A Fundação Oriente tem na Rua do Salitre os seus escritórios e os seus jardins. Uma mensagem no telemóvel alerta-me para um concerto com Laurent Filipe, acompanhado ao piano por Pedro Sarmiento. Num jardim da Fundação.
Laurent Filipe toca trompete e fliscorne, mas no programa aparece trompete e flugelhorn. Até parece que não há em Portugal palavra para este instrumento. Tivesse eu notas de cinco euros como de vezes vi o meu avô José Almeida Penas trocar a sua trompete (não o bocal, só a trompete) com o fliscorne do Vítor Freire na Filarmónica de Santa Catarina! Quando para se fazer um coreto nas festas se juntavam dois carros de bois e se colocava um estrado por cima… Um erro destes só pode ser ignorância. Ou então um certo novo-riquismo cultural de que valoriza tudo o que vem de fora.
Isso foi no passado dia 4. Agora, a 11, estava escrito que o barítono Emilien Hamel é diplomado pela Université de la Sorbonne. Como se não houvesse equivalente. Mas, para não ficar por aqui, as meninas da Fundação trouxeram a tradução das «Histórias simples» de Brahms. Como a maior parte das pessoas não sabe alemão, compreende-se. Mas já não se compreende que, depois de traduzirem «Der Schmied» por «O Ferreiro» e «Der Jager» por «O caçador», ´traduziram´ «Sommerabend» por «Summer evening» e «Sonntag» por «Sunday», finalizando alegremente com «Ständchen» transformado no portuguesíssimo termo «Serenade».
Ora bolas. A Fundação Oriente, como instituição de utilidade pública, devia preocupar-se também com a língua portuguesa. Os concertos foram óptimos, matei saudades do fliscorne. Mas…







