Um livro por semana 112

«O Marquês da Bacalhoa seguido de A execução do Rei Carlos» de António de Albuquerque

Esteve para se chamar «Enseada Azul» este hoje clássico da literatura de combate contra a Monarquia. Abre um dos capítulos com: «Achava-se ali, nesse à-vontade incomparável das praias, todo o vício elegante, vaidoso e snob da linda e vasta Enseada Azul e se à primeira vista parecia reinar entre os frequentadores da praia uma geral promiscuidade, era um completo engano. Havia profundas separações; barreiras vedando o acesso aos desconhecidos e aos possidónios».

Além do Rei, a Rainha é posta em causa, sendo-lhe atribuída uma ligação a uma das mulheres da corte a quem dirá: «Não sejas criança. Vai desembaraçar-te desse aparatoso vestido e volta depressa…anda. A ti adoro-te, bem o sabes, e ninguém incarna para mim o amor como a tua fragilidade voluptuosa, sincera e ardente». As relações entre as personagens e as figuras reais são evidentes: o Bacalhoa é D. Carlos, João Franco é João Nunes dos Santos, Mouzinho é o coronel Luna, Soveral é Álvaro Negrão.

Sobre «A execução do Rei Carlos», óbvio desenlace do livro anterior, escreve Paulo da Costa Domingos «Limpando os escolhos literários, subsiste na sua pungência original uma passagem da nossa história, das difíceis de se omitir a parte maldita».

Para fugir à polícia de João Franco os livros foram compostos numa «catraia» (pequena oficina) na Rua do Arco do Bandeira embora apareçam em 1908 e 1909 como sendo impressos em Bruxelas. António de Albuquerque era descendente de Afonso de Albuquerque e morreu em 1923 em Sintra depois de pedir perdão à Rainha e a Deus.

(Editora: Frenesi, Prefácio e Capa: Paulo da Costa Domingos, Assistência editorial: Telma Rodrigues, Caricatura: Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro)

2 thoughts on “Um livro por semana 112”

  1. D. Amelia era porreira, tinha um metro e oitenta e tal, era d’Orleans, amazona, atirou com o ramo de flores aos regicidas, envelheceu bem no seu palácio no exílio, e entregou ao embaixador de Portugal o pequeno Tosão de Ouro que tinha levado consigo, não se baralhou entre as jóias da coroa e as pessoais – a tiara que usa a Heredia era dela, que deixou como legado ao herdeiro do trono, esse mentecapto do qual era madrinha.

    Isto é fofoca de caçador de diamantes famosos, mas que a senhora era notável ah isso era.

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