Deixa derreter

Se é ao aquecimento global que tenho de agradecer a perfeição das condições balneares que Outubro está a oferecer aos ricos e aos desempregados, então concluo que as ameaças de catástrofes ecológicas não passam de propaganda dos invejosos. Desafio qualquer verdusco a descobrir danos climáticos nesta situação:

– Ausência de trânsito automóvel para chegar à praia, evitando-se o poluente pára-arranca.

– Abundância de lugares para arrumar o bólide, sem gasto de combustível à procura da sombra.

– Areal sem alterações ambientais resultantes da pressão demográfica.

– Ar com temperaturas na casa dos 30º em meados de Outubro, avesso ao movimento, sequer caricia de brisa.

– Água do mar limpa e quase tépida, sem algas nem ondulação perigosa.

– A certeza de não haver professores por perto, só pessoas de altos rendimentos e uma concepção epicurista do ser, mas ainda mais do estar.

Se é para a fruição destas experiências que as calotes estão a ser derretidas pelas fábricas dos chineses e pela produção de Magalhães, só vejo vantagens. E se for mesmo necessário, podemos enviar para os pólos alguns dos calotes que temos conservado em investigações congeladas com todo o cuidado. Mas deixar de fazer praia em Outubro, e em breve Novembro e Dezembro, é que não.

6 thoughts on “Deixa derreter”

  1. Parece que sim, os portugueses estão encantados com as alterações climáticas, aliás, ninguém fala disso. Quem é que quer saber das calotes, da poluição e de outras coisas desagradáveis com um tempo destes? Só se forem os donos das lojas de roupa.
    Setembro foi o mês mais seco das últimas décadas, em Outubro continuamos a ter o país em risco máximo de incêndio, mas ainda não morreu ninguém, portanto…
    Olha, os polacos e os outros que estão a ser fustigados por tempestades de neve e cheias e essas coisas catastróficas com direito a serem notícia no Mundo inteiro que se preocupem com as calotes.

  2. pois também acho, minha amada Natureza, e lá vou eu, mas é a butes e de mochila, e também para pensar se concordo que as saliências são sobretudo manifestações improváveis de formas pregnantes e se estas constituem um sema profundo, sensu Petitot. Quando estiver a nadar logo vejo.

    entretanto que engraçado, virou a esfera do avesso?

  3. Calotes? Isso são dívidas!!!!???????
    Então e os reformados?
    Neste Natal quero estar en Carcavelos, toalha na areia, prancha ao alto, cana na mão,barbatanas no dorso.Óculos escuros e bronzeador.
    Quem se vai derreter todo são os invejosos.

  4. o mar está delicioso, não há palavras, ondas cerinhas, e confirma-se que as formas pregnantes se manifestam em formas salientes mas é mais nas rochas,

    entretanto:

    eheh!

    bem, nadar cansa, etc. & xonex.

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