CARTA ABERTA A JOSÉ SARAMAGO

Do DIÁRIO DE NOTÍCIAS de hoje

Muy señor mío, Me perdonará Usted mi pobre castellano, pero desde anteayer me entero de la urgencia de praticarlo. Al “Diário de Notícias” de Lisboa predijo Usted esto: “Acabaremos por integrar-nos” en España. Preguntado por el periodista João Céu e Silva si nuestro país seria entonces “uma província de Espanha” (le sigo citando en nuestro antiguo idioma), Usted contestó: “Seria isso. Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla La Mancha e tínhamos Portugal”.

Claro, nos asegura, podremos conservar nuestra lengua, nuestras costumbres, y así mismo creo yo nuestro fado, pero (no lo dijo, uno entiende) nos gobernaría el jefe de estado madrileño del momento. Y aunque diga Usted que no es profeta, no hay que olvidar su proverbial modestia. En fin, para gente sencilla como yo, sus palabras son un caritativo aviso del destino.

Pues, señor, no y no. Usted, el más famoso de mis compatriotas, se permite en público unos juegos muy guapos de futurología. Pero se los guarde para sus libros, los cuales están perdiendo el suspense de antaño. Créame, el real futuro de un Portugal integrado en España lo conocemos ya muy de cerca. Está visible en la Galicia de hoy, donde la lengua dominante, y los derechos dominantes, y los partidos dominantes, son los de Madrid. Esto no es futurología, sino lo qué uno ve. Si quiere verlo.

No creo que sea su caso, Don José. Me contaran que, hace poco, visitó Usted Galicia invitado por el Pen Club. Le rogaran que hiciera su discurso en Portugués. Todos podrían entenderle, sin problema, si hablara en nuestra hermosa variedad de gallego. Usted – como otras veces ya en Galicia – recusó y habló en Español.

Muchas gracias en realidad. Ahora sabemos cómo hablarán, en la Provincia española de Portugal, los futuros traidores.

Fernando Venâncio
Amsterdam, 17 de Julio de 2007

162 thoughts on “CARTA ABERTA A JOSÉ SARAMAGO”

  1. Ora ide todos comer palha! Os “futuros traidores”… Processo de intenção com o relógio a andar pra trás! Paranóia adiada em retrospectiva! Polícia preventiva com acusações pidescas!

    Abaixo a acusação fascista de “traidor” a quem usa a cabeça para pensar livremmente!

    Se ser português é isto, prefiro ser marroquino ou monegasco. Ide todos comer palha!

  2. Ah, escrevam em português, por favor. Lá porque o Saramago mandou a ideia para cima da mesa, não vamos agora começar a cantarolar o castelhano das castanholas.

  3. Cláudia,

    «Escrevam em português por favor»?

    É exactamente o que, em várias regiões da Espanha, se ouve pedir a jornais e outros meios de massas. Por favor, «Escrevam, falem, em galego», «Escrevam, falem, em basco», «Escrevam, falem, em catalão».

    Você começa a ter um vislumbre de compreensão. Já se ganhou alguma coisa.

  4. :-) Sabes, eu gosto muito da língua portuguesa porque passei anos no estrangeiro, utilizando outra língua. No liceu, quando descobri a secção da literatura portuguesa, foi um deslumbramento. Anos a ler Zola, Flaubert, Maupassant, Baudelaire, etc. Quando descobri Eça e um Machado de Assis lá do outro lado do atlântico, rendi-me.

  5. atão mas isto não vai disparado demais? Até já dei com umas chamas a saírem-me das orelhas, mas depois achei que no mínimo vinha um dilúvio de um referendo e pronto.

    Fernando, vê lá rapaz não arranjes um esquentamento cerebral à conta disto, que entretanto é Verão e tempo de namorar, e nadar,

  6. Cláudia,

    Mantém a onda. E vai-a passando.

    Z (pois, pois!),

    Que dizer, moço, senão que a loucura dos outros, e às vezes nossa, não escolhe estações?

  7. Não te preocupes, Fernando Venâncio. Estou a falar daqueles que estavam na prateleira. A selecção não era minha. Era o que tinha à mão e podia ler na altura. Tenho lido outras coisas, sobretudo desde que vim para cá. E agora, vou bazar um tanto que estou no meu 1º dia de férias :-P Para férias, levo 1 L.Antunes, 1 V.Ferreira e 1 Cardoso Pires. Quem disse que eu não sabia nadar?
    Beijocas.

  8. Eu não queria dizer nada mais…passo o insulto deselegante e sugiro ao autor o estudo em férias de Verão-senão for passá-las a Espanha – das 27.000 entradas do google sobre o Iberismo…já não embarco em mais parvoíce…
    saudações de um provável traidor ainda não sei se…
    Morfeu

  9. Morfeu,

    Eu não preciso do Google para conhecer o Iberismo. Procure você na Bibliografia que organizei. Veja a secção «Portugal: identidade, contexto peninsular».

    E sobretudo não seja pacóvio. O número de entradas no Google significam «popularidade», não «importância». Além de que não poucos textos sobre o Iberismo são… críticos dele.

    Estude primeiro. Mande bocas depois.

  10. porra, o único nobel das letras e logo havia de sair hispânico… Portugal é uma anedota mas Olivença é nossa, coño

  11. óh Fernando Venâncio
    ben-vindo à psico-ideologia de massas
    esse seu bitáite “Estude primeiro. Mande bocas depois” vem direitinho da citação de Mao Tsé Tung:
    “os camaradas que não investigaram um assunto não devem ter direito à palavra para falarem sobre esse assunto – o linguajar sem sentido não conduz à resolução de qualquer problema, como é sabido”
    in, Da Contradição e da Prática”, 1930

  12. Xatoo,

    Eu não disse «estude primeiro, tenha uma opinião depois». Eu disse «estude primeiro, mande bocas depois». Se a diferença te escapa, lamento.

    E guarda a erudição para melhor pretexto.

  13. quanto à cartinha em si: é um exercicio de puro, cabotinismo, nada mais – penso que deve meter uma cópia num envelope, sair à porta, virar à direita aí na Herrengracht e ir direitinho à zona da Nato onde embarcam os equipamentos militares da Nato – just in case – para estarem avisados contra possiveis veleidades independentistas lusas que ponham em causa o sacro santo Império bushiano

  14. Muito bom, muito bom. Parabéns, Fernando. Apenas torço o nariz à crítica dos últimos livros do homem – é uma crítica com a qual concordo, é claro, mas que seria de evitar neste contexto. Ou talvez não, que também sinto a revolta que te move.

  15. Xatoo,

    Fui lá. Já estavam avisados. Que eficiência, pá!

    JP,

    Obrigado. Há um lado gratuito na coisa, reconheço. Há, mesmo, um lado desatinado na intervenção. Mas achei que um desatino pode travar uma loucura. Confundir-lhe a dinâmica, digamos.

  16. Esse zé conquistou-me com o “Todos os nomes” e estou-me agora a lembrar de alguns que lhe chamaria se estivesse presente nesse episódio da Galiza. Pobre pepe.

  17. Leer esta discusión resulta divertido y patético a la vez. Los portugueses parecen creer que son la gran preocupación de los españoles (!!!) A ver, chicos, en España, Portugal es un sitio donde se va a comprar toallas y se habla algo parecido al brasileño pero completamente ininteligible. A quién le puede interesar absorber un país más pobre y atrasado (y más chauvinista que Francia por lo que veo). En fin, un disparate. Así que nada, menos fado y mais travalhar ;-)

  18. A Pátria que vos contempla:

    Ontem, e só ontem, vi numa página da Internet as listas de candidatos admitidos e excluídos do Concurso de Professores Titulares que está a decorrer no âmbito da reestruturação do Estatuto da Carreira Docente (não superior). A acompanhar a lista de excluídos apareciam tipificadas, através de códigos/letras, as razões para uma possível exclusão.
    Uma delas, a que corresponde ao código/letra I, apresenta uma razão que, do ponto de vista do enquadramento geral político, revela-se, no mínimo, muito preocupante.Lê-se: “Por realizar e/ou participar, comprovadamente, em actos ilícitos do ponto de vista das leis que regem as comunicações electrónicas.”

    Consultei o Decreto-Lei nº 200/2007, de 22 de Maio, que enquadra legislativamente o concurso, e em nenhum lugar vejo referido o conjunto de razões para uma possível exclusão, entretanto publicitadas nas listagens.

    http://cafepuroarabica.blogspot.com/2007/07/sinais-dos-tempos-o-estado-permanente.html

  19. Lembrem-se os propósitos anexionistas de Afonso XIII no início do século XX, ou as provas de generalato de Francisco Franco sobre a conquista de Portugal. E leiam-se quase todos os grandes pensadores espanhóis da última centúria, como Menendez y Pelayo, Menendez Pidal, Unamuno, Juan Maragall, Pi y Margall, Sanchez Albornoz, Salvador de Madariaga ou Pedro Sainz-Rodríguez. E observem-se as declarações e posições dos políticos espanhóis do século agora findo, como Alcalá Zamora, Calvo Sotelo, Alejandro Lerroux, José María Gil Robles, Manuel Azaña, Martínez Barrios, Largo Caballero, Indalecio Prieto, Ibañez Martín, José Féliz de Lequerica, Martín Artajo, Fernando María Castiella, López Redó, Serrano Suñer ou José Antonio Primo de Rivera, e de dezenas e dezenas de outros.
    E atente-se no pensamento do homem comum espanhol. Basta-nos uma carta datada de Maio do corrente ano, recebida no secretariado do congresso “O Tratado de Badajoz e Olivença: Dois séculos de relações luso-espanholas”:

    Hispania no está completa sin Portugal

    Es España la que no está completa desde la secesión de 1.640.
    Desde tiempo de los romanos la península ibérica era conocida como Hispania (las dos provincias Citerior y Ulterior). Por tanto lo que hoy conocemos como España no es tal hasta que no se integre Portugal.
    Lo absurdo es que existan fronteras en los ríos Miño, Duero, Tajo, Caya, Guadiana y en cualquier otro río peninsular. Son fronteras inventadas. La única frontera española terrestre real son los Pirineos.
    Portugal es parte de España (Hispania) y la labor de unificación del gran rey Felipe II fue quebrada por el tribalismo y estrechez de miras de una de las regiones (Portugal).
    Todos los reinos peninsulares (hispanos) se integraron: Navarra, Aragón, Castilla, León. Sólo falta Portugal.
    Andres Ferrer

    Dúvidas sobre os seculares e hodiernos propósitos espanhóis não há. Não pode haver. A geografia da Península Ibérica constitui para nós uma fatalidade e a dualidade política nela existente representa para a Espanha um trauma difícil de tolerar. A «aberração» portuguesa é vista por Madrid como uma amputação à sua almejada totalidade que só deveria ter por limites o mar e os Pirenéus. A independência portuguesa é para Castela um estímulo à secessão do País Basco, da Catalunha e da Galiza que urge eliminar e ao mesmo tempo constitui a diferença entre uma Espanha de segunda linha na Europa e uma potência de primeira grandeza entre os Estados europeus. O desaparecimento de Portugal como Estado independente e a sua integração em Espanha tornaria este país equiparável ou muito aproximado à França, à Itália e à Inglaterra, tanto em dimensão geográfica como em população. Estes são, pois, os dois grandes desideratos da integração de Portugal: acabar de vez com qualquer possibilidade de apoio exterior à autodeterminação das suas províncias inquietas, impondo o poder de Madrid como uma inevitabilidade a todas as nações rebeldes da Ibéria e, ao mesmo tempo, eliminar a diferença de potencial que subsiste entre Madrid, Paris, Roma e Londres. Mas a solução para o problema da passagem da Espanha de uma simples potência europeia para uma potência mundial encontra-se também em Portugal, ou melhor, no que resta do Mundo Português. O objectivo aqui já não é a integração política mas a hegemonia cultural e sobretudo linguística: a expansão da Hispanidade, especialmente no Brasil, mas sem descurar a antiga África portuguesa. Os instrumentos para o conseguir são facilmente identificáveis: a constituição de uma Comunidade Hispano-Americana na qual o português se dilua, para o que está em marcha a adopção do castelhano nas escolas brasileiras, e a cooperação com os PALOP’s, que algumas vezes Madrid está concretizando ao lado de Portugal para facilitar a penetração e dissimular os seus intentos. Para tudo isso, há que estrangular a evolução da CPLP, desiderato em que a Espanha tem recebido um prestimoso apoio francês, por forma a impedir que esta organização possa evoluir no sentido de uma verdadeira Federação de Estados de Língua Portuguesa, projecto totalmente incompatível tanto com a Hispanidade como com a Francofonia. Mas, para tal é imperioso que Portugal ou, pelo menos, as suas elites dirigentes continuem a acreditar que a União Europeia e o seu sucedâneo mais concrescível e perigosamente mais duradouro – a União Ibérica – são os únicos espaços de integração viáveis para Portugal, na justa medida em que aí está a sua inviabilidade como Estado independente e aí reside o seguro aniquilamento de um Portugal livre e autodeterminado, em especial se se avançar para a Europa Federal.
    Se dúvidas não há quanto ao permanente projecto espanhol, podem existir quanto a saber se está já alcançado: será que à Grande Espanha ainda falta Portugal? Talvez já não falte muito…

  20. A mim parece-me que quem tem razão é o anonymous das 05.54 – a malta do país das toalhas baratas anda toda excitada sem razão nenhuma. O Fernando nem sequer perguntou ao Saramago se ele era membro da Maçonaria ou se anda a trabalhar para os sionistas judeus apostados em meterem dois países católicos à porrada para arrebanharem os lucros.

    Pensem nisso rapazes. Há muita diversão e divertimento nesta feira.

    Sinal a não deixar escapar: a citação de Mao Tse Tung (agente da maçonaria) pelo Xatoo, um dos burros com as orelhas mais compridas que veio aqui cagar sentenças.

  21. Meras banalidades – só algumas – para o senhor com fome e seus ilustres intelectuais hispânicos considerados:

    Oito séculos de história foram, afinal, um equívoco. A língua, de entre as mais faladas de todo o Planeta, um absurdo. A fronteira, das mais antigas e firmes de toda a Europa, uma infame. O povo, uno e patriota, uma ilusão. A cultura riquíssima, secular e universal, um logro. O abençoado e notável espaço da península, aonde desaguam seus grandes rios, uma tremenda inveja…

    Enfim, afinal, Portugal, é uma ordinária mentira e uma pura ficção. Que venha então toda a Hispania, com a ajuda dos Francófonos, e reponha a verdade.

    Mao

  22. PORTUGALl

    Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
    linda vista para o mar,
    Minho verde, Algarve de cal,
    jerico rapando o espinhaço da terra,
    surdo e miudinho,
    moinho a braços com um vento
    testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
    se fosses só o sal, o sol, o sul,
    o ladino pardal,
    o manso boi coloquial,
    a rechinante sardinha,
    a desancada varina,
    o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
    a muda queixa amendoada
    duns olhos pestanítidos,
    se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
    o ferrugento cão asmático das praias,
    o grilo engaiolado, a grila no lábio,
    o calendário na parede, o emblema na lapela,
    ó Portugal, se fosses só três sílabas
    de plástico, que era mais barato!

    *

    Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
    rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
    não há “papo-de-anjo” que seja o meu derriço,
    galo que cante a cores na minha prateleira,
    alvura arrendada para o meu devaneio,
    bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.
    Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
    golpe até ao osso, fome sem entretém,
    perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
    rocim engraxado,
    feira cabisbaixa,
    meu remorso,
    meu remorso de todos nós…

    Alexandre O’Neill

  23. Mas então são os espanhóis ou são os americanos que vão dominar o mundo? como é? vejam lá se se entendem e depois mandem-me um postal.

  24. Até que enfim, uma reacção com dignidade. O nobelizado que se integre se quiser e que tenha muito bom proveito. Implícita, no vaticinante decalque da sua opção pessoal sobre o colectivo, está uma assombrosa arrogância, reveladora que a sua própria integração é muy completa.
    Parabéns Fernando

  25. tem razão o “Cuidado com os aventais das 08:20”
    já tinha pensado nisso, aliás estas orelhas de burro que orgulhosamente uso, são de cera, e foram-se oferecidas por uma bisneta do Barão Von Eschenbach, gaja porreira que agora pró final já fazia o joelhómedro de Fátima num minuto e 30. Para que as orelhinhas me comecem a derreter sob o sol radioso da sapiência dos irmãos mais notáveis, estou apenas à espera das suas concisas e concretas indicações

  26. Portugal: “…un país más pobre y atrasado (y más chauvinista que Francia por lo que veo)”. É isso mesmo. Mas França pode dar-se o luxo de ser chauvinista.

    Nós não. Quanto mais chauvinistas, mais pobres. Quanto mais pobres, mais chauvinistas.

    Meus amigos nacionalistas requentados à general Spínola, que querem federar Estados lusófonos: se quereis engrandecer Portugal, TOMAI A ESPANHA! Numa confederação hispânica, Portugal seria o Estado mais populoso e teria gente a mandar lá como os galegos, catalães e andaluzes mandam hoje no governo espanhol. Ou mais, porque temos potencialidades com que deixar uma marca muito forte em toda a Península. A avenida mais larga de Madrid chamar-se-ia Avenida de Portugal. A língua portuguesa não se perderia, como se vai perder se continuarmos pobres, chauvinistas e burros. Aprenderíamos castelhano decentemente e já não pediríamos uma Cueca Cuela nas esplanadas de Badajoz. É mal ser-se bilingue? Mas nós vamos sê-lo em breve com o inglês. A questão é sermos trilingues! Esse é que é o nosso desafio, que deveríamos vencer.

    Estais de costas voltadas para a Espanha, para o futuro e para a realidade. Não vedes sequer o vosso interesse e o da vossa nação. Continuais bêbados de Quinto Império e de outras aguardentes rascas! Acordai Portugueses!

  27. Notai, meus amigos, que não vai ser preciso defenestrar ninguém, nem sequer o Fernando Venâncio, para fazer a confederação da Hispânia. Com a fusão das economias a todo o vapor, com a integração europeia a ajudar, o resto virá por acréscimo, como diz a Bíblia. É uma questão de algumas décadas, no máximo. Vêde só a diferença de 1985 para cá. Não há maneira de atrasar a Hispânia, se não com rivalidades futebolísticas e ódios repescados do baú mais bafiento. Abaixo a paranóia!

  28. Nikita,

    «Paranóia», «ódios bafientos», «bêbados do Quinto Império», «nacionalistas requentados à Spínola» – se não tens outros modos de caracterizar os patriotas portugueses, poupa-nos o teu verbo.

    Aliás, sabes, o destrambelhamento verbal costuma denunciar a simples insegurança do falante.

  29. Os portugueses quando vão lá para fora, ficam uns cromos. A uns dá para ficar sentimentalões com a pátria e até para largarem uma lagriminha a ouvir Quim Barreiros e a comer pasteis de bacalhau. A outros dá para achar que isto nem devia existir ou que devia ser uma província de outro lado qualquer mais civilizado. Tenho conhecido os dois lados. Eu, como sou um romântico, estou com o Fernando. Mas era mesmo preciso ir para os jornais com estas coisas, ó jarretas? Isto está on line no DN?…

  30. E o cabrão daquele espanhol ali em cima merecia é que lhe enfiassem no cu o cristo rei! Puta que le parioooo! E ninguém diz nada? Quer dizer, tanta merda, tanto arroubo patriótico, ó pátria ó pátria badajoz à vista…

  31. Caro Xatoo,

    Tem razão. Aqui vão as minhas sinceras desculpas. Atribuí-lhe o que era proveniente do Nikita. Está corrigido.

    Mande sempre

  32. Sou o Nikita, não o Xatoo, senhor inspector Venâncio.

    O senhor não sabe citar: onde é que escrevi “ódios bafientos”? Nunca escrevi aqui a palavra ódio. Pero que lo hay, lo hay: é o ódio que os “patriotas” regionalistas bafientos têm a quem pensa livremente e tenta ver mais longe.

    “O regionalismo é uma degenerescência gordurosa do nacionalismo. E o nacionalismo também.” Tão bem que o cosmopolita Fernando Pessoa se aplica aqui, ó senhor Venâncio!

    Quanto ao “destrambelhamento verbal”, senhor Venâncio, você é que useiro disso: quando cheguei aqui, chamou-me logo “trafulha” e falou de “porcaria na mão” e “porcaria na boca”, ou já esqueceu? Eu só lhe tinha insinuado rugas mentais e conservadorismo linguístico (e como acertei!)

    Seguindo o seu modelo mental, pergunto eu agora: será que o senhor Venâncio tem alguma inclinação escatológica ou cuprofílica? Essa atracção pela porcaria…

  33. Ai, Nikita. Afirmas tu: «Onde é que escrevi “ódios bafientos”? Nunca escrevi aqui a palavra ódio.»

    É a mais absoluta verdade.

    Tu escreveste «ódios repescados do baú mais bafiento».

    Desculpa não te ter citado por extenso.

    P.S. Aduziste o Pessoa. Podias aduzir quase toda a Geração de 70, de iberistas até à medula. E daí?

  34. Só mais esta, que estou de partida. Aqui não se aprende nada. Não tive prazer nenhum em o conhecer, senhor FV. Espero que seja recíproco.

    Nikita Blogoff

  35. Fernando Venâncio | julho 19, 2007 03:56 PM
    pois é meu caro
    os preconceitos anti-comunistas cegam-no e dispara plavovianamente para onde está virado.
    Apesar de admitir que errou, o pedido da citaçãozinha do Mao era mesmo para mim.
    Já não há sentido de humor nesta terra, principalmente quando se acerta nos nossos pontos fracos.

  36. Xatoo, claro que o pedido de citação era para si. O comentário inteiro era para si. O erro foi da totalidade, não das partes, salvo seja.

    E eu não apaguei o comentário. Corrigi o destinatário e eliminei o que, indevidamente, eu lhe dizia, a si, Xatoo.

    Percebe-se agora?

  37. Pois eu sou iberista e não falo castelhano. Como já vou para lá dos 30 anos e burro velho não aprende línguas, duvido que algum dia possa usar essa língua para exprimir esta minha convicção de traidor. Ideia acarinhada para me designar, também, por um tal de D. Sebastião, que é moderador num fórum de defesa nacional na Internet, ao qual fui calhar, por azar, quando decidi afirmar no meu blogue que era iberista. Pois eu acho que intelectuais de craveira, ministros dos negócios estrangeiros e fóruns de defesa nacional devem mesmo é preocupar-se com traidores como eu, a que junto muito orgulhosamente o nome de José Saramago, ou como nesse fórum de defesa nacional, imagine-se, emparceirava com o Paulo Querido. Outro conhecido traidor. O modo como acaba a sua carta aberta é desastroso e irresponsável para quem escreve num jornal de grande tiragem. Assumo aqui a minha convicção, mas, também lhe digo, numa Iberia alargada, não saberiamos o que fazer com estes patriotismos (porque ao menos em Espanha, são assumidos como o que são, nacionalismos), nem como unir uma república a uma monarquia. Aceito que sejamos independentes para que se viva em paz. Porque a paz e a liberdade (e não há uma sem a outra) são os valores que mais prezo e as utopias que defendo. O Iberismo não é uma questão economicista, meramente, tem raízes utópicas que tento exprimir em 9 posts no meu blogue. Como não sou bastamente culto faço-o em forma de profecias e por vezes poemas e não em longos ensaios. Não o convido a lê-los porque calculo que não o fará, mas se o fizer, e uma vez que não falo castelhano e só lá fui de férias e para comprar caramelos, perceberá que este traidor é tão português como V. Exa., e que em nada lhe agradou receber 40 visitas num dia (o dobro do que está acostumado) provenientes do dito fórum. São coisas que incomodam quando também se tem mulher e filho, a cara estampada na net e não se é, vá lá, o Ricardo Araújo Pereira. Sei que não é do mesmo saco… mas também calculo que até agora tenha defendido que nesta carta não mudaria uma palavra. Queria sugerir-lhe esta!

  38. Portugueses y españoles somos iguales, somos ibericos. Así que somos naciones hermanas. No empecemos a insultarnos por rencillas pasadas o futuras.

  39. Portugal e Espanha são “naciones hermanas”? Como se Espanha nem sequer é uma nação? Quando muito é um Estado plurinacional! Portugal e Galiza sim são nações irmãs.

    “Espanha”, se lhe subtrairmos os galegos, os catalães, os bascos, os navarros, os aragoneses, os cantábrios, os leoneses e talvez também os andaluzes, aí sim é capaz de haver uma nação “espanhola”. Até lá o que se tem é um conjunto de nacionalidades num mesmo Estado onde o castelhano é rei e senhor, menosprezando a cultura, literatura e identidade nativas como se pode constatar diariamente na Galiza.

    Não me apanham nessa “união ibérica” nem que me paguem!

  40. Meu Deus, o Iberismo com salada está a subir às orelhas do Xatoo e do Nikita. Um saiu-se com duas galinhas transgénicas, uma a imitar as coprofílicas e outra baseada numa celula intestinal duma ave escatófila. O outro foi mais modesto, ficou-se com a modificação do nome do Pavlov.

    Ó Jaquina, traz aí duas orelhas mais compridas para estes gajos! Depressa antes que eles fujam, a coberto do cinzento crepuscular!

  41. Mas pronto que tarde desearia yo que Portugal y España, fueran unidas en Iberia. Aunque esto no ocurra seguiré sintiendome ibérico y hermano de mis vecinos portugueses, tierra que se hace amar y querer. Desde aquí mi voto por un debate libre de prejuicios. Abogando por ser ciudadano planetario, comenzando por ser ciudadano ibérico. Rechazando los conceptos identitarios localista y excluyentes, caminemos hacia el futuro…..juntos.

  42. Ó distribuidor de orelhas, meteste o corrector ortográfico, mas deves ter uma versão pirata chinesa. A coprofílica tinhas razão, mas a escatológica não. A palavra tem dois sentidos: um relacionado com o fim, outro com a merda. Pergunta ao Fernando Venâncio que o gajo percebe disso que se farta.

  43. Este Nikita quer atenção. Bate com a porta, aqui não se aprende nada, a mim nunca mais aqui me vêem – e depois é isto.

    O Aspirina é cá uma fraqueza!

  44. Tens razão, mas não gosto de ser atacado na minha ausência.

    E esta tua curiosa tendência para psicólogo de domingo? Tem que se lhe diga. Estás sempre a querer apalpar a alma aos teus visitantes. Vê lá se apalpas o que não queres.

    Mas descansa que agora não te denuncio mais. Podes-me chamar tudo, que já não te respondo.

  45. Boa tarde.

    Isto é um comunicado da Polícia Patriótica.

    Detivemos o Nikita e apreendemos-lhe o computador. Este traidor à Pátria vai ser levado para um dos nossos cárceres privados em Bilbao, emprestado pela ETA. Lá não poderá enviar mais posts para o Aspirina nem contactar o tal Saramago.

    Viva Portugal! (E a Galiza, qu’é muito nossa!)

  46. O Fernando Venâncio esteve bem, mas o Toni fez-me rir até às lágrimas.
    De Cristo Rei para cima, sempre que os gajos se armarem em artolas!
    Camiñemos juntos, pois. Mas cada macaco no seu galho…

  47. Assim é, Galiza e Portugal são povos irmãos, compartimos uma mesma língua com pequenas variações, a diferença é que Portugal é livre, ceive de falar na língua de seu, de preserva-la súa cultura, e a Galiza está oprimida pelo Estado Espanhol. O futuro está en facer da Galiza um Portugal, e não em facer do Portugal uma Galiza.

  48. Amigos e amigas portuguesas, como galego, pouco posso dizer para além de desejar que o futuro do Povo Português continue sendo escolha dele próprio. De resto Aspirina B ou Ibuprofeno, a minha recomendação é visitarem a Galiza ou simplesmente procurar informação contrastada deste Paisinho que faz parte da Espanha.
    Galiza é o Portugal que ficou nas mãos de Castela, estão dispostos a que outros decidam por vocês?

  49. Portugal ainda não sabe bem o que é a Espanha… senão não andariam a brincar com lume… :P

    Sr. Saramago, delira.

  50. se a Espanha mete cá a patona eu não vos digo o que acontece ao Filipe…, até fica mais feliz e coradinho mas a Letizia deixa de aparecer em público.

  51. ¡Viva España!
    Alzad los brazos hijos del pueblo español
    Que vuelva a resurgir(bis)

    Gloria a la pátria que supo seguir
    Sobre el azul del mar el caminar del sol(bis)

    ¡Triunfa España!
    Los yunques y las ruedas cantán al compás
    Del himno de la fé(bis)

    Juntos con ellos cantemos en pie
    La vida nueva y fuerte de trabajo y paz(bis)

    tarantarantarantantan

    bandoleoooooobandoleaaaaaaaa

  52. marinera o c…!!

    1. Lave muito bem as amêijoas. Leve ao lume o azeite e frite nele os dentes de alho.

    2. Em seguida, adicione os coentros picados e as amêijoas e tempere com sal e pimenta.

    3. Vá sacudindo a frigideira até que as amêijoas estejam todas abertas e depois regue-as com o vinho (do português c….!). Deixe evaporar um pouco e sirva de seguida.

  53. Eu son galego e espero que non cometades o erro de convertervos en espanhois. Xa o di o proverbio portugués e debedes de lhe facer caso: “de Espanha nin bo vento … ” ou a letra da canción galega: “Sempre que me falan de Espanha sempre tenho unha disputa, se Espanha é minha nai, eu son un filho de puta”

  54. Parabéns ao Fernando desde a Galiza. O iberismo só é uma verssao romatico-infantiloide do imperialismo espanhol para 4 incautos. Na Galiza padecemos o supremacismo cultural e economico assobalhante do espanhol, nao queirades ser uma outra colónia interior. No comportamento arrogante e prepotente dos espanhois ao visitar Portugal (como na Galiza) tedes um anticipò do que pode ser o Iberismo. Galiza e Portugal da mao cara um futuro melhor. De Espanha nem bom vento nem bom casamento!!!

  55. Eu acho que Portugal devia, isso sim, integrar-se na Jugoslávia. Porque o seu estado de decomposição está muito mais avançado que o de España.

  56. Parabéns, Fernando. Como sempre claro e diáfano. Um prazer saber de ti.Não acho nada de mau numa confederação de povos ibéricos só que não acredito que a Espanha permita qualquer coisa em igualdade de condições. Não acredito em milagres.

  57. Dende a Galiza, parabéns. Coñecendo ao “animal”, o mellor é arredarse. E, como cantou o Suso: “Sempre que me falan de Hespaña sempre teño unha disputa, se España é miña nai, eu son un fillo de puta”.

  58. ¿Galicia oprimida? ¿Galicia nación? Franco era gallego. Rajoy es gallego. El PP gana SIEMPRE en Galicia. Nacionalistas gallegos, dais más risa que pena. No se os toma en serio ni en Mondoñedo jeje. Hala, a bailar muñeiras y tocar la gaita.

  59. Ceive? Eu não ceive o qu’isso quer dizer! Dizem qu’o galego é igual ao português, mas nunca los entiendo. Prefiro os falantes de castelhano!

  60. Na cámara municipal Mondoñedo goberna o Bloco Nacionalista Galego. Há espanhois que se tentem fazer máis o ridículo nao conseguem. Na Galiza há governo de coaligaçao entre PSdG-PSOE e BNG.

    Os nacioanlistas espanhois nao podem ser máis patéticos. Ide taconear por bulerías a raiva que os dá. Viva Galiza e Portugal!

    SE colhedes um diccionario de dialecto trasmontano podedes atopar ceive, qual significa livre na língua da Galiza e nas falas do Minho e Trâs os Montes.

  61. Se Franco era Galego também eram galegos os da Geraçom Nós ou pablo Iglesias (fundador do PSOE) ou o general Líster (da República espanhola e logo do exercito sovietico. O secretário de organizaçao do PSOE é galego e a força de tópicos os espanhois só enganades aos incautos e ignorantes. Viva Galiza Ceive (Livre) da escória espanhola!

  62. JEJEJE si es que son más tontos que caerse de espaldas estos nacionalistas estos de gaita y empanada (mental).

    A ver, galleguiño de orense, te paso los resultados de las últimas elecciones generales. Aparte de las vacas que hay en tu pueblo a ver si aprendes a contar otras cosas, rapazinho.

    Elecciones Congreso de los Diputados Marzo 2004
    Autonomía: GALICIA

    Candidatura %

    PP 47,15%

    PSOE 37,19%

    BNG 11,37%

    EU-IU 1,74%

  63. Anonymous das 05:55,

    E se nos desses os resultados das últimas autonómicas na Galiza?

    Enquanto procuras, vais pensando: o PP da Galiza é, além de um partido de caciques, um partido de idosos. É uma questão de tempo.

  64. A identidade non é un conceito xeográfico, nin tan xiquera físico. Eso sí, eu teño un par de collóns ben postos e, polo tanto, non podo ser hespañol. ¡¡¡Nin quero!!!
    Repito, dende a Galiza, parabéns (e perdón pola intromisión).

  65. Brilhante!

    Parece-me que o Saramago deveria agradecer o escândalo causado pelo “Evangelho…”,ou não teria tido motivos para ir para Espanha,armar-se em pobre intelectual exilado. Pois que continue por lá,renegue a nacionalidade Portuguesa e escreva um romance protagonizado por D.Quixote e Blimunda,ambos meditando sobre o destino da Ibéria,enquanto voam de passarola!

  66. O senhor “inspector” Venâncio (e o seu séquito alegre!)esquece que Saramago não recebe lições de moral e patriotismo de qualquer Prof.Dr. encartado e crítico literário de domingo, residente algures na estranja, quiça como mui nobre emigrante.
    Mas eu entendo-o muito bem. Afinal, todos aprendemos pela mesma cartilha; fomos todos formatados pela mesma escola salazarenta. E o Prof. Dr. é bem o estereótipo do excelente aluno. Aluno do quadro de honra.
    Por isso, meu caro “inspector”, espere pelas próximas gerações de portugueses, espere pelo futuro, e verá que roubar caramelos em Badajoz já não dará tusa à alma lusa.
    Bom, se lá chegar…

  67. É por ler tanto patriota e nacionalista, que cada vez admiro mais homens raros e corajosos como o Savater. É dessa raça que eu gosto.

  68. Sr. Venâncio:
    Venho de referenciar uma outra entrevista realizada a Saramago na Galiza em 1990, em que falou em português em um ambiente de cordial lusofonia, segundo me contaram os mesmos entrevistadores. Pode ler-se n’ O levantador de minas (

  69. Amigo Toni,

    É mesmo engraçado que ponha você Savater como exemplo de não-nacionalista. Bom, não sei se estamos a pensar no mesmo indivíduo:

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Savater

    Fala você desse Savater? Se for assim, saiba você que Fernando Savater é um chauvinista e um nacionalista espanhol furibundo, radical, até o ponto de odiar irracionalmente todos quantos não pensam como ele. Não se deixe você enganar pelo seu discurso. Parafraseando Mateus 7:15-16: “Guarde-se dos falsos profetas, que vêm a você disfarçados em ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Pelos seus frutos os conhecerá”.

    Acho que foi o escritor americano Gore Vidal, pouco suspeitoso de patriota, quem disse que o poder, quando é verdadeiramente poderoso, torna-se invisível. Na Espanha, com efeito, o nacionalismo espanhol, por ser a doutrina, o dogma, dominante, é quase invisível. Ser nacionalista espanhol, é neutro, politicamente correcto. Tanto é assim que os nacionalistas espanhóis chamam-se a si próprios “não-nacionalistas” por oposição aos nacionalistas “periféricos” os quais sim se reconhecem como nacionalistas, embora, paradoxalmente, muitos nem sejam genuínos nacionalistas, mas simples nacionalistas circunstanciais. O nacionalismo espanhol, esmagadoramente hegemónico na politica e nos meios criou, destarte, uma falsa dicotomia. Não sei se me explico.

    Savater pertence à nutrida legião dos pseudo-intelectuais, dos opinadores de avultados ventres (e contas bancárias) que o sistema propagandístico utiliza para justificar o injustificável. São o que nós chamamos “tertulianos”, ou também charlatães, falabaratos, fariseus que engordam em prestígio e dividendos graças à sua fidelidade ao regime. Eu, não lho ocultarei, tenho uma especial aversão por Savater. Principalmente por ser ele professor de ética e porque, antes de descobrir o filão dourado do nacionalismo espanhol, ganhava a vida a escrever livros moralistas para crianças. Você já conhece, o “hay que ser buenos” e demais fandango. Não sei você, mas eu acho isto extremadamente antiético.

    Para mais, mais dum companheiro tem relatado já o horror de assistir a uma “conferencia” do interfecto na que passou mais duma hora e meia a tentar convencer a audiência de que ser espanhol era o melhor que nos podia acontecer nesta vida. Que não havia ser pensante sobre a face do planeta que não quisesse ser espanhol e falar espanhol. Que o espanhol se havia converter muito logo na primeira língua do Brasil e dos Estados Unidos da América, leia-se, do mundo mundial. Em fim, o eterno “somos cojonudos y como nosotros no hay ningunos”. Quando, ao cabo, na hora das perguntas, um dos assistentes, mencionou cordial e educadamente que o tema e a abordagem da “lição” estavam completamente fora de lugar naquele simpósio, o qual era rigorosamente certo, o fariseu deu em meter o pau de forma veemente no nacionalismo “excluyente” e intolerante e blah, blah, blah, uma boa meia hora. E assim vive o hominho, viajando de cidade em cidade, de universidade em universidade, a conta do Estado, ganhando o pão de cada dia, bem ganhado.

    Remato já com um pot-pourri do pensamento de Fernando Pessoa, que um companheiro enviou o outro dia para a lista da AGAL, e que eu pessoalmente acho que tem absoluta vigência:

    ” (…) Para uma união ibérica de qualquer espécie, seja essa espécie qual for, três coisas são essenciais, e sem elas nada se poderá fazer, e antes de elas se fazerem é inútil pensar sem receio nosso em qualquer aproximação. Essas três coisas são: primeira, a abolição da monarquia em Espanha; segunda, a separação final da península nas suas três nacionalidades esenciais – a Catalunha, Castela e as províncias que conseguiu submergir na sua personalidade, e o estado galaico-português. E absolutamente impensável a solução do problema ibérico sem ser por uma federação; é impensável a federação com a constituição desigual, antinatural, viciosa e falsa, dos estados ibéricos actuais. Se os Espanhóis não querem, como é natural, encarar de modo algum essa solução do problema pedimos que nos desculpem de deixar de pensar no assunto.

    (…) A primeira nação inimiga da Ibéria é a Espanha – no sentido de a actual Espanha, Castela imperando antinaturalmente num agrupamento que não conseguiu absorver, porque não absorveu a Galiza nem a Catalunha.

    (…) (Antes: o espírito ibérico é uma fusão do espírito mediterrânico com o espirito atlântico; por isso as suas duas colunas são a Catalunha e o estado natural galaico-português…). ”

  70. quando digo que Gore Vidal é pouco suspeitoso de patriota, quero dizer de patriota português (ele sim se declara patriota americano)

  71. Gore Vidal é genial! A Criação e o Washington DC falam por si.

    Obrigado Miro pelo enunciado do Pessoa, que não conhecia, permanece rigoroso, a meu ver. Outro genial.

  72. Caro Miro,

    Afirmou você no site da Agal:

    Escrevi mais um comentário sobre o « assunto » no blogue da Aspirina B:

    https://aspirinab.weblog.com.pt/2007/07/carta_aberta_a_jose_saramago.html#comments

    Esperemos que o juiz Del Olmo ou o juiz Garzón, diligentes defensores das liberdades, nom lhe fechem a bitácula ao senhor Venâncio por causa minha. Nom sei se o delito de “injúrias ao propagandista oficial” esta já tipificado como tal no código penal espanhol.

    Fique sossegado. Os competentes juízes não virão fechar a nossa «bitácula» (belo, e vernáculo, termo galego para «blogue»). Por isto: ainda não é crime ser patriota.

  73. Miro: observará, primeiro, que Fernando Pessoa nem sequer menciona o País Basco, a primeira região de Espanha a ter um estatuto autonómico (que o Franco rasgou com raiva em 1936). Já no tempo de Pessoa fervilhava ali o autonomismo (o PNV) e até o separatismo.

    Se Pessoa conhecesse a actual estrutura autonómica de Espanha e todos os outros frutos da descentralização com total respeito pelas identidades nacionais e regionais, decerto pensaria diferentemente.

    Segundo, observará que Pessoa, bom patriota embora liberal e cosmopolita, queria mandar a luva à Galiza, assim disfarçadamente, a título de compensação pela nossa adesão à confederação… Da qual Portugal poderia depois desvincular-se, quiçá levando consigo a dita compensação… Ora a Galiza, sobretudo a actual, tem mais em comum com o resto de Espanha do que com Portugal, agrade isto ou não a muitos nacionalistas portugueses ainda estranhamente agarrados à ideia lamecha e utópica do “estado natural galaico-português”.

    Já nem refiro o facto de a Ibéria, com todas as suas nações e regiões, pertencer hoje à União Europeia, que Pessoa mal poderia ter enxergado lá de longe. A união alfandegária e monetária da Ibéria está feita. Embora não tivéssemos sido nós, nações ibéricas, a fazê-la: apenas aderimos a ela (como parte da europeia) já com o comboio em andamento. Os bancos bascos, catalães, asturianos, galegos e castelhanos já aí estão, mais El Corte Inglés e 400 fábricas e fabriquetas a trabalhar para a Inditex. As autoestradas e o TGV acabarão muito em breve por nos ligar completamente ao aparelho circulatório peninsular. Até já o banditismo e o terrorismo espanhóis aí andam. Que falta? O rei?

    No que Pessoa acerta ainda a cem por cento é na impossibilidade de federar uma república com uma monarquia. A tal confederação ibérica (se calhar hoje uma fórmula já fora de prazo) só poderia ser republicana. Por isso a Espanha e o seu rei continuam a ser os grandes obstáculos práticos a uma união federativa das nações ou estados da Ibéria e os grandes inimigos do iberismo. É isto (que Pessoa via!) o que os nacionalistas, chauvinistas e patrioteiros de hoje se negam a ver.

  74. Nikita: Discrepo. Primeiro, a Espanha nega-se a reconhecer o caracter plurinacional do Estado e o direito de autodeterminação das nações ou regiões que o compõem. O que Pessoa diz, é que, antes de pensar em qualquer tipo de união entre Portugal e Espanha, a Espanha deve resolver os seus problemas territoriais “internos”. Isto é, Espanha deve federar-se ela própria antes de começar quaisquer negociações com Portugal. Isto fica plenamente vigente hoje em dia. Outra cousa é que você pergunte se tem sentido a formação de confederações de Estados dentro da União Europeia. Essa é uma boa questão que talvez tente respostar mais adiante.

    Acho que os iberistas portugueses têm uma visão muito idílica das Autonomias espanholas. Saiba você que as autonomias não têm direito de se separar do Estado, nem de chegar acordos com outros Estados, nem sequer de se unir a outras Autonomias. Saiba que nas ordenanças militares espanholas, fruto do fascismo, existe uma clausula chamada “supuesto anticonstitucional máximo”, que vem dizer que se houver o risco de que qualquer pedaço de Espanha, qualquer, se separa-se da Espanha, o exército estaria legitimado para evita-lo, desobedecendo incluso a ordens do presidente e do parlamento. Saiba também, questão esta não trivial, que a mais alta autoridade militar é o Rei.

    Para além disso, o peso relativo dos partidos nacionalistas “periféricos” no Governo no Estado está também claramente sobrevalorizado em Portugal. De facto, o PP espanhol tem intenção de rematar de vez com a influência das forças “minoritárias” instaurando um sistema a dupla volta, como o francês. Se o tal projecto chegar a se consumar, e chegará, tão logo como o PP obtiver uma maioria absoluta, o peso político duma hipotética Comunidade Autónoma de Portugal (CAP) no Reino de Espanha seria zero. Ai Portugal diria, não, não, assim não jogo, voltamos ao de antes, e o exercito espanhol teria o direito de intervir unilateralmente sem escutar o Parlamento para evitar a ruptura da “pátria”.

    Se você está zangado com o nacionalismo português, espere a conhecer o Espanhol! O único país que conheço mais nacionalista e chauvinista que a Espanha é, claro está, a França. Vale, admitamo-lo em Portugal existem bolsas de nacionalismo, mas, no conjunto, Portugal sofre mais bem da mesma enfermidade que a Galiza, os sintomas sendo: falta de autoconfiança, um autoódio galopante e certas tendências autodestrutivas… Você diz que a Galiza é mais espanhola do que portuguesa. É. Na côdea, se imos à psicologia profunda… Não sei. Semelha que os dous países, nascidos duma mesma matriz, cansaram de existir. Escutem bem, Portugal é um pais infinitamente mais civilizado do que a Espanha! Portugal merece existir, Espanha não. Digo-lho eu que tenho passaporte espanhol (para marchar fora).

    E a comparação com a França faz-me lembrar uma cousinha: na Alsacia, região germanófona da França, um aparelho de TV munido duma antena convencional (sem cabo, satélite, nem internet) recebe três canais alemãs . É normal. Somos todos europeus, cumpre rachar fronteiras artificiais e toda essa léria. Estamos de acordo? Sim, que bem. Na Península Ibérica existe uma Euroregião Galiza-Norte de Portugal (uma proto-nação ou nação malograda, segundo o projecto político de cada quem). Na Galiza existe uma plataforma que leva anos a solicitar a recepção do sinal das radio-televisões portuguesas no território galego. Uma tal iniciativa beneficiar-se ia sem duvida de subvenções europeias, ainda que não fariam falta, porque de certo que os media portugueses estariam contentes de ampliar a sua cota de mercado num 30 com o mercado galego. E imagine o impacto económico para outros sectores do pais! Pois não vai ser. Por que o Governo espanhol não quer…

    Finalmente, como já expliquei no meu artigo no PGL, acho que os portugueses, não apenas os patriotas e nacionalistas, mas todos aqueles que prefiram ser um país pequeno do que uma colónia, têm boas razões para estar preocupados. Haverá quem pense que exagero, mas qualquer pessoa que tenha estudado algo o fenómeno colonial, qualquer pessoa possuidora das ferramentas interpretativas adequadas, dará-se conta imediatamente de que não. Mas vocês, por favor, não se inquietem e continuem a sonhar com a sua idílica Autonomia espanhola. Ora, do lugar para o que vocês vão, nos já vimos de volta e alguma cousa sabemos… Não profetizamos, descrevemos. Quem quiser escutar, que escute.

  75. Miro: não vejo nos trechos citados onde Pessoa diz isso que V. afirma que ele diz, federar-se Espanha “antes” e só depois vir à fala connosco. Mas como Pessoa não é a Bíblia, não nos vamos perder nestes exercícios exegéticos.

    Os nossos nacionalistazecos lusos são muito pouco ousados e ambiciosos. E muito pouco orgulhosos até. Nós, portugas,podíamos e devíamos ditar o ritmo e liderar o processo de unificação ibérica. Não por sermos mais espertos ou clarividentes que os outros, mas porque somos os únicos que não temos complexos de nação oprimida nem opressora.

    Já o disse aqui: somos a nação mais populosa da Hispânia e temos muito com que participar no poder em Madrid e influenciar em toda a Península pontualmente com quem estiver connosco. Já viu V. o poder que nós, portugas, poderíamos alcançar em Madrid quando juntássemos a nossa voz aos catalães, aos valencianos, aos galegos, aos bascos, aos canários? Os amiguinhos lamechas da Galiza olhem para o exemplo desse mesmo rincón do Noroeste com apenas 1/4 da nossa população, muito “oprimidos” por Castela, mas que estão mais ricos que nós, que têm empresas multinacionais que nós não temos e que têm homens a mandar decisivamente em Madrid há muito tempo. Ou até os bascos (não me estou a referir aos assassinos da ETA e aos seus amigos). Esses oprimidos têm ousadia e ideias muito avançadas. Não são lambe-cús de Madrid. Nós, népia, só saudosismos e lamechices utópicas – mas sempre chauvinistas até à medula e sempre a ruminar as velhíssimas ofensas do pérfido castelhano. Até no vento espanhol a gente descarrega a nossa bílis!

    O processo autonómico ainda não chegou ao fim em Espanha. O eterno vício de raciocínio dos anti-iberistas lusos é partir do princípio de que a realidade constitucional espanhola é imutável. Não é. E nós, portugas, muito poderíamos fazer por alterá-la decisivamente.

    TOMAR ESPANHA! – diria talvez Pessoa, o defensor do Quinto Império, se fosse vivo. Refazer Espanha, pelo menos, poderíamos, com a nossa participação e influência. Dar mais umas machadadas valentes no centralismo peninsular. E de caminho contribuiríamos para resolver também muitos dos eternos problemas internos da Espanha tal como ela ainda é.

    A questão da televisão portuguesa na Galiza é NEGOCIÁVEL, não é fincapé dos militares – ou é? O governo português só tem que pressionar Madrid e que acabar com esse escândalo.

    Mas nós TODOS na Ibéria somos uns cagões insuportáveis: se for a Europa a fazer por nós, aceitamos, está tudo muito bem. Mas se for negociado entre nós, tá quieto, nem daqui a quinhentos anos. Puta que nos pariu (salvo seja)!

  76. Todos os juízos de valor que têm aqui sido veiculados sobre a autonomia dos povos e nações ibéricas, a partir do que disse Saramago, padecem de um defeito de raciocínio fulcral. Partem do principio que todos “defendem a vantagem de Portugal abdicar da sua soberania como país independente para se tornar uma província autónoma da Espanha” ( a tal perguntinha do Valupi era feita sobre esta conclusão). O vício de análise consiste em considerar que tem de haver sempre, e em qualquer circunstância” um Poder seja ele eleito de que modo seja, baseado em mentiras, ou até simplesmente não eleito, que comanda a sociedade a partir das cúpulas para baixo através de “representantes”. Deus, o Rei ou o Presidente são entidades imutáveis e definitivas. Não lhes ocorre que o poder pode sofrer uma metamorfose e passar a emanar a partir de baixo, das bases, num sistema de democracia directa, cujos mandatários podem ser “controlados”, eleitos ou destituídos a qualquer momento.
    “porquê nos irmos vender à Espanha?” se a Espanha como poder autoritário centralizado desapareceria? – até o termo “vender” do Valupi está inquinado, sai da cabecinha de um intectualóide formado para servir o marketing do sistema – ele corre na necessidade de chegar em primeiro, quando a verdadeira corrida é zelar para que ninguém chegue em último. Nisso nos distinguimos.

    (comentário postado ali acima, por não ter voltado mais aqui)

  77. Como penso que Saramago conhece o carácter do Povo Português e a História de Portugal; não acredito nas declarações que fez. -Julgo tratar-se de uma provocação.
    -Pode até Saramago ser adepto do Iberismo como há muitos, tanto em Portugal, como na chamada Espanha; mas mesmo esses têm ideias muito díspares do que seria a União Ibérica.

    -Do lado de Madrid existe a corrente integracionista ou seja a ideia imperial, ideia completamente falida com mostra a realidade e que cada vez o será mais.
    -O outro partido é o partido federal da união das Republicas Autónomas Federativas da Ibéria. -Penso que este partido é maioritário tanto do lado português como do resto da Península. -Exceptuando Castela, personificada na classe dirigente instalada em Madrid.
    Ora bem, Saramago dá a entender ser adepto do primeiro partido, partido velho e bafiento; partido que sempre foi e continua a ser o grande obstáculo à União dos povos da Ibérica. -Foi este partido que destruiu a União e levou ao afastamento de Portugal em 1640.
    -É necessário voltar a História para entender como foi possível a Filipe II, tornar-se rei de Portugal e como Portugal 60 anos depois rompe com a Espanha.

    1ª Na época mais de que hoje a Espanha atravessava um período de grande crescimento económico e de grande influência politica para alem dos Pirinéus. Logo muito sedutor para todos os vende pátrias da altura. Mesmo assim Filipe II compreendeu não lhe ser possível ou que lhe sairia muito cara a simples e pura anexação da Nação Portuguesa.
    Por isso, aceitou respeitar:
    ( “Em 1581, nas Cortes de Tomar, Filipe II, político astuto, na sua patente de graças e mercês, outorgara ao País aqueles mesmos privilégios e imunidades que D. Manuel I jurara em assembleia similar. Mas essas promessas não foram mantidas pelos seus sucessores e todos os actos de Olivares, o poderoso valido de Filipe IV, visavam a reduzir-nos à misérrima condição de Província espanhola. Exacções fiscais exercidas contra todas as classes – Povo, Clero e Nobreza – provocavam a ruína colectiva. Os homens válidos eram arrancados, violentamente, aos seus lares, não para defenderem as nossas Conquistas, mas, sim, os domínios espanhóis.”)
    Ora conhecendo a História da península e em particular a História de Portugal.
    – Como é que o premio Nobel, concebe a nação portuguesa transformada numa simples província de Madrid ? _-E como homem de cultura, pode Saramago descer tão baixo e chamar províncias aquilo que ele sabe serem nações como é o caso da Catalunha da Galiza entre outras,;com especial relevo para o País Basco, Povo este tão diferente dos restantes povos da península, não é só a sua língua tão antiga e de origens ainda hoje desconhecida como os seus genes: Dizem os especialistas que se alguém quiser saber a identidade das vítimas das guerras entre Portugal e Espanha através do ADN não conseguira distinguir os portugueses dos espanhóis.
    – Mas saberá com facilidade quantos bascos participaram na refrega e ai perderam a vida.

    -Quanto ao conteúdo da mesma não ter tido muita repercussão nos mídia tanto nacionais como espanhóis, ela deve-se à questão dos impostos é que aqui Saramago toca com o dedo na ferida de muitos pseudnacionalistas que quando toca pagar os seus impostos à pátria, o seu nacionalismo vai pela sanita abaixo mais rápido que a velocidade da luz

  78. Por vezes os reintegracionistas (linguísticos) galegos somos chamados de « ilusos » (“iludidos” em castelhano, jogo de palavras com “lusos”) . Se os argumentos de Blogoff e Xatoo são representativos das opiniões dos iberistas portugueses, cumprira admitir que o iberismo português é um movimento de “i-lusos”.

    De maneira que Portugal, integrando-se na Espanha, vai mudar radicalmente a estrutura sociopolítica do Reino? Meus caros i-lusos, vocês não sabem nada da Espanha. Ainda mais, vocês não entendem nem pouco nem muito como funciona o mundo. Criaturas.

    Insisto mais uma vez, a relação da Espanha e Portugal será, começa a ser já, uma relação colonial. Estão a estabelecer-se relações de dependência entre o capital espanhol e uma parte da burguesia portuguesa. Relações que, o tempo o demonstrará, são assimétricas e vão prejudicar gravemente a soberania e os interesses do povo português, excepção feita dos interesses dessa reduzida camada da burguesia. Essa simbiose entre o capital metropolitano e um sector da burguesia local (que economistas como John Kenneth Galbraith denominaram com o termo de “burguesia cliente”), muito conveniente para ambos os dous sectores e desastrosa para o resto, é característica das relações coloniais em todas as épocas, desde que o mundo é mundo. Hoje podemo-la observar em quase todos os países do chamado terceiro mundo, nomeadamente na América Latina e na África. Embora na América Latina começamos a observar também tentativas de descolonização.

    Na Europa, a escola francesa, cunhou na década dos 60 o termo “colonialismo interior” para definir as relações económicas coloniais dentro dos Estados. A Galiza seria um bom exemplo. Com a União Europeia nasce um novo tipo de colonialismo intra-europeu no que os sectores económicos chave dos países mais “débeis” são absorvidos inteiramente por economias mais fortes, ficando os primeiros à mercê dos segundos. É o caso de países como a Eslováquia, e outras republicas do centro e leste da Europa. É também o caso de Portugal, embora no caso português o processo seja mais lento.

    Não nos enganemos, os países fortes e todos os que estão em condição de o fazer, planificam a sua economia, apenas os débeis, não o fazem e vem-se impelidos a seguir os ditados ultra-liberais do Banco Mundial ou, no contexto europeu, da Comissão Europeia. Chegado o momento das grandes privatizações das empresas antes públicas, quase todos os países centraram nessas empresas os seus esforços proteccionistas, tentando favorecer arredor delas uma acumulação de capital que impedisse que fossem absorvidas de imediato e permitisse, andado o tempo, uma expansão dessas empresas cara o estrangeiro.

    A Espanha, por exemplo, negociou inúmeras vezes com a União Europeia para que esta lhe permitisse injectar dinheiro público no sector privado, embora isto estiver em contradição com os tratados da União e as políticas predicadas desde a Comissão. A Espanha opôs-se também a todas as fusões internacionais que, na verdade, eram absorções de empresas espanholas consideradas chaves por parte do capital estrangeiro (veja-se o caso recente das eléctricas). É possível que o Estado tenha que pagar multas, já pagou, por estas manobras entorpecedoras do sacrossanto mercado livre. Velai outra forma de sacrificar dinheiro publico em favor da acumulação de capital em mãos privadas.

    Esse processo planificado de acumulação de capital está a permitir agora às empresas espanholas colonizar outros mercados, entre eles, o português. E a acumulação de capital em Madrid deve continuar. Por exemplo, como sabemos, a Euroregião Galiza-Norte de Portugal é ainda objectivo número um na recepção de fundos estruturais da UE. Bem, o Estado Espanhol investe parte desses fundos, não na Galiza ou em projectos de colaboração transfronteiriça, mas em infraestruturas em Madrid, ou em infraestruturas necessárias, não para a Galiza, senão para favorecer o crescimento do grande capital metropolitano. Eis o futuro que lhe espera a Portugal; e os iberistas portugueses não vão mudar isso.

    Neste contexto, uma possível união política como a profetizada por Saramago poderia chegar a se produzir (é relativamente provável), mas não é imprescindível e nem sequer necessária para o controlo de Portugal por parte do capital espanhol. Obviamente, os delírios iberistas resultam sumamente úteis como armas propagandistas e justificadoras do processo colonial. Mas, seja como for, com união politica ou sem ela, já a burguesia cliente se encarregará de “mantener la chusma a raya”.

    A próxima vez que vejam o Durão Barroso dêem-lhe um beijinho da parte da banca espanhola, façam favor. Qualquer dia há receber o prémio Príncipe de Astúrias ou hão-no fazer filho predilecto da cidade de Madrid. E vocês continuem a piar e dizer parvoíces que se calhar habemos criar um postinho também para vocês como articulistas na impressa ou “tertulianos” na rádio.

  79. Miro, eu pedia ali em cima que me esclarecesses aquela coisa da televisão, que eu não percebi. Os galegos estão, de alguma forma, impedidos de ver televisão portuguesa?

  80. Eis a situação na que se acharão, se a profecia de Saramago dar certo, alguns portugueses da província espanhola de Portugal:

    http://www.vieiros.com/nova/59949/hai-un-cadro-global-de-loita-contra-a-disidencia-equiparando-disidencia-e-terrorismo

    Um pequeno artigo da Constituição Espanhola:

    Artículo 3.1. El castellano es la lengua española oficial del Estado. Todos los españoles tienen el DEBER de conocerla y el derecho a usarla.

    Alguém pensa que é possível encontrar trabalho na Espanha sem falar castelhano?

  81. Ah, os okupas, os eternos injustiçados com o aparelho repressivo e fascista do estado… Solidariedade, moços! A minha alma revolucionária a dissidente já treme ;)
    Mas então, e voltando atrás, existe mesmo uma vontade generalizada dos galegos de ver televisão portuguesa? Soa-me bizarro.

  82. Miró
    Ao invés das cogitações bafientas liberais oitocentistas dos cinzentões autores deste blogue,,
    Vc tem uma visão lúcida do que é o sub-imperialismo espanhol, embore não o cite pelo nome. Isso e o não entendimento de que este é um sub-sistema do Imperialismo tout-court, trá-lo também a si ao reino das “criaturas” que não entendem o mundo.
    Quem conhece e lida com o Imperialismo de raiz antropológica Wasp de raiz judaica sabe que os donos do mundo não se rebaixam a falar, muito menos a dialogar, com pretos, hispânicos, chinocas, etc. É para lidar com essa mole de gentios que historicamente se formam burguesias nacionais, que existem com a única finalidade de intermediar a exploração (as tais élites funcionárias, a “burguesia cliente”de que fala), que recolhem opulentas migalhas a troco da gestão dos aparelhos económicos, repressivos e de desinformação locais. Foi assim com o colonialismo, continua a ser assim com o neo-colonialismo. Como a Espanha tem uma tradição mais arreigada e afirmativa na gestão da exploração de milhões de falantes, nomeadamente na América latina, torna-se evidente que essa experiência é aproveitada (mormente através da prática das suas empresas monopolistas:Repsol, Telefónica,Santander,etc), integrando Portugal, (uma região representada pelos parasitas neoliberais que se apropriaram do regime), com o fito de alargar o mapa neocolonial aos falantes de português em África e no Brasil. É do sucesso no desenvolvimento destas novas bolhas que depende o futuro que eles, os barrosos e os solanas deste mundo, esperam construir. Os recursos que as potências imperialistas e as suas correias de transmissão sacam é a sua fonte principal de acumulação de mais-valias, e também, a principal causa da miséria no 3º mundo. Actualmente isso é feito através da concessão de créditos descomunais alicerçados em valores ficticios. Alguém pode garantir a perpetuação de um sistema destes?
    Este é o paradigma actual com que nos confrontamos. No entanto, quando os sistemas atingem uma complexidade insustentável, quando alguns (os alienados) menos esperam, os paradigmas desmoronam-se. É dos livros de História: depois das rupturas nascem coisas novas.

  83. e pronto, não lhe entra na tola, Miró:
    disse: eis “a situação na que se acharão, se a profecia de Saramago dar certo, alguns portugueses da província espanhola de Portugal”
    Saramago não disse isso, disse que se porventura acontecer qualquer integração tal pressupõe justamente o fim da “Espanha” para dar lugar a uma comunidade de nações situadas na Ibéria. No caso do País Basco p/e o conceito alastra até a França

  84. Xatoo, acho giríssimo esse teu “imperialismo de raiz antropológica WASP de raiz judaica”. Não queres acreescentar “y Albuquerque”? Ficava ainda mais fixe.

  85. Miró, não deixe estalar o verniz, criatura. Estava a ir tão bem…
    Logo respondo à sua arenga sobre o terrível colonialismo intra-ibérico. Mas desde já lhe digo que não pode aplicar as grelhas de análise (leninistas) de há 80 anos anos e abstrair de que vivemos hoje todos num mercado globalizado, para o qual NÂO há alternativas, felizmente! Se acha que há, diga quais são. Como é que quer blindar ou impermeabilizar o sector e o mercado financeiros da sua nación, para os narigudos dos “espanhóis” (quem serão?) não irem lá cheirar? Ou quer restabelecer as fronteiras pré-Tratado de Roma, os passaportes para ir a Vigo comer ostras e as oficinas de cambios-change-wechsel? Isso não é programa para o futuro, caro.

    Olhe-me para a Inditex, ali de Arteixo, A Corunha. Eles estão a “colonizar” o mundo inteiro e fazem muitíssimo bem. A nossa burguesia compradora está bem, obrigado, mailos operarios que trabalham barato a fazer as camisas e as calças para a Inditex, se não iam para o desemprego ou para o trabalho escravo na estranja. E o povo gosta da Zara e da Bershka, embora as nossas lojas nacionais de roupas estejam a desaparecer. Mas preferimos de longe os espanhóis aqui aos chineses que já cá estão a preparar o salto do tigre sobre a nossa incompetência e desorganização.

  86. Bueno, lamento si me he pasado un poco con algun comentario. Abandono el debate. Vayan ustedes aprendiendo castellano, pollos, que falta les va a hacer. O tal vez no, porque probablemente la unión política entre España y Portugal no la verán sus ojos. En cualquier caso, asegúrense de que sus hijos lo aprendan. Pobres, van a estar bien jodidos ;-) Ahora entiendo por qué Portugal está como está… Ala, pues nada, a extinguirse en paz y no dar más la vara!

  87. Mira, Miro, yo entiendo tu preocupaciones, pero, no te iludas, que no entiendes nada de Portugal, em verdad. No ficas conocioendo portugal por causa de media duzia, mias o mienos, de comentários em la aspirinita biê. Cuida-te. Que iesto son una cambada de maluecos. Mas poderemos exportar Teresita Guilherme a la Galizia, para tierdes la television piortoguesa em todo su esplendor. Gracias. Tu casa, es mi casa e vice viersa.

  88. Despreocúpense, bons viciños portugas, das intervencións agresivas dos maus viciños españois: adolecen da ignorancia e caracterízanse da violéncia que, como é sabido, é o último recursos dos incompetentes. E a incompetencia dos viciños españois no uso das línguas e, consecuentemente, na capacidade de comunicación e diálogo, é manifesta non só nos comentarios deste fío, senón tamén na súa atitude nos demais eidos da convivéncia: se é que pode chamarselle convivéncia a ter que aturar con certa resignación e condescendéncia ao viciño ruidoso, ignorante e maleducado incapaz de recoñecer as súas próprias limitacións.

    Como galego podo afirmar o que xa se ten dito anteriormente: que a portuguesa é unha cultura civilizada e a española non; entre outras cousas por que a cultura española non existe, a non ser como intento fracasado de imposición duns cánones culturais sobre tres nacións: a galega, a vasca, a catalana, que resisten e manteñen a súa identidade.

    No caso galego, esa identidade está fortemente alicerzada en factores comúns coa portuguesa: básicamente a língua, pero tamén no caso do norte de portugal con factores culturais que teñen máis a ver cunha aldea galega que cunha vila castelhana.

    Por tanto: en resposta ao Saramago, que literariamente respeito pero políticamente resulta patético, respostarlle que se quer ver a súa proxección materializada, non ten máis que mirar pra Galiza… ou pra calquera galego.

    Observen senón como acabei escrebendo o meu portugués: á española, con enhe. Pois así acabarán vostés se non espabilan. A fin de contas o proceso de colonización do capital financieiro español sobre os recursos portugueses é un facto, que no caso galego alicerzou a situación actual.

    Deixen de perder o tempo en pentelhices anexionistas, céntrense en reforzar a eurorexión galiza-norte de portugal e traballemos xuntos nun proxecto que a vostés traerá riqueza económica e a nós cultural, se conseguimos reintegrar a escrita do noso galego ao sistema gráfico do que nunca debeu separarse, o común medieval galego-portugués.

  89. E non só eu afirmo a cuestión do interese na reintegración ortográfica do idioma galego co portugués; saberán qué cousa é Zara e qué imperio -este sí- económica está detrás. Pois vexan o que escrebe o seu principal empresario; referíndose ao portugues:

    Adolfo Domínguez: “Yo lo hablo bien y soy profundamente lusista. Independizar el gallego es un error porque nos quedamos sin la ventaja de una lengua que hablan 250 millones de personas.”

    http://www.elpais.com/articulo/Galicia/volviese/nacer/seria/fisico/elpepuespgal/20070723elpgal_9/Tes

  90. Ó “Eu”, então tu nem sequer sabes quem é o dono da Inditex, meu patife? O Adolfo Dominguez é outro galeguito, também empresário de sucesso, mas é de Ourense. O gajo da Inditex é o Ortega, porra!
    Tanto um como o outro são dois exemplos para nós berdadeiros portugas, mas não para os tugas chauvinistas amiguinhos lamechas da Galiza.

  91. Nikita
    1- Não precisas de inventar apelidos de família. Ou se os queres, basta-te analisar os nomes de quem detém a banca mundial,(Rostchilds,Harrimans, Rockefellers,etc) ou ainda, procurares explicar porque é que Israel movimenta mais de 90% do mercado accionista em Wall Street.
    2- Ouve o que te disse o galego | julho 23, 2007 06:32 PM pois vem coincidir com o teor geral do que aqui venho expondo. Áparte aquela bojarda sobre o Saramago (que não leu, logo não entendeu) tudo o mais no seu raciocínio é perfeito.

  92. o nikita ignora as conexións que o capital español é capaz de establecer e escápanselle detalles de certa “importancia” na relación entre ambos empresarios, pero deixémolo ladrar na súa ignorancia, e que comparta cos nacionalistas españois a continuidade do fracaso do seu defenestrado sonho imperial…

  93. Explica lá, ó galego sabedor, como é que o Adolfo é o “principal empresário” da Zara. Qualquer sul-americano ou até chinês sabe que o Amancio Ortega, dono e senhor do império Inditex, é o maior empresário de sucesso (e o homem mais rico) de toda a Espanha.

    Ladrar, ladras tu ó malcriado.

  94. (NO FIM, VERSÃO EM CASTELHANO, PARA QUE QUEM FALA ESTA LÍNGUA NÃO PENSE QUE TODA A ESQUERDA É “SARAMAGUISTA” !)

    UM APELO DIRECTO A JOSÉ SARAMAGO (inédito!)

    Há lógicas que não consigo entender.
    Conheço um escritor de grande valor que se bate por várias causas, a nível mundial. Não só luta contra os “males” do Mundo, numa época em que o Capitalismo Selvagem dita a sua lei sobre governos, povo, e nações, como luta para que todos os povos tenham o direito de e governar como entenderem. Esteve até na Palestina, apelando à Independência desta em relação a Israel. Apoiou a independência de Timor. Apoia a idéia dum Curdistão independente.
    Este homem apela a que deixem os povos decidir. Combate as elites iluminadas que manipulam a vontade desses mesmos povos. Nega-se a aceitar que haja povos mais ou menos inteligentes.
    Este homem viu, desde 1989/1990, inúmeros povos reclamarem a sua independência e a sua constituição em Estados soberanos. Ainda recentemente, vimos o pequeno Montenegro proclamar a Independência.
    O homem em questão cita o exemplo de países como a Eslovénia como capazes de ultrapassar Portugal, e sabe que a mesma se separou duma União maior chamada Jugoslávia.
    Talvez tenha até ouvido o Primeiro-Ministro dinamarquês comparar Portugal e a Dinamarca, e dizer que ambos são pequenos países com pouca população (e, nestes aspectos, Portugal é superior), com um vizinho poderoso, mas que fazem o possível por sobreviver, e que, se a Dinamarca foi capaz de se tornar um dos países mais ricos do mundo, Portugal também o poderá fazer.
    O nosso homem sabe que não se vislumbra, por essa Europa fora, nenhum movimento de retrocesso em relação a independências adquiridas há menos tempo que Portugal. Ninguém tem conhecimento de que a Holanda se queira reintegrar na Alemanha, ou a Bélgica, ou parte dela, na França.
    Sabe, e di-lo, que um dos problemas das elites em Portugal, ao longo dos séculos, é o seu desprezo pelo povo que as sustenta e a tentação da riqueza fácil “adquirida”, se necessário, vendendo-se ao estrangeiro. Sabe que o próprio povo tem varrido essas elites.
    Este homem é de Esquerda, Republicano, Laico, Anti-imperialista.
    Este homem chama-se José Saramago, e recebeu um Prémio Nobel pelo que escreveu em Língua Portuguesa, enchendo de alegria muitos compatriotas.
    Mas este homem não aplica ao seu País o que defende para o resto do Mundo. Acha que o povo de que é fiho é menos inteligente que os demais. Acha que não tem o Direito à Independência. Como as elites que critica, acha os portugueses incapazes de se governarem sozinhos, e acena ao estrangeiro… mesmo quando este é governado por uma Monarquia… que nasceu depois de uma guerra brutal que esmagou os seus companheiros ideológicos (ressalve-se que os actuais monarcas não tiveram a culpa !). Pior, acha que “sem se encostar” a um “padrinho” poderoso, não pode subsistir, porque não tem sido capaz de se governar sozinho. E acha isto depois de 850 anos de independência… com os seus altos e baixos, naturalmente…. mas em que resistiu a tudo e todos.
    Saramago, Saramago, meu caro Nobel: aplica ao teu povo o que desejas para os outros. Não cries, em quem adora tua Literatura, problemas de consciência.
    Por uma vez, copia um pouco a altivez da Espanha que admiras, e aplica-a ao teu País. Contribui para a saída da crise, apelando ao amor-próprio de todos nós, em vez de agravares os nossos sintomas depressivos. Lembra-te do teu livro “Levantados do Chão”.
    Carlos Eduardo da Cruz Luna
    (um leitor/apreciador da obra de Saramago)
    Estremoz, 16 de Julho de 2007

    O MESMO TEXTO DE APELO A SARAMAGO…EM CASTELHANO !!!!
    EN CASTELLANO !UN APELO DIRECTO A JOSÉ SARAMAGO (DE UM PROGRESISTA PORTUGUÉS)
    UN APELO DIRECTO A JOSÉ SARAMAGO (DE UM PROGRESISTA PORTUGUÉS)

    UN APELO DIRECTO A JOSÉ SARAMAGO (POR UN PROGRESISTA/”IZQUIERDISTA” PORTUGUÉS)
    Hay lógicas que no consigo entender. Conozco a un escritor de gran valor que se bate por varias causas a nivel mundial. No sólo lucha contra los “males” del mundo, en una época en que el capitalismo salvaje dicta su ley sobre gobiernos, pueblo y naciones, sino que también lucha para que todos los pueblos tengan el derecho a gobernarse como entendieren. Estuvo hasta en Palestina, apelando a la independencia de ésta con relación a Israel. Apoyó la independencia de Timor Oriental. Apoya la idea de un Kurdistán independiente. Este hombre apela a que dejen decidir a los pueblos. Combate a las elites iluminadas que manipulan la voluntad de esos mismos pueblos. Se niega a aceptar que haya pueblos más o menos inteligentes que otros. Este hombre ha visto, desde 1989/1990, a innúmeros pueblos que reclamaban su independencia y su constitución en Estados
    soberanos. Aún recientemente, vimos al pequeño Montenegro proclamar la independencia. El hombre en cuestión cita el ejemplo de países como Eslovenia como capaces de superar a Portugal, y sabe que la misma se separó de una unión mayor llamada Yugoslavia. Tal vez hasta haya oído al primer ministro danés comparar Portugal y Dinamarca, y decir que ambos son países pequeños con poca población (y, en esos aspectos, Portugal es superior), con un vecino poderoso, pero que hacen lo posible por sobrevivir y que, si Dinamarca fue capaz de convertirse en uno de los países más ricos del mundo, Portugal también lo podrá hacer. Nuestro hombre sabe que no se vislumbra, en Europa, ningún movimiento de retroceso con relación a independencias adquiridas hace menos tiempo que la de Portugal. Nadie tiene conocimiento de que los Países Bajos se quieran reintegrar en Alemania, o Bélgica, o parte de ella, en Francia. Sabe, y lo
    dice, que uno de los problemas de las elites en Portugal, a lo largo de los siglos, es su desprecio por el pueblo que las sustenta y la tentación de la riqueza fácil “adquirida”, si es necesario, vendiéndose al extranjero. Sabe que el propio pueblo ha barrido a esas elites. Este hombre es de izquierdas, republicano, laico, antiimperialista. Este hombre se llama José Saramago, y recibió un Premio Nobel por lo que escribió en lengua portuguesa, llenando de alegría a muchos compatriotas. Pero este hombre no aplica a su país lo que defiende para el resto del mundo. Cree que el pueblo del cual es hijo es menos inteligente que los demás. Cree que no tiene derecho a la independencia. Como las elites que critica, cree a los portugueses incapaces de gobernarse solos, y hace gestos al extranjero… incluso cuando éste está gobernado por una monarquía… que nació después de una guerra brutal que aplastó a sus compañeros
    ideológicos (¡nótese que os actuales monarcas no tuvieron la culpa!). Peor: cree que, “sin arrimarse” a un “padrino” poderoso, no puede subsistir, porque no ha sido capaz de gobernarse solo. Y cree esto después de 850 anos de independencia… con sus sus altibajos, naturalmente…. pero en que ha resistido a todo y a todos. Saramago, Saramago, mi estimado Nobel: aplica a tu pueblo lo que deseas para los otros. No crees, en quien adora tu literatura, problemas de conciencia. Por una vez, copia un poco la altivez de la España que admiras y aplícala a tu país. Contribuye a la salida de la crisis, apelando al amor propio de todos nosotros, en vez de agravar nuestros síntomas depresivos. Acuérdate de tu libro “Levantado del suelo”. Carlos Eduardo da Cruz Luna(um lector/apreciador de la obra de Saramago)Estremoz, 16 de julio de 2007
    Traducido del portugués al español o castellano.

  95. Sobre os empresários oriundos do mundo da máfia, havia uma frase lapidar no Padrinho (salvo erro o III) onde o advogado dizia que até haver condições para o filho caçula tomar posse, todos os negócios da famiglia teriam de ser reconvertidos para negócios legais.
    Extrapolando para o caso da Zara, foi um instante desde que o grande capital apoiou a empresa, até que nunca mais se ouvisse falar das lanchas rápidas da droga na Galiza

  96. Ó Xato, a tua teoria conspirativa acerca do capitalismo é hilariante. Dai também seres hilariante como anarca. Sem hard feelings, como se diz na Galiza.

  97. Ouh Nikita Blogoff, eis o paradigma do nacionalismo portugués, só comparabel ao español en desprezo pola razón e pola intelixéncia…

  98. gabo-vos a pachorra, pás!, ou então isto é mais grave do que eu pensava e aí vai tudo pó caralho na mesma, quando chegar a hora.

    Portugal é pequenino e piçalhudo, fez esta coisa da globalização e à mistura com saudades deu miscigenação, y a mi me gusta assim.

  99. He leído por ahí arriba que alguien, muy sabiamente desde luego, ha dicho que España no sería nada sin Aragón, Cataluña, Andalucía, Galicia…., Bueno mira, es que Francia tampoco sería nada sin París, Nantes, Burdeos, Lyon.. ni Portugal sería nada sin Lisboa, Coimbra, Oporto…

    No tengo ni idea de por qué la gente que vive en otro país se permite el lujo de criticar la situación de otro. En todo caso se podría argumentar una opinión y siempre y cuando se tuviese un mínimo conocimiento del asunto.

    Un referéndum en Cataluña, País Vasco o Galicia sorpredería a toda esa gente que de buenas a primeras se dedica a decir chorradas sin el más mínimo dato.

    Sabes cuántos dirían que sí a la independencia? yo te lo digo, cuatro. Idiotas hay muy poquitos y el protestar y amenazar contínuamente les concede gran parte de los favores que estas Comunidades hoy tienen.

    Por tanto, no te preocupes, España seguirá siendo España mientras tus ojos puedan verlo.

    Otra cosa es Portugal. Da gracias a que a España no le conviene en absoluto anexionarse Portugal porque el hecho de que buena parte de la población portuguesa mire con buenos ojos esa anexión, pondría en peligro de muerte al independencia de tu país.

    Portugal es un país cojonudo. No deberíais olvidarlo.

    Ese odio feroz a España os impide valorar lo vuestro e intentar mejorarlo.

  100. “No tengo ni idea de por qué la gente que vive en otro país se permite el lujo de criticar la situación de otro.” (Ander dixit)

    É necessário ser muito pior do que colhonudo para dizer semelhante estupidez. E ainda por cima em castelhano coxo, sem lógica sequer (2 x otro).

    Vai pá escola, censor franquista. Aprende ao menos a hablar y escribir. E fica sabendo que aqui os colhonudos somos uns tesos, passe o trocadilho (ou trocadalho), mas temos ao menos esse LUXO fantástico de criticar livremente e dizer tudo o que nos vai na carola sobre qualquer assunto, interno ou externo (vide Saramago).

    Bem sei que agora há a ameaça da Polícia Patriótica a pender sobre a nossa cabeça, mas parece que a coisa ainda está só em estudo, ou em stand by, como se diz na Galiza.

  101. que Galicia es de quién?. Galicia, por la razón que sea pertenece hoy a España, nos guste o no nos guste.

    Los que querríamos la independencia de esta tierra querríamos eso, independencia.

    Galicia no es de Portugal y cuando queremos salir de España no pretendemos meternos en otro Estado que no sólamente obrará con la misma desidia hacia nosotros sino que además nos llevaría a la más absoluta miseria.

    Galicia no vive oprimida por España; si Galicia no tiene lo que tiene Cataluña es porque la gente de Galicia no quiere lo que quiere Cataluña. La gente de Galicia busca su vida y lo demás le importa un rábano.

    Cuando sucedió lo del Pretige sentí verdadera verguenza. Todas esas gentes que en un principio luchaban por su mar y se levantaban contra los políticos, fueron las mismas gentes que después se vendieron a esos políticos por cuatro duros.

    El pueblo gallego no sabe o no quiere luchar contra las vergonzosas actuaciones de Madrid. No supo luchar cuando los Reyes Católicos se mofaban de los gallegos, no supo luchar cuando Franco renegó de su tierra para llevar toda la industria hacia Euskadi y Cataluña; no supo luchar cuando la cacicada del PP desbordaba poder en todo nuestro territorio y no sabe luchar ahora, cuando unos y otros se ríen porque ven lo felices y contentos que estamos porque nos van a poner el AVE, aunque el nuestro sea el último AVE, y sea un proyecto que estoy seguro no se llevará a cabo por mucha línea que comiencen.

    Repito, Galicia no sabe o no quiere luchar y echar la culpa de nuestra desidia a España es cuanto menos otro motivo más para que en Madrid se sigan escojonando de nosotros.

    De los catalanes no se ríen porque estos saben montarla cuando tienen que montarla. Con todo, estoy convencido de que el sentimiento nacionalista de los gallegos es un sentimiento totalmente distinto al catalán. Creo que es más fuerte, más de corazón y menos económico y seguramente por eso es por lo que el cansancio y el saber que nos den o no lo que pedimos, nuestro sentimiento de gallegos no nos lo van a quitar.

    Por cierto, en Galicia se habla gallego con total normalidad. Oficialmente, es decir, en isntituciones públicas, se habla mucho más gallego que castellano.
    En la calle, quien quiere habla gallego y quien no quiere no.

    Es la puñetera verdad y decir lo contrario es seguir queriendo culpar a España de algo de lo que sólamente los gallegos tenemos la culpa.

  102. Dudo fervorosamente que tengas la más mínima idea de lo que sucede en España y dudo todavía más fervorosamente que tengas puñetera idea de lo que sucede en Euskadi.
    Dudo también que tú sepas escribir mucho mejor que yo porque de cuatro frases, tres están impregnadas de insultos que no sé a qué vienen.

    Cuando alguien se expresa como tú en estos foros es siempre por el mismo motivo. No puedes aceptar opiniones de otras personas si esas opiniones no te gustan. Insultar y sacar los gallitos que uno lleva dentro siempre sucede cuando uno no sabe ya qué decir y pretende engrandecerse ante la persona a la que tiene enfrente y ante la que se siente acomplejado.

    Aunque sea español, no te voy a comer, no diré nada que desprestigie a tu país porque tengo educación y porque tengo otras cosas que decir.

    Que venga un resentido a contarnos lo que en España sucede es bastante irrisorio, te guste o no. Tus comentarios estarán siempre llenos de rencor, envidia y complejos y por esa razón nunca serán objetivos.

    Por mi te puedes meter tu valentía donde te quepa. Tu educación demuestra hasta dónde puedes llegar tú y todos los que son como tú.

    Entra en otros foros franceses, italianos o alemanes y cuéntame cuánto se habla de España y su situación y su invasión y su no sé qué. Sólo en Portugal, sólo los portugueses tienen verdadera obsesión con España. En foros de otros países se puede discutir de deporte, de cine incluso de política, pero llegar a dar la tabarra continuamente con si España se va a comer a Portugal o si España es mala con Portugal o si Portugal no quiere no sé qué con España….. es una obsesión enfermiza.
    Francia también invadió España y España se anexionó Flandes e Inglaterra se comió no sé cuántas cosas. Has visto algo igual en estos países?, no sólo Portugal contra España, igual que América contra España. Lo de los portugueses y los americanos es una enfermedad y a la larga esto en España se nota y cuando los emigrantes americanos y los portugueses vienen a España se sigue notando.

    Yo que vosotros me civilizaba un poco porque al final pasa lo que pasa y ya ni el máximo representante de las letras portuguesas hoy, quiere ser portugués.

    Y preocúpate. Tendrás que seguir insultando a España porque tu deseo no se verá cumplido jamás. Nunca llegarás a ser español.

    Ahora sigue insultando.

  103. Bueno, en la Comunidad Autonoma de Portugal, estaria la septima ciudad mas grande del pais. Lisboa pasaria de ser la capital de un pais a ser un pueblo de provincias ;)En vez de ir a pasar el fin de semana a Palencia, iriamos a Lisboa a marabillarnos del provebial atraso portugues. Que bonito.

  104. -Quanto ao atraso de Portugal em relação a Espanha; gostava de saber onde reside esse atraso?
    -Será na festa brava?
    -Na ciência, nas artes na cultura do Povo em relação aos diferentes Povos que constituem o Estado, dito Espanhol?
    -Presunção e água benta, cada um toma a que quer!

  105. Los españoles.la inmensa mayoria, saben menos de portugal que de la India, japón, Australia o Suiza, y lo que es peor, no le interesa para nada saber de portugal, a pesar de tener fronteras comunes. Los portugueses creen que saben todo de España. y saben tan poco como los españoles de ellos.
    Preguntarles a esos nacionalistas gallegos cuales son los limites de su supuesto pais, y lo que no dicen. o se le olvidan cuando entran en los foros portuguses. Si, su supuesto pais para ellos no solo es los actuales limites de la comunidad autonoma de Galicia, sino además parte del oeste de las actuales cominidades autonomas de Asturias y de Castilla Leon, y ohh, sorpresa, el norte de Portugal, hasta el río Douro,lo que ellos llaman la Galiza do Sul, seguro que casi ningún portugues sabía esto, por lo tanto no solo es España la que oprime su patria, también es Portugal la que tiene ocupada y oprimida parte de su territorio.

  106. As identidades são múltiplas. Quando eu visito Braga, estou no sul da Galiza, mas também estou no norte de Portugal. O galeguismo não quer romper Portugal. Portugal, a diferença da Espanha, é uma nação. Portugal tudo fala a língua da Galiza. Portugal fala galego, com distintos sotaques, do Eu-Naviego ao Lisboetês. O norte de Portugal é também o sul da Galiza, não há contradição. Portugal é um produto da vontade dos galegos (do sul) de governarem a sua vida e não cair sob o jugo de Castela. Como bem disse o Suso de Toro, o sul de Portugal (do Douro para abaixo) é a nossa Andaluzia. Apenas Espanha é opressora. Apenas Espanha é que quer impor o seu modelo identitário monolítico aos demais povos peninsulares. Sempre foi assim e não tem traças de mudar em breve prazo. Não agora que a direita Espanhola deserta do centrismo para voltar ser ultra-direita.

  107. Cando ti visitas Braga, visitas o qué? Andas ben perdido. Recórdame ós que falan de Gran Bretaña como o norte de Galicia. A verdade é que hai cousas que dan moita risa. Estou dacordo con alguén de arriba que dixo que culpar a España da situación de Galicia é botar a culpa por botala. O conto da España opresora xa finou e non hai fillo de nai coas neuronas ben postas que crea semellante cousa.

    Nacionalistas en Galicia hai moitos e de moitas clases. Están os nacionalistas lusistas, que seguramente estarán dacordo coas túas opinións, non sei se en todo pero si na maior parte; e tamén estamos os nacionalistas independentistas; e cando digo independentistas quero decir independentistas de España e independentistas de Portugal.

    Portugal o que ten que facer na miña opinión, é velar un pouquiño máis polos seus intereses; mirar un pouquiño máis para si e non mirar tanto para España nin para Galicia. Cada cousa é cada cousa e si Galicia non está ben en España, imaxina tú como ía estar en Portugal, a non ser que Portugal olvidase a súa estima e deixase a vida dos portugueses e o seu destino nas mans dos galegos; esta derradeira opción convertiría Galicia nun novo estado opresor igual ó que segundo vos oprime a Galicia.

    as paranoias son moi entrentenidas, pero non son máis ca eso, paranoias.

    e por favor, deixade de meter a Galicia no mesmo saco no que metedes a Portugal. Que cada uno viva a súa vida e que se salve o que poda.

  108. Los españoles.la inmensa mayoria, saben menos de portugal que de la India, japón, Australia o Suiza, y lo que es peor, no le interesa para nada saber de portugal, a pesar de tener fronteras comunes.
    ———————————————————————————————————-
    Resposta:
    -Quando desconhecemos as nossas origens, como podemos conhecer os outros?

    -É normal existe muita gente que quando se olha ao espelho não gosta da imagem si mesma!
    -São coisas que a psicologia explica bem.

    Los portugueses creen que saben todo de España. y saben tan poco como los españoles de ellos.
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    -Resposta:
    É natural que assim seja: Os Estados espanhol e portugués fizeram o que estava ao seu alcance para que os povos se desconhecessem o mais possível..
    Embora por motivos óbvios os portugueses conhecem um pouco mais da história da formação da sua pátria mas mesmo assim com as deformações, que ao poder convêm!
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    Preguntarles a esos nacionalistas gallegos cuales son los limites de su supuesto pais, y lo que no dicen. o se le olvidan cuando entran en los foros portuguses. Si, su supuesto pais para ellos no solo es los actuales limites de la comunidad autonoma de Galicia, sino además parte del oeste de las actuales cominidades autonomas de Asturias y de Castilla Leon, y ohh, sorpresa, el norte de Portugal, hasta el río Douro,lo que ellos llaman la Galiza do Sul, seguro que casi ningún portugues sabía esto,
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    -Resposta:
    Não estejas tão seguro disso: Como disse a esmagadora maioria dos portugueses conhecem a origem da sua pátria sabem que ela derivou da divisão do reino da Galiza doada pelo rei Afonso VI de Leão e Castela , ás suas duas filhas Dona Urraca e Dona Teresa . -Teresa casada com o conde Don Henrique Borgonha com a parte sul do condado “fronteira margem sul do rio Minho” que na altura já se estendia pelo menos até as terras de Coimbra de forma mais ou menos segura.” Devido as conquista levadas
    Comandadas por este fidalgo de origens Francesa.
    Ora a seguir a morte de conde Don. Henrique, estala a guerra entre os dois partidos que se personificavam nas figuras do jovem infante D. Afonso Henriques e sua mãe dona Teresa a justificação dada pela história oficial era que dona Teresa não partilhava os ideais independentistas de seu falecido esposo e do jovem principie Henrique seu filho.
    Dona Teresa foi acusada junto de com seu amante conde de Trava , de conspirarem contra o partido independentista chefiado pelo infante Henrique: – Mas tudo a autores que defendem o contrario e afirmam que estalou não por Dona Teresa ser contra a independência do condado mas sim por a estratégia montada pelo seu partido não ser coincidente com a do principie e seus apoiantes.
    Uns queriam que a independência do reino da Galiza na sua totalidade e estavam dispostos a esperar a oportunidade para tal.- O infante e seus partidários embora não desdenhassem os territórios de sua tia dona Urraca, não queriam esperar mais pois as condições politicas e sociais a sul do rio Minho afiguravam-se maduras para o começo das hostilidades com o Reino de Leão e Castela.
    Por tanto é muito natural que os independentistas Galegos vejam as suas origens nestes territórios que coincidem com a divisão feita pelo Império romano e mais tarde com o reino Suevo que aqui existiu até a conquista Visigoda ….. Havia mais a dizer mas para já chega…..!
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    por lo tanto no solo es España la que oprime su patria, también es Portugal la que tiene ocupada y oprimida parte de su territorio.
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    Resposta:
    -Como pode ver não é tanto assim… o problema é quando uma parte da família se divide: -Uns pensam que ainda não é tempo e outros dizem agora ou nunca.
    É a vida.

  109. Olá Pedro,

    Primeiro, eu a priori não tenho nada contra as doutrinas iberistas, que acho muito lógicas, e coincido contigo e com Saramago em que a união ibérica é um processo em curso. Também não me oponho ao processo globalizador, per se.

    O que eu questiono é a natureza desses processos tal e como eles estão a acontecer e, particularmente, a discrepância entre a natureza “real” desses processos e a propaganda que deles se faz ou, noutras palavras, os esquemas interpretativos que são fornecidos aos cidadãos para a interpretação dessas realidades.

    Muito resumidamente acho que, embora o processo da globalização tenha muitas faces e algumas ao meu ver muito positivas, a força dominante está a ser, com grande diferença, a acumulação de capital e a expansão de mercados. Uma força que opera de costas viradas aos cidadãos/consumidores e ao planeta/matéria prima. Uma forca que, não só e antidemocrática na sua mesma essência, senão que está, como cabalo de Átila, produzindo uma involução democrática lá por onde passa. Cada vez vemos como os centros de decisão vão ficando mais longe dos cidadãos, como as conquistas sociais, para mim insuficientes, dos séculos XIX e XX estão a ser progressivamente erodidas em favor da acumulação de capitais e como as liberdades fundamentais ficam cada vez mais minguadas.

    Então o que eu digo é que esse processo, assim descrito, é tudo o contrario do que eu quereria. Eu preferiria uma globalização em quanto união livre de cidadãos livres e conscientes que levam as rédeas da sua existência individual e colectiva. O que temos é, pela contra, um processo que se está a cozer longe da vista dos cidadãos, que é contrário aos interesses da imensa maioria desses cidadãos, em quando seres humanos livres e incluso em quanto seres vivos, e ao que nos vemos abocados irremissivelmente queiramo-lo ou não.

    Pois eu, como qualquer um que ama a sua liberdade, que ama o ar que respira e a água que bebe, tenho-me que opor. Tenho que tentar, embora por vezes frustrado por uma paralisante sensação de impotência, reconduzir esse processo por onde a mim me interessa.

    No contexto ibérico, acho quase uma ofensa para a inteligência, o facto de que a absorção da economia portuguesa por parte da espanhola se disfarce de união fraternal entre povos. Máxime sendo galego.

    Não penso que se possa reduzir tudo a termos da dialéctica globalização versus nacionalismo. O nacionalismo não é mais do que um dos refúgios nos que a gente está a procurar protecção face a um mundo de incertezas. Sendo o outro grande refúgio a religião. De facto, tu falas de crise dos nacionalismos ibéricos e eu o que vejo é um ressurgir dos nacionalismos ibéricos e, nomeadamente, do espanhol. De facto, estou a ver um ressurgir dos nacionalismos europeus e um ressurgir das religiões e da superstição em geral. Mas não quereria sair muito do tema.

    O nacionalismo, particularmente o nacionalismo de Estado, é também um mecanismo ideológico para o controlo da plebe. Mas no que diz dos nacionalismo regionais, muitas vezes também surgem de conflitos de interesses objectivos e acho que esse é o caso do galego, que nem tem uma burguesia que o respalde, e já sabemos que o nacionalismo é um vício burguês e portanto muito imitado pelos de abaixo.

    Já para rematar, no contexto dos nacionalismos “regionais” ibéricos, dá-se uma circunstancia muito engraçada, porque é a própria existência duma entidade supra-estatal como é a UE a que faz com que o Estado Espanhol se torne relativamente supérfluo desde um certo ponto de vista.

    Um abraço,

    Miro

  110. Já agora, dada alguma estupidez iberista aqui escrita, pergunto: dado que tantos países foram fundados por rebeldes independentistas como o caso de D. Afonso Henriques, que fundou Portugal, que integração mais é que defendem a nível mundial? Vejam lá se se mancam… Olha, a mim também faz muito sentido dar cabo da Áustria, da Suiça, do Luxemburgo, da Bélgica, de Andorra, do Mónaco, só para dizer alguns. Afinal que sentido é que faz aqueles países hoje em dia? É uma ideia estúpida? Também o é a anexação de Portugal pela Espanha. Aliás, acho que nós Portugueses nos deviamos era unir para os Espanhóis nos darem a Galiza e Olivença. Ah, e a próxima super potencial mundial não vai ser a Espanha, mas sim a China, portanto os iberistas talvez devessem era começar numa união de Portugal com a China como no tempo das descobertas. Afinal também lá tivemos o pé, não é? Já agora, queremos de volta todos os país que já tivemos e que achámos primeiro que os outros todos: Angola, Moçambique, Macau, Brasil, Japão, Austrália e Nova Zelândia. Coitadinhos dos Espanhóis, que apenas meteram as patas na América do sul e criaram o pedaço mais chungoso do mundo. Não falem muito Espanhóis, não vão os Árabes querer de volta a Andaluzia. Afinal aquilo também já foi dos Árabes…

  111. bueno, creo que tanto portugueses como españoles tienen un problema…no se conocen realmente..¡es una pena!si se conocieran mejor, no dirían tantas sandeces.
    bom, acho que tanto os portugueses como os espanhóis têm um problema…realmente não se conhecem…que pena!se se conhecessem melhor, não diriam tantas parvoíces.

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