Na esplanada

À minha última mesa desta esplanada

Chega a sombra dum choupo deslocado

No meu olhar, na solidão compartilhada

Surge a força do teu rosto multiplicado

Nos vidros tão vagarosos dos autocarros

Nas revistas do quiosque neste passeio

No brilho a sair dos pacotes dos cigarros

E no vermelho das carrinhas do Correio

Chega aqui toda a frescura das ribeiras

No choupo que imagino ser uma latada

As uvas quase que chegam às cadeiras

De repente é um lameiro na esplanada

Na mesa nasce o poema dum regresso

Entre quiosque e esplanada, são sinais

As revistas com o teu olhar impresso

A luz do teu rosto em todos os jornais

3 thoughts on “Na esplanada”

  1. Boas frases, boas fases. Será um lindo rosto – para não dizer uma linda face, e não me repetir com os sons das sílabas.

  2. Homenagem a Cesário Verde que passava por aqui entre a Rua do Salitre e a Rua dos Fanqueiros. Nasceu na Rua do Salitre nº 107 mas hoje é o nº 5. Curiosidades das Ruas de Lisboa.

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