António Costa vintage

A seguir à decisão de ter abandonado o Governo para concorrer em Lisboa, o discurso de vitória nestas Autárquicas é o melhor momento na carreira de António Costa, para mim. Estava feliz. Orgulhoso, claro. Ou seja, embriagado de alegria. Revelou ter muito bom vinho, mantendo-se focado no essencial e sabiamente contido. Pose de Estado, mas descontraída. Castigador, mas não violento. Modo festina lente.

Enquanto no PSD se recorre invariavelmente ao truque de meter os putos da JSD – grupos que consistem tão-só nos excitados filhos dos dirigentes e amigos de ocasião – a berrar a cada 30 segundos, acreditando-se que chega para enganar o patego televisivo, no PS tal deboche não existe. Pelo contrário, sente-se um genuíno sentimento de realização colectiva nos momentos de celebração. Nesta noite, foi comovente a lembrança de Armando Rafael e Raul Solnado. E comoventes os cumprimentos a Roseta e Sá Fernandes, especialmente ao choramingas do Carlos do Carmo. Só faltou que Sócrates, o qual deixou todo o espaço livre para Costa brilhar, tivesse dado o abraço no palco onde se discursou e estava a equipa vencedora, em vez de ter sido dado depois de acabar o momento e quando a grande confusão já estava instalada. Todavia, essa falha só vem em abono de Sócrates e não fica em desabono de Costa. O PS tem mais o que fazer do que andar a brincar ao poder.

9 thoughts on “António Costa vintage

  1. é só para dizer ao Z que o nobel de economia foi para a menina Ostrom que sustenta com investigação que “tragédia dos comuns ” não é uma fatalidade inevitável. ah pois foi !

  2. obrigado Mf, ainda não li sobre isso, mas fico contente. As possibilidades em aberto são sempre mais enriquecedoras, embora mais trabalhosas, do que as fatalidades simplistas. E os baldios e as tradições comunitárias agradecem, imagino.

  3. Lisboa teve uma noite em grande. Teve demora, teve suspense, teve catarse final. Antes tinha tido palhaço rico no número “Abaixo as sondagens!”, com apelo santânico aos poderes constituídos para acabar com essa pouca vergonha. Gostei em especial do toque de happening que foi o momento em que o Zé Fernandes murmurou a notícia da maioria aos ouvidos de quem estava à boca da cena. Eu ouvi-a, como se ele a tivesse gritado. Olhei o meu computador: o MJ tinha acabado de exibir o resultado final, com as últimas freguesias, fatais para Santana: 9-7-1, maioria absoluta.

  4. há aqui uma coisa que tenho para fazer: eu queria dar os parabéns a José Socrates e outros pela enorme coragem de terem aprovado a limitação de três mandatos para os cargos políticos. Nem sei se isso se aplica a todos, por exemplo aos deputados, mas imagino que sim.

    Afrontou o sistema na sua medula: os tyranossauros e mesmo os brontossauros e outros devem ter rugido calados que sei lá.

    Entretanto este faz-se ao sumo, sumo de laranja. Terrível é esta coisa opus dei, com Papa e tudo, não esqueçam a matriz da direita que anda aí.

    Quanto às eleições: acho que no meio disto tudo correram bem, pela parte que me toca os objectivos principais para que o PS possa governar foram atingidos – foi o partido mais votado, ganhou 20 câmaras. Os ‘meus’ objectivos secundários como eleger a Ana Gomes e tirar umas maiorias absolutas não foram alcançados, mas ainda bem, quando acerto em tudo primeiro fico entediado e depois desconfiado. Ora faço votos que Portugal possa entrar em soluções criativas, integradoras, diversificadas, dinâmicas.

  5. Vai entrar, z. O primeiro ministro tem demonstrado estar disponível para isso.

    Criatividade é o que mais tem faltado a este país e concordo que a próxima governação tem que dar um passo importante em relação a isso.

    O Santana Lopes não ganhou. É bem bom para o nível de exigência de que este país tem falta.

    (pois, que as moedas têm duas faces :)

  6. vi o reportagem no jornal da tvi, e vi um grande Sócrates, fiquei pensando em que porque não saira a celebrar a vitoria co seu colega , quanto ele fiacava alí, e o feito de deixar o protagonismo ao Costa, e ir mais tarde pareceume um feito de grandeza, que iste homem sempre semelha mostrar.
    Z. sinto o de Ana Gomes, se é que não foi eleita.

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