Retrato público

Não faço a mínima ideia de quem é ele, o poeta. Digo mais, com a comodidade da ignorância: se soubesse quem é, sentir-me-ia mais incomodado ainda, tão impiedoso é o retrato. E tão impiedoso que, mesmo que o soubéssemos inventado, continuaria a incomodar.

São assim os retratos, todos os retratos, de J. Rentes de Carvalho. E eu posso dizê-lo, que já tive
de me reconhecer num. Só não consegui (há destas sortes) inspirar-lhe a qualidade deste.

20 thoughts on “Retrato público”

  1. Só quem não conhece J. Rentes de Carvalho fala assim. Ou quem o conhece e é mau perdedor, chame-se o que se quiser. Também sei que ou o meu comentário não aparecerá ou será tão azedo no seu de volta que muita gente irá bater palmas.
    Mas não tem importância nenhuma, porque não deixarei de lhe dizer que é lamentável que seja tão faccioso e arrogante.
    Ninguém lhe fará provavelmente nenhum comentário porque infelizmente poucos portugueses conhecem a obra de J. Rentes de Carvalho (a maioria das suas publicações é feita na Holanda) e também porque estão no “post” do FV. Há que sermos contidos e moderados, caso contrário podemos deixar de aparecer e estar na ribalta.
    ~”Não faço a mínima ideia de quem é ele, o poeta”. Não faz mesmo?!

  2. Ana Cardinal,

    Se sugere que sabe «quem» foi o poeta retratado, porque deixa a coisa tão misteriosa? É porque não acredita que eu, sinceramente, não sei? É porque pensa que eu tinha obrigação de saber? Se for isto, porque teria eu essa obrigação?

    E a sério, Ana. Eu não posso estar sempre a dizer que publiquei sobre Rentes de Carvalho, no «Expresso» (e também aqui no Aspirina), coisas muito bonitas, e muito justas.

  3. Fernando Venâncio,
    Primeiramente e em definitivo, não entro nos jogos de mexeriquice e comentários sem conteúdo algum, como tem assiduamente acontecido por aqui. Mas isso não é problema meu. Só o é quando tocam nos meus amigos.
    V. Muitas vezes é abertamente sarcástico e cínico, como também o sabe
    ser dum modo subtil e até agradável. E justo. Suponho que é assim que deva ser um crítico literário.
    Sei que já escreveu coisas muito bonitas sobre Rentes de Carvalho, mas esta foi uma espécie de vingança e por isso desafio-o a que nos mostre o retrato que ele fez de si.
    Quanto ao poeta, FV, estava mesmo à espera que lhe fosse dar aqui o nome?!

  4. Ana Cardinal,

    «Jogos de mexeriquice» no Aspirina? Pois, que dizer? Metemo-nos com o mundo, é um facto. Corremos o risco – que nos dá um gozo danado – de passarmos, a olhos desatentos, por mexeriqueiros.

    «Comentários sem conteúdo algum»? Ah, Ana, se nós pudéssemos escolher os nossos comentadores!

    «Vingança» minha? Do escritor J. Rentes de Carvalho? Você não está em si, senhora.

    «Estava mesmo à espera que lhe fosse dar aqui o nome?» Ah, que ternura! Além de não acreditar na minha ignorância (sim, eu só gostei francamente do retrato, adequado ou não, falso ou não), reconhece que sabe o nome do bacano (o que me deixa perplexo: não conheço a Ana, mas sei que conhece muito mais mundo do que eu).

    «Só… quando tocam nos meus amigos». É amiga de quem: do autor do retrato, ou do poeta retratado?

  5. isto é engraçado. porque eu não vejo no texto do fernando qualquer agulhinha espetada no autor do retrato, só admiração.

  6. Ana,

    É amiga do autor dos retratos. Pode, pois, pedir-lhe o meu.

    Susana, antes de ires para a sesta.

    O crítico António Guerreiro escreveu, há uns bons anos, no Expresso (cito de cor): «Às vezes, o pior que tem um escritor são os amigos».

  7. ana, não tenho sono. (e a menina irrita-se com pouco.)

    fernando, de qualquer modo há amigos e amigos. uns são nossos amigos, dos outros somos nós amigos.

  8. Sem ter nada a ver com o caso, apenas para arrumar questões dando por findos quaisquer diálogos.

    De facto pedi desculpa por ter pensado que a teoria da cabala por causa do Paulo Pedroso era tua.

    E confundi a pequena crítica do Rainha (em comentário) falando do tal exemplo do tal exemplo do animal que se sacrifica no rio para os outros passarem. Mas confundi por outra razão que, essa sim, nem me lembrava. O post não era do Zé Mário- era teu. Como itálico. A grande teoria da cabala foste tu quem a enviou da Holanda- em 2 postes, em cima do acontecimento- com a isenção de quem nem da actividade da lei conhece- com literatura facciosa, branqueando em cima da hora.

    Não me arrependo de te ter pedido desculpa. E acredito que não te lembrasses de tão pequeno comentário que, de facto, como dizias, era do Luis Rainha- estranho sim que nem te recordasses que era isto que já pensavas na altura.
    http://www.blog-de-esquerda.blogspot.com/2003_05_18_archive.html#94758492#94758492

    http://www.blog-de-esquerda.blogspot.com/2003_05_18_archive.html#94751890#94751890

    http://www.blog-de-esquerda.blogspot.com/2003_05_18_archive.html#94758492#94758492

    e nos comentários

    http://comments.enetation.co.uk/comments.php?user=blog_de_esquerda&commentid=94758492&usersite=http://www.blog-de-esquerda.blogspot.com/2003_05_18_archive.html#94758492#94758492
    ……….

    Não, não estou à espera de justificação nem sequer de teres aceite os meus pedidos de desculpa.

    É só para avivar memórias selectivas.

    E para ficar bem claro que não me enganei, no que toca à questão de fundo. Até a pensei menor. Foi mesmo assim- em post- duplo- a cabalinha para defender um acusaado de pedofilia- e os putos ranhosos que se lixem, hão-de estar a mentir mesmo que eu não saiba nada.

  9. Fernando Venâncio, Para encerrarmos o assunto: Na generalidade as pessoas são todas iguais, umas mais outras menos, umas cobardolas e V. não é excepção. Agride porque não tem coragem suficiente para colocar o seu retrato. Ah, Fernando sejamos honestos uma vez na vida e não brinquemos com as palavras que são coisas sérias.

  10. “Ah, Fernando sejamos honestos uma vez na vida e não brinquemos com as palavras que são coisas sérias.”

    Provavelmente o elogio mais subtil já mais feito a um linguista.

  11. Por ele não me custaria pôr as mãos no fogo. É homem decente, leal, dedicado, com sobejas provas de altruísmo. Pela sua inteligência e cultura merece o predicado de superior, e sabemo-lo também sensível, cuidadoso, pontual.
    Uma nuvem ensombra estes belos e excepcionais predicados: a da sua extrema curiosidade. Não suporta o não saber, não estar ao corrente, enfurece-o que nos esqueçamos de o informar de um projecto que iniciámos ou de uma relação que contraímos. É obrigatório pô-lo a par dos nossos planos, descrever com minúcia alguém que encontrámos, de quem ele quererá saber o nome, a morada, a posição, o número de telefone, o e-mail. E não se lhe negue ou esqueça algum desses dados, porque daí resultará amuo ou zanga duradoura.
    É certo que não há rosa sem senão, mas certos traços de carácter são difíceis de suportar, sobretudo naqueles que quase nos parecem perfeitos.

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