Um fliscorne para Laurent Filipe

A Fundação Oriente tem na Rua do Salitre os seus escritórios e os seus jardins. Uma mensagem no telemóvel alerta-me para um concerto com Laurent Filipe, acompanhado ao piano por Pedro Sarmiento. Num jardim da Fundação.

Laurent Filipe toca trompete e fliscorne, mas no programa aparece trompete e flugelhorn. Até parece que não há em Portugal palavra para este instrumento. Tivesse eu notas de cinco euros como de vezes vi o meu avô José Almeida Penas trocar a sua trompete (não o bocal, só a trompete) com o fliscorne do Vítor Freire na Filarmónica de Santa Catarina! Quando para se fazer um coreto nas festas se juntavam dois carros de bois e se colocava um estrado por cima… Um erro destes só pode ser ignorância. Ou então um certo novo-riquismo cultural de que valoriza tudo o que vem de fora.

Isso foi no passado dia 4. Agora, a 11, estava escrito que o barítono Emilien Hamel é diplomado pela Université de la Sorbonne. Como se não houvesse equivalente. Mas, para não ficar por aqui, as meninas da Fundação trouxeram a tradução das «Histórias simples» de Brahms. Como a maior parte das pessoas não sabe alemão, compreende-se. Mas já não se compreende que, depois de traduzirem «Der Schmied» por «O Ferreiro» e «Der Jager» por «O caçador», ´traduziram´ «Sommerabend» por «Summer evening» e «Sonntag» por «Sunday», finalizando alegremente com «Ständchen» transformado no portuguesíssimo termo «Serenade».

Ora bolas. A Fundação Oriente, como instituição de utilidade pública, devia preocupar-se também com a língua portuguesa. Os concertos foram óptimos, matei saudades do fliscorne. Mas…

25 thoughts on “Um fliscorne para Laurent Filipe”

  1. Meu Caro Amigo,

    Esse mal com a Língua Portuguesa parece tornar-se calamitoso, epidémico.

    Não há bicho careta que não pense que se promove debitando uns timmings, um test-drive, um briefing, um coffe-break, um ci-ai-ei, um éme-ai-ti, um éfe-bi-ai, etc., etc., como se não houvesse, nem nunca tivesse havido termos equivalentes em português ou modos de dizer esses acrónimos com pronúncia portuguesa.

    Aquilo que parecia uma moda, ameaça tornar-se uma doença e testemunha uma progressiva despersonalização da nossa cultura, do nosso modo de ser, que faz de nós uma espécie de miúdos tontos, absolutamente excitados,inebriados com as palavras ou expressões anglo-americanas, exactamente na proporção em que ignoramos a nossa Língua, a sua História, a sua gramática, a sua índole, bem como aqueles que melhor a cultivaram em todas as épocas.

    Como se pode reverter esta enorme tontice ?

  2. António Viriato,

    TEMA – Se fosses comer no cú com o teu Lusianismo: seria essa, de facto, a solução recomendada a um escravo do vernáculo perante um post do Zé bastante engraçado que até me ensinou, e talvez a outros, que havia um instrumento musical chamado fliscorne, tocado pelo seu avô? Se queres que te diga, ninguém sabe.

    “Inebriados com expressões anglo-americanas”. Ora se fosse comer na cona, filho… É que tu se calhar nem exististe, meu chocha. Saiste-me cá uma Viriata…

  3. Estou estupefacto. De que infecta cloaca terá saído tão imundo espírito ?

    Alguém lhe fará a caridade de lhe promover um pouco de juízo na cabeça e um pouco de moderação na linguagem ?

    Peço desculpa ao meu anfitrião de, ainda que de modo involuntário, ter originado este triste episódio de tamanha indigência mental. Ele há dias assim…

  4. Caro António Viriato,

    Aquele comentário era um dos que nós, com um maléfico sorriso, de-le-ta-mos.

    Sorte dele, ter-lhe você respondido.

    Não há lições de conduta para tais parvos.

    Um abraço.

  5. Caro Fernando,

    Cuidado com esse plural na delatação. Eu, por exemplo, não apagaria o comentário do Sertorius. O António Viriato é livre de responder, livre de ignorar. Mas a partir de que critério se apaga um comentário, por mais inane ou grotesco que ele nos pareça?…

    Cuidado, repito, pois a questão não é bizantina.

  6. Caro Valupi,

    Mantenho que apagaria, de certeza o último parágrafo. Os termos de que «Sertorius» se serve aí (para além de nada informarem, e portanto nenhuma informação se arriscar a ser perdida) são gratuitamente ofensivos, sobretudo tendo em conta a seriedade da intervenção de António Viriato, que para mais se identifica e remete para o seu blogue.

    É essa imensurável diferença de qualidade nas duas intervenções que eu sublinharia, apagando. Eu tenho um limite de convivência com a indignidade. A questão não é, de facto, bizantina.

    Repito: só a resposta de António Viriato me impediu o gesto. Desculpa, só, ter usado o plural.

    P.S. Dizes que AF é livre de responder. Mas quê, se AF – que está identificado – não voltar cá, seja por que circunstância for? Nós temos aqui uma responsabilidade. E este plural é consciente.

  7. Meus Caros Amigos,

    Permitam-me que diga mais qualquer coisa a propósito deste despropósito.

    Naquela base vocabular acima, não há discussão possível. Por isso, talvez a melhor solução seja mesmo apagar esse tipo de comentários, que, na verdade, nem isso são, mas apenas insultos soezes, impróprios em qualquer parte do mundo para se estabelecer qualquer tipo de diálogo.

    Neste, podemos concordar ou discordar uns dos outros e até usar de uma linguagem viril, mais contundente, mas sempre, entendo eu, balizada pela decência, se queremos merecer o respeito dos nossos interlocutores.

    Quem envereda pela arruaça, pela linguagem sórdida ou infame, ainda por cima, sem nenhuma justificação sequer de antecedente criado, desqualifica-se de imediato.

    Que iremos debater em tal ambiente ? Nada. Se aceitássemos a discussão nesses termos, só trocaríamos insultos. Seria preferível não responder.

    Se quiserem, podem apagar estes últimos comentários,incluindo este também, que, de facto, até me entristecem, pela fealdade do caso a que respeitam.

    De vez em quando, aqui venho trocar impressões, em especial, estimulado pelos textos de JCF que há muito leio, na Gazeta das Caldas, e que, com surpresa agradável, aqui encontrei quando andava em cata de um assunto de memória futebolística, em que prontamente ele me socorreu, na sua qualidade de sportinguista bem informado, sendo eu um benfiquista, desafortunadamente, mais saudosista que outra coisa, dada a longa travessia que o clube, que já foi glorioso, vem fazendo, pelo grande deserto de triunfos em que se deixou cair.

    Sei que estes casos, infelizmente, acontecem, como inevitáveis ossos do ofício, mas tornam-se bastante desagradáveis, porque nada de útil acrescentam a coisa nenhuma, apenas logrando conspurcar estes democráticos espaços de debate. Daí, a minha tristeza. Conto que me entendam.

    Grato pela compreensão.

    Um abraço

  8. Caro Fernando,

    A tua argumentação é indefensável fora do estrito plano da tua subjectividade. Dizer de algum comentário que é “gratuitamente ofensivo”, é nada de aferível estabelecer. O mesmo para a convivência com a “indignidade”, aqui agravado com o gasto de nobre vocábulo na matéria em causa. E a matéria em causa é esta: anónimo espaço público.

    Hierarquizar os comentadores por ordem de identificação é inviável, senão mesmo ilógico. Por exemplo, que valor tem a inclusão de um link quando qualquer utilizador pode reproduzir essa informação? Nenhum, é a resposta. Pura e simplesmente, não se pode dizer nada quando à identidade de quem assina “António Viriato”, com ou sem blogue indicado. E estar a estabelecer a regra de que estes comentários são mais autênticos do que os “outros”, é estabelecer uma discriminação absurda.

    Finalmente, invocar a seriedade da intervenção de “António Viriato” (e honra lhe seja), é a continuação do reinado subjectivista. Porém, ainda esse pântano é preferível ao argumento da perda do comentador. Aqui, entras a pés juntos numa matéria que em tudo ultrapassa a nossa função. Nós não arregimentamos voluntários, discípulos, militantes, fãs ou apaniguados. Mesmo que tentássemos, falharíamos homericamente. Assim, não há melhor prémio do que a liberdade dos que por aqui passam. E ficam. E partem. Se o “António Viriato” ficasse agastado com um qualquer comentário, que tínhamos nós a ver com isso?! Assumir que o comportamento de algum dos leitores/comentadores é da nossa responsabilidade, paga-se caro: obriga a destituí-los da sua.

    Este assunto levará a conversas de bastidores, local próprio para se tratar da gestão da casa. Mas considerei útil abrir publicamente a discussão por ela cumprir uma promessa da blogosfera: o ser uma verdadeira plataforma democrática e civilizadora. Escuso, então, de citar Rousseau.
    __

    Caro António,

    O acto de apagar, seja o que for, é (geralmente) um exercício despótico. Quão mais não vale reconhecer a álacre imperfeição do Mundo e de suas gentes, do que impor a suposta perfeição que esteriliza e mata a torto e a direito.

    Jesus recomendava aos discípulos para deixarem de lavar as mãos antes de comer. Seguramente, um dos seus ensinamentos de mais difícil decifração.

    Viva a liberdade!

    Abraço,
    Valupi

  9. Caro Valupi,

    Penso compreender (e, se me enganar, desengana-me) que concebes este sítio virtual, a blogosfera, como terreno imaculável, paradisíaco, para lá do bem e do mal, sem pecado – sem pecado possível.

    Assim, neste espaço que tu assinas, porque nele exerces uma personalidade, que tens (o teu nick é dos mais eloquentes da nossa blogosfera, e eu não sei produzir melhor elogio), neste espaço teu, portanto, permites que se acolha tudo quanto de arbitrário, de abjecto, de desumano apetecer deixar ao mais arbitrário, ao mais abjecto e ao mais encapuçado dos comentadores.

    Ora, o estranho é que tu próprio (e nisso eu apoio-te indefectivelmente, porque o teu critério me é sumamente caro) comentas a qualidade, já não de comentários, mas de veros «posts». E isso até ao limiar da rejeição velada – ou nem tão velada assim, como a reacção de visados depois demonstra.

    Aqui, caríssimo, algo range.

  10. Caro Fernando,

    Agradeço a imagem, que passo a reclamar: eis-nos para além do bem e do mal. Sim. O único pecado será o das patologias “a la bigornas”, por serem obsessivas ou inconstitucionais, não o das prestações avulsas e pícaras. Pois, a não seguir esse escrúpulo, quem irá assumir o papel de censor?

    Sejamos concretos. No comentário do Sertorius, o que é que constitui ofensa? Onde está a indignidade? Gostava de saber. Gostava mesmo de saber. Apelar a uma qualquer e suposta cumplicidade da evidência será, na temática, uma conivência maligna. Mais: que tipo de concepções éticas e psicológicas estão em acção para alguém se considerar ofendido por um comentário anónimo? Que tipo de operação cognitiva leva a valorizar um dito despersonalizado e despersonalizante? Seja o que for, é problema maior do que aquele que se aponta ao despautério ou boçalidade.

    Fazes, na continuidade da tua argumentação, um triplo salto mortal encarpado à retaguarda, na referência aos meus comentários à qualidade de alguns posts. Sabes bem, tens de saber, que a água não se mistura com o azeite, que as duas questões não têm relação alguma – a dos comentários com a dos posts, comigo na berlinda. Aliás, sejamos rigorosos – não recordo juízo quanto aos textos dos colaboradores, tomados na sua unidade, apenas registo confrontos relativos a aspectos parcelares ou laterais. De resto, é também para a intimidade, para a promiscuidade, que se participa em blogues comunitários. Contudo, aqui fica o esclarecimento: até nisso advogo a total liberdade, até nisso me quero coerente. Porque, qual a contrapartida? Inibir os meus comentários aos veros posts? Infernal, não concordas?

    Quanto à reacção dos visados, espanto-me com a tua referência. Acaso os visados estarão desprovidos de instrumentos intelectuais em quantidade e qualidade suficiente para lidarem com a minha opinião? É que se estiverem, e não o parecem de todo, talvez seja melhor não se exporem à livre expressão.

    Continuemos, caríssimo, a fazer pressão nessa madeira que range. Se partir, é porque estava podre.

  11. Caro Valupi,

    Há blogues sem caixa de comentários. Há blogues que fecharam as caixas de comentários (caso do do FJViegas). Há blogues com caixas de comentários, em que figuram rastos de comentários «apagados pelo autor» (do blogue, claro). Mas haverá blogues em que tudo é (tirando riapadas) permitido? Há. Eu sei de um. O Aspirina.

    A mensagem que tu passas é esta: no Aspirina B, pessoal, escrevam o que lhes der na tola, sejam porcos, sejam ofensivos, sejam pulhas, há lugar para todos! Que digo eu, sintam-se em casa!

    Há um pacífico cidadão, que se identifica, que tem produção bloguítica conhecida, e, tendo vindo aqui, é achincalhado por um excelentíssimo encapuçado, com um nick imensamente casual (Ah, Viriato? Pois, «Sertorius»), e o Aspirina acha bem, acha giríssimo, e grita com ele à Liberdade? Pois há, esse cidadão comentou aí acima.

    Não vou (como me pedes) explicar o que é abjecto na passagem aludida. Não poderia evitar, fazendo-o, renovar a insolência.

    Repito, pois. Serei mais claro ainda: há um patamar de convivência abaixo do qual eu não jogo. E ele é muito baixo, já de si. A minha fama não é a melhor.

    Se isto não te chegar, não desistas, ainda assim, de me convencer.

  12. Caro Fernando,

    Não pareces convencível. Mas acertas, e tanto, ao apontares o meu gosto em receber qualquer um, incluindo o “porco”, o “ofensivo” e o “pulha”. E creio-te optimista na certeza de eu disponibilizar lugar “para todos”. Espero que tenhas razão.

    O argumento de que um murídeo Sertorius consegue achincalhar os pacíficos e bloguiticamente conhecidos Antónios Viriatos impede a continuação da análise ao caso. Passámos o Rubicão da racionalidade para a insânia quando, de repente, a minha singular e explicitada posição se traduz por “e o Aspirina acha bem, acha giríssimo”.

    Concordo contigo: fim do jogo.

  13. fernando, uma pequena correcção: quando vires o rasto de um comentário apagado, como acontece no blogger, com essa referência «apagado pelo autor» deves estar ciente de que quem o apagou foi o autor do comentário, não do blog (porque se arrependeu, porque tinha gralhas e quis corrigir, entre tantas razões possíveis). quando vires um com a referência «comentário apagado pelo administrador do blog», aí sim, estarás perante a rasura do «dono» do blog. neste caso, porque pode, também acontece o administrador do blog apagar “para sempre”, pelo que na maioria das vezes nem aparece qualquer referência nesta instância. quando aparece, geralmente, é um modo de o autor do blog mostrar que apaga comentários de x ou y, porque lhe desagradam. como vês, isto é cheio de nuances.

  14. Cuidado com esse plural Fernando Venâncio, a que você descuidadamente aludiu! O Valupi fez o favor de esclarecer, com todas as letras, que não faz parte dos que deletam (apagam) comentários, por mais ordinários que sejam. Faz gala e apregoa essa sua posição alto e bom som. O Valupi é um depravado e você, FV um cobardola que não apagou o comentário nojento, acima transcrito, desculpando-se que “a sorte do Sertorius foi o António Viriato ter-lhe respondido”! Deduz-se que António Viriato fez o trabalho por si!? Portanto, como Pilatos, o FV lavou daí as suas mãos… Vocês, por este andar, fecham o estaminé! Ninguém bem-formado vos lê! A não ser para fazerem gáudio das vossas ordinarices, que são o pão-nosso-de-cada-dia no Aspirina! Uns senhores finos, tão sábios, tão bem falantes, que defendem com unhas e dentes a Cultura, a boa Literatura, a Língua Portuguesa – embora, para demonstrarem a vossa cultíssima erudição (bem pacóvia, afinal) utilizem de uma maneira ridícula vocábulos e frases em língua estrangeira por dá cá aquela palha, em postes e comentários de que são autores…
    Diga-me FV, se o António Viriato não tivesse respondido com a dignidade, a educação e até a bondade com que o fez, você, Venâncio, teria deletado? Era o deletavas! Vocês, o que mais parecem é um bando de anormais, dados ao que de mais baixo, sórdido e ordinário se pode escrever em caixas de comentários. Diz e bem António Viriato: “Que iremos debater em tal ambiente? Nada!” E acrescenta: “…insultos soezes impróprios em qualquer parte do mundo”. (Só o Valupi e outros dos seus colegas bloguistas do “Aspirina” é que parece não se terem ainda dado conta disso!).

    António Viriato: aqui, a maior parte das vezes, só se utiliza “linguagem sórdida e infame”, só se debate asneiredo do grosso, malícia do mais baixo calibre com total impunidade e liberdade de linguagem, num lamaçal imundo, onde só os porcos gostam de dar gargalhadas com a porcaria que, bastas vezes, os próprios bloguistas assinam. Encapuçados ou não. Como refere também num dos seus comentários, com isto só “…logram conspurcar estes democráticos espaços de debate.” Caríssimo A. Viriato, com toda essa ingenuidade e dignidade, cheguei à conclusão de que não tem, por hábito, ler os comentários ordinários que por aqui vão sendo escritos, diariamente, sem que sejam deletados . E ai, de quem ouse criticar tal abuso!
    Diz Valupi: “…não há melhor do que a liberdade dos que por aqui passam. E ficam. E partem.” Mais adianta o sr. Valupi: ”Se o Sr. Viriato ficasse agastado com um qualquer comentário, que teríamos nós a ver com isso!? “. Nada. Nadinha mesmo, digo eu. Porque vocês não servem para serem responsáveis por coisa nenhuma. Nem de um blogue que dá pelo nome de “Aspirina B”! Por vossa culpa, o “Aspirina” tem má fama (embora vocês andem enganados!), porque o blogue conspurca e enoja. Quem o lê, sente-se incomodado. Fica agoniado, perplexo, com tanto desaforo. Com tanta falta de ética, de bom-senso, de educação. Porque vocês estão aí para açularem os cães. Para assistirem de camarote. Como no tempo de Nero, no Coliseu de Roma!
    Diz ainda FV (num assomo de lucidez): “…haverá blogue em que tudo é permitido? Há. Eu sei de um. O “Aspirina”. E mais à frente: “A mensagem que tu passas (Valupi) é esta: “no “Aspirina”, pessoal, escrevam o que lhes der na tola, sejam porcos, sejam ofensivos, sejam pulhas, há lugar para todos! Sintam-se em casa!”
    Ainda Fernando Venâncio: “ Há um pacífico cidadão que se identifica […] e é achincalhado por um excelentíssimo encapuçado […] e o “Aspirina” (Valupi) acha bom, acha giríssimo e grita com ele à liberdade?”. Mas não acaba aqui o desabafo lúcido de FV: “Há um patamar de convivência abaixo do qual eu não jogo. E ele é muito baixo já de si.” E remata: “Nós temos aqui uma responsabilidade. E este plural é consciente”.
    Pois FV, ainda bem que reparou nisso. Mais vale tarde que nunca. De há muito que o “Aspira” precisa de se dignificar. De se limpar de erros e da estupidez de que ser grosseiro está na moda. Meus caros, conversem seriamente sobre este assunto, Porque este assunto é demasiado sério. Para defesa do vosso bom-nome. Para defesa de quem se mete a colaborar no “Aspirina”, mesmo e tão-só, nas caixas de comentários. A paciência tem limites. A arrogância também. E, já agora, o mau gosto, principalmente.
    Valupi, se depois do que lhe foi dito pelo seu colega de blogue FV continuar a defender essa tal liberdade a que dá vivas, que o “Aspirina etc. e tal, que acha bem, que acha giríssimo, ou é louco e a família não sabe, ou está seriamente traumatizado e aconselho-o, vivamente, a tentar saber o que se passa consigo. Caso contrário, só me resta (assim você mo obriga) repetir o seguinte, para terminar: Valupi, “ e se fosse comer no cu? Ou se fosse comer na cona, filho? É que tu, se calhar, nem exististe, meu chocha…” E digo-lhe isto nas trombas, a fazer minhas (azar meu) as “educadas” palavras do Sertorius. Leia, por exemplo, o blogue do António Viriato e tente aprender alguma coisa. O que não falta são blogues inteligentes, cujos postes dá gosto ler. Informativos ou formativos, políticos ou não, com excelente crítica literária, com estupendos colaboradores, etc. Mas sempre com respeito por quem os visita. Para ficarem ou de passagem…
    E agora, pode rir-se com estas larachas da trampa que tanto defende e de que tanto gosta. Se há porcos a andar de bicicleta, não será difícil a um porco dar uma boa gargalhada. Não acha Valupi?

    PS. Fernando Venâncio, valeu por ter, por uma vez, feito frente a certas vozes do “Aspirina” (neste caso, Valupi, mais concretamente). Não se acobarde. Não faça coro com a desfaçatez e a falta de vergonha. A dignidade e a compostura só ficam bem a quem as sabe utilizar na altura própria. E a quem as defende. Acho que foi o caso. Não deve esquecer-se de que o “Aspirina” precisa de si.

  15. Na verdade, não posso deixar de agradecer também as palavras de solidariedade deste nosso justo contertuliano, Herminius de seu nome e esperar que o bom senso prevaleça, como parece, afinal, ter sucedido, já que acredito que o dito tenha sido distribuído de forma razoavelmente equitativa pelos humanos, ainda que não seja aqui tão optimista quanto o velho Descartes…

  16. Hermínius,

    Li o teu texto. Reli. Meditei. Conferenciei com os meus advogados (note-se o plural, isto não é para qualquer um). E finalmente falei com uma vizinha que mora no 4ª D e que é caixa no hipermercado Modelo. A minha decisão a teu respeito é a de que tens de continuar a escrever no Aspirina.

    Se tal encargo colidir com as tuas consultas psiquiátricas, espero que mudes o horário e frequência das mesmas em ordem a cumprir com a tua participação.
    __

    António,

    Está tudo bem quando começa bem. E, aqui na blogosfera, estamos sempre a recomeçar. Por isso, avancemos para a frente, citando-se agora La Palisse.

  17. hermínius, que é isso de «deletar»? e os «postes»? não é mais ridículo este exercício de transformismo nas palavras estrangeiras do que o uso das mesmas? sugiro «apagar» e «mensagem».

  18. Pois, há sempre alguém disposto a sancionar os mais variados abastardamentos da Língua (veja-se o caso do Dicionário da Academia!). Utilizando inclusivamente o argumento de que a expressão anglófona tem uma origem… latina!! Será também válido para a aprovação de outras traduções à letra de expressões estrangeiras? (Questões a remeter para os doutos da Língua Portuguesa).
    Em todo o caso, não se perca a esperança e veja-se ainda:

    http://ciberduvidas.sapo.pt/pergunta.php?id=2225

    P. S.: sou eu o (por distracção) Anonymous de dia 19.

  19. jlm

    Mas que mal tem abastardar a língua se qualquer língua é filha da puta? Isso da língua pura não existe nas línguagens naturais.

    Num outro registo, gostava que explicasses (demonstrasses ou justificasses teoricamente) a razão dos teus considerandos quanto a “em ordem a”. Aliás, o exemplo do Dicionário da Academia não favorece a tua causa, ao contrário do que pretendes. O trabalho da equipa foi sério e aturado e valioso. O facto de, mesmo assim, ter permitido algumas polémicas só comprova a natureza viva, complexa, irredutível a maniqueísmos, do objecto em investigação e elaboração quasi-normativa.

    Finalmente, esclareço que não estou a defender a minha preferência estilística por “em ordem a”, e até usei a expressão com intencionalidade irónica. Contudo, defendo o direito a usá-la sem se estar sujeito a pseudo-correctores ingramáticos.

  20. Eu sou um utilizador da Língua Portuguesa, mas, infelizmente, faltam-me os conhecimentos para poder doutrinar assim como para determinar o que é norma ou o que é abastardamento. Tento, contudo, fazer um seu uso (da Língua Portuguesa…) o mais correcto possível e sou conservador no que toca a neologismos ou à apropriação, sem critério e/ou por facilitismo, de expressões/palavras doutros idiomas.
    Para mim, “em ordem a” sempre foi um aportuguesamento do “in order to”, ponto final. Aparentemente, não será bem assim; pelo menos, há alguma polémica em relação a isso (descobri-o graças à tua referência ao artigo do ciberdúvidas). Confesso que fiquei perplexo, mas reconheço-lhes (aos autores do “sítio” – segundo o Dicionário da Academia…) maior autoridade, evidentemente. O único argumento a favor desta minha convicção cega – e que, reconheço, não é nada científico – é o de não ter memória/registo de qualquer utilização literária dessa expressão na nossa Língua (o “literária” é também muito subjectivo e, no entanto, é para mim tão objectivo…). Confesso a fragilidade da minha argumentação e reconheço a minha incapacidade para fazer melhor…
    As Línguas crescem, evoluem, transformam-se? Com certeza. No entanto, a minha visão assumidamente conservadora faz com que eu ache preferível haver uma instituição credível (lamento, mas não considero que a Academia de Ciências, usufrua, a esse propósito, da credibilidade necessária – e vai daí, sei que não haverá nunca uma instituição absolutamente credível aos olhos de toda a gente: mais uma fragilidade da minha argumentação…), semelhante à que julgo existir na Islândia, que faça um estudo permanente do idioma e que proponha expressões/palavras equivalentes na nossa Língua às expressões/palavras estrangeiras que, acriticamente, utilizamos.
    Em certos domínios, como a Informática, a Economia/Gestão, o Marketing e outros, já quase não há vocabulário português (passe a hipérbole)!
    Porventura, desejo a “Língua Perfeita” e não sei qual o caminho para lá chegar; sei apenas que o caminho não é por aí.
    Mas, pensando melhor, o que desejo mesmo é uma Língua que não seja uma mera tradução – e, ainda por cima, apenas parcial! – do Inglês.
    Utilizando a tua expressão: ” A luta continua”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.