Em ordem a

Em ordem a esclarecer a legitimidade do uso da expressão em ordem a, volto a um assunto que recebeu de jlm um reparo e, depois, uma tomada de posição exemplarmente inteligente. A questão até oferece o picante da polémica erudita. Ora, dá-se a fortuna de privarmos com o Fernando Venâncio, entre outros eventuais companheiros de viagem com autoridade e gosto para expressarem o seu gosto com autoridade. Mal seria não colhermos tão abundante saber.

23 thoughts on “Em ordem a”

  1. O que realmente interessa aqui, pelo menos para mim, é o riquíssimo comentário do jml. Tópicos:

    a) «aportuguesamento»;

    b) o registo literário como forma de legitimação lexical;

    c) a necessidade de uma instituição que normalize (não confundir com «descreva») a língua;

    d) a aplicação de valores axiomáticos numa língua («Língua Perfeita»);

    e) a possibilidade de uma língua ser uma mera tradução de uma outra.

    Isto dá pano para mangas e prometo voltar aqui com mais tempo.

  2. Valupi,

    Agradeço-te a visibilidade que proporcionaste ao meu comentário e anseio, tal como tu, que se possa trazer a esta discusssão (da Língua Portuguesa) os “pesos-pesados” que me (nos) elucidem ou, melhor dizendo, que aceitem partilhar connosco a sua reconhecida maior sapiência. Para já, conseguimos a atenção do João Pedro. A coisa promete!
    Com sorte, a seguir vem o Fernando ao barulho. :)
    Abraço.

  3. jp, és tão sistematizado, tens espírito matemático.

    Sobre isto não posso dizer grande coisa, gosto que existam defensores da norma pois que os desvios só se apreciam em contraste, gestalt, mas eu pessoalmente sou anarca com a língua, desde que me contaram que não sei se o Eça se o Pessoa diziam que o português do Brasil era ‘português com açúcar’.

    A partir daí deixei-me ir em português com gindungo, ou com ai-manas, ou outros sabores. Me gusta.

    ————

    Agora outra coisa. Estou a ler The Richness of Life, Stephan Jay Gould, 2006, Vintage.

    O homem morreu em 2002 mas deixou escrito no Copyright, Designs and Patents Act, 1988, que queria ser identificado como autor desta obra, editada por McGarr & Rose.

    Acho que os meus amigos budistas não achariam boa idéia um homem ficar apegado post mortem…

    (não me querem contar como se faz itálicos aqui?)

  4. Primo, fico na expectância, então.
    __

    jlm, nós (autores e leitores) é que te agradecemos a opinião. Não sei se teremos sorte com os doutores, mas ficará, pelo menos, o apontamento da questão.
    __

    z, para os itálicos, fazer:

    sinal “menor do que”+em+sinal “maior do que”+conteúdo do itálico+o passo inicial, mas com / antes de em.

    (é uma explicação macarrónica, mas a melhor que arranjei)

  5. Bom dia. Vou aproveitar esta kpk com uma coisa que acho interessante.

    Naquele livro que vos referi em cima, na Introdução (de Steven Rose 2005), no primeiro parágrafo, a propósito do Gould diz-se:

    And not just in the Anglophone world, for his books and articles have been widely translacted,…, in every society in which debate about evolution and the human condition are the stuff of intelectual life.

    (ando a treinar, com itálicos fica mais violino ;)

    Mas portanto já viram o Anglófono com maiúscula?

    Os malandros apropriaram-se da linguagem da ciência, que era o latim, com A Origem das Espécies do Darwin, creio. Deu-lhes uma de ser ‘os mais aptos’ e vai daí.

    É por isso que eu acho mal que a política científica do ensino superior continue a desprezar coisas escritas em português, rendendo-se incondicionalmente aos lóbis anglófonos. Eu não me rendo. Participar é outra coisa, mas subordinarmo-nos não.

  6. “É por isso que eu acho mal que a política científica do ensino superior continue a desprezar coisas escritas em português, rendendo-se incondicionalmente aos lóbis anglófonos. Eu não me rendo. Participar é outra coisa, mas subordinarmo-nos não.”

    Z: É um assunto sobre o qual tenho reflectido ultimamente. Aquilo de que te posso falar com algum conhecimento de causa é do ensino da matemática e da física.

    No ensino universitário para evitar barreiras linguisticas é preciso aplicar duas políticas que são aparentemente contraditórias. Apostar na produção de material didático em Português, e por outro criar mecanismos que incentivem a leitura da língua franca que é hoje em dia incontornável.

    Quanto ao ensino secundários aquilo que conheço são os manuais de física e matemática se os últimos têm geralmente uma qualidade bastante aceitável os primeiros têm quase sempre erros científicos bastante sérios. A produção de material didático para o ensino da física é uma área onde temos certamente muito a aprender com os estrangeiros, falem eles a língua franca ou não.

    Mas isto são as ciências (ditas) exactas onde se pode falar com grande facilidade em universalismo. Quanto ao resto prefiro ouvir antes de opinar.

    Quanto à maiúscula do anglófono concordo contigo é ridículo independentemente de tudo o resto.

  7. D. João, a maiúscula do anglófono não é ridícula, é exacta para quem a escreve, e é imediatamente correlativa do ‘I’impositivo.

    Mas eu não vou diabolizar o inglês, nem aliás qualquer outra língua, todas me enriquecem, e reconheço que o inglês é hoje a língua franca da ciência e de outros domínios que deve ser aprendida por todos, jovens e não só.

    O que eu defendo é uma política de compensação, não se despreze (é o termo) o que é escrito por exemplo em português.

    Por exemplo um dia contaram-me que a condição dita ‘de Cauchy’ sobre a continuidade, devia ser, por uma questão de anterioridade, referida como ‘da Cunha’, já que o Anastácio da Cunha tinha-a formulado de forma equivalente e antes. Era o tempo da dominação do imperialismo francófono.

    Também não ligo excessivamente a isto, creio, mas às vezes irrita-me a falta de auto-estima que nos percorre, induzida por outros (o que é compreensível, são estratégias de dominação) e acatada com anuência servil.

    Não critico quem publica em inglês, fazem muito bem, só peço que não se esqueçam de também publicar em português. E exijo das autoridades científicas o reconhecimento da pertinência dessa política.

    Creio que no fundo não estaremos muito longe, é juntar os dois lados e já está.

  8. olha lá Maskas, ser´+a que Mozambique te diz algo? Estava ali a fumar um cigarro e a congeminar. Eu estou a montar não-sei-quê, que passa por um post-doc, que mete ‘sistemas complexos’ ao barulho com Ecologia (complexos no sentido de complexidade computacional, não de variável complexa, esse caminho ainda está por abrir) e já tenho respostas promissoras. Mas atenção realmente não posso prometer nada porque eu não falo lobbying de bastidores.

    Mas enfim, se isto te disser alguma coisa e quiseres juntar-te és bem-vindo. Por favor não me interpretes mal, eu sou muito autónomo, e já me provei a mim próprio por várias vezes que sobrevivo bem em qualquer lado do mundo. Mas com amigos é mais divertido.

    Tu tratas das gazelas e eu dos impalas e assim não há espiga. Fica sempre um nadinha de ciúmes, mas isso é como os cominhos na dobrada, é bom.

    Por falar nisso eu e o X do Semiramis ficámos amigos para sempre, claro, e ele anda lá a montar uma coisa em Cachoeira, que também mete Moçambique ao barulho.

    Mas aí é negócios e eu fico enjoado, a não ser que alguma triangulação me dê para ficar meio distraído.

    pescaste um celacanto?

  9. “D. João, a maiúscula do anglófono não é ridícula, é exacta para quem a escreve, e é imediatamente correlativa do ‘I’impositivo.”

    Já volto à questão das maiúscula.

    “O que eu defendo é uma política de compensação, não se despreze (é o termo) o que é escrito por exemplo em português.

    (…)

    Também não ligo excessivamente a isto, creio, mas às vezes irrita-me a falta de auto-estima que nos percorre, induzida por outros (o que é compreensível, são estratégias de dominação) e acatada com anuência servil.

    (…)

    Creio que no fundo não estaremos muito longe, é juntar os dois lados e já está.”

    Concordo.

    Voltando agora às maiúsculas. Para te ser sincero, eu nem sei se o nome duma nacionalidade deve ou não ser escrito com maiúscula. É uma daquelas questões (e que são muitas) em que pura e simplesmente não sei a norma. Se quisermos escrever Anglófono com maiúscula temos que fazer o mesmo com Lusófono, aí não há volta a dar-lhe. São duas culturas que têm igual dignidade.

    Quanto ao “I” (pronome inglês) acho piada que seja escrito com maiúscula.

  10. Eu por acaso tenho uma publicação em sistemas complexos, que envolve sistemas ecológicos. A única questão é que eu fiz a parte que não tinha nada a ver com ecologia, e quem fez a parte de ecologia foi um colega meu (de seu nome Paul Anderson, que se converteu à biologia).

    Depois se quiseres eu mando-te duas referências. Em qualquer dos casos eu depois mando-te um mail sobre o assunto, e depois podemos tomar um café. Combinado?

    Abraço

  11. então, se quiseres fazes assim:

    mandas um mail para

    *gmail.com

    onde no wild card metes o meu primeiro e último nome, pegados sem acentos

    ——

    só agora, depois de ver aquele relato do filme, e só vi um terço, é que acredirei que a queda das torres tinha sido propositada por dentro

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