Se é ao aquecimento global que tenho de agradecer a perfeição das condições balneares que Outubro está a oferecer aos ricos e aos desempregados, então concluo que as ameaças de catástrofes ecológicas não passam de propaganda dos invejosos. Desafio qualquer verdusco a descobrir danos climáticos nesta situação:
– Ausência de trânsito automóvel para chegar à praia, evitando-se o poluente pára-arranca.
– Abundância de lugares para arrumar o bólide, sem gasto de combustível à procura da sombra.
– Areal sem alterações ambientais resultantes da pressão demográfica.
– Ar com temperaturas na casa dos 30º em meados de Outubro, avesso ao movimento, sequer caricia de brisa.
– Água do mar limpa e quase tépida, sem algas nem ondulação perigosa.
– A certeza de não haver professores por perto, só pessoas de altos rendimentos e uma concepção epicurista do ser, mas ainda mais do estar.
Se é para a fruição destas experiências que as calotes estão a ser derretidas pelas fábricas dos chineses e pela produção de Magalhães, só vejo vantagens. E se for mesmo necessário, podemos enviar para os pólos alguns dos calotes que temos conservado em investigações congeladas com todo o cuidado. Mas deixar de fazer praia em Outubro, e em breve Novembro e Dezembro, é que não.
