainda não há inquérito nem conclusões. Já quando se trata de analisar o trabalho de outros não lhes falta argumentação e condenação sem que os visados tenham sequer o direito de se justificar. Isso sim dá vontade de fugir. Como se não bastasse terem mantido durante anos a fio o ministério sequestrado aos seus interesses e a educação deste país enterrada em trampa pseudo educativa com o mesmo propósito.

    O resto desta história é sobretudo um caso médico como é referido no post e noutros comentários mas as condições que permitem a sua existência são as mesmas que sustentam as arbitrariedades, a prepotência, a irresponsabilidade e a falta de qualidade de muitos dos funcionários do sistema educativo que afectam o percurso escolar de milhares de estudantes e, não raras vezes, irremediavelmente. Os sindicatos daí lavam as suas mãos.

  22. Ibn Erriq, obrigado pelo conselho e pela explicação, mas, realmente, era escusada, pois o que disseste está à vista de todos. Parece que só o Valupi é que ainda não se apercebeu disso: de que nós sabemos que ele sabe que nós sabemos que ele sabe (que ele é intelectualmente desonesto e desconversador).

  23. O “demente senil” vê burros em todo o lado….principalmente em sua (dele) casa quando se mira ao espelho…vá mas é tomar o remédio pra dormir. Sossegue…

  24. Olha, o Ébixa e Éburro apareceu outra vez para dizer nada, mas mostra que continua esquecido da sua identidade. Assume-te, pá!

  25. Perdão… Estou a ser injusto aqui com Éburro e Ébixa: o burrito, pelos vistos, conseguiu reconhecer que era dele que eu estava a falar num comentário mais acima. Afinal até tem alguma consciência da sua identidade…

  26. Esta pantomima de democracia em que vivemos é fantástica. Um gravadorzeco de uma miúda de 12 anos destroi e invalida os ultimos 6 meses de intervenções da líder da oposição e do presidente da corporação dos professores. Eu não suporto o Sócrates, mas que ele está anos-luz à vossas frente, no que toca a combate político, lá isso está. Ele a dormir, vale mais que o ppd e o sindicato dos professores juntos e acordados :-) Aos detratores deste post, um conselho: ide dormir, o vosso mal é sono.

  27. z, no que diz respeito à escola não vejo voyeurs. Aliás, se existisse a política de gravar todas as aulas para efeitos de esclarecimento de eventuais conflitos entre professores e alunos ou só alunos, valeria a pena testar a bondade dessa medida. Vou dizer doutro modo, caricatural: uma sala de aula deve ser um ambiente tão profissional e digno que não importaria que tivesse paredes de vidro ou bancadas com assistência.

    Ora, o que vemos é precisamente o inverso. Milhares de professores entraram em pânico com a ideia de terem de exercer a docência perante observadores externos ao ecossistema que cada professor cria com cada turma de formas, muitas vezes, idiossincráticas. Foram vários os discursos que tentaram racionalizar esse fechamento e tirania do espaço-aula. Daí a fúria dos protestos, pois são pessoas que estão a lutar pela sua sobrevivência psíquica.

    O ensino está em luta, e quem dirige e acirra os protestos não tem qualquer respeito pela comunidade, ofendendo seja quem for que lhes apareça à frente com ideias diferentes. Assim, este caso não é apenas clínico, ou individual, é também social pelo que representa na balança da percepção comunitária quanto ao que mais importa neste conflito que opõe oportunistas e reformistas.
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    ds, és tontinho.
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    Nik, é a realidade que a provoca.
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    Ibn, confessa lá: tu ainda és aluno desta professora, né?
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    tra.quinas, exactamente.
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    Eduardo, é malhar neles.
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    pedro, sábias palavras.

  28. A senhora não representa a classe docente tal como os sindicatos. É triste é que haja o aproveitamento destas situações para generalizar à classe. Os professores não são da escola, os professores juntamente com o resto da comunidade educativa fazem a escola.
    Todos falam do que professora disse, independentemente de ser reprovável, mas ninguém refere que no estatuto do aluno está escrito que não se podem utilizar telemóveis na sala de aula.
    O grande problema do ensino não são os professores, é a política ministerial, que a todo o custo quer ver resultados e “obriga” a classe docente a atribuir boas notas. Depois faz umas provas de aferição facílimas para ter uma estatística maravilhosa e afirmar que as suas políticas estão a dar bons resultados.
    Se há coisa que me chateia no povo português, é falar de assuntos que desconhece ou que só vê na televisão.

  29. “uma sala de aula deve ser um ambiente tão profissional e digno que não importaria que tivesse paredes de vidro ou bancadas com assistência.

    Ora, o que vemos é precisamente o inverso”

    Outro exemplo da generalização. Eu sou professor e pedi aulas assistidas para ser avaliado. Foi uma opção e não uma obrigação. A porta da minha sala de aula está “sempre aberta” e se o sr. Val quiser aparecer será bem acolhido. Pode ser que assim aprenda alguma coisa sobre a realidade do ensino português.
    Como eu também haverá milhares de professores.

  30. Pina, constato que tens estado alheado dos acontecimentos em Portugal nos últimos dois anos. Para um professor de porta aberta, é muito suspeito.
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    ds, se esse livro é teu, só pode ser de lógica fuzzy.

  31. o voyeurismo a que me referia, Valupi, é um traço português, que não gosto, não é específico da escola mas da mentalidade genérica, e recordo-te o que dizia o Bernard Shaw: todo o espectador é um cobarde e um traidor.

    No entanto em relação a este caso o que eu quero mais é que vcs tenham razão, que se faça conversão positiva destas tristes ocorrências, a bem do ensino e da escola, e da escola pública em particular. Concordo que uma sala de aula podia/devia ter paredes de vidro.

  32. Ao que sei preparam-se para punir a aluna que gravou a ocorrência, por ter alegadamente violado o regulamento da escola ao fazê-lo.
    E a mim custa aceitar que os putos à mercê da esquizofrenia alheia não possam sequer utilizar os únicos meios de defesa ao seu alcance quando precisam de se provar certos neste tipo de circunstância.
    É raro não concordar contigo, z, mas este voyeurismo como lhe chamas só pode ser considerado errado se não estiverem em causa factos como os que a dita gravação comprova.
    É que as salas de aula não têm paredes de vidro e dos estragos causados nas carolas de garotos em plena crise da puberdade só o futuro dará conta.

  33. z, bom, se citas Shaw, então esse traço voyeur será da raça humana…
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    shark, não sabia dessa, castigarem o mensageiro. Mas o problema é bem contraditório, pois se nada fizerem estão a validar o procedimento. Por isso me pareceu tão interessante este caso, dado que a ilicitude do meio tinha sido a melhor forma de se fazer justiça. Aliás, a escola não poderá lutar contra a tecnologia, pois os meios de gravação de som e imagem até poderão ser invisíveis à vista desarmada. E depois o material aparecer anonimamente na comunicação social. Donde, o que está em causa é passar de uma atitude bélica em relação ao Governo e à comunidade, típica de quem se sente acossado e em risco de perder bens próprios, e passar-se para o reconhecimento da necessidade da mudança numa dimensão tão complexa e crucial como é o ensino básico e secundário.

    E é mesmo como dizes, a puberdade é um antro de tentações perversas para alguns adultos. Como com esta professora, exactamente.

  34. Tens razão Shark. Olha ainda bem, porque eu ontem estava todo azedo a ouvir aquilo e agora já acho que do mal o menos, corrija-se para a frente e aproveite-se alguma coisa. Boa, pá.

  35. Muito haveria a dizer: eu também já fui “s’tor” (embora noutro Século).

    Mas apraz-me contribuir para desfazer uma ideia mítica absolutamente falsa: a de que no Ensino Provado há melhores Professores no Ensino Público. É pura mentira. Os melhores Colégios de Lisboa estão infestados de alimárias incompetentes.

    É muito pernicioso ir atrás de ideias míticas, geradas e propaladas a partir desse útero manhoso, albergue dos maiores mafiosos e manipuladores, que é a nossa actual Comunicação Social.

    Só quando houver uma Avaliação de Professores a sério, competente e idónea, nos Estabelecimentos de Ensino Públicos E PRIVADOS, poderá finalmente conhecer-se a realidade tal como é e fazerem-se análises comparativas.

    Até porque, usemos a pura Lógica, alguém sabe como são as PROVAS DE ADMISSÃO DE PROFESSORES nos Colégios privados (se é que existem nalgum…), nomeamdamente nos que se dizem católicos?

    É que eu também conheço algumas histórias preocupantes nestes últimos, mas por uma questão de elevação da discussão não vou invocá-los, pois não passam de meros casos que eu pessoalmente conheço, o que não considero suficientemente válido como argumento.

    Venham lá então estudos a sério, PORQUE O PROBLEMA É DEMASIADO SÉRIO (sobretudo para quem, como eu, tem duas Crianças a caminho da idade escolar..).

  36. “…preparam-se para punir a aluna que gravou a ocorrência, por ter alegadamente violado o regulamento da escola ao fazê-lo.” Shark

    Se isso acontecer, acho mal, apesar da irregularidade do acto da aluna.

    Não há dúvida que a aluna que gravou a conversa da prof cometeu uma infracção ao regulamento. Tal como aquele que gravou a cena do telemóvel na outra escola e que, no final, também foi castigado por isso. Não se pode invocar as leis e os regulamentos num momento para, no momento seguinte, pôr de lado os que não interessam. Foi uma infracção ao regulamento.

    A questão é que a aluna, numa situação excepcional, prestou, com esse acto irregular, um serviço relevante aos colegas, à escola e aos pais. Isso compensa e justifica a irregularidade que cometeu. De facto, contra o que diz a máxima moralista, há fins que justificam os meios. A denúncia daquela situação grave e excepcional impunha-se como um bem muito maior do que o cumprimento do regulamento.

    Mas numa coisa estou de acordo com o z: este caso não deveria servir para fomentar um clima de bufaria contra os profs, isto é, permitir que se gravem aulas a pretexto de tudo e de nada, que se comecem a armar verdadeiras ciladas (NÂO foi agora o caso!) ou a mostrar coisas fora do seu contexto e a fazer falsificações.

  37. (pois Nik, era esse o meu medo porque isto é tudo por modas, e agora é Primavera os miúdos andam todos excitados, vêm aí os exames, as notas, e sei lá que mais, onde se inclui as campanhas eleitorais e as manobras de diversão de assuntos principais onde dá jeito histórias destas e touradas)

  38. A sala de aula não é nenhum sítio privado, aonde seja necessário preservar a intimidade dos circunstantes. É um local aonde podem ocorrer factos que atentam contra a integridade física, mental e cívica dos presentes. Porque não pôr um circuito de televisão fechado a gravar todas as aulas? Quando as pessoas sabem que estão a ser filmadas têm muito mais cuidadinho naquilo que dizem ou fazem, e era muito mais fácil à Inspecção Escolar aferir a veracidade das queixas dos pais, dos professores e dos alunos.

  39. «Porque não pôr um circuito de televisão fechado a gravar todas as aulas?»

    Vigiar aulas como quem vigia um supermercado ou um banco, onde um ladrão ou um assaltante pode entrar a todo o momento? O olho do big brother sempre presente na escola?

    Sou mil por cento contra tal ideia, que acho digna dum regime totalitário.

    Seria muito triste se só assim fosse possível criar as condições indispensáveis para uma aula. Nunca se conseguiria isso, aliás. Criar-se-ia um clima de suspeição em torno de todos, profs e alunos. Prejudicar-se-ia o clima de liberdade, a espontaneidade e a relação de confiança e colaboração que é necessário criar-se entre profs e alunos. Não é com um polícia electrónico de plantão que um prof deve conseguir o respeito e a participação dos alunos. Não é assim que se formam pessoas honestas. Não é assim que se cria sentido de responsabilidade, tanto nos alunos como nos professores.

    A mensagem subliminar seria esta: onde não há câmaras de vigilância podem-se cometer todas as patifarias.

  40. A ideia de se gravarem as aulas começa por parecer aberrante, e seguramente que seria maciçamente reprovada se fosse a referendo nacional. Explicar a sua recusa é fácil, e demasiado fácil. Já explicar a sua vantagem, mesmo que só para efeitos de reflexão ou curiosidade, parece tarefa condenada ao insulto. Cá vai:

    – Há outras profissões e situações de responsabilidade pública onde se filmam as sessões de trabalho. Essas filmagens estão sujeitas a um correspondente enquadramento legal que salvaguarda os direitos e garantias dos intervenientes.

    – A relação com crianças em contexto de autoridade e por períodos prolongados de tempo é matéria de intervenção de variadas áreas científicas, sociais e políticas, sendo reconhecida como actividade de extrema e melindrosa responsabilidade. Conhecer o que os profissionais respectivos fazem no terreno é um direito da comunidade, sejam pais ou cidadãos.

    – Não existe nenhuma razão para considerar a relação docente numa escola pública como privada e imune à fiscalização. Pelo contrário, a missão do docente numa escola pública implica um seu primeiro compromisso para com o Estado, os seus representantes e os seus beneficiários. O facto de se registar o seu trabalho para efeitos de acrescida segurança, resolução de conflitos e aperfeiçoamento de procedimentos é de uma bondade cívica evidente.

    – A filmagem das aulas, independentemente da modalidade a instituir quanto à conservação dos registos vídeo (por exemplo, serem apagados no final do ano lectivo após a avaliação), seria material de importância inquestionável para a melhoria das competências pedagógicas e didácticas e para o envolvimento dos encarregados de educação e restante família dos alunos.

    – As imagens poderiam ser compradas pelos encarregados de educação, sendo uma fonte de financiamento extra para as escolas.

    Glosando o que disse o Nik, cometem-se muitas patifarias precisamente porque não há câmaras de vigilância.

  41. chateia-me bem mais câmaras pelas ruas , tipo Londres , onde não está estabelecido qual o papel a representar e posso , mais ou menos fazer o que me der na gana , tipo uma bebedeira monumental ou um xixizinho atrás de um carro ou uma beijoca num tipo giraço .. (porra pá e uns tipos quaisquer a tratarem dados de imagens !! ) do que numa sala de aula , onde , supostamente , os alunos estudam e o prof lecciona . pode ser que assim nem os meninos se atirem à chapada aos profs , nem os profs façam cenas como esta. desde que as imagens não saiam da escola , não vejo problema.

  42. O grande mal deste país é que de repente as pessoas deixaram de ser capazes de olhar para si próprias e resolveram distrair-se a atacar o vizinho! É por isso que este país não avança. O marketing político funciona… estão à vista os resultados… povos alienados são tão fáceis de controlar! Abram os olhos enquanto é tempo! A democracia começa a ser uma miragem e isso é tão mais lamentável quando alguns aqui se afirmam como ex-professores. Seria bom perceber porque é que deixaram do o ser. Talvez por incompetência, talvez porque foi a única forma de ter um emprego durante algum tempo, talvez porque nem tinham licenciaturas e nem sabiam o que era ensinar, talvez já não sejam professores porque, felizmente, a competência passou a ser importante e não havia já lugar para eles!…
    Além disso, acho incrível que se considere legítima a delação, ainda por cima instigada por adultos, pais, com responsabilidade, também eles profissionais, espero eu! Quem sabe um dia acontece o mesmo na fábrica ou no escritório… Triste país este em que se espera que a escola substitua definitivamente a família, onde se espera que sejam os outros a educar os nossos filhos, a tirar-lhes as dúvidas sobre coisas que deviam ser naturalmente faladas em casa, pelos pais. Triste país este que enfia as suas crianças num recinto fechado por mais de oito horas, que exige das suas crianças mais horas de trabalho que à maioria dos adultos, que as faz acordar cedo e percorrer quilómetros para as aprisionar e exigir delas sucesso! Está tudo ao contrário, mas, claro, é mais fácil a distracção num país que insiste em não pensar!…

  43. Glosaste mal, não foi nada disso o que eu disse, Val. Disse o contrário do que tu me atribuis. Tu e o Manolo Heredia devem andar a beber umas coisas esquisitas.

  44. O assunto é muito complexo e melindroso e confesso que de ontem para hoje não consegui chegar a conclusão nenhuma. No entanto não vejo motivos para que as aulas sejam dadas em segredo e não vejo a hipótese de se filmarem as aulas como uma forma de controlar os professores até porque existem muito mais queixas, acredito que justificadas, dos professores em relação ao comportamento dos alunos do que o contrário. Filmar as aulas seria como que dotar as salas com as tais paredes de vidro. Seria ainda uma forma dos pais poderem ajudar a resolver o grave problema da indisciplina. A verdade é que as crianças passam o dia na escola e nem sempre se comportam de igual forma em casa e na escola. Tenho um filho no 1º ano que em casa é um reguilinha e na escola é descrito pelo professor como um modelo de boa educação, de tal forma que por vezes nem parece estar a descrever o meu filho (pagava para ver isso) :). Com outros passa-se o inverso. Em escolas descritas como sendo muito problemáticas creio que os professores não se oporiam a que pelo menos fosse feita a experiência, para que a partir daí se pudessem tirar algumas conclusões. E claro que o objectivo não seria o de bigbrother com as imagens a passarem diariamente nos telejornais, mas sim para análise exclusiva dos principais interessados: alunos, pais e restante comunidade escolar. Sobretudo não se perdia que o tema fosse objecto de profundo debate, embora ache que qualquer político que aborde o assunto corre o risco de se queimar nele.

  45. efeito dissuasor, bem visto.
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    XXX, o grande mal deste país começa por estar na comunicação. Afinal, preferias que a professora não tivesse sido filmada e continuasse a ser protegida pelo sistema? Explica lá como é que se obriga um professor a admitir que erra se ele não se deixar observar no seu procedimento?
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    Nik, glosar tem vários significados.
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    guida, excelente reflexão.

  46. Que a senhora é vítima de distúrbios do foro psiquiátrico é mais que evidente e pode acontecer a qualquer um. Mas é professora, com muitos anos de estudo como faz questão de se vagloriar. E “amiguíssimos” e “dissestes” aprendeu em que licenciatura?

  47. “uma sala de aula deve ser um ambiente tão profissional e digno que não importaria que tivesse paredes de vidro ou bancadas com assistência.”

    Claro, Valupi, e eu digo mais: a vida deveria ser um ambiente tão digno que não importaria que tivesse paredes de vidro ou bancadas com assistência.

    Bom, esta minha solução é tão lírica como a tua e tem a vantagem de permitir fornecer fáceis meios de prova para todas as tropelias, erros e malvadezas possiveis e enquadráveis em todos os códigos civis, penais e disciplinares. Tu já viste que bom que era haver câmaras de video em todas as casas, escritórios, cafés, parques. etc, etc. Acho que nem correriamos o risco de os nossos conjuges se enganarem na dose de sal na comida, quanto mais de termos um professor maluco.

    Valupi, valupi, isto tem uma dificuldade: nem os professores que tu achas excelentes (los hay) aceitariam tão admirável mundo novo.

  48. “…alguns aqui se afirmam como ex-professores. Seria bom perceber porque é que deixaram do o ser. Talvez por incompetência, talvez porque foi a única forma de ter um emprego durante algum tempo.”

    Pelos vistos ainda restam muitos destes senhores nas escolas deste país e os belos exemplos entram-nos pelas casas dentro, seja pelas brilhantes prestações nas salas de aula como nos desfiles carnavalescos das manifes.

    E depois a defesa é:
    – Se há gravação, é ilegal;
    – Se é denunciado pelos alunos, é mentira.

  49. maria, aprendeu com os seus alunos.
    __

    Pedro, sem dúvida, o tema da gravação das aulas é metódico, apenas para se reflectir sobre a questão da avaliação dos professores a partir dessa provocação politicamente incorrecta. E vem por esta razão: avaliar um professor implica sempre observar presencialmente o seu procedimento numa aula (para além de muitos outros parâmetros, obviamente, mas que não importam agora). Ora, há neste tipo de avaliação um básico e evidente pressuposto epistemológico: o de que a observação seja representativa do resto que fica por observar. Donde, a questão: haverá diferença relevante entre uma aula observada e outra não observada? Se há, porquê, qual é, quais as consequências e quais as ilações?

    Quanto à tua caricatura de haver câmaras em todo o lado, convido-te a reflectir se não é esse mesmo o ideal que a civilização tenta instituir e aperfeiçoar: a verdade. A câmara, afinal, é apenas uma extensão do olhar do cidadão ou indivíduo. Um crime não deixa de ser crime por não ter sido registado em vídeo, apenas pode é ser mais difícil de punir, ou mesmo impossível. Tal como se o parceiro lá de casa puser sal a mais na sopa isso talvez não careça de vídeo, mas se o parceiro lá de casa tiver uma vida sexual promíscua pode ser interessante para alguém ter uma prova videográfica do passatempo. Donde, a questão das câmaras tanto pode ser vista como limitadora da liberdade como pode ser vista como garante da liberdade.

    É que ai está o que importa pensar: o que é a liberdade?
    __

    Oliver, e alguns desses senhores já apresentaram as mais mirabolantes desculpabilizações para o comportamento dessa professora. Vale tudo menos assumir responsabilidades.

  50. Valupi, em tese, tudo isso é bonito (ou feio, digo eu, mas para o caso tanto faz) Mas não avances hipóteses de soluções que tu próprio não aceitarias se alguém as viesse propôr sem ser em conversa de blogue. Aliás, a questão é que ninguém está preparado para tanta verdade.

  51. Discordo, Pedro. A hipótese de se gravarem as aulas não me parece diferente de uma situação hipotética onde as aulas fossem dadas ao ar livre no centro de uma localidade, por exemplo (acontece noutras culturas). A arrumação por salas de porta fechada é uma organização que ninguém discute, mas que também ninguém pensa quanto às consequências. A verdade é a de que os professores herdaram, ao longo dos séculos, uma cultura monástica que não faz sentido quando se lida com crianças e adolescentes. Uma das consequências é relativa ao patético tema da autoridade dos professores e da disciplina dos alunos, tudo construções monástico-militares, e masculinas (ler o que dizia Platão sobre o ensino das crianças, para se avaliar o tempo perdido). Outra consequência diz respeito às disfunções egóicas que tal experiência de poder provoca nos professores, tanto nos que abusam da situação, como nos que não conseguem dominar a situação.

    Quanto a ninguém estar preparado para tanta verdade, não sei a que te referes. E diria outra coisa: ninguém está preparado para abdicar da verdade.

  52. Valupi, tanto ninguém está preparado para tanta verdade, que ninguém aceitaria essa vigilância permanente da verdade, que é o que propôes. Salvo alguns gloriosos malucos, que também os há. Cum catano, ó Valupi, iam-se os pilares milenares do nosso direito e todo o sistema jurídico para o galheiro, pá! Toda a gente comete disparates, toda a gente mente numa ou noutra circunstância e existe uma reserva mínima de privacidade nestas matérias de que ninguém abdica. É claro que esta reserva paga-se e um dos preços é o risco de maluqueiras como essa da professora. Mas tu, que andas sempre a recomendar abstinência a toda a gente, vens agora com essa, valha-te deus?

  53. Pedro, de que privacidade falas? Ou melhor, o que é que deve ser privado numa sala de aula? Quais os segredos que queremos proteger? Que mal é que há em se conhecer o que os professores fazem durante o seu horário de trabalho com os alunos?

  54. não creio que seja bem isso Valupi, em princípio não há, não deve haver, nada de secreto no que se passa numa sala de aula, mas a transparência absoluta com efeitos diferidos, como é o caso da existência de gravações não pode deixar de ter custos.

    Só fui professor de miúdos dois meses (e de jovens adultos 20 anos, mas na universidade) e te digo uma coisa: um bom professor tem de ser um sedutor, no caso da universidade à volta da beleza do conhecimento da matéria, mas creio que no liceu também à volta do amparo afectivo dos miúdos.

    Falo no bom sentido claro, em princípio um professor não deve, não pode, transgredir a barreira onde se passa da sedução intelectual para o abuso. Ora mas tudo isso pode ficar hirto e seco com gravações porque por muito que ‘quem não deve não teme’ só quem anda fora deste mundo é que não sabe que o mais direito professor pode ser vítima de perseguições nefastas, e até precisamente por ser direito e não pactuar com outros ‘esquemas’.

    Ganhariam os psicólogos e os psicanalistas, sem dúvida.

    Além de que as gravações podem ser truncadas e falseadas imagino eu.

    Não te esqueças da etimologia: um professor originalmente professava votos, queres mudar o nome da profissão? Também pode ser cá por mim.

    Mas enfim, façam o que quiserem, não só não andarei pelo secundário como conto estar noutra terra onde se é naturalmente muito mais transparente e honesto e assim é que me dou bem.

    Mas deixaram-me a pensar: será que se pode dissolver o big brother com a transparência pública completa? Se calhar assim é, porque ‘ele’ existia a partir do controlo privado da informação.

  55. Val,

    Sinceramente acho que não é esse o caminho para se saber o que se passa numa sala de aula. Ao contrário do que se diz, nenhuma sala de aula é um feudo. Em qualquer momento essa sala pode ser “invadida” por outros docentes com funções directivas ou não. Tal não acontece por questões de boa educação e respeito, porque assim se foi institucionalizando. Certamente que ninguém está à espera que alguém entre no consultório do médico quando este se encontra com o seu paciente, nem que o gabinete de uma qualquer reunião de trabalho de uma empresa seja invadido por outros elementos sem aviso prévio. Faz parte das regras do respeito institucional. Na realidade, o respeito foi-se perdendo e é cada vez mais dificil que tal respeito exista. Muitos pais nem sequer imaginam o que os seus filhos fazem nas salas de aula e, acredita, são muitos mais os professores que estão e são violentados pelos alunos do que ao contrário. Filmar aulas é ilegítimo. Certamente se um professor gravasse o que é dito e feito por muitos alunos, seria cruxificado na praça pública. Sejamos coerentes com a realidade. Parece-me que, por um qualquer estigma que ainda não consegui entender, os professores se tornaram o mal do mundo. Não podemos generalizar o que não é genralizável. Existem milhares de situações erradas em milhares de profissões que ninguém se preocupa. Quando se trata de algo que se passa na escola, parece que chegou o fim do mundo. Isto só revela como estamos a viver uma enorme crise de valores que tem a ver com famílias disfuncionais, com crianças mal acompanhadas e mal educadas sobre os valores essenciais. A escola é o retrato da sociedade e, a mesma sociedade que tem responsabilidades na construção da cidadania, demitiu-se em nome dos valores económicos e atribuiu a máxima responsabilidade a um grupo restrito de pessoas, cuja missão é ensinar, querendo que esse mesmo grupo assuma a educação integral das crianças, dos adolescentes e jovens, como se fosse possível esquecer que os professores também são pessoas. Seria interessante uma escola à moda de Platão e Aristóteles, mas a sociedade evoluiu para parâmetros que definem que a escola se deve confinar a espaços com gradeamentos, com vigilantes, com seguranças, onde se vão enclausurando crianças e adolescentes horas a fio, sem espaço nem tempo para socializar, para aprender com os pares, para reflectir sobre as aprendizagens. Na escola de hoje passa-se imenso tempo a fazer o trabalho de educar e pouco é o tempo para ensinar. Ora educar é algo original, não pode ser feito em massa, em bloco, cada individuo tem a sua personalidade própria que é construída com a ajuda de todos os que o rodeiam, não pode ser formatada em grupos de 28 ou 30, enfiados em salas de aula. Também aprender tem uma dimensão individual, mas pode-se ensinar um grupo e, no grupo, individualizar aqueles que demonstram mais interesse, por um lado, ou os que têm mais dificuldades por outro. Podia passar horas a discorrer sobre o assunto, mas não é esse o objectivo dos posts, certamente.
    Quanto ao caso da Professora, não esqueçamos nunca que se trata de uma pessoa. Todos somos pessoas primeiro e só depois é que somos as profissões que exercemos. Como tal, não julguemos sem ter todos os dados sobre o assunto. Mais, atrevo-me a dizer que nenhum de nós tem capacidade para julgar ninguém. Podemos opinar, emitir juízos de valor, mas não passarão disso mesmo. É preciso muita reflexão neste país que se encontra à deriva. Cabe-nos a nós, cidadãos preocupados, melhorar a mentalidade de um povo que precisa de ganhar confiança em si próprio.

    XXX, o grande mal deste país começa por estar na comunicação. Afinal, preferias que a professora não tivesse sido filmada e continuasse a ser protegida pelo sistema? Explica lá como é que se obriga um professor a admitir que erra se ele não se deixar observar no seu procedimento?

  56. Val,
    Respondendo ainda à tua pergunta, ao contrário do que se pensa, existe muito mais regulação dentro das escolas do que se pensa. Os alunos, quando se queixam têm normalmente o acompanhamento de alguém do Conselho Executivo que passa a monitorizar a situação e raramente fica por solucionar o caso. Como é óbvio, nem tudo tem de vir para a praça pública. É fácil acusar um professor e acredita que é fácil verificar a veracidade dessa acusação. Na acareação ou confrontados com as acusações, a serem verdadeiras, são sempre admitidas. Acho que o erro deste caso concreto, passou pelo facto de, eventualmente, o Conselho Executivo não ter agido e seguido de imediato o caso para apurar as responsabilidades. Caso não saibas, o que se viu foi o culminar de uma situação que teria começado com uma visita de estudo. Havia, portanto, já uma situação concreta de assuntos que se arrastavam e que deram origem ao que se viu. Ficámos a saber o fim, mas não sabemos nada do princípio. Esperemos para ver.

  57. Eu não sou professor, mas tenho professores na família mais directa e consigo perceber o que dizem os meus colegas comentadores aí acima. E ainda que não tivesse estaria sempre seguro disto: em circunstância alguma se deve admitir que um aluno grave uma aula sem autorização do professor. É uma quebra de confiança grave na relação entre a o professor e o aluno. Haverá concerteza mecanismos legais e regulamentares que permitam evitar situações como a relatada, sem se recorrer a esse expediente. Se não há, criem-nos. E também me parece claro que esses mecanismos não passam pela vigilância permanente audio-visual das aulas. Não sei de nenhum país onde isso se faça, e se isso vier a institucionalizar-se, então não haverá razão nenhuma para se estender isso a todas as outras actividades, ou há? Mas vou deixar o assunto para ser discutido pelos professores.
    Ainda sobre o presente caso: fala-se muito, argumenta-se muito, e pelo que tenho visto há uma avalanche exponencial de criticas à professora. “monstruoso” é uma palavra por aí muito utilizada. É pelo menos no mínimo muito incorrecta e deontológicamente censurável a forma como a professora se dirige a uma aluna. Mas ainda não entendi muito bem todos os contornos do caso. O que é que se passou nestes três meses, afinal, que teria motivado a gravação clandestina? E porque existem crianças dispostas a testemunhas a favor da professora? Esperemos que o inquérito revele tudo isto.

  58. z, não vejo como a filmagem de uma actividade profissional, seja ela qual for, pode trazer riscos para os intervenientes. Outra problemática é a da ponderação dos eventuais maus usos do material, mas até nessa dimensão há variadas formas de reduzir, ou mesmo anular, os riscos.

    E o mais curioso é o facto óbvio de convir ao professor competente ter o seu trabalho registado, exposto, aferível. Por várias razões.

    Esse acto de “sedução” que referes é um terreno de ambiguidades as mais variadas, as quais, também por isso, só ganhariam em ser assumidas no confronto com a opinião da comunidade.
    __

    XXX, trazes muitas questões embrulhadas, o que não é necessariamente um problema, mas que traduzem a complexidade da questão. No entanto, é óbvio que há um consenso entre nós: todos queremos o melhor ensino possível.

    Só que o modo como cada um tenta explanar o seu entendimento da coisa varia desvairadamente. Assim, eu não tenho especial dificuldade em reconhecer no que escreves vários pontos de concórdia. Já tu tens assinalável dificuldade em reconhecer que no que escrevi o interesse não é o de generalizar a partir deste caso ou de crucificar a pessoa em causa. O interesse é o de pensar em modos de evitar casos análogos. Que, por sua vez, vários professores relatam acontecer em variadas escolas, mas onde não há forma de passar da denúncia inconsequente.

    Eu não estou numa campanha para ter uma câmara em cada sala, estou é a reflectir a partir dessa hipótese. E o que imagino parece-me vantajoso na correlação com este caso e o que ele dramatizou.
    __

    Pedro, tens vários elementos importantes no que escreveste. E para começar por uma piada interna ao Aspirina, peço-te o favor de não contribuíres para a epidemia dos “concerteza”. Sou um ferrenho opositor dessa maleita linguística. Entrando no que importa, importa lembrar que mais ninguém no Mundo, que eu saiba, está a propor ter as aulas filmadas. Apenas por aqui, porque me surgiu como relevante fazer essa reflexão, se discute tal “enormidade”. Mas tu pareces esquecer que as informações apontam para um caso já com 3 anos de escândalo de corredor, e mesmo com queixas dos encarregados de educação. Assim, a gravação tem um contexto que legitima pedagógica e moralmente a sua captação. Se legal e politicamente prevalecerá essa legitimidade, é o que se verá.

    Em relação aos contornos do caso, e daí a “feliz” existência desta gravação, essa é uma parte do puzzle que podemos pôr de lado e deixar que as autoridades resolvam. Por esta inquestionável evidência: o que a gravação revela, independentemente da história e do contexto, já se constitui como matéria suficiente para acusação. De facto, não há nada que justifique aquela interacção com os alunos, e tivessem eles a idade que tivessem; que até podiam ser adultos e até podia a senhora não ter falado de sexo. O que ali bondosamente se revela é uma responsável educativa a violar deveres e competências que lhe dão a autoridade e o lugar, e sem os quais tem de ser afastada.

    Isto é simples de entender.

  59. Valupi, que a questão é grave, concordo; qual o grau de gravidade, não sei nem tu sabes. Vamos deixar correr então a coisa. O que eu dizia é que a escola teria concerteza (ups) meios para em três anos resolver o assunto, sem ter agora de recorrer a gravações de uma aluna, gravação essa que eu acho inadmissível. E se não tinha, o que acho estranho, resolva-se imediatamente essa lacuna, nem me perguntes como. Eu julgo saber que há paises (não o nosso), onde vigora o sistema da livre apreciação de prova, quaisquer que sejam os meios obtidos para a mesma. Esse meio de prova acho-o perigoso e cria um precedente grave, porque daqui para a frente qualquer fedelho estaria autorizado a gravar as aulas às escondidas e tu sabes tão bem como eu que é humano por vezes o professor dizer qualquer coisa que seria mal interpretada pelos paizinhos.

  60. z, sem dúvida. Ou ainda mais.
    __

    Pedro, estás a levar a questão para a sua perversão, esse cenário em que existiriam filmagens que dariam origem a problemas com os encarregados de educação por causa da sua interpretação. Ora, até lá chegarmos, uma ou duas revoluções teriam de acontecer na escola antes desse preciso problema nascer.

    Com certeza que não é linha de raciocínio que leve longe.

  61. Valupi, vá lá, conflitos fúteis entre professores e pais de alunos, por causa de más interpretações do papel do professor, coisas que se dizem, notas, etc, existem desde sempre e sabes bem. Imagina então quando o professor por vezes “se passa” na saula de aula, dá um ralhete, diz qualquer coisa que o aluno ou os pais acham depreciativo para os seus rebentos e a coisa é filmada? Mas isto são impressões minhas e acho que me devo afastar agora e deixar que os professores se pronunciem. Espero que este debate não acabe com o meu comentário.

  62. Mas, ó homem, precisamente nesse exemplo que trazes a filmagem seria benéfica, pois só assim seria possível provar o carácter excepcional desse descontrolo emocional do professor. Bastava ver o todo da ocorrência, e ter presente o registo usual do mesmo professor. Pelo contrário, não havendo forma de saber o que realmente acontece, acaba-se com relatos de crianças, que até podem ser distorções ou acabadas mentiras, a envenenar a relação entre encarregados de educação e professores. E não há forma de provar seja o que for se o professor não colaborar. Mas o pior nem é isso, antes as situações em que as crianças estão tão traumatizadas, ou condicionadas pelo meio turma/escola, que nem relatam em casa as anomalias que vivem na sala de aula.

    Esqueci-me de te dizer, acima, que o facto de haver alunos a favor da professora em nada releva para a situação que a gravação exibe. Basta pensares nos inúmeros caso de assassinos psicopatas que eram vistos por familiares, colegas de trabalho e vizinhos como pessoas absolutamente normais. De resto, um adulto manipulador à solta numa escola arranja muitos “amigos”. É esse, realmente, o problema.

  63. Ó Valupi, plamordedeus, a filmagem no exemplo que dei “seria benéfica” porquê? mas então o que defendes mesmo é a filmagem sistemática das aulas, seja por alunos, seja pela escola, para que se possam detectar situações patológicas?

    Quanto ao segundo parágrafo, acho que te estás a adiantar sobre o que releva, ou o que não releva, e na colocação de hipóteses num caso em fase de inquérito e que pode vir a ter outras instâncias de investigação. Já te vi mais cauteloso sobre julgamentos prévios populares noutras circunstâncias.

  64. Estás a confundir o cu com as calças, Pedro. Para mim, como para ti, como para qualquer cidadão responsável, a questão em causa, real, tem autoridades competentes para averiguar e decidir. O que sair do inquérito, à partida, será o que mais próximo da verdade teremos. Por isso eu não defendo coisa outra do que aquela que está a acontecer.

    Porém, na ponderação de uma hipótese, nesse campo abstracto de reflexão, as filmagens trazem vantagens. Ou assim parece. Por exemplo, e voltando a pegar na situação que trouxeste, a única forma de compreender uma amostra do comportamento de um dado professor é correlacioná-lo com o todo do seu registo, o habitual em si, o seu padrão. A tua incapacidade de entender este ponto revela bem como ele em ti é emocional e não racional.

  65. Meu, queres então uma análise racional, fria, do assunto, no campo abstracto das hipóteses, sem emoções? Sou perfeitamente capaz, sou sim senhor. Olha aqui: eu acho que o waterboarding à professora seria um meio extremamente eficaz de prova.
    Eu agora apetecia-me era ir beber uma bejeca, que o tempo está abafado.

    Mas onde é que raio andam os professores?

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