Escrito na pedra

Falar de pátria tornou-se politicamente incorrecto, sendo provável levar com
um carimbo bolorento. Cumpre dizer que tal reacção só aumenta a urgência
de levantar Portugal do marasmo que já faz muitos preferirem o consumismo
espanhol à liberdade lusitana.

Valupi
18-VII-2007

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30 thoughts on “Escrito na pedra”

  1. Deixa-te de tretas Fernando.O 1640 foi um erro. Estamos muito melhor com os espanhóis. “Pátria” é um termo usado pelos bimbos!

  2. A ideia que está por detrás de “pátria” é uma boa ideia e que é útil e eficaz. Infelizmente, como acontece com outras palavras e conceitos, tende a ser desvalorizada pelas gerações mais recentes, que não precisaram ainda de a usar para salvar o seu belo coirinho.. Talvez um dia venha a ser necessária outra vez, mas pelas piores razões, como geralmente acontece. A malta devia ter mais atenção.

  3. é verdade, chinquilho. que queres, nem todas as susanas podem ser como eu…

    havendo até boas razões para lá das económicas (recursos hídricos, por exemplo), não compreendo como pode não se ver que os males perdurariam (a eventual corrupção continuaria a vigorar nos poderes locais) sem que as vantagens nos compensassem da perda de identidade.
    mas é típico. constata-se, quando se está fora, que as outras nacionalidades são orgulhosas, adoram encontrar-se como se em diáspora, enquanto os portugueses dizem «chiu, está ali outro português. não te reveles; que vergonha!». uma vergonha, sim.

  4. Fernando, a minha pátria é o galego (?) (não foste à Pastelaria dizer-me como se dizia «Em Serralves fala-se Galego?», tinha ficado a saber mais coisas)
    Susana, há muitos anos li um livro da Natália Correia que acho que se chamava assim. Mas não sei se com a mátria ficávamos melhor serviços
    eu cá sou da borda d’água e é como diziam de nós (ainda não há muito tempo): alentejanos, algarvios e cães de caça é tudo da mesma raça. e ainda há pouco (há cerca de 5 minutos) encontrei está pérola na web: «Eu sei que no Algarve falam Português mas é so isso, a nivel de sangue temos diferenças. E nem é preciso analisar o sangue, quem tiver olhos na cara vê diferenças. Não permitirei que os meus descendentes se casem com Algarvios. Para mim são um grupo à parte com o qual não quero misturas.» É mesmo a silly season. Vivam as férias!

  5. este “iberismo” é que tresanda a bolor. a bolor salazarento, para ser mais precisa. nada mais salazarento do que a ideia de precisarmos que o “paizinho” venha cá tomar conta de nós, que nós não damos conta do recado.

  6. Não sei onde no estrangeiro é que a Susana anda a encontrar portugueses, mas a minha experiência pessoal na Suécia foi exactamente o oposto do que ela descreve: jantares de estudantes portugueses foram uns quantos, idas conjuntas a festas e bares a mesma coisa e até uma rádio universitária juntou uns quantos estudantes portugueses para fazer um programa sobre Portugal.

    Vergonha de dar de caras com outros portugueses no estrangeiro? Pelo contrário! É lá fora que se sente mais a nossa identidade e dá mais prazer falar a nossa língua. Nunca li Fernando Pessoa e Camões tantas vezes e tão avidamente.

  7. pois é, e eu aproveito já para avisar que sou um patriota doido, completamente irracional. É como diz o Heliocoptrix e como dizia o MST, lá fora é que doem as saudades, e murmuramos entre dentes ‘querido Portugal’, mesmo quando nos f*deu a vida, ou assim parecia porque afinal…

  8. Todos os nacionalistas são irracionais. Até o jurássico catolicismo os condena.

    O pessoal deixa-se embebedar pelo futebol e é nisto que dá. Cristiano Ronaldo e cinco quinas. Mas aqui também há muito de salazarismo ao retardador!

    A única razão para o patriotismo (não disse nacionalismo!) é uma comunidade ser vítima em bloco de opressão ou de ocupação, coisas do antigamente que a Europa de hoje desconhece. Nem bascos nem catalães são oprimidos, muito menos os portugas (ora, e por quem seriam?). O resto é só o mercado a funcionar, ou quase. Acordem, salazarentos fantasmas!

  9. A Nikita acha que os bascos, galegos e catalães não são oprimidos?

    Vá dizer isso aos bascos que querem usar a sua língua nos tribunais e não podem, aos galegos que são despedidos por usarem galego e aos catalães que quando se digirem à Guarda Civil só conseguem uma resposta se falarem em castelhano. Ou vai falar com o professor galego que foi ignorado e apupado por usar o galego-português numa conferência na Galiza. Ou ainda com todos aqueles galegos a quem o Supremo Tribunal de Justiça da Galiza recusa-se a atender pedidos escritos em galego.

    Não há opressão, claro que não! Pelo menos não nas mentes atarrancadas de quem acha que patriotismo é coisa de século passado.

  10. “A Nikita”… Vejam-me só isto. Tem heliocóptero, mas nem sabe o que é um Nikita. Vai pra escola primária, pá.

  11. A personagem que dá pelo nome de Nikita é mais de falar em género em vez de responder a argumentos.

    Quanto ao dito pelo Pires Gosto, se em Miranda do Douro os tribunais não usam o mirandês, deviam! Aliás, mais do que isso, espero bem que todo e qualquer edital afixado nas juntas de freguesias e câmaras municipais da região onde o mirandês é nativo sejam em formato bilingue. E que os alunos tenham a possibilidade de ter aulas em mirandês e que pelas escolas portuguesas haja a opção de aulas do mesmo idioma para quem as quiser. Afinal, se é a segunda língua oficial de Portugal é bom que mereça o devido respeito.

    Ao contrário do Saramago, eu não assobio para o lado e digo que está tudo bem no que à diversidade linguistica diz respeito.

  12. concerteza que sim,Héliocoptero. para todos os efeitos, a língua mirandesa figura na carta de línguas regionais e minoritárias da europa.

  13. Caros amigos,gostaria de vos anunciar a criação de dois blogs da minha autoria, devotados essencialmente a uma estratégia luso- autoflagelante através da paródia…
    Espero que gostem. Um abraço, Isabel Metello. As personagens principais são Vaca Galo, a repórter sensacionalisto-espectacularizante e Lá Vai Lama, Sua Leviandade, o sumo delegado de propaganda esotérica.
    Os links são: Link blog Lá Vai Lama: http://lavailama.blogspot.com/ ; Link blog Vaca Galo: http://vacagalobarcelos.blogspot.com/

    VG: Cá vai, então, a entrevista a Sua Leviandade.
    Apre! Vocês os dois são mesmo dois mosquitos africanos, marabuntas esfomeadas! Aqui está a entrevista, estava só a fazer um bocadinho de suspense espectacularizante. Não sabem que o teasing compensa em termos dos media? Ignaros!
    Já agora uma informaçãozinha suplementar: esta entrevista foi elaborada também para o jornal Nova em Folha, muito antes da que fiz ao Professor José Gila, mas como coincidiu com a questão dos cartoons dinamarqueses, achei que não era de bom tom publicá-la. Ainda me pegavam o fogo e eu de pirómana não tenho nada, principalmente quando o fósforo sou eu! Ó Belita, não se esqueça que também a entrevistei- não queira fugir com o naco à marimba!

    Espaço informativo autoflagelante: as entrevistas impossíveis de Vaca Galo, a repórter sensacionalista-espectacularizante.

    Hoje, o alvo das suas investidas bovinas é Lá Vai Lama, Sua Leviandade, o sumo delegado de propaganda esotérica:

    VG: Lá Vai Lama, peço desculpa pela rouquidão- estou um pouco constipada- diga-me, como descreveria de forma draconiana e dantesca a real situação do nosso país?
    LVL: Bem, sua pérfida, só espero que a menina, como produto híbrido, não tenha nenhum vírus contagioso. Já reparou que é uma arma biológica em potência? Mistura de BSE com gripe das aves?!… Nem sei como que o Hamas ainda não a contratou…Apre, criatura cósmica, espanta-me como aguenta tamanho karma, dedique-se já à anulação do seus egos bovino e aviário! Oriente-se! Desvincule-se! Desentupa-se! Desassuma-se! Desenkarme se! Desengale-se! Desenvaque-se! Mas vamos lá à sua perguntazinha medíocre- respondo-lhe com um silogismo tautológico: Neste vosso eterno pic-nic, onde todos querem manjar, mas ninguém verdadeiramente laborar, o país vai a pique mais depressa que o Titanic!
    VG: Palavras sábias e enigmáticas! Lá Vai Lama, uma última palavra de esperança aos portugueses que nos lêem:
    LVL: Que roubem, mas sem qualquer contenção, o português que rouba em grande é um herói, merece todo o vosso apreço e consideração; um português miserável que rouba um pão, só merece o desprezo nacional, e o seu destino é, sem dúvida, a prisão, sem qualquer espécie de perdão, nem comiseração. Só vos digo, parte se me o coração, acabei de vender o meu karma ao postulado do luso ladrão! Isto deve ser contagioso! Ai, Bidete, que saudades que eu tenho da tua impoluta atmosfera! Saravá, Meu Pai, até os chineses são menos subversivos que vocês! Se Mao como as Cobras soubessesssssss…
    VG: Sublime, Lá Vai Lama! Nem os Professores Eduardo Pardo Coelho, Sou Eduardo Logo Penso e José Gila poderiam ter feito melhor descrição da nossa alma lusitana! Mas, espectacularize o seu discurso, aponte nomes sonantes, mergulhe na lama as nossas personalidades públicas, macule os nossos melhores tecidos!
    LVL: Sabe que o princípio da não maledicência tubista não me permite acusar alguém, mas como no “Luso, sê lusitano”, vou acusar quem vocês acusam. Só me lembro vagamente daquela mísera e mesquinha que, depois de fugitiva, foi rainha, aquela que aprecia muito o poder rejuvenescedor de climas tropicais. Ai, Meu Cosmos, isto foi um pensamento platonicamente anamnésico, reminiscente, maiêutico, porque não consigo situar a estuporada criatura! Deve ser claramente fruto da minha última reencarnação.
    VG: Magnífico enigma! De quem poderá estar a falar Sua Leviandade? Caros leitores, esta vossa Vaca Galo pede-vos- derrubem o país mas não a vós próprios, os guerrilheiros da nossa nação kamikásica, porém, revelem um pouco de contenção nesta vossa marcha pela autodestruição – não se dediquem demasiado ao saque, faz-vos terrivelmente mal ao karma e garanto-vos que isso não é nada bom- podem na próxima reencarnação nascer outra vez portugueses, o que seria, mais do que uma ironia do destino, um hino à pasmaceira. Contamos convosco na próxima edição deste espaço autoflagelante. Lembrem-se de três dos nossos lemas: “por vezes, é pior a ementa que o cimento”.
    LVL: A vaca é mesmo parva! Ó criatura híbrida potencialmente virulenta, cale-se! Lá está você com as suas vacuidades bovinas! Desperte mas é o galo que há em si, encabre-se! Cambada de cínicos autentizóticos! Os americanos quebram o Acordo de Quitoso poluindo a atmosfera, vocês quebram o Equilíbrio Cósmico, entupindo as várias dimensões de fluidos negativos! Deve ser por isso que só se vestem de preto ou de cinzento ou então de beije. E já dizia a minha Mãezinha, que o Cosmos a Encaminhe- “meu Lá Vai Lamazinho, cuidado com quem só se veste de preto, cinzento ou de beije- por detrás da onda aparentemente calma, prepara-se um tsunaqui pronto a devastar o horizonte”. Por este andar, nem daqui a 100.000 anos vocês atingem o purgana! Irra, que neste país para encontrar a paz estou a ver que tenho de me encerrar na Quinta das Vaidades e aturar o José Preto por Branco! Só por causa desta estadia de 10 dias, lá vou ter de reencarnar mais 37 vidas! Isto não é um país, é um covil de lobos desaçaimados! Não se comem uns aos outros pois têm medo de morrer de congestão! A propósito, nas vossas pretéritas deambulações não se cruzaram com os nativos da Papua Nova Guiné, não? Acho-vos com hábitos tão parecidos! A única diferença é o vosso apetite por aqueles bichinhos pegajosos que se colam à garganta! Será que é por isso que vocês andam a passo de caracol?

    Copyright: Isabel Metello Coopyleft: Me, Myself and I
    Isabel Metello | 19.07.07 – 9:57 am | #

  14. História. Tradição. Cultura. Laços afectivos. Língua comum. Território. Lealdade. Sangue.
    Quem não souber o que isto significa, nunca poderá objectivamente valorizar (por não entender) o que a sua conjugação produz.
    De forma objectiva.

  15. E as chamas, senhores, e as chamas?

    Em exclusivo e só para este este espaço inormativo autoflagelante, esta Vossa Vaca Galo, a repórter mais sensacionalisto-espectacularizante, que alarvemente se aproveita do seu estatuto de VINP (Very Insane Non-Person) leva até o “sacrossanto recanto do vosso lar”:

    A entrevista impossível, explosiva, completamente incendiária de moi a il, o alvo das minhas investidas bovinas- Eduardo Pinta as Torres- o crítico televisivo mais corrosivo da nossa praça pública.

    VG: Eduardo Pinta as Torres, amigos seus descrevem-no como um homem frontal, como é que o Eduardo se descreveria?
    EPT: Como um crítico cáustico, abrasivo, acutilante, corrosivo.
    VG: Apre! Parece que está a descrever um produto desentupidor de canos!!!
    EPT: Mas, minha querida, é exactamente isso que eu sou- um desentupidor implacável de canos, dos outros claro, que os meus, apesar de entupidos pelo cotão do tempo, cá vão se desentupindo por si. A mim ninguém me desentope, só me entope.
    VG: Ó Eduardo, e o que me diz da argolada relativa aos incêndios? Por que o disse, quais as razões que o levaram a escrever uma crónica tão incendiária?
    EPT: Minha querida, já viu a beleza das chamas a devorar aquelas matas e aqueles matos amovíveis? Não acha sublime este quadro dantesco? É um espectáculo imperdível e a RPT fez um mau serviço ao não mostrar todas as chamas a devorar este nosso país! Eu contei-as a todas e faltaram‑lhe mostrar umas 2.800!!! É um sacrilégio, não acha?
    VG:Bem, o Eduardo não terá uma veia de pirómano? É que antevejo qualquer coisa de incendiário na sua voz!!!
    EPT:My darling, eu sou como Nero, a única diferença é que as minhas crónicas não incendeiam Portugal, mas quero ver pela TV Portugal a arder e que não seja sempre de febre do reumático!!! Os fogos estivais nas nossas florestas mostram a nobreza do nosso carácter, a grandeza da nossa alma lusitana, o português é como Prometeu ao resgatar o fogo aos deuses, só que, como nunca ninguém se responsabiliza pelo que quer que seja, este ser sublime jamais poderá ver os seus fígados a servir de repasto eterno a uma ave de rapina. Ou seja, o português é o máximo- queima ou manda queimar, mas nem os deuses o apanham!!! Agora veja- se somos os que contactamos com mais frequência com o espectáculo sublime do fogo, pois que o mostremos na sua integralidade para que todos fiquem a conhecer a nossa veia heróica, a nossa impotência perante a força da natureza arrasadora das chamas! E o que fez a RPT, sim, minha querida, o que é que essa instituição anti-inflamatória, que me deu guarida durante tantos anos, fez? Privou‑nos desse magnífico trabalho desconstrutivo das chamas!
    VG: Muito obrigada pelo sublime, mas seus fígados? Olhe que os meus fígados não são para aqui chamados, eu gosto muito de me manter ao fresco, odeio caloraças! E tenha cuidado com a Belita quando fala do Nero- sabia que ela descende desse tantan? Adiante, mas prometeu o quê Eduardo, quem e o que é que lhe prometeram? Bem, vamos saltar para outra questão: diga-me agora qual a sua opinião sobre o relatório da ECR?
    EPT: Esses ignaros- se eu estivesse num júri de Doutoramento, a Professora Doutora Desterra o Mano seria sumariamente executada (digo chumbada) por mim, um Mestre das chamas, eu que gosto tanto de ver “o circo a arder”! E garanto-lhe que, se este nenhuma chama já tiver, lá porei um fosforozito!
    VG: Irra, ó Eduardo Pinta as Torres, a sua língua é mais do que comprida! A sua mãezinha besuntava-a com frequência com picante? É que você é uma cuspideira por excelência! Nem sei como é ainda não o contrataram no programa “Doutor, Faça de Mim um Esplendor!” como ácido dos liftings! Eu dava-lhe um conselho- bocheche à noite com um pouco de Pim Pam Pum esverdeado- vai ver que lhe passa essa ardência!
    Bem, meus caros leitores, continuem a seguir as nossas pegadas que nós levá-los-e-mos se não ao inferno, pelo menos a um alerta laranja!
    Não se esqueçam de um dos nossos provérbios preferidos: “Não se põe o lume ao pé da cachopa, que ela pode queimar-se e levar a aldeia com ela!”

    Cherioo!!!

    Copyright: Isabel Metello Coopyleft: Me, Myself and I

  16. As turistas/os,nos hélycoptéros?Nâo contas as suas grandes inspiraçôes,e terrores que tivéram esses pobres que nâo tinham guita para fazer uma tal viagem,espectacular!Foi do vosso dinheiro,que isso foi permetido,d’ont forget that

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