clareiras

Olharmos a linguagem do corpo como recomenda José Gil. Meta-linguagem que chega a ter códigos; flutuantes, culturais, icónicos. Mas não é só isso. Dizes. No que dizes está o teu pensamento, mas só és inteiro no pensamento de alguém. No teu és apenas muito pouco de ti.
Se te olho, te vejo, ganho o gesto. Revelação tua e no que te trai. Louise Bourgeois explicava, numa entrevista, como se equilibrava o domínio discursivo da jornalista com tudo aquilo que ela mesma captava e transmitia através da visão e respectiva cultura.
Ele falava comigo. Observava o movimento das bochechas, os olhos sem se atreverem a fixar-se em mim. As mãos dele agitavam-se, esfregou a face, nervoso. Eu descrevia para mim e pensava como tudo o que acontece é diferente do imaginável. Dizia ser eu aquela em quem pensava quando via uma nuvem e eu perguntava-me como podia ele confundir todas as nuvens que eram só tuas.
A acção tinha qualquer coisa incaracterística da vigília. Assistia como se inevitável, sem decisões. E havia ainda a ausência de tempo. Como um narrador externo, falava sempre contigo. E isto? Não é linguagem. Não sei o que vale. Valor talvez nem seja, valendo tudo para mim.
O teu rosto, sempre o teu rosto. E então entraste-me devagar e ficaste quieto a crescer. A encher-me as medidas. Não quero vir-me, guardo a tesão. Não sei o que seja. Mas vale um gesto.

23 thoughts on “clareiras”

  1. vou lendo debaixo para cima: paulo portas, manuel alegre, o caso charrua …!?… ora aqui está uma boa aragem neste blog foxtrotter, perdão, fossofter

  2. Eufigénio? És tu? Bons olhos te vejam pá! Está tudo nice contigo?

    (A Susana, de facto, é a única coisa que se aproveita neste blogue: eu sou uma besta, o meu primo Valupi é um inane e o Venâncio é um inconsequente. Foi uma bela jogada nossa termos contratado a Susaninha, não foi? Ah, e ficamos com a piscina da Soledade, que tem muita pinta.)

  3. ’tás bem JPC? pronto, tu também és uma bela aragem aqui.

    (agora disso de soledades, piscinas, IP’s e comentadores surrealistas é que não percebo nada, e curiosamente não faço tensões de entender. eu nesta altura é mesmo mais praia)

    não devias ter desmascarado o meu nickname. estava aqui com um heterónimo que pretendia, com o evoluir dos comentários, enaltecer a ortografia do comentário do “Zé”

  4. (mas a susana não é a que tem uma irmã troll que ameaça distribuir galhetas por toda a gente? também não há-de ter bons genes)

  5. Eufigénio: fazer parte do Asprina B é uma experiência absolutamente iniciática: faz baixar os níveis de glicemia, aumenta os níveis de enforfina e, claro, é do mais hilariante que há porque temos os melhores comentadores do mundo: são genuinamente caceteiros e alguns deles até conseguem ter razão (um gajo nunca admite isso, claro, e é um verdadeiro desafio arranjar argumentos falaciosos para desarmar essa malta). E depois, ainda dá para treinar o vernáculo e a arte do insulto. Um verdadeiro programa para uma vida activa e saudável, é o que é. As galhetas da catarina são um extra muito bem-vindo é claro.

  6. Zé,
    Já viste? Muito mais soft, a prima da prima.

    Vulpes,
    Ficaste bem na foto.

    Anonymous,
    Obrigada por providenciares um link de tão difícil acesso.

    João Pedro,
    Essa de sonegarem a piscina é de um insuportável machismo.

    Eufigénio,
    O teu primo já aí esteve.

    Zé, as galhetas não são para toda a gente, a Catarina é muito selectiva.

    Catarina,
    Foram umas galhetas finas e estaladiças, aposto.

  7. JPC,
    Há muito tempo que ninguem dizia no aspirina umas verdades tão verdadeiras como as que disseste. Porque vocês com o treino da arte do insulto, já começam a ser tão patéticos…
    Claro que nunca o admitirão, mas tambám não é minha função fazer com que o façam.
    Insulto; vexame; falta de seriedade e meninos grandes a mais parecerem putos, há de tudo.
    Divirtam-se!

  8. JPC,
    Vou apresentar a sua candidatura a duas escolas: Uma de boas maneiras e educação, que lhe devem ter faltado quando era miúdo. Outra na “Fábrica de Escrita” a ver se ainda vai a tempo de aprender a escrever condignamente.
    Conhece a “Fábrica de Escrita”? Ou a sua ignância irá a ponto de não conhecer uma nem outra?!

  9. Tenho idade para ainda seguir os conselhos da minha mãezinha: não dar grandes confias a anónimos, sobretudo se fizerem perguntas pessoais e não perceberem as vicissitudes do HTML. Palerma palerma palerma palerma.

  10. Inigma: tens aí um problema de confronto de personalidades. Houve aí um momento (belo e banhado pelo luar) em que quase quase gostou de mim. Depois, bastou-lhe 4 minutos para dizer que metia dó e resolver ir dormir. Como é que conhece tão bem a minha vida sentimental?

    IP1: oh, you’re just saying that…

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