Terceira balada para Luciana

Luciana quase menina

Tem o jeito de mulher

Lavando na sua rotina

Chávena, pires, colher

Envolvida numa espuma

As mãos na água quente

Não pensa coisa nenhuma

É trabalho transparente

Fica um balcão brilhante

Com brilho do seu asseio

O seu olhar tão distante

Lembra lugar donde veio

Nem repara que na mesa

Se veio sentar Cesário

Chegou aqui de surpresa

Ficou sentado ao contrário

Para a Rua dos Fanqueiros

Fica a loja de ferragens

Os poemas tão pioneiros

São a força das imagens

O Conde de Monsaraz

Vem a chegar em atraso

O café dá-lhe outra paz

Quando ele sai ao acaso

Pelas ruas desta Baixa

Melancolia não tem fim

E o pobre com a caixa

É um professor de Latim

Luciana sorri, continua

Põe ordem no seu balcão

O poema vem para a rua

Transforma-se em canção

9 thoughts on “Terceira balada para Luciana”

  1. Em Cesário Verde, o poema chegou à rua tarde de mais, pois quando chegou ele já cá não estava. Para a Luciana ela talvez nunca venha a saber que ele alguma vez existiu

  2. É pá «jv» ainda bem significa que o poema existe mesmo sem a presença física da Luciana, ainda bem.

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