Força, força, companheiro Vasco

Há qualquer coisa na água do Porto que leva a serem tripeiros os mais pícaros autores da opinião publicada. Alguém podia estudar o assunto, não pode ser um acaso. É o que se passa com Vasco Graça Moura, um fanático e boçal cavaquista que ficou insano com a derrota de Ferreira Leite. Duas das suas últimas crónicas no DN, Mais do mesmo e Levar o mandato até ao fim, conseguem o feito de surpreender pela virulência e descontrolo num caceteiro inveterado, razão para terem o merecido destaque. Mas ficar encandeado pelo desvario emocional, que a prosa deliciosamente exprime, será perder o essencial que se oferece em bandeja: as entranhas da campanha negra.

A campanha negra é feita a partir de grupos económicos que perderam poder ao não conseguirem comprar Sócrates, por um lado, e a partir do estertor de uma geração decadente, a do cavaquismo. Assim, o que o Seven-up escreve desbocadamente corresponde, ipsis verbis, ao que se diz à porta fechada na Lapa e em Belém, locais onde há muito se trocou a realidade pela fantasia. Cercados por conjunturas internacionais assustadoras, e não conseguindo deter a erosão do valor político do PSD, estas pessoas fecharam-se na sala de pânico – também conhecida como Casa Civil. Daí tentaram a golpada, a qual teria sempre de começar com o afastamento de Sócrates. É até neste sentido que se pode interpretar a repetida acusação de ter Sócrates um projecto pessoal de poder – leia-se: como ele não alinhava nas jogadas das clientelas do PSD e fauna congénere, então era porque iria tentar comer o bolo sozinho. Sim, a hermenêutica da pulhice não é um exercício especialmente difícil, tamanha a previsibilidade dos interesses que se movem.


Estes dois textos do Graça Moura estão repletos de elementos castiços e obscenos. Nem sequer a marca fatal da demência, o culto nazi disfarçado de comparativo, faltou. E é confrangedor constatar como a forma e conteúdo da sua catilinária transcende as divisões partidárias e ideológicas, pois o mesmo exacto discurso, mutatis mutandis, poderia ser assinado por opinadores na área do PCP, do Bloco e até do PS. Na verdade, já o foi. Como se trata de um registo de ódio, tornou-se ubíquo desde que o Governo começou a governar para as reformas, desafiando as inércias e cumplicidades de um Portugal adiado. Qualquer merdas que não tenha onde cair morto, em resultado da missão que o Governo assumiu em nome da comunidade, acha que Sócrates é mentiroso, corrupto e incompetente – e os agitadores profissionais do PCP e BE manipularam com sucesso esse inevitável choque psicológico e social das reformas. O que não falta são cobardes que fizeram do ódio a Sócrates um paliativo para a sua decadência ou nulidade.

Quando o Vasco se bolça todo à nossa frente, dizendo que o povo é estúpido porque não votou na Manela, não estamos sequer perante um raciocínio. Até no PSD deve ter caído mal a imbecilidade de ofender o tal povo que lhes deu gloriosas vitórias nas Europeias e Autárquicas e ainda retirou a maioria aos socialistas bandidos. Mas quando ele se refere a Campos e Cunha, dizendo que foi despedido do Governo por ser competente, estamos face a uma subtil e inadvertida pista que terá obrigatoriamente de seguir-se para o entendimento do que se tem passado nos subterrâneos do poder à direita. De facto, Campos e Cunha é uma figura que merece mais atenção. Ele aparece a assinar a famigerada Tomada de Posição da SEDES, em Fevereiro de 2008, onde se encontra uma pré-inventona com o recurso à expressão do difuso mal-estar. Isoladamente, Campos e Cunha foi apenas um erro de casting no Governo PS em 2005. Mas tomado nas suas relações políticas e sociais, este passarão representa um grupo de oligarcas, os quais estavam a querer derrubar Sócrates. E porquê em Fevereiro de 2008? Porque nos finais de 2007 caíram dois pilares do sistema que os alimentava: BCP e BPN. As convulsões que ocorreram, e os receios que se antecipavam, explicam a aliança de Belém com a SONAE, de que o Público foi exuberante instrumento, já com caminho andado no assassinato de carácter. O primeiro semestre de 2008, o qual culminou com a manobra do bloqueio das transportadoras, foi um período onde se promoveu um ambiente catastrofista que tinha como finalidade fazer do Presidente da República o salvador da Pátria. Qual Açores, qual carapuça, o conflito entre Cavaco e Sócrates começa quando as figuras gradas do binómio banca-PSD se sentiram ameaçadas e perseguidas pelas autoridades, algures na viragem de 2007 para 2008. Como diz o outro: a senhora não é ingénua, eu também não.

E acaba nisto, o camarada Vasco a expelir patéticos intentos de injúria sem perceber que já não tem uma muralha de aço à sua volta. Está exposto e desasado.

17 thoughts on “Força, força, companheiro Vasco”

  1. Acabei de ler um texto que é duma clareza total.Está tudo lá escrito e bem fundamentado.É necessário que se saiba que nada do que aconteceu foi por acaso.O que vai acontecer não será igualmente por acaso.As portas devem ser abertas para que se veja com nitidez e todos devemos estar atentos.Obrigado Vaupi a higiene é indispensável para se ter boa saúde.

  2. Vasco Graça Moura é sectário, caceteiro, odiento até à apoplexia. Aquela boca cheia de dentes podres é o retrato da sua alma. Queria agora um lugar no governo de Manuela Ferreira Leite, derradeira hipótese para o sexagenário, mas lixou-se.

    O último intelectual que escreveu sobre política com tão pouca inteligência e tão cheio de gosma sectária foi, há 200 anos, José Agostinho de Macedo, um frade boémio e putanheiro, mas inimigo patológico do liberalismo triunfante.

    Tal como Macedo, que escreveu uma Censura dos Lusíadas, explicando onde é que o grande vate quinhentista tinha falhado e como se poderia melhorar a obra, também Graça Moura consertou a Divina Comédia, que Dante legou à posteridade cheia de imperfeições.

  3. Na vida quase todos passamos por duas fases, a meninice e a velhice. Na primeira somos vistos com bastante graça, na segunda a maioria é vista com desdém e pena. É o que sinto por Vasco Graça Moura

  4. Como é que se pode chamar POETA a um pulha deste calibre? É que, mesmo sem este post histórico do Val, eu, nós, alguns de nós, só de o ler/ouvir, eu, pelo menos, desligava-o de imediato e perguntava-me: – Como é esta pessoa pode ser poeta? Um poeta poderá ser tão… sectário, tão vil, tão “simplório” / uniforme, a expor as suas ideias SEMPRE cheias de ódio (o único argumento) ao adversário político rival?

  5. Como as são Val; Cavaco, com um simples escrito conseguiu demitir Santana. Agora, nem com conspiratas, nem com eleições, se consegue livrar de Sócrates.

  6. Sublime análise, Val.

    Podemos estar em desacordo quanto ao grau de inteligência e educação da Maitê, mas este texto é de antologia. Vai já ser difundido largamente, para acordar algumas mentes.

    Obrigada

  7. Não é comum ler o seu blog, mas passarei a ser “cliente”. Não poderia estar mais de acordo com um dos comentários, onde se diz, que “dissecou na perfeição um cadáver…”. Espero é que este texto se difunda o mais possível para que, ervas daninhas como é esse frustrado político, seja desmascarado, porque a sua grande “intelectualidade” faz com que tenha nojo do povo…

  8. Bem visto VAL.

    O que mais me enoja nos escarros jornalísticos do VGM é que o oportunista acusa o eleitorado de ter votado na situação porque mama no subsídio do Estado, quando o prestigiado vate há anos e anos que vive da têta pública: eurodeputado, deputado, comissário disto e daquilo, etc, etc… Tivesse que viver do que escreve, como os eus queridos amigos liberais defendem, e a coisa fiaria mais fino.

    Luís Vicente

  9. Caro Valupi! Gostei imenso deste descascar do loby psd/cavaco/banca!!!!
    Aliás, esta forma de actuar não é estranha a um outro loby, o das farmaceuticas/médicos da caixa que dirigiu o ataque a um dos melhores ministros do governo Socrates – O Dr. Correia de Campos. Não sei se recordam o que esteve na génese dos ataques de que foi vitima, sempre virados para o fecho de centros de saúde etc… Porventura alguém recorda que os ataques muitos deles encabeçados pelo PCP, se iniciaram em sequência da entrada em funcionamento no SNS de um sistema informático que detecta e identifica a que laboratórios pertencem os medicamentos receitados por cada um dos médicos!!!!… Curioso, não é!!! Coincidências !!???? Será que os senhores do Bloco e do PCP que cavalgaram a onde, sempre prontos a desmascarar estes golpes, nada sabiam!!???…
    .

  10. Grande post!

    Esta gente que assentou arraiais com o cavaquismo perdeu completamente as estribeiras com a derrota do passado 27 de Setembro.
    O Graça Moura deve estar cheio de saudades da cultura do Lara que fez da censura o slogan do seu cartão de visita. O saudosismo dá-lhe para estrebuchar.
    Hoje o Pacheco ainda mal tinha posto o cu na sua cadeira do hemiciclo e já se estava a queixar da falta de condições para trabalhar e da pressão populista que se fazia sentir neste parlamento. Porque será que já está a arranjar desculpas? E para quê?

    Este pessoal já não consegue disfarçar que este não é o país deles. O que será que nos reservarão e revelarão os próximos episódios? É bom que estejamos atentos porque vai haver muita movimentação nas principais confederações, associações e outras agremiações com relevância social durante os próximos meses. Vai valer a pena estar atento!

  11. Não posso concordar mais com todas as opiniões anteriores. O sr. Vasco “Desgraça” Moura e o guru da marmeleira não são flor que se cheire mas continuam a influenciar uma quantidade de pessoas que se deixam levar pelas suas tretas .Não sei o que veem neles, um é um poeta medíocre o outro um critico verrinoso e opinioso, ainda com resquicios dos seus tempos de camarada estalinista e paladino do poder “popular”. Como é que estas duas encomendas ainda andam por aí a botar palavra e a dar sentenças, a influenciar pessoas .Será que as pessoas não veem no que se estão a meter ao acreditar nas conversas destes dois abencerragens ? Só espero que as pessoas caiam em si e não embarquem nas cantigas destes dois.

  12. Depois das europeias legislativas e autarquicas

    para o BPN já
    rapidamente e em força!!!

    A cronologia de todas estas ultimas campanhas
    esta claramente (de)marcada pelas questões do BCP e depois BPN
    como bem dizes VAL…

    aliás, curioso,
    sempre com Cadilhe a tentar jogar a 10…

    Sonae PT, foi um mero aquecimento…

    Importante recuperar todos factos daquele tempo

    p.e. JCoimbra chefão do BPN
    e as “facadas nas costas” referidas por LFMenezes

    agora revividos no contexto da “encomenda” de FLima ao amigo JMF/publico

    Ja repararam PPC e creio LFM
    a abandalharem a tal de “asfixia”,

    bandeira da MFL,
    em nome de Cavacu
    com sintonia evidente dos “magistrados”???

    Ate recebeu com caracter de urgencia o tal de Palma
    ja nao me recordo, se com as “pressões” do JS sobre “aqueles”

    tudo a quadrar com dita asfixia…

    Coincidencia?
    Não… BPN!!!…

    abraço

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