Vinte Linhas 330

De como a ASAE me estragou o Dia do Pai ou «Não se pode exterminá-lo?»

Vinha eu embalado num dia quase feliz pois ainda pude almoçar com o meu pai no Dia do Pai e receber três beijinhos dos meus filhos (um deles por telefone) quando de súbito levei um murro no estômago e fiquei com o resto do dia estragado. Parei na Espinheira para um lanche que supunha agradável mas soube que a Associação Cultural e Recreativa de São Salvador / Espinheira foi multada pela ASAE em 4.500 euros por não ter livro de reclamações e por não ter o snooker aferido. É espantoso como aqueles «cérebros» são capazes de castigar assim os indefesos corpos gerentes da Associação. Um livro de reclamações tem justificação para um café que existe para ter lucro mas para uma associação que trabalha desde 1-5-1974 e está aberta desde as 8 da manhã às 11 da noite para apoiar os 180 habitantes das duas localidades é uma brutalidade monstruosa e desajustada para uma equipa de dirigentes que se preocupa em manter uma escola de karate e um espaço de ginástica de manutenção para a terceira idade. Podiam ao menos (se tivessem um pouco de bom-senso) avisar que, apesar de a Associação não ter fins lucrativos mas como único fim o bem-estar da população quase toda idosa, se tornava obrigatória (mesmo assim) a apresentação de um livro de reclamações. Mas não. Bom-senso eles não têm nem fazem ideia do que seja. Querem é passar a multa. Agora lá vai a Associação organizar uma noite de fados e guitarradas para angariar fundos para pagar a multa da ASAE. E eu pergunto: então e a Junta de Freguesia, a Câmara Municipal e o Governo Civil não podem fazer nada para ajudar a Associação? Eu revoltado digo como o Vanigen encadernador na peça de Karl Valentim: «E não se pode exterminá-lo?»

13 thoughts on “Vinte Linhas 330”

  1. O livro de reclamações é obrigatório e a tua associação não é excepção. Foi decerto uma boa prenda para todos os pais da Associação Cultural e Recreativa de São Salvador.

  2. Uma atitude bem portuguesinha: somos pelas normas e regulações, mas tem que haver “bom senso” para que elas não se apliquem a certos coitadinhos com que simpatizamos. Já pensou na injustiça que é para um eventual estabelecimento dessa área que tenha como concorrente a dita associação ?

  3. Diz a Claudia- A «tua» associação… Ora bolas… se fosse minha saía com a artilharia pesada. Eu sou de Santa Catarina (Caldas da Rainha) e S. Salvador pertence a Cadaval como ESpinheira pertence à Azambuja. Só conheço de passagem mas indignei-me com a arrogância. a prepotência e o autismo da ASAE. O seu desprezo pelo outro, a ideia falsa de que o Mundo começa e acaba na ASAE é que me fez pensar na peça de Karl Valentim. «E não se pode exterminá-lo?» Eu gostava que fosse exterminado o autismo, a prepotencia e arrogancia da ASAE. Se houvesse um livro de reclamações da ASAE bem podia a Imprensa Nacional fazer horas de fim de semana porque os livros não chegavam. Safa!

  4. Toda a gente ganha com essa multa: os clientes do café, a cultura (com a organização de um evento cultural de fado e guitarradas), o PIB, a ASAE, o ministério das Finanças, o Sócrates (ganha sempre) e o meu amigo Lívio que joga snooker a dinheiro e assim já não é enganado. Só tu é que levaste o murro no estomago, que pena.

  5. Estás a levar o assunto para a brincadeira mas isto é muito sério. Os corpos gerentes da Associação ficaram com a criança nos braços sem mais nem menos. A ASAE pode ter sido fundada com boas intenções mas a sua prática revela-se igual aos fogos florestais – queima tudo à sua volta. E arranjar 4 mil euros não é nenhuma niquice. Tratar uma Associação como se foss eum vulgar café à beira de estrada é um péssimo sintoma de desprezo pelo outro. Com eles prova-se que o diálogo é impossível – é como querer falar com um muro.

  6. Isto lembra-me a questão do tabaco, que era apontada como um ataque aos fumadores. E se vissem pela perspectiva correcta, que é a de defender os não-fumadores.
    Também aqui tem que se ver a questão pela perspectiva do café à beira da estrada, que paga licenças, livros de reclamações e o diabo a quatro para manter a actividade. E em cima disso querem que outros que concorrem com ele não tenham as mesmas obrigações. Como diria o mítico Rui Santos: “ai, ai, ai! ai, ai, ai! Mas que raio de democracia é esta ?”

  7. Meu caro José do Carmo Francisco:
    Ao que deduzo, aferiram o snooker mas, ainda assim, esqueceram-se das bolas !
    Você já viu, meu caro, o número de bolas que um snooker tem, as efectivas e as suplentes ?
    Estou contristado e sinceramente disponível para dar o meu contributo para o pagamento da multa e, já agora, meu caro José do Carmo, em vez de falares de um anódino lanche na Espinheira, por que não fazer verdadeira publicidade aos petiscos do Club, se é que os tem. A gente, de um modo geral, acredita na publicidade e assim dávamos a volta por cima da ASAE.
    Com um abraço e dias do pai todos os dias
    Jnascimento

  8. Uma Associação Cultural não é uma sociedade comercial; não ver isto é não querer ver nada. Nas velhas feiras de Rio Maior os animais às vezes desatavam a dar coices a tudo o que aparecia à frente. A ASAE não pode faze risso – desatar a multar tudo e todos como se todos fossem iguais. E não são.

  9. Só 4000 euros?

    Isso não é nada Zé, dividido pelos jarretas da “ginástica de manutenção” calha meia tuta a cada um. E depois vocês não são conhecidos em lado nenhum, nem sequer têm banda filarmónica nem rancho nem equipa de OK em patins.

    Acho que deverias convocar uma assembleia extraordinária e apresentar uma moção propondo a deslocação em massa dos associados à capital do distrito para escavacar tudo. Vais ver como esse cabrões vão dar o dinheiro de volta e nunca mais se metem com a carbonária reumatizada do cavalo de arção e das barras paralelas.

  10. Foste maldoso ao escrever «vocês» porque eu não sou daquela terra, apenas lá páro às vezes para tomar uma bebida. Se eu fosse de lá usava a artilharia pesada mas não sou. Apenas soube do caso e vim manifestar a minha indignação contra a ASAE. Mas olha que se fosse a minha terra eram outros os argumentos – até as tuas estacas eram arrancadas para queimar…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.