virtudes do zapping


Apanhei ontem Zainab Salbi em entrevista à Al Jazeera. Detalhes da vida privada e do trabalho desenvolvido, salteados com a sua mensagem e reflexão. Afegãs, congolesas, iraquianas e bosnias oferecem à activista e autora biografias inconfessáveis, pedindo-lhe que as revele ao mundo, mas não aos vizinhos.

Relatou a experiência do medo, um medo tão familiar que se torna nosso e descobrimo-nos a cuidar dele, a encontrar-lhe conforto. A consequente necessidade de saber controlar as emoções até ao domínio da expressão fisionómica.

Saddam Hussein capturado trouxe-lhe um dia feliz, apesar da posição firme contra a guerra, porque a paz tem um preço muito mais baixo (e preço é polissémico…). Assumiu candidamente a incoerente ambivalência.

Treinada para dar, o maior desafio que encontrou na intimidade foi o de aprender a receber. Habituou-se a causas grandiosas e só há pouco tempo descobriu o encanto das pequenas coisas, aceitando agora o direito à maternidade.

De tudo falou, mesmo do choro – o seu -, sem despir o sorriso. Que bonita.

susana

5 thoughts on “virtudes do zapping”

  1. Ana,

    E daí não sei. O Aragon sabia que a frase era de efeito, mas contava com o bom entendimento dela.

    Ele pretendeu dizer que a «mulher», a parte rebelde do bicho-homem (de que Eva era o exemplo), valeria um dia para a Humanidade inteira.

    O soundbite é menor. Mas fica-se mais informado.

  2. py, luminosa, sim.

    valupi, concordo contigo. desde que mulheres e homens se salvem reciprocamente.

    ana, fico a olhar para a frase com a interpretação que (também) eu lhe dava e com o esclarecimento do fernando. não é assim tão diferente.

    fernando, conheces a antinomia do michel tournier entre homem e mulher, nos «pares» do «miroir des idées»? lembrei-me por falares na eva. ligando, seria essa parte rebelde e una, enquanto o homem um ser castrado.

    entretanto chamo a atenção para a possibilidade de se ver um vídeo, no link deixado, que pode passar despercebido.

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