Arquivo da Categoria: VISITAS ANTIGAS:

Aspirina Box #8

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Coisas novas na Box. Em primeiro lugar, há o belo e longo «He’s Simple, He’s Dumb, He’s The Pilot» dos Grandaddy, seguido de uma superior interpretação de Vinicius Cantuária da melhor canção do mundo. Para além de «Maryan» do indispensável Robert Wyatt (cujo novo Comicopera sai já em Outubro) e do muito estival «La Baie» de Etienne Daho, também coloquei o meu tema favorito dessa doida que é a Björk, o não menos belo «Feather by Feather» dos Smog e «La Cienega Just Smiled» de Ryan Adams (que aqui parece o Elton John antes deste ter começado a soar que nem aquele galo que canta desde 1919). Para terminar, há a Radio 1 Session de «London, Can You Wait?» dos Gene (um autêntico case-study: como é que uma banda tão medíocre conseguiu compor uma pérola destas?), «Smoke & Mirrors» dos The Magnetic Fields e Mark Kozelek a resgatar da sombra dos Genesis o tema «Follow You, Follow Me», o que prova, mais uma vez, as virtudes da reciclagem.

Desajeitados

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«Muitos intelectuais», escreveu Marguerite Duras, «são amantes desajeitados, tímidos, assustados, distraídos. Isso não me incomodava sempre que percebia que quando estavam longe de mim eles eram escritores igualmente distraídos do seu próprio corpo». E Pedro Mexia transcreve-o num artigo de ontem no «Ípsilon» («Ypsilon» tinha outra graça) do Público. Você não deitou fora, pois não?

«É uma bela expressão: “distraídos do seu próprio corpo”», prossegue Mexia. «Como se o corpo não fosse o corpo. Como se o corpo dos escritores fosse o seu texto e o corpo propriamente dito um facto vivido distraidamente».

E eram – dizia-se – uma classe invejável. Porque amantes, amantes, são mesmo os trolhas. Lentos, exactos, e duros.

Um panfleto no metro

«Ja não tens desculpa», repete com insistência o panfleto que me estendem à saída da estação do Metro da Baixa-Chiado. «Vem este Verão a Lusiberia e aproveita as vantagens», insiste o panfleto. Quando me estou a recompor do choque do «tu» ostensivo (porque «Ja não tens desculpa» é um «tu» mal escondido), apanho com três erros de ortografia: Ja por Já, Lusiberia por Lusibéria e Aquatico por Aquático.

Isto anda tudo ligado – dizia o poeta Eduardo Guerra Carneiro. No domingo passado José Saramago no Diário de Notícias falava da inevitabilidade da nossa integração em Espanha. Até fala de um parlamento igual ao da Catalunha; a criatura já tinha pensado em tudo. Integrado está ele, pois tem a vida controlada pela mulher e pelos cunhados que lhe filtram os passos e as chamadas telefónicas.

Dois dias depois de dar esta polémica entrevista a João Céu e Silva, Saramago casou-se em Espanha, numa cerimónia íntima. Pois. No dia seguinte, aparece-me este «Ja não tens desculpa» sem acento no «a», a convidar-me a ir até Badajoz gozar as delícias do Parque Aquático sem acento no «a», cujo dono se chama Lusibéria sem acento no «e».

Mas não vão tão longe como Saramago, que se fixava na Ibéria; eles chamam à empresa Lusibéria. Dito de outra maneira: não diluem a Lusitânia como pretende o Nobel 98. Embora não concorde com a ideia, Lusibéria (mesmo sem acento no «e») tem muito mais lógica que Ibéria.

Depois de ter feito desaparecer do livro os nomes das pessoas que lhe contaram as histórias do «Levantado do chão», Saramago propõe o desaparecimento do país e a sua diluição na grande Espanha. Sinto-me «atirado ao chão», mas vou arranjar forças para me levantar. É caso para dizer em bom português: Safa!

José do Carmo Francisco

Às portas de Beirute

Sob um céu sem cor onde o anil
se perde a procurar-se entre o assombro
e a terra chora o pão que aborta em sangue
na boca onde resistem orações
as crianças adormecem de mãos dadas.

Sem o sono sereno dos infantes
mas sim o dos horrores que as acalentam
pelas noites de gritos e destroços
das cidades fantasmas e dementes.

As crianças que juntas desconhecem
os brinquedos e as princesas dos castelos
mas que trocam entre si a descoberta
do fel que veste os corpos combatentes.

As crianças proibidas de sonhar
o longínquo retiro das estrelas
não o das balas que os corpos arrefecem
e colocam nos seus olhos as respostas
às perguntas que não sabem soletrar.

As crianças que respiram os segundos
no choro sufocado do seu medo
como se a dor infligida resgatasse
das horas o pavor do fumo espesso.

As crianças que juntas aguardam
não a dança do vento nos trigais
nem o perfume que se oferece nos lilases
mas apenas a certeza de acordarem
a madrugada que não sabem se amanhece.

As crianças que nascem e decoram
as partículas do lume e a silhueta
das aves de aço que silvam nos espaços
sobre os seus ninhos de mortos e de escombros.

As crianças condenadas que contestam
braços pendentes e lágrimas no rosto
que se fale de paz e que no Mundo
sob o peso deposto nos seus ombros
o Homem se recuse a ser poeta
quando todas as crianças são poemas.

Soledade Martinho Costa

Ainda mexe

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O nosso post Portugal: queremos ‘isto’?, de 19 de Abril de 2006, continua, passado mais de um ano, a ser comentado. Vai em 91 intervenções, algumas recentíssimas.

Pela mesma altura, lançámos aqui posts, vastamente comentados, como Líricos, pobres e ibéricos, de onde se tirou a ilustração acima, e ainda Ibéricos e levianos, a pretexto do ministro Lino, o tal.

Para lembrar que somos velhos nisto.

The tears you see on my face? You do have something to do with

É o que dá andar na corda bamba. Se a anterior colaboração de Mike Mills com os Blonde Redhead tinha dado origem a um magnífico vídeo, este novo, relativo ao belíssimo «The Dress», é um monumental fiasco. Apesar do conceito já ser, de si, razoavelmente horrível, nada nos prepara para o resultado final. Meninos e meninas, fasten your seatbelts para um dos piores telediscos de 2007.

Curiosamente, num registo despudorado, patético e pateta muito semelhante ao anterior, temos igualmente outra aberração a destruir «Encosta-te a mim», um tema muito razoável do novo disco do Jorge Palma. Que figurinhas tristes, caramba. A canção não merecia isto.

CARTA ABERTA A JOSÉ SARAMAGO

Do DIÁRIO DE NOTÍCIAS de hoje

Muy señor mío, Me perdonará Usted mi pobre castellano, pero desde anteayer me entero de la urgencia de praticarlo. Al “Diário de Notícias” de Lisboa predijo Usted esto: “Acabaremos por integrar-nos” en España. Preguntado por el periodista João Céu e Silva si nuestro país seria entonces “uma província de Espanha” (le sigo citando en nuestro antiguo idioma), Usted contestó: “Seria isso. Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla La Mancha e tínhamos Portugal”.

Claro, nos asegura, podremos conservar nuestra lengua, nuestras costumbres, y así mismo creo yo nuestro fado, pero (no lo dijo, uno entiende) nos gobernaría el jefe de estado madrileño del momento. Y aunque diga Usted que no es profeta, no hay que olvidar su proverbial modestia. En fin, para gente sencilla como yo, sus palabras son un caritativo aviso del destino.

Pues, señor, no y no. Usted, el más famoso de mis compatriotas, se permite en público unos juegos muy guapos de futurología. Pero se los guarde para sus libros, los cuales están perdiendo el suspense de antaño. Créame, el real futuro de un Portugal integrado en España lo conocemos ya muy de cerca. Está visible en la Galicia de hoy, donde la lengua dominante, y los derechos dominantes, y los partidos dominantes, son los de Madrid. Esto no es futurología, sino lo qué uno ve. Si quiere verlo.

No creo que sea su caso, Don José. Me contaran que, hace poco, visitó Usted Galicia invitado por el Pen Club. Le rogaran que hiciera su discurso en Portugués. Todos podrían entenderle, sin problema, si hablara en nuestra hermosa variedad de gallego. Usted – como otras veces ya en Galicia – recusó y habló en Español.

Muchas gracias en realidad. Ahora sabemos cómo hablarán, en la Provincia española de Portugal, los futuros traidores.

Fernando Venâncio
Amsterdam, 17 de Julio de 2007

Escrito na pedra

Falar de pátria tornou-se politicamente incorrecto, sendo provável levar com
um carimbo bolorento. Cumpre dizer que tal reacção só aumenta a urgência
de levantar Portugal do marasmo que já faz muitos preferirem o consumismo
espanhol à liberdade lusitana.

Valupi
18-VII-2007

Isto não pode ficar numa caixa de comentários.

Preparados para a loucura

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Há milhares, talvez milhões, de espanhóis que acham que enlouqucemos. Que estamos, crianças inconscientes, a brincar com o fogo. Percebe-se. A habituação à ideia de nos integrar-nos na Espanha torna a coisa plausível, quase óbvia.

O paradoxal, o perverso, é que a estúpida Lisboa centralista torna aceitável o sermos, já agora, um pouco mais centralizados. Centro por centro, mais vale um rico e poderoso, não é?

Mas quem pode, um segundo sequer, desejar-se numa Espanha em que metade vota num PP, onde, ao lado de gente inteligente e sadia, se acoita tudo quanto é fascista (o termo não é exagerado), ao ponto de determinar o rumo do partido? A malta não lê jornais? Ou os jornais não informam?

Talvez que, um dia, quem nos salve da loucura seja a própria Espanha, que não quererá ver-se a braços com mais uma região desestabilizadora dum conjunto, já de si, preso por arames (veja-se o que restou do Estatut catalão depois do banho madrileno). Portugal? No, gracias. Ah, grandes espanhóis!

O mundo começa (mesmo!) nas Escadinhas do Duque

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Para quem tenha a memória de um texto meu, no Aspirina, a anunciar um livro de Alexei Bueno que estava no prelo, texto acompanhado por uma foto magnífica que o Fernando Venâncio desencantou em boa hora para o blog, aqui fica a confirmação: o livro já saiu. O título é A árvore seca, a editora chama-se Bonecos Rebeldes e o posfácio é de Gil de Carvalho.

Sem mais conversa, fica o poema «Speculum patriae» para que todos descubram uma voz poética que no Brasil, hoje ele como ontem outros, faz parte do grupo de poetas que não hesita em chamar as coisas pelos seus nomes:

Um povo feio, essencialmente feio,
Fora os meio imigrantes. Cada dia
Uma outra humilhação que se anuncia
Um saque, um roubo, sem controle ou freio.

Uma horda de imbecis, de olho no alheio,
Cuja rapina é a única mestria
Pretensamente os donos da alegria
Da esperteza, da graça e Deus no meio.

Um pátio dos milagres de devotos
De tudo, irracionais, analfabetos,
A orar, a praguejar, a cumprir votos,

À espera do que os salve, em meio a insectos
A matar-se, a banhar-se nos esgotos
Das praias sem iguais, entre os dejectos.

recolhido por José do Carmo Francisco

Iberia según Don José

Era inevitável. Até o sisudo El País se péla por uma destas.

E há um inquérito: ¿Qué le parece unir España y Portugal, como dice Saramago?

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AZUL Estupendo, ganaríamos 10 millones de habitantes e igual tendríamos alguna opción en el Mundial de fútbol.
CINZA Fatal, a los portugueses les costó ser independientes y les va muy bien como están.
BEIGE Me da igual, pero pasar a llamarse “íberos” da grima.

Siga o desarollo da encuesta aqui. E divirta-se. Enquanto o Cristiano for nosso.

Divertimenti

Abro o Público ao meio. As páginas centrais oferecem-me sessenta factos sobre Camila Parker Bowles. Pergunto o que interessa isto? O interpelado responde: -Absolutamente nada. Por isso eu li do princípio ao fim.

susana