Arquivo da Categoria: VISITAS ANTIGAS:

Aspirina Box #9 (Primal Scream)

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Coisas novas na Box, desta vez dedicada em exclusivo à minha banda favorita de todos os tempos (versão Julho 2007): os Primal Scream. É uma pena que muita gente apenas os conheça devido a essa obra-prima que foi SCREAMADELICA (1991), sobretudo se tivermos em conta que foi depois da entrada do Mani, o ex-baixista dos The Stones Roses (vénia), que a banda conquistou o título da banda britânica mais relevante dos últimos 20 anos (que me perdoem os Massive Attack e os Radiohead). Resolvi assim elaborar uma pequena selecção de 10 temas que mostra que o enorme talento dos rapazes em géneros tão distintos como o acid-jazz, o dub, a pop, o rock, o ambient house e a música electrónica. Se um dia deus nosso senhor me conceder a graça de ver os meninos ao vivo, prometo passar a escrever a sua graça com letras maiúsculas. Ou ir a Pátima a fé.

«A Profecia de Saramago»

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No COURRIER INTERNACIONAL de hoje, o director Fernando Madrinha
publica o seguinte comentário.

«Ainda há pouco tivemos um ministro, por sinal com origem ideológica
idêntica à de José Saramago, a proclamar o seu iberismo. Agora, veio o
Nobel da Literatura profetizar, não pretendendo armar-se em profeta, que
Portugal acabará por integrar-se na Espanha. E que esta,
«provavelmente», pssará a chamar-se Iberia, como a companhia de aviação.
Saramago não explica como ocorrerá a integração – se por imposição de
Madrid, se a pedido dos portugueses, se por consenso ou osmose – mas,
interrogado sobre se Portugal passaria a ser uma província de Espanha,
responde: «Seria isso». Não precisa, pois, de dizer mais nada.

«Por natureza e definição, os profetas vêem mais longe do que o comum
dos mortais. Mas também acontece enganarem-se, ou, pelo menos, nunca
serem compreendidos. Pode ser o caso do nosso admirado Nobel. De
qualquer modo, esta não é a primeira ocasião, nem será a última,
decerto, que ele desce ao povoado, lança a sua provocaçãozita e deixa os
jornais a discuti-la, enquanto se recolhe ao sossego de Lanzarote,
talvez sorrindo de sarcasmo no seu íntimo. Ou de satisfação por ter-se
colocado outra vez no centro de uma polémica, ele que aprecia polémicas
e tem lucrado com elas – desde a censura de Sousa Lara, em que foi
vítima, até ao «Ensaio sobre a Lucidez», em que foi agente provocador.
Desta vez, houve em Espanha e noutros países até, quem se associasse à
discussão. Mas ninguém, por acaso, veio corroborar a sua leitura,
aplaudir a sua visão, concordar com o seu «projecto». Pior: ninguém o
levou muito a sério nem à sua profecia, o que não é bom para um grande
escritor que costuma gerir tão bem as suas intervenções e a sua imagem.

«Provocação ou «marketing» editorial, talvez ambas as coisas, estas
proclamações iberistas são daninhas e indesejáveis. Não por se recear
que alastrem ou desanimem os concidadãos mais duvidosos do seu
patriotismo, que sempre existiram. Apenas porque induzem em erro aqueles
que, não conhecendo os portugueses, passem a vê-los com o olhar
distorcido do Nobel; porque só ajudam a engordar o vírus da desconfiança
na relação entre os dois povos; e ainda porque, podendo promovê-lo e aos
seus livros em Espanha, rebaixam e diminuem muito o escritor em
Portugal. É pena, por Saramago. E muito triste que o nosso autor mais
celebrado seja tão azedo e displicente para com o país onde nasceu, a
ponto de não lhe importar que ele desapareça como Estado independente.»

Com um obrigado a Carlos Luna.

Os corvos de Blackheath Park

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Pelas cinco da tarde, quando a longa fila de carrinhos de bebé se dirige do portão do Greenwich Park para o interior do Bairro de Blackheath, uma nuvem de corvos vem colocar o negro nas margens do pequeno lago. É o mesmo negro das burcas de Hyde Park sempre em grupo e sempre seguidas por um homem discreto e silencioso mas presente. Ao mesmo tempo, no Museu da Cidade, ali paredes-meias com a Catedral de São Paulo, dois brasileiros começam a fechar o café e a arrumar as cadeiras. Mesmo ao lado, numa sala do Museu, repousa numa bancada o livro gigante com as biografias inacabadas de todos os mortos do dia 11 de Julho de 2005.

Duas semanas antes o meu filho passou durante cinco dias por aquela mesma escada da estação de King´s Cross àquela mesma hora. Foi quando frequentou a British Library à procura de elementos sobre o Marquês de Alorna (vice-rei da Índia) para a sua tese de mestrado. Embora não pareça, o sorriso do primeiro-ministro que decidiu a invasão do Iraque em função de uma mentira fabricada (armas de destruição massiva) é tão negro como os corvos de Blackheath Park. E tão negro como as burcas de Hyde Park. E como o livro do Museu da Cidade, cheio de biografias inacabadas de jovens que não queriam morrer.

Quando os dois brasileiros fecham o café e arrumam as cadeiras, quando os visitantes começam a sair, o livro dos mortos fica imóvel sobre a sua bancada na sala cheia de silêncio. Tão imóvel como os mortos que eram jovens e não queriam morrer naquela escada da estação de King´s Cross, naquela amanhã de Julho.

José do Carmo Francisco

o nariz dos outros

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Décadas depois de os olhos orientais investirem na cirurgia estética e encomendarem incisões que os tornassem redondos, cabe ao Irão o florescimento do negócio, em busca da imagem de Hollywood. Por razões de indumentária nas mulheres, a mudança é procurada nas partes visíveis, das quais o nariz recolhe a preferência. Narizes mais pequenos, finos e arrebitados são a grande ambição, dizendo-se que o nariz iraniano tende a ser grande e adunco.
Escassas vozes se levantam, proclamando ser esta busca de padrões ideais de beleza uma contaminação da cultura ocidental, obcecada com a imagem. As autoridades religiosas não se pronunciaram, e o cirurgião com maior fila de espera defende que Alá há-de aprovar a acção em benefício da beleza. A moda tanto pegou, que um nariz coberto de adesivos se tornou um adereço fashion. Há até raparigas a cobrir o nariz com um penso sem terem feito a operação, que custa cerca de mil e quinhentos dólares. E, assim, vão para a escola mais bonitas.
De um nariz proeminente e aquilino dizia-se um nariz com raça. Sem miscigenação, faz-se o nivelamento dos rostos.

susana

Conversa de café

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«O homem, pá, tem gosto naquilo. O gajo anterior também, claro. Mas tinha de dizer isso prá gente ver. Este, não. Entra pelos olhos que ele grama o ofício. Se calhar é até por isso que se
vai saindo… bom, assim. Tás a ver?».

Depois de ter visto a entrevista na Sic.

A pedido de várias famílias, foi-se ouvir melhor o registo. Mas as conversas de café são muito enigmáticas.

clareiras

Olharmos a linguagem do corpo como recomenda José Gil. Meta-linguagem que chega a ter códigos; flutuantes, culturais, icónicos. Mas não é só isso. Dizes. No que dizes está o teu pensamento, mas só és inteiro no pensamento de alguém. No teu és apenas muito pouco de ti.
Se te olho, te vejo, ganho o gesto. Revelação tua e no que te trai. Louise Bourgeois explicava, numa entrevista, como se equilibrava o domínio discursivo da jornalista com tudo aquilo que ela mesma captava e transmitia através da visão e respectiva cultura.
Ele falava comigo. Observava o movimento das bochechas, os olhos sem se atreverem a fixar-se em mim. As mãos dele agitavam-se, esfregou a face, nervoso. Eu descrevia para mim e pensava como tudo o que acontece é diferente do imaginável. Dizia ser eu aquela em quem pensava quando via uma nuvem e eu perguntava-me como podia ele confundir todas as nuvens que eram só tuas.
A acção tinha qualquer coisa incaracterística da vigília. Assistia como se inevitável, sem decisões. E havia ainda a ausência de tempo. Como um narrador externo, falava sempre contigo. E isto? Não é linguagem. Não sei o que vale. Valor talvez nem seja, valendo tudo para mim.
O teu rosto, sempre o teu rosto. E então entraste-me devagar e ficaste quieto a crescer. A encher-me as medidas. Não quero vir-me, guardo a tesão. Não sei o que seja. Mas vale um gesto.

A pista da ilha Caravela

Aqui há trinta anos, no dia em que os ecos da mudança começaram a alastrar pela Guiné adentro, numa espécie de maré enchente que as notícias da BBC traziam lá de longe, logo um vento de esperança agitou os corações cansados daquela gente toda. Pois se é da liberdade que estamos a falar, quem é que vai agora chegar fogo às peças e aos canhões? Parecia pertinente a questão.
Já há muito tempo que nada se mexia no teatro, a não ser os aviões e os caranguejos cegos, que trotavam nas bolanhas durante a maré vaza. Mesmo assim, eram sempre com pezinhos de lã que o faziam, não fosse algum diabo tecê-las. E demónios tecedores era o que não faltava, a animar aquela paisagem. Que o diga o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, que tinha na secretária da Avenida da Liberdade nove requerimentos de pilotos aviadores, a pedirem dispensa de o ser. Aguardavam punição exemplar.
E foi assim, lembro-me como se fosse ontem, que o último bombardeamento aéreo aconteceu ao final da manhã do dia 9 de Maio. Lá fomos em voo rasante até ao objectivo, a encaixar na coluna a pancadaria inclemente da turbulência, seguia eu a asa do coronel comandante, um velho homem excelente, com o rabo mais calejado que um chimpanzé do mato. Do objectivo ergueram-se três cogumelos de fumarada negra. E depois disso não se voltou a ouvir por ali o estrondear dos canhões do império, suponho que se calaram de cansaço. Ou de velhice.
O tempo trouxe, aos poucos, a confirmação do que se vinha cogitando. Pois se é da liberdade que estamos a falar, quem vai agora chegar fogo às peças e aos canhões? E viu-se claramente que a guerra era acabada, quando começaram a passar ao largo, de gurupés apontado a casa, rebanhos de caravelas roídas pelos búzios, a adornar de fantasmas de almirantes de barbas e conquistadores zarolhos, de destroços de piratas e negreiros, de missionários comidos pelos cafres, de donatários cúpidos, de exploradores de sertões, e dos vagamundos de que falavam os livros antigos. Perante tais evidências não havia que duvidar, a guerra era passado.
De forma que alguém começou a pensar no melhor modo de trazer para casa os aviões, nem todos eram sucata centenária. Maneira expedita era fazê-lo saltitando, África acima, com a primeira escala na ilha do Sal. Quem dobrara, descendo, tantos bojadores, melhor os dobraria, já subindo. O problema eram as oitocentas milhas sobre o mar, e a garantia de passar por cima delas sem molhar os pés. De modo que se resolveu tirar a coisa a limpo, e fazer o teste definitivo da autonomia dos aviões, com carga máxima de combustível, à máxima altitude utilizável, que eram treze mil e quinhentos metros.
E lá fui eu atrás do coronel comandante, o tal velho homem excelente de quem já se falou. Parecíamos dois sísifos condenados, até chegar aos quarenta mil pés. E por lá andámos a desenhar no ar triângulos minúsculos, a tropeçar em fronteiras, ainda agora esbarrámos no Senegal e já estamos à vertical da linha de Conakri, só o vasto mar dos Bijagós é que nos dava um pouco mais de folga.
Gorou-se, porém, a prova real do exercício. Pois que, a dada altura, sobressaltaram o chefe as estranhas cabriolas que o meu avião se pôs a desenhar. Desabituado de tamanhas alturas, o regulador automático começara a cortar-me o oxigénio da máscara. Como se nada fosse comigo, eu fui perdendo o controle do avião, mais tarde era a visão que já me ia falecendo. E foi o grande saber do velho comandante que o levou a colar-se atrás de mim, a ditar-me procedimentos que eu reproduzia em gestos desconexos, a conduzir-me à entrada da pista que eu já não descortinava, e a mandar-me despejar no asfalto a passarola, que acabou rebocada à mão para o estacionamento.
Tínhamos passado entretanto sobre a ilha Caravela, a norte dos Bijagós, naquele estranho exercício de bilhar às três tabelas. E eu tinha visto, no meio duma vastidão de coqueiros, uma enorme faixa de macadame, que me pareceu uma pista de aviões. Algum tempo mais tarde, pois que o tempo disponível tinha passado a ser muito, consegui o acordo dum piloto de helicópteros para o passeio turístico. Levámos connosco um jovem alferes médico, aterrámos numa praia semeada de bolas de nafta escura, e logo um grupo de negras primitivas apareceu a saudar-nos, entre risadas tímidas. Vestiam tangas de ráfia pré-históricas, que eu só conhecia das gravuras da etnografia ultramarina, e ali mesmo nos deram a admirar os peitos do império, assim abertamente expostos à carícia do sol, um deles apresentava um nódulo visível, que o jovem médico logo aproveitou para diagnosticar. E a pista enorme lá estava, enigma rectilíneo e vastíssimo, o piso ainda irregular, de macadame não compactado.
Ficou-me sempre vivo este mistério, que não se decifrou em trinta anos. Nunca ouvi uma palavra sobre ela. E a minha primeira explicação foi que um governador previdente pensou nela como garantia de retaguarda. Viessem as tropas a ser empurradas para o mar, às mãos do inimigo ou às dos políticos dementes de Lisboa, e ali achariam refúgio seguro.
Até que tropecei há tempos na chave do enigma, quando vi num jornal um par de onagros bem falantes, a escoicinhar contra a descolonização criminosa. Se colónias ainda houvesse, compravam eles por bom preço umas divisas de furriel amanuense, para não irem comandar em Madina do Boé uma companhia de atiradores. E pois que colónias já não há, por força as retomarão, para virem depois a descolonizá-las sem crime.
São os pais da Pátria em versão pós-moderna. E já têm na ilha Caravela uma testa de ponte. A Pátria, essa, está ansiosa por lhes inscrever o nome na parede do forte do Bom Sucesso, ali ao lado da Torre de Belém. Sendo para quem é, há-de arranjar-se um espaço disponível. Talvez assim, calados os canhões, se venham a calar, também, as bestas.

Jorge Carvalheira

Pungentómetro

A Valupi

Muito antes de procurar, num texto, o que lá não está, é obrigatório ler nele o que lá está. Explicitamente.
Invadi-lo de subjectividade é enviesá-lo. É abusá-lo. É ver nele um outro que não existe.
A contenção e o pudor dum texto fazem-no contido e recatado. Pode ser belíssimo, carregado de intenção, mas não é pungente.
Só ao autor cabe medir a pungência que quer presente na obra. Por isso não há pungentómetros
no mercado. Tudo o resto são oportunismos de leitor.

Jorge Carvalheira

Quem é aquela mulé?

A Susana anda a armar-se. É óbvio que o seu último post é uma vil intromissão no pelourinho que me foi atribuído na última Assembleia Geral do Aspirina B que teve lugar na piscina da Soledade (marcaram presença o Valupi, o Fernando, a Susana, a Soledade e mais uma centena de heterónimos muito giros que falavam todos da mesma maneira e que diziam todos muito bem uns dos outros). Isto, como é óbvio, irá ter consequências graves no regular funcionamento deste blogue em putefracto estado de HTMLização. Para já, para além de aqui anunciar publicamente que fui EU quem mostrou pela primeira vez à Susaninha a genialidade dos Buraka Som Sistema, deixo aqui o vídeo de «Wawaba» que, não por acaso, é há mais de meio-ano o toque do meu telemóvel. Tipo picolê.

Mastrados

A senhora mastrada é mulher do senhor Roxo e tem um sindicato. Mal se lhe compreende um homem desta cor, talvez por isso tenha um sindicato. Mas adiante.
O senhor Roxo está em prisão preventiva, será por muito ir à missa, um dia algum juiz decidirá. O facto é que, sendo a mulher do Roxo, a senhora mastrada teve em casa um mandato de busca, que um desembargador qualquer determinou. Do desembargador não sabemos mais nada. Apenas que desembarga e determina mandatos, o que já não é pouco. E os oficiais lá foram.
A senhora mastrada concedeu ser mulher do senhor Roxo, e até lhes mostrou o sindicato que lá tinha. Mas não era bem isso que eles queriam saber. Porém do que buscaram não se falará aqui, por estar em segredo de justiça.
Sucede, porém, que a senhora mastrada, ou por ter um sindicato, ou por ser mulher do Roxo, não pode sofrer em casa um mandato qualquer, assim do pé para a mão. Mormente sem a presença dum mastrado do conselho superior, capaz de validar-lhe a diligência. A ver se os oficiais dão o bom dia, ou se pedem licença para revistar a alcova, ou desencravar à senhora mastrada uma gaveta renitente.
Sucedeu não estar presente o tal mastrado. Que o desembargador mandante do mandato se esqueceu de avisar o conselho superior das intenções da busca. E assim foi anulada a diligência, não por quaisquer razões substantivas, que se guardam em segredo de justiça, mas por este claro e insuportável vício da falta de memória dum desembargador. Até os códigos ficavam a sangrar, se alguma coisa transitasse em julgado.
Quando eu for grande, já sei o que fazer. Poderei dispensar um senhor Roxo, mas não vou abdicar de ser mastrado, e ter um sindicato. E hei-de aconselhar os meus vizinhos todos a esfolharem os códigos e a fazerem-se juízes. Ou até desembargadores, a ver se desembargam isto tudo.

Jorge Carvalheira

Este avisa. É amigo

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Na caixa de comentários da «Carta Aberta a José Saramago», a conversa continua. A última intervenção do comentador «MIRO» é do maior interesse. Dela destacamos:

«Acho que os iberistas portugueses têm uma visão muito idílica das Autonomias espanholas. Saiba você que as autonomias não têm direito de se separar do Estado, nem de chegar acordos com outros Estados, nem sequer de se unir a outras Autonomias. Saiba que nas ordenanças militares espanholas, fruto do fascismo, existe uma clausula chamada “supuesto anticonstitucional máximo”, que vem dizer que se houver o risco de que qualquer pedaço de Espanha, qualquer, se separa-se da Espanha, o exército estaria legitimado para evita-lo, desobedecendo incluso a ordens do presidente e do parlamento. Saiba também, questão esta não trivial, que a mais alta autoridade militar é o Rei.

«Para além disso, o peso relativo dos partidos nacionalistas “periféricos” no Governo no Estado está também claramente sobrevalorizado em Portugal. De facto, o PP espanhol tem intenção de rematar de vez com a influência das forças “minoritárias” instaurando um sistema a dupla volta, como o francês. Se o tal projecto chegar a se consumar, e chegará, tão logo como o PP obtiver uma maioria absoluta, o peso político duma hipotética Comunidade Autónoma de Portugal (CAP) no Reino de Espanha seria zero. Aí Portugal diria, não, não, assim não jogo, voltamos ao de antes, e o exército espanhol teria o direito de intervir unilateralmente sem escutar o Parlamento para evitar a ruptura da “pátria”.»

MIRO

Leia mais aqui.

Fala do roupeiro Vítor Sério em 1997

Sou eu que tenho a chave deste espaço
Onde guardo os sonhos mais fagueiros
De quem faz desta equipa um abraço
Num mundo de caminhos traiçoeiros

Nas vitórias o vendaval é de euforia
Nas derrotas chuva de palavras feias
Custam como o duche de água fria
Ao lado das camisolas e das meias

Pela minha parte tenho a psicologia
Do resgate da sua tristeza neste lugar
Lembrando que amanhã é outro dia
E no sábado há outro jogo para jogar

Depois é um quadrado de marmelada
À espera que ele vá activar a insulina
Para que a equipa não fique cansada
E viva os sonhos fechados na cabina

José do Carmo Francisco

Retrato público

Não faço a mínima ideia de quem é ele, o poeta. Digo mais, com a comodidade da ignorância: se soubesse quem é, sentir-me-ia mais incomodado ainda, tão impiedoso é o retrato. E tão impiedoso que, mesmo que o soubéssemos inventado, continuaria a incomodar.

São assim os retratos, todos os retratos, de J. Rentes de Carvalho. E eu posso dizê-lo, que já tive
de me reconhecer num. Só não consegui (há destas sortes) inspirar-lhe a qualidade deste.