The one-man show

Santana não sabe perder. As derrotas derrotam-no. Ora, quem não sabe perder também não sabe ganhar. E Santana tem mostrado isso ao longo da sua carreira. Uma carreira feita de simulacros: o de ser brilhante, de representar o espírito fundador de Sá Carneiro, de ser o futuro do PSD, de vir a ser o líder máximo em Portugal, de dar a volta a qualquer audiência assim que abre a boca, de resistir a qualquer desaire. Por isso, vê-lo a desculpar-se com asininas teorias de conspiração, repetir comentários acabadinhos de ouvir aos politólogos, fazer ele próprio de politólogo à maneira de Cavaco, invocar o apoio do Pacheco, lançar um ataque populista e bronco contra as sondagens e gozar com os lisboetas que votaram nele deixando no ar a possibilidade de assumir o cargo de vereador, é ver o sentido único da figurinha: eu, eu, eu.

Santana a trabalhar na Câmara, manhãs e tardes preocupado com Lisboa e seus cidadãos, procurando ajudar no que puder e dando um magnífico exemplo de responsabilidade e generosidade? Mas desde quando é que um artista prefere os bastidores ao palco? Neste momento, aposto que Santana já está a ser disputado pelas televisões. The show must go on e there’s no business like show business, etc.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.