O mundo começa (mesmo!) nas Escadinhas do Duque

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Para quem tenha a memória de um texto meu, no Aspirina, a anunciar um livro de Alexei Bueno que estava no prelo, texto acompanhado por uma foto magnífica que o Fernando Venâncio desencantou em boa hora para o blog, aqui fica a confirmação: o livro já saiu. O título é A árvore seca, a editora chama-se Bonecos Rebeldes e o posfácio é de Gil de Carvalho.

Sem mais conversa, fica o poema «Speculum patriae» para que todos descubram uma voz poética que no Brasil, hoje ele como ontem outros, faz parte do grupo de poetas que não hesita em chamar as coisas pelos seus nomes:

Um povo feio, essencialmente feio,
Fora os meio imigrantes. Cada dia
Uma outra humilhação que se anuncia
Um saque, um roubo, sem controle ou freio.

Uma horda de imbecis, de olho no alheio,
Cuja rapina é a única mestria
Pretensamente os donos da alegria
Da esperteza, da graça e Deus no meio.

Um pátio dos milagres de devotos
De tudo, irracionais, analfabetos,
A orar, a praguejar, a cumprir votos,

À espera do que os salve, em meio a insectos
A matar-se, a banhar-se nos esgotos
Das praias sem iguais, entre os dejectos.

recolhido por José do Carmo Francisco

2 thoughts on “O mundo começa (mesmo!) nas Escadinhas do Duque”

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